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Vamos trabalhar?

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Voltar a trabalhar ou entrar no mercado de trabalho não é fácil pra ninguém, e quando se tem alguma deficiência ainda é um pouco mais complicado. Com a lei de cotas, o mercado melhorou muito. Eu sei que esse muito tá longe de ser bom ou mesmo razoável, mas que melhorou é fato. Lembro que há 10 anos atrás era bem mais complicado conseguir trabalho e as vagas disponíveis para deficientes eram bem mais limitadas. Nem vou entrar no quesito salário, pois era de chorar.

Lembro que quando me senti pronta pra voltar ao mercado fiquei bem perdida, sem saber por onde começar. Não sabia se ia direto pra iniciativa privada ou se estudava para algum concurso. E além disso, tinha várias questões envolvidas: estava sem carro, há 2 anos fora do mercado, não tinha me formado na faculdade e não fazia idéia de como seria ficar 8 horas seguidas sentada. Mas não via outra opção: ou encarava as dificuldades ou não ia sair do lugar.

Acabou que pintou uma oportunidade de trabalhar 3 vezes por semana numa clínica particular de reabilitação na parte administrativa. O salário era péssimo, a função não me empolgava, mas precisava começar em algum lugar e sair casa. A experiência não foi lá muito boa. O salário não pagava o que gastava com transporte e não tava me acrescentando muita coisa. Até os donos da clínica sabiam disso. Mas foi lá que apareceu uma outra oportunidade. Me falaram que o CVI tava fazendo processo seletivo e que talvez fosse uma boa oportunidade. Topei na hora, e fui lá fazer o tal processo seletivo. Mais uma vez, a atividade não me empolgava. O salário era melhor mas sabia que ia todo no transporte. Mesmo assim, achei que valia. Era pra uma empresa de grande porte, e as possibilidades de melhoria eram boas. E seriam apenas 6 horas por dia, o que me agradava na época. Passei no processo seletivo, fiz o treinamento e um mês depois já tava trabalhando. A área que eu estava era praticamente só de deficientes. Na época foi bom, pois acabei aprendendo muito e tendo uma troca muito bacana com pessoas que tinham bem mais tempo de lesão. Vi gente que já trabalhava há muito tempo, alguns formados, outros casados, enfim, todos levavam uma vida normal. Isso foi muito marcante e me fez ver que as possibilidades estavam abertas pra mim.

Um adendo nada a ver: curiosamente, foi nessa empresa que conheci o cara mais marrento que já vi, um tal de Nickolas Marcon.

Voltando ao assunto, depois de quase um ano na mesma área, surgiu uma oportunidade de trabalhar em outra área da mesma empresa. Já era algo que tinha mais a ver comigo e com um salário que me daria condições de comprar um carro. Me candidatei na hora e depois de entrevistas e conversas, consegui a vaga. Fazendo algo que me dava uma perspectiva melhor, vi que era hora de começar a investir em estudo pra que pudesse continuar crescendo, e assim foi. Fiz vestibular, estudei, me formei e fui melhorando. Fiz outra faculdade e me formei. Agora estou procurando uma pós para fazer. Recebi propostas de outras empresas, algumas boas, outras não. Arrisquei, acertei e errei. Mas essa parte, independe de deficiência, é igual pra todo mundo. O importante é se qualificar para poder buscar oportunidades melhores e de acordo com seu perfil.

É interessante também se informar sobre a empresa que está contratando. Acreditem, já vi algumas contratarem apenas pra cumprir cota.  Se a pessoa era qualificada e podia fazer um bom trabalho, não importava. Tava ali cumprindo a mesma função de um móvel. E isso é ruim tanto para empresa quanto para o funcionário.

Mas o bom é que nesse meio tempo as oportunidades oferecidas melhoraram. Sim, ainda precisa evoluir muito e me aborrece ainda ver empresas anunciando vagas específicas para deficientes. E, normalmente, são de telemarketing ou auxiliar de alguma coisa. Na boa? Se estamos trabalhando para inclusão, o ideal seriam as empresas abrirem vagas para TODOS e, se o cara for cadeirante, deficiente auditivo ou visual, isso não deveria ser empecílio. O que deve importar é o currículo, a experiência e a capacidade de cada um. Mas enquanto isso não acontece, vale tentar se especializar, estudar, fazer uma faculdade… Ok, sei que não é fácil. Nada ajuda, tudo é caro e os meios de transportes são uma vergonha, mas vale pensar adiante e o quanto as portas podem se abrir se você estiver mais preparado. Tente entrar em contato com ONG’s que não só tem contato com empresas como também oferecem cursos profissionalizantes. Faça um esforcinho, pequise e se informe. Nada que o Google não ajude. Aqui no Rio, posso dizer que o CVI e o IBDD fazem um excelente trabalho nessa área. Vale dar uma olhada no site deles.

