Ir para conteúdo principal | Acessibilidade do blog

Conteúdo Principal

SUS fornecerá cadeiras sob medida

Christian Matsuy - segunda-feira, 31 de outubro de 2011 - 10:03

Sabemos que é muito difícil por questões financeiras, as pessoas conseguirem comprar uma cadeira feita sob medida, assunto que já abordamos diversas vezes aqui no blog. Ainda não temos mais detalhes de como funcionará esse processo, mas creio que deverão haver diversas exigências por parte do SUS para essa aquisição, mas acho que ainda é uma alternativa para àqueles que não tem grana pra comprar.

Medida trará melhor qualidade de vida para o cadeirante. Investimento na área de pessoa com deficiência subiu 33% entre 2010 e 2011

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a ação que irá atender cadeirantes brasileiros de maneira individual. A partir do início de 2012, eles contarão com o serviço para a adaptação das cadeiras de rodas, o que atende necessidades específicas. Em algumas situações, os pacientes, devido a um tipo de deficiência, não conseguem utilizar a cadeira padrão oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Agora, a rede pública financiará essa adequação. A medida levará maior mobilidade com menor gasto de energia, mais conforto, menos pontos de pressão, suporte e dimensões adequados aos cadeirantes.

Para o ministro da saúde a ação representa mais qualidade de vida para os cadeirantes atendendo cada indivíduo de maneira única. “As cadeiras sem adaptação, nem sempre são adequadas ao cidadão portador de deficiência física. Com as adaptações, eles poderão ter mais conforto ao se locomover”, disse o ministro.

Apenas nesse ano, o Ministério da Saúde entregou 37 mil cadeiras de rodas para população. Para a compra foram investidos R$22.087 milhões. Até o fim do ano, é esperado ainda a entrega de mais 19 mil cadeiras, ao valor de R$11.2 milhões.

“O Ministério da Saúde pretende zerar o número de pessoas na fila por uma cadeira de rodas. Para se ter uma idéia, cerca de 75 mil pessoas precisarão de cadeiras de rodas  até o fim do ano”, finalizou Padilha. Durante o Teleton, evento de apoio à AACD (Associação de Assistência a Criança Deficiente), o ministro anunciou que a entidade receberá cerca de R$ 5 milhões para atender a lista de espera da instituição.

O Brasil, segundo Censo de 2010, conta com 24,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência (14,5% da população brasileira), desde alguma dificuldade para andar, ouvir e enxergar, até as graves lesões incapacitantes. Desse total, 48% possuem deficiência visual, 23%, motora, 17%, auditiva, 8%, mental e 4%, física. O investimento do Ministério da Saúde na atenção a pessoa com deficiência somou R$ 64.298 milhões, em 2010. Nesse ano, a previsão é de R$85.602 milhões.

Fonte: Portal da Saúde

Share

Orkut e perguntas sobre importação

Christian Matsuy - segunda-feira, 3 de outubro de 2011 - 09:35

De uns tempos pra cá, muitas pessoas nos procuram através do e-mail do blog para sanar dúvidas referentes à importação de cadeiras e acessórios, entre outras coisas. Tentamos responder todas as dúvidas na medida do possível, mas às vezes não sabemos responder mesmo. 

A maioria dessas perguntas que nos chegam, já foram respondidas por nós ou por outras pessoas em nossa comunidade no Orkut. E infelizmente tem gente que parece não gostar quando pedimos para procurar a resposta na comunidade, ou mesmo fazer a pergunta lá no Orkut, onde ela será lida por um número maior de pessoas e a resposta se torna pública, servindo como base de consulta para outros usuários. Nada mais justo. Mesmo assim, ainda recebemos mensagens tipo “Ah, mas eu não queria perguntar lá no Orkut“, ou ainda: “dei uma olhada por lá e não encontrei…” (olhou mesmo?). Enfim, o fórum da comunidade é importante e sempre levamos muito a sério essa ferramenta. 

Outra coisa muito comum é o pedido de ajuda através dos recados do Orkut (em nossos perfis pessoais). Assim, se fossem assuntos que envolvessem privacidade, ou outras coisas que possam constranger tudo bem, mas perguntar “qual roda comprar” pelos recados é um pouco intimista… Além do que alguns usuários se esquecem que bloqueiam os recados e não temos como responder. Pergunte na comunidade pois, como já dissemos, a resposta pode servir pra um monte de gente. Pense nisso!

Caso você tenha urgência no esclarecimento das suas dúvidas, desculpem-nos por nem sempre darmos respostas rápidas, pois certos assuntos demandam pesquisa e nem sempre estamos com tempo livre para responder de maneira imediata. Nossa dedicação ao blog, infelizmente, não pode ser em tempo integral. Todos nós trabalhamos um bocado em nossos empregos, mas sempre fazemos o possível pra responder!

