Rock in Rio 2013

logoNas últimas semanas recebemos vários emails de leitores pedindo informações sobre a acessibilidade no Rock in Rio 2013. Como todos já sabem, aqui no blog não publicamos nada que não tenhamos conferido pessoalmente. Dessa vez não será diferente. Para responder às dúvidas dos leitores, segue abaixo o relato completo da minha experiência no primeiro dia do evento.

Transporte e chegada ao local

Acho que essa é a parte mais sensível da coisa e por isso vou descrever com mais detalhes. Assim como foi 2011, neste ano não há como estacionar próximo ao evento. Há bloqueios nas avenidas de acesso bem antes da Cidade do Rock, onde só passam os carros de moradores previamente cadastrados. Na Av. Abelardo Bueno, não vi nem táxis passando. Num segundo bloqueio da mesma rua, mais próximo do evento, ninguém passava. Não adianta reclamar, argumentar, xingar, mostrar permissão para deficiente físico da prefeitura, nada. Como chegar então?

Para os 0,00000001% da população que tem um helicóptero, há um heliporto próximo ao RioCentro. Acreditem, o tráfego aéreo estava congestionado, tinha fila de helicópteros para pousar.

Mas, como esse não era o meu caso, a solução foi o busão mesmo. Para o Rock in Rio 2013 foram disponibilizadas duas alternativas de ônibus. A primeira eram os especiais, ônibus de viagem com ar-condicionado (popular frescão) que partiam de pontos determinados da cidade e iam direto para um terminal montado no RioCentro, a poucos metros da entrada da Cidade do Rock. As passagens dos ônibus especiais eram limitadas e deveriam ser adquiridas com antecedência pela internet.  Como o acesso aos ônibus de viagem não costuma ser amigável para cadeirantes, essa opção foi descartada (já escrevemos sobre isso, clique aqui para ver o  post).

A outra opção era uma linha de ônibus comuns criada para o evento, que fazia o trajeto entre o terminal Alvorada e a Cidade do Rock, com paradas no Barrashopping e no Shopping Via Parque. Minha estratégia foi estacionar o carro no Via Parque (o estacionamento do shopping funciona 24 horas) e pegar essa linha de ônibus, torcendo para os veículos tivessem elevador. Funcionou direitinho. Cheguei por volta das 17 horas no shopping e havia muitas vagas livres. Depois, fui até o ponto de ônibus em frente, onde já tinha um ônibus parado e equipado com elevador. Aliás, todos os ônibus que vi nessa linha tinham elevadores para cadeirantes. Se os elevadores funcionam, é outra história… No meu caso o elevador funcionou depois de um sobe-desce-para-pontapé-puxa-soco-pontapé-chute-porrada-desce-estica-treme-pontapé-sobe-para. Normal. Estava no ônibus indo para a Cidade do Rock. Uhú!!!

O desembarque é feito num terminal improvisado montado no estacionamendo do falecido autódromo de jacarepaguá, a 1500 metros da entrada. Para quem estiver bem disposto, dá para ir andando até a entrada. A pista toda estava fechada para pedestres. Os obstáculos no percurso se limitaram a um quantidade insana de vendedores ambulantes, mas fora isso e não tive problemas em chegar à entrada.

Dica: para quem não tem tanta mobilidade ou disposição, há táxis adaptados (Doblôs) no terminal para levar cadeirantes até a entrada. Não sei qual era o preço cobrado, se alguém utilizar o serviço, por favor escreva seu relato nos comentários, ok? 

Bom demais, né? Alto lá. Nem tudo pode ser perfeito. Na entrada, o caminho adaptado com rampas começava do outro lado da avenida, onde paravam os táxis adaptados. Ou seja, eu deveria ter chegado pelo outro lado da avenida, atravessando um canteiro enorme. Lógico que não havia nenhuma sinalização mostrando isso.

