Opinião e cotidiano

Intocáveis

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intocáveisEsse final de semana fui assistir ao filme “Intocáveis”. Apesar de ter ouvido falar muito bem do filme, não coloquei muita fé. Tenho um pé atrás com filme francês. Achei que seria legal, mas nada de mais. Porém, me enganei. Saí do cinema encantada com a história. O filme é sobre a amizade entre um tetraplégico milionário e seu ajudante, chamado Driss, personagem pelo qual fiquei apaixonada. A deficiência passa longe do tema central, é apenas um pano de fundo para a amizade e cumplicidade dos dois personagens. Em um momento da história perguntam ao milionário porque escolheu alguém tão fora dos padrões, sem qualificação e provavelmente nenhuma compaixão. A resposta dele é simples: “É isso mesmo. É exatamente o que quero, nenhuma compaixão. Ele sempre me passa o telefone. Sabe por quê? Ele esquece”. Achei a resposta fantástica, e fiquei pensando nos “Driss” que conheço.

Tenho um amigo que não se cansa de me chamar pra correr na Lagoa ou subir a Pedra da Gávea. Há quem diga que é distração ou até insensibilidade. Eu diria que é pelo simples fato de que a minha lesão/ deficiência/ limitação não tem nenhum impacto sobre ele, e por isso o poder ou não fazer algo acaba sendo subjetivo, pois ele simplesmente esquece que existe uma limitação.  O que dá um certo alívio e acaba sendo engraçado muitas vezes. Claro que as pessoas são diferentes, e nem acho que todos tem que ser assim, cada um tem seu jeito. Mas quando se é deficiente e encontra alguém assim, te faz questionar muita coisa, pelo menos acontece comigo. Fico pensando o quanto da limitação tá em mim. O poder ou não fazer algo é muito relativo, e provavelmente é diretamente proporcional ao desejo de se concretizar algo. Ok, não acho que vá subir a pedra da Gávea, mas sei que se fosse algo que realmente quisesse veria as possibilidades e correria atrás. É importante se abrir, a vida é curta e tem tanta coisa bacana pra  se viver! Muitas vezes me pego fechada no meu mundico, zona de conforto, e esqueço quanta coisa ainda posso fazer e querer. É bom, se não fundamental, ter pessoas que abram a nossa cabeça, ampliem nossos horizontes. Né, não?

Sei que infelizmente nem todo mundo é do mesmo jeito. Muitos já tiveram seus “Driss”, mas por estarem tão fechados no seu mundinho, não conseguem se abrir pro novo. Uma pena.  Acho que a beleza do filme tá nessa amizade que só foi possível porque os dois estavam abertos para o diferente. Enfim, chega de filosofia de botequim, mas acho que é um filme que qualquer um pode se identificar, deficiente ou não. Basta estar aberto para o mundo. Quem puder corre pro cinema, vale muito a pena!

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Cris Costa

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15 Comentários

  1. Eduardo Camara quinta-feira, 4 de outubro de 2012 em 14:20 -  Responder

    Cris, também adorei o filme e só agora refleti sobre esse ponto de vista que você colocou. Concordo com tudo! No começo da minha vida de cadeirante eu me impus um monte de limites. Foi tosco. E o pior de tudo é que a maioria dos meus amigos concordou com isso e criou-se um ciclo vicioso. Felizmente, consegui quebrar esse ciclo de uns tempos para cá e a vida é só alegria, empurrando para longe, cada vez mais, os meus limites 🙂

    outubro 9th, 2012 - 22:29
    Cris Costa respondeu:

    Pois é, acho que no começo é até normal pois não sabemos muita coisa. O lance é não acomodar e tentar sempre mais. Outro dia li uma frase muito bacana: “a vida tem que ser larga, não necessariamente longa”. Bjs!

