10 coisas que aprendi namorando um cadeirante
Bianca Marotta - segunda-feira, 30 de agosto de 2010 - 09:36
Gostei tanto do post da Cris, sobre 10 coisas que ela mais odeia em ser cadeirante, que resolvi entrar na onda e começar a fazer minhas listinhas.
Depois que conheci o Dado, muita coisa mudou na minha visão de mundo e achei que seria bacana começar listando as 10 coisas que aprendi com minha relação com um cadeirante. Será que alguém vai se identificar?
1) Cadeirantes fazem sexo – Sim meus caros leitores. Eu também tinha esse tipo de dúvida. O que a falta de informação não nos faz imaginar, não é mesmo? Pois bem, descobri que cadeirantes transam, sentem tesão e gostam de sexo como qualquer pessoa.
2) Cadeirantes dirigem – Nada que a tecnologia não resolva. Carros são máquinas e máquinas podem ser modificadas e adaptadas. Quem dirige com os pés também pode dirigir com as mãos. E é assim que a coisa funciona.
3) Banheiros reservados só devem ser usados por pessoas sem deficiência em casos de muita urgência – Pois é, galerinha, eu era do tipo que adorava usar um banheiro reservado para pessoas com deficiência. Tão grande, tão espaçoso, dá até pra dançar lá dentro! (Sim, eu já fiz isso :P). Mas não foi difícil entender que devemos respeitar a finalidade das cabines maiores e deixá-las livres e limpas para aqueles que mesmo querendo, não conseguem entrar numa cabine menor.
4) Pessoas com deficiência podem ser bastante independentes – Quando conheci o Dado, ele morava com os pais. Meu primeiro pensamento foi: “bom, ele deve precisar de ajuda no dia-a-dia e por isso ainda mora com eles.” Claro que não. As pessoas com deficiência são muito mais independentes do que imaginamos, mais até do que muito “andante” que conhecemos. Não demorou pra sacar que ele só não tinha saído da casa dos pais ainda, por falta de oportunidade.
5) Vagas reservadas são reservadas. Mas não pra mim – Não me lembro de ter estacionado em alguma vaga reservada antes de conhecer o Dado, mas também nunca tinha parado pra pensar que o tamanho e a localização dessas vagas tinha uma razão de ser. Precisam ser largas, pra pessoa conseguir sair do carro com a cadeira de rodas e geralmente estão mais próximas da entrada do estabelecimento, pra que a pessoa não tenha que andar muito. Afinal andar de cadeira de rodas ou mesmo muletas cansa pra caramba. Já experimentou?
6) Pessoas com deficiência usam os mesmos móveis que todo mundo – Sim, caros leitores, cadeirantes costumam passar da cadeira pro sofá, pra cama, pra poltrona. Não é porque eles estão sempre sentados, que não tem vontade de trocar de lugar vez em quando, né?
7) Um cadeirante pode dizer: “Vou andar na praia” – Lembro-me bem da minha reação a primeira vez que escutei o Dado falando: “Vou andar na praia mais tarde”. Achei esquisitíssimo um cadeirante dizer que ia andar. Eu mesma evitava usar essa palavra perto do Dado, como se fosse uma ofensa ou um soco no seu estômago. Bobagem, bobagem! “Andar na praia” é só uma expressão, assim como “Vou dar uma corrida até a padaria” ou “vou a pé para o trabalho”. Não é só porque a pessoa não anda de verdade que precisa começar a usar outras palavras, pra falar sobre ações do nosso cotidiano.
8) Um ou dois degraus podem ser um grande obstáculo – No início do nosso namoro, eu achava uma besteira o Dado não querer ir a algum lugar que tivesse escada. Na minha cabeça era simples: bastava pedir ajuda a algum galalau forte. Com o tempo entendi que pode ser bastante chato, constrangedor e até mesmo perigoso ficar subindo e descendo escada no colo dos outros. Sem falar que é um direito das pessoas com deficiência terem acesso aos lugares. Parei de pensar assim e hoje sou partidária de freqüentar locais acessíveis.
9) Adaptar um banheiro ou mesmo um apartamento é mais simples e mais barato do que parece – É lógico que espaço se faz necessário. Cadeiras de rodas costumam ser um pouco mais largas que uma pessoa e também dificultam algumas manobras. Mas tendo-se o espaço necessário, alargar portas e colocar algumas barras já é o suficiente para se adaptar um lugar. Volta e meia me perguntam quais as adaptações que fizemos no nosso apartamento e explico que foram poucas. Alargamos algumas portas e baixamos cerca de 5 cm a altura de pias e bancadas. Deixar as pias vazadas, sem armários embaixo também ajuda um bocado. O resto fica por conta da altura onde guardamos as coisas nos armários.
