Geral, Opinião e cotidiano

A Segmentação

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O que eu tenho percebido ultimamente, é que existem várias vertentes de comércio se convergendo para nós.

Mas a impressão que tenho é uma só: OBTER O LUCRO. E não acho errado, acredito que uma idéia bem feita deve sim render frutos ao seu dono, mas a grande maioria das coisas que nos são apresentadas, é simplesmente uma grande segmentação daquilo que poderia ser totalmente universalizado, sem precisar existir um “serviço especializado” para nós cadeirantes e afins.

Outro dia recebemos um e-mail de uma pessoa que estava elaborando seu TCC e queria fazer um projeto de “bar temático” para cadeirantes… Não vou entrar muito em detalhes aqui, mas basicamente era isso – um bar que teria como seu público alvo, nós cadeirantes. Daí eu fico me perguntando se esse pessoal acha que cadeirantes só conhecem e só se relacionam com outros da mesma “espécie”… Nós aqui, por conta do blog, acabamos conhecendo um número maior de cadeirantes e afins, mas isso não significa que não temos amigos “normais”. 

Agora me explica, pra que fazer um bar que seja “especializado” em atender cadeirantes? É preciso compreender que esse tipo de coisa segrega e cria mais guetos, sendo que a idéia é universalizar, só quero ir a um bar e encontrar meus amigos, sem dificuldades de acesso e pronto. Não precisa reinventar a roda pra isso, já existem normas e leis que teoricamente deveriam nos garantir esse acesso.

Outro exemplo é o da agência de turismo, que já deveria funcionar assim. Imagina você ir em uma dessas de shopping, escolher o pacote anunciado e comprar, pronto – simples assim. Pra eles que trabalham no ramo, seria bem simples de levantar quartos adaptados nos seus destinos e outros poucos dispositivos que precisamos. Mas não, tem que ter uma “agência de turismo para deficientes”. 

Será que realmente precisamos de uma agência de turismo para nos orientar onde ir, se hospedar, visitar, comer e etc? Esses lugares  já teriam que ser adequados, sabemos que não é assim na grande maioria ainda. (E tem gente prometendo 100% da frota de taxis adaptados até 2014).

É o lance do post do avião com os lugares demarcados que Nickolas escreveu. A sociedade que tanto fala em preconceito e discriminação é a mesma que quer a cota pro cadeirante-gay-afro-pobre-desempregado.

Sei lá. vai ver eu penso muito diferente.

Sobre o autor / 

Christian Matsuy

Cadeirante, paulistano bom gourmet e piloto profissional (de autorama)

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17 Comentários

  1. Nickolas Marcon segunda-feira, 17 de setembro de 2012 em 12:55 -  Responder

    Ótima abordagem, Christian. Acho que esse assunto nunca vai ser esgotado. A ideia não é inclusão? Então tudo deve ser pensado para servir a TODOS, sem diferenciação.
    Na minha humilde opinião, penso que toda tentativa de segmentação não passa de um grande engodo. Criar segmentos diferenciados é a forma mais rápida de aumentar o abismo que separa as pessoas. Isso só faz bem aos que gostam de serem bajulados fazendo papel de “coitadinho”.
    Mas… sei lá… vai ver eu sou outro que pensa muito diferente…

    setembro 22nd, 2012 - 14:09
    Christian Matsuy respondeu:

    Nick,

    o duro é que muita gente (que na verdade não precisa) prefere viver no estilo coitadinho.

    Abraço!

  2. Eduardo Camara segunda-feira, 17 de setembro de 2012 em 14:15 -  Responder

    Sou mais um dos que pensam diferente. Acho que e por isso que escrevemos no blog 🙂

    Acho que um bar do tipo proposto seria um tremendo gueto e super sem graça. Entendo que as pessoas com deficiência possam (e devem) se encontrar de vez em quando, até porque elas têm muita coisa em comum, mas esse lance de praticamente só ter amizade ou só andar com outras pessoas com deficiência realmente não é a minha.

    Penso que os esforços deveriam ser na direção de tornar todos os lugares acessíveis e não em criar locais específicos para cadeirantes.

    setembro 22nd, 2012 - 14:14
    Christian Matsuy respondeu:

    É bem por esse caminho mesmo!

    Abraço!

  3. Beatriz Pinto Monteiro segunda-feira, 17 de setembro de 2012 em 22:24 -  Responder

    Concordo plenamente, isso me cheira a gueto.
    Por coincidencia, uma pauta que pretendo propor na proxima reunião do Na Luta, alguem se prontifica a escrever?
    Abraços

    setembro 22nd, 2012 - 14:07
    Christian Matsuy respondeu:

    Beatriz,

    Caso queira nos passar mais detalhes por e-mail, fique à vontade.