Como devo ser um dos estranhos cadeirantes na face da Terra que não reclama de rodar por muitos metros num piso liso e plano, acompanhando os andantes, tive que pedir ajuda para subir dois degraus na entrada normal e chegar até o guichê de recepção. Lá ganhei uma pulseira verde, que no evento seria fundamental para… não sei. Não sei mesmo. Disseram que era para me idenficar na entrada dos tablados elevados. Acho que minha cadeira deve ser discreta demais, ninguém saberia que sou cadeirante se eu não usasse a pulseira. Surreal. O fato é que ninguém me cobrou a tal pulseira em lugar nenhum.

Entrada1
Percurso até a entrada do evento

Na volta, o caminho foi o mesmo até o terminal, mas com uma muvuca muuuuito maior. Um verdadeiro rio de gente andando na pista e esbarrando num número de ambulantes ainda maior que na entrada. A única opção era seguir o fluxo.

Dica: na chegada ao terminal as bilheterias ficam num terreno arenoso, difícil de tocar a cadeira. Vá direto ao bloqueio e peça para o guarda municipal abrir a grade para continuar o percurso até os ônibus pelo asfalto. Assim também se escapa da super-muvuca que fica no terminal para embarcar nos ônibus.

No trajeto de volta, havia a opção de descer na frente do shopping e atravessar as 4 pistas da av. Ayrton Senna que está sem sinalização por causa das obras do BRT. Achei perigoso e pedi para o motorista se me deixar do outro lado, em frente ao shopping, quando estivesse voltando. Sem problemas. Fui com o ônibus até o terminal Alvorada, onde todo mundo desembarcou. Na volta, com o ônibus vazio, o motorista foi muito gentil e parou no ponto bem na frente ao shopping. Sei que o serviço de ônibus da cidade do Rio de Janeiro é muito criticado por N-motivos, mas dessa vez mereceu meus elogios. Tudo correu bem.

Atualização em 15/09/2013: segundo o Eduardo, havia estacionamento gratuito para deficientes dentro do Rio Centro, mas essa informação não foi amplamente divulgada. Ele fez o caminho por outra rua, a Av. Salvador Allende. Seu carro estava identificado com o sinal de acessibilidade e ele conseguiu passar pelas barreiras. Vejam o relato dele aí embaixo, nos comentários. Fica a dica para todos os deficientes que quiserem ir de carro ao evento.

A Cidade do Rock

Dentro da Cidade do Rock o piso é todo plano. Não há problemas em se deslocar entre os caminhos que se alternam entre cimento alisado, calçamento com blocos de concreto e alguma coisa que um dia foi grama sintética mas hoje se parece mais com um tapete verde, um pouco mais fofo que o piso de cimento, para andar com a cadeira tem a mesma resistência que um carpete grosso. Não há degraus na transição entre o piso, calçamento e o “tapete de grama sintética”. Dá para circular tranquilamente entre os dois grandes palcos (Mundo e Sunset), a Rock Street e a tenda eletrônica.

A disposição dos acessos e dos tablados está mostrada na foto abaixo. Clique na foto para ampliá-la.

Cidade do Rock_acessibilidade
Cidade do Rock

 Tablados para ver os shows 

Para facilitar, ou melhor, para permitir que os cadeirantes e outros PNEs pudessem ver os shows nos dois palcos, foram construídos dois tablados elevados. As rampas de acesso eram largas e tinham uma inclinação forte, acima da recomendação, mas não eram impossíveis. Um pouquinho de força e equilíbrio resolvia o problema. Algumas pessoas reclamaram da falta de um corrimão para muletantes e deficientes visuais, mas outros disseram que a altura da grade era suficiente para servir de apoio. Havia funcionários do evento na entrada que só permitiam a entrada do PNE com mais dois acompanhantes. 

Tablado Sunset
Tablado do palco Sunset

Apesar de serem distantes do palco e posicionados numa posição muito lateral, sem dúvida eram o melhor lugar para se assistir aos shows. Quem estava sentado na cadeira conseguia ver por cima da cabeçada da multidão que estava na frente. A grade de proteção não chegava a atrapalhar a visão dos palcos.

Palco Sunset
Vista do tablado do palco Sunset

O tablado do palco Mundo era maior e comportou tranquilamente os PNEs da noite.

