Do outro lado… (9) Mensagens

Então… vou encerrando minha epopéia por aqui. Por que no número 9? É que ele se tornou meio incógnita no capítulo 3.  E como nossa vida é incerta e não sabida no instante que virá, optei por esse número.

Inspirada numa frase de Chico Xavier que li em algum lugar por esses dias, “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”, permito-me mandar algumas mensagens a pessoas que estão envolvidas em situações semelhantes às que descrevi:

FILHOS: vocês, até que não tiverem os seus, terão muita dificuldade em entender a preocupação e o zelo de vossos pais. Por isso, afrontá-los ou julgá-los por esta dedicação, pelo comportamento protetor, ou até pelo desespero de não poder controlar uma situação, será uma grande injustiça.

MÃES: os sonhos que vocês sonham para seus filhos, às vezes acontecem por caminhos de pedras e espinhos. Não se preocupem: mãe tem força para suportar e dar vida à sua cria quantas vezes precisar. Tenham certeza de que os filhos jamais querem magoar conscientemente sua mãe. Se isso acontecer, ele não pesou racionalmente as consequências, talvez por falta de experiência. O importante é que, caso aconteça algo que a machuque, não fique remexendo muito na ferida, porque aí ela nunca vai cicatrizar.

CADEIRANTES: aconteceu? Vamos juntar o que sobrou e “viver a vida”. Lamentar, culpar e reclamar só vai trazer mais decepção e revolta. Apesar de tudo, você é quem vai ter que conduzir a situação. De sua atitude guerreira, otimista e desbravadora depende o bem estar das pessoas que estão ao seu redor. Porque elas também se abalam.

Para todos, repito o que disse José Saramago:

“Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta”.

E eu acrescento: “bom é que também trabalhemos”.

E a vida continua …

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Agradecimentos:

  • Eduardo, Bianca, Cris e Nickolas: pela permissão de usar o blog Mão na Roda.
  • Nickolas: pelo apoio, correções e ilustrações.
  • Comentaristas: pelo incentivo e colaboração.
  • Leitores: pelo interesse e paciência.

Foi muito bom estar com todos vocês!

Obrigada!

Nelci Burtet

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Nota do Nickolas:

Nessas últimas 9 semanas vi se passarem 16 anos da minha vida de uma forma emocionante. Ler a minha própria história vista com outros olhos só fez aumentar a importância das pessoas que estiveram ao meu lado. À minha família, minha gratidão eterna. À minha mãe, todo meu carinho para compensar os sustos e as surpresas que vieram (e os que ainda virão) e sua incomensurável dedicação.

Em nome de todos os que leram, o nosso agradecimento por compartilhar essa rica experiência. Que sirva de inspiração para todos e que traga motivação e exemplo para os que passam pelo mesmo desafio.

Clique aqui para ver os outros capítulos da história “Do outro lado…”

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30 comentários em “Do outro lado… (9) Mensagens

  • sexta-feira, 25 de junho de 2010 em 14:04
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    Nelci, vou sentir falta dos seus posts! Tô aqui, acompanhando quietinha e gostando de ver esse olhar de quem está “do outro lado”. Minha mãe nunca falou muito sobre tudo que aconteceu, a vida seguiu e nunca conversamos sobre como foi e como é. Ler a história de vcs me fez ver e entender muita coisa. Amor de mãe é incondicional mesmo. Sem vocês do lado seria quase impossível seguir em frente. Parabéns pela trajetória e muito obrigada por compartilhar a história de vcs! Bjs, Cris.

    junho 27th, 2010 - 02:31
    Nelci Burtet respondeu:

    Oi Cris!
    Mãe é tudo igual: gosta de conversar e saber tudo sobre os filhos, sejam eles adultos ou crianças. Isso é bom porque aproxima e cria a tal cumplicidade. Aí todos ficam mais felizes. Bj

    Resposta
  • sexta-feira, 25 de junho de 2010 em 15:02
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    Nelci e Nickolas,

    Muito obrigado por compartilhar conosco suas experiências de vida. Sempre converso com meus pais sobre minha trajetória de lesado medular desde janeiro de 1987 e estou muito consciente da importância deles na minha reabilitação. Foram muitos os tipos de apoio que me deram desde o primeiro dia até hoje.

    Uma das coisas que mais marcaram minha vida foi o fim do meu primeiro casamento. Naquela época me senti pior do que quando me acidentei. O casamento era a única coisa que ainda estava intacta naquele momento (pelo menos na minha cabeça) e meus pais me acolheram e entenderam todas as minhas necessidades, até mesmo a necessidade de tentar morar sozinho… claro que só depois de muitos conselhos, mas nunca fecharam as portas pra que eu voltasse.

