Do outro lado...

Do outro lado… (2) Ayrton Senna

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Depois dos primeiros socorros prestados no hospital da cidade onde aconteceu o acidente, Nickolas precisava ser removido para Curitiba, mas com o edema cerebral ficava difícil.

Amigos e parentes chegavam para fazer companhia e dar apoio. Ainda não acreditava no que estava acontecendo. Na hora do choque, o pensamento que nos vem à cabeça é “daqui a pouco isso tudo vai terminar”. Na verdade, a esperança de um milagre é o que nos sustenta. O mundo lá fora continuava e outra tragédia, agora de nível mundial, ceifou a vida do ídolo Ayrton Senna. Era o ídolo do Nickolas também. Comecei a pensar na dor da mãe dele: seria a mesma que eu estava sentindo e vivendo? Acho que era maior, porque ela não tinha mais nenhuma esperança e meu filho ainda respirava. Naquele dia eu até escrevi uma carta pra ela, que nunca mandei e ainda está comigo:

“Mãe NEIDE,

Sei da tristeza de todo o Brasil pela perda do ídolo que orgulhou nosso país. Mas a maior dor, com certeza, é aquela que estamos partilhando: você, pela separação definitiva de seu filho; eu, pela angústia de saber que o meu filho, de 18 anos, está lutando numa UTI para viver. Tenho esperança de que se recupere pois o entreguei a Deus e a todos os que puderem fazer algo para devolvê-lo a mim. Ayrton não teve essa chance, mas pedi também a ele que ajude, lá do alto, alguém que torcia por ele e que agora precisa de sua força. Mãe Neide, console-se em mim, que também sofro, e ore por ele, que estarei orando pelo Ayrton, para que ele esteja num lugar feliz.”

Era preciso esperar…

Aliás, numa situação como essa, a única coisa que se tem a fazer é esperar. A paciência que nunca tivemos se impõe sobre nossa vontade e não há nada que apresse qualquer solução. No primeiro momento, o que a gente quer é que a pessoa esteja viva. Só depois, com o tempo, ficarão evidentes os maiores desafios que a nova situação impõe…

Clique aqui para ver os outros capítulos da história “Do outro lado…”

Sobre o autor / 

Nelci Burtet

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4 Comentários

  1. Nayanne Melo sábado, 8 de maio de 2010 em 17:03 -  Responder

    Estou acompanhando e identificando muitas situações semelhantes que já presenciei, pois sou profissional da área médica. Aguardo ansiosamente o desfecho da história.

    maio 11th, 2010 - 00:03
    Nelci Burtet respondeu:

    Oi Nayanne! Com certeza você vai reconhecer muitas outras situações, onde eu tive que aprender meio na marra. Por isso acho importante as pessoas da área médica, que atendem este tipo de problema, dar o maior número de informações pra quem vai conviver com o paciente. Este foi o meu maior desafio. Obrigada pelo interesse. Bj

  2. Tabata Schovas sábado, 8 de maio de 2010 em 18:54 -  Responder

    Nossa muito bonita a história de vcs…estou aguardando muito, mais muito anciosa pelo proximo capitulo….

    maio 11th, 2010 - 00:04
    Nelci Burtet respondeu:

    Olá Tabata! Então, na verdade a história era para ser muito trágica, mas ….. ah, isso voce só vai ver mais adiante. Paciência … =) Bj

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