10) E por último e talvez mais importante, cadeirantes trabalham, tem vida social, namoram, casam e tem filhos. Ou seja, são pessoas como outras quaisquer, com os mesmo direitos de deveres. O que faz das pessoas com deficiência diferentes, é o olhar da sociedade sobre elas. E é isso que precisamos mudar.






Comentário feito por Heitor
Bianca,
Sobre a número 7, não vejo problema nenhum em usar o verbo “andar”, porque a gente anda, sim! Anda com a cadeira em vez de com os pés, mas anda! Parado é que a gente não fica! :P
Bjs!
Bianca Marotta respondeu:
Oi Heitor,
Agora eu entendo que não existe mesmo problema em usar o verbo “andar”. Mas no começo eu estranhei e já vi várias pessoas tendo a mesma reação. Bobagem total!
bjos
Comentário feito por Bia
Ola,
Adorei o post. Namoro um cadeirante e me identifiquei bastante.
Beijocas, Bia.
Bianca Marotta respondeu:
Oi Bia,
Que bom que gostou e se identificou! Fico feliz!
beijos
Comentário feito por Rosana
Oi, Bianca,
Muito legal seu post!
Também aprendi muito trabalhando e namorando com um deficiente, mas gostaria de contribuir citando outro mito muito comum: Nem sempre a pessoa se torna deficiente por acidente, muitas vezes é em decorrência de uma doença e nesses casos as limitações físicas, bem como a rotina dessas pessoas é bem diferente de um lesado medular, por exemplo.
Sendo assim, os itens 2 e 4 são bastante relativos. Insisto nisso porque ao trabalhar com jovens com distrofia muscular cansava de ouvir as pessoas perguntando por que eu não colocava aquela garotada para “jogar basquete”, afinal tem um monte de cadeirante que joga. Como você disse, é a falta de informação, uma vez na cadeira de rodas a tendência é as pessoas acharem que é “tudo igual”.
E ao item 10 eu ainda acrescentaria que deficientes são pessoas e ponto, com todos os defeitos e qualidades de qualquer ser humano, não são especiais no sentido de serem “seres superiores”, “iluminados”, e nem são “coitados”, “incapazes”, apenas precisam de adaptações que irão variar de acordo com suas limitações físicas e/ou cognitivas.
Abs Rosana
Bianca Marotta respondeu:
Oi Rosana,
Vc tem toda razão, nem toda deficiência é igual. E os itens que listei são apenas exemplos. Mas foi bom vc tocar nesse assunto.
Sua outra colocação tb é perfeita. Odeio quando colocam as pessoas com deficiência num pedestal ou à margem como coitadinhos. Todos nós temos alguma deficiência, mas a maioria delas não é tão visível. Olhar para as pessoas com deficiência com esse olhar de admiração ou de pena não colabora com a inclusão…
Abs
Comentário feito por Camylla
Adorei o post, meu noivo é um cadeirante e me identifiquei na maioria dos tópicos :D
Bianca Marotta respondeu:
Oi Camylla,
Que bom que se identificou e gostou do post!
bjos
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Comentário feito por Juliana Duarte
Genial esse post!!
O número 8 dá vontade de enfiar com uma seringa na cabeça dos “andantes”.
Ainda bem que vc já entendeu… hehehe
Bianca Marotta respondeu:
Oi Juliana,
Pois é… E pensar que eu demorei um pouquinho pra entender :P O que a falta de informação não faz, né?
beijos
Comentário feito por Valéria Aliprandi
Perfeito, Bianca!
Adorei! De verdade…
Valéria Aliprandi
Bianca Marotta respondeu:
Oi Valéria!
Que bom que gostou! Só me incentiva a escrever mais!
bjos
Comentário feito por Mari
Olá Bianca
Adorei o post!! namoro a 2 anos um cadeirante. Realmente a falta de informação é muito ruim. Aprendi muito e ainda aprendo bastante com meu amorzinho!!!
beijoss
Bianca Marotta respondeu:
Oi Mari,
O ideal seria que todo mundo já soubesse disso tudo, né? Mas como namoradas, podemos ao menos, passar a mensagem adiante!
beijos
Comentário feito por Fábio
Olá Bianca,
Muito bom mesmos !!!
abs, Fábio B.
Bianca Marotta respondeu:
Oi Fábio,
Que bom que gostou! Fico feliz!
abs
Comentário feito por joao
devia ganhar premio nobel !!!!
;)
Bianca Marotta respondeu:
Hahahaha! Fiquei lisonjeada, agora!
beijos!
Comentário feito por Danielle
Oi Bianca, esse post foi demais, concordo com tudo que foi escrito. Namoro com um cadeirante há 1 ano e 8 meses e percebi que nossa vida fica diferente depois que passamos por essa experiência de namorar com alguém deficiente. Tudo o que nós imaginávamos antes sobre suas limitações e coisas que nem nos importávamos passam a ter valor. Nossos olhos se abrem e começamos a perceber como andam as calçadas da cidade, como existem lugares não acessíveis e como algumas pessoas nem se importam com a dificuldade dos outros.
