Acessibilidade, Transporte, Viagens e Turismo

Acessibilidade nos transportes

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ponte de embarque (finger)

Notícia quentinha no blog: acabou de ir ao ar no Fantástico uma reportagem abordando a acessibilidade dos meios de transporte. O foco maior foi dado para o transporte aeroviário, mostrando problemas em aeroportos e aviões.

Quem já viajou de avião sabe que um embarque tranquilo depende,  infelizmente, de sorte. Mesmo estando num aeroporto  bem equipado, que tenha pontes de embarque (fingers), é preciso ter sorte para que o avião esteja parado ao lado de uma. Também é preciso sorte para marcar o lugar na primeira fila do avião, sorte para o avião estar no horário e conseguir embarcar com tranquilidade, sorte para não precisar do banheiro durante o vôo (situação super-constrangedora)… enfim… viajo frequentemente de avião e já aprendi que rezar adianta mais do que reclamar.

cadeirante embarcando em estação tubo

Outro ponto mostrado na reportagem foi o transporte em ônibus. Apareceu um cadeirante tentando tomar um ônibus urbano em Curitiba/PR, usando as famosas “estações tubo”. Sem problemas. Eu mesmo usei esse tipo de ônibus por algum tempo quando morava naquela capital e o acesso era muito fácil.

Uma citação foi feita aos ônibus intermunicipais, que normalmente são mais altos, com apenas uma única e estreia porta de entrada. Há algum tempo eu tenho reparado que os ônibus intermunicipais mais novos têm o adesivo de acessibilidade colado na porta. Curioso sobre isso, enviei um email para a empresa Marcopolo, uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus no Brasil e fabricante de alguns ônibus que eu tinha visto com o adesivo. (esclarecimento: a foto abaixo é de um ônibus de outro encarroçador, porém com acesso idêntico à maioria dos veículos).

ônibus intermunicipal com adesivo de acessibilidade

O texto do email que enviei foi o seguinte:

Tenho visto vários ônibus intermunicipais e interestaduais com o símbolo de acessibilidade, que acredito representar facilidade de acesso ao interior do veículo. No entanto, esses veículos continuam apresentando entradas estreitas e com escadas, representando grande dificuldade para pessoas com problemas de locomoção. No caso do passageiro ser cadeirante, o embarque é impossível, pois a entrada é tão estreita que impede a passagem de alguém carregando a pessoa no colo. Por que esses veículos utilizam o símbolo de acessibilidade se não há nenhuma facilidade de acesso? Que tipo de adaptações foram feitas?

A resposta da empresa foi a seguinte:

Informamos que os referidos veículos são dimensionados para atender a norma NBR 15320 (Acessibilidade de Veículos Rodoviários), e estabelece dentre muitas melhorias para a acessibilidade, a utilização de uma cadeira de transbordo especial para o translado da pessoa, da cadeira de rodas para o assento reservado no ônibus.

Pois bem. Um belo dia precisei utilizar um ônibus desse tipo para ir a um evento da empresa. O ônibus era novo e o adesivo de acessibilidade estava na porta. Fiquei empolgado para conhecer a tal “cadeira de transbordo”. Sabe o que o motorista disse?

“Que é isso, moço? Nem sei se esse negócio existe, mas nesse ônibus nunca teve. Sempre que alguém vai embarcar, carregamos no braço mesmo.”

Pois é… ainda temos muito o que melhorar…

Sobre o autor / 

Nickolas Marcon

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25 Comentários

  1. Denise domingo, 19 de dezembro de 2010 em 23:09 -  Responder

    hum… será que essa tal cadeira não é aquela que fica dobradinha, logo na entrada do ônibus, ao lado dos degraus?! se for… é uma cadeirinha safada, estreita e bem desconfortável para viagens longas… =p

    dezembro 20th, 2010 - 17:42
    Nickolas Marcon respondeu:

    Denise, a cadeira que fica logo na entrada é um assento provisório para um ajudante do motorista. A cadeira de transbordo deve ser móvel para possibilitar a transferência do cadeirante até as poltronas do ônibus. Um abraço.