Agora vamos ao segundo assunto, que é a importação de cadeiras e afins. Esse é o assunto que vem gerando o maior número de perguntas repetidas, por isso resolvi fazer um apanhado geral e publicar aqui.

Quero comprar na Sportaid. Essa loja é confiável?

Sim, é confiável. É uma loja americana com muitos anos de existência e  preços muito bons, fora a grande quantidade de itens oferecidos. Caso você não tenha realizado uma compra antes de 2009, eles não vão aceitar seu cartão de crédito (houve uma mudança na política de pagamentos deles), daí ou você pede para alguém que more nos EUA comprar com um cartão local, ou faz uma remessa de valores internacional através de serviços bancários. É necessário ter conhecimento de inglês, para trocar e-mails sobre seu pedido. A Sportaid, assim como as demais lojas americanas não parcelam nenhum tipo de compra.

Não sei preencher o formulário de compra das cadeiras existentes no site. Como faço?

A loja (no caso a Sportaid) é americana, e obviamente o formulário, bem como todo processo de compra, é feito no idioma inglês. Nesse post eu praticamente traduzi todas as medidas que uma cadeira tem e até utilizei uma imagem de um formulário da TiLite. Tente colocar o maior número de medidas possíveis e use dicionários e tradutores da internet para solucionar coisas simples. Após isso, abra um tópico na comunidade do blog no Orkut e poste suas medidas lá. As pessoas aos poucos vão ajudando, inclusive nós aqui. Tente ser claro, e descreva suas necessidades para que as pessoas que lerem entendam e auxiliem com mais facilidade. Quem quer ajuda não pode ter preguiça de escrever. Lembrando que é sempre mais indicado que um terapeuta especializado te auxilie.

Posso pedir para um amigo que mora nos EUA mandar um par de rodas pelos correios?

Até pode. Porém, como já repetimos várias vezes, se fosse tão simples assim todo mundo já teria comprado! Eu citei um par de rodas, mas essa regra vale para qualquer coisa que ultrapasse o valor de 50 dólares. Não adianta falar que vai tirar da caixa ou falar que é usada que não adianta. É um risco que você corre de seu produto chegar avariado, ou ficar retido na alfândega até que o imposto seja pago. Se isso ocorrer, a entrega vai demorar bastante para ser feita. Caso você queira trazer de qualquer maneira, você pagará 60% de impostos sobre o valor do produto, inclusive sobre o frete. Válido para compras de 51 a 500 Dólares.

E se eu pedir pra entregarem via FEDEX, UPS, DHL?

Sua compra, seja ela qual for, vai chegar na porta da sua casa certinho. Só que você pagará todos os impostos, inclusive sobre o valor do frete +  ICMS  + taxas de serviços (armazenagem) da empresa escolhida. Dependendo do que se for trazer, acaba não compensando. Nesse caso, não vale o imposto de importação de 12%.

Uma pessoa virá dos EUA para o Brasil e vou pedir para ela trazer uma cadeira para mim. Posso?

Novamente, pode, mas é um risco que se corre. Se a pessoa que estiver trazendo vier com ela montada e disser que é para o uso pessoal dela, dificilmente irão questionar. Nada de cadeira encaixotada. Se a pessoa não topar trazer dessa forma, não arrisque. É o jeitinho brasileiro mesmo, infelizmente. 

Posso comprar a cadeira na Sportaid e mandar entregar em um hotel ou na casa de um conhecido que mora lá? Posso voltar sentado nela?

Sim, pode. Muitas pessoas utilizam esse método. 

Tentei comprar uma almofada Roho em uma loja americana, mas eles não entregam esse produto no Brasil, mesmo que eu pague todos os impostos. Por que?

A Roho tem um representante oficial aqui no Brasil, e quando se tem o representante no país eles não permitem que as lojas americanas vendam para esses países. Algumas lojas menores até vendem. É uma questão de ver se o preço vai valer a pena.

A cadeira chega pronta para uso?

Praticamente sim. Ela vem com as rodas desencaixadas e com os freios desmontados. É necessário uma chave Allen para fazer a instalação correta dos freios.

Quero importar apenas pagando os 12% de imposto de importação. Como fazer?

O Dado já escreveu sobre isso nesse post aqui, nesse caso tem que ser feito um processo de importação junto à Receita Federal. Procure um despachante aduaneiro cadastrado no SisComex para lhe orientar. Rola uma burocracia por trás disso, mas funciona e há relatos no Orkut de possoas que trouxeram dessa forma totalmente legalizadas. Dêem uma lida nesse tópico (requer login do Orkut).

Nota: O Mão na Roda em nenhum momento encoraja pessoas a fazerem algo que fuja aos padrões de impostos praticados aqui no Brasil. Estamos apenas esclarecendo dúvidas frequentes que nos chegam e cabe à cada pessoa decidir o que vai fazer. Não nos responsabilizamos por eventuais problemas que possam ocorrer.

