Opinião e cotidiano

10 coisas que aprendi namorando um cadeirante

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10 coisasGostei tanto do post da Cris, sobre 10 coisas que ela mais odeia em ser cadeirante, que resolvi entrar na onda e começar a fazer minhas listinhas.

Depois que conheci o Dado, muita coisa mudou na minha visão de mundo e achei que seria bacana começar listando as 10 coisas que aprendi com minha relação com um cadeirante. Será que alguém vai se identificar?

1) Cadeirantes fazem sexo – Sim meus caros leitores. Eu também tinha esse tipo de dúvida. O que a falta de informação não nos faz imaginar, não é mesmo? Pois bem, descobri que cadeirantes transam, sentem tesão e gostam de sexo como qualquer pessoa.

2) Cadeirantes dirigem – Nada que a tecnologia não resolva. Carros são máquinas e máquinas podem ser modificadas e adaptadas. Quem dirige com os pés também pode dirigir com as mãos. E é assim que a coisa funciona.

3) Banheiros reservados só devem ser usados por pessoas sem deficiência em casos de muita urgência – Pois é, galerinha, eu era do tipo que adorava usar um banheiro reservado para pessoas com deficiência. Tão grande, tão espaçoso, dá até pra dançar lá dentro! (Sim, eu já fiz isso :P). Mas não foi difícil entender que devemos respeitar a finalidade das cabines maiores e deixá-las livres e limpas para aqueles que mesmo querendo, não conseguem entrar numa cabine menor.

4) Pessoas com deficiência podem ser bastante independentes – Quando conheci o Dado, ele morava com os pais. Meu primeiro pensamento foi: “bom, ele deve precisar de ajuda no dia-a-dia e por isso ainda mora com eles.” Claro que não. As pessoas com deficiência são muito mais independentes do que imaginamos, mais até do que muito “andante” que conhecemos. Não demorou pra sacar que ele só não tinha saído da casa dos pais ainda, por falta de oportunidade.

5) Vagas reservadas são reservadas. Mas não pra mim – Não me lembro de ter estacionado em alguma vaga reservada antes de conhecer o Dado, mas também nunca tinha parado pra pensar que o tamanho e a localização dessas vagas tinha uma razão de ser. Precisam ser largas, pra pessoa conseguir sair do carro com a cadeira de rodas e geralmente estão mais próximas da entrada do estabelecimento, pra que a pessoa não tenha que andar muito. Afinal andar de cadeira de rodas ou mesmo muletas cansa pra caramba. Já experimentou?

6) Pessoas com deficiência usam os mesmos móveis que todo mundo – Sim, caros leitores, cadeirantes costumam passar da cadeira pro sofá, pra cama, pra poltrona. Não é porque eles estão sempre sentados, que não tem vontade de trocar de lugar vez em quando, né?

7) Um cadeirante pode dizer: “Vou andar na praia” – Lembro-me bem da minha reação a primeira vez que escutei o Dado falando: “Vou andar na praia mais tarde”. Achei esquisitíssimo um cadeirante dizer que ia andar. Eu mesma evitava usar essa palavra perto do Dado, como se fosse uma ofensa ou um soco no seu estômago. Bobagem, bobagem! “Andar na praia” é só uma expressão, assim como “Vou dar uma corrida até a padaria” ou “vou a pé para o trabalho”.  Não é só porque a pessoa não anda de verdade que precisa começar a usar outras palavras, pra falar sobre ações do nosso cotidiano.

8) Um ou dois degraus podem ser um grande obstáculo – No início do nosso namoro, eu achava uma besteira o Dado não querer ir a algum lugar que tivesse escada. Na minha cabeça era simples: bastava pedir ajuda a algum galalau forte. Com o tempo entendi que pode ser bastante chato, constrangedor e até mesmo perigoso ficar subindo e descendo escada no colo dos outros. Sem falar que é um direito das pessoas com deficiência terem acesso aos lugares. Parei de pensar assim e hoje sou partidária de freqüentar locais acessíveis.

9) Adaptar um banheiro ou mesmo um apartamento é mais simples e mais barato do que parece – É lógico que espaço se faz necessário. Cadeiras de rodas costumam ser um pouco mais largas que uma pessoa e também dificultam algumas manobras. Mas tendo-se o espaço necessário, alargar portas e colocar algumas barras já é o suficiente para se adaptar um lugar. Volta e meia me perguntam quais as adaptações que fizemos no nosso apartamento e explico que foram poucas. Alargamos algumas portas e baixamos cerca de 5 cm a altura de pias e bancadas. Deixar as pias vazadas, sem armários embaixo também ajuda um bocado. O resto fica por conta da altura onde guardamos as coisas nos armários.

10) E por último e talvez mais importante, cadeirantes trabalham, tem vida social, namoram, casam e tem filhos. Ou seja, são pessoas como outras quaisquer, com os mesmo direitos de deveres. O que faz das pessoas com deficiência diferentes, é o olhar da sociedade sobre elas. E é isso que precisamos mudar.