Palco Mundo
Vista do tablado do palco Mundo

 Banheiros

Há vários banheiros espalhados pela Cidade do Rock e em todos eles há uma cabine especial para cadeirantes. Uma grata surpresa: são banheiros de verdade, nada de banheiros químicos. O banheiro que eu usei estava razoavelmente limpo e tinha água, sabão, papel higiênico e toalha de papel, mas não tinha luz. Acho que esse foi o jeito que encontraram para desestimular o uso pelos andantes: deixar o banheiro no escuro. É nessas horas que a gente lembra daquele aplicativo no celular que transforma o flash em lanterna… 

Banheiro
Banheiros

 Alimentação e compras

 As lojas montadas para venda de produtos não eram acessíveis. Quase todas tinham um patamar com mais ou menos 1 metro de largura na frente dos balcões, e esse patamar formava um degrau razoável com o chão. Na Rock Street, apenas alguns bares e patrocinadores tinham rampa na entrada. No conjunto de lojas em frente ao palco Sunset, o patamar na frente das lojas era mais largo e havia uma rampa que ficava na ponta do corredor, próxima à entrada da montanha-russa.

Lojas
Lojas sem acesso

 

Alimentação
Praça de alimentação improvisada

Para quem saiu do trabalho, foi direto para o show e chegou morto de fome (como eu), a primeira visão de comida era uma das várias lanchonetes do Bob’s que ficava logo na entrada. Nessas, não havia degrau em frente ao balcão, mas depois que se comprava a comida não havia nenhuma mesa ou apoio em frente. Era comprar e comer apoiando no colo. O povo improvisou sentando no chão mesmo.

Ainda bem que eu levei a minha cadeira de casa.

Depois do desespero alimentar saciado com um hambúrguer xexelento e caro, descobri que havia muitas outras opções alimentares na Rock Street, inclusive com várias mesas e cadeiras para utilização dos comensais. Fica a sugestão para quem quiser comer. Os preços dos comes e bebes estavam mais salgados que o Mar Morto: R$ 15 o sanduíche, R$ 12 o cone de batata, R$ 5 pela água, R$ 6 o refri e R$ 10 o chope. Não é permitida a entrada de comidas e bebidas no evento e as bolsas são revistadas na entrada.

Dica: nem todos os lugares tinham leitores de cartões funcionando. Melhor levar dinheiro vivo, assim também fica mais fácil de comprar dos vendedores volantes que ficam circulando entre o povo.

Missão cumprida
Missão cumprida

Conclusão

Ao final da noite, meu balanço geral do evento foi muito bom. Apesar dos perrengues de qualquer evento que envolve multidões, a estrutura funcionou bem e não tive nenhum problema para aproveitar a noite. Para os que compraram ingressos para os outros dias, sigam as dicas que coloquei aqui e podem ir sem medo.

Para quem já foi, escreva seu relato aí embaixo nos comentários, ok?

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17 comentários em “Rock in Rio 2013

  • domingo, 15 de setembro de 2013 em 12:06
    Permalink

    Fala, Nickolas! Dá para ir de carro tranquilamente sim. Fiz o mesmo que no último e segui na Av. das Américas até a Salvador Allende. De lá fui passando por todos os bloqueios. Os caras viam o adesivo do símbolo de acesso no carro e deixavam passar. No Riocentro perdi uns 5-10 minutos descobrindo onde era o estacionamento (grátis!) para deficientes (o carinha teve que usar o rádio, pois não sabia de nada), mas no final deu tudo certo e foi bem menos cansativo. Ruim foi só a desinformação na hora de trocar meu voucher por um ingresso (a bilheteria era longe e ninguém informava direito onde era) e a área para cadeirantes, que na minha opinião é muito longe do palco e muito na lateral tb. Custava colocar algo no centro? No fim das contas, achei legal. Mas sem dúvida tem o que melhorar!

    setembro 15th, 2013 - 16:47
    Nickolas Marcon respondeu:

    Eduardo é o cara, sempre está por dentro das informações privilegiadas. 🙂
    Já coloquei uma atualização no texto. Fica a dica para todo mundo que tiver o carro idenficado e quiser ir ao evento.