Share

Cadeira Off Road

Christian Matsuy - terça-feira, 20 de setembro de 2011 - 13:21

jo de rodas e pneus para terraFaz um tempinho que não posto nada “novo” por aqui… É gente, às vezes rola uma falta de tempo mesmo (tá certo que enrolo um pouco também).  Mas a gente escreve! Tarda, mas não falha!

Recebemos uma dúvida de uma leitora, a Daniele, que nos mandou a mensagem abaixo e como não me recordo de ter falado sobre isso anteriormente, resolvi responder a dúvida dela em forma de post.

Olás!

Olhando os posts sobre cadeiras, publicados nos últimos meses, me senti super jeca, usando uma cadeira jurássica….rs. Mas como vocês do blog são muito entendidos, aproveito e pergunto pois não encontrei um post sobre isso: a cadeira adequada para quem viaja com frequência para locais de trilhas, florestas, etc. Costumo viajar para locais de difícil acesso. Moro em Brasília, vou a chapada dos veadeiros com alguma frequência, já estive em alguns locais de floresta, em machu picchu, na trilha das cataratas do iguaçu feita pelo lado argentino. Claaaaro, com mais ou menos ajuda, dependendo do local. Na maior parte do tempo é subindo e descendo morro, pedra, grama, etc. Uso uma cadeira em x pois, até o momento, é a única que me deixa segura fazendo essas coisas (já me estatelei no chão caindo de uma monobloco leve demais, ou mal projetada talvez). Mas, a cadeira faz um barulho diabólico, é pesada, quase tem vida própria pois gosta de ir para a esquerda e ponto. Estou buscando uma cadeira mais leve mas que me dê segurança para viajar. Vocês já escreveram um post sobre isso?

Sabe, vi uma moça ontem com uma TiLite e o “uau” foi inevitável. Mas me vem a dúvida se esse tipo de cadeira dá conta de lugares difíceis, se não desregula, se quebrar como é que faço, se é segura  considerando que sou alta e a monobloco me deixa mais instável, etc. Porque não é um investimento pequeno, né? E pelo menos comigo, prefiro estar com uma cadeira só. Mas, como tocar a x velha de guerra no dia a dia é cansativo, estou considerando essa possibilidade, uma para o cotidiano, outra para viagens mais hard.

Parabéns pelo blog, é super útil e além de tudo, divertido!

Bom, vamos as respostas…

Concordo plenamente que uma cadeira com 10 anos de idade deve ter lá seus vícios, defeitos e muitas outras coisas mais… Se for possível, e a gente sabe que pra muitos nem sempre é, está na hora de trocar de cadeira…

Como foi dito acima, a Daniele tem hábitos não muito convencionais (pelo menos pra mim) de frequentar trilhas, parques e outros lugares não pavimentados. Atualmente  ela faz todos esses passeios com uma cadeira pra lá de convencional, que é a tão famosa “dobrável em X”. Mas tem coisa melhor sim! E obviamente é a cadeira monobloco. Nesse caso, diferente de outras ocasiões, não há o que discutir. Se for o caso de realmente enfrentar lugares muito acidentados, o certo mesmo é partir para uma monobloco com quadro box, que é mais rígido e difícil de entortar. Não vejo necessidade de ter duas cadeiras.

Ela descreveu se sentir sem estabilidade em uma monobloco. Isso ocorre por dois motivos: só o fato de sair de uma dobrável em X com praticamente zero de avanço de centro de gravidade, já muda toda dinâmica de tocar a cadeira, a força aplicada será menor e isso exige um período de adaptação. Outro fator que tira a segurança e estabilidade da cadeira é a escolha das medidas. Cadeira leve é pra facilitar a vida e não pra machucar… :)

Gente, eu tenho 1.90cm e um equilíbrio de tronco péssimo, minha lesão é C4/5, e nem por isso me sinto inseguro numa monobloco. É tudo questão de acertar as medidas, nesse caso fazer uma cadeira mais baixa já resolve bastante. Se ajudar com um tilt correto então, fica super estável. (Tilt é a diferença entre de altura entre as partes traseira e dianteira da cadeira).

Para melhorar ainda mais, o ideal é ter um par de rodas Off Road com pneus “balão” de 2 polegadas de largura e desenho cravado. Esse pneu ajuda no amortecimento por ter um perfil mais alto e em terrenos acidentados fica mais fácil tanto pra quem empurra o cadeirante como pra que toca a cadeira se locomover. Confesso que em areia foda de praia não adianta muito. O ideal seria ter um par de rodas com pneus de 1 polegada para uso na cidasde. Não precisam ser rodas importadas, basta trocar o pneu que pode ser encontrado em lojas de bike. Fiz uma pesquisa rápida e com uns 600 reais é possível ter um par de rodas com eixos Quick Release prontas pra uso.

rodas off road dentro da água

Fernando Fernandes em uma cadeira equipada com rodas Off Road

Rodas dianteiras infláveis funcionam super bem e atendem tanto as necessidades de campo e cidade, mas caso queira ficar no meio termo, as soft rolls de 6 polegadas já dão conta do recado. Duro é comprar essas rodas chinesas que alguns fabricantes nacionais fornecem e conviver com ranhuras e dentes nas rodas.