  2. Marcelo Oliveira segunda-feira, 20 de dezembro de 2010 em 18:10 -  Responder

    Andar de ônibus nem sequer me atrevo, e essa tal norma da cadeira para transbordo é um dos maiores absurdos que ouvi na vida (eu também já tinha notado o símbolo nos ônibus não adaptados). Quanto a aviões, certa vez fui a SP pela Gol, e passando pelo finger dei de cara no corredor que se inicia atrás da cabine do piloto. Dalí vislumbrei um loooongo corredor de pouco mais de meio metro de largura, pelo qual a cadeira não passaria. Por pura sorte havia reservado uma das poltronas, e como não daria pra rodar a cadeira para chegar mais perto, dalí mesmo minha esposa me carregou até a poltrona (não, ela não é halterofilista ;-)). )

    Tudo mto apertado e improvisado. ;-(

    Abços
    Marcelo

    dezembro 26th, 2010 - 16:10
    Nickolas Marcon respondeu:

    Marcelo, esse problema dá para contornar. Dá próxima vez que vc comprar a passagem, não marque o assento. Quando vc fizer o check-in, chegue mais cedo e peça para te colocarem na primeira fila, que normalmente está livre pois não é possível marcá-la na compra antecipada. Se mesmo assim a primeira fila já estiver ocupada, chegue cedo no embarque (a preferência é sua) e peça para a comissária te alojar na primeira fila, mudando o assento da pessoa que chegar depois. Esse é um procedimento padrão das companhias aéreas e nunca tive problemas em vôos domésticos.
    Em vôos internacionais é mais complicado, pois tem diferença entre as classes nos aviões, mas normalmente há uma cadeira no próprio avião que passa entre os assentos para te levar até sua poltrona marcada.
    Um abraço.

  3. brunna melazzo quarta-feira, 22 de dezembro de 2010 em 12:04 -  Responder

    fui buscar meu namorado na rodoviária uma vez… e vi o tal ônibus com o símbolo… fui lá… na maior inocência do mundo perguntar para o motorista o que tinha de adaptação…
    sabe o que ele me respondeu: “aaaahhh, é adaptado siiiiimm, na 1ª poltorna tem uma campainha que se a pessoa apertar, fica piscando uma luzinha no meu painel… e tem outra no banheiro se a pessoa ficar presa”

    O.O uaaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuu….

    olhei bem pra cara dele e soltei: isso é adaptação pra deficiente??
    “éééé… claro que é… imagina se ele fica preso no banheiro???”

    – meu senhor, só me responde mais uma coisa: “coooooooomoooo ele vai chegar no banheiro??”

    não precisa dizer mais nada, né?? Ele ficou me olhando com cara de paisagem e eu segui pra plataforma do desembarque…

    dezembro 26th, 2010 - 16:14
    Nickolas Marcon respondeu:

    Difícil argumentar com esse povo que só segue ordens… Vai ver ele estava procurando na paisagem para ver se achava algum cadeirante voando: só assim ele conseguiria chegar no banheiro… eheheh…

    Um abraço.

  4. Eduardo quarta-feira, 22 de dezembro de 2010 em 16:27 -  Responder

    Assim como o Marcelo, eu tb não me atrevo a usar ônibus. Há pouco tempo, tb tive a curiosidade de perguntar a um motorista quais eram as adaptações existentes nos ônibus com o adesivo do símbolo de acesso. Ele foi logo dizendo que era apenas um empregado e que não tinha culpa alguma pelo fato de o ônibus não ter adaptações para cadeirantes.
    OK, sei disso, mas tirei algumas fotos e as encaminhei ao Ministério Público da comarca onde vivo. Aguardo as providências do Parquet.

    dezembro 26th, 2010 - 16:17
    Nickolas Marcon respondeu:

    Boa ideia, Eduardo… assim que tiver notícias, conte conosco para compartilhá-las com os demais leitores, ok?

    Um abraço.

  5. Cris quarta-feira, 22 de dezembro de 2010 em 22:06 -  Responder

    Sempre que via esses ônibus na rua me perguntava como seria a adaptação. Agora já sei: não tem! Ridículo! Não é possível que alguém diga que isso é adaptado. Temo ferradu! Bjs!

    dezembro 26th, 2010 - 16:18
    Nickolas Marcon respondeu:

    Pois é, Cris, o mistério continua… Onde estaria a famosa “cadeira de transbordo”???

