Vale ou não vale?

E depois de uma semana inteira esperando o tal do maravilhoso sábado, dia que posso acordar tarde e ficar olhando pro teto, fazendo nada, o dever me chama e preciso ir pra rua resolver aquelas pendenguinhas que não consigo resolver durante a semana. O mundo é muito, muito injusto. Depois de uma longa briga com minha cama, levantei, me arrumei e saí. Por preguiça pura resolvi que não ia trocar de cadeira e  fui na StarLite mesmo, minha cadeira chinelinho.

Fui quicando que nem pipoca no óleo quente e me perguntando porque não troquei de cadeira. Cheguei na primeira loja. Nenhum degrau, e a loja (uma papelaria na verdade) ainda fez na entrada uma “rampinha” ao invés de deixar um degrau.  O que me espantou, pois estive lá há pouco mais de um mês, e quando tive que empinar a cadeira o atendente pediu desculpas (pasmem!) e disse que eles iam colocar uma rampa em breve, que já tinham providenciado a obra.  Na hora pensei que era balela do cara, mas hoje vi que não. E fizeram uma coisa legal, nada de rampa muguenga. Enfim, comprei o que tinha que comprar, e segui para meu próximo destino.  Tremeliquei mais um pouco, e fui escorregando na cadeira, e quando vi tava quase deitada. Parei, me ajeitei e continuei. Ruim demaaaaaaaais esse encosto!

Enfim, cheguei na outra loja, e tinha aquele degrauzinho sabe? Nem muito alto, mas que também não é muito baixo. Em muitas lojas encontrei esse degrauzinho, que nem  na foto.

Nada que  uma  empinada não resolva, ou pra quem que como eu  que não tem muita força, uma ajudinha de nada já resolve. Mas ai, vem o motivo do post: vale implicar com o tal degrauzinho, ou é pedir de mais pra colocarem uma rampinha? Se um colocou, porque os outros não podem fazer o mesmo?  Realmente, o degrau não é nenhum absurdo, mas pôxa, porque eu tenho que ficar pedindo ajudinha pra coisas tão simples como entrar numa loja? Não sei, fiquei confusa. Fiquei pensando se aceitar pequenos obstáculos  é conformismo. Porque a gente vai se acostumando a dar jeitinho, a ter ajudinha, e acaba achando que esse é o normal. O que não é verdade. O normal deveria ser tudo bem acessível , né não?

Bom, passeio terminado, missão cumprida e ainda ganhei de presente da cadeira chinelinho uma palma da mão de dar orgulho:

Na próxima, vou de luva!

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16 comentários em “Vale ou não vale?

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  • sexta-feira, 8 de outubro de 2010 em 15:27
    Permalink

    Cris, não acho exagero pedir a rampa. Pelo contrário. Se o degrau já é pequeno, custava deixar nivelado? Muitas vezes é puro capricho do arquiteto, que quer que sua obra fique separada do mundo, ou do dono da loja, que acha que aqueles 4 ou 5 cm vão impedir que a loja seja alagada na próxima chuva.
    A rampa deve existir, tá na lei, você, eu e todo os “rodantes” do mundo têm que entrar na loja sem precisar de ajuda.
    Para quem acha que eu estou sendo radical demais, dou um exemplo: imaginem que os ambientes tivessem, no máximo, 1,60 m de altura até o teto. Para um cadeirante estaria tudo bem, pois mesmo numa cadeira alta não fica com mais de 1,50 m, mas para um andante seria bem desconfortável ter que andar agachado, assim como eu acho incômodo depender da ajuda de um estranho para superar um obstáculo…

    outubro 13th, 2010 - 18:48
    Cris Costa respondeu:

    É verdade, não custa nada fazer uma rampa. Mas acho que falta informação também. Muito lojista acha que não tem problema. Sei lá. Mas vou começar a falar. Bjs!!!

    Resposta
  • sexta-feira, 8 de outubro de 2010 em 15:33
    Permalink

    Nossa, realmente vc tem razão. Nós cadeirantes sabemos o tanto que é barra sair de casa só, para resolver nossas coisas…

    Que custa falta pros comerciantes entenderem que um pequeno degrau no seus estabelecimento é um verdadeiro sufoco para nós e claro pessoas idosas…

    Obs: posso add no meu blog?

    outubro 13th, 2010 - 18:48
    Cris Costa respondeu:

    Oi Fábio, pode colocar no seu blog sim, só não esquece de linkar de volta para o nosso, ok? Bjs, Cris.

    Resposta
  • sexta-feira, 8 de outubro de 2010 em 17:06
    Permalink

    Olá Cris!
    sei bem oque é isso.

    Mas “axo” que deveria colocar fotos
    da papelaria que fez a rampa!

    Beijus.

    outubro 13th, 2010 - 18:50
    Cris Costa respondeu:

    Oi Lurdes, na verdade era pra foto ter ido nesse post, mas eu acabei não tirando e publicamos o post mesmo assim. Mas vou tirar a foto do lugar e colocar aqui, pode deixar! Bjs, Cris.

    Resposta
  • sexta-feira, 8 de outubro de 2010 em 17:29
    Permalink

    Olá Cris,

    Morri de rir com o seu “cadeira chinelinho”!! E acho que os seus questionamentos muito profundos e bastante humildes (o que é bacana, sempre)!

