Bianca Marotta - sexta-feira, 16 de setembro de 2011 - 10:22
Olá, olá. Estou sumida, eu sei, falta de tempo, coisa e tal. Mas não poderia deixar, de jeito nenhum, de postar aqui a escada-rampa mais maravilhosa que já vi. Dica do queridíssimo @horaciosoares, que mandou um twitt com o link para a imagem e a seguinte frase:
“Quando a #acessibilidade é pensanda no início, o resultado pode ser criativo, atraente e funcional.”

Valeu pela dica, Horácio! Só faltou saber onde fica essa escada-rampa maravilhosa!!! Segundo nosso leitor Gil Guigon, essa escada fica em Vancouver, no Canadá. Veja a escada-rampa no Google Mapas. Valeu, Gil!
Bianca Marotta - quarta-feira, 30 de março de 2011 - 14:05
Infelizmente só quando realmente precisamos é que percebemos o quanto alguns pequenos detalhes fazem uma enorme diferença. Aconteceu comigo numa viagem à Nova Iorque. Fui sozinha, passei alguns dias por lá e como todo brasileiro que se preza, precisei comprar uma mala pra trazer minhas comprinhas de volta.
Tudo muito bom, tudo muito bem, não tivesse eu resolvido que pagar 45 dólares pra pegar um taxi até o aeroporto estava fora de cogitação. Afinal, o metrô e o AirTrain estão aí pra isso!
Mas quem já esteve em NY sabe que o metrô de lá é um caos e que se você não prestar bastante atenção, se perde fácil. Fora o fato de que é um sobe e desce danado pra trocar de linha e eu precisava fazer três baldeações. Com duas malas. Pesadas.
E foi então, numa dessas estações sobe-desce, quando já estava entrando em desespero só de pensar que teria que subir e descer escadas com minhas malas, que me deparei com uma belíssima rampa! Nunca estive tão agradecida na vida por terem pensado na acessibilidade do local. E na mesma hora saquei minha câmera e tirei fotos, porque o fato merecia um post!

E espero, com todo sinceridade, que nos lembremos que acessibilidade é bom pra todos, sempre. E que não precisemos passar por essa ou aquela situação para nos darmos conta disso!
Christian Matsuy - segunda-feira, 1 de novembro de 2010 - 12:02
Recebemos essa dica de local acessível da leitora aqui do blog Gabriele Talaia, que ao ver as recentes publicações de locais acessíveis em São Paulo, fez a sua contribuição, indicando um lugar diferente mas nem por isso sem acessibilidade!
Estamos falando do Solo Sagrado, uma grande área às margens da represa de Guarapiranga na zona sul de Sampa.
Atualmente, o Solo Sagrado vem sendo utilizado por diversas instituições públicas, privadas e religiosas, que realizam eventos e cerimônias, aproveitando as modernas instalações e recursos, assim como a maravilhosa atmosfera do local, que torna as atividades bastante agradáveis.
Ele é um parque da Igreja Messiânica, e está aberto para visitação de grupos de quarta à domingo, e o agendamento para grupos de visita é feito de terça à domingo através do site www.solosagrado.org.br. A entrada é de graça.

lago de carpas
Dentro do Solo, existem duas lanchonetes (com mesas reservadas para pessoas com deficiência, o que é bem útil quando ele está lotado), os banheiros são totalmente adaptados e bem largos, e por todo o Solo temos rampas (aliás, quase não existem degraus).

mesas reservadas garante o acesso mesmo em dias lotados
Caso precise de alguma ajuda (desde empurrar a cadeira em uma subida à informações) os funcionários estão por todas as partes e são extremamente simpáticos. Há um estacionamento principal logo na entrada, mas dependendo da necessidade e da parte que você queira ir, existem várias vagas dentro do parque mesmo (exemplo: perto do altar, da lanchonete…).

