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Reatech 2014 – Um pequeno resumo

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logotipo reatech 2014Estávamos devendo alguns esclarecimentos importantes para vocês que nos lêem sobre a Reatech 2014. Como deu pra notar, esse ano não fizemos a cobertura integral do evento,  a disponibilidade de comparecermos todos juntos não foi possível. Apesar da Loja Cavenaghi nos ter oferecido o local para cobertura (que aliás agradecemos muito), não deu para assumir o compromisso de ficarmos os 4 dias na feira. A princípio esse que vos escreve faria uma cobertura online no fim de semana, mas surgiram contratempos que me impediram.

Fui a feira no sábado de tarde, como todo ano estava bem cheio. Estacionamento a 30 Reais e o local destinado aos cadeirantes (estacionamento coberto próximo a uma das entradas) estava lotado, era necessário aguardar a saída de um carro para que outro entrasse, havia um controle no portão. Já me irritei com esse fato e acabei por estacionar em uma vaga comum beeeeem distante do portão de entrada e a céu aberto, se chovesse seria uma maravilha. De brinde ganhei um arranhão no para-choque por conta de alguém que forçou a entrada na vaga da frente.

Esse ano a feira estava muito estranha. A única coisa que realmente cresceu foi a praça de alimentação (observação do Nickolas que comparou com as fotos do ano passado), cada ano que passa parece que colocam mais mesas. A qualidade das lanchonetes e restaurantes presentes no evento continua bastante questionável. Ano passado ainda tinha uma Casa do Pão de Queijo que era menos pior que os demais, tirando o fato que um misto-quente custava 15 Reais. Mas tudo bem, a gente entende… #SQN

Outra observação importante fica por conta da higiene e fila dos banheiros, todo ano é sempre um ponto que comentamos, mas dessa vez estava pior. Sem comentários.

A Reatech já é um ponto de encontro consagrado de diversas “tribos” de pessoas com deficiência, muitos usam o evento como uma grande confraternização, muitas delas promovidas por ONGs e Associações do setor. É um lance interessante do ponto de vista social, mas acaba por tirar um pouco o foco principal do evento, sem querer ser egoísta. Sem falar na total carência do público, que forma filas monumentais em troca de toda a sorte de brindes, panfletos, sacolinhas, enfim… Tumulto generalizado nos corredores por conta disso, registramos isso em fotos. Cobrar a entrada? Filtraria muita gente à toa que anda pela feira deixando-a mais livre para a visitação… Diminuir (ou não cobrar) o valor do estacionamento para as pessoas com deficiência? Como realizar um evento desse porte sem contar com o lucro do estacionamento que é um mero serviço de utilidade pública? Ficam no ar essas perguntas.

Comecei a andar pelos corredores e como já era esperado, sempre vemos produtos e tecnologias voltadas a outras deficiências, afinal é uma feira voltada para isso. Porém esse ano achei o mercado de cadeira de rodas super apático: Ortomix, Ortobrás, Mobility Brasil, Reateam, entre outras lojas e marcas menores não participaram do evento. Isso foi uma grande baixa na Reatech, fico pensando nas inúmeras pessoas que planejaram sua ida à feira para ver os produtos ou comprar algo por um preço promocional, que literalmente perderam seu tempo. Perde o consumidor que fica sem poder comparar produtos e preços.

Estavam presentes: Alphamix, Jumper Equipamentos, Vemex, Cavenaghi e Jaguaribe, entre outras lojas e estandes de porte menor (sem desmerecer ninguém).

A Jaguaribe estava demonstrando uma cadeira comemorativa da Copa, finalizada com as cores da bandeira brasileira que eu achei simplesmente… horrível. Nada contra que gosta, mas pra mim aquilo chega a ser caricato.

A Vemex estava demonstrando a cadeira que ano passado era um protótipo – a Falco, de estrutura monobloco modular, o que agiliza a montagem e permite a entrega de um produto personalizado nas medidas em um espaço de tempo menor. Oferece acessórios opcionais em fibra de carbono, mas o preço me chamou bastante a atenção: 7900 Reais (à partir de). Minha cabeça ainda não compreendeu o por que de uma cadeira de fabricação nacional possa custar tão ou mais caro que uma cadeira alemã. Não estamos falando do melhor acabamento do mundo, nem dos melhores opcionais (esse preço não inclui rodas nem freios ou outras parte importadas). 