    Se algum leitor tiver notícias, escreva para nós…

    Abraço.

  6. Cristiane Ribeiro domingo, 26 de dezembro de 2010 em 21:52 -  Responder

    Nickolas….esta realidade existe infelizmente!….pra quê adesivo informando acessibilidade ?…..temos que colocar a boca no trombone e denunciar diretamente na promotoria pública….aprendi que muitas coisas infelizmente se resolve assim!…. bjs

    dezembro 29th, 2010 - 14:05
    Nickolas Marcon respondeu:

    É praticamente um caso de propaganda enganosa, anunciando algo que não existe… O problema é que, mesmo que o caso chegue às vias de fato e as empresas sejam condenadas, não haverá cobrança para regularização da situação, assim como já não se cobra tanta coisa… Lamentável.
    Um abraço.

  7. Eduardo Aranha Luz quarta-feira, 29 de dezembro de 2010 em 19:38 -  Responder

    Nickolas e demais leitores do blog,

    O correto seria o MP instaurar um Inquérito Civil e, se for o caso, ajuizar posteriormente uma ação coletiva em face dessas empresas de ônibus, cobrando a efetiva adaptação dos veículos.

    Na verdade, o Inquérito Civil seria uma medida até dispensável, uma vez que sua função é reunir elementos para a propositura de uma ação civil pública e, s.m.j., já existem elementos de sobra para qualquer MP estadual propor a ACP. Por desencargo de consciência, que se instaure o Inquérito Civil, mas, principalmente, que se faça alguma coisa!

    Enquanto nada se faz, sugiro aos cadeirantes que tentem viajar num ônibus com esse adesivo e posteriormente acionem judicialmente a empresa transportadora por danos morais. Se houver uma avalanche de ações na Justiça, com sentenças desfavoráveis às empresas de ônibus, quem sabe elas passem a cumprir a lei?

    dezembro 30th, 2010 - 10:55
    Nickolas Marcon respondeu:

    Eduardo, obrigado pelas informações. Seria ótimo se todos que precisam utilizar esses ônibus seguissem sua sugestão e reportassem ao MP seu constrangimento ao ser carregado. Penso que as intimações às empresas já seriam suficientes para provocar alguma atitude, mesmo antes da conclusão das sentenças.
    Um abraço.

  8. Adriana domingo, 2 de janeiro de 2011 em 22:38 -  Responder

    Bem, na Bahia, nos ônibus intermunicipais comuns em que já viajei, nunca vi qualquer adaptação. Apesar de não ser cadeirante, me preocupo com a questão da acessibilidade (a minha deficiência também me impõe algumas dificuldades). Enfim, ficava me questionando: o que uma pessoa que tem uma limitação um pouco maior que a minha ia ter que passar para viajar num ônibus assim? Quando fui viajar de semi-leito, vi o símbolo de acessibilidade antes da porta abrir e pensei que era acessível. A escada era mais larga, mas não vi nenhum elevador. Os dois primeiros acentos do lado oposto ao motorista tinham o símbolo e só. Fiquei meio frustrada… Acho que é uma forma de “dar a volta” na situação sem resolver o problema. É como aquelas rampas super inclinadas que mais parecem um paredão do que uma rampa e que literalmente só estão ali para constar e não para ser usada… Minha cidade tem um monte de rampas assim…

    janeiro 11th, 2011 - 00:03
    Nickolas Marcon respondeu:

    Adriana, o símbolo de acessibilidade não indica lugares só para cadeirantes, mas sim para qualquer deficiente físico. Aí é que está o problema: os lugares marcados TAMBÉM deviam ser acessíveis a cadeirantes. Quanto às rampas muito inclinadas, infelizmente isso é uma praga que se prolifera por todo lugar… 🙁
    Um abraço.

