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Passeata Superação Rio 2010

Eduardo Camara - quarta-feira, 15 de setembro de 2010 - 09:31

Nesse domingo, dia 19 de setembro, rola a 3a edição da passeata do Movimento Superação – Rio, em Copacabana. Na última edição foram 40 mil pessoas e a expectativa desse ano é novamente de um grande público. A concentração começa às 08:30h, em frente ao hotel Othon, no Posto 5, e às 10h a galera sairá atrás de um trio elétrico rumo ao Posto 2.

Vai rolar muita música, gente maneira e é uma grande chance de mostrar para todos que nós – pessoas com deficiência – existimos e somos muitos!

E se você mora longe e não tem como ir, se liga nessa: o Washington, da Lince Transportes, tem uma van adaptada e está oferecendo transporte de graça para cadeirantes que queiram ir à passeata.  A van tem espaço para 3 cadeirantes e 4 acompanhantes. Como Ele é da região de Duque de Caxias  / Xerem, a preferência é para quem more perto de lá ou no caminho para a Zona Sul. Quem estiver interessado, entrar em contato direto com o Washington pelo tel (21) 8881-8934. Bela iniciativa!

Não deixem de comparecer, hein galera? A gente vai estar por lá!

Quando: 19/09/2010 – 08:30h
Onde: Posto 5 de Copacabana (estação Cantagalo do metrô)
Mais informações: www.novoser.org.br

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Sorteio do livro “Na minha cadeira ou na tua”

Eduardo Camara - quinta-feira, 9 de setembro de 2010 - 11:04

Se você ainda não leu o (ótimo) livro da Juliana Carvalho, “Na minha cadeira ou na tua”, taí uma oportunidade de ganhar um de graça e ainda por cima entregue na sua casa! O Mão na Roda está organizando um sorteio e para concorrer basta preencher o formulário que está no final do post e clicar em “Enviar”.

O livro conta a história de Juliana desde a sua infância e mostra como a autora se tornou cadeirante e também detalhes da sua fase de reabilitação, passando pelas dúvidas comuns, problemas de aceitação, a redescoberta do corpo e do sexo, sem rodeios. A narrativa é regada com o humor sarcástico que os leitores do blog Comédias da Vida Aleijada já conhecem bem. Leitura obrigatória para cadeirantes ou não, aproveite essa oportunidade para ganhar o livro!

As inscrições podem ser feitas até o dia 19/09 e cada um receberá um número para concorrer. O vencedor será escolhido com base no sorteio da loteria federal do dia 22/09 e receberá o livro em casa sem custo algum. Para completar, o exemplar está autografado pela autora e tem até dedicatória para você, leitor do Mão na Roda ;-)

* Inscrições encerradas *
Vejam aqui a lista de inscritos

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Duas novidades

Eduardo Camara - segunda-feira, 6 de setembro de 2010 - 17:01

Quem é mais atento já deve ter notado as duas novidades que apareceram na coluna esquerda do blog. Uma é que agora estamos no Facebook, mais um canal para divulgarmos as novidades colocadas no blog. Seja fã da página e receba no seu mural as nossas atualizações. Aproveite para indicar o blog para seus amigos e compartilhe os links que colocaremos por lá!

A outra grande novidade é que nosso amigo e colaborador de longa data, Christian Matsuy, agora faz parte do time de autores fixos do blog. Christian já vinha colaborando um bocado com o blog, principalmente nos posts sobre equipamentos, assunto em que é expert. Dêem as boas-vindas ao Christian e cobrem dele um montão de posts! :)

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Mundial de handbike do Canadá

Eduardo Camara - quinta-feira, 2 de setembro de 2010 - 13:15

Estou com uma semana atrasado, mas deem um desconto. A viagem foi muito corrida e cansativa. Gastei 36h desde a saída de casa no Rio até a chegada no hotel do Canadá. Foram 4 voos (um deles em um teco-teco de 26 lugares), horas e horas de aeroporto e mais um monte de estrada dentro de uma van. O hotel em que nos hospedamos ficava a mais de 100Km (!!!) de distância do local da prova, pois todos os outros que eram mais perto estavam lotados. Muito cansativo e um verdadeiro inferno ter que gastar 2h30m todo dia só nas idas e vindas.