    Hoje dou graças a DEUS por minha “EXposa” ter me deixado. Já perdoei há muito tempo e espero que seja muito feliz na vida que escolheu.

    Estou casado há dez anos com Telma, mudei de São Paulo pra BH e nem penso em voltar pra lá!

    Um forte abraço,
    Gil.

    junho 27th, 2010 - 02:32
    Nelci Burtet respondeu:

    Gil Porta!
    Valorize aquilo que você tem. Às vezes as pessoas se afastam de nós, não por maldade, mas por não terem a força suficiente para enfrentarem a situação. Seja cada vez mais feliz. Abraço

    Resposta
  • sexta-feira, 25 de junho de 2010 em 20:55
    Permalink

    Nelci,
    Primeiro, parabéns pela iniciativa. Acho que escrever essa história foi uma das melhores ideias que você já teve.
    Apesar da minha ser um pouquinho diferente, seus relatos me mostraram que o amor e a dedicação das mães é sempre o mais generoso e o instinto de proteção de vocês é sempre muito parecido, independentemente da condição na qual os filhos se encontram.
    Tenho certeza que de agora em diante eu serei muito mais compreensiva com minha mãe; de alguma forma, estar ‘sintonizada’ com esses “16 anos” da vida do Nickolas – ainda que de forma resumida – certamente fará diferença na minha vida.
    Não só para nós, cadeirantes, mas para todos que estão ao nosso redor suas palavras são inspiradoras.
    Bjs.

    junho 27th, 2010 - 02:32
    Nelci Burtet respondeu:

    Obrigada Juliana!
    Estou muito feliz por ter ajudado a despertar em você esta compreensão que as mães tanto precisam. Um grande beijo, guerreira!

    Resposta
  • sexta-feira, 25 de junho de 2010 em 21:28
    Permalink

    Olá, Nickolas e Dona Nelci?!

    Venho agradecer a vocês dois por tornar alguns dias meus mais colorido, por me fazer sentir que ainda existe uma luz e por me dar forças para as diferenças de pensamento familiares. Por ser cadeirante há, aproximadamente, quartoze anos devido ter um tipo de distrofia e como sou um internauta assíduo devido ser universitário acabei por deparar com o “Mão na Roda” e sempre venho acompanhando, desta forma, vivi a tua história durante essas nove semanas e vi nela um pouquinho de cada dificuldade, não só vivida por mim, encontrada num cadeirante. E deixo afirmado há você Nickolas que não és um cara de sorte mas sim um ser que nasceu para ser exemplo, por outro lado não considero a Dona Nelci o seu maior apoio mas sim ela foi teu alicerce, teu chão, foi teu guia… Por último, quero pedir a todas as famílias de deficientes que leram e que ainda irão ler este exemplo de protocooperação mútua que foi a vida do Nickolas que as mães não procurem ser igual a Dona Nelci e nem os deficientes ser igual ao Nickolas, mas que todos que estejam envolvidos procurem caminhar juntos como várias almas em um só corpo tal corpo esse chamado de “FAMÍLIA”!!!

    Obrigado pela oportunidade!

    junho 27th, 2010 - 02:33
    Nelci Burtet respondeu:

    Olá Adalberto!
    Realmente a família é nossa estrutura, principalmente a relação pai/mãe-filho(a). Mas assim como “a ocasião nos faz irmãos, o coração nos faz amigos”. Então estes amigos passa a fazer parte de nossa família também. Cultive a amizade, pois ela é o amor perfeito. Um abraço

    Resposta
  • sábado, 26 de junho de 2010 em 00:08
    Permalink

    Parabéns Nelci um exemplo de mae guerreira
    e que sejam todos mt felizes beijos no coraçao

    junho 27th, 2010 - 02:34
    Nelci Burtet respondeu:

    Priscilla!
    Obrigada! Às vezes a vida não nos dá a chance de fugir. Então perdemos, ganhamos, mas o mais importante é que estamos na luta. Bj