banheiro adaptado do Solo Sagrado
Ah, e uma dica: não se esqueça de levar garrafinhas para água, e de passar muito protetor solar. Quando está calor, o sol lá é realmente forte, e no frio, é bom levar blusas extras, porque venta muito.
É recomendado não ir aos domingos, porque é o dia mais cheio e fica difícil de aproveitar tudo com a multidão que aparece por lá. Apesar de ser um parque, existem algumas regras a serem seguidas, como não andar de skate, bicicleta, empinar pipa e andar em trajes de banho, no site deles há todas as regras e dicas. É um lugar muito interessante para sair da rotina do stress urbano.
. . .
Solo Sagrado de Guarapiranga
Estrada do Jaceguai, 6567
Parelheiros (ver no Google Mapas)
(11) 5970-1000
Nickolas Marcon - sexta-feira, 24 de setembro de 2010 - 12:49
Será que TODOS os ambientes onde circulam pessoas, públicos e privados, devem ser acessíveis para pessoas com deficiência? Essa é uma pergunta que sempre gera muitas discussões.
Há alguns dias recebemos um email de um leitor que questionava sobre essa exigência das leis brasileiras. Sim, leitores, pelas leis vigentes atualmente, todos os lugares a serem construídos ou reformados devem ser livres de barreiras arquitetônicas.
Mas não seriam apenas locais públicos? Não, pois locais de natureza privada são frequentados por todas pessoas. Sendo assim, o conceito de acessibilidade deve se estender a todos. Afinal, quem garante que uma pessoa com deficiência física não precisará utilizar esses lugares? Deficientes físicos também trabalham, consomem, demandam todo tipo de serviços e interagem socialmente. No caso dos cadeirantes, diria que a diferença está apenas na sua preferência por usar rampas e elevadores ao invés de escadas.
Antes de falar sobre o aspecto legal, vejamos alguns exemplos práticos:
1. Comércios: todo deficiente é cliente em potencial. Trabalham, produzem, ganham dinheiro e querem gastá-lo. Incontáveis vezes já vi comércios perderem clientes por não serem acessíveis. Esse fato é tão frequente que já foi abordado até em telenovelas. Lembrando que o deficiente raramante vai a um lugar desses sozinho. No caso de um restaurante, por exemplo, a falta de acessibilidade fará o estabelecimento perder o faturamento de todas as pessoas “andantes” que estiverem junto com o deficiente; essas pessoas deixarão de experimentar o lugar e não voltarão outras vezes nem o recomendarão para outras pessoas. Já escrevi sobre isso no meu primeiro post no blog.
2. Indústria: a lei trabalhista obriga a contratação de deficientes segundo algumas regras que valem para todas as empresas. É claro que não veremos um cadeirante circulando no meio de uma siderúrgica, mas todas as indústrias possuem áreas administrativas. Eu mesmo já trabalhei em uma delas. Já tive contato com o caso do dono de uma fábrica pré-moldados que ficou paraplégico num acidente de moto e, para continuar administrando sua empresa, adaptou todo o canteiro de trabalho para permitir sua circulação. Outro exemplo seria uma indústria de confecções, onde as pessoas trabalham sentadas na sua maioria. Por que não poderiam contratar uma exímia costureira que teve algum problema de saúde que prejudicou sua locomoção, mas não sua habilidade manual?
3. Prestadores de serviço: algumas empresas até preferem contratar deficientes, tanto para atender à legislação como também porque eles costumam se dedicar melhor ao trabalho do que outras pessoas. Imaginem uma oficina mecânica que também resgata veículos sinistrados: infelizmente, já tive a experiência pessoal de ter meu carro envolvido em um acidente e tive que comparecer três vezes a uma oficina para acompanhar orçamentos e discutir indenização com a seguradora. Se a oficina não fosse acessível, eu teria indicado o conserto para ser feito em outro lugar, pois havia várias opções. Acho que o caso mais conhecido de deficientes prestadores de serviço são os serviços de telemarketing: a maior empresa do Brasil (e muitas outras) contrata EXCLUSIVAMENTE deficientes físicos para trabalhar no seu setor de tele-atendimento, pois a eficiência desses funcionários tem rendido sucessivos elogios dentro da empresa, além de vários prêmios de reconhecimento.
4. Edificações habitacionais: as construtoras hoje valorizam a acessibilidade em todos os novos lançamentos, tanto pela questão legal quanto pela exigência da clientela. O número de idosos hoje é crescente na população brasileira. A expectativa de vida é cada vez maior. Qualquer comprador de um imóvel que tenha hoje 40 anos sabe que com 60 anos poderá ter dificuldades para subir escadas. Um casal jovem de 25 ou 30 anos sabe que andar com um carrinho de bebê será uma dificuldade num prédio com escadas. Sem falar que acidentes acontecem com qualquer pessoa e são as principais causas de paraplegia/tetraplegia no mundo. Uma pessoa pode fazer uma babilônia de degraus na sua casa? Pode, claro, pois é seu espaço. Mas um profissional da construção competente saberá identificar os costumes do seu cliente e propor soluções mais acessíveis em sua casa dependendo da sua necessidade, pois sabe que um imóvel pode ser uma coisa para a vida toda. Imóveis com boa acessibilidade também são mais valorizados.
Quanto custa fazer uma rampa e deixar um local acessível? Se for um projeto a ser construído, o custo é zero, pois não há padrão anterior para comparar com a construção existente. Se for uma reforma, será que a construção de rampas e adaptação de banheiros encarecerá demais a obra? Comparando-se esses custos com o retorno que podem trazer trará a conclusão de que prover um estabelecimento de acessibilidade não é só uma questão de assistencialismo, é também uma questão de lucratividade. Não é preciso ser nenhum mestre em marketing para saber que ganhar um cliente é um ótimo negócio, pois gera toda uma nova cadeia de consumo.
Ainda há a parte legal. A mesma Constituição Federal que garante ao indivíduo o direito à propriedade da sua casa e do seu carro, garante o direito de ir e vir a qualquer estabelecimento, sem exceções. Assim, a acessibilidade não é uma questão a ser discutida. Lei existe para ser cumprida. Não é possível estabelecer uma lei que faculte a adequação de ambientes, pois assim todos optariam pela solução mais simples e a lei seria inútil.
As principais legislações sobre o assunto são a Lei Federal 10.098/2000 e o Decreto 5.296/2004. Atualmente, é a NBR 9050 que orienta a acessibilidade nas construções.
Qualquer estabelecimento que não esteja de acordo com os dizeres legais poderá sofrer sanções de acordo com o nível da administração pública envolvido na fiscalização (Decreto 5.296/04, artigo 3º). O dono de um estabelecimento fechado pode deixar o lugar sem acessibilidade? Pode, pois é sua propriedade. Mas ele não obterá alvará de funcionamento do seu negócio caso a prefeitura cumpra a lei. Também poderá sofrer multas e sanções se não cumprir as legislações trabalhistas que preveem adequação do local de trabalho a todos os funcionários. Na maioria das cidades a lei é cumprida, mas no Rio de Janeiro…
Coloquei aqui alguns argumentos para alimentar a reflexão a respeito da questão de acessibilidade. É uma visão particular que não é estática e está sempre aberta a novos argumentos. Críticas e comentários dos leitores são bem-vindos, pois só enriquecem a discussão.
Nickolas Marcon - sábado, 31 de julho de 2010 - 19:25