Aqui em Jacareí, a cidade em que eu moro, o banheiro para deficientes da parte de cima do shopping é separado do comum, e ele vive ocupado por jovens que vão “brincar” la dentro.
Obrigada por fazer um post tão legal
Bianca Marotta respondeu:
Oi Danielle,
A única coisa que me deixa um pouco triste é termos que passar pela experiência de conviver com cadeirantes, pra entender tudo isso. Não seria muito melhor, se a inclusão acontecesse de verdade e todo mundo já soubesse dessas coisas desde pequeno? Mas vamo-que-vamo que a gente chega lá!
bjos
Comentário feito por Jairo Marques
Muuito legal!!!
Bianca Marotta respondeu:
Legal, Jairo! Que bom que vc gostou!
bjos
Comentário feito por Sol em Áries
Adoro o blog de vcs e já coloquei banner no meu blog! Sabe porque?? Por causa de matérias como essa!!! Muito boa. Namoro com um cadeirante e posso dizer que a minha maneira de ver o mundo mudou. Hoje eu o vejo como uma pessoa mais eficiente do que eu na vida! Aprendo muito a cada dia e. sinceramente… não consigo vê-lo como deficiente físico! Um beijo grande a todos vcs e continuem porque vcs fazem a diferença.
Bianca Marotta respondeu:
Olá! Bom saber que a matéria fez sucesso!
E vc tem toda razão, eu não vejo mais o Dado como uma pessoa com deficiência. Sério mesmo. Eu esqueço desse detalhe com frequencia e só me lembro quando esbarramos em algum obstáculo no meio do caminho. :)
beijos
Comentário feito por Gui
perfeitooo….concordo plenamentee………..sahuashuashuashasuhas….
Comentário feito por Gui
muitoo bomm
Bianca Marotta respondeu:
Obrigada Gui! Que bom que vc gostou!
Comentário feito por The Best
È muito complicado que as pessoas entendam as limitações de uma pessoa deficiente e respeitem essas limitações.
Apesar de andar com uma muleta, já ouvi diversas vezes que sou preguiçoso por nao gostar de lugares com escada. E para entender o meu problema com escada é simples, cansa muito subir e descer (essa estória que pra baixo todo santo ajuda é mito e cansa mais que subir propriamente dito).
Existem várias coisas legais entre uma relação de um deficiente e uma pessoa “normal”
Bianca Marotta respondeu:
Oi The Best,
Imagino que vc deva ouvir muito por aí que é preguiçoso. Mas confesso que pra mim tb é novidade saber que descer é pior do que subir. Agora que vc falou, consigo imaginar o porque, mas nunca ia pensar assim… Agora… se a inclusão social realmente acontecesse, muitos mal entendido seriam evitados.
bjos
Comentário feito por The Best
A descida se tornam pior, pois quando força aplicada para freiar a inercia do corpo na descida é maimaiores que a aplicada para subir. Foram Isso ainda tem os equilibrio de tronco necessário para não descer rolando.
Bianca Marotta respondeu:
Oi The Best,
Podes crer. Vc tem toda a razão. Mais uma coisa que aprendi com o blog!
beijos
Comentário feito por Alberto Almeida
oi Bianca tudo em paz?
bem colocada suas observações, que pena que nem todo mundo pensa assim.
um grande abraço
A.A
Bianca Marotta respondeu:
Oi Alberto,
Quem sabe um dia, todo mundo pensará assim! Tomara!
Abraços
Comentário feito por mercia de mello
Bianca, adorei!!!
e gostaria de aprender 10 mil coisas namorando um cadeirante…
Bianca Marotta respondeu:
Ah Mercia,
Pode ter certeza de que vc vai aprender muito mais que isso, se vcs estiverem se amando de verdade!
beijos
Comentário feito por Monise Honda
Adorei esse 10 mandamentos. É muito bom ouvir essas coisas. Vou divulgar esse site p/ os meus amigos, que são deficientes, ok? Beijos!!! Monise
Bianca Marotta respondeu:
Oi Monise,
Que bom que gostou! E pode divulgar nosso blog pra quem quiser! Não precisa ser só pros cadeirantes não, tá?
beijos!
Comentário feito por Bia
Depois de um tempo namorando um cadeirante, eu olho pra ele, e não vejo a cadeira…
Beijocas,
bia
Bianca Marotta respondeu:
Oi Bia,
Comigo acontece o mesmo! E acredito que poderia acontecer com qq um, se existisse inclusão de verdade nesse país.
beijos
Comentário feito por Marília Rodrigues
Adorei o post!
Já tow pensando em fazer minha listinha tbm, 10 coisas q aprendi convivendo com pessoas com def.
Beijo!
Comentário feito por carla cristina almeida monsores
Oi gente! Eu conheci uma pessoa sensacional que é cadeirante! Sempre paquerei ele na faculdade e ele nunca me deu bola nessa época. Só agora depois de 6 anos, é que eu tive a oportunidade de conhece-lo, e acho que estou me apaixonando por ele! Bom esse site me ajudou muito nas dúvidas de várias situações em que me encontrava! Bjs
Bianca Marotta respondeu:
Oi Carla,
Que bom que o blog está te ajudando! Ficamos felizes com isso. Espero que o relacionamento de vcs dê certo e sejam muito felizes!
beijos!
Comentário feito por Edmar
Gostei muito do post! Parabéns!
pessoal,fiquei paraplégico a 8 anos e meio desde então tinha sempre alguém comigo [esposa] principalmente. Quando nos separamos confesso que tive um pouco de medo mesmo sendo quase 100% independente ficava o tempo todo pensando como eu ai me virar em algumas atividades domesticas que até então era só ela que realizava. Foi ai que percebi que um cadeirante pode TUDO basta querer!Eu moro sozinho a 3 anos ” e só tem uma coisa que me deixa chateado (o fato de precisar sempre de alguém para colocar e tirar a cadeira de rodas minha do porta malas do carro), já pensei em tudo mas não achei ainda uma solução para esse incomodo. Se vc’s tiverem uma ideia eu aceito, por favor.
Eduardo Camara respondeu:
Oi Edmar! Se vc tem força nos braços, colocar a cadeira no carro é mole! Dá uma olhada no Blog do Cadeirante (www.blogdocadeirante.blogspot.com) que tem um vídeo muito legal mostrando como se faz! AbraçãO!
Comentário feito por Fábio Magest
Olá adorei esse post eu sou deficiente e passo por todas essas situações citadas sabiamente por vc, gostaria tbm de te pedir duas coisas primeiro desculpas pois coloquei suas palavras em meu blog sem te pedir autorização, mais citei seu nome e coloquei o link para este post.
Em segundo gostaria de pedir mesmo que atrasado sua autorização.
Muito obrigado por colocar suas ideias em um meio publico isso com certeza ajuda a muitas pessoas.
Eduardo Camara respondeu:
Valeu, Fábio! Fique à vontade para usar nossos textos, desde que cite a fonte. Grande abraço!
Comentário feito por thiago
oi pessoal me chamo thiago sou cadeirante a 5 anos
se alguem intereçado em me conhese add msn ou orkut
thiago_fds22@hotmail.com
Comentário feito por Vivi
Oi Bianca!!!
Olha eu outra vez, é pq aqui onde moro não tenho muito a quem recorrer encontrar vcs foi espetacular.
Olha vc pode me dar uma dica de como vc fez no inicio do seu namoro para adaptar-se as diversas situações, tipo se vc comprou livros ou perguntava pra ele,e pq sou bolada com algumas coisas (ainda) por exemplo esclareci muitas das minhas dúvidas no texto que vc indicou Blog da comunicação.
Mais uma vez obrigada por sua disposição em nos responder sempre
Bianca Marotta respondeu:
Oi Vivi,
Olha, eu não comprei livros nem pesquisei na internet, porque acho que a melhor pessoa pra tirar suas dúvidas é seu namorado. Até porque as pessoas são diferentes e o que pode ser bom ou ruim pra ele, não necessariamente será para outros. É claro que temos que ter tato e bom senso pra perguntar sem ofender, mas tenho certeza de que ele vai responder numa boa e quem sabe até gostar do seu cuidado.
beijos!
Comentário feito por ELIVALDO
olá, sou cadeirante, e sinto q as vzs me sinto inseguro em estar no meio das pessoas!
10 anos de lesão. Mas estou bém readaptado!
podem me passar alguns filmes romântico de cadeirante ou até mais calientes!
elivaldodf@hotmail.com
Comentário feito por viviane
adorrei eu namoro um cadeirante e as coisas nem sempre sao simples como parecem e o pior e o olhar da sociedade sobre isso ate parece que eles nao sao desse mundo e bom as pessoas verem que e normal com certas adaptaçoes claro mais nada que impessa de ser feliz.
Comentário feito por Josi
Oi galera, namoro um cadeirante quase um ano e meio e estamos muito felizes , realmente minha vida mudou e vejo hj tudo bem mais amplo apesar das dificuldades tudo vale a pena .
Comentário feito por tiago
ola estou a procura de novos amigos ok se alguem afim e orkut thiago157-1@hotmail.com abraço para todos
Comentário feito por tiago
aaaa so mas um detale moro no rj carioca e tb cadeirante tb