Reatech 2017

 

Eu não ia à Reatech desde 2013! Na ocasião fizemos uma cobertura bem legal da feira, incluindo chat ao vivo mostrando as novidades. Pulei 2014 e 2015 (soube que foi ruim) e como a feira passou a ser bienal, resolvi dar uma nova chance esse ano. Não me arrependi!

O endereço é o mesmo, mas o centro de convenções São Paulo Expo passou por uma reforma tão grande que nem reconheci o lugar. O estacionamento está maior, tem ar condicionado, acabaram com o maldito carpete e também há banheiros muuuito melhores e limpinhos. Quem se inscreveu pela Internet pode imprimir o crachá em um quiosque de autoatendimento, o que diminuiu filas e agilizou a entrada. A única coisa que não melhorou em nada foi a praça de alimentação, onde tinha água custando R$ 10 e lanchinho básico a preço de boa refeição. Conselho: leve sua comida e bebida!

Se nos últimos anos marcas importantes não estavam por lá, nesse estava praticamente todo mundo: Cavenaghi, Jumper, Kit LivreMobility Brasil, Smart e algumas outras revendas. Claro que também tínhamos os já tradicionais stands de montadoras de automóveis, pista de teste-drive, quadra poliesportiva, associações etc, mas vou me concentrar nas cadeiras e acessórios, que são o meu foco!

Cavenaghi:

Sem dúvida o maior stand da feira. Gigantesco, zilhões de vendedores, muita coisa de adaptação de carro, mas poucas novidades em cadeiras e acessórios. O mais inovador, na minha opinião, foi a Ford Ecosport com rampa traseira e piso baixo que permite entrar no carro e dirigí-lo a partir da própria cadeira! Essa adaptação é relativamente comum no exterior, mas foi a primeira vez que vi aqui no Brasil. Sensacional! O preço é alto (R$ 44 mil + o preço do carro) como quase tudo na feira, mas proporciona uma baita independência para algumas pessoas e fico feliz por mais essa opção no mercado. Além da Ecosport, também estava no stand a Chevrolet Spin de piso baixo com embarque traseiro já mostrada em 2013, elevador hidráulico para facilitar a colocação de cadeira motorizada na mala e uma série de comandos manuais e adaptações para direção.

 

Já na parte das cadeiras, pouca novidade. A única coisa mais exclusiva eram as cadeiras da Top End, mas infelizmente estavam largadas em um canto sem a atenção merecida.

Jumper Equipamentos:

Criança vestida de capitão américa utilizando a Parapodium
Capitão América curtindo a Parapodium da Jumper

O stand mais colorido da feira destacava as maravilhosas cadeiras infantis produzidas pela Jumper. Altamente customizadas, tinha cadeira de princesa, capitão américa, incrível Hulk e outros heróis. Claro que também não faltaram as cadeiras de hardcore sitting e para uso diário, mas eu – talvez pela idade avançada – acho as cadeiras adultas da Jumper um pouco espalhafatosas. Entre os mais jovens, elas são um sucesso! Independente disso, tenho que reconhecer que o acabamento das cadeiras melhorou um bocado de uns anos pra cá. Ponto pra Jumper!

Mas o que prendeu minha atenção no stand da fábrica de Rio Claro foram duas novidades: a Parapodium, uma cadeira que permite as crianças a circular em pé, e a cadeira feita para prática de Crossfit!

Cadeira para crossfit da Jumper
Pronta para encarar um crossfit!

A Parapodium é uma cadeira projetada para crianças de até 1,30m que permite que elas fiquem em pé e se movimentem ao mesmo tempo. Muito mais legal do que as tábuas ortostáticas, ainda mais para os inquietos. Pena não ter uma para pessoas mais altas!