A população compareceu em massa!

A cidadezinha do campeonato, Baie-Comeau, é uma vila no meio do nada. O lugar é bonitinho? É sim, mas não tinha estrutura para receber tanta gente. O centro da cidade é uma rua de 300m de comprimento. Literalmente. Mas claro que isso também tem os pontos positivos. Como não há nada para se fazer na cidade, a população inteira (pouco mais de 20 mil habitantes) foi prestigiar a prova. Beeeeem legal!

Eu e Aranha babando uma Carbonbike - handbike que chega a pesar 9Kg

Chegamos no hotel terça-feira à noite e desabamos na cama. No outro dia, já estávamos de pé às 7h para “viajar”  de carro até Baie-Comeau e começar os preparativos. Passei por um classificação funcional onde uma equipe avalia minha capacidade física e atribui uma pontuação. De acordo com essa pontuação, sou alocado em uma determinada categoria. Sem surpresas, caio na categoria H2, como esperado. O Aranha não teve a mesma sorte. Devido à uma regra nova, acabou sendo alocado na categoria H4 e tinha que correr em uma bike de ajoelhar, que ele nem mesmo tem. O resultado foi que ele pode correr apenas a prova de contra-relógio e mesmo assim sem registro de tempo. Foi uma sacanagem sem tamanho e vou escrever mais sobre isso no blog da handbike para quem quiser entender melhor como funciona a classificação funcional…

A equipe da Holanda tinha uma estrutura de cair o queixo. As handbikes não ficavam atrás...

Logo depois da classificação funcional fomos buscar nossas malas – que não cabiam no teco-teco e vieram de caminhão – e bikes. A cidade já estava lotada de atletas de todas as categorias. Centenas de handbikes, tandems e bikes convencionais circulando. Aí caiu a ficha de que estava no campeonato mundial, junto com os melhores atletas do mundo. Sensacional!!!

Hora de montar e regular as hands. Acabamos demorando mais do que o previsto e o resultado foi que não consegui fazer a volta de reconhecimento no percurso. Andei apenas os 3 primeiros quilômetros e só descobri os outros 8 no dia seguinte, já durante a prova.

Eu na largada da prova de contra-relógio

Na quinta-feira, dia 19/08, rolou a prova de contra-relógio individual, onde cada um larga separado e deve fazer o circuito no menor tempo possível. Eram apenas 11,4Km, moleza para quem treina 50 por dia, mas tinha um pequeno detalhe: duas subidas com inclinação de 12% e cerca de 500m cada. Destruidoras. Nunca senti tanta dor na vida e juro que pensei em desistir da carreira de ciclista por ali. Para quem está acostumado com os trechos planos do Rio, aquilo foi um verdadeiro suplício… E para completar, ainda tive problemas com a bicicleta na subida. Minha corrente caiu e daí demorei mais de um minuto recolocando-a no lugar. Depois da subidaona, uma descida vertiginosa onde a bike chegava a 65Km/h sem pedalar. Desci travado e no final, não podia ser muito diferente: cheguei em último.

Fernando Aranha e Eduardo Camara na largada da prova de contra-relógio

Não me abalei pois era disparado o menos experiente de todos os corredores. Dez meses de treinamento intenso aqui no Brasil valem muito, mas não dá para comparar com a galera dos outros países, principalmente da Europa, que já corre há anos. E vários dos atletas vieram de outros esportes, como a corrida em cadeira de rodas. O desafio era mesmo correr contra mim mesmo e dar o meu melhor.

