Geral, Opinião e cotidiano

As coisas melhoraram…

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Outro dia tava pensando (sim, as vezes isso acontece) no quanto as coisas melhoraram desde o meu acidente. Quando digo “as coisas” estou falando de acessos, equipamentos e facilidades em geral. Lá se foram quase 12 anos e pra quem não se lembra  ou não conheceu, o mundo sem internet era bem diferente. Logo após o meu acidente, fiquei um bom tempo sem poder fazer muita coisa. E teria sido bem útil se a internet fosse o que é hoje. Além de não ter tantos sites bacanas como hoje (nem tinha o Mão na Roda, hehehhe),  estou falando de uma  internet que era discada. Alguém se lembra disso? Pois é, era lento e caro ficar conectado muito tempo. Uó!

Hoje, agradeço todos o dia a Nossa Senhora das Conexões por facilitar a vida de todos. Compras on-line são uma benção. Nem me preocupo mais com farmácia. Entro no site, escolho, pago e quando chego em casa, tá tudo lá. Isso vale também pra supermercado e “otras cositas mas”. A compra pela internet facilita muito. O que não quer dizer que os locais não tenham que ser acessíveis. É apenas mais uma opção.

Também tinham pouquíssimos lugares adaptados. Me lembro de… Um!!! Loucura, né? Ok, hoje deve ter uns dez, mas fazendo uma análise estatística é um aumento de 1000%. É um avanço e tanto, vai!  A quantidade de ônibus na rua também aumentou consideravelmente. Não vou entrar no mérito se funciona ou não. Mas tem. A quantidade de rampas também aumentou.  Empregos então, nem se fala. Assim que comecei a procurar emprego, me lembro bem que a opção de vagas para deficientes era única: atendente de telemarketing. Hoje já se vê uma variedade bem maior de cargos oferecidos. E os cinemas… Ah, melhoraram muito! A única sala que tinha era a do Cinemark, e vamos combinar que a rede merece o prêmio “toma vergonha na cara e adapta direito”. Colocar qualquer pessoa isolada numa sala, lá na frente no pescoção não é ser acessível, é ser… Bom deixa pra lá. Tem outras salas de cinema bem adaptadas por ai.

Mas se tem algo que não melhorou, foram as cadeiras nacionais. A Tokleve M foi a melhor nacional que eu tive e nem existe  mais. Teoricamente alguns modelos melhoraram, mas vejo muita reclamação por ai, principalmente no que diz respeito a qualidade. E vamos combinar né, cadeira de rodas tá longe de ser supérfluo. É um produto no qual o consumidor precisar confiar. Mas enfim, quem sabe um dia melhora. Tá bom, tá bom, não vou ficar aqui choramingando. Mas que podia melhorar, podia.

Num geral, estamos caminhando. Se pensarmos no tanto que as coisas melhoraram nos últimos anos, dá até uma boa expectativa pra os próximos. Como será que as coisas vão estar daqui há 10 anos? Alguém arrisca?

Sobre o autor / 

Cris Costa

13 Comentários

  1. The Best sexta-feira, 5 de novembro de 2010 em 07:32 -  Responder

    As coisas realmente melhoraram, porém ainda falta muito para ficar ruim. A politicagem e desculpas do governo para deixar a acessibilidade nas ruas de forma precária não ajuda em nada.

    Os cinemas tem o mesmo problema da vagas para deficientes, como nem sempre tem pessoas para estacionar, eles acham que é desnecessário. Mas melhorou bastante nas salas mais recentes.

    Depois da novela o povo brasileiro passou a entender um pouco das dificuldades e das necessidades dos portadores de deficiencia, mas o tempo foi curto para a lavagem cerebral.

    novembro 6th, 2010 - 15:49
    Cris Costa respondeu:

    Oi The Best, com certeza ainda falta muito, mas não podemos deixar de olhar para o que já melhorou. A novela ajudou sim, e concordo que já caiu um pouco no esquecimento. Temos um longo caminho ainda. Bjs, Cris.

  2. GREGORI sexta-feira, 5 de novembro de 2010 em 09:27 -  Responder

    OLÁ!
    Concordo plenamente com voce, muita coisa melhorou mesmo, principalmente a cabeça das pessoas (o que é mais importante).
    Vejam só, para comprar carro o governo da isenção de IPI, ICM e IOF mas para comprar uma cadeira de rodas não há isenção.
    A taxa de importação de uma cadeira de rodas é muito alta, segundo o governo para estimular a compra no mercado nacional, porem não existe a mesma qualidade ainda no Brasil.
    Sou otimista e vejo grandes mudanças em um futuro proximo.