  9. Nelci sábado, 8 de janeiro de 2011 em 15:51 -  Responder

    É isso aí meu garoto! Apesar das leis e determinações, muitos ainda tentam “mascarar” o cumprimento das mesmas. Mas é pra isso que vocês estão aí. Tem que botar a boca no trombone mesmo. Bj

    janeiro 10th, 2011 - 11:22
    Nickolas Marcon respondeu:

    Mãe, fica tranquila que investigar e botar a boca no trombone é com a gente… 😉

  10. simone resende segunda-feira, 10 de janeiro de 2011 em 20:42 -  Responder

    boa noite!esta cada vez mais dificil de se subir no onibus eu sei bem como e isso, ainda mais para mim que sou pesadinha nem todos tem essa conciencia de se fazer tuneos para nos facilitar para subirmos nos onpbus. eu gostaria que entrasse em contato comigo, ******** ., obrigado.

    janeiro 10th, 2011 - 23:49
    Nickolas Marcon respondeu:

    Simone, pelas novas determinações da prefeitura do RJ, até 2016 todos os ônibus urbanos deverão ser equipados com piso rebaixado e rampas de acesso, o que vai facilitar muito o embarque de cadeirantes. Um abraço.

  11. Eduardo S. Mayr sábado, 14 de maio de 2011 em 23:16 -  Responder

    Todos reparamos na aparição desses adesivos de acessibilidade nesses ônibus e conto a vocês que vi e usei a tal cadeira para o translado do cadeirante até o assento reservado aos deficientes.
    Isso aconteceu da seguinte maneira: fiz uma excursão ao Espírito Santo com minha família e indaguei sobre a acessibilidade no ônibus de viagem. Foi aí que a empresa explicou a norma citada no início desta mtéria e que precisava ser informada da presença de um cadeirante para que a tal cadeira fosse colocada no ônibus. Ou seja, a cadeira só é disponibilizada quando solicitada, e aí como se faz isso num ônibus público de circulação diária.
    Entendo que óbviamente, cada ônibus deste deveria ter uma cadeira em seu bagageiro, mas duvido muito que existam tantas cadeiras quanto ônibus com o símbolo de acessibilidade!
    Continuando, no dia do embarque para minha viagem, estava super curioso, para ver e testar tal cadeira e imaginem o que aconteceu?
    Entrei no no ônibus sendo carregado pelos motoristas (2), que alegaram não saber manuseá-la.
    Durante a primeira parada, conversamos com os motoristas do ônibus e minha esposa já escolada no assunto, afinal de contas são 5 anos nesse universo, conseguiu ensiná-los como usá-la, mesmo sem nunca ter visto tal cadeira!
    O fato é que a empresa nunca fez nenhum treinamento sobre como usar a cadeira e agora esses dois motoristas vão poder dar aula sobre o assunto, pelo menos para seu companheiros de profissão.
    Um momento engraçado, senão triste, foi quando durante essa parada, um motorista de outro ônibus que também tinha o símbolo de acessibilidade, veio nos perguntar como eu havia entrado no ônibus. Ele sequer sabia de cadeira e muito menos como usá-la. Isso é demais!!!
    Infelizmente não fotografamos a cadeira e posso dizer que ela ajuda, mas não é nada prática e funcional. A transferência do cadeirante para a cadeira do ônibus é bastante difícil por causa da diferença na altura, que é grande! E o deslocamento até o assento reservado é díficil e um pouco demorado, principalmente se quem estiver ajudando não souber fazê-lo ou não tiver prática.
    Enfim, queria dividir essa experiência com vocês!!!

    maio 18th, 2011 - 23:51
    Nickolas Marcon respondeu:

    Eduardo, obrigado por relatar sua experiência. Agora já sabemos que a tal “cadeira de transbordo” existe, mas ninguém sabe onde conseguirá encontrá-la.
    Continua a situação vergonhosa: por que os ônibus ostentam o símbolo de acessibilidade se apenas muito poucos possuem o equipamento?
    Enquanto isso, continuamos correndo todos os riscos de sermos embarcados “no braço” por pessoas que não têm qualquer tipo de treinamento.

  12. Ana Paula de Souza e Silva terça-feira, 9 de dezembro de 2014 em 16:17 -  Responder

    Olá boa tarde Nickolas, trabalho na Rádio STJ e gostaria muito de conversar com você sobre a acessibilidade nos meio de transporte. Você pode ma passar seus contatos ou me ligar (61) 33198828. Estamos fazendo uma programa sobre férias e turismo e gostaríamos de gravar sobre o tema da acessibilidade. Aguardo retorno

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