Eduardo Camara - quarta-feira, 15 de setembro de 2010 - 09:31
Nesse domingo, dia 19 de setembro, rola a 3a edição da passeata do Movimento Superação – Rio, em Copacabana. Na última edição foram 40 mil pessoas e a expectativa desse ano é novamente de um grande público. A concentração começa às 08:30h, em frente ao hotel Othon, no Posto 5, e às 10h a galera sairá atrás de um trio elétrico rumo ao Posto 2.
Vai rolar muita música, gente maneira e é uma grande chance de mostrar para todos que nós – pessoas com deficiência – existimos e somos muitos!
E se você mora longe e não tem como ir, se liga nessa: o Washington, da Lince Transportes, tem uma van adaptada e está oferecendo transporte de graça para cadeirantes que queiram ir à passeata. A van tem espaço para 3 cadeirantes e 4 acompanhantes. Como Ele é da região de Duque de Caxias / Xerem, a preferência é para quem more perto de lá ou no caminho para a Zona Sul. Quem estiver interessado, entrar em contato direto com o Washington pelo tel (21) 8881-8934. Bela iniciativa!
Não deixem de comparecer, hein galera? A gente vai estar por lá!
Quando: 19/09/2010 – 08:30h
Onde: Posto 5 de Copacabana (estação Cantagalo do metrô)
Mais informações: www.novoser.org.br
Christian Matsuy - terça-feira, 14 de setembro de 2010 - 09:51
Todo mundo sabe que a praia do paulistano é o shopping. O Vila Olímpia é relativamente novo (inaugurado em novembro de 2009), e para comer, ir ao cinema ou jogar boliche, é uma ótima opção. E serve até para fazer compras. :)
As vagas reservadas encontram-se no estacionamento VIP G1 (sinalizado na entrada da garagem), e o preço do estacionamento é o mesmo do do estacionamento comum, 5 reais.
A grande vantagem desse sistema é que você pode contar com a ajuda dos manobristas caso necessário e as vagas são vigiadas. Não há como um espertinho parar nas mesmas. Vagas amplas, dentro dos conformes e com ótimo espaço lateral entre elas.
Estacionamento do shopping - área reservada
No mesmo piso, bem próximo das vagas, existe um posto onde você pode fazer uso de scooters motorizadas ou cadeiras de rodas manuais. Idéia muito boa, pois atende as pessoas que “estão” cadeirantes temporariamente por diversos motivos. Serve até mesmo pra aquela sua tia do interior que tem preguiça de andar. Este serviço não é cobrado.
posto de empréstimo de cadeiras e scooters
Os elevadores são todos concentrados (veja ao fundo da foto acima) e isso diminui a espera, além de serem bem rápidos. Há rampa de acesso para o hall, e minha sobrinha de 8 anos entra fácil comigo no elevador. O elevador conta com sistema sonoro de aviso de andar e sinalização em braile no painel.
Na praça de alimentação encontramos dois tipos de mesa (redondas e quadradas), fora o balcão elevado (onde se usam bancos altos). As mesas oferecidas permitem ótima aproximação da cadeira.
mesas da praça de alimentação
Ainda na praça de alimentação, temos pias com duas alturas diferentes e torneiras sensorizadas. Infelizmente, não são pias vazadas, mas de lado consegue-se facilmente fazer o uso delas haja visto que você não precisa se preocupar em abrir e fechar a torneira. O toalheiro fica baixo, o que também ajuda. Se não você estiver com problemas para usar as pias, saiba que as dos banheiros são vazadas.
Pias da praça de alimentação
Existem banheiros adaptados em todos os pisos. Nesse post eu vou ficar devendo a foto do banheiro, pois ele estava “em uso” por um outro cadeirante, eu até tentei esperar, mas… deixa pra lá. Ia ficar meio complicado de fotografar asssim logo na sequência se é que me entendem… Ao descer no piso inferior, acabei me dirigindo a outro banheiro que não era adaptado, mas o SAC do shopping confirmou que eles estão presentes em todos os andares, sempre ao lado dos elevadores.
