Viagens e Turismo

Buenos Aires por Laura Martins

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Mais uma leitora do Mão na Roda visitou Buenos Aires e nos mandou suas impressões. Valeu, Laura!

Sou cadeirante e cheguei de Buenos Aires há pouco tempo; incentivada pela Joana Roquette, também quero compartilhar minhas experiências com vocês. Quem sabe não conseguimos incentivar mais cadeirantes a viajar?
Coisa que adoro fazer e já me aventurei por inúmeras cidades brasileiras, assim como pela Europa, Suíça e França.

Para Bs As, viajei com minha mãe e meu irmão. Essa cidade ainda não está bem preparada para receber pessoas com deficiência: há poucos banheiros acessíveis, muitos espetáculos de tango ou apresentações musicais acontecem no subsolo ou no andar de cima dos estabelecimentos, há poucas calçadas rebaixadas, e por aí vai. Desse modo, é difícil um cadeirante circular sozinho pela maioria dos espaços, e, mesmo com ajuda, fica difícil entrar em muitos lugares.

Rampa na entrada do Museu Malba

Laura ao lado da rampa na entrada do Museu Malba

Sozinho, dependendo da condição do cadeirante, dá pra circular, por exemplo, na Calle Florida (que é um calçadão, onde os carros estão proibidos de circular), no shopping Galerias Pacífico (a entrada pela Florida é acessível e há banheiros também acessíveis), no Malba (Museu Latino-Americano de Arte Moderna), onde estão obras como o Abaporu, da brasileira Tarsila do Amaral, e um auto-retrato da mexicana Frida Kahlo (que, por sinal, também tinha uma deficiência física). Tudo é acessível nesse museu, inclusive o charmoso bistrô.

Em todos os quarteirões do Centro por onde passei, há calçadas rebaixadas. Porém, praticamente todos os rebaixamentos estão quebrados ou têm um “degrau” de cerca de dois, três centímetros em sua parte mais baixa.

Na Recoleta e em Palermo, há pouquíssimos rebaixamentos, lamentavelmente. Por outro lado, a cidade é bastante plana, o que facilita bastante os deslocamentos.

interior da Livraria Ateneo

Livraria Ateneo

O cadeirante não deve deixar de conhecer a livraria El Ateneo Grand Splendid, na Avenida Santa Fé. É esplendorosa! Já foi um teatro e hoje é uma das maiores livrarias da América Latina, assim como uma das mais lindas do mundo. Os balcões do antigo teatro hoje comportam prateleiras com livros, CDs e DVDs. Tem elevador e banheiro acessível. Uma rampinha íngreme dá acesso ao palco, onde se localiza o café. Imperdível.

Trilha pavimentada de pedras no Rosedal

Trilha pavimentada de pedras no Rosedal

Dá também para passear no Jardim Japonês, assim como, com alguma dificuldade, no Rosedal, que é magnífico, mas a circulação não é pavimentada, e sim recoberta com pequenas pedras, o que dificulta bastante o transitar com a cadeira. E não há rebaixamento das calçadas para entrar no parque onde ele se localiza.

Por perto fica a magnífica escultura floral chamada Floralis Genérica, que abre as pétalas quando o céu está claro. Dá pra chegar bem pertinho.

Passear pela Recoleta e por Palermo possibilita conhecer a lindíssima arquitetura, muitas vezes inspirada na francesa, e encontrar cafés e lojinhas muito charmosos. Mas será necessário um braço forte para ajudar, pois, novamente, quase não há rebaixamento nas calçadas.

Laura e sua mãe na entrada do café Tortoni - degrau para entrar

Laura e sua mãe na entrada do café Tortoni

Josephina e La Biela, na Recoleta, são cafés onde há entradas planas. Ambos são muito agradáveis, e o primeiro tem banheiro acessível. Não deixe de ir ao tradicionalíssimo e elegantérrimo Café Tortoni, no Centro. De manhã não é tão cheio e só tem um pequeno degrau na entrada.

Adorei Puerto Madero, mas para ter acesso encontrei apenas uma rampa na extremidade Norte. Cafés e restaurantes, só com a ajuda de braços fortes. Não encontrei lugares acessíveis, mas também não “andei” por toda a região. Dá pra circular tranquilamente pela calçada e ir até a Ponte da Mulher, que é linda.

Entrada do Alvear Palace Hotel com plataforma elevatória

Alvear Palace Hotel - plataforma elevatória à direita

No Alvear Palace Hotel há uma plataforma elevatória na entrada, o que permitirá que o cadeirante entre para conhecer a imponente arquitetura, os lustres de cristal e as passarelas persas, ou para tomar o café da manhã, o chá da tarde ou o brunch dominical. Programa de rei ou de rainha, e acessível.

Fiquei hospedada no Hotel Meliá Buenos Aires, na Rua Reconquista. Oferece quarto acessível correto e portaria também acessível. Ele fica em um calçadão, onde só podem entrar automóveis para deixar as pessoas no hotel ou utilizar estacionamentos. Em frente ao hotel, há diversos pubs bacanas.

Para pegar táxi, vale o que já disse a Joana Roquette, em post anterior.

Como regra geral, nossos hermanos são bastante simpáticos e fazem de tudo para compreender o que dizemos, ainda que não saibamos uma palavra de espanhol. Não foram poucas as vezes em que pessoas espontaneamente ofereceram ajuda para que eu saísse de algum café ou restaurante com degrau na entrada. Mas, é claro, não custa aprender algumas expressões básicas do idioma, para facilitar a comunicação, não é mesmo?

Uma dica legal: o site do Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires disponibiliza um guia de turismo acessível, além de um mapa com informações sobre acessibilidade, entre outras coisas. Basta acessar: http://www.buenosaires.gov.ar/areas/vicejefatura/copine/.

