Opinião e cotidiano

Não apóia aí não!

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Esses dias têm feito frio (moro em São Paulo). E nada melhor do que se esquentar ao sol no horário do almoço no serviço. Tem até uma área própria para isso lá. Daí que me veio a idéia de escrever sobre esse assunto que certamente já deve ter sido vivenciado por alguns, que é a “liberdade” que alguns amigos, colegas e às vezes até desconhecidos tomam, de chegar já se apoiando em nossas cadeiras, pendurando coisas… como se elas fizessem parte do “cenário”.

São muitos os pontos da cadeira que as pessoas “acham” que podem utilizar:

Os puxadores servem tanto para se pendurar bolsas e sacolas, bem como servir de apoio para quem estiver ao seu lado.

Outro lugar bastante disputado é o suporte dos garfos dianteiros. Parecem que foram feitos para alguém esticar a perna e apoiar o pé. Não contentes em apoiar o pé, ainda nos balançam como se estivesse ninando um bebê (argh!). E o solado aspero riscando a pintura? Assim não pode, assim não dá. Cadeira de rodas custa caro!

Ainda seguindo nessa linha, às vezes insistem em apoiar os pés nos corrimãos (corrimão é o aro que utilizamos para segurar e tocar a cadeira), lugar que estamos com as mãos frequentemente, vem o cidadão e mete o pé sem se importar se está sujo ou não.

A única exceção que eu abro é para a sobrinhada, que adora brincar com a roda da cadeira, se estiverem na fase de engatinhar então nem se fala, parece até que os corrimãos foram feitos para eles se segurarem e ficarem de pé.

Mais um lugar: a barra rígida do encosto, ali é ótimo para colocarem blusas, ou toalhas (moda praia), e note que sempre é a blusa ou toalha de alguém, nunca a sua. Pô me ajuda aí!

Quando eu tinha cadeira com apoio de braços, era comum outros braços que não os meus estarem apoiados neles. Em churrascos, festas e reuniões desse tipo, era MUITO comum. Eu sei que é “sem querer”, mas acontece.

Agora o ápice: apoiar os pés nos raios das rodas, ah não, isso nem o Papa eu deixo, além de ser perigoso, pode entortar!

Alavanca de freios: quem tem seu cãozinho de estimação, adora. Para pra conversar com você e já começam a estudar “onde” vão amarrar o dog. Eu tenho um amigo que mora em frente ao meu prédio que faz isso sempre, me recuso a publicar fotos dessa cena, até por que ele tem um desses cãezinhos de madame, mas pela “amizade” eu relevo.

Mas a pior de todas, a mais constrangedora, é a cafungada involuntária no cangote. É, é isso mesmo. Você está lá trabalhando em seu micro, concentrado, eis que chega alguém por trás, segura no puxador da sua cadeira para se apoiar, (já aconteceu da minha cadeira quase virar trás!) e posiciona-se paralelo a sua cabeça apontando pra tela do seu micro (geralmente essas pessoas também metem a dedada na sua tela, que dá um trabalhão pra limpar). Coincidência ou não, isso nunca é feito por alguém do sexo oposto ao seu. E o bafo?

Aí não né!? Eu hein…

Sobre o autor / 

Christian Matsuy

Cadeirante, paulistano bom gourmet e piloto profissional (de autorama)

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20 Comentários

  1. @cristalk quinta-feira, 24 de junho de 2010 em 18:11 -  Responder

    hahaha! é isso ae! SINALIZA pra ver se o povo toma tento!

    junho 24th, 2010 - 21:34
    Christian Matsuy respondeu:

    oi @cristalk!

    bom te ver aqui! pois é a gente às vezes até tenta, mas dependendo da ocasião a pessoa em questão pode achar que nós além de cadeirantes, somos chatos (eu sou um caso a parte).

