Acessibilidade, Arquitetura e Urbanismo

Coisas que eu não entendo

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Tem coisas que eu não consigo entender qual foi a intenção do gênio que as fez. Algumas proezas arquitetônicas são dignas de um livro Guiness dos maiores absurdos. Quando vejo algo assim, fico pensando horas para tentar entender a real intenção da obra. Sei que a pessoa quis fazer o melhor, não acredito que façam obstáculos de propósito, mas… por quê?

Por exemplo, na foto ao lado aparece uma portaria de um edifício comercial na Rua Evaristo da Veiga, no centro do RJ. A portaria foi reformada há pouco tempo. Colocaram catracas e até uma passagem para cadeirantes. Legal, né?

Pois é… mas esqueceram que havia dois degraus antes da entrada e mais meia dúzia de degraus depois do portão para chegar aos elevadores. Fazer uma rampa? Não, não, parece que ninguém teve essa ideia. Assim, parodiando um famoso colunista, fica evidente que colocaram o portão de cadeirantes para… não sei.

A outra foto é do cruzamento da Av. Rep. do Chile com a R. Senador Dantas, a duas quadras da portaria acima. Reparem que, apesar do meio-fio não ser muito alto, tiveram o trabalho de colocar um rebaixamento precário na guia para facilitar a subida na calçada. Até aí tudo bem, não foi mais que a obrigação. Só que um gênio do urbanismo teve a brilhante ideia de colocar um bloco de concreto na frente.

Seria para evitar o estacionamento na calçada? Não creio, pois tem um conjunto de telefones públicos tomando o espaço. Uma moto poderia passar por outros espaços. Seria para conter um veículo desgovernado em alta velocidade? Só se fosse um atentado terrorista com um avião, porque a via transversal é de grande movimento e está sempre com o trânsito lento. Passo quase todo dia nesse cruzamento e vejo esse obstáculo. Sua curiosa forma cilíndrica e arredondada me sugere que ele seria mais útil se o pessoa que o construiu colocasse… bem, deixa pra lá…

Se você conhece algum absurdo como esses, tire uma foto e mande para o email do blog citando o local. As melhores fotos aparecerão num post com os devidos créditos e comentários dos seus autores.

Sobre o autor / 

Nickolas Marcon

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13 Comentários

  1. MARIA PAULA TEPERINO domingo, 1 de agosto de 2010 em 09:34 -  Responder

    Agora sairei com câmera na bolsa, pois o que não falta são absurdos como esses na “cidade maravilhosa”.
    Não acredito em boa intenção. Acho que alguns espertinhos fazem essas aberrações e lançam sempre um símbolo de acesso para parecerem “politicamente corretos”, Como ninguém entende nada de acessibilidade, quem passa “acha” que aquele local é acessível. Mas para mim o cúmulo do absurdo é ter uma Prefeitura que não fiscaliza coisa alguma. Se o Poder Público Municipal fosse atuante, coisas como essas não aconteceriam.
    Aliás, não sei se vocês sabem, mas existe uma Secretaria Municipal no RJ, que atende pelo “sugestivo” nome de Secretaria do Deficiente Cidadão, alguém sabe informar quem é o Secretario (a) e o que essa Secretaria faz? Com certeza seria um belo post. Fica aqui a suagestão.
    Abraços.

    agosto 1st, 2010 - 14:23
    Nickolas Marcon respondeu:

    Maria Paula, concordo plenamente com vc. Existe uma lei federal que já está em vigor e obriga TODOS estabelecimentos comerciais e de serviços a serem acessíveis. TODOS. A lei deu prazo de 4 anos para fazerem as obras necessárias, mas o prazo já passou e aqui no RJ não vejo nem os novos estabelecimentos acessíveis, que dirá os antigos. Em outras cidades, até mesmo no interiorzão, já há uma postura ativa da prefeitura.