Voei pela TAM e fiquei satisfeita. O atendimento à bordo foi muito atencioso, e as comissárias fizeram de tudo para tornar minha viagem mais confortável. É possível utilizar o toilette, pois existe uma cadeirinha de rodas que passa no estreito corredor, mas é necessário que a pessoa deficiente tenha algum equilíbrio de tronco e movimentos de braço para fazer a transferência da cadeira para o vaso sanitário.

Não deixe de avisar por telefone a respeito da necessidade de usar sua cadeira de rodas até a entrada da aeronave e de ser acompanhado até lá. E, como as poltronas destinadas às pessoas com deficiência não podem ser marcadas nem pela internet, nem por telefone, chegue mais cedo ao check-in para solicitá-las.

No mais, boa viagem! A minha foi ótima.

Sobre o autor / 

Laura Martins

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11 Comentários

  1. Sabrina terça-feira, 22 de junho de 2010 em 20:35 -  Responder

    Oi Laura, adorei seu post e encaminharei para outros cadeirantes também!!!
    Bjs!

  2. Kenia quarta-feira, 23 de junho de 2010 em 12:16 -  Responder

    Também adoro viajar e adorei o post, ainda vai ser muito útil.
    Gostaria do contato da Laura, será possível vcs me passarem?
    Acho que ela é de BH, somos conterraneas.

    Abs.

  3. Alcione Albuquerque quarta-feira, 23 de junho de 2010 em 13:06 -  Responder

    Laura,
    isto sim é uma viagem que alia prazer a utilidade!
    Continue viajando….e publicando.
    Dei , dou e darei a maior força.
    Carinhos
    Alcione

  4. Rafael Almeida quinta-feira, 24 de junho de 2010 em 10:05 -  Responder

    É muito agradável ouvir que por maiores que sejam as dificuldades de um cadeirante, vcs não deixam de viajar, de ter contato com novas culturas e pessoas. Ser feliz é o que importa!!
    Ps. Adorei o post!!

  5. Laura Martins sexta-feira, 25 de junho de 2010 em 12:36 -  Responder

    Oi para todos!

    Quero agradecer à equipe do Mão na Roda ter me “emprestado” este espaço para compartilhar experiências com os leitores. Sigo o blog há tempos e admiro o trabalho que vcs realizam, pela seriedade, leveza e qualidade.

    Sabrina, encaminhe a outros cadeirantes sim! Nossas experiências, afinal, podem incentivar outros a realizar seus sonhos. E, quanto mais os cadeirantes participarem da vida social, mais haverá reivindicações para que os espaços públicos favoreçam a inclusão.

    Sim, Kenia, sou de BH. Já lhe encaminhei uma resposta por e-mail, ok?

    Alcione, agradeço pela força. E, de fato, aliar prazer a utilidade é muito bacana, né?

    Rafael: não se pode abrir mão das realizações por causa das dificuldades. É uma questão de ajustar as velas para navegar, sem desistir da experiência porque as condições são desfavoráveis, concorda? Agradeço pelo post e pelo incentivo.

    Um abraço a todos,

    Laura Martins

  6. Joana Roquette quarta-feira, 30 de junho de 2010 em 20:51 -  Responder

    Laura,

    Adorei seu post! Vamos incentivar essa galera a conhecer o mundo sobre quatro rodas! *rs

    Beijos.

  7. Laura Martins sábado, 3 de julho de 2010 em 10:53 -  Responder

    Também adorei o seu, Joana! Acho que estes posts sobre viagens incentivam, sim. Aliás, estou doida para viajar de novo… Bjs!

  8. Narjara sábado, 9 de outubro de 2010 em 19:41 -  Responder

    Oi Laura, tudo bem?? Minha tia é cadeirante e está indo para Buenos Aires, acontece que ela ligou na TAM e foi informada de que não pode levar cadeira motorizada, pois a bateria da cadeira atrapalha o avião. Ela quer saber como vc fez e se a informação que ela obteu é realmente verdade.
    Você saberia nos responder?
    Muito obrigada desde já!

  9. Laura Martins domingo, 10 de outubro de 2010 em 10:47 -  Responder

    Narjara, tudo bem?
    Não sei dar maiores informações, porque minha cadeira não é motorizada.
    Acredito que tenha havido um mal-entendido: creio que ela poderá levar a cadeira motorizada para Buenos Aires, mas deve trocar de cadeira no momento do check-in e utilizar a oferecida pela companhia aérea. No desembarque, a cadeira dela será devolvida junto com a bagagem.
    Anteriormente, essa informação era disponibilizada no site da TAM. Consultando agora, não mais a encontrei…
    Então, que tal vocês telefonarem novamente e checarem as informações cuidadosamente?
    Abraços!

  10. JORJE BRENDO domingo, 11 de setembro de 2011 em 11:58 -  Responder

    Debaixo do meu pe esquerdo, escreva o prISCILA.
    Repita 3 vezes: debaixo do meu pe esquerdo eu te
    prendo (priscila ), eu te amarro(priscila b), eu te mantenho(priscila ).
    Pelos poderes das 13 almas santas e benditas e por sao
    cipriano, voce vai ficar apaixonada por mim(priscila ), e
    confessar seu amor por mim, vai ficar comigo pra
    sempre e me fara muito feliz. Que voce(priscila ) so tenha
    pensamentos, olhos, coraçao, amor, desejos, tesao,
    admiraçao, respeito, carinho, paz e realizaçao sexual
    comigo (priscila b.machado). Que voce seja um amante fiel e dedicado e
    completamente apaixonado por mim (bdsoração para amaração de amor). Assim eu
    quero, assim sera feito, assim esta feito, amem. Publicar
    essa oraçao oração para amaração de amor

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