    Resposta
  • domingo, 15 de setembro de 2013 em 13:45
    Permalink

    Nossa! Como não escrevia há muito tempo, já tinha esquecido como vc escreve bem… rs… Foi maravilhoso lá, ne?! Muito tranquilo, sem confusão, só deixou a desejar no finalzinho por conta da quantidade de gente indo embora e conseqüentemente filas. Mas com a prioridade que nos deram… Foi rapidinho!

    setembro 15th, 2013 - 16:50
    Nickolas Marcon respondeu:

    Ai, ai, elogio da esposa não dá para recusar… 🙂
    Mas foi tudo bem, sim. Tirando alguns detalhes, acho que o evento estava adequado para todo mundo, deficiente ou não.

    Resposta
  • domingo, 15 de setembro de 2013 em 20:46
    Permalink

    SÓ VOU NO DIA 19.
    ESSA DO BANHEIRO PELO MENOS ESTÁ MELHOR;
    E TIROLESA? NOVAMENTE SÓ PRA VER D LONGE, NÉ…
    LAMENTÁVEL
    MAS TAMUSAÍ
    ABÇÃO

    setembro 15th, 2013 - 22:07
    Nickolas Marcon respondeu:

    Jefferson, num totem que indicava a localização das atrações eu vi o símbolo da acessibilidade logo abaixo da indicação da tirolesa. Confesso que não me animei a atravessar a muvuca que estava no lugar para conferir se era acessível, mas desconfio que seja. O símbolo não deve estar lá por acaso.
    Se vc conseguir descer na tirolesa, escreva aqui como foi sua experiência, ok?

    setembro 18th, 2013 - 20:35
    Eduardo Camara respondeu:

    Fala, Jeff! A tirolesa NÃO é acessível. O cadeirante sobe carregado!

    Abração!

    Resposta
  • domingo, 15 de setembro de 2013 em 23:06
    Permalink

    Desejo estar recebendo novidades nesse post.

    Resposta
  • segunda-feira, 16 de setembro de 2013 em 17:55
    Permalink

    Quem vai do aeroporto qual é a melhor alternativa para chegar na cidade do rock
    ? Do santos dummont!

    setembro 17th, 2013 - 21:40
    Nickolas Marcon respondeu:

    Fabiola, tanto de táxi como de ônibus, a melhor opção é ir até o terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, e lá pegar um ônibus da linha especial para a Cidade do Rock. Ir de táxi pode custar caro pela distância entre esse aeroporto e a Barra. Para ver os trajetos possíveis de ônibus, consulte o site http://www.vadeonibus.com.br.