    Beijo!
    Christian

  2. MARIA PAULA TEPERINO quinta-feira, 24 de junho de 2010 em 19:30 -  Responder

    Christian o post é perfeito!!!!! Absolutamente pertinente. Eu viro bicho quando alguém coloca o pé na minha cadeira. No trabalho o povo já aprendeu, não fazem mais. Mas o que me deixa furiosa é quando entro num elevador, e geralmente a gente acaba ficando de costas para a porta e daí entra alguém que vc nunca viu na vida e se segura nos puxadores como se fossem barras de apoio. Eu olho feio e puxo a cadeira para frente. Quando o elevador é apertado demais e não dá para fazer isso, eu peço para tirarem a mão. Eu fico me perguntando: alguém entra num elevador e se segura no braço ou no ombro de alguém que nunca viu na vida? Não, é claro. Então por que tem que fazer isso com a nossa cadeirinha? É cada uma….
    bjs

    junho 24th, 2010 - 21:41
    Christian Matsuy respondeu:

    Olá Maria Paula,

    olha, tem gente que vai achar até que estou exagerando, mas muito pelo contrário eu até amanizei algumas situações senão fica parecendo que sou um cara ranzinza! É diferente, eu sou só chato! 🙂

    se bem que essa do elevador nunca aconteceu comigo, simplesmente pelo fato de eu sempre utilizá-lo acompanhado, dai nem tem como.

    Beijo!
    Christian

  3. Suelen quinta-feira, 24 de junho de 2010 em 19:40 -  Responder

    Nossaaaaaaaaaaaa!!!!!!!! Eu sempre me irrito com esse tipo de situação..as pessoas não se “tocam” de que a cadeira de rodas é uma extensão do nosso corpo…eu também fico andando com a cadeira quando o povo sem semancol fica se apoiando em mim…PELO AMOR DE DEUS NÉ!!!!!!!!! Muito pertinente mesmo esse post….bjs

    junho 24th, 2010 - 21:55
    Christian Matsuy respondeu:

    olá Suelen,

    não é fácil não, realmente até tira do sério em algumas ocasiões, mas é como a Maria Paula Teperino disse no comentário dela, as pessoas com a convivência aprendem e deixam de fazer essas coisas.

    isso é o conceito pleno de inclusão social.

    Beijo!
    Christian

  4. Nickolas Marcon quinta-feira, 24 de junho de 2010 em 22:58 -  Responder

    Christian, ainda tem dois pontos:

    O primeiro é uma extensão do que vc comentou sobre os pés nos raios. Uso as rodas Karma na minha cadeira, muito parecidas com as X-Core de 3 raios. É um apoio perfeito para o imbecil colocar o pé, mas ele não pensa que a cadeira vai andar quando fizer peso direto na roda. Já aconteceu de eu perder o equilíbrio e a pessoa também, quase caiu no meu colo. Ainda se fosse mulher…

    O segundo é quando vc está numa roda de conversa e as pessoas não te chamam quando querem sua atenção, simplesmente puxam a sua cadeira para a direção delas, às vezes até desequilibram quem está em cima.

    junho 24th, 2010 - 23:44
    Christian Matsuy respondeu:

    Olá Nickolas,

    muito bem observado, o lance das rodas nunca ocorreu comigo, mas esse segundo de te “puxarem pra rodinha” já aconteceu, e eu perdi o equilíbrio e cai pra frente, mas não cheguei a cair da cadeira, a pessoa em questão me puxou de costas e eu fui pra frente.

    tem a do tapa nas costas também, aquele camarada mais eufórico, geralmente bêbado, vem te cumprimentar com o famoso tapinha nas costas, mas exagera na dose e eu com meu super equilíbrio C4/C5 seguro minha respiração endureço meu pescoço e rezo p/ não ir pra frente, por que se eu for eu não volto…

    Abraço!
    Christian

  5. Cris Costa sexta-feira, 25 de junho de 2010 em 22:45 -  Responder

    Muito bom Christian!!! Fico doida quando usam meu puxador pra se apoiar, ou saem puxando ou empurrando a cadeira como se eu não tivesse ali! Dorei o post! Bjs, Cris.

    junho 26th, 2010 - 14:38
    Christian Matsuy respondeu:

    Oi Cris,

    Não custaria nada perguntar né?