A qualidade de uma cadeira importada é infinitamente incomparável as nacionais. Minha cadeira completou 3 anos, a do Dado 4 e meio, a da Cris 2. Problemas? Nenhum. ZERO. Vira e mexe trocamos componentes, mas por capricho, e não por defeito. Em caso de quebrar alguma peça, eles enviam pra cá. Você paga um valor maior, mas a vida útil da cadeira é bem mais prolongada.

Share

Dicas quentes para o Inverno

Christian Matsuy - terça-feira, 5 de julho de 2011 - 21:13

imagem ilustrando o frioEstamos no Inverno, e esse ano ele veio caprichado. Deve ser por causa desses lances de aquecimento global e essas coisas todas, enfim, não estou aqui pra dar uma de meteorologista, só sei que tá um frio chato! Em São Paulo, pelo menos, está.

O duro é ter que aguentar o comentário de alguns:

Nossa adoro esse friozinho gostoso! Vou  ficar em casa, embaixo das cobertas tomando um chocolate quente e vendo filme. Ah se eu tivesse uma lareira…”

-ENTÃO VOCÊ GOSTA DE CALOR, CARAMBA! :-/

Bom… não adianta ficar resmungando, tá frio mesmo e pronto, acabou. Só me resta buscar formas de  me esquentar. Eu sinto muito frio, mais que o normal, e creio que todos com lesão medular alta devem ficar incomodados com as temperaturas extremas, sejam elas baixas ou altas demais.

Vestuário

Se acomodar na cadeira com blusas e jaquetas grossas e pesadas, tomo mundo sabe que é um incômodo terrível, sem falar que atrapalha pra tocar a cadeira, tira os movimentos (imagine isso pra que já tem poucos) e embola atrás da cadeira. É ““, como diria a Cris Costa. Eu já cheguei a usar 4 blusas pra sair de casa, mas isso vinha me incomodando demais, até que encontrei uma solução: blusa tipo segunda pele.

imagem de uma blusa tipo segunda pele

segunda pele: fina, leve e esquenta

Elas foram projetadas para a prática de esportes na neve, são leves, maleáveis e tem toda uma tecnologia que realmente segura o calor no seu corpo, fazendo você utilizar mais uma blusa por cima e pronto. Custa em média 120 reais e deve ser comprada em tamanho justo para que se tenha o efeito desejado, Pode ser encontrada em lojas virtuais e em casa de esportes e alpinismo. Eu achei através desse site aqui. Nada como sair com essa blusa mais um suéter de lã aos 8°C dessas manhãs frias e ficar tranquilo, sem incômodos. Só tem um problema: se no meio do dia esquentar, você talvez tenha que tirá-la.

Em casa

Outra coisa que me deixa incomodado é passar frio dentro da minha própria casa. Eu apelo sem dó pro aquecedor, mas infelizmente todos eles gastam uma energia lascada. E existem diversos modelos no mercado, sendo que alguns deles, além de gastar muita energia, não dão em troca o calor desejado.

Os termoventiladores são os mais baratos (cerca de 60 a 90 Reais), são leves, pequenos e práticos, porém são os menos eficientes na minha opinião. Tem o funcionamento simples com uma resistência acoplada atrás de um ventilador pequeno e fazem um barulho infernal (apesar de todas as marcas citarem nas embalagens que são silenciosos). O consumo é altíssimo: varia de 700 a 1500 Watts/hora dependendo da intensidade. O problema é que, dependendo do local, ele não funciona bem por trabalhar com o aquecimento vagaroso do ar ambiente. Se houver portas abertas e corrente de ar, esqueça. Nem deixando ele perto (o que não é aconselhável), o ambiente esquenta rápido. Leva horas!

imagem de um termoventilador

Termoventiladores: baratos, mas pouco funcionais

Outro modelo que já testei foi o aquecedor à óleo, extremamente pesado, difícil de se transportar, e um vilão da sua conta de luz pois, dependendo do modelo, pode gastar até 3000 Watts! Imitam o sistema de calefação de casas americanas, mas demoram muito pra esquentar o ambiente. São seguros e silenciosos, mas na minha opinião têm um péssimo custo/benefício.

imagem de um aquecedor a óleo

Aquecedor à óleo: não compensa!