Já a cadeira de crossfit, é um projeto específico da Jumper para os praticantes do esporte e eventuais malhadores. A cadeira conta com uma base alongada e rodas anti-tombo para que o cadeirante não capote para frente nem para trás ao levantar pesos. Há ainda tubos especialmente desenhados para apoiar as mãos e ajudar na prática dos exercícios. Quem já malhou usando uma cadeira normal sabe como é difícil manter o equilíbrio e não tombar, mas fiz um pequeno teste na cadeira e ela realmente é fantástica! Me senti totalmente estável e confortável! A cadeira é totalmente personalizável e construída para cada indivíduo.

Kit Livre:

Conheci a empresa logo após o lançamento através dos meus amigos de São José dos Campos e de cara me entusiasmei! Projeto e fabricação nacionais, preços relativamente acessíveis e mais uma opção que dá autonomia para cadeirantes, principalmente os que estão em cidades menores. Fiquei com pena quando os simpáticos gêmeos que fundaram a empresa não conseguiram o investimento no Shark Tank e torci muito para a empresa dar certo. E pelo jeito está dando!

Stand da Kit Livre na Reatech 2017
Movimentado e animado, esse era o stand da Kit Livre

Além de ter um dos stands mais animados e movimentados da feira, a Kit Livre expandiu a gama de produtos e levou diversas opções para a Reatech. Os kits variam mesmo é nas opções de motor, que vão de 350 a 1500W. Todos são elétricos, muito silenciosos e funcionam super bem! Testei o de 1000W com meu amigo Frediano (que é garoto propaganda da marca) e foi ALUCINANTE! O treco simplesmente VOA, e no estacionamento da Reatech chegamos a 34Km/h. É muuuito rápido e fiquei imaginando como não anda o de 1500W, mas achei melhor não desafiar a morte, ehehehe! E apesar do motor muito forte, os comandos são bem fáceis de usar e dá para controlar bem a velocidade. Prova disso é que até chegar ao estacionamento circulamos pela feira lotada sem esbarrar em ninguém.

O pprojeto todo é muito acertado, fácil de tirar e colocar da cadeira e definitivamente recomendado para quem mora no interior ou em lugares pouco acessíveis! Ah, eles tinham até um modelo adaptado para tetras. Os kits para transformar a cadeira em triciclo estavam em todos os cantos da feira, e o Kit Livre sem dúvida é uma das melhores opções.

Mobility Brasil:

Com a promessa de sempre trazer novidades, a Mobility apresentou alguns equipamentos exclusivos e muito interessantes na Reatech. O mais impressionante de todos era a cadeira de banho portátil (veja o vídeo!) com rodas grandes e capaz de circular pelo corredor estreito de aviões. Monta e desmonta num piscar de olhos e serve tanto como cadeira normal como cadeira de banho.

Spinergy ZX1
O ZX1 se acopla à cadeira manual e a transforma em uma motorizada
Cadeira de rodas motorizada portátil
A cadeira sendo levantada é uma motorizada com peso de manual

Outro destaque da Mobility era o Spinergy ZX1, que permite transformar uma cadeira manual em cadeira motorizada em poucos instantes, com direito a joystick e tudo, só que bem mais leve e prático do que uma motorizada. Pra quem viaja muito ou quer uma motorizada apenas em algumas situações, é uma ótima opção! Aliás, na linha das motorizadas a Mobility também trouxe uma cadeira levíssima e portátil, que pesa 25Kg – quase o mesmo de algumas cadeiras manuais mais pesadas.

E se a Mobility fez fama com a representação das cadeiras da TiLite (sou fã da marca!), nesse ano foi a vez de dar chance às cadeiras importadas da americana Ki Mobility, da sueca Panthera e da canadense Motion Composites.

No caso da Panthera, a novidade foi o modelo U3. Feita em aço cromo-molibdênio, é a prima pobre da Panthera X, feita em fibra de carbono. Mas não se engane! A U3 é levíssima e rivaliza em peso com as TiLite mais leves, além de permitir uma série de ajustes que a Panthera X não permite. Me pareceu uma cadeira muito boa (não testei) e só o  design me desagrada,  pois é um pouco antiquado.