    Resposta
  • terça-feira, 17 de setembro de 2013 em 23:11
    Permalink

    Meu nome é Raphaella, e sou de São Paulo – Capital. Desde já peço desculpas pelo tamanho do texto. Trata-se de um desabafo, na verdade.
    Em 4 abril deste ano, meu marido enfrentou uma verdadeira batalha na Internet para conseguir comprar nossos ingressos para o Rock in Rio. Eu queria ver a Beyoncé (que ainda não tinha anunciado o show em SP) e ele queria ver o The Offspring (que também não havia anunciado shows em SP).
    Enfim, após inúmeras tentativas: ingressos comprados! (E a serem pagos em 4 prestações, porque não são baratos – pelo menos para os nossos padrões). Começara a nossa expectativa e ansiedade à espera daquele que poderia ser o maior evento e uma das melhores viagens da nossa vida.
    Eis que, às vésperas do evento, mais exatamente dez dias antes (no dia 03/09), eu sofri uma queda dentro de um ônibus a caminho do trabalho e torci o pé. A primeira coisa que me veio em mente??? Rock in Rio.
    Com o pé engessado e imobilizado, consultei o site do evento e vi que haveria uma área para PNE’s. Como não podia apoiar o pé no chão, aluguei uma cadeira de rodas e parti para a viagem dos sonhos com o meu marido.
    Fomos de carro para o Rio na sexta-feira (sim, sexta-feira 13. Acho que isso era uma alerta!). A viagem foi super longa e cansativa, pegamos congestionamento, o GPS não conhecia algumas vias, tivemos que perguntar em alguns postos de gasolina, mas depois de algum estresse, conseguimos chegar na pousada (que ficava na Estrada dos Bandeirantes, bem pertinho do Rock in Rio). Ufa! Parecia que iríamos começar a finalmente curtir… Só que não. O pesadelo estava apenas começando.
    Eu já tinha lido na internet que a ruas no entorno do Rock in Rio estariam fechadas para a circulação de carros (in loco eu percebi que isso era uma meia verdade). E, como eu estava hospedada bem próximo, decidi encarar o trajeto de cadeira mesmo (why???).
    Para nossa surpresa, ninguém sabia de NADA. Havia centenas de pessoas trabalhando no entorno do evento (prefeitura, CET, polícia, funcionários do Riocentro, funcionários da Prosegur, GCM…) e ninguém sabia onde era o acesso para cadeirantes (eu não sou cadeirante, mas estava cadeirante). Nem uma mísera placa, nada!
    Acho que só na sexta-feira, perguntamos para umas 20 pessoas. A cada bloqueio, a cada portão, nos mandavam para um lugar diferente. Numa dessas muitas tentativas, a cadeira topou com uma falha na calçada e eu fui pra frente, tendo que apoiar o pé lesionado e sentindo dor, logicamente. Mas naquele momento, a dor maior era no meu ego, sabe!? Sabe aquele sentimento de impotência misturado com raiva e revolta? Desabei em lágrimas. Queria desesperadamente voltar pra minha casa, sair dali. Mas fui convencida a continuar tentando.
    Bom… Depois de muitas negativas, entrei no Rock in Rio. E entrei por um acesso X, que nem estava aberto ao público em geral, mas foi o único pelo qual – em meio a tanta desinformação – me autorizaram a entrar.
    Lá dentro, mais desinformação. Perguntávamos para pessoas da Prossegur (que fazia a segurança) e nada. A essa altura, depois de tantos transtornos, já passava das 22h e eu ainda não havia conseguido um lugar para assistir o show da Beyoncé. Um segurança chegou a me oferecer um lugar na área de PNE’s do palco SUNSET, cujo último show havia ocorrido 19h30!!!! Como assim??
    Enfim, conseguimos encontrar no meio da multidão uma pessoa da organização do evento. Finalmente!! Havia várias pessoas com crachá do Rock in Rio, mas a maioria delas estava apenas trabalhando no local (e pra variar não sabiam dar informações) e não pertenciam a organização do evento.
    A essa altura, meu marido e eu estávamos muito nervosos com tudo aquilo, mas fiz o que pude para conversar com essa pessoa da organização com toda a educação que trago comigo. Tentamos reclamar do fato que de ninguém sabia de nada, e ouvimos coisas do tipo: “Ah, isso é um bom feedbak pra tentarmos melhorar” ou “São mais de 15 mil pessoas trabalhando aqui, e vocês com certeza não falaram com todas elas”. A sensação que eu tive é que ela estava pouco se importando para a minha condição, e se sentiu pessoalmente ofendida ao ouvir uma reclamação sobre o evento. Mas enfim, foi essa moça que nos disse onde era a bendita área de PNE’s e nos fez a revelação da noite: Não havia uma acesso exclusivo para chegar lá! Como ela mesma disse: “Há uma massa humana de 85 mil pessoas aqui, então o melhor é vocês irem pela beirada”. Oi?? Meu marido ficou revoltado! Mas eu, muito boazinha (ou idiota, não sei), disse que nós iríamos tentar. E ela teve a pachorra de me responder: “É, não adianta reclamar se não tentar”. E eu fiz questão de lembrá-la que ela era a primeira pessoa da noite a nos dizer onde ficava a área de cadeirantes e como chegar lá.
    Bom, depois de muito tropeçar no piso (que embora fosse excelente para pedestres, tinha várias imperfeições para cadeirantes), de pedir licença um zilhão de vezes e de quase passar por cima do pé de um monte de gente, chegamos à área de PNEs a tempo de ver a Beyoncé (e só!).
    No dia seguinte, tentamos ir de carro. Seria cômico se não fosse trágico. A cada bloqueio ouvíamos coisas do tipo: “Olha, eu não sei onde é a entrada de cadeirantes não, mas você pergunta no próximo bloqueio” ou “Cara, vou deixar vocês passarem aqui, mas sem a credencial vocês vão ser barrados no próximo bloqueio”. E assim, entramos no Riocentro, mas ninguém sabia se e onde poderíamos parar. Um funcionário do Riocentro chegou a dizer que meu marido poderia parar mediante pagamento de R$ 100,00. Oi? Estresse novamente. Pedi ao meu marido várias vezes para irmos embora, não aguentava mais tanta desordem e desrespeito. Olhar meu marido preocupado comigo, e perguntando para Deus e o mundo onde ir, onde estacionar, onde entrar já estava me deixando desesperada! Foi quando ele decidiu perguntar a um PM qual o caminho para ir embora, e esse PM, revoltado com nossa resolução, nos indicou uma pessoa da organização que, finalmente, nos disse onde estacionar.
    Assistimos ao show do The Offspring que começou por volta das 19h30 no palco Sunset, e embora eu ame todas as bandas que tocariam a seguir, decidi ir embora logo após essa apresentação, porque não queria ter a deprimente e desgastante experiência de ir do palco Sunset ao Palco Mundo de cadeira de rodas pelo meio daquela multidão.
    Em resumo, o Rock in Rio estava visualmente lindo. Imagino que essa tenha sido a principal preocupação dos organizadores. Mas faltou comunicação. Não havia boa sinalização nos arredores, tampouco lá dentro, os funcionários não sabiam responder a perguntas básicas, enfim, uma desordem total.
    Posso dizer que tive a pior experiência da minha vida no Rock in Rio. Nem o show da Beyoncé, de quem sou fã, salvou minha viagem. Acho que frustração é a palavra que melhor define o que senti e ainda estou sentindo. Essa história de ‘Por um Mundo melhor’ nunca me soou tão hipócrita.
    Respeito ainda mais as pessoas com limitações permanentes de mobilidade depois de tudo isso, e agora tenho a noção de quanto desrespeito há para com essas pessoas em nosso País.
    Espero que nas próximas edições do festival os organizadores tratem essa questão com mais carinho e respeito. Afinal, todos temos o direito de ir e vir.