Aliás deixa eu agradecer ao meu amigo Leo Marcos que topou encarar essa empreitada e ir tirar as fotos em pleno domingão à noite. Todas as fotos que eu uso nos posts são tiradas por ele.
Shopping Vila Olímpia
Rua Olimpíadas 360(ver no Google Mapas) Telefone: (11) 4003-4173
Horário de Funcionamento:
De segunda à sábado, das 10h às 22h;
Domingos e feriados, das 11h às 21h.
Bianca Marotta - segunda-feira, 13 de setembro de 2010 - 09:02
Tudo começou quando um amigo me enviou a seguinte foto que ele havia tirado em um estacionamento:
“Que é isso??? Vaga reservada para tartarugas?”, ele pensou. Hahaha! Morri de rir!!!
Dias depois, foi a vez de uma amiga minha fotografar outra sinalização um tanto quanto estranha, para assentos preferenciais. Reparem no segundo desenho estampado no estofado da cadeira… Não parece aquele símbolo usado para sinalizar banheiro masculino? Pois é… é um homem de pé! Mas… Então será que as únicas pessoas que não podem usar esse assento são as mulheres???
Foi então que tive a idéia de buscar internet afora símbolos de acesso mal utilizados, estranhos ou mal desenhados e publicar aqui no blog. Impressionante como tem coisa tosca por aí! Confiram e divirtam-se!
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Puuuuutz!!! Esse aí dispensa maiores comentários, não?
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O que será que essa plaquinha sinaliza? Campainha para chamar um cadeirante? Ou seria uma campainha para chamar ajuda para pessoas com deficiência?
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Ok, essa aqui não é tão estranha assim, mas pode ser mal interpretada. Será que esse banheiro é universal ou será que é um banheiro unissex e para cadeirantes do sexo feminino? Ou seria unissex e para crianças cadeirantes? E aí?
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Já sei! Local inflamável para pessoas com deficiência!
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E por último: sinalização de quarto de motel para cadeirantes! Só pode! hahahahaha
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Se você vir por aí alguma sinalização engraçada, tosca ou estranha, mande pra gente!
Eduardo Camara - quinta-feira, 9 de setembro de 2010 - 11:04
Se você ainda não leu o (ótimo) livro da Juliana Carvalho, “Na minha cadeira ou na tua”, taí uma oportunidade de ganhar um de graça e ainda por cima entregue na sua casa! O Mão na Roda está organizando um sorteio e para concorrer basta preencher o formulário que está no final do post e clicar em “Enviar”.
O livro conta a história de Juliana desde a sua infância e mostra como a autora se tornou cadeirante e também detalhes da sua fase de reabilitação, passando pelas dúvidas comuns, problemas de aceitação, a redescoberta do corpo e do sexo, sem rodeios. A narrativa é regada com o humor sarcástico que os leitores do blog Comédias da Vida Aleijada já conhecem bem. Leitura obrigatória para cadeirantes ou não, aproveite essa oportunidade para ganhar o livro!
As inscrições podem ser feitas até o dia 19/09 e cada um receberá um número para concorrer. O vencedor será escolhido com base no sorteio da loteria federal do dia 22/09 e receberá o livro em casa sem custo algum. Para completar, o exemplar está autografado pela autora e tem até dedicatória para você, leitor do Mão na Roda ;-)
Christian Matsuy - quarta-feira, 8 de setembro de 2010 - 13:11
Foto: New Mobility Magazine
Há algum tempo já temos cadeiras fabricadas em alumínio no mercado nacional. Infelizmente, mesmo com 20 anos de cadeira, vejo poucas inovações. Não que eu queira algo de outro planeta, mas a qualidade é algo que poderia ter melhorado muito mais levando em conta o valor que a indústria nacional nos impõe.
O peso, a qualidade das partes plásticas e até mesmo a liga de alumínio utilizada poderiam ser muito melhores pelos três mil reais que pagamos, preço “médio” praticado pelo mercado. Sem contar com opcionais e acessórios. Com eles, esse valor pode ultrapassar os 4 mil reais brincando.
Podemos tomar como o exemplo, cadeiras com ajuste de alturas e centro de gravidade, que só apontaram há 2 anos (mais ou menos). Ainda assim só temos um modelo de um único fabricante.
Outra coisa que me deixa intrigado é o atendimento pós-venda. Ele é praticamente inexistente e resume-se em honrar as peças que quebram (com muita dor de cabeça, dependendo do fabricante), ou apresentem algum defeito. Parece que eles já entendem tudo de cadeiras e que nossas opiniões nada contribuem no processo de melhoria contínua do produto. Ou eu devo escrever muita merda, sei lá é só uma questão de opinião.
Nossos fabricantes não nos oferecem demonstração. Uma prática pra lá de comum em qualquer outro país. Talvez eles não o façam por saber que algumas cadeiras tenham a qualidade tão abalada que a demonstração seria uma propaganda negativa.
Bom, esse foi o momento desabafo… Temos que dar uma “cutucada” em nossos fabricantes de tempos em tempos, pois acho que é uma das maneiras de se exigir algo melhor… Apesar de eu nunca ter recebido retorno de nenhum deles.
Recebemos diversas reclamações em nossas redes sociais, referente a problemas com cadeiras, e acho que seria interessante se os fabricantes utilizassem esse canal para manter um relacionamento estreito com o consumidor (que somos nós).
Faça parte de nossas redes sociais e vamos discutir sobre isso!
ps: Aproveito esse post paras dizer que agora sou oficialmente mais um da família “Mão na Roda”. Gostaria de agradecer aos demais autores do blog pelo espaço e confiança!
Eduardo Camara - segunda-feira, 6 de setembro de 2010 - 17:01
Quem é mais atento já deve ter notado as duas novidades que apareceram na coluna esquerda do blog. Uma é que agora estamos no Facebook, mais um canal para divulgarmos as novidades colocadas no blog. Seja fã da página e receba no seu mural as nossas atualizações. Aproveite para indicar o blog para seus amigos e compartilhe os links que colocaremos por lá!
A outra grande novidade é que nosso amigo e colaborador de longa data, Christian Matsuy, agora faz parte do time de autores fixos do blog. Christian já vinha colaborando um bocado com o blog, principalmente nos posts sobre equipamentos, assunto em que é expert. Dêem as boas-vindas ao Christian e cobrem dele um montão de posts! :)
Cris Costa - sexta-feira, 3 de setembro de 2010 - 12:29
A Pinacoteca de São Paulo fica bem em frente ao Museu da Língua Portuguesa, na Praça da Luz. É só atravessar a rua, que é bem tranquila. O único inconveniente são os paralelepípedos na entrada, mas como são poucos, nem é tão ruim assim. Infelizmente na entrada existe uma escada, quem é cadeirante tem que entrar por uma porta lateral. Mas nada complicado, e o guardinha da Pinacoteca, logo que vê o cadeirante chegando, já se prontifica a abrir a porta e ajudar.
O interior da Pinacoteca, além de lindo é muito tranquilo pra circular. O chão é liso e tem elevador.
Tem banheiro adaptado, mas é assim: você entra com a cadeira, mira no vaso, faz o que tem que fazer e sai de ré. Apesar da porta ser mais larga e ter uma barra, não conheço cadeira tão pequena que consiga fazer manobra ali. Só de Playmobil.
De qualquer maneira, eu adorei o lugar, é lindo, bem espaçoso e os funcionários extremamente atenciosos. Valeu muito a visita!
A entrada custa R$ 6,00 e cadeirante não paga. Ah, eles tem uma scooter disponível pra quem quiser e/ou precisar. É só pedir pro guardinha.
Eduardo Camara - quinta-feira, 2 de setembro de 2010 - 13:15
Estou com uma semana atrasado, mas deem um desconto. A viagem foi muito corrida e cansativa. Gastei 36h desde a saída de casa no Rio até a chegada no hotel do Canadá. Foram 4 voos (um deles em um teco-teco de 26 lugares), horas e horas de aeroporto e mais um monte de estrada dentro de uma van. O hotel em que nos hospedamos ficava a mais de 100Km (!!!) de distância do local da prova, pois todos os outros que eram mais perto estavam lotados. Muito cansativo e um verdadeiro inferno ter que gastar 2h30m todo dia só nas idas e vindas.
A população compareceu em massa!
A cidadezinha do campeonato, Baie-Comeau, é uma vila no meio do nada. O lugar é bonitinho? É sim, mas não tinha estrutura para receber tanta gente. O centro da cidade é uma rua de 300m de comprimento. Literalmente. Mas claro que isso também tem os pontos positivos. Como não há nada para se fazer na cidade, a população inteira (pouco mais de 20 mil habitantes) foi prestigiar a prova. Beeeeem legal!
Eu e Aranha babando uma Carbonbike - handbike que chega a pesar 9Kg
Chegamos no hotel terça-feira à noite e desabamos na cama. No outro dia, já estávamos de pé às 7h para “viajar” de carro até Baie-Comeau e começar os preparativos. Passei por um classificação funcional onde uma equipe avalia minha capacidade física e atribui uma pontuação. De acordo com essa pontuação, sou alocado em uma determinada categoria. Sem surpresas, caio na categoria H2, como esperado. O Aranha não teve a mesma sorte. Devido à uma regra nova, acabou sendo alocado na categoria H4 e tinha que correr em uma bike de ajoelhar, que ele nem mesmo tem. O resultado foi que ele pode correr apenas a prova de contra-relógio e mesmo assim sem registro de tempo. Foi uma sacanagem sem tamanho e vou escrever mais sobre isso no blog da handbike para quem quiser entender melhor como funciona a classificação funcional…
A equipe da Holanda tinha uma estrutura de cair o queixo. As handbikes não ficavam atrás...
Logo depois da classificação funcional fomos buscar nossas malas – que não cabiam no teco-teco e vieram de caminhão – e bikes. A cidade já estava lotada de atletas de todas as categorias. Centenas de handbikes, tandems e bikes convencionais circulando. Aí caiu a ficha de que estava no campeonato mundial, junto com os melhores atletas do mundo. Sensacional!!!
Hora de montar e regular as hands. Acabamos demorando mais do que o previsto e o resultado foi que não consegui fazer a volta de reconhecimento no percurso. Andei apenas os 3 primeiros quilômetros e só descobri os outros 8 no dia seguinte, já durante a prova.
Eu na largada da prova de contra-relógio
Na quinta-feira, dia 19/08, rolou a prova de contra-relógio individual, onde cada um larga separado e deve fazer o circuito no menor tempo possível. Eram apenas 11,4Km, moleza para quem treina 50 por dia, mas tinha um pequeno detalhe: duas subidas com inclinação de 12% e cerca de 500m cada. Destruidoras. Nunca senti tanta dor na vida e juro que pensei em desistir da carreira de ciclista por ali. Para quem está acostumado com os trechos planos do Rio, aquilo foi um verdadeiro suplício… E para completar, ainda tive problemas com a bicicleta na subida. Minha corrente caiu e daí demorei mais de um minuto recolocando-a no lugar. Depois da subidaona, uma descida vertiginosa onde a bike chegava a 65Km/h sem pedalar. Desci travado e no final, não podia ser muito diferente: cheguei em último.
Fernando Aranha e Eduardo Camara na largada da prova de contra-relógio
Não me abalei pois era disparado o menos experiente de todos os corredores. Dez meses de treinamento intenso aqui no Brasil valem muito, mas não dá para comparar com a galera dos outros países, principalmente da Europa, que já corre há anos. E vários dos atletas vieram de outros esportes, como a corrida em cadeira de rodas. O desafio era mesmo correr contra mim mesmo e dar o meu melhor.
Tentei descansar na sexta-feira, mas não deu. Mais acertos na bike para que a corrente não caísse e também aproveitei para ver as outras corridas. Foi um barato assistir os tops do mundo no paraciclismo e ver o Brasil ganhando a primeira medalha – de bronze – na prova de contra-relógio da categoria C5 com Lauro Chaman. O desempenho dos atletas brasileiros foi muito bom e na categoria C5 o Brasil fechou o pódio na prova de estrada que rolou no domingo, algo que só outro país conseguiu fazer (Suiça na prova de estrada da categoria H2). Se considerarmos a diferença de estrutura da equipe do Brasil para a dos outros países e a falta de incentivo ao esporte que temos por aqui, o mérito é ainda maior. Para terem uma idéia, nossa delegação tinha 10 atletas e apenas mais dois grandes caras (Romolo Lazzaretti e Cláudio Civatti) que se desdobraram o tempo todo fazendo papel de chefe de delegação, técnico, motorista, mecânico e o que precisasse. Tiro o chapéu para os dois!
Momento de descontração
No sábado, almocei cedo – a comida era pior do que a do bandejão da faculdade – e tentei me concentrar para corrida de estrada, que começava às 13:30. Nessa corrida, todos largam juntos e ganha quem chegar primeiro. Eu, nervoso, só pensava em ter que encarar o “himalaia” canadense 4x! Mas foi só alinhar na largada que fui tomado duma sensação muito boa. Estava ali, lado a lado com todos os outros competidores sinistros que eu só conhecia por fotos, vídeos e Internet. Os caras são muito fera e é claro que só os vi quando alinhamos para largar :-)
Dada a largada, consegui acompanhar o bloco principal por 1 Km, até chegar a primeira subida. Meu coração estava a 188 BPM (marca nunca atingida antes) e tive que diminuir um pouco o passo para não correr o risco de deixar a Bibinha viúva. De lá, fui só seguindo um australiano que estava uma centena de metros na minha frente. Cheguei a perder o tal australiano de vista, mas o encontrei novamente quando cheguei à base do Everest. Joel Jeannot (francês) e Vicco Meklein (alemão), respectivamente primeiro e terceiro lugares da categoria H3, me incentivavam com “allez! allez!” e “go! go! go!” enquanto eu botava os bofes para fora e me arrependia de ter nascido. Ver dois caras como eles torcendo por mim me empolgou e a subida ficou até mais fácil… Demais!
Sandro Fernandes e Paulo Cardoso - Categoria Tandem
Vencida minha primeira batalha contra o morrão, desci com mais confiança do que no primeiro dia e fui junto com o australiano. O passei no final da descida e já não era mais o último. Enquanto caminhava para terminar a primeira volta, Jean-Marc Berset, da Suiça, estava passando no sentido oposto do circuito, provavelmente uns 10 minutos à minha frente. O cara, aos 50 anos, já tinha sido o campeão da prova de quinta-feira e caminhava sozinho para ganhar mais outra. Impressionante! Logo atrás estava Heinz Frei, outra lenda do esporte paraolímpico e com quem tirei até uma foto de tiete depois da prova.
Passei pelo pórtico completando a primeira volta enquanto a multidão fazia barulho. Definitivamente, a grande vantagem de ter corrido numa cidade pequena como Baie-Comeau. Todos os moradores vão para as ruas com sinetas, panelas, cornetas, bandeiras e tudo mais. A cada metro tem um doido gritando “allez!”, “go!”, “keep pushing!” e outros clássicos do incentivo. E não é que funciona? Estimulado e conhecendo melhor o trajeto, encontrei meu ritmo e venci com mais tranquilidade as ladeiras que ficam no centro da cidade. Continuei mantendo o passo e, se não via o próximo competidor à frente, também não via o australiano pelo retrovisor. Me aproximei novamente dos Pirineus de Baie-Comeau e o sol estava forte, com a temperatura beirando os 30 graus. Suando em bicas, a 8Km/h, comecei a escalar a primeira parte da ladeirona pensando apenas que depois daquela ainda faltavam mais duas voltas. Será que ia aguentar? Nunca saberei… Pouco depois de chegar ao platô que fica após a primeira subida, meu pneu saiu do aro e esvaziou (descobri depois que foi culpa do mecânico que o montou no Rio). :-(
Fui para o canto da pista e um carro da organização parou. De dentro saltou uma médica que perguntou o que houve e se eu estava bem. Falei que
Heinz Frei, lenda do esporte paraolímpico, e eu
era só um pneu murcho, ela chamou o carro de apoio mecânico e se certificou de que estava bem hidratado antes de seguir. Esperei uns bons minutos pelo carro da Shimano (fábrica de peças de bicicleta). Enquanto isso, fiquei assistindo a prova de um local privilegiado e vi Berset – o suiço voador – passar. Logo depois veio o Frei e mais outro suiço. As posições ficaram assim até o fim da prova, mostrando como o país dos famosos relógios domina as provas de handbike na categoria H2. O carro de apoio mecânico chegou e foi só confusão. Trocaram minha roda por uma de 10 velocidades e na pressa fizeram alguma besteira que desregulou meu passador e impediu a troca das marchas. Na confusão, ainda perderam uma sapata do meu freio. Não teve jeito e tive que abandonar a prova. Ainda esperei por um terceiro carro que “reboca” os quebrados até o centro da cidade. Dois canadenses gente fina e com um cecê do cão me carregaram pra dentro de um Jeep e fui de carona até o local da largada. No caminho, fui pensando em como a experiência de correr essas provas foi válida.
A delegação brasileira no Canadá - João, Soelito e Lauro (categoria C5), uniformizados, ganharam medalhas de bronze, ouro e prata, respectivamente. Orgulho para o Brasil!
Quando cheguei em Baie-Comeau, achei que estava como aquele africano que foi competir nas olimpíadas e quase morreu afogado na prova de natação pois não sabia nadar. Agora, tenho consciência de que não estou tão mal assim. Sei que ainda posso melhorar muito e a experiência que trouxe fica comigo até o fim da minha vida. Me aguardem! Não, melhor, não me aguardem não, que eu vou buscar :-)
Vale a pena ver o vídeo feito pela organização do campeonato. Dá para sentir o gostinho de como foi competir por lá!
Cris Costa - quarta-feira, 1 de setembro de 2010 - 14:25
Continuando meu passeio na terra da garoa, depois de encher a pança no Mercadão fui visitar o Museu da Língua Portuguesa, que fica na Estação da Luz. O edifício é lindo e fiquei me perguntando o quanto seria acessível, já que é uma construção do século XIX. E fiquei feliz ao ver que eles adaptaram o que precisava (que era pouco), sem estragar a estrutura do prédio. Na entrada, por exemplo, tem uns degraus e ali colocaram um elevador. E não precisa procurar o segurança pra pedir pra chamar o outro segurança, que conhece a pessoa que guarda a chave do elevador. É só entrar e subir.
Lá dentro é bem tranquilo. Tem só uma rampa, mas uma ajudazinha (se necessário) resolve. O chão é liso, e todos os textos e telas tem altura boa, então dá pra aproveitar e ler tudo.
Até no Beco das Palavras, uma sala com um jogo etimológico interativo que permite brincar com a criação de palavras, conhecendo suas origens e significados, tem 3 mesas com diferentes alturas. Dá pra todo mundo brincar!
Ah, a entrada custa R$6,00 e cadeirante não paga. Aos sábados a entrada é gratuita.