    Outro momento tenso, é quando chego em frente a algum estabelecimento que tem serviço de manobrista, dai vc deixa a cadeira certinha na posição de transferência, e segundos que tira o olho da cadeira ela está do jeito que o manobrista acha que deve ser.

    sem falar os que ficam tentando fechar minha cadeira rígida.

  6. The Best sábado, 26 de junho de 2010 em 04:13 -  Responder

    HAhahahahahahah
    Muito bom!

    Daqui a pouco teremos que inventar plaquinhas de sinalização para alguns pontos, preferencialmente com muito sarcasmo.

    Cris Costa,
    Essa de sair empurando é pessimo, principalmente quando voce não pede ou não quer ir a lugar nenhum. É uma falta de bom senso e educação incrivel.

    junho 26th, 2010 - 14:33
    Christian Matsuy respondeu:

    olá The best!

    é verdade, as pessoas acham até que a gente está sendo indelicado, negando ajuda, enfim, mas eu penso assim: se eu preciso de ajuda, eu peço. e se eu acho que alguém precisa, eu pergunto. Não saio fazendo nada sem a outra pessoa pedir.

    abraço,
    Christian

  7. Luiza terça-feira, 6 de julho de 2010 em 11:54 -  Responder

    Oi, desculpe ser chata e detalhista, acerte a palavra EXCEÇÃO, que é a grafia certa,
    Bjs

    julho 6th, 2010 - 12:11
    Christian Matsuy respondeu:

    oi luiza,
    corrigido, obrigado!

  8. MarkGrunge terça-feira, 23 de novembro de 2010 em 16:06 -  Responder

    Meu! odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio esses tipos de coisas… e o pior que vc tem que ficar falando diversas vezes e eu nao estou mais nem ai so grosso mesmo e se depender mando toma naquele lugar… num fode! Ja teve uns que em pé apoiaram o pe na roda da minha cadeira e me balançando como se nada tivesse acontecendo… agora quando aquela gatinha dis para vc: “ai esses sapatos estao me matando”, velho eu nao penso duas vezes e digo: “apoia suas pernas na minha” hauhauahau… e tbm tenho um sobrinho de 10 meses que nao pode ver a minha cadeira a vem sempre mexer nela, e eu ensinei ele a batucar no protetor de raios que agora ele nao para de fazer o mesmo e fica olhando para mim dando risada hauhauahauha

  9. MarkGrunge terça-feira, 23 de novembro de 2010 em 16:17 -  Responder

    E detalhe que eu esqueci, eu comprei uma UltraLite 2000 a 2 anos atras e logo pedi para que ela viesse sem aquela manopola atras pq quando eu tive a minha aktiva da ortobras ela vivia quebrando o encosto da cadeira pq o pessoal as vezes me empurrava e correndo pulava e ficava apoiado, sem contar que ja teve um dia que eu acabei de soldar e o mulek fez isso e acabou trincando a solda, ninguem merece… soldei por diversas vezes e quanto mais vc solda o aluminio ele vai pegando impurezas e pode chegar uma hora que a solda ficará super fragil, ai nao adiantará soldar mais…

  10. Vivi quarta-feira, 13 de abril de 2011 em 00:15 -  Responder

    Nossa Christian…
    Valeu pelo toque
    e eu axava que era besteira do meu noivo realmente percebi que é muito chato…
    Coitado e olha que muitas vezes ele nem fala nada mas axo q fik em tempo de me matar
    PROMETO não farei mais…

    Muito bom PARABÉNS

    abril 13th, 2011 - 12:05
    Christian Matsuy respondeu:

    olá Vivi,

    realmente são coisas que nos incomodam, mas temos que nos acostumar!

    Beijo,
    Christian

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