    Abraço
    Christian

  4. Mariany terça-feira, 18 de setembro de 2012 em 19:03 -  Responder

    Concordo com vocês em gênero, número e grau!!! A ação a ser feita é a de INCLUSÃO, não a de SEGREGAÇÃO, ao criar serviços “específicos”. Parabéns pelo post!!!

    setembro 22nd, 2012 - 13:56
    Christian Matsuy respondeu:

    É isso ai Mariany, bom que tenha gostado!

    Abraço,
    Christian

  5. Anderson Leal quarta-feira, 19 de setembro de 2012 em 22:11 -  Responder

    Concordo plenamente, depois de 14 anos com minha companheira de 4 rodas, eu adotei a premissa, “eu quero ir aí e voce que se vire” se nao tem acesso eu reclamo, chamo o gerente, levo de canto falo que posso ajudar se ele quiser mas que eu EXIJO que eles façam acesso para usuários de cadeiras de rodas, encho o saco MEEESMO… dia destes ganhei 5 reais ao atravessar a rua, olha que atitude BUNITA teve o motorista “olha, pra voce tomar um café” e eu respondo “ooopa, obrigado” e guardo na carteira ao lado do AMEX PLATINUM pro cara botar fé que ficar no farol dá dinheiro, kkk… só tava atravessando a rua.. mas enfim… a pegada na minha visão (limitada diga-se de passagem) é que eles que SE VIREM…

    setembro 22nd, 2012 - 14:05
    Christian Matsuy respondeu:

    É isso aí Andreson, infelizmente aqui no Brasil nós temos que ser fiscal das leis, pois senão ninguém respeita mesmo. Quanto mais gente colocar a boca no trombone, melhor!

    Abraço
    Christian

  6. Rose Vieira quinta-feira, 20 de setembro de 2012 em 14:06 -  Responder

    Ehh….finalmente vejo alguém expressando o q eu acho há anos e muitas vezes fui tachada de mal agradecida e tal…pq as pessoas q não vivem nosso dia a dia, aplaudem todas as bobagens que inventam como supostos benefícios pra defs…

    setembro 22nd, 2012 - 14:03
    Christian Matsuy respondeu:

    Rose,

    Toda vez que escrevemos essas verdades acabamos recebendo algum tipo de crítica de pessoas que defendem o assistencialismo totalitário, não tem jeito. Ele deve existir, mas pra quem realmente precisa.

    Abraço!

  7. Gleice quinta-feira, 20 de setembro de 2012 em 18:04 -  Responder

    Concordo plenamente! Exemplo disso é q as vezes sou até xingada quando reclamo das cotas em universidades, isso é um exemplo clássico dessa segregação, não vejo lógica já que o que importa é a nota para poder entrar na universidade então pq as cotas? pq não competir de igual para igual com todos? afinal, somos todos iguais. Já as cotas em vagas de emprego eu considero um mal necessário, já que ainda tem empregadores que não confiam no nosso potêncial em trabalhar. Mas mesmo assim as cotas em vagas de emprego ajuda em uma parte mas penso que atrapalha em outra, pois eu tenho a leve imprenção de que isso é julgado pelo nível da deficiência. Mas enfim, o jeito é continuarmos pensando diferente pra mostrar as pessoas que não queremos tratamento diferente e nem ser coitadinhos apenas direito de cidadania de ir e vir como todos tem.

    setembro 22nd, 2012 - 14:00
    Christian Matsuy respondeu:

    Oi Gleice,

    Na verdade nem estamos falando de cotas, que acredito ser um outro assunto, aliás cotas para as vagas de emprego são muito importantes, não devem acabar nunca!

    Abraço
    Christian

  8. Luanda segunda-feira, 24 de setembro de 2012 em 12:54 -  Responder

    As pessoas complicam o que pode ser tão simples. Bares com um banheirão no 1o andar, pronto. Poderemos beber em paz rsrsrsrs

    Brincadeiras à parte, inspirada neste blog, também estou escrevendo o meu. http://rioparacadeirantes.blog.com Creio que ele não deveria existir em uma sociedade que preza pela cidadania plena. Mas ainda temos muito a caminhar na questão dos direitos, dos deficientes ou não.

    Enquanto caminhamos, não surpreende que surjam propostas bizarras como a desse bar. Elas refletem o estado incipiente em que ainda nos encontramos na questão da acessibilidade.

    setembro 25th, 2012 - 14:45
    Christian Matsuy respondeu:

    Luanda, legal saber que têm mais gente que compartilha das mesmas opiniões. Infelizmente ainda vejo na sociedade muitas atitudes de cunho assistencialista que não nos incluem em nada. Vamos deixar isso para quem realmente precisa.

    Vi seu blog, muito interessante, aproveito para te dar uma dica bem importante que é de colocar fotos dos banheiros e acessos com detalhes. Quanto mais gente avaliando lugares, melhor.

    Abraço!
    Christian

  9. Luanda quarta-feira, 26 de setembro de 2012 em 11:36 -  Responder

    Valeu! Não sou muito de fotos, mas vou tentar me acostumar! Abraços!

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