Geral, Opinião e cotidiano

Quem mudou?

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De uns meses pra cá, tenho feito muito mais coisas “a pé” do que fazia antes. Mas assim, beeeeeem mais. E fiquei pensando se as coisas estão melhorando ou eu é que tô menos enjoadinha, fresquinha e preguicenta. Outro dia fui encontrar com uns amigos num bar perto da minha casa e resolvi ir sem carro, pra poder beber sem restrições e porque dificilmente acharia vaga. O lugar fica a uns 4-5 quarteirões da minha casa, e lá fui eu toda-toda me achando independente, moderna e maluca, por saber que ia chegar no lugar em frangalhos estragando todo  visual cuidadosamente elaborado antes de sair. Mas fui, e o melhor foi que a rua que dava no bar era uma descida, então peguei a reta, fui no embalo, cabelos ao vento… uma delícia! Acho que ali entendi um pouco da paixão do Dado por pedalar. Não que ele ligue para os cabelos dele ao vento, rs, mas pra sensação de liberdade. Só que tive que interromper minha jornada cabelos ao vento por causa de um sinal, e no outro quarteirão já era o bar. Mas foi muito bom ir sozinha.

Porém essa não foi a única ocasião. Há um tempinho atrás tive uma reunião de trabalho na Barra (Zona Oeste do Rio) e como acabou cedo e a empresa fica dentro de um shopping, resolvi aproveitar o tempo livre e  dar um passeio “pra ver a moda” . O shopping que eu tava não era lá essas coisas e resolvi ir para um outro, ao lado, que tinha mais opções. Fui andando como se não houvesse amanhã. Nem parecia Rio de Janeiro. Pra mim, parecia milagre, pois não sou de ficar zanzando muito, pra isso acontecer é porque tô tranquila em relação ao local. E fiquei impressionada em achar escadas E rampas nos lugares. E rampas decentes, não aquelas mulambentas que acabam sendo piores que degraus. Consegui circular tranquilamente e vi banheiros adaptados. Ok, como estou falando de shopping é mais fácil ter uma estrutura acessível. Mas já vi coisas absurdas em shoppings, então existe uma preocupação maior, sim. Acho que hoje já existe uma consciência (ou mais leis, fiscalização ou tudo junto, vai saber…) de acessibilidade e de uma forma geral vejo muita melhora.

Outro exemplo do que melhorou: outro dia liguei para um laboratório pra marcar um exame, e a atendente me perguntou se eu era cadeirante, pois a unidade que eu tinha escolhido, apesar de ser acessível, não tinha banheiro adaptado, e caso eu fosse cadeirante, ela me indicaria outra unidade com banheiro adaptado. Foi a primeira vez que vi isso na minha vida. Eu nem tinha falado nada de cadeira e a atendente já se antecipou e soube dizer o que cada unidade oferece? O mundo tá mudando, sim! A passos de formiga, é verdade, mas tá melhor. Acho que nos últimos cinco anos as coisas deram uma boa melhorada. Mas já era hora, né?

Vejo isso no mercado de trabalho também. As ofertas hoje são melhores do que no passado, que eram praticamente restritas ao telemarketing. E vejo as empresas mais preocupadas em ter o perfil correto pra vaga, do que apenas cumprir a lei de cotas. Finalmente entenderam que contratar somente para cumprir cota é prejuízo. Afinal, acabavam contratando uma pessoa sem avaliar se ela realmente tinha o perfil pra vaga. Resultado: em pouco tempo os dois estavam insatisfeitos, e a pessoa partia pra outra oportunidade. Tempo e dinheiro gastos a tôa. Tem muita gente boa por aí, e que pode e quer fazer um bom trabalho, basta estarem no lugar certo.

Mas será que melhoraram mesmo, ou meu olhar e postura é que mudaram? Ainda me faço essa pergunta, pois vejo muita gente reclamando. Não tô dizendo que tá tudo ótimo, longe disso. Apenas que muita coisa melhorou e que tem muita coisa que tá ruim pra qualquer pessoa, deficiente ou não. No fundo acho que teve melhoras, mas que eu também mudei. A verdade é  que se quero estar de igual pra igual no mundo, ficar em casa reclamando não é  o caminho.

 

Sobre o autor / 

Cris Costa

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12 Comentários

  1. Sam quarta-feira, 2 de novembro de 2011 em 16:35 -  Responder

    Oi Cris, eu também tenho “andado” mais ultimamente, pois estou sem carro esses dias, e apesar de minha última aventura ter sido uma decepção, concordo contigo que as pessoas estão ficando mais conscientes e há melhoras em muitos lugares. E creio que grande parte dessas melhoras é resultado de manifestações como as nossas, em redes sociais, canais de ouvidoria e outros, expondo quem está errado e cobrando acessibilidade. Continuemos assim! Beijos!

    novembro 16th, 2011 - 20:55
    Cris Costa respondeu:

    Eu acho que é um conjunto de coisas, mas o que importa é que está melhorando! Não pode parar, né? Bjs, Cris.