    Resposta
  • quinta-feira, 19 de setembro de 2013 em 09:06
    Permalink

    Em 2011 havia sofrido um acidente e estava de cadeira de rodas. Na época procurei informações sobre estacionamento, mas não havia nada. O jeito foi usar um taxi normal, que para minha sorte passou sem problemas pelos bloqueios quando viam que havia uma cadeira de rodas do carro.
    O acesso a Cidade do Rock foi facilitados por todos do evento. Entretanto, ninguém da organização sabia informar nada sobre o local do tablado, tampouco onde havia banheiros.
    Felizmente houve bastante solidariedade dos cadeirantes que sempre passavam informações aos outros.
    Na época só encontrei um banheiro químico. Mas havia uma rampa íngreme e a porta não fechava. Uma boa alma me ajudou com a rampa e ficou segurando a porta.
    A travessia para a Rock Street também era um problema pois a cobertura do canal foi feita em desnível com o piso a sua volta.
    Felizmente desta vez não estou mais usando cadeira de rodas, mas ainda guardo sequelas do meu acidente.
    Procurei observar e percebi que várias melhorias foram feitas. Os banheiros estão muito melhores, e a passagem para a Rock Street está no mesmo nível. Mas a localização do tablado ainda deixa muito a desejar.
    Fui no dia 13, mas não consegui me informar sobre estacionamento novamente.
    Quero agradecer pelas informações sobre o estacionamento, pois vou novamente no dia 21 e pretendo usá-lo.
    Se for possível, gostaria de saber onde fica a entrada do mesmo no Riocentro.
    Obrigado.