Os aquecedores elétricos que utilizam resistência cerâmica ou halógena são mais eficientes, além de ter um consumo um pouco mais baixo. Conseguem passar a sensação de calor de uma forma mais direcional, ou seja, se estiver virado pra você e a uma distância segura, gera uma sensação de uns 26°C mesmo em ambientes abertos. Dependendo da marca e modelo costumam ter o consumo de 400 a 1200 Watts (de acordo com o número de resistências ligadas). O preço varia de 100 a 300 Reais. Eu uso um desses com duas resistências, mas muito raramente ligo as duas. Consigo deixar meu quarto na casa dos 25°C mesmo em um dia de 10°C com o consumo de 500 Watts/hora.

imagem de um aquecedor elétrico a resistência

Aquecedor elétrico: pode-se ligar apenas uma resistência

Cuidados

Todos eles deixam o ar muito seco, então abrir a janela de vez em quano pra dar uma renovada no ar é bom. Tem o lance da bacia d’água também, mas eu não acredito muito nesse segundo método.

Cuidado com a distância que se deixa o aquecedor em relação a você. Peça para alguém que tenha a sensilibilidade normal fazer esse teste. Nunca ligue aquecedores em benjamins ou extensões comuns.

Share

Farmácia Pague Menos faz doação de cadeiras de rodas

Bianca Marotta - terça-feira, 21 de junho de 2011 - 09:46

Rapaz sentado numa cadeira de rodas com sorriso no rosto e os braços abertos.Dia desses, folheando a revista das Fármacias Pague Menos, descobri uma campanha que me pareceu bem bacana: a cada 3 meses essa rede de farmácias está doando cadeiras de rodas, para quem não tem condições de adquirir uma.

Os interessados devem preencher um formulário contando sua história. Esse formulário pode ser encontrado em uma das lojas da rede ou no site da empresa.

Não sei dizer quais são os critérios para escolha dos contemplados, mas segundo consta no site da Pague Menos, todos os formulários são analisados e os casos mais sérios e urgentes recebem prioridade.

Fica aqui a dica! E se algum leitor já se candidatou ou já tiver sido contemplado, conte pra gente!

Share

Guardando a cadeira no carro

Christian Matsuy - quinta-feira, 26 de maio de 2011 - 09:34

Bom gente, nesse post vocês serão poupados dos meus longos textos. O assunto em si pede imagens, e sabemos que às vezes “uma imagem vale mais que mil palavras”…

Diante da discussão entre a transportabilidade das cadeiras rígidas X dobráveis, estou publicando algumas formas de se carregar uma rígida. Como já disse anteriormente, eu não tenho autonomia para guardar minha cadeira sozinho, mas ando em diversos tipos de carro por conta dos táxis. E nas grandes cidades estes são movidos a gás, o que obriga o motorista a instalar um cilindro no porta-malas que reduz consideravelmente o espaço. Daí a solução é colocar a cadeira no banco de trás, (queira o taxista ou não).

A foto abaixo mostra a forma mais tradicional de se guardar uma cadeira rígida no porta-malas. Em carros grandes tipo perua (Parati, Fielder, Palio Weekend, etc), isso é tarefa fácil:

cadeira rígida colocada no porta-malas

método mais prático pois não exige a remoção das rodas

Só foram rebatidos os protetores laterais e o encosto, os freios foram travados e ainda sobra espaço pra muita coisa. A almofada pode ir ao lado ou mesmo embaixo da cadeira. Ahhh, quando viajo não carrego dessa forma. Primeiro é feita a acomodação das malas e outras coisas e depois a cadeira. Temos que pensar na parada durante a viagem. Como diz um amigo meu, “coisa mais deselegante essa de ficar desarrumando porta-malas no posto de gasolina“.

O próximo exemplo mostra a acomodação compactada no banco traseiro de QUALQUER CARRO. Às vezes é necessário que se empurre o banco do carro um pouco pra frente, daí é só ver quem é mais baixo e colocar atrás do banco dessa pessoa. Eu tenho 1.90cm e nunca tive problemas com isso. Ainda cabe sua almofada em cima da própria cadeira se for o caso. óbvio que se você pretende carregar 3 pessoas no banco traseiro, não tem como carregar dessa forma, mas dá pra levar dois passageiros.

cadeira rígida colocada no banco traseiro sobre o banco traseiro

esse modo ocupa o lugar de 1 passageiro

Faço isso há mais de cinco anos no mesmo carro e nunca aconteceu nada com o revestivemto do banco, os taxistas ficam meio putos, acham que vai sujar, furar o banco enfim… Isso deixou de ser um problema meu. :-/

Agora vamos ao modo “fanfarrão” de guardar a cadeira. Só exige que as rodas traseiras sejam tiradas e o resto… Bom, o resto vai tudo junto!

cadeira rígida acomodada penas sem as rodas traseiras no banco

prático, rápido e acima de tudo - fácil de se guardar

Não precisa tirar almofada, dobrar protetor, muito menos o encosto! Tá ai, em menos de um minuto coloca-se a cadeira no carro, as rodas você coloca no porta-malas ou ainda em cima da própria cadeira na diagonal.