Tentei descansar na sexta-feira, mas não deu. Mais acertos na bike para que a corrente não caísse e também aproveitei para ver as outras corridas. Foi um barato assistir os tops do mundo no paraciclismo e ver o Brasil ganhando a primeira medalha – de bronze – na prova de contra-relógio da categoria C5 com Lauro Chaman. O desempenho dos atletas brasileiros foi muito bom e na categoria C5 o Brasil fechou o pódio na prova de estrada que rolou no domingo, algo que só outro país conseguiu fazer (Suiça na prova de estrada da categoria H2).  Se considerarmos a diferença de estrutura da equipe do Brasil para a dos outros países e a falta de incentivo ao esporte que temos por aqui, o mérito é ainda maior. Para terem uma idéia, nossa delegação tinha 10 atletas e apenas mais dois grandes caras (Romolo Lazzaretti e Cláudio Civatti) que se desdobraram o tempo todo fazendo papel de chefe de delegação, técnico, motorista, mecânico e o que precisasse. Tiro o chapéu para os dois!

Momento de descontração

No sábado, almocei cedo – a comida era pior do que a do bandejão da faculdade – e tentei me concentrar para corrida de estrada, que começava às 13:30. Nessa corrida, todos largam juntos e ganha quem chegar primeiro. Eu, nervoso, só pensava em ter que encarar o “himalaia” canadense 4x! Mas foi só alinhar na largada que fui tomado duma sensação muito boa. Estava ali, lado a lado com todos os outros competidores sinistros que eu só conhecia por fotos, vídeos e Internet. Os caras são muito fera e  é claro que só os vi quando alinhamos para largar :-)

Dada a largada, consegui acompanhar o bloco principal por 1 Km, até chegar a primeira subida. Meu coração estava a 188 BPM (marca nunca atingida antes) e tive que diminuir um pouco o passo para não correr o risco de deixar a Bibinha viúva. De lá, fui só seguindo um australiano que estava uma centena de metros na minha frente. Cheguei a perder o tal australiano de vista, mas o encontrei novamente quando cheguei à base do Everest. Joel Jeannot (francês) e Vicco Meklein (alemão), respectivamente primeiro e terceiro lugares da categoria H3, me incentivavam com “allez! allez!” e “go! go! go!” enquanto eu botava os bofes para fora e me arrependia de ter nascido. Ver dois caras como eles torcendo por mim me empolgou e a subida ficou até mais fácil… Demais!

Sandro Fernandes e Paulo Cardoso - Categoria Tandem

Vencida minha primeira batalha contra o morrão, desci com mais confiança do que no primeiro dia e  fui junto com o australiano. O passei no final da descida e já não era mais o último. Enquanto caminhava para terminar a primeira volta, Jean-Marc Berset, da Suiça, estava passando no sentido oposto do circuito, provavelmente uns 10 minutos à minha frente. O cara, aos 50 anos, já tinha sido o campeão da prova de quinta-feira e caminhava sozinho para ganhar mais outra. Impressionante! Logo atrás estava Heinz Frei, outra lenda do esporte paraolímpico e com quem tirei até uma foto de tiete depois da prova.

Passei pelo pórtico completando a primeira volta enquanto a multidão fazia barulho. Definitivamente, a grande vantagem de ter corrido numa cidade pequena como Baie-Comeau. Todos os moradores vão para as ruas com sinetas, panelas, cornetas, bandeiras e tudo mais. A cada metro tem um doido gritando “allez!”, “go!”, “keep pushing!” e  outros clássicos do incentivo. E não é que funciona? Estimulado e conhecendo melhor o trajeto, encontrei meu ritmo e venci com mais tranquilidade as ladeiras que ficam no centro da cidade. Continuei mantendo o passo e, se não via o próximo competidor à frente, também não via o australiano pelo retrovisor. Me aproximei novamente dos Pirineus de Baie-Comeau e o sol estava forte, com a temperatura beirando os 30 graus. Suando em bicas, a 8Km/h, comecei a escalar a primeira parte da ladeirona pensando apenas que depois daquela ainda faltavam mais duas voltas. Será que ia aguentar? Nunca saberei… Pouco depois de chegar ao platô que fica após a primeira subida, meu pneu saiu do aro e esvaziou (descobri depois que foi culpa do mecânico que o montou no Rio). :-(

