Equipamentos, Opinião e cotidiano

A qualidade das nossas cadeiras

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Foto: New Mobility Magazine

Há algum tempo já temos cadeiras fabricadas em alumínio no mercado nacional. Infelizmente, mesmo com 20 anos de cadeira, vejo poucas inovações. Não que eu queira algo de outro planeta, mas a qualidade é algo que poderia ter melhorado muito mais levando em conta o valor que a indústria nacional nos impõe.

O peso, a qualidade das partes plásticas e até mesmo a liga de alumínio utilizada poderiam ser muito melhores pelos três mil reais que pagamos, preço “médio” praticado pelo mercado. Sem contar com opcionais e acessórios. Com eles, esse valor pode ultrapassar os 4 mil  reais brincando.

Podemos tomar como o exemplo, cadeiras com ajuste de alturas e centro de gravidade, que só apontaram há 2 anos (mais ou menos).  Ainda assim só temos um modelo de um único fabricante.

Outra coisa que me deixa intrigado é o atendimento pós-venda. Ele é praticamente inexistente e resume-se em honrar as peças que quebram (com muita dor de cabeça, dependendo do fabricante), ou apresentem algum defeito. Parece que eles já entendem tudo de cadeiras e que nossas opiniões nada contribuem no processo de melhoria contínua do produto. Ou eu devo escrever muita merda, sei lá é só uma questão de opinião.

Nossos fabricantes não nos oferecem demonstração. Uma prática pra lá de comum em qualquer outro país. Talvez eles não o façam por saber que algumas cadeiras tenham a qualidade tão abalada que a demonstração seria uma propaganda negativa.

Bom, esse foi o momento desabafo… Temos que dar uma “cutucada” em nossos fabricantes de tempos em tempos, pois acho que é uma das maneiras de se exigir algo melhor… Apesar de eu nunca ter recebido retorno de nenhum deles.

Recebemos diversas reclamações em nossas redes sociais, referente a problemas com cadeiras, e acho que seria interessante se os fabricantes utilizassem esse canal para manter um relacionamento estreito com o consumidor (que somos nós).

Faça parte de nossas redes sociais e vamos discutir sobre isso!

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ps: Aproveito esse post paras dizer que agora sou oficialmente mais um da família “Mão na Roda”. Gostaria de agradecer aos demais autores do blog pelo espaço e confiança!

Sobre o autor / 

Christian Matsuy

Cadeirante, paulistano bom gourmet e piloto profissional (de autorama)

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22 Comentários

  1. André Theotonio quarta-feira, 8 de setembro de 2010 em 15:24 -  Responder

    Parabéns Christian por se tornar autor fixo do blog.
    Há cerca de 3 meses a Ortomix lançou a Dinâmica Elite e a M3 já não é a unica nacional com ajuste de altura e centro de gravidade. Mas a qualidade das peças deve ser aquela que agente já conhece nas cadeiras nacionais.
    Dinâmica Elite catalogo ortomix: http://www.ortomix.com.br/#/catalogo&catalogo=1&id=1
    Abraços.

    setembro 8th, 2010 - 19:13
    Christian Matsuy respondeu:

    olá André, acabei me esquecendo desse modelo novo da Ortomix, mas quanto a qualidade ainda não tenho uma opinião formada, vejo poucas dessas cadeiras rodando, conheço uma pessoa que comprou na última Reatech e está gostando, mas não tive oportunidade de questioná-la sobre maiores detalhes referente a qualidade. Assim que possível, pretendo fazer uma avaliação dessa cadeira, porém com mais fatos concretos. A única coisa que posso dizer é que o preço foi muito caro, devido aos opcionais que ela escolheu, e nenhum era importado. a cadeira quase dobrou de preço acrescentando assento e encosto rígido e aros de impulsão com pinos e protetor lateral.

    abraço! (e muito obrigado pelos parabéns)

  2. Ronald Andrade Filho quarta-feira, 8 de setembro de 2010 em 17:45 -  Responder

    É Christian, as cadeiras nacionais precisam evoluir muito pra se igualarem às importadas. E nas discussões nos blogs e outros espaços eu vejo muita reclamação, inclusive em relação ao pós-venda, como vc falou. Precisamos ficar em cima pra ver se os fabricantes melhoram os produtos mesmo, senão vão perder clientes, porque quem tiver condições vai preferir viajar e comprar uma importada.

    setembro 8th, 2010 - 19:22
    Christian Matsuy respondeu:

    olá Ronald,

    eu adoraria fazer posts elogiando as cadeiras nacionais, eu ainda sonho com isso. mas infelizmente o cenário atual não me permite. como cadeira de rodas não é algo que dê pra ficar sem, somos obrigados a consumir o que nos oferecem (sem contar com a grande maioria que nem escolher pode), seja bom ou ruim…

    eu não vejo outra maneira dessas cadeiras melhorarem significativamente sem uma ação tipo, liberar a entrada de cadeiras importadas sem imposto, mas isso eu também sei que não vai acontecer, não é nem questão de ser pessimista, mas é um fato.

    abraço!