  2. Mario Pirata quinta-feira, 4 de outubro de 2012 em 16:18 -  Responder

    O filme realmente te faz pensar em como as coisas simples sempre dão certo, tem certos tabus, medos que todo cadeirante tem, e como falou o Eduardo, amigos para te por para baixo não faltam, eu prefiro aqueles que somem nos momentos difíceis, pois não atrapalharão a sua vitória. Também pensei que não faria mais nada, mas graças aos verdadeiros amigos que me mostraram que a vida não ficou mais difícil, ficou mais interessante, desafiadora. Hoje faço parte do Interação Grupo e pratico handebol e dia doze estarei recebendo a minha handbike Guru, incentivado pelo meu amigo Marcelo eu procurei uma hand mais barata e graça ao Blog Mão na Roda conheci a Handventus. Portanto não existe limites, é claro que bom senso é sempre bom, mais se livre de seus medos procure ajuda, fale com pessoas que tenham as mesmas dificuldades, NÃO SE CALE. Sempre existira alguém para te orientar. E acima de tudo , para aqueles que acreditam, Deus estará sempre ao seu lado.

    outubro 9th, 2012 - 22:30
    Cris Costa respondeu:

    É isso ai Mario, o importante é correr atrás do que queremos, bjs!

  3. Marcus Kerekes quinta-feira, 4 de outubro de 2012 em 20:25 -  Responder

    Muito legal teu ponto de vista!!
    As pessoas sempre me colocam como exemplo, herói ou coisa parecida… e de certa forma foi ruim (acho que próximo ao que o Edu disse). De uma maneira indireta me fez acomodar ou ficar preso a pré-conceitos meus, pessoais.. e além do mais, heróis e exemplos, são próximos a perfeição e isso é tudo o que não sou (e Deus me livre ser)… a graça da vida está em errar e acertar, fazer cagadas, enormes ou pequenas, vencer objetivos, colocar novos e assim segue 🙂
    A única visão que tenho de mim mesmo, é a simples personificação da capacidade que TODO o ser humano tem em se adaptar frente a novas realidades, quaisquer que sejam.
    Como o Mario bem coloco; Claro que pra tudo isso, bom senso ajuda bastante.

    abraço e parabéns pelo trabalho de voces

    outubro 9th, 2012 - 22:33
    Cris Costa respondeu:

    Oi Marcus,olha essa coisa de herói ou exemplo me irrita profundamente. Também acho que todos temos a capacidade de se adaptar, isso tá dentro decada um. Bjs, Cris.

  4. Andrea Mendes de Resende quinta-feira, 4 de outubro de 2012 em 22:26 -  Responder

    Querida Cris,
    Embora ainda não tenha visto o filme, eu irei com certeza!
    Concordo! Posso narrar minha experiência de outro ponto. Quando comecei a atender pacientes neurologicos há muitos anos atrás fui avisada de que era uma clínica muito difícil, que outras antes não tinham conseguido e que teria que ter muito tato com o “sofrido” paciente “lesionado”…enfim, não preciso te dizer que fiquei anos no atendimento especializado e o que eu encontrei, foram pessoas incríveis! Em nada lesionados, mas com potenciais gigantescos e que só queriam igualdade e dignidade! Amei seu comentário! Bjs!!!

    outubro 9th, 2012 - 22:35
    Cris Costa respondeu:

    Se tenho a capacidade de enxergar tão longe hoje, devo muito ao seu trabalho. E sim, a maioria não quer compaixão, apenas dignidade. Você vai amar o filme!Bjs!

  5. Paulo terça-feira, 9 de outubro de 2012 em 06:37 -  Responder

    Mandei alguns emails para o sitio, porém nao recebi resposta. Gostaria saber a quem escrever, para pedir informacao. Obrigad@.