Fui para o canto da pista e um carro da organização parou. De dentro saltou uma médica que perguntou o que houve e se eu estava bem. Falei que

Heinz Frei, lenda do esporte paraolímpico, e eu

era só um pneu murcho, ela chamou o carro de apoio mecânico e se certificou de que estava bem hidratado antes de seguir. Esperei uns bons minutos pelo carro da Shimano (fábrica de peças de bicicleta). Enquanto isso, fiquei assistindo a prova de um local privilegiado e vi Berset – o suiço voador – passar. Logo depois veio o Frei e mais outro suiço. As posições ficaram assim até o fim da prova, mostrando como o país dos famosos relógios domina as provas de handbike na categoria H2. O carro de apoio mecânico chegou e foi só confusão. Trocaram minha roda por uma de 10 velocidades e na pressa fizeram alguma besteira que desregulou meu passador e impediu a troca das marchas. Na confusão, ainda perderam uma sapata do meu freio. Não teve jeito e tive que abandonar a prova. Ainda esperei por um terceiro carro que “reboca” os quebrados até o centro da cidade. Dois canadenses gente fina e com um cecê do cão me carregaram pra dentro de um Jeep e fui de carona até o local da largada. No caminho, fui pensando em como a experiência de correr essas provas foi válida.

A delegação brasileira no Canadá - João, Soelito e Lauro (categoria C5), uniformizados, ganharam medalhas de bronze, ouro e prata, respectivamente. Orgulho para o Brasil!

Quando cheguei em Baie-Comeau, achei que estava como aquele africano que foi competir nas olimpíadas e quase morreu afogado na prova de natação pois não sabia nadar. Agora, tenho consciência de que não estou tão mal assim. Sei que ainda posso melhorar muito e a experiência que trouxe fica comigo até o fim da minha vida. Me aguardem! Não, melhor, não me aguardem não, que eu vou buscar :-)

Vale a pena ver o vídeo feito pela organização do campeonato. Dá para sentir o gostinho de como foi competir por lá!

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Como importar uma cadeira de rodas – Viajando

Eduardo Camara - segunda-feira, 2 de agosto de 2010 - 12:59

Agora ficou mais fácil importar uma cadeira como a TiLite ZRA-2 da foto

Ontem li uma notícia que deu aquele peteleco que faltava para escrever esse post. E é uma notícia BOA para todos nós: a partir de 1 de outubro de 2010, cadeiras de rodas, muletas e andadores passam a ser considerados bens de uso pessoal e podemos trazê-los quando viajamos sem pagar imposto algum! Na onda, também foram liberados de impostos os celulares, relógios e câmeras fotográficas.

A notícia foi divulgada em grandes portais da Internet, como a Folha de São Paulo e  o G1.

Apenas lembrando que, para não pagar o imposto, a pessoa tem que trazer a cadeira como bagagem acompanhada. Isto é: não dá para comprar na Internet e mandar entregar no Brasil. Tem que ir lá pessoalmente buscar e voltar com ela. Claro que continua saindo um pouco caro porque você vai ter que comprar as passagens aéreas, reservar hotel e tal, mas sem dúvida sai mais barato do que comprar uma importada aqui. Quer ver? Então, vamos fazer umas contas:

TiLite ZRA básica no Brasil: R$ 10 mil (aproximado)

Tilite ZRA básica nos EUA (Sportaid.com): U$ 1.895,00
Pacote aéreo de 4 noites em Miami: U$ 1.500,00 (aproximado)
Cotação do dólar: R$ 1,80
Total: U$ 3.461,00 * 1,80 = R$ 6.229,80

Ou seja, dá para fazer um passeio em Miami, comprar uma cadeira que bota as nacionais no chinelo e ainda sobram quase 4 mil reais em relação ao preço de uma importada aqui por essas bandas.