    Concordando com o Nickolas, gostaria de lembrar que essa discussão passa pelos Direitos Humanos (e Constitucionais) – DE IR E VIR! E ele é igual para todos…

    A sociedade, e não só os cadeirantes, tem de cobrar ajustes, melhorias, reformas…sempre! E as ruas da cidade inteira, aliás, estão pela hora da morte!!! A gente não pode se distrair nem um minuto com uma vitrine que corre o risco de torcer o pé!!!

    Tudo de bom!

    outubro 13th, 2010 - 18:51
    Cris Costa respondeu:

    Oi Luciana, é verdade temos que cobrar por melhorias. E nem é lá muita coisa colocar uma rampinha, né? Bjs, Cris.

    Resposta
  • sábado, 9 de outubro de 2010 em 12:44
    Permalink

    Eu sempre tenho a mesma dúvida, mas acho que vale a pena conversar com o estabelecimento e explicar pq aquele degrauzinho é chato e tira nossa independência. Mas também não dá para fazermos isso o tempo todo, senão só vamos fazer isso na vida, função que é da prefeitura e não é feita, né?

    Em tempo: essa desculpa de colocar o degrau por causa da chuva é f… Se a água subir, não vai fazer diferença alguma entre rampa e degrau. Grrrrrrr!

    outubro 13th, 2010 - 18:52
    Cris Costa respondeu:

    Acho que é o que vou fazer daqui pra frente. Quando for a algum lugar que possa melhorar, vou conversar com o gerente. Acho que é a melhor forma mesmo. Bjs, Cris.

    Resposta
  • sábado, 9 de outubro de 2010 em 17:36
    Permalink

    Olá a todos é a primeira vez que escrevo no blog mas já estou lendo algum tempo é realmente uma ferramenta muito importante na busca de uma melhor qualidade de vida para todos nós (cadeirantes). Gostaria de apenas contribuir com esta discussão de acessibilidade em lojas, comércio em geral, sou fiscal sanitarista (vigilância sanitária). Nos estabelecimentos que possuam alvará sanitário (bares, lanchonetes, panificadoras, restaurantes entre outros da área da saúde) o fiscal só pode liberar a licença se o estabelecimento estiver de acordo com as normas Abnt 9050. Isto existe em todo Brasil pois o Decreto Federal 5296/04 em seu Art. 13 é explicito em relação a isso. Aqui em Joinville minha cidade é claro tinha eu para cobrar da moçada, mas todo mundo tem e deve cobrar das Vigilâncias municipais o cumprimento do Decreto Federal 5296/04.
    Um grande abraço a todos e fico a disposição através do meu e-mail para maiores esclarecimentos. iranluizoliveira@hotmail.com

    outubro 13th, 2010 - 18:55
    Cris Costa respondeu:

    Oi Iran, aqui no Rio todo lugar tem que estar adaptado para ser liberado. Infelizmente nem todos os locais respeitam e sabe-se lá pq mesmo assim acabam sendo liberados. Se todos os fiscais entendessem que não custa nada uma rampa e que faz muita diferença, talvez fosse diferente. Comente sempre!!! Bjs, Cris.

    Resposta
  • domingo, 7 de novembro de 2010 em 19:03
    Permalink

    Cris,

    Boa noite! Talvez você já saiba do assunto que vou comentar, mas por via das dúvidas aqui vai: sabia que as rodas das nossas cadeiras deveriam ficar um pouquinho mais pra frente? É por isso que tenho dores nos ombros e não é acomodação, não? A humanidade anda tão ruim que na minha opinião a gente faz é bem pra quem oferece ajuda pra gente… Eu particularmente depois que descobri isso, como diria o meu irmão, eu já sou mansa que dói, agora, então nem se fala. Digo e repito, a gente oferece para o outro que nos oferece ajuda uma forma de redenção com DEUS. O site do professor doutor Pedro Américo dono da Academia Especial (onde tenho o maior orgulho de fazer musculação lá…) é: http://www.academiaespecial.com.br

    Resposta
  • domingo, 7 de novembro de 2010 em 19:07
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    Esqueci de falar que o professor Pedro Américo tem doutorado em reabilitação na Alemanha e a mais de 30 anos trabalha só com isso e foi quem me falou da angulação das rodas das cadeiras, mas, ao mesmo tempo me pergunto se existe toda e qualquer cadeira com essa angulação, será mesmo que ele está certo? 🙂 Beijossssssssssssssssss,

    Mônica.

    Resposta
  • domingo, 7 de novembro de 2010 em 19:45
    Permalink

    Cris,

    Em 1º lugar gostaria que você me ensinasse a dar essa empinadinha básica capaz de te colocar dentro dessa loja, porque eu SINCERAMENTE não sei como fazer.
    Em 2º lugar concordo com o Nickolas, tá na lei e deve ser aplicada senão vira essa bagunça que já está, acho inclusive que não é só por causa da chuva, não… É por PURA ESTÉTICA mesmo!!!
    Em 3º lugar gostaria de citar o “Herbert Vianna”: “As pessoas não imaginam como, para um cadeirante, qualquer centímetro de desnível pode representar a Muralha da China”. Só vivendo a situação para saber…
    Tudo de bom! (Estou cansada de tanto cobrar por justiça!)

    Mônica (Belo Horizonte)

    Resposta

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