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Encontros

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Vida de solteiro é boa. A gente faz o que quer, quando quer, não dá satisfação de nada… tudo muito bem, muito bom, mas aí você conhece alguém que te desperta um interesse maior. Friozinho na barriga. Papo vai, papo vem… e combinam de sair. Sozinhos. Só você e ele. Uhu! Não era o que você queria? Muito legal, né? Mas depois de passada a empolgação com o fato do encontro estar marcado, começam a surgir todas as neuras: será que rola? Ele gostou de mim ou é só amizade? Putz, a cadeira! Além de todas as inseguranças que a maioria das mulheres tem (e acredito que os homens também tenham as deles) ainda tem isso. Como ir? no carro dele, no meu? Qual lugar? Algum acessível, ou um mais reservado e romântico? Digo isso, porque aqui no Rio não dá pra juntar as duas coisas. Ou é acessível e badalado ou esquece. Mas não há como negar que num primeiro encontro as “limitações” podem causar uma insegurança a mais e muitas vezes desnecessária.

É importante descobrir o que lhe deixa mais confortável e, se for o caso,  falar pro outro que está se sentindo inseguro. Acreditem, a maioria das nossas neuroses (referentes à deficiência ou não) está apenas em nossa cabeça. Às vezes, o outro não tá nem aí e acabamos vendo problema onde não tem. Conheço cadeirante que não se sente à vontade com o entra-e-sai do carro. Nesse caso, marca com a pessoa direto no lugar, assim fica mais tranquilo. Outros, preferem ir no próprio carro. Enfim, não importa como vai ser, mas que seja de forma que te deixe confortável. Afinal, já temos inseguranças suficientes num encontro pra ainda ter que se preocupar com logística e acessibilidade. Eu já sou daquelas que fica calculando perdas e danos, verbalizo quando deveria calar (tipo, ao invés de dizer “ei, gostei de você” digo “você viu a última eliminação do American Idol?”),  e calo quando deveria falar. 100% desastrada. E se ainda tiver que me preocupar com questões “cadeirísticas” aí o desastre é garantido.

Não tem jeito. Não dá pra esconder a cadeira e o que vem com ela, mas isso o outro já sabe. Então,  faça de forma que tudo fique tranquilo pra você e assim possa aproveitar o encontro. Se achar melhor, fale como se sente. Às vezes a gente faz um terror de algo que pro outro é uma bobagem. O importante nesses encontros é estar focado em conhecer o outro e não na cadeira. Ache uma forma que te deixe confortável  e divirta-se. As coisas podem sair bem melhor do que espera!

Sobre o autor / 

Cris Costa

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22 Comentários

  1. Nickolas Marcon segunda-feira, 11 de abril de 2011 em 10:36 -  Responder

    Cris, encontros sempre têm uma tensão especial, mas há formas de aliviar essa tensão. Por exemplo, tenho uma amiga que gosta muito de relaxar usando o “efeito saquê”, mas tem que dosar a quantidade, senão o resultado pode ser trágico… ehehehe…

    abril 17th, 2011 - 21:06
    Cris Costa respondeu:

    Ah, mas essa sua amiga é muito cuidadosa, jamais estragaria o primeiro encontro por excesso de saquê, rrsrs. Mas a dica é boa, rs. Bjs, Cris.

  2. Renner segunda-feira, 11 de abril de 2011 em 16:34 -  Responder

    sou solteiro, e o q nao gosto nos encontros é o entra e sai do carro, todas querem ajudar, falo que nao é presciso, e acaba enrolando o tempo que começa a apareçer muitas pessoas a ajudar a moça com aquelas rodas não, deixando comigo e sozinho,tudo fica mais discreto e mais rapido.

    abril 17th, 2011 - 21:07
    Cris Costa respondeu:

    Renner, o importante é fazer as coisas de forma que a gente se sinta confortável. Sozinho ou com ajuda, o que vale é se sentir bem pra curtir o encontro numa boa. Bjs, Cris.

  3. Christian Matsuy segunda-feira, 11 de abril de 2011 em 22:42 -  Responder

    num passado não muito distante, deixei de sair várias vezes encanado com essas questões… mas a situação estava me incomodando muito, estava começando a ficar meio deprê com isso, e decidi que eu precisava mudar, e aproveitar as oportunidades, no caso de quem depende de outras pessoas para entrar e sair do carro e outras coisas, tive que me “readaptar”, consegui desenvolver métodos para tornar a explicação de como fazer as coisas ficar mais simplificada… basta um pouco de atenção da outra parte.

    ps: cadeirante descendo do carro, chama mais atenção que noiva na entrada da igreja.

    abril 17th, 2011 - 21:10
    Cris Costa respondeu:

    Christian, as vezes a gente é mais encucado que o outro. O entra e sai de carro é chatinho mesmo, mas inevitável. O importante é superar essas neuras e fazer de um jeito simples, como falou. Bjs, Cris.

  4. The Best terça-feira, 12 de abril de 2011 em 09:47 -  Responder

    Cris,
    Realmente é muito ruim o desconforto do primeiro encontro, ainda mais se você não conhecer a pessoa (no caso de apresentação por amigos). Porque ai a insegurança bate e as coisas complicam mais ainda.

    No geral, todos nos preocupamos com a aparência e com os adereços que carregamos, de certa forma não ajudam muito mesmo. Agora tem pessoas que não se importam, já outras podem querer sair correndo.

