Parabéns? Não, obrigado.

Aposto minha cadeira de rodas que, se você é cadeirante e vai para a “balada”, alguém já te deu os parabéns simplesmente por estar ali.  Acho chato bagarai, levo numa boa, mas tenho que controlar um amigo (andante) que tem vontade de voar no pescoço das pessoas quando isso acontece. Dou alguma razão e ele,  pois cada “parabéns” que recebo na noitada pode ser traduzido como: “se eu fosse você, me mataria, mas parabéns por estar vivo e vir pra balada como se fosse uma pessoa normal”. Na verdade, o cara te acha um coitado. E pode parecer exagero, mas eu já ouvi essa frase muito parecida com essa. Na ocasião, quem teve que ser controlado para não dar uma cadeirada na canela do cara fui eu.

 

O autor, em um momento de extrema superação. Como foi difícil chegar ao bar e beber um chopp!
O autor, em um momento de extrema superação. Como foi difícil chegar ao bar e beber um chopp! Quantos likes merece esse guerreiro?

Essa coisa de valorizar qualquer coisa que os cadeirantes fazem, mesmo que sejam triviais para os próprios cadeirantes, só mostram o quanto o preconceito ainda é grande. Boa parte da população ainda acha que somos fracos, incapazes de seguir nossos sonhos, estudar, trabalhar, namorar  e até de fazer as coisas mais rotineiras do mundo. E aí ,qualquer ida à padaria sozinho ou mesmo o simples fato de dirigir já vira um grande exemplo de superação.

Não quero elogios nem parabéns por minha condição física. Quero ser valorizado sim, mas apenas quando eu merecer. Resumindo, se me encontrarem subindo a Vista Chinesa de handbike, aceito os parabéns pois subir aquilo ali no braço não é nem um pouco fácil.  Mas se me derem os parabéns na balada, protejam as canelas!

PS: Para ilustrar o post, vejam o vídeo abaixo e escutem a entonação do locutor com a ação mirabolante que realizo no final.

[youtube]http://youtu.be/VcWhby_s5wU[/youtube]

 

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Eduardo Camara

Se não está viajando, está pedalando. Muitas vezes, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

42 comentários em “Parabéns? Não, obrigado.

  • quinta-feira, 11 de setembro de 2014 em 22:24
    Permalink

    Show de bola! Penso exatamente assim, tomara que isso mude um dia…

    setembro 13th, 2014 - 10:34
    Eduardo Camara respondeu:

    @Bianca Souza Vasconcelos, Também torço pra isso!

    Resposta
  • quinta-feira, 11 de setembro de 2014 em 22:47
    Permalink

    Não vejo assim, acho que o parabéns é pela vontade de viver apesar dos pesares.
    Ps. Sou cadeirante tb.

    Resposta
  • quinta-feira, 11 de setembro de 2014 em 23:05
    Permalink

    Eu não aguento mais ser chamado de “guerreiro” e afins…

    setembro 13th, 2014 - 10:33
    Eduardo Camara respondeu:

    @Heitor, realmente, é ridículo!

    Resposta
  • quinta-feira, 11 de setembro de 2014 em 23:50
    Permalink

    Wall! Pega o elevador sozinho \O/

    Cara, a última vez q aconteceu isso comigo foi domingo passado 07/09… cara, parecia q a pessoa estava falando com um doente q estava acamado a anos! pqp véi!!!

    setembro 13th, 2014 - 10:34
    Eduardo Camara respondeu:

    @Bruno Souza, Hahaha! No meu trabalho, uma mulher tomou até susto quando me viu sozinho dentro do elevador. É surreal…

    Resposta
  • sexta-feira, 12 de setembro de 2014 em 12:10
    Permalink

    Caramba, vc pega o elevador sozinho? Incrível hahahahahaha
    Dado escrevi sobre o mesmo assunto há pouco tempo inspirado em um vídeo muito bom que vi no TED Talks.

    setembro 13th, 2014 - 10:32
    Eduardo Camara respondeu:

    @Ronald Andrade Filho, era o “Inspirational Porn”?

    Resposta
  • sexta-feira, 12 de setembro de 2014 em 22:30
    Permalink

    Um guerreiro vai escutar parabéns sempre, já que existem os não guerreiros. A vida é cheia de opostos

    setembro 21st, 2014 - 19:43
    Eduardo Camara respondeu:

    Valeu, Tio! Beijos pra vc!