    Resposta
  • segunda-feira, 23 de setembro de 2013 em 18:58
    Permalink

    Oi!
    Também estive na Cidade do Rock e da Acessibilidade (deveria constar, pela excelência das instalações acessíveis!!!).
    Fui no dia 19/09 – Sepultura e Metallica foram os shows que assisti!
    Sai de Maricá RJ de carona no carro de uma amiga que já ia me levar para uma terapia que faço em Niterói RJ. Depois da terapia, minha amiga me deixou na Estação das Barcas em Charitas (Niterói RJ). Lá, almocei enquanto esperava meu amigo e acompanhante chegar. Embarcamos num JumboCat sem dificuldades e na Praça XV pegamos um táxi que nos deixou dentro do estacionamento/terminal de ônibus no autódromo. Detalhe importante no quesito acessibilidade: a produção garantiu o táxi adaptado (Doublle) grátis até os portões de entrada!!!

    O show do Sepultura foi surpreendentemente surpreendente!!! Assisti no meio da galera, vendo mais pelo telão do que o palco… Daí teve uma turma metal que resolveu erguer minha cadeira acima da multidão: deu frio na barriga, mas topei e foi inesquecível!!!
    No intervalo, andei na roda gigante, tirei foto no stand do Itaú, participei de uma promoção da Volkswagem e tirei foto no MSW!!!
    Bateu fome, comi sem qualquer inconveniente de fila um sanduba Bob´s.
    Visitei e curti o primeiro DJ da pista eletrônica em formato de aranha. Música boa e iluminação cheia de efeitos, além de espaço para dançarmos e nos acabarmos!!!
    Às 23:30h retornei ao público do Palco Principal para assistir o Metallica. Como meu acompanhante queria curtir mais um pouco da eletrônica, fiquei no espaço especialmente reservado para todos que tivessem alguma limitação: desde perna quebrada, grávida, down, paraplégico, etc… e seus acompanhantes. Espaço democrático e muito animado!!! A visão era perfeita: telão lateral e palco (lateral também)… A vibe do Metallica contagiou todo mundo!!!

    Na volta, eu e meu acompanhante resolvemos encarar a caminhada até o terminal de ônibus improvisado no autódromo. A fiscalização ali presente garantiu meu acesso ao ônibus até o Terminal alvorada antes do ponto para que nós entrássemos (tinha um outro grupo com muletas) com tranquilidade. No Alvorada, igualmente entrei num ônibus adaptado até o Castelo! Lá sim voltei a dura realidade: o ônibus intermunicipal que faz a linha Maricá – Castelo não é adaptado e o motorista nem se levantou para auxiliar meu acompanhante no meu embarque!!! Já fiz queixa dessa empresa na FETRANSPORT mas não adianta: estão dentro do prazo que a lei concedeu para a adaptação da frota – 2014!!!

    Aff!!!

    Resposta
  • quarta-feira, 30 de abril de 2014 em 17:36
    Permalink

    Preciso quem doe uma cadeira de rodas elétrica(MOTORIZADA NOVA),com cesta se vocês souberem de alguem entre em contato comigo pelo Tel.11-26157754 ou E-Mail acima obrigado!

    Resposta
  • domingo, 28 de junho de 2015 em 22:04
    Permalink

    BOA NOITE,

    VC SABE SE TEREMOS ALGUMA PRIORIDADE NAS FILA TANTO DE BRINQUEDOS QUANTO DE ALIMENTAÇÃO?

    ABÇS

    julho 21st, 2015 - 22:39
    Eduardo Camara respondeu:

    @RIVA OLIVEIRA, nos últimos anos, teve prioridade nas duas!

    Resposta
  • sexta-feira, 18 de setembro de 2015 em 18:54
    Permalink

    Boa noite, algum PNE ou que esteja em condições de cadeirante (meu caso, estou com o joelho fraturado e de cadeira de rodas) foi ao Rock in Rio hoje e pode falar sobre as vagas para PNE no Rio Centro? Recebi a informação da própria organização do RIR que PNE podem utilizar o estacionamento do Staff, entrada pelo portão A. Como sou de SP e vou estar de carro alugado no RJ, gostaria de confirmar essa informação pois como o carro é alugado não vai possuir adesivo de PNE, apenas tenho o laudo médico e a cadeira de rodas no porta malas. Obrigado e parabéns pelo blog, estou bem empolgado para ir assistir ao Metallica amanhã. Abraços.

    Resposta

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