Tem coisas que eu não consigo entender qual foi a intenção do gênio que as fez. Algumas proezas arquitetônicas são dignas de um livro Guiness dos maiores absurdos. Quando vejo algo assim, fico pensando horas para tentar entender a real intenção da obra. Sei que a pessoa quis fazer o melhor, não acredito que façam obstáculos de propósito, mas… por quê?
Por exemplo, na foto ao lado aparece uma portaria de um edifício comercial na Rua Evaristo da Veiga, no centro do RJ. A portaria foi reformada há pouco tempo. Colocaram catracas e até uma passagem para cadeirantes. Legal, né?
Pois é… mas esqueceram que havia dois degraus antes da entrada e mais meia dúzia de degraus depois do portão para chegar aos elevadores. Fazer uma rampa? Não, não, parece que ninguém teve essa ideia. Assim, parodiando um famoso colunista, fica evidente que colocaram o portão de cadeirantes para… não sei.
A outra foto é do cruzamento da Av. Rep. do Chile com a R. Senador Dantas, a duas quadras da portaria acima. Reparem que, apesar do meio-fio não ser muito alto, tiveram o trabalho de colocar um rebaixamento precário na guia para facilitar a subida na calçada. Até aí tudo bem, não foi mais que a obrigação. Só que um gênio do urbanismo teve a brilhante ideia de colocar um bloco de concreto na frente.

Seria para evitar o estacionamento na calçada? Não creio, pois tem um conjunto de telefones públicos tomando o espaço. Uma moto poderia passar por outros espaços. Seria para conter um veículo desgovernado em alta velocidade? Só se fosse um atentado terrorista com um avião, porque a via transversal é de grande movimento e está sempre com o trânsito lento. Passo quase todo dia nesse cruzamento e vejo esse obstáculo. Sua curiosa forma cilíndrica e arredondada me sugere que ele seria mais útil se o pessoa que o construiu colocasse… bem, deixa pra lá…
Se você conhece algum absurdo como esses, tire uma foto e mande para o email do blog citando o local. As melhores fotos aparecerão num post com os devidos créditos e comentários dos seus autores.