    Resposta
  • sexta-feira, 12 de setembro de 2014 em 23:39
    Permalink

    Certíssimo, xará. Sou tetraplégico, uso cadeira motorizada e isso tudo também acontece comigo, não tanto na balada, mas, principalmente, no Fórum onde eu trabalho. Lido com atendimento ao público e nao é raro que muitas pessoas venham me parabenizar, dizendo que eu sou uma lição de vida, que me admiram muito etc. Como, em sua maioria, são pessoas idosas, humildes e de educação modesta, até já me acostumei e apenas sorrio. Não vale a pena explicar que eu trabalho para poder pagar as minhas contas. Um abraço.

    setembro 21st, 2014 - 19:27
    Eduardo Camara respondeu:

    Isso aí, Edu! As pessoas tem que passar a encarar com mais naturalidade! Abraços!

    Resposta
  • terça-feira, 16 de setembro de 2014 em 14:20
    Permalink

    Realmente, é ridículo isso! Talvez, se os parabéns não viessem com tanta ênfase ou assombro não incomodaria tanto…Ah, de qualquer forma, é uma m…com ou sem assombro! Não sei controlar a raiva nem disfarçar. Esses dias, uma amiga da minha mãe se admirou tanto por ver meu quarto todo arrumado por mim (se admirou não, se espantou) que ela fez um discurso tão longo com perguntas inconvenientes que me deu vontade de mandar a véa calar boca. Se deparar com gente superficial e vazia é a pior coisa que existe. Ainda me constrange muito esse tipo de coisa…

    setembro 21st, 2014 - 19:27
    Eduardo Camara respondeu:

    huahuahuahuahua! Ri muito, Lydia! Eu também fico super constrangido dependendo da situação.

    Resposta
  • terça-feira, 16 de setembro de 2014 em 14:49
    Permalink

    …O blog ficou bem legal com o novo visual.

    setembro 21st, 2014 - 19:28
    Eduardo Camara respondeu:

    Ah, obrigado! A gente ainda não finalizou tudo, mas vamos melhorando aos poucos 🙂

    Resposta
  • quarta-feira, 17 de setembro de 2014 em 14:02
    Permalink

    “Pega o elevador sozinho???” Não acredito que ouvi isso! Que absurdo! Qualquer criança ou deficiente mental pega um elevador sozinho. É realmente essa capacidade que o repórter tem a ressaltar? Tenho certeza que a independência deste rapaz, bem como de qualquer cadeirante vai muito além, mas muito, muito além mesmo. Namoro um cadeirante e todos os dias sou surpreendida, mas não por ele dirigir, trabalhar, fazer faculdade, cozinhar, morar sozinho, nada disso! Isso é comum, todos fazem! Sou surpreendida pela capacidade dele ser um humano, sensível, lindo, atencioso comigo e os outros, que demonstra seu carinho a cada dia, que me respeita, que me ama. Isso sim é raro de se encontrar e deveria ser com esse tipo de coisa que deveríamos nos surpreender nos dias de hoje.

    setembro 21st, 2014 - 19:29
    Eduardo Camara respondeu:

    Perfeito, Pricilla! O repórter que era realmente limitado. Tanta coisa pra falar e foi exaltar logo isso, né?

    Resposta
  • quinta-feira, 18 de setembro de 2014 em 14:35
    Permalink

    E as cadeirantes grávidas? Uso cadeira de rodas em determinadas situações (na gestação, por recomendação médica), e ouvia cada “elogio”…

    setembro 21st, 2014 - 19:30
    Eduardo Camara respondeu:

    Tinha uma conhecida cadeirante que dizia que, quando estava grávida, as pessoas perguntavam pra ela: “O que fizeram com você???”, como se tivesse sido violentada. E outras ainda diziam que ela era maluca… Vê se pode!

    Resposta
  • quarta-feira, 24 de setembro de 2014 em 16:46
    Permalink

    Excelente post Dado!! Penso exatamente igual você…eu saio muito aqui em Poços de Caldas, e são várias situações que alguém vem me “parabenizar”, tem que se segurar pra não ser mal educado.

    Abraços!

    setembro 25th, 2014 - 21:01
    Eduardo Camara respondeu:

    Edu, eu tb me seguro!!! Aguento numa boa os primeiros minutos. Depois deixo a pessoa falando sozinha ahahah! Abração!

    Resposta
  • quinta-feira, 25 de setembro de 2014 em 20:56
    Permalink

    Muito bom o post. Acrescentando, também tem aqueles comentários tipo assim: “Fulano(a) não anda, coitado… É tão bonito(a).
    Então pra sermos cadeirantes devemos ser feios?! hahaha

    setembro 25th, 2014 - 21:03
    Eduardo Camara respondeu:

    Hahahaha! Boa, Gleice! Mas olha, esse comentário aí eu não escuto não. Devo ser feio MESMO! ahahahahah!