    Eu particularmente acredito que a maioria das pessoas tenham um receio maior do que realmente é necessário e queiram ajudar de forma esacerbada, por falta de informação e deixam a situação mais tragica e comica do que deveria ser.

    Mas é sempre divertido depois do primeiro momento e das decisões a serem tomadas.

    abril 17th, 2011 - 21:13
    Cris Costa respondeu:

    Eu acho que as vezes a gente exagera mesmo nas neuroses, por isso as vezes é bom conversar antes, pra afastar esses fantasmas e deixar as coisas mais tranquilas. Mas com certeza podem render boas rizadas depois! Bjs, Cris.

  5. Evandro terça-feira, 12 de abril de 2011 em 14:20 -  Responder

    Cris, siga o que disse o Nickolas…vai no “efeito saquê”, agora se não gosta de tomar umas…ligue o foda-se e corra para o abraço!

    abril 17th, 2011 - 21:15
    Cris Costa respondeu:

    Ih Evandro, os meninos do Blog já sabem que bebida não é comigo, rs. Mas sempre tem um plano B, né? Pra tudo tem jeito! Bjs, Cris.

  6. Camila terça-feira, 12 de abril de 2011 em 21:50 -  Responder

    Oi Cris!! Gostei do post.. e só tenho elogios pra você.. se esse é o seu caso, agarre a oportunidade! O amor pode aparecer num passe de mágica! rsrs Você é lindaaa!! Bjus.

    abril 17th, 2011 - 21:16
    Cris Costa respondeu:

    Oi Camila, que bom que gostou! Obrigada pela força! Bjs, Cris.

  7. Adriana quinta-feira, 14 de abril de 2011 em 21:13 -  Responder

    Eu penso que é importante ser sincero (a) e explicar para a pessoa suas limitações e também suas capacidades, deixando claro que todo mundo (independente de ter deficiência ou não) tem limitações. Comigo funcionou…

    abril 17th, 2011 - 21:16
    Cris Costa respondeu:

    Oi Adriana, acho que é por ai mesmo. Conversando tudo fica mais fácil, né? Bjs, Cris.

  8. Rosana sábado, 16 de abril de 2011 em 21:04 -  Responder

    Cris,

    Uma das coisas mais interessantes que observei ao conviver com deficientes, é que a necessidade faz com que as pessoas de cara já estabeleçam certa intimidade. Claro que o deficiente chama mais atenção, mas o outro também se expõe. Na convivência você é obrigado a sair do discurso e agir. Particularmente acho isso incrível, porque as pessoas mostram muito mais rápido quem verdadeiramente são.
    Claro que quando o papo é relacionamento amoroso isso pesa mais. Quando me relacionei com um cadeirante eu simplesmente amava fazer coisas que certamente ele teve vergonha ou receio de pedir, mas eu me sentia importante pra ele. Então confia amiga, porque quando é pra ser, acontecem coisas inexplicáveis. Boa sorte!
    Rosana

    abril 17th, 2011 - 21:20
    Cris Costa respondeu:

    Oi Rosana, nunca tinha pensado nisso… Mas faz sentido, de repente a gente se exponha mais mesmo. O que não quer dizer que seja ruim. Bem observado! Bjs, Cris.

  9. Mila terça-feira, 26 de abril de 2011 em 22:20 -  Responder

    haha Adorei o q escreveu!
    Tô namorando agora e no nosso primeiro encontro eu quase caí da cadeira logo na entrada, pq não vi uma luminária no chão e bati. Sim, senhores, fiquei pendurada, com o corpo todo pra fora, imóvel, feito uma boneca de pano. Pense num mico? Se eu fosse noiar, voltaria pra casa dali mesmo. E perderia de viver os momentos ótimos que vivo agora. Ele, claro, ri da minha cara e me sacaneia até hoje, o que eu também faria no seu lugar. =P

    maio 18th, 2011 - 22:08
    Cris Costa respondeu:

    Mila! Que micão, rsrsrsrrss. Vc tem razão, não dá pra ficar de paranóia. Mas as vezes é difícil, rsrsrs. Bjs!

  10. Mila terça-feira, 26 de abril de 2011 em 22:22 -  Responder

    E o que o Chris falou é certo. Entrar e sair do carro é uma m*rda. Dá vontade de soltar uma bomba no outro lado da rua só pra desviar a atenção.

  11. Pedro Paulo domingo, 15 de maio de 2011 em 10:13 -  Responder

    Muito legal o blog de vocês.
    Vou estar de vez enquando passando aqui
    para conhecer mais sobre o dia-a-dia de um
    cadeirante.

    PArabéns

    maio 18th, 2011 - 22:09
    Cris Costa respondeu:

    Que bom que gostou do Blog, volte sempre! Bjs, Cris.

  12. Karla Garcia sábado, 21 de maio de 2011 em 23:05 -  Responder

    Cris, sou deficiente física, mas não sou cadeirante. Já fui casada e demorei um pouco pra me acostumar novamente com a vida de solteira. Algumas vezes tive essas encanações, mas hoje penso que, se a pessoa topou sair com a gente, é porque sabe ou faz idéia de todo cuidado e paciência que deve ter; é sinal de que aceita e deseja todo o ‘pacote’. E, se a pessoa não sabe como as coisas são, cabe a nós sermos explícitos, com naturalidade. Não há nada mais poderoso do que a sinceridade e a capacidade de rirmos das nossas próprias limitações.

    Adorei seu post e adoro o blog de vocês, tá linkado no meu.

    Beijos.

    Ps.: tenho o Eduardo no Facebook e o enontrei na Reatech. Muito bacana!

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