Minha sugestão? Junte um dinheirinho a mais, planeje aquela viagem e volte com uma cadeira turbinada! Mas antes, não se esqueça de pegar as dicas de viagem e medidas da cadeira aqui no blog e trocar uma idéia em nossa comunidade do Orkut.

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Em busca de um espaço

Eduardo Camara - sexta-feira, 23 de julho de 2010 - 14:34

Já tinha 9 anos desde minha lesão quando resolvi partir de vez em busca de um apê. A relação sempre foi de total liberdade na casa dos meus pais, mas sentia falta de um espaço só meu. Era bastante independente, tinha acabado de sair de um relacionamento de quase 3 anos, trocado de emprego e estava querendo dar uma sacodida na vida. Comecei a looooonga procura por um apê e como ela foi desgastante! Já tinha juntado uma grana, mas teria que vender minha alma -que não vale muito – ao diabo e ainda aplicar a merreca na bolsa para conseguir dar entrada em um cafofo aqui no Rio. Para quem não sabe, o metro quadrado da cidade maravilhosa é caríssimo! O preço de um quarto e sala na zona sul do Rio é mais ou menos o de um 3 quartos em um bom bairro de Curitiba, por exemplo. Solução: aluguel!

Claro que alugar também não era barato, mas fiz as contas e dava para pagar o aluguel e ainda sobrava um troco. Mas e para achar o apartamento? Tudo bem que restringi um bocado as minhas opções quando decidi que continuaria morando em Copacabana, bairro onde nasci, cresci e adoro até hoje! Primeiro porque não é um bairro barato, e depois porque a maioria dos seus prédios são construções antigas e muitos não tem rampas na entrada. Alguns, sequer tem elevadores. E para piorar, o bairro ainda tem um certo carisma e está passando por uma revitalização, o que fez com que mais gente entrasse na concorrência por um apê em Copa.

Os muquifos que visitamos eram mais ou menos assim

Tentar alugar um apartamento bom aqui no Rio é frenético. Você acorda cedo pra cacete aos sábados e domingos, cata os classificados do O Globo e começa a ligar para os anúncios de aluguel. Muitos deles não atendem pois são imobiliárias que não funcionam no final de semana, então você também tem que madrugar na 2a feira para saber sobre os apês. E tem uma coisa: se o corretor te tratar bem ou o apê for anunciado mais de uma vez, nem adiantar perder tempo com o apartamento porque ele é uma merda. Apartamento bom no Rio é alugado NA HORA e se o corretor falar que tem que comer caca de cachorro para conseguir a ficha aprovada, te garanto que tem gente que topa!

Logo de cara, consegui achar um apezinho maneiro em um bom prédio com vaga e tudo. Era um pouco barulhento, mas a localização e o tamanho do apê (quarto e sala de incríveis 70m2) compensavam. Caí na asneira de perguntar pro proprietário se eu poderia tirar a porta (de plástico) do box para poder entrar mais fácil com a cadeira. O sujeito fez uma cara tão feia que ali mesmo eu percebi que tinha rodado… Amigo cadeirante: se vai fazer alguma modificação em um apê alugado, NÃO AVISE O PROPRIETÁRIO. Sério mesmo… Se for bobeirinha, tipo tirar uma porta do box para depois recolocar, não avise.

Fiquei quase um ano nesse ritmo alucinante e procurar apê para alugar. Fazia uma ronda nos finais de semana para ver se os prédios tinham acesso básico e, se tivessem, na segunda-feira tentava visitar o apartamento em si. Vi, sem sacanagem, mais de 100 prédios e visitei no mínimo uns 40 apês. Nesse meio tempo, conheci a Bianca. Ela  passou a me ajudar na busca (era diretamente interessada, ehehe!) e viu vários apês para mim. Quase consegui alugar alguns deles, mas a minha “ficha” sempre era preterida por outra. E olha que eu tinha um bom emprego estável e um fiador, hein? Cheguei até a ver um apartamento que tinha sido de um cadeirante (Olha só!), com banheiro adaptado e tudo, mas o proprietário preferiu alugar para outra pessoa. É mole?