A Jumper estava demonstrando sua linha de cadeiras para a prática de esportes radicais (WCMX) e as cadeiras “street” para uso no dia-a-dia. 

A área de test-drives de carros adaptados estava lá marcando presença e com certeza é uma ótima oportunidade para conhecer os novos modelos.

Novidades? Sejam bem-vindos ao ano passado! A Reatech 2013 tinha muito mais conteúdo cadeirante sem nenhum sombra de dúvida.

O Eduardo e eu conversamos sobre esses assuntos e a conclusão que chegamos foi uma só: A Reatech precisa ser repensada. Precisa ser renovada. Não pela falta de novos produtos, mas sim pela forma de como esses são levados ao público da feira. Eu sou totalmente a favor de ser uma “expo” no sentido literal da palavra, sem venda e entrega de produtos no evento. Seria mais proveitoso se tivéssemos todos os fabricantes expondo suas linhas completas sem venda, com promotores realmente interessados em demonstrar as características dos produtos com informações detalhadas.

O que nos passaram como informação, foi que o custo para a participação na feira teve um aumento significativo, tornando-se impeditivo e/ou desinteressante para os fabricantes que vão ao evento e não obtem um retorno pelo fato de não comercializarem dentro da feira. As lojas de porte menor não devem ter um volume de vendas que justifique a participação na feira e deu nisso esse ano. Triste.

E foi “mais ou menos” assim esse ano! 

PODEROSO-CASTIGA

 

Sobre o autor / 

Christian Matsuy

Cadeirante, paulistano bom gourmet e piloto profissional (de autorama)

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12 Comentários

  1. Lih Ramalho segunda-feira, 28 de abril de 2014 em 18:12 -  Responder

    Concordo com vc em algumas partes… Principalmente no que diz respeito a praça de alimentação rs
    Fomos quinta e sexta na feira, fiquei assustada na sexta-feira com a quantidade de crianças sem nenhum tipo de deficiência na feira, causando! rsrs sim, causando… correndo, gritando! Meu Deus, me senti no playcenter…
    Fomos extremamente mal atendidos na cavenaghi, a ponto de ver gerente e vendedora quase saírem no tapa bem na nossa frente! Ridículo, tudo estava lotado! Nossa única surpresa boa, foi a jumper! Atendimento incrível e personalizado, meu Marido comprou uma cadeira que ele sonhava a muito tempo e estamos esperando ela ficar pronta!

    abril 29th, 2014 - 11:22
    Christian Matsuy respondeu:

    @Lih Ramalho,

    Quem bom que vocês conseguiram ser bem atendidos e fechar um bom negócio. Isso que importa!

    Abraços,
    Christian

  2. Wendell segunda-feira, 28 de abril de 2014 em 19:19 -  Responder

    Esse ano eu não fui, pois eu já sei o que vou encontrar lá. Preços absurdos (ser cadeirante é pra quem pode…) e uma praça de alimentação mais cara ainda… Um evento para essa finalidade deveria se preocupar um pouco mais com o publico, é ridículo pagar 30 reais num estacionamento e 1999 num lanche mal feito…

    abril 29th, 2014 - 11:24
    Christian Matsuy respondeu:

    @Wendell,

    Concordamos plenamente contigo!

    Abraço,

  3. Eliane Lemos segunda-feira, 28 de abril de 2014 em 20:54 -  Responder

    Concordo com toda a sua reflexão. Faltou apenas uma importante observação: FALTA DE ACESSIBILIDADE E SUJEIRA NOS BANHEIROS. A avaliação que o pessoal do LABUTA fez ficou excelente. Vale conferir. Reatech precisa ser repensada porque se for assim em 2015, nem vou pensar em sair da minha casa.
    fica a dica de leitura. http://on.fb.me/1koYq4y

    abril 29th, 2014 - 11:31
    Christian Matsuy respondeu:

    @Eliane Lemos,

    Muito bem observado, eu me esqueci completamente de comentar a higiene e fila dos banheiros, chegue a ver fila de 50 metros ou mais! Sorte que não precisei usar.

    ps: encurtei o link que você postou para não tirar a diagramação do blog.