Sobre o autor / 

Bianca Marotta

79 Comentários

  1. Jessica sexta-feira, 10 de julho de 2015 em 16:45 -  Responder

    Amei!!!
    Estou no inicio de um relacionamento com um cadeirante e esse post me ajudou muito. Obg

    julho 21st, 2015 - 22:31
    Eduardo Camara respondeu:

    @Jessica, muito legal! Boa sorte para vocês!

  2. Nonato quarta-feira, 22 de julho de 2015 em 13:13 -  Responder

    então cara,amei os dez[10] comentários.
    espero q essa nova técnica de cirúgia chegue para todos[a] e não para alguns …

  3. Tays segunda-feira, 3 de agosto de 2015 em 18:14 -  Responder

    Adorei todas as dicas… Eu conheci um cadeirante na faculdade que eu faço , toda vez que ele passava por mim, eu o ficava admirando, achava tão bonito e forte, ele nem olhava p mim rsrs… E passou um tempo e não o vi mais pela faculdade. Um belo dia fui a uma lanchonete que era de um amigo dele, sem eu saber.. E conversando, esse amigo tocou no assunto que tem um grande amigo cadeirante, formado, e fazia de tudo, na mesma Hora eu perguntei qual era a faculdade que esse rapaz tinha se formado e p minha surpresa o cadeirante que eu admirava tanto na faculdade era o mesmo que o rapaz da lanchonete falava. Eu fiquei tão Alegre , fiz amizade com o rapaz da lanchonete justamente p poder chegar no rapaz tão admirado por mim rsrs… Ele se chama Felipe. E hoje estamos nos conhecendo e nos dando tão bem. Eu posso dizer com toda sinceridade que desde da primeira vez que olhei o Felipe na faculdade me apaixonei. Então, eu me apaixonei por ele e ele nem sabia que eu existia rsrs… Peço a Deus que continue tirando certos preconceitos contra deficientes , pois eles fazem a gente mais feliz do que muitos que se acham que tem tudo. Hoje estou feliz ao lado do Felipe

  4. Marilene de Oliveira sábado, 8 de agosto de 2015 em 11:49 -  Responder

    Nunca pensei em ter um relacionamento com um cadeirante, apenas aconteceu, como vinha de dez anos sem sentir nada por ninguém, estar com ele seria o mesmo tanto faz que tinha com os outros. Já vinha me bastando há muito. Ele me convidou para passear de carro, outro mundo, eu trabalho de carro toda semana então andar no trânsito não era o que chamaria de passeio. Sou uma dondoca, meio perua de salto e roupas bonitas sempre adequadas a minha idade, isto também descobri que existe roupas lindas para mulheres de mais de 40. Enfim saiu o primeiro beijo e como de costume sempre os homens me agarravam e sempre me esquivei, arisca me sentia, mas quando percebi que estava dificultando para um cadeirante me deu um peso na consciência, pensei Deus não posso dificultar ainda mais a vida para ele, pulei para o banco dele e daí em diante nunca mais dificultei nada, porque é pecado não doar-se totalmente para um cadeirante. Em 14 anos foi minha melhor relação de intimidade, ele é muito carinhoso, não tem pressa de nada e inconparável a qualquer homem que já estive, One thousan years…for YOU Eduardo, até o nome é lindo,

  5. Dulci segunda-feira, 10 de agosto de 2015 em 03:26 -  Responder

    Tenho 19 anos, sou negra e sou andante. Estou apaixonada por um cadeirante de 36 anos. Minha amiga me falou que sou muito nova para me envolver com um deficiente físico. Nunca procurei alguém perfeito, apesar de ser nova sempre procurei alguém com quem eu pudesse dividir minha vida e construir uma história. Me frustrei muitas vezes por achar que as pessoas com quem me relacionei me fizessem feliz e quando descobri que na verdade a felicidade é fazer ao contrário, percebi o quanto me equivoquei e errei em minhas relações. O fato é, nunca antes passei por uma situação assim e por isso não sei nem por onde começar. Já fui descriminada muitas vezes por ser negra o que me fez ficar um pouco reprimida em minhas emoções, mas eu sinto como se ele fosse o cara que tanto procurei. Sinto uma sensação estranha ao vê- lo.. Na verdade eu já o admirava muito antes de conhecê-lo, me encantei pela história e força dele. Quando o vi pela primeira vez seu sorriso tomou conta da minha cabeça, seu olhar, seu humor, ele é tão simples que chega a dor nó no estômago. Talvez esse fantasma do “Falo ou não falo” não exista só em mim por causa de minha idade. Desde nova passei por muitas dificuldades, mesmo estudando em colégios públicos e morando em uma favela aprendi a dar mais valor as coisas, consegui uma bolsa de 100% na faculdade e estou tentando reescrever uma nova história para minha família. As vezes eu queria que o que sinto fosse apenas admiração ou algo passageiro, mas não é. Não sei o que fazer, vou enlouquecer. Preciso de conversar com ele, estar com ele, olhar nos olhos dele e sentir que ele está aqui perto de mim. O que eu faço ? Desde já muito. Obrigada!

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