Cadeira de Rodas Veloce da Motion Composites
A Veloce é feita em fibra de carbono, fecha em X e pesa apenas 8,5Kg com as rodas

Outra novidade foi a cadeira Veloce fabricada pela canadense Motion Composites. É uma cadeira que fecha em X, feita em fibra de carbono, e o material permitiu que ela pese 8,5Kg em sua configuração padrão, já com as rodas traseiras. É, provavelmente, a cadeira dobrável mais leve do mundo! O acabamento é muito bom e a cadeira é uma ótima opção para quem quer leveza mas não quer uma monobloco.

 

Já as cadeira da Ki Mobility estavam muito bonitas, tanto a Rogue quanto a Rogue ALX. E não fiquei impressionado apenas pela “boniteza” não, mas também pela leveza, acabamento e construção das peças, que estavam muito bem acabadas. A Rogue ALX, por exemplo, tem barra de dobrar o encosto semelhante à da TiLite, e estava sendo vendida na feira por R$ 5.800, já com alguns acessórios. De quebra, há ainda um sistema interessante que permite regular a profundidade do quadro. Na minha opinião, era o melhor custo/benefício da feira em termos de cadeira manual, desbancando a Ottobock Ventus  e as cadeiras da Smart.

Detalhe dos ajustes e acabamento da cadeira de rodas Rogue
Detalhe do ótimo acabamento e dos ajustes da Rogue, fabricada pela Ki Mobility

Smart:

Quem tem tempo de cadeira já ouviu falar da Tokleve, e é impossível dissociá-la da mais nova fabricante de cadeiras do Brasil, a Smart Cadeiras de Rodas. Quem está por trás da Smart é o simpático Paulinho, ex-Tokleve, uma pessoa que conhece profundamente cadeiras de rodas e o mercado de reabilitação no Brasil. O ponto negativo fica por conta dos problemas de qualidade e entrega da época da Tokleve, que deixaram muita gente chateada na década passada.

A Smart é uma opção para quem quer pagar menos e ter uma cadeira bonita, feita sob medida. O encosto e assento rígidos – opcionais – são bem acabados e leves. O projeto é simples, mas visualmente bastante agradável! Dá para comparar com as cadeiras importadas? Não. Se você olhar com mais cuidado, verá algumas falhas de acabamento como peças anodizadas em tons diferentes e falhas na pintura, algo que não ocorre nas cadeiras da Ki Mobility. Não sei avaliar a resistência, e gostaria muito de ouvir os relatos do pessoal que usa Smart!

A grande novidade do stand era a SmartTi One, com quadro feito em titânio e importado dos EUA. Segundo o Paulinho, o projeto é da própria Smart, mas a fabricação é americana. O quadro é lindo, bem acabado e muito parecido com o da TiLite. O assento e o encosto rígido são bem legais, mas alguns pontos deixam um pouco a desejar. E foi justamente na SmartTi One que percebi um garfo desalinhado – descuido na montagem segundo a vendedora – que foi uma baita bola fora para o que deveria ser um dos principais produtos do stand. A cadeira é fabricada sob medida, e tanto o peso quanto o preço rivalizam com o da TiLite ZRA, também em titânio, o que dificulta as coisas para a cadeira da Smart. Entre o certo (TiLite) e o duvidoso (Smart) pelo mesmo peso e preço, fico com o primeiro.

Cadeira de Rodas SmartTi One
A SmartTi One foi a principal novidade no stand da Smart

 

Onde encontrar:

Cavenaghi – http://cavenaghi.com.br/

Jumper Equipamentos – http://jumperequipamentos.com.br/

Kit Livre – http://kitlivre.com

Mobility Brazil – http://www.mobilitybrasil.com.br/

Smart Cadeira de Rodas – http://smartcr.com.br/

 

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Eduardo Camara

Se não está viajando, está pedalando. Muitas vezes, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

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