Depois de tanto tempo dando com os burros n´água, já tinha juntado um dindin a mais, feito algumas contas e cheguei a conclusão que daria para comprar um apê financiado. As coisas também estavam indo muito bem com a minha namorida, praticamente já morávamos juntos e decidimos estreitar ainda mais nossos laços. Reunimos os tostões e mudamos o objetivo da busca: o lance agora era arrumar um apê para nós dois comprarmos!

Não foi nem um pouco fácil… Se por um lado quando vc está COMPRANDO um apê os proprietários te tratam melhor, a responsabilidade é muito maior e a quantidade de picaretas tentando te passar uma bomba aumenta consideravelmente. Negociamos apartamento com ex-presidiária, uma mulher que fugiu do hospício e outra que mantinha uma pessoa em cativeiro dentro do apartamento. Tá, não foi isso tudo não. Exagerei em um dos casos. Mas os outros dois eu juro que são reais!

Depois de 1 ano e meio procurando apê, nossa planilha de muquifos visitados já continha 300 itens. Encheu o saco. Decidimos que tínhamos que relaxar e tiramos férias, viajamos, curtimos… Foi quando voltamos, bem mais relaxados, que fomos visitar mais um apê despretensiosamente. Lembro até hoje: bastou entrar na sala para ter aquela sensação de “é esse!”. Claro que fiz aquela cara de desinteressado para o corretor, para não valorizar. Quando o cara virou de costas e eu olhei para Bianca, percebi que ela tinha sentido o mesmo que eu. Uhu!!!

(continua)

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Os desafios da volta ao lar

Eduardo Camara - quinta-feira, 22 de julho de 2010 - 13:23

Um dos maiores problemas de quem se torna cadeirante de um dia pro outro é a volta para casa. E não tô falando de encarar as ruas inacessíveis não, estou falando de encarar o lugar onde moramos! Hospitais e centros de reabilitação geralmente são bem adaptados, têm rampas e portas largas, ao contrário da maioria das casas e apartamentos.

Comigo não foi diferente e, quando voltei do hospital para casa, foi um caos! Para entrar e sair do prédio tinha que ser carregado vários degraus acima e abaixo. Minha cadeira não entrava no banheiro e mesmo com a cadeira de banho não conseguia entrar no box. Solução? Tomar banho, durante 6 meses, no meio do banheiro, com uma mangueira ligada na pia, molhando tudo, e totalmente dependente de outras pessoas. Imaginem o trabalhão que dava para tomar um banhozinho simples…

Depois de 6 meses, conseguimos nos mudar para um prédio com apenas um degrau na entrada. Já conseguia entrar e sair do prédio sem mobilizar meia dúzia de pessoas. Para melhorar, comprei uma cadeira de banho com rodas grandes, mas estreita o suficiente para conseguir entrar no banheiro de serviço do apartamento. Pela primeira vez em mais de 6 meses consegui tomar um banho sozinho, e como curti aquele momento! Lembro-me até hoje da água batendo no rosto e da porta do banheiro fechada. Pode parecer bobo para quem não vivenciou, mas aquilo foi uma enorme conquista!

Como o apartamento era alugado, não foi possível alargar a porta do banheiro social. E como não dava para “pular” para cadeira de banho toda vez que tivesse que fazer xixi, a saída foi utilizar a velha garrafinha e o tanque da área de serviço. Também era por lá que eu lavava o rosto, fazia a barba e escovava os dentes. Tudo isso durou pelo menos uns quatro anos. Intimidade quase zero… Dureza, né?