  3. Breno Nogueira quarta-feira, 8 de setembro de 2010 em 21:44 -  Responder

    Oi Christian! Parabéns pelo post, e por ser o mais novo membro desse blog.
    Nós cadeirantes estamos sempre à procura de cadeiras com uma qualidade melhor, afinal a cadeira passa a ser uma extensão do nosso corpo, estando conosco 24hs por dia e quanto mais leve, mais compacta, mais resistente e mais bonita for, melhor será também a nossa qualidade de vida. Infelizmente as cadeiras nacionais ainda estão muito abaixo em todos os quesitos em comparação com as cadeiras importadas.
    Infelizmente tanto aqui no Brasil quanto la fora é difícil de ver um projeto de cadeira que seja realmente inovador tornando essas cadeiras mais compactas e leves para serem desmontadas e transportadas. Recentemente conheci as cadeiras da Marvel Wheelchair e fiquei muito entusiasmado com a capacidade de regulagens que ela oferecia e a qualidade do projeto, mas infelizmente por problemas internos a fábrica encerrou a produção e nos ficamos aqui só na saudade. Na real… se eu fosse engenheiro e tivesse um dinheiro pra investir eu entraria nesse mercado de cadeiras de roda e acessórios para cadeirantes, porque o mercado no Brasil é grande, a demanda também, e ainda a concorrência nacional e muito fraca e despreparada. Não existe nada melhor do que uma concorrência saudável para estimular a melhora na qualidade.

    setembro 8th, 2010 - 22:09
    Christian Matsuy respondeu:

    olá Breno, obrigado!

    concordo plenamente com suas colocações, a concorrência aquece o mercado e traz inovação. mas enquanto as nossas fabricas pautarem “novidade” com importação de peças secundárias da Ásia, a coisa não vai pra frente. as cadeiras americanas também tem peças secundárias oriundas da Ásia, mas o controle de qualidade lá são outros 500…

    oferecer roda importada de 800 reais o par por 3200 também estraga a amizade.

    gostaria muito de trabalhar nesse mercado também, não sei se teria uma fábrica, mas gerenciar a qualidade e melhorar os pontos fracos das cadeiras seria interessante.

    abraço!

  4. Kenia quinta-feira, 9 de setembro de 2010 em 10:55 -  Responder

    Oi Christian,
    que beleza vc aqui de vez heim!rsrs
    Parabéns a vc e ao blog, vcs sempre nos ajudando.
    Ainda não comprei minha tão sonhada cadeira de titanium, mas pretendo te-la até meados do ano que vem, se Deus quiser.
    Concordo em tudo com o que foi dito aqui, infelizmente é isso mesmo.

    Beijo grande a vc e todos do blog.

    setembro 9th, 2010 - 12:41
    Christian Matsuy respondeu:

    olá Kenia,
    obrigado pelos parabéns!
    não tenha pressa e faça tudo dentro do seu tempo que vai dar certo, e qualquer dúvida a gente tenta ajudar no que for possível!

    beijo!

  5. Amaury Ribeiro sábado, 11 de setembro de 2010 em 12:06 -  Responder

    Meu caro, realmente não temos muitas opções de cadeiras, conforto, segurança e dirigibilidade das cadeiras ofertadas são quase nada. Em 11 anos como “matrix” já estou na quarta cadeira. Hoje tenho uma Dinâmica Elite (ortomix), com algumas adaptações próprias, porém sempre desejando algo melhor. Fabricantes não têm interesses em tecnologias de ponta, e temos demanda!! É uma pena, somos sempre “pra depois”. abs.

    setembro 11th, 2010 - 12:18
    Christian Matsuy respondeu:

    olá Amaury,
    sem dúvida temos poucas opções… se pararmos para pensar que as cadeiras sob medida começaram a ser vendidas por aqui em 2004… até que evoluimos, mas a qualidade não acompanhou, pelo contrário, ela decaiu… eu ainda acho o consumidor cadeirante pouco exigente, uns por falta de condição outros por desinformação, estamos começando criar agora esse tipo de consciência.

    abraço!
    Christian

  6. Alexandre terça-feira, 14 de setembro de 2010 em 21:09 -  Responder

    Excelente post
    Ele, infelizmente, reflete a necessidade do mercado. Mas tenho certeza absoluta que isso vai mudar.

    Abraços
    Ale

    setembro 15th, 2010 - 09:27
    Christian Matsuy respondeu:

    olá Alexandre,
    eu também torço pra que as coisas melhorem, já melhoraram mas falta muito…

    abraço!