  2. Eduardo camara quinta-feira, 3 de novembro de 2011 em 19:48 -  Responder

    Cris, andar pela rua de cadeira também me dá uma sensação de liberdade danada!!! Outro dia fui da lapa até em casa andando, deé madrugada, e foi sensacional! Tirando dois lugares, acho que encontrei rampas em todas às esquinas e comentei exatamente isso com meus amigos, que a acessibilidade tinha melhorado. Vamos botar as rodinhas na rua!!! Beijos direto de nyc!

    novembro 3rd, 2011 - 21:17
    Cris Costa respondeu:

    Me humilhou, rsrsrs. Eu aqui feliz pq andei 5 quarteirões e vc andou da Lapa até Copa. Pergunta que não quer calar: Porque???? rsrsrsrs Doidim! Bjs e aproveite muito essa cidade!

  3. Breno Nogueira quinta-feira, 3 de novembro de 2011 em 20:37 -  Responder

    Oi Cris, muito legal ver vocês colocando as rodinhas nas ruas. Infelizmente nem todos os Bairros são como a Barra, que tem calçadas bem feitas com rampas e tudo mais. Em Nova Iguaçu por exemplo, agente vê cada coisa. Cada casa tem uma calçada diferente, com níveis diferentes e inclinação diferente, é impossível você andar numa calçada com um obstaculo a cada metro, sem falar das árvores, dos postes, dos carros que sempre ficam no meio do nosso caminho. Aqui também tem uma situação muito curiosa. A via Light, que é uma avenida que corta Nova Iguaçu e vai até Pavuna, passou por umas obras para construir rampas para cadeirantes, fizeram as rampas, pintaram de azul com o simbolo do cadeirante, mas esqueceram de fazer as calçadas e até de tirar os postes da frente da rampa. Imagine vc subindo a rampa e cair num gramado cheio de buracos ou numa calçada q não tem nem 50cm de largura e ainda tem um poste no caminho. RIDÍCULO.
    Ai quando agente decide sair de carro para curtir um barzinho, encontrar com os amigos ainda tem que ter muita sorte para encontrar uma vaga para deficientes livre, porque aqui no Rio a lei que impera é a do cego, todo mundo para na vaga para deficientes e diz que não viu a sinalização.
    Agora essa parte de trabalho eu vejo que realmente tem espaço para bons profissionais qualificados seja ele deficiente ou não, muita das vezes oque limita mais é a falta de qualificação para poder assumir a vaga.
    Mas essa do Dado partir na madruga tocando cadeira da Lapa até Copa é coisa de maluco mesmo. Das duas uma: Ele estava muito doidão, ou tava sem grana nenhuma pra pegar um taxi. rsrsrsrs
    Valeu Cris, parabéns pelo post, Beijos!

    novembro 3rd, 2011 - 21:20
    Cris Costa respondeu:

    Breno, essas rampas toscas tiram qualquer um do sério! Um absurdo! Quanto ao Dado, acho que foi os dois: gastou todo o dindim em birita e teve que voltar a pé, doidão,rs. Bjs!

    novembro 12th, 2011 - 13:41
    Eduardo Camara respondeu:

    Hahahah! Vocês são fogo… 🙂

  4. Vanessa Matos quinta-feira, 10 de novembro de 2011 em 12:17 -  Responder

    Aventureira…
    Nem me arrisco a fazer isso aqui em Feira de Santana-BA!
    Trânsito, um caos e calçadas com buracos que com certeza engoliriam minha cadeira e eu fácil, fácil!
    Muito bom o post e o blog, parabéns!

    novembro 16th, 2011 - 20:58
    Cris Costa respondeu:

    Oi Vanessa, aqui no Rio, principalmente no Centro, as calçadas também são bem ruins viu. É um sufoco quando tenho que andar pelo Centro. Mas tomara que melhore, tanto aqui, quanto em Feira de Santana. Tá na hora, né? Bjs, Cris.

  5. Isabela terça-feira, 15 de novembro de 2011 em 02:55 -  Responder

    Isso me lembrou uma coisa…

    Sou do interior do RJ, e vou pouco ao Rio, e quase sempre fim de semana. Outro dia estava pegando o metrô em horário de pico pela primeira vez. Muito tenso! Estava eu lá na estação Pres Vargas e NADA de conseguir entrar num trem. Passaram vários tão superlotados que não conseguiamos (eu e minha prima) entrar. E eu notei um cara cadeirante lá esperando também. Só fiquei pensando “amigo, cê tá ferrado”.
    Bem, daí ficou minha dúvida… Como faz nessa situação? Simplesmente é impossível um cadeirante pegar metrô em horários de pico?

    novembro 16th, 2011 - 21:00
    Cris Costa respondeu:

    Boa pergunta, rs. O metrô em horário de pico é inviável pra qualquer pessoa. É um problema que só se resolve com outras opções de transportes, novas estações e mais vagões (quando possível). Infelizmente, nesse caso, só muita paciência mesmo :o( . Bjs, Cris.

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