Enfim, é apenas minha humilde opinião e experiência. Dificuldades sabemos que existem. O importante é estar preparado e agarrar as oportunidades que aparecerem.

Sobre o autor / 

Cris Costa

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12 Comentários

  1. katy quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 em 16:43 -  Responder

    perfeito seu post!
    quem busca algo sempre alcança!
    parabens cris!
    bjs

    fevereiro 25th, 2011 - 19:27
    Cris Costa respondeu:

    Isso vale pra todos né katy! Que bom que gostou. Bjs!

  2. Mila quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 em 16:55 -  Responder

    Obrigada pelo post, Cris!
    A gente precisa muito ouvir essas experiências de quem já passou essa fase, pra ter coragem de continuar. Muito legal vc ter conseguido fazer duas faculdades! Terminei uma em agosto e tô aqui, dentre mil e uma dúvidas, pensando se faço outra… Fala pra gente, se puder, quais faculdades vc fez? =)
    Um enorme abraço!

    fevereiro 25th, 2011 - 19:32
    Cris Costa respondeu:

    Oi Mila, eu fiz Comércio Exterior e Gestão Empresarial. Dúvidas sempre vamos ter (normal de qql ser humano). Eu sei que não é fácil, mas é importante escolher um caminho e ter foco.
    O Christian escreveu um post falando da experiência dele, e o Dado e o Nick também deve escrever. Espero que te ajude! Bjs, Cris.

  3. Reisla quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 em 11:20 -  Responder

    não sei não cris mas vejo tanta dificuldade aqui na minha cidade. não há oportunidades apesar da lei de cotas. percebo que por traz desta qualificação a exigencia na verdade é por uma deficiencia que não seja perceptivel.

    fevereiro 25th, 2011 - 19:34
    Cris Costa respondeu:

    Oi Reisla, não é fácil mesmo, e muitas empresas botam vários impecílios pra contratar. Mas é importante não desistir e continuar procurando. Quando você menos esperar, vai aparecer uma oportunidade. Bjs, Cris.

  4. Luiz Fabio quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 em 12:43 -  Responder

    Parabéns Cris otimo post…

    Olha só trabalhei numa empresa chamada Hermasa do Grupo André Magii aqui na minha cidade, otima empresa mas como você disse somente para cota (visão de gerentes), dava lucro e melhorias, mas acredite não passava daquela função, foi quando sair passei num concurso e amém…acredite demorei muito e até me acomodei nesse emprego da Hermasa, os concursos são a melhor forma dos portadores trabalharem e não tem muita concorrência somente entre nós mesmo.

    Abraço

    fevereiro 25th, 2011 - 19:37
    Cris Costa respondeu:

    Oi Luiz, concordo em parte. Na iniciativa privada pode não ser fácil, mas tem empresas que contratam e valorizam o profissonal. Deficiente ou não. Não é fácil, mas acho que o mercado já melhorou um bocado em relação a isso. Bjs, Cris.

  5. Nickolas Marcon quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 em 21:20 -  Responder

    Cris, fiquei lisonjeado com sua homenagem… ehehehe…

    Mas, falando sério, a qualificação é fundamental. Seu exemplo deixa bem claro que não adianta reclamar da falta de opções se a pessoa não estiver preparada para aproveitá-las quando surgirem. Todo esforço vale a pena.

    fevereiro 25th, 2011 - 19:40
    Cris Costa respondeu:

    Nick, sem qualificação fica complicado mesmo. O lance é correr atrás, sempre buscando melhorar. Bjs!

  6. Eduardo Camara sábado, 26 de fevereiro de 2011 em 11:18 -  Responder

    Cris, ótimo post! Eu concordo com você que as vagas deveriam ser para TODOS. Nos EUA é muito comum o conceito de “Equal Opportunity Employer” (tradução: empregador que dá oportunidades iguais). São empresas que estão abertas a receber qualquer tipo de pessoa, independente de cor, credo, orientação sexual ou deficiência. Só acho que as cotas, por pior que sejam, ainda são necessárias no curto prazo. Penso apenas que elas deveriam vir junto com políticas de médio e longo prazo, pois senão vão ser sempre as vagas dos coitadinhos… E outro ponto chave que vc tocou: qualificação é tudo! Se já é super necessário para quem não tem deficiência, é mais ainda para quem tem. Beijos!

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