Do outro lado...

Do outro lado… (8) Concretizando

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Depois de ler todos os outros capítulos, o leitor pode estar se perguntando:

– Pô, será que essa mulher nunca se abalou com a situação? Poucas vezes ela falou de emoção, e parece que só foram alegrias. Será que nunca bateu nela, nesse tempo todo, um desânimo, uma depressão, uma recaída lá nas famosas fases do capítulo 4?

Eu respondo:

– Claro que sim!!!

Lembro que uma vez até agi de forma irresponsável. Eu era professora de uma escola, amava dar aula de História, e de um dia pra outro falei pra diretora que não ia aparecer mais por lá. Me mandei da cidade e só voltei uma semana depois. Fui pedir desculpas, mas não voltei a dar aula. O problema não estava na recuperação do Nickolas, que nessa altura já tinha voltado a morar em Curitiba, estava formado, “se virando nos 30” e se preparando para o concurso da empresa em que ele trabalha hoje. Creio que as tensões vividas no dia a dia vão minando a resistência e uma hora elas explodem. Ou nos afogam. Porque somos racionais e emocionais. Então, apesar de nos acharmos uma fortaleza, temos que reconhecer que precisamos de ajuda.

A psicoterapia faz muito bem. Tem pessoas que pensam que psicólogo é só para os “loquinhos”. É nada! Com o mundo do jeito que está, acho que esta é a profissão de tratamento humano do futuro. Você vai lá, joga pra fora os “bichos” que estão te incomodando, o profissional ouve, de vez em quando faz um comentário, mas na verdade é você que está se ouvindo, é você que começa a concluir que o equilíbrio está dentro de si mesmo e nas atitudes que só o tempo o fará tomar. Foi quase um ano pra chegar a esse nível. Mas cheguei!

Aí, como a maratona tem que continuar, Nickolas foi aprovado no tal concurso, há 8 anos atrás. Só que ele teria que trabalhar na cidade do Rio de Janeiro. Pensa bem… ele já estava a 600 km de onde eu morava. Para o RJ eram mais uns 900 Km, que somados davam 1.500 Km. Longe demais, e ainda por cima a violência da cidade era divulgada constantemente pela mídia. Hesitei muito. Mas ele, com aquela persuasão vampiresca, falava:

– Mãe, você não vai querer que eu fique em casa esperando a morte chegar, né?

Foi meu quarto parto, mas acabei aceitando. E ele foi…

Susto mesmo ele só me deu uma vez, que eu saiba. Ligaram de manhã, que ele estava no CTI de um hospital da zona norte com problema intestinal (vulgo nó nas tripas). Por acaso eu estava em Curitiba naquele dia. Caí da cama e fui direto pro aereoporto. Sabe aquele drama de mãe que o filho tá no CTI, tá mal, pode ser que tenha que fazer ciurgia…??? Nessas horas você encontra pessoas com sensibilidade e consegui embarcar no primeiro avião, direto pro Rio. Com o tratamento o problema foi resolvido, sem cirurgia. Muito bom.

Numa visita que fiz no trabalho do Nickolas, percebi que a tal visão de corredor que eu tinha, com portas, nome escrito na plaquinha, que citei no capítulo 1 e não sabia o final, agora estava se concretizando: saí do elevador, andei por uns labirintos de salas, e… achei o canto dele com o nome escrito. Uh, uh, então era isso! O final era ali. Creio que foi um final feliz, porque acredito que o Nickolas está profissionalmente realizado.

Por falar em feliz,  quando ele estava entre o céu e a terra, sempre pedi pra que ele só ficasse aqui se fosse para ser feliz. Por isso, já perguntei a ele: Nickolas, você é feliz?

Na próxima semana, não percam o último capítulo da história!!!

Clique aqui para ver os outros capítulos da história “Do outro lado…”

Sobre o autor / 

Nelci Burtet

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8 Comentários

  1. Nickolas Marcon sexta-feira, 18 de junho de 2010 em 10:59 -  Responder

    Siiiiimmmmmm!!!!!!
    Se por um lado tive que dar a cara a tapa e ir para longe atrás de uma boa colocação, de outro lado sempre tive todo o apoio da família para chegar até aqui.
    Nesses 16 anos de cadeira, aprendi que quando passamos por dificuldades que não podemos superar sozinhos só podemos contar com a família ao nosso lado. É o maior valor que podemos ter.
    Hoje sou muito feliz, mas com uma mãe assim nem poderia ser diferente… 🙂

    junho 18th, 2010 - 22:02
    Nelci Burtet respondeu:

    Êta rasgação de seda! Ainda bem que mãe só tem uma, né? Como não ser feliz com um filho (e uma filha) como esses?… Bj

  2. Tania Speroni sexta-feira, 18 de junho de 2010 em 13:20 -  Responder

    Mas deu susto esse menino!!!Já pensou usar uma figa?Que coisa!!!
    Ô Nickolas!!!Toma prumo,hehehehe.
    Sexta tem mais,né?
    Beijos
    Tania Speroni
    http://www.zerohora.com/sembarreiras

    junho 18th, 2010 - 22:02
    Nelci Burtet respondeu:

    Oi Tânia!! Você já viu alguém aprontar mais que o Nickolas? E olha que usei todos os patuás e invoquei todosos santos. Alguém protegeu! Bj

    junho 18th, 2010 - 22:07
    Nickolas Marcon respondeu:

    Se assim eu já estou com má fama, imagina se contasse do carro capotado, aventuras turísticas e outras proezas que minha mãe não estava junto…
    Calma, gente, não sou um filho tão ruim assim, só acho que as rodas não me limitam… ehehehe.

    junho 21st, 2010 - 01:00
    Nelci Burtet respondeu:

    Com certeza tem muita coisa que eu não sei, né? Mas tudo bem, o que os olhos não vêem, o coração
    não sente. Bj

  3. Yoana domingo, 20 de junho de 2010 em 19:19 -  Responder

    Que luta heim? Essa historia daria um livro!

    junho 22nd, 2010 - 17:17
    Nelci Burtet respondeu:

    Yoana, não está fora de cogitação. Se achar uma editora, quem sabe viro escritora, eheheh. Bj

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