Agora vamos mostrar um outro veículo, bem menor, o que prova que a cadeira cabe na grande maioria dos carros. O Ford Ka assim como outros carros desse porte, tem o porta-malas pequeno, mas CABE A CADEIRA. O inconveniente é que é necessária a remoção do tampão traseiro. E quando o carro não é seu, fica “deselegante” de fazer, sem falar que dependendo da situação você fica sem ter onde colocar o tampão. Daí a solução e carregar no banco traseiro, mantendo as rodas no porta-malas, cabe 2 pessoas magras ainda, sem conforto – mágica também não dá pra fazer.

cadeira rígida acomodada no banco traseiro de um carro compacto

um pouco mais difícil de colocar, mas não é um bicho de 7 cabeças

Assim que surgirem oportunidades, colocarei outras fotos de modelos diferentes de carro para mostrar que a transportabilidade da cadeira não é tão ruim assim como comentam.

Share

Cadeiras de rodas Rígidas x Dobráveis

Christian Matsuy - segunda-feira, 9 de maio de 2011 - 11:03

Em 2010, os grandes players do mercado discutiram sobre a utilização do alumínio e titânio na fabricação das cadeiras. A Quickie descontinuou o uso do titânio e lançou um modelo em alumínio (modelo Q7), que ela o intitulou de “a cadeira mais leve do segmento”. E como parte de sua estratégia de marketing, divulgou diversos vídeos e artigos pelas redes sociais com o intuito de provar que o alumínio é mais vantajoso. Essa é ainda uma discussão muito polêmica e ambos os metais tem qualidades fantásticas, mas temos que ficar muito espertos e não nos influenciarmos por propaganda.

Rígidas x Dobráveis: uma escolha ou um duelo?

Agora em 2011 a discussão que está no ar é: rígida ou dobrável? O que é melhor? Pois é, mais uma discussão polêmica que deve muito ser levada em consideração. A Revista Mobility Management promoveu essa discussão entre alguns experts do mercado (que são cadeirantes), entre eles:

- Josh Anderson, Vice Presidente de Marketing, TiLite
- Jim Black, Gerente de Marketing, Top End
- Brent Hatch, Diretor de Produto, Sunrise Medical
- Christy Shimono, Senior de Produto, Sunrise Medical
- Rick Hayden, Vice Presidente de Vendas (USA), Colours Wheelchair
- Doug Munsey, Presidente, Ki Mobility

Infelizmente, não dá pra traduzir e colocar tudo aqui (direitos autorais), mas vou resumir e colocar os principais pontos discutidos e ao final teremos as opiniões dos demais autores do blog.

Hipótese 1: dobráveis são mais fáceis de transportar do que as rígidas.

Esse seria o maior dos benefícios das dobráveis. O fato da cadeira se dobrar traz uma redução de volume que permite o transporte muito mais facilitado. Porém, esse conceito precisa ser melhor esclarecido.

O comportamento das pessoas, bem como a idéia de cada vez mais dar mais independência ao cadeirante ativo, já mudaram esse conceito, pois atualmente, com a redução de peso das cadeiras, tornou-se mais fácil colocá-las sozinho dentro do carro, antigamente só se pensava em transportá-las no porta-malas.

Ademais, as cadeiras rígidas podem dobrar o encosto, e com o Quick Release (rodas removíveis por encaixe), o transporte ganha muita praticidade. Resumindo, ambas são facilmente transportáveis, porém DE MANEIRAS DISTINTAS. Aí é que entra o aspecto clínico e isso pode ser a chave que para a decisão correta na hora da escolha, pois sabemos que cada pessoa tem capacidade de força, mobilidade e equilíbrio muito diferentes, entre outras coisas.

Outro ponto interessante é que muitas pessoas NUNCA tentaram guardar uma cadeira rígida pelo fato de não terem uma cadeira desse modelo. Sem as rodas e com o encosto reclinado, a rígida torna-se compacta e, sem sombra de dúvidas, mais leve. O que muda é a maneira de se colocar no carro. Existe ainda o costume de alguns cadeirantes de só aceitarem guardar a cadeira no porta-malas de seus carros, o que não é possível fazer sem a ajuda de alguém. Alegam que guardar a cadeira dentro do carro ocupa o lugar de um passageiro, o que não os agrada.

Um consenso entre os experts: Pensar que uma cadeira dobrável é a melhor solução de portabilidade é um conceito ULTRAPASSADO.

Hipótese 2: dobráveis possuem mais opções de acessórios.