Depois desse tempo todo, arrumei um par de dobradiças offset e finalmente consegui entrar no banheiro social com a minha cadeira! O banho continuava sendo no banheiro de serviço, mas agora eu já fazia o número 2 e todo o resto no banheiro social. Tudo bem  que o espaço era apertadíssimo e minha cadeira mal cabia lá dentro. Para usar a pia, tinha que me contorcer todo e para acessar o vaso usava meus dotes de ginasta, mas foi mais um passo adiante e tive aquela sensação boa de me sentir mais “gente” depois de 5 anos como cadeirante.

Ainda não era o ideal. Queria mesmo era um banheirão adaptado, portas largas e tudo mais que eu tinha direito! Mas isso ficaria pra depois. Reformar um apê alugado estava fora dos nossos planos…

(continua)

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Campeonato Brasileiro de Handbike – 2010

Eduardo Camara - terça-feira, 29 de junho de 2010 - 10:20

Josimar "Joselito" Sena na largada do Contra-Relógio

Sexta-feira passada, o Brasil inteiro ligado no jogo contra Portugal e eu pegando vôo para o Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paraolímpico. Pelo menos não perdi muita coisa, né? E lá em Brasília, o campeonato foi maneiríssimo!

Os atletas foram chegando ao longo do dia, e à noite rolou o congresso técnico e a primeira vitória da galera do handbike: a organização da prova cumpriu o combinado na última competição e dividiu os atletas em duas categorias, de acordo com os níveis de deficiência. Assim, a competição ficou mais justa e os atletas satisfeitos e estimulados!

As provas foram realizadas no autódromo Nelson Piquet, com céu azul, ótimo asfalto  e um percurso que misturava subidas e descidas. Gostei do lugar, mas as subidas e o vento forte jogaram as médias de velocidade lá para baixo. Aliás, como foi difícil encarar os aclives com a handbike. Subir umas ladeiras virou dever de casa!

Joselito e Aranha na prova de estrada

Sábado foi dia do Contra-relógio individual, prova onde cada atleta larga separado e deve terminar o percurso no menor tempo. A distância total era de 5.400m. É pouco (a UCI recomenda no mínimo 10Km) e até fiz uma recomendação à organização para aumentar as distâncias em um próximo evento. De qualquer forma, o circuito tinha duas subidas que serviram para diferenciar os atletas. O melhor  handbiker do Brasil, Fernando Aranha, estava com um azar danado e quebrou o pedivela na largada. Eita cara bruto! A quebra de Aranha abriu espaço para Eliziário “Motorzinho” brilhar e vencer na categoria H3. O atleta de São Vicente, veterano da handbike e do triathlon – onde já completou incríveis 8 Iron Man – fechou a prova em 11’09”, melhor tempo do dia. Completaram o pódio Cláudio Amaral (que mostra uma ótima evolução) e Ronílson “Índio”. Na categoria H2, esse que vos escreve chegou na frente com o tempo de 11’37” (Ah moleque!!! Ah, moleque!!!), o segundo melhor do dia. Feliz igual pinto no lixo, ainda dividi o pódio com os afiados Rafael Rodrigues (2o colocado) e Josimar Sena (3o colocado), que se mostraram bastante preparados para a prova.

Eu e Perna (provavelmente falando besteira) no hotel

No último dia, era a vez da prova de estrada. Mesmo local, mas circuito diferente, com uma loooonga subida, uma descida e trechos planos. No total, 15Km de pedal com todos os atletas de cada categoria largando juntos. A H3 largou na frente e 30s depois foi a vez da H2. Aranha, que correu atrás e conseguiu soldar o pedivela quebrado na véspera, mostrou que é o cara e terminou os 15km em 26’18”, com média acima dos 34Km/h. Está no nível dos principais atletas do exterior. Atrás vieram “Motorzinho” e “Índio”. Cláudio Amaral sofreu com o vírus do pedivela quebrado (pegou do Aranha!) e não chegou a largar.