    Resposta
  • sábado, 27 de setembro de 2014 em 20:28
    Permalink

    O jeito é ignorar e tentar relevar , existem pessoas que realmente cansam a gente com perguntas inoportunas , não consigo lidar com isso , nem por um segundo !

    Resposta
  • sábado, 27 de setembro de 2014 em 20:57
    Permalink

    Seria incrível um cadeirante ganhar parabém subindo a escada de santos kkkkkkkkk

    Resposta
  • quarta-feira, 1 de outubro de 2014 em 18:24
    Permalink

    Não sou cadeirante, uso bengalas e confesso que também me irrito demais com esses parabéns pelo simples fato de vivermos e pasmem sermos felizes. Mas certa vez ouvi de um orientador a seguinte frase: “Ana todos nós temos limitações, a diferença é que a sua é mais aparente.”. Isso me fez entender um pouco melhor esses parabéns que recebemos. Talvez a pessoa pense: caramba eu não conseguiria……

    Resposta
  • quinta-feira, 2 de outubro de 2014 em 00:28
    Permalink

    Depois que uma senhora me ofereceu esmola durante uma Missa, eu espero de tudo. Nas baladas, devo ouvir esse famigerado “parabéns” umas 10 vezes a cada balada que eu vou. Pessoas param na rua para me ver guardar a cadeira no carro e sair dirigindo… enfim, QUE SACO!!! E, perdoem-me pelos termos chulos, mas “pega o elevador sozinho” de cu é rola. Que repórter paspalho.

    Resposta
  • terça-feira, 14 de outubro de 2014 em 22:49
    Permalink

    Olá pessoal do Mão!!
    Olá Dado!
    Muito tempo que não passo por aqui, mas preciso dizer que o post tá showww! Traduziu tudo! Não é preciso dizer mais nada….
    Ahhhh! Vc entra sozinho no elevador??? Não…… rsrsrs
    Po… até euzinha! 🙂

    Resposta
  • segunda-feira, 10 de novembro de 2014 em 10:59
    Permalink

    Nossa, você disse tudo! Sempre que alguem chama meu marido de guerreiro só por estar passando na rua, eu penso exatamente isso. Guerreiro por que? Pq ele não se matou? Pq não está em casa deprimido? E quando olham pra nós dois com aquela cara de “ohhhhh o cadeirante namora…que fofo!” Putzz…

    Resposta
  • segunda-feira, 24 de novembro de 2014 em 17:25
    Permalink

    Eduardo, concordo que o espanto do seu xará (Eduardo Elias, FOX Sports) foi uma ênfase desnecessária que a matéria resolveu dar ao fato de você ser cadeirante. Por outro lado, não acho que isso seja o fim do mundo. Afinal, se a Fox Sports está te dando visibilidade e, por extensão a todos nós cadeirantes ativos, discordo da sua atitude de crítica ao repórter pois sinceramente, é a primeira vez que te vejo num programa de TV que não seja o “Programa Especial” (Título horrível, por sinal) da TV Cultura.

    Resposta
  • sábado, 6 de dezembro de 2014 em 15:59
    Permalink

    Não me importo, juro que não me importo. E se pararmos de nos importarmos, certamente teremos uma vida melhor e sem rusgas… nem rugas

    Resposta
  • terça-feira, 20 de janeiro de 2015 em 00:02
    Permalink

    Odeio quando me convidam e dizem com espanto: “Que bom que vc veio”!!!

    Resposta
  • sexta-feira, 30 de janeiro de 2015 em 11:41
    Permalink

    Olá Eduardo. Parabéns pelo post. Estudo design de interiores e meu TCC é sobre acessibilidade nas casas noturnas da minha cidade em SP. Mas o estudo envolve o Brasil inteiro… Você poderia me passar seu email e me falar um pouquinho sobre as baladas ai do Rio? Tem alguma que seja totalmente acessível?
    Obrigada desde já.

    Resposta
  • quinta-feira, 19 de março de 2015 em 15:19
    Permalink

    Oi Eduardo, gostei do que comentou aqui, também me sinto assim… Parece que você é um ser estranho que está tentando viver… Uma vez fui ao Rio de Janeiro em um ponto turístico o Pão de Açúcar, estávamos esperando uma condução e notei um homem me olhando muito, ele se aproximou e disse: – Vamos rezar o pai nosso! E começou, eu fiquei quieta e constrangida… Caramba, como é chato isso! Creio em Deus e tenho minha fé, mas esse tipo de abordagem é um horror… Parece que você está precisando urgente de oração, que você é um coitado e precisa muito de ajuda para não sofrer tanto rsrssrsrrs…. Fora outras coisas parecidas com essa que já passei! Enfim, as pessoas não entendem que apenas temos um defeito físico, o resto tá tudo ok. E que esse defeito físico não nos impede de sermos gente como eles são. Acho que falei demais….
    Grande abraço,

    Resposta
  • terça-feira, 12 de maio de 2015 em 00:42
    Permalink

    Exatamente!!
    Muito bom teu blog, continue a escrever!