    Grande abraço

    novembro 5th, 2010 - 12:00
    Eduardo Camara respondeu:

    Oi Gregori,

    Vou me intrometer um pouquinho aqui no post da Cris: o governo já dá isenção de todos esses impostos e mais outros para a fabricação de cadeira de rodas. E o imposto de importação nem é alto… São apenas 12%. A gente já falou sobre isso aqui no blog em http://maonarodablog.com.br/2010/06/02/impostos-sobre-cadeira-de-rodas/

  3. Jefferson sexta-feira, 5 de novembro de 2010 em 10:29 -  Responder

    Olá..

    uma aposta pra daqui a 10 anos, seria cadeiras melhores, “nova” tecnologia nacional( tecnologia já usada lá fora);
    maaaaas, olho pra traz como vc… estou 8 anos na cadeira, e muita, maaais muita coisa melhorou desde que eu vim pra ca…
    na cidade aonde moro, não tinha balada adaptada, bar, cinema, o shopping era muito mal adaptado, predios publicos raramente se achava um com adaptaçao…
    hj..nossa, da até gás pra sair…
    tem onibus especial só pra cadeirante e outros…
    se quer sair, liga e o onibus adaptado passa na sua rua…quando se liga pro radio taxi, aviso que so cadeira, mandam carro maior e com motorista que “tem vontade”…

    maaaaas, como vc menciono, muita coisa ainda tem q melhorar…

    novembro 6th, 2010 - 15:50
    Cris Costa respondeu:

    Oi Jefferson, que legal esse ônibus!!! Aqui no Rio não tem nada parecido. Podiam adotar essa idéia em todas cidades! Bjs, Cris.

  4. Luciana De Lamare sexta-feira, 5 de novembro de 2010 em 10:30 -  Responder

    O mais importante, Cris…é que hoje em dia todo mundo fala nisso! E acho que faz toda diferença! E por que não reclamar nas empresas fabricantes e fomentar uma mudança? Se ha tecnologia e mercado (varios segmentos diferentes, inclusive), nao sera do interesse deles ouvir o que os consumidores tem a dizer?!

    Gde beijo!

    novembro 6th, 2010 - 15:57
    Cris Costa respondeu:

    Oi Luciana, concordo que hoje em dia se fala muito mais nisso. Mas quanto aos fabricantes… Já não sei. São basicamente 3 no Brasil, eles não tem concorrência, não são cobrados de nada e por isso é tão difícil ver alguma melhoria. Uma pena, pq não estamos falando de algo supérfluo, né? Mas acho que se TODOS reclamarem mais pode ter alguma melhoria. Por isso bato tanto nessa questão. Bjs, Cris.

  5. Eduardo Camara sexta-feira, 5 de novembro de 2010 em 11:56 -  Responder

    Também acho que melhorou pra caramba, principalmente na questão do acesso a informação e fico muito feliz pelo blog ter ajudado nisso. Como será daqui a 10 anos? Gostaria MUITO que as leis começassem a valer de verdade, e que todos os estabelecimentos novos fossem acessíveis. Nesse caso, iríamos ter uma melhora incrível! Queria poder fazer aí no Rio o que estou fazendo aqui: usar transporte público decente, entrar em praticamente qq loja, não me preocupar em achar um banheiro adaptado, enfim, ter oportunidades iguais. Sonhar não custa nada. 🙂

    novembro 6th, 2010 - 16:05
    Cris Costa respondeu:

    Rapaiz, nem me fale! Acho que é por isso que é fácil se sentir em casa em NYC. Além da cidade ser fantástica, se comparada ao Rio, é mega acessível. Essa liberdade de poder fazer tudo tranquilamente é boa de mais! E devia ser assim em todo e qql lugar. Dá raiva e tristeza a acesibilidade no Rio. Tomara que melhore nos próximos anos. Bjs, Cris.

  6. MARIA PAULA TEPERINO domingo, 7 de novembro de 2010 em 11:15 -  Responder

    Nossa Cris, seu post me deu uma certa nostalgia. Uma nostalgia gostosa de lembrar que participei do 1º Encontro Nacional de Pessoas com Deficiencia. Isso foi em 1981 em Brasília, e de lá para cá tivemos muitas vitórias. Os problemas e entraves ainda são grandes. Pelas leis que temos, já não haveria mais razão de ainda existirem lugares sem acesso, mas quando me lembro de uma amigo, que passou num dos primeiros lugares para advogado do Banco do Brasil (e foi antes da lei das cotas nos concusos públicos) e que não pode tomar posse por ser cadeirante…nossa que diferença para hoje em dia. Não que ainda não existam coisas como essas, infelizmente elas ainda existem, mas não há juiz que não dê liminar determinando a posse do candidato. Temos que continuar na batallha, e acredito que daqui há 10 anos, com as Paraolimpíadas no Rio, as coisas vão ficar bem melhores.
    bjs

  7. Christian Matsuy domingo, 7 de novembro de 2010 em 12:40 -  Responder

    vocês ai no Rio tem uma olimpíada para sediar…
    espero que isso traga benefícios a curto prazo.

    acho que a copa está muito próxima e por ser um evento de esporte único, não vai trazer muito benefício a não ser nos estádios, infelizmente vão dar uma maquiada em tudo e beleza.

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