  2. Marcelo Oliveira domingo, 1 de agosto de 2010 em 14:04 -  Responder

    Ahhh, alguém que trabalha no centro do RJ, como trabalhei por anos, fica com o estômago revirado quando vê coisas deste tipo. O arremedo de rampas de calçadas chega a ser cômico, um misto de rampa da idade das pedras, com coisa que não serve para nada. Padrão? Que padrão? Os arquitetos, engenheiros, ou encarregados pelo projeto/feitura de tais “obras magníficas” parecem nunca terem posto os olhos nas normas da ABNT, e como se diz em Portugal, saem “obrando” essas coisas pela cidade, batendo no peito e jurando que melhoraram a acessibilidade.
    Morro de inveja quando assisto a qualquer filme americano, de 30, 40, 50 anos atrás, com suas lindas rampas, uma em cada esquina, perfeitas, com junção com o asfalto quase sem desnível.

    Marcelo

    agosto 1st, 2010 - 14:26
    Nickolas Marcon respondeu:

    Marcelo, nem precisa ir muito longe. Nas cidades americanas e européias (veja os posts sobre viagens) a realidade é bem diferente. Aqui no Brasil, em alguns lugares, também há um movimento nesse sentido. Mas aqui no RJ, infelizmente, o poder público é absolutamente omisso…

  3. Marcelo Oliveira domingo, 1 de agosto de 2010 em 15:11 -  Responder

    Sim, sem dívida. E quando comentei sobre os filmes de anos atrás, quis dizer que este tipo de problema, rampas, calçadas, já era enfrentado, e solucionado satisfatóriamente em países como os EUA, há dezena de anos atrás!! O RJ é mesmo lamentável em relação à questões de acessibilidade…

    agosto 2nd, 2010 - 02:01
    Nickolas Marcon respondeu:

    Marcelo, penso que essa questão está ligada à (falta de) educação do brasileiro. Nos EUA, muitos cadeirantes eram heróis de guerra, que foram mutilados defendendo seu país, por isso eram vistos como heróis e toda a condição de acesso lhes é proporcionada. Já no Brasil se vende a ideia de que cadeirante é aquele que bebeu e se acidentou com o carro…

  4. Marcelo Oliveira domingo, 1 de agosto de 2010 em 15:14 -  Responder

    ;-))

    Digo, Sim, sem dúvida. 😉

  5. Eduardo Camara domingo, 1 de agosto de 2010 em 19:31 -  Responder

    Já passei por esses lugares um montão de vezes. Esse prédio (é aquele pertinho do Zabor, né?) é ridículo, e toda vez que passo na esquina mostrada na foto penso que o engenheiro/arquiteto/peão que colocou aquela porcaria ali devia sentar em cima e descer, até o talo. Até meus amigos andantes comentam como aquele fradinho é ridículo…

    Ah, no final de semana passado fui ao Clube de Engenharia na Rio Branco. Mega portaria, reforma recente e ausência de rampas. Nem em casa os caras fazem direito…

    agosto 2nd, 2010 - 02:02
    Nickolas Marcon respondeu:

    Eduardo, sempre sutil como pata de um elefante… ehehehe

    Aliás, a história do Clube de Engenharia não é exclusiva. Também tive que incomodar muita gente para fazerem as rampas quando tentei voltar para a UFPR depois do acidente. E era uma escola de engenharia e arquitetura, que exemplo era dado aos alunos?

  6. Cris Costa segunda-feira, 2 de agosto de 2010 em 16:55 -  Responder

    Isso pode render muitos posts, rs. O que mais tem é adaptação fajuta. Quanto ao Clube de Engenharia, já reclamei algumas vezes lá a falta de rampas e banheiro adaptado e néca… Deve dar muito trabalho ajeitar :o/ … Bjs, Cris.

    agosto 2nd, 2010 - 18:28
    Eduardo Camara respondeu:

    Cris, no salão de festas do 24o andar os banheiros estavam em reforma. O masculino tinha porta larga (80cm) e era bem amplo. Deu para usar numa boa. De repente é a hora de dar um toque para eles “acessibilizarem” os dois banheiros que estão sendo reformados!

    agosto 4th, 2010 - 23:31
    Nickolas Marcon respondeu:

    Eduardo, Esse clube daui a pouco vai virar o novo tópico da série “botando a boca no trombone”… 😉

    Cris, tenho esperança que no dia em que um dos septuagenários do clube chegar lá com uma cadeira-de-rodas, talvez mudem de ideia sobre adaptações.

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