    Resposta
  • quinta-feira, 20 de agosto de 2015 em 01:38
    Permalink

    As pessoas que acham cadeirantes coitadinhos, realmente não têm contato com cadeirantes, muito disso se deve ao fato de que noso país e grande parte do mundo tem muita dificuldade de locomoção, muitas barreiras. Se elas bem soubessem nem ficariam enchendo o saco do povo na rua, tem gente que bajula demais e tem gente que desrespeita totalmente. Nem tanto nem tão pouco, né?! Na hora que a pessoa vai atravessando a rua quando consegue uma chance chega um ou uma fi da pu… e atravessa na tua frente impedindo que tu avance e se tua acerta o calcanhar ou a canela desse tipo de gente sem educação ainda te olham de cara feia como se achasse que você tem inveja porque a pessoa está andando e você não. Já pensou? Quando lembro me encho de raiva aff. Tem aqueles que querem ser “salvos” o mais rápido possível, então, pensam que ajudando um rélis mortal ganha 1 ponto, mulher grávida 2 pontos, um idoso 3 pontos e um deficiente seja lá qual for a deficiência é o topo dos pontos, o que faltava para torná-los anjos, aí, sem perguntar nada agarram tua cadeira e empurram para subir a calçada, mas você tinha acabado de descer depois de 5 minutos tentando, dá vontade de mandar tomar…

    Não, não sou cadeirante, meu irmão mais velho era portador de distrofia muscular progressiva duchen, para ele descer de uma calçada baixinha, mesmo com rampa, era uma missão quase impossível, e sim, ele levou 5 minutos para descer da calçada e alguma alma boa (mas sem o mínimo senso) sem perguntar nada subiu a cadeira de volta e simplesmente foi embora, disse alguma coisa como um fique com Deus ou algo assim. É como um assaltante pular em você pelas costas e pegar tua mochila, você nem tem tempo de ver a cara do cidadão direito e ele já se foi.

    Já meu marido, quem lesou a medula em agosto de 199 quando ele tinha 22 anos (T12, L1 e L2, eu já o conheci assim) vive indo para baladas, noitadas e coisa e tal, viagens e em muitas viagens que faz sozinho encontra pessoas com pena dele, na Argentina, por exemplo, fomos comemorar 9 anos de casados, e depois eu voltaria e ele ficaria só lá (plano dele), quando estava andando comigo tava não se sujava porque nem sequer tocava nas rodas, dizendo que tenho que fazer exercício, só se a ladeira for íngrime é que ele ajuda. Mas sozinho alguém o viu na rua, camisa suja de limpar as mãos nela e suado de tanto ir pra lá e pra cá, e pessoa teve pena e deu o equivalente a 10 reais de esmola. Afff. Ainda bem que ele parou de beber (ou pelo menos na minha frente tá com mais de 2 anos) porque já ia dá pra comprar umas latas de cerveja e beber sozinho se tornando vulnerável aos ladrões… Aproveito para avisar, que ladrão não tem pena de deficiente bêbado, roubam até a cadeira de rodas. O melhor mesmo é que ninguém beba bebidas alcóolicas, mas se for beber, ou beba em casa ou em grupos onde alguém não bebe, pois a maioria dos cadeirantes são muito chatos quando estão bêbados, sinceramente. Bem, é isso, já me alonguei demias. Um abraço e fiquemos com Deus.

    Resposta
  • quarta-feira, 9 de dezembro de 2015 em 03:25
    Permalink

    E parabéns pelo sorriso? Sim, tipo, olha eu quero lhe parabenizar por estar aí, leia-se “lascado” e ter esse sorriso tão bonito, enquanto outras pessoas bla, bla, bla.

    Resposta
  • segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016 em 18:39
    Permalink

    Pior que isso eu acho que é só quando as pessoas parabenizam meu marido ou algum amigo que está comigo, do tipo: “parabéns por se relacionar/interagir com essa coitada. Deve ser muito difícil pra vc ter que desviar pela rampa quando está com ela né?!” Sério gente, não dá….

    Resposta

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