    Resposta
  • sábado, 26 de junho de 2010 em 08:46
    Permalink

    Nelci e Nickolas, acompanhei os capitulos da história de vocês por todo esse tempo e sempre me emocionei muito quando lia. Sempre pensando na minha mãe e no que ela passou. Criar uma filha sozinha já é difícil para a maioria das mulheres, mas criar uma filha sozinha que aos 2 anos de idade fica sem andar devido a poliomielite, não deve ter sido nada fácil. Mas tenho muito orgulho do que ela e eu pudemos fazer com nossas vidas. Ela me possibilitou correr atras dos meus sonhos, nunca se contentar com os zilhões de “nãos” que ouvia, de acreditar que não andar não tira a feminilidade de nenhuma mulher, de me fazer entender que somente pela educação formal eu poderia ter acesso a uma vida digna e com respeito. Dar valor aos estudos foi o que de mais importante entre tantas coisas importantes eu recebi dela. Enfim, obrigada a vocês por estarem também me permitindo dividir esse relato com vocês. Que outras “D.NELCIs” possam dividir conosco esses belos exemplos.
    Bjs

    junho 27th, 2010 - 02:35
    Nelci Burtet respondeu:

    Maria Paula
    Você e sua mãe são guerreiras e vencedoras até mais do que eu. Falar de nossa vida, com certeza dá alento e coragem para outras pessoas que vivem situações semelhantes.
    Continue sua batalha, pois a vida é isso: vencer um leão por dia. Bj

    Resposta
  • sábado, 26 de junho de 2010 em 09:17
    Permalink

    Compartilhar essa história foi muito legal, mesmo, da parte de vocês. Mais do que a história do Nickolas, para mim é a história de como as māes lidam com as dificuldades dos filhos, como podem ajudar, e como nós, filhos, reagimos. É uma história universal que todos deviam ler.

    Parabéns aos dois e ao Māo na Roda!

    Ps. Achei muito marcante esse momento: “Aprendi a duras penas que ajuda só é boa se solicitada (às vezes ainda esqueço)”

    junho 27th, 2010 - 02:36
    Nelci Burtet respondeu:

    GIL!
    Obrigada! Depos falam que não tá certo dizer: MÃE É TUDO IGUAL! Mas sempre tem aquele “às vezes esqueço” né? Abraço

    Resposta
  • sábado, 26 de junho de 2010 em 11:13
    Permalink

    Sr.Nickolas
    Manera aí nos sustos e surpresas, que agora já tô com quase 60, tô ficando fraquinha e velhinha, ahahahaha! Voce sabe que pode contar comigo sempre. Bj da mamy

    junho 27th, 2010 - 02:41
    Nickolas Marcon respondeu:

    Querida mamãe,

    Lembro até hoje do episódio que eu acho que foi o maior aperto para você: o dia que voltou de Curitiba e me deixou sozinho para eu recomeçar a construir minha vida. Apoiar e ajudar um filho na adversidade é sempre muito importante, mas chega uma hora em que ele precisa viver sua vida “andando com as próprias pernas”. Essa é a prova mais difícil para o amor de uma mãe, e foi graças a essa força que cheguei até aqui.

    Fique tranquila que eu já não tenho mais os 20 anos de antes e já estou vacinado contra as principais intempéries que acontecem na vida. Prometo não pregar mais sustos. Pelo menos os que puderem ser evitados… 🙂

    Um beijo, Nickolas.

    Resposta
  • sábado, 26 de junho de 2010 em 20:18
    Permalink

    gostei muito da Historia de luta e superação de vcs!!!
    bem que todos aqui do mão na roda poderiam fazer o mesmo e compartilhar com os leitores deste, suas historias não é verdade??
    sou cadeirante tbm, a dois anos e nesse pouco tempo tenho uma historia muito boa tbm, e gosto de ler a luta e as conquistas de qm quer que seja, seja ela a mais simples ou a mais extraordinaria.
    isso faz bem para muitos assim como faz pra mim!
    pena nem todos terem a mesma sorte de ter uma Mãezona pra estar do lado lutando junto e ajudando de todas a formas possiveis…” uma Mãe e uma Namorada Maravilhosa que é a minha =) ” Pena mesmo, conheço uma Historia assim… mais tudo bem. =[

    Parabéns ao Nickolas e a dona Nelci.

    fica ai a sugestão, grande abraço a todos!

    junho 28th, 2010 - 12:16
    Nelci Burtet respondeu:

    Felipe,
    Você sabia que quando a gente divide angústias, medos, problemas, eles ficam mais leves e menos importantes? E que, com quem a gente divide, às vezes diminui também os dele? Então, vamos conversar, contar, porque, com certeza, não estamos sozinhos nesta luta. Abraço