Geralmente, quem adquire uma cadeira dobrável pensa em alguns acessórios como se eles fossem “parte integrante”, e que toda cadeira deve tê-los, tais como apoio de braços grandes (ou de modelos diversos), apoios de pé com regulagem de altura, ângulo e rebatimento. E muitas pessoas, quando migram para uma cadeira rígida, querem os mesmos acessórios e nem todas as marcas fornecem essas possibilidades.

Um consenso entre os experts: As pessoas tendem a querer determinados acessórios NÃO NECESSÁRIOS, e raramente tentam usar uma cadeira sem os mesmos. E atualmente, as cadeiras rígidas já oferecem uma boa quantidade de opções nesse sentido.

Hipótese 3: rígidas tem um melhor desempenho ao rodar.

Cadeiras rígidas vem cada vez mais melhorando sua portabilidade e possibilidade de ajustes. O mercado está sempre buscando novas formas de se deixar uma cadeira rígida o mais compacta possível, e isso é fato. Outra coisa é que o desenho do quadro de uma cadeira rígida propicia uma melhor distribuição de peso e a aplicação da força ao tocar é melhor aproveitada fisicamente.

Isso significa que, quando uma pessoa toca uma cadeira rígida, a energia aplicada nas rodas é melhor aproveitada se comparada a uma cadeira dobrável, onde se perde um pouco de energia entre os componentes que compõem a dobra e também devido ao desenho do quadro.

A questão aqui é: será que essa quantidade de energia perdida nas dobráveis realmente faz toda a diferença? Segundo os experts, sim, sim e sim.

Conclusão 1: medida é uma coisa crítica.

Já comentamos várias vezes sobre isso aqui no blog, e mais uma vez temos a referência de especialistas citando o quanto é importante ter uma cadeira bem prescrita dentro de suas medidas, independente da sua escolha por uma rígida ou dobrável. O problema é que temos poucas opções de ajuste de medidas quando se opta por comprar uma dobrável aqui no Brasil, o que não acontece no resto do mundo.

Quando se prescreve uma cadeira, o profissional que o faz deve levar em consideração não só as medidas do corpo, mas sim fazer um breve histórico do usuário, analisando as condições e ambientes onde a cadeira será mais utilizada, entre outras circunstâncias dessa natureza.

Conclusão 2: descarte estereótipos sobre as cadeiras.

Sim, muitas pessoas que poderiam escolher entre os dois tipos de cadeira, preferem utilizar uma dobrável. Isso é visto a todo tempo, e não há nada de errado nisso. O que está errado é não dar a possibilidade da pessoa escolher por motivos financeiros. Não se deve adquirir uma cadeira, independente do modelo, por que TE FALARAM que ela é boa, quem tem que saber se determinada cadeira funciona é unica e exclusivamente VOCÊ.

Conclusão 3: o avanço da tecnologia trará melhorias para ambos os tipos de cadeiras.

Talvez a melhor notícia seja que os avanços da tecnologia nas áreas de design, engenharia e produção irão beneficiar todas as cadeiras. Estamos pensando constantemente em diferentes maneiras de fechar uma cadeira dobrável, estilos diferentes e tentando traduzir tudo isso para outros modelos de cadeiras. Vamos lembrar que, se voltarmos quinze anos no tempo, não existia nenhum tipo de acessório opcional, e hoje já podemos ver por exemplo, cadeiras rígidas com apoios de braço rebatíveis ou removíveis. A idéia é aumentar ainda mais essas opções, tornando-as praticamente ilimitadas, onde o design contemplará perfeitamente o conjunto escolhido pela pessoa.

Finalizando: nossas opiniões.

Nickolas
Usei cadeiras nacionais dobráveis por um bom tempo e admito: são horríveis. Não conheço nenhum modelo que permita um ajuste decente. Posso falar por experiência própria: se o assunto é cadeira nacional, esqueça as dobráveis. Entre as importadas a situação é diferente, há modelos com ajustes de posição que colocam as dobráveis no mesmo nível de conforto que as monobloco. Quando resolvi comprar minha última cadeira estava relutante em usar uma monobloco depois de ter experimentado um modelo por alguns dias. O desempenho e o conforto das monobloco são melhores, mas a praticidade para guardar a cadeira dobrável fazia muita falta.

Até que encontrei a solução ideal na cadeira que uso atualmente, que é um modelo híbrido: é dobrável, mas não fecha em X. É como se fosse um quadro rígido com uma articulação e uma trava. Usando a mesma configuração de rodas, acho que o desempenho fica muito parecido com uma cadeira monobloco. O problema é que esse mecanismo de dobra é patenteado, por isso é o único modelo no mundo que reúne essas características – e cobra um preço maior por isso.