  7. alexandre terça-feira, 26 de outubro de 2010 em 20:29 -  Responder

    Olá amigo, sou cadeirante tb achei viável e muito útil sua matéria
    o que me deixa indignado e ao mesmo tempo revoltado é saber que uma bicicleta x.
    ex : c/ suspensão freio a disco e assim vai…vc consegue achar no valor aproximado de R$ 500 em diante.
    E uma, vou se dizer assim merda de cadeira de rodas, como vc falou alumínio e plásticos custar de R$ 3 mil p/ cima.
    Vamos juntos tentar montar um documento das diferenças
    outro ex:
    Uma bicicleta x, custa…
    E p/ que serve, para o lazer ou trabalho…
    Uma cadeira de rodas…
    E p/ que serve, é uma necessidade como meio de locomoção obrigatória.
    Pesquise alguns modelos de bike e cadeiras de rodas e faça um comentário no seu blog, com o pouco quaso de nossas autoridades competentes, tem com os portadores de necessidades especiais ou com alguma mobilidade reduzida.

    outubro 26th, 2010 - 22:44
    Christian Matsuy respondeu:

    olá Alexandre,
    realmente se comparada a uma bicicleta top de linha, custa caríssimo. mas essa comparação não pode ser feita, pois as cadeiras custam caro em qualquer país do mundo. a diferença é que aqui nós não temos qualidade, e lá fora além disso, os planos de saúde pagam a cadeira. infelizmente a verdade é essa. a gente consegue viver sem uma bike, mas sem uma cadeira de rodas pode ser bem mais difícil. coisas do sistema capitalista.

    abraço!
    Christian

  8. alexandre terça-feira, 26 de outubro de 2010 em 20:34 -  Responder

    Voltei novamente esqueci de ressaltar p/ comunicar isso tb aos fornecedores e fabricantes de cadeira de rodas.

    outubro 26th, 2010 - 22:51
    Christian Matsuy respondeu:

    Os fabricantes não estão nem aí pra nós Alexandre…
    se eles dessem uma olhada nas redes sociais e nos blogs veriam como os produtos nos atendem mal… mas nunca movem uma palha para melhorar alguma coisa. nós somos uma pedra no sapato deles e parece que fazem questão de nos ignorar.

  9. alexandre quinta-feira, 28 de outubro de 2010 em 23:35 -  Responder

    Eu, sei Cristian, entendi perfeitamente, eu só quis comparar uma necessidade dos prazeres ou trabalhos, é ai que entra a jogada usando o cumúlo do absurdo tentaremos comover, e se insestir nessa comparação, quem sabe juntos conseguiremos abrir os olhos dos nossos ilustres e nobres políticos, a criar uma lei p/ que os impostos imbutidos nesses produtos sejam 0%.

    Vou te dar algumas comparações:

    Com R$ 3 mil pode se comprar um desses itens !

    compra uma moto modelo yamaha, ano 2007;
    compra um fusca;
    compra uma belissíma bike;
    compra uma biz ano 2004;

    A cadeira de fibra de carbono o valor dela dependendo da localidade do território nacional é capaz de comprar até uma terreno eu não estou brincando, posso provar.

    + é como vc disse, coisas do sistema capitalista.

    Use seu blog, que eu achei bacana e interessante e informe o pouco caso que eles tem com os portadores de necessidades especiais ou c/ alguma mobilidade reduzida.
    Fica a seu critério tomar quaquer decisão, independente de qualquer coisa parabéns pelo blog, gostei muito de navegar no seu blog.

  10. Amaury Ribeiro sexta-feira, 29 de outubro de 2010 em 20:09 -  Responder

    Caro Alexandre, bela observação, realmente os preços de uma cadeira de rodas, é um absurdo. Temos isenções para comprar veiculos; quais as razões para tais isenções não alcançarem as cadeiras de rodas. ok

    outubro 29th, 2010 - 20:25
    Christian Matsuy respondeu:

    Caros colegas, Alexandre e Amaury,

    o Eduardo até escreveu um post sobre exatamente isso que vocês estão falando, o governo já faz a parte dela dando insenção de imposto para cadeiras de rodas, só que os fabricantes não nos vendem a cadeira por um preço mais baixo.

    confiram esse post:
    http://maonarodablog.com.br/2010/06/02/impostos-sobre-cadeira-de-rodas/

    Abraços!
    Christian

  11. alexandre sábado, 6 de novembro de 2010 em 21:27 -  Responder

    Obrigado Christian.
    Olha como é importante lhe dar c/ pessoas c/ conhecimentos, eu julgava os fabricantes e o governo culpados e depois dessa apredizagem que tive, graças ao blog mão na roda descobri que os verdadeiros culpados, pelos altos preços são os fabricantes e fornecedores.
    E ai cadeirantes agora éstá na mão de vcs.
    Fico contente por ter descoberto o blog mão na roda e recomendo.

    Abraços!
    Christian

    novembro 7th, 2010 - 12:34
    Christian Matsuy respondeu:

    olá Alexandre,
    realmente é lamentável.
    o que nos resta e sermos consumidores exigentes para que esses fabricantes nos vendam produtos com qualidade.

    abraço,
    Christian

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