As handbikes na prova de domingo

Na H2, o começo de prova foi bem disputado. Comecei puxando a galera até o fim da subida, mas como não estava afim de dar carona para aquele bando de marmanjo, dei uma guinada para o lado, abri um sprint até 43Km/h e deixei o resto do pessoal no vácuo. Ou melhor, FORA dele. Apertei tanto o ritmo na primeira volta que a fechei com média de 31Km/h. Claro que não consegui manter a o ritmo ao longo das outras voltas, ainda mais com o subidão da reta dos boxes, mas foi o suficiente para vencer a prova e manter longe o 2o colocado, o incansável Rafael Rodrigues – que também fez uma ótima corrida. Em terceiro, completando pódio, chegou Rony Vasconcelos.

A galera do Clube de Ciclismo de São José dos Campos. Pose com as medalhas!

Resumo da ópera: houve uma nítida evolução de todos os atletas. A organização ofereceu boa infraestrutura aos atletas e organizou a prova em um excelente circuito, além de ter cumprido o prometido e dividido os atletas de handbike em duas categorias. Ponto a melhorar? Apenas as distâncias das provas, que na minha opinião deveriam ter tido o dobro do tamanho.

Parabéns à todos!

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Indefinidamente Indivisível – Espetáculo de Dança

Eduardo Camara - quarta-feira, 23 de junho de 2010 - 11:18

Dica da minha amiga Beth Caetano, do CVI-RIO, o espetáculo Indefinidamente Indivisível vai rolar nesse final de semana no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá. Realizado pela Cia de Dança Pulsar, o espetáculo ganhou o prêmio Klauss Vianna da Funarte em 2008 e apresenta dançarinos cadeirantes e andantes.

Quando:
25 e 26 de junho, às 21h, e 27, às 20h

Onde:
Espaço Cultural Sérgio Porto
R. Humaitá, 163 – Humaitá
Tel: (21) 2266-0896

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Impostos sobre cadeira de rodas

Eduardo Camara - quarta-feira, 2 de junho de 2010 - 12:24

Não sabe quanto de imposto se paga para importar uma cadeira de rodas? Acha as cadeiras fabricadas aqui muito caras? O Mão na Roda descomplica essa questão!

Muita gente reclama – com razão – sobre os altos preços das cadeiras de rodas no Brasil. A maioria bota a culpa no governo, mas será que essa galera tem razão?

Na minha opinião, não. Todos os impostos que incidem sobre as cadeiras fabricadas no Brasil (IPI, o ICMS, o PIS e COFINS) foram zerados. E se a cadeira for importada, só é necessário pagar o II (imposto de importação), que é de 12% para cadeiras manuais e 2% para cadeiras motorizadas.

O engraçado é que o PIS e COFINS para cadeiras foram zerados no começo desse ano. E vocês viram o preço das cadeiras diminuir de lá pra cá? Eu não! Então o que explica os valores cobrados por aqui? Juro que não sei. Passo a bola para os fabricantes.

Abaixo está uma tabela mostrando cada imposto, sua alíquota e também um link com mais informações sobre as alíquotas/isenções.

Impostos incidentes, no Brasil, sobre cadeiras de rodas
Imposto Alíquota Mais informações
IPI 0% Tabela de IPI
Seção XVII
ICMS 0% Convênio ICMS 38/05
PIS 0% Lei 12.058
COFINS 0% Lei 12.058
II
(cadeira manual)
12% Tarifa Externa Comum
II
(cadeira motorizada)
2% Tarifa Externa Comum

Ah, todas essas isenções valem não só para cadeiras de rodas manuais e motorizadas, mas também para aparelhos ortopédicos, próteses e até almofadas antiescaras.

O governo pode até levar a culpa por não fornecer boas cadeiras de rodas pelo SUS, mas quanto aos impostos, até que fez sua parte.

Aguardem o próximo post, com mais detalhes sobre importação de cadeira de rodas!

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