    Abraço,
    Christian

  4. JR quinta-feira, 1 de maio de 2014 em 02:51 -  Responder

    É… sinceramente quando fiquei sabendo que várias lojas não iriam, perdia a vontade de ir. A Reatech está virando uma feira de bancos e de carros. Também fiquei sabendo que um grupo gringo comprou a feira e inflacionou tanto que ficou inviável manter um stand. Quem acabou perdendo fomos nós. O capitalismo atropela a função social do evento. Não sou a favor de gratuidade também, contudo, é preciso estabelecer um preço justo em todos os sentidos pois estão achando que todo deficiente é rico

    maio 1st, 2014 - 10:54
    Christian Matsuy respondeu:

    @JR,

    Se eles cobrasem 10 reais por pessoa já estava de bom tamanho, o brasileiro paga 60 reais para visitar o salão do automóvel, salão das duas rodas entre outros, mas quer entrar de graça na Reatech… Acho quase impossível fornecer uma infra-estrutura de banheiros e alimentação em um evento grátis.

  5. Kiran Junqueira Oliveira quinta-feira, 8 de maio de 2014 em 14:08 -  Responder

    Boa tarde, Christian! Acompanho o “Mão na Roda” desde de janeiro do ano passado, quando comecei a minha saga como cadeirante e buscava (ainda busco) informações sobre cadeiras, adaptações e coisas do gênero… Mas tenho uma crítica a fazer: Por uma série de fatores, ainda não tive condições de comparecer à REATECH já que moro no interior de Minas Gerais. Mesmo não tendo ido à feira ainda, preciso dizer que vocês têm uma postura extremamente elitista. Quando JR diz no comentário anterior “estão achando que todo deficiente é rico” tenho que concordar! Não sei porque vocês insistem em discriminar as pessoas que não têm uma capacidade financeira como a sua, nos posts sobre turismo só falam de viagens à Europa e aos EUA e não avaliam a acessibilidade de áreas de lazer mais “populares”. Acho que vocês deveriam rever os seus conceitos.

    setembro 30th, 2014 - 18:03
    Christian Matsuy respondeu:

    @Kiran Junqueira Oliveira, POSTURA ELITISTA? Você leu o post?

    – Questionei o valor absurdo do estacionamento em um evento onde o foco é a mobilidade redizida;
    – Questionei a ausência de lojas e marcas para acirrar a concorrência;
    – Questionei o preço da alimentação existente na feira;
    – Questionei o valor absurdo de uma cadeira 100% nacional.

    E você vem me falar de postura elitista???
    Reveja VOCÊ seus conceitos e leia com mais atenção.

  6. Issamu Asso terça-feira, 10 de junho de 2014 em 23:54 -  Responder

    Boa noite.
    Acho pura exploração e vejo muita necessidade no alto preço de todo material para convalescente que vemos no mercado, seja de fabricação nacional, seja material importado, já passa da hora de uma petição em massa, pq uma cadeira de rodas ortomix, ortobrás, e outras marcas nacionais custar 7, 8 mil é mto roubalheira, esse preço para uma importada tb é roubo, ou uma motorizada custar qse 9 mil é outro roubo, não existe controle de preço teto, o fabricante põe 7, 8, 9 mil, vende ao preço que bem entender, outro exemplo ano passado apareceu no mercado um triciclo elétrico por 6 mil e alguma coisa, se não me engano em BH, esqueci o fabricante que não vem ao caso, e com o credito BB, o preço foi ajustado ao valor do financiamento para aquisição de cadeira de rodas motorizada, que é de 8 mil e alguma coisa, que mercado é esse ? Onde está o controle de preços, tds abusivos … sou a favor da petição, de um movimento nacional, reunirmos todos os conselhos, todas as associações do segmento, que acham ?
    Issamu Asso – Estado do Rio de Janeiro – Teresópolis.

  7. Cleide Shiroma segunda-feira, 3 de novembro de 2014 em 17:46 -  Responder

    Nao e um comentario que vou fazer. Estou precisando de uma cadeira para subir escada.E no Brasil encontrei uma que o preco e partir de R$ 27.000,00, sendo que nos EUA o preco e aproximadamente $ 2.000,00. Se voce tiver alguma informacao a respeito, agradeco. Att. Cleide

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