    Resposta
  • domingo, 27 de junho de 2010 em 11:10
    Permalink

    Nelci parabens,foi emocianante conheser melhor a historia do Nikolas.Ja te admirava como professora e mulher agora mais ainda.Fica a certeza que tudo fizeste pelo teu filho e mais por voce mesma quanta grandiosidade.Se não é o fim ,desejo que ele seja repleto de realizações. E ais eu presidente tem o meu voto.beijos

    junho 28th, 2010 - 12:17
    Nelci Burtet respondeu:

    BEA!
    Onde anda você? Olha, a sua história também daria um bom tema: MÃE DE TRIGÊMEAS. Deve ter sido uma luta e tanto. Fora o resto que passamos, né? Obrigada! Bj

    Resposta
  • segunda-feira, 28 de junho de 2010 em 22:57
    Permalink

    Olá Nelci,
    Gostaria de agradecer por ter colaborado de forma tão bacana aqui no nosso blog. Tenho certeza de que a história de vocês ajudou e ajudará a muito gente e fico feliz por ter nos dado a honra de compartilhá-la conosco. Parabéns pela força! Desejo muita felicidade a você e toda sua família. E sempre que quiser escrever sobre suas experiências, nosso blog está aberto!
    beijo grande!

    junho 30th, 2010 - 17:34
    Nelci Burtet respondeu:

    Bianca!
    Foi ótimo pra mim e fico muito feliz em ter colaborado.
    Pode deixar que ainda vou usar o blog de vocês. Bj

    Resposta
  • domingo, 18 de julho de 2010 em 12:01
    Permalink

    Oi Tiaaaaaaaaaa!
    Emocionante, lindo, sem palavras pra tudo o que vc escreveu aqui! Axo que explica pelo menos um pouco o motivo de eu gostar tanto de ti!
    Parabens por esses filhos, e princinpalmente por ser essa pessoa maravilhosa!
    Amo vc de coracao!
    Beijaooooooooooo

    julho 23rd, 2010 - 15:49
    Nelci Burtet respondeu:

    Obrigada! Você sabe o quanto também gosto de você. Até lhe dei o Gambá, né? Bjo.

    Resposta
  • domingo, 25 de julho de 2010 em 13:15
    Permalink

    Parabéns pela lição de vida e obstáculos que vocês venceram. Porque viver essas dificuldades não é nada fácil, lendo cada parte da sua história era como se uma parte da minha também fosse contada.

    A luta da primeira internação, o choque em saber que você não andara mais! e como escrevir uma vez aqui e sua mãe concordou comigo o pior não é ficar numa cadeira de roda e sim, tá preparado por todos os problemas que que teremos que ultrapasar….

    valeu….

    julho 30th, 2010 - 18:33
    Nelci Burtet respondeu:

    Oi Fábio!
    Muitas e muitas vezes a história se repete. Por isso é que temos por este mundo um sem número de vencedores. Obrigada e vamos em frente!

    Resposta
  • terça-feira, 14 de setembro de 2010 em 11:05
    Permalink

    Oi Nelci… Hoje, por acaso, aqui estava eu, cheia de trabalho, fuçando umas coisas na internet, e não sei como achei o blog e nao consegui parar de ler… o trabalho ficou um pouco de lado, claro (ops! meu pai nao pode saber! Seu Nésio é um sarna!!! eheheheh). Uma história da vida real linda e emocionante… coisas de mãe que só as mães podem entender… Amei mesmo… Ganhei o dia! Beijos.
    Fernanda.

    novembro 18th, 2010 - 13:05
    Nelci Burtet respondeu:

    Oi Fernanda!
    Fico feliz que tenha gostado. Só não acredito que seu Nésio seja “sarna”. Ele é gente boa. Um beijo.

    Resposta
  • terça-feira, 16 de novembro de 2010 em 19:36
    Permalink

    Olá Nelci, adorei a sua história em alguns momentos até parecia a minha própria história. também sou Mãe de um filho qteve lesão medular á 1 ano e 1 mês, e realmente e acada dia é uma descoberta e vitórias. Tenho certeza q sua história ajudou muitos filhos e principalmente muitas mães como nós. Um grande Bjo e Parábens!!

    novembro 18th, 2010 - 13:00
    Nelci Burtet respondeu:

    OI Simone!

    Acho que nossas experiências devem ser realmente compartilhadas, porque é começar a conviver com uma situação que nunca vivemos e nem esperávamos viver. Que bom que valeu pra você. Fico muito feliz. Mãe tem força pra superar tudo o que vier ao lado dos filhos.

    Um beijo grande e escreva sempre que quiser.
    Nelci

    Resposta

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