Monobloco ou dobrável? Eu fico com a minha, simplesmente porque acho mais adequada para me uso. Tenho conforto e uma postura correta com bom desempenho. Além disso, a praticidade de guardar a cadeira sozinho no carro sem precisar desmontá-la compensam as perdas em relação a uma monobloco, que seria minha segunda opção. Cadeira em X, nunca mais…

Cris
Como já usei as duas, posso dizer que acho que a quadro rígido é muito melhor. Tanto no peso quanto no desempenho. Mas pra mim, uma das grandes vantagens da monobloco é a posição. Qualquer um fica mais “bem sentado” na monobloco. Você se sente melhor, mais reto. E a posição das pernas também. Era algo que me incomodava muito. Na dobrável a perna fica mal posicionada, te deixando com as pernas meio que “abertas” (ui). Já na monobloco, até por ter aquela opção de afunilar (isso é não é possível dobrável) a perna fica mais juntinha e mais “chique”. E isso também ajuda a postura.

Mas enfim, gosto é gosto…

Christian
Também já usei os dois tipos, sendo que tenho o diferencial de ser empurrado por alguém 90% do tempo, e isso já é um fator que determina a escolha. Quando comecei a sair mais de casa, percebi que a cadeira dobrável com apoio de pé removível era um transtorno para as pessoas desconhecidas que tinham que montar/desmontar a cadeira. Tive sorte de ter medidas compatíveis com uma cadeira sem possibilidade de ajuste, mas o maior problema era andar nas ruas mesmo, no geral é uma cadeira “mole”, difícil de ser empinada por quem está empurrando (necessidade básica aqui no meu bairro). Mesmo assim, usei por mais de 5 anos. Na rígida, consegui melhorar muito o desempenho do toque da cadeira. No meu caso eu não tenho como guardar no carro sozinho, mas sempre pego táxi e preciso instruir como montar/desmontar, e nesse ponto a rígida facilitou muito minha vida. Eu era uma dessas pessoas que achava inconcebível ter uma cadeira sem apoio de braço! Após perder quatro deles, decidi me acostumar sem, e funcionou. Levei uns 3 meses pra me adaptar.

Dado
“Minha primeira cadeira foi uma dobrável da Jaguaribe, e dela não sinto saudade alguma. Depois parti para uma monobloco da Tokleve e foi como mudar da água pro vinho! A cadeira era bem mais leve e aguentou bem o tranco do dia a dia sem apresentar muitas folgas e problemas.

A única desvantagem da monobloco, teoricamente, é que ela ocupa muito espaço quando guardado. Não concordo com esse ponto de vista. Como coloco a cadeira no carro sozinho, acho bem mais fácil usar a monobloco, pois esse tipo a cadeira é significativamente mais leve. Se o quadro for aberto embaixo, do tipo cantilever (ex: TiLite ZR/ZRA, Reateam M3, Tokleve Milênio etc), fica mais fácil ainda! Basta tirar as rodas traseiras e colocar o quadro no banco do carona ou no banco de trás. Moleza!

Também acho a “tocada” da monobloco bem melhor do que a das cadeiras dobráveis e como ela tem menos pontos de articulação, é menos sujeita a folgas e tem manutenção mais fácil. Outro fator MUITO importante na minha opinião é o visual. As cadeiras monobloco tem um aspecto muito mais esportivo e dinâmico. Não parecem a “cadeira da vovó” e na maior parte das vezes conseguem te deixar numa postura muito boa e melhor do que a das cadeiras dobráveis. Outra vantagem das cadeiras monobloco e a possibilidade de utilizar assento e encosto rígidos. Até dá para usar esse tipo de acessório nas dobráveis, mas não é tão simples quanto nas cadeiras rígidas. Resumindo, uso cadeira monobloco há mais de 10 anos, já passei por 4 diferentes e não pretendo usar outro tipo de quadro tão cedo. Só vejo vantagens para a monobloco.”

Share

Lacres por uma cadeira de rodas?

Christian Matsuy - terça-feira, 5 de abril de 2011 - 19:27

É isso mesmo, pessoal! Pra quem ainda não viu a campanha do Guaraná Antarctica, ela está doando 1 cadeira de rodas para cada 1000 pessoas que clicarem em “gostei” no video do Youtube! Mas tem que ser rápido: a campanha vai só até o dia 08/04. Eles se inspiraram na “lenda urbana” que diz se você juntar 1000 lacres de latinhas, pode trocar por uma cadeira de rodas.

 

Vamos divulgar essa grande idéia!

 

Link para a página no Youtube:  http://youtu.be/SIxh1JRjthk

Share

Vamos trabalhar? – parte 2

Christian Matsuy - segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 - 12:08

Lendo o post da Cris, fiquei inspirado a falar um pouco de como foi a minha volta (dos que não foram) ao mercado de trabalho.

Calma, eu explico: na verdade, não foi uma volta e sim um começo, pois eu nunca havia trabalhado antes de ser cadeirante, tinha 15 anos quando me acidentei e ainda estava no colégio.

Creio que, como aