Opinião e cotidiano

Mulher no volante…

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Um dos momentos mais marcantes nesse meu tempo de cadeirante foi quando pude comprar um carro. Demorou, foi sofrido, mas com certeza foi um marco na minha independência. Se hoje os ônibus adaptados não são lá essas coisas, imaginem há 10 anos.

Eu precisava trabalhar, sair de casa, fazer minhas coisas. Mas sem carro, como fazer? Pagava táxi, às vezes conseguia alguém que fazia um preço camarada, ou pegava uma carona. Mas era ruim demais, até porque os taxistas raramente são educados e solícitos. Fora que meu salário ia todo pra isso. Me sentia rasgando dinheiro.

Mas assim que tive condições, financiei e comprei um carro. Foi uma alegria só! Agora ia poder fazer tudo, ir a todos os lugares ir e vir na hora que quisesse e a um custo bem menor. Achava que a música “Born to be wild” tinha sido feita pra mim. Maravilha, né? Aham… Tinha pensado em tudo em relação ao carro – preço, consumo de combustível, adaptação, seguro – menos no mais importante: o motorista. Sim, eu seria a motorista. Mas quem disse que seria fácil dirigir um carro adaptado? Ok, difícil não é, até porque o carro tinha câmbio automático. Mas nunca tinha dirigido um carro automático e muito menos adaptado. Pensei “Ah, não deve ser tão difícil assim! É só acelerar e frear. Nenhuma dificuldade!”. Pois bem, entrei no carro, liguei, mudei a marcha e … POW! De “cara” no muro da garagem! Porque ninguém me explicou que carro automático sai andando sozinho??? Além disso me atrapalhei toda com puxa-acelera, empurra-freia, memória corporal que mandava comando pro pé frear, enfim, uma trapalhada só. Parei tudo (óbvio) e saí do carro convencida de que precisava aprender a dirigir de novo. Consegui alguém que tivesse paciência para andar comigo e me ensinar até que eu pegasse o jeito. Foi quase uma auto-escola. Depois de algumas aulinhas, peguei confiança e fui pra rua, já sozinha e independente. Realmente ter carro fez uma diferença enorme na minha vida. Aí sim…

 

 

Bom de mais, né? Ainda mais agora que passo longe dos muros!

O Blog Mão na Roda Adverte: Não dirija antes de fazer auto-escola. Mesmo já sabendo dirigir!

 

Sobre o autor / 

Cris Costa

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15 Comentários

  1. The Best quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 em 12:12 -  Responder

    Eu comentei exatamente isso no blog (http://www.deficientefisico.com/adaptando-o-seu-carro-veja-a-minha-experiencia/). Deveria ser obrigatório que o deficiente retornasse a uma auto escola para pelo menos duas aulas seguras, pois o tal de puxa e empurra não é tão simples assim e a caixa central demora a interpretar a forma correta, até porque antes era só empurrar o pé.
    A independencia realmente é um fator que se ganha com o carro adaptado ou não, porque o transporte público ainda faltam muitos anos para chegar a um nível ruim.

    fevereiro 20th, 2011 - 12:38
    Cris Costa respondeu:

    Oi The Best, não sei se auto escola, mas pelo menos treinar antes de sair no trânsito. Quanto ao transporte público, nem merece comentários de tão ruim. Bjs, Cris.

  2. MARIA PAULA TEPERINO quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 em 14:26 -  Responder

    Nada melhor na vida do que ser independete. O carro para nós que não temos as mesmas condições físicas da maioria dos mortais é o que há de melhor.
    Sou das antigas e quando comecei a dirigir, carro automárico só importado, e eu dura que só, fiz uma adaptação bem mambembe de fundo de quintal, numa Brasília Amarela (exatamente igual a dos Mamonas) e ralei muito para comandar as três funções dos pedais, mas o volante e marcha nas mãos.
    Mas algumas coisas na vida não tem preço e independencia para mim é uma delas.
    Fico triste quando vejo pessoas com juventude, possibilidades, mobilidade física, inteligência deixarem a vida passar….mas isso seria conversa para um post.
    Bjs

    fevereiro 20th, 2011 - 13:03
    Cris Costa respondeu:

    Paula, adorei a Brasília amarela, rsrrs. Sem carro a vida fica bem complicada para um cadeirante. Quanto a quem não tem limitações, sim isso merece um post! Elaborarei! Bjs, Cris.

  3. Breno Nogueira quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 em 17:21 -  Responder

    Nossa, eu sempre me identifico e morro de rir com os posts da Cris!
    Bem, eu já sou um pouco mais novo nessa questão de cadeiras… sou da safra de 2008.
    Como eu já dirigia antes, achei que não seria taaaaão difícil assim, massss na minha cabeça ia ter que fazer auto-escola denovo, ainda mais por ser tetra achava que ia ter dificuldade para puxar o acelerador e girar o volante, mas enfim… com as adaptações até não foi nada difícil não. Logo nas minhas primeiras saidas depois de comprar o carro e renovar a habilitação, fui me aventurar ir do Rio até Itaipava passear e voltar, ai que eu vi que tava faltando era preparo físico, pq subir a serra fazendo curva o tempo todo e puxando o acelerador é mata qualquer tetra. Mas no final deu tudo certo e dirigir é muito bom. Acho que é o único momento onde agente se sente como todos os outros, da mesma altura, andamos na mesma velocidade… Muito bom!!!

    fevereiro 20th, 2011 - 13:05
    Cris Costa respondeu:

    Rapaz, pegar estrada assim de cara, não é pra qualquer um! Haja braço! rsrsrs. E realmente é o único momento que ficamos como qualquer pessoa, bom né? Bjs, Cris.

  4. Eduardo Camara quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 em 20:03 -  Responder

    Pô, Cris! Eu acho tão tranquilo dirigir carro adaptado… Na primeira vez fiquei cheio de medo, mas em 15 minutos já encarei linha vermelha e tudo. Foi moleza!

    fevereiro 20th, 2011 - 13:07
    Cris Costa respondeu:

    Sim, é tranquilo, mas na primeira vez me embananei toda, rs. Não me toquei que o carro automático ia sair andando. Bjs!

  5. Luisa quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 em 23:19 -  Responder

    ri muito Cris, adoro seus “relatos”… mas não consigo nem imaginar dirigir um carro adaptado! na primeira vez que bati o carro “tradicional” fiquei com tanto medo de dirigir de novo que fiz auto escola para habilitados… (pode rir de mim, eu deixo!)

    fevereiro 20th, 2011 - 13:10
    Cris Costa respondeu:

    Oi Luisa, tenta perder o medo! O carro dá uma independência muito grande, vale a pena. Bjs, Cris.

  6. Nickolas Marcon sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011 em 12:42 -  Responder

    Cris, concordo com o Eduardo… 15 minutos é mais do que suficiente para pegar o jeito. Isso para o caso masculino, claro… eheheh… brincadeiras à parte, acho que o comando manual dá mais sensibilidade do que se o pedal fosse acionado com o pé. Por exemplo, numa freada mais forte, é mais fácil de dosar a força no freio para não derrapar quando o carros não tem ABS. No acelerador também fica melhor para “sentir” o tempo do câmbio automático: depois de um pouquinho de prática, dá para controlar a troca só pelo jeito que usa o acelerador.

    Aliás, depois de uma lesão a pessoa não pode continuar usando a mesma habilitação. É obrigatória a revisão da sua carteira de motorista, fazer novo exame médico e novos testes práticos usando o carro adaptado. Passar por uma auto-escola é inevitável, nem que seja só para cumprir a burocracia.

    fevereiro 20th, 2011 - 13:11
    Cris Costa respondeu:

    Vc e o Dado são megas, eu sou atrapalhada, tem jeito não, rs. Bjs!

  7. edmar . . . sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011 em 13:48 -  Responder

    Cris, o mais importante é que no fim tudo deu certo, afinal somos seres humanos também. Fiquei paraplégico em 2002 e para comprar um carro nesta época já era obrigatório a carteira especial, mas como eu já dirigia peguei apenas 6 aulas e fiz o exame aq em BH. Quando fui as ruas sozinho cometi alguns erros como: ao tentar frear eu acelerei, ou seja, puxei a peça do [CMU] no sentido do volante, moral da historia para não bater no carro que estava a frente sai para a direita e joguei um motociclista em cima do passeio, parei conversei com ele, ele me xingou todo mas graças a Deus ele nada sofreu.Eu não abro mão do meu carro quando estou dirigindo tenho uma sensação de liberdade incrível e ele me dá autonomia para ir onde quiser.
    ( o meu único problema é de não conseguir tirar e colocar a cadeira no carro e isso me deixa meio chateado).
    abraços celestes.

    fevereiro 20th, 2011 - 13:12
    Cris Costa respondeu:

    Oi Edmar, colocar a cadeira no carro é bem simples na verdade. Dá uma olhada no youtube que acho que tem vídeo mostrando como é. Bjs, Cris.

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