  6. Evandro quarta-feira, 10 de outubro de 2012 em 15:25 -  Responder

    Cris, também gostei muito desse filme e concordo com o que escreveu…, mas é como vc disse, se a gente não for um pouco “Philipi”, não adianta nada os “Driss” aparecerem….essa tal zona de conforto tá bem longe aqui de casa, hehehehe.

    bjs

  7. Mario Pirata quarta-feira, 10 de outubro de 2012 em 18:43 -  Responder

    Legal esse forum improvisado!!!!!!! Cris Costa, e inertente no ser humano procurar super-heróis é claro que não somos, mas não me incomoda muito quando alguém me fala, nosa cara você é um herói, talvez eu seja para ele, ou talvez seja pura falsidade, ma verdade fico sempre com o pé atraz com esse tipo de colocação. Fico muito chateado, mas chateado mesmo quando vejo alguém menospresando algum deficiente e muito mais trite quando opercebo que essa pessoa é um familiar que deveria estar auxiliando e insentivando essa pessoa. Nos do “Interação Grupo” fazemos esse trabalho de concientização da família e sociedade, alem de usar o esporte como veiculo de inclusão e recuperação da autoestima. Todos os domingos das 09:00 às 11:00 hrs. nos reunimos no Céu Cidade Dutra Z.Sul. Por conta de eventos municipais e da eleições em novenbro não teremos mais atividades, mas em novembro estaremos de volta e se você mora na Z.Sul e quiser aparecer estamos de braços abertos. Visitenos no facebook “InteraçãoGrupo”
    Bjs do Pirata.

  8. Mario Pirata quarta-feira, 10 de outubro de 2012 em 18:49 -  Responder

    Nossa!!!!!! Desculpem os erros de grafia, kkkkkk, mas deixei a emoção tomar conta e postei antes de ler, agora já foi,,,,

  9. Diego Gomes segunda-feira, 22 de outubro de 2012 em 10:30 -  Responder

    Nem vi o filme ainda, mais posso imaginar que ele ia me ajudar demais no meu começo de crise pelo fato do ocorrido (paraplegia), tenho 1 ano e 7 meses de acidente, no começo eu não saia do escuro (meu quarto era meu mundo), só com os mesmos pensamento de todos no pós-trauma (porque comigo se eu não fiz nada pra merecer isso), fui tomar o choque de realidade e ver que não era o que eu pensava depois de uma reabilitação no Sarah-MG, devo muito ao Sarah-MG principalmente na parte psicológica, fui comprar uma cadeira depois da reabilitação lá, praticamente 1 ano e meio depois de quando eu já precisava, não comprava porque tinha vergonha, hoje tenho um “Driss” que me ajuda até no mais do que só ele pode, e sem sentir que a ajuda não é “um sentimento de obrigação”, tenho certeza disso, hoje vivo minha vida normal (dentro das limitações, óbvio), vivam a vida mesmo galera, é mais difícil ?!, é sim, mais não é impossível pra quem corre atrás, “A vida é curta, então dance”.

  10. Sandra Gonzaga segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 em 18:25 -  Responder

    Minha fisioterapeuta (paraibana) já me perguntou se eu sabia dançar xaxado. Respondi, Suzy? Ela tomou um susto e rimos muito. Sempre ouço coisas assim, acho engraçado e normal, as pessoas as vezes ficam até constrangidas, não sabem que as vezes, isso até nos faz bem.
    Mas na hora de comprar, convém se ligar, sou cadeirante e uma vendedora disse-me que o tênis com amortecedor era mais confortável pois não exercia pressão na pisada, hehe. Outra vez mandei diminuir 7 cm no tamanho de duas calças, uma jeans e outra de tecido, qdo fui buscar tinha tamanhos diferentes, a senhora me explicou que o caimento dos tecidos eram diferentes qdo ficava-se de pé. Confirmei:_Quando fica em pé? Ela respondeu, quase morrendo:-Sim. Agradeci…
    O filme é lindo, surpreende por que faz uma abordagem ampla de forma leve, emocionante e divertida.

  11. Matheus Câmara terça-feira, 12 de março de 2013 em 02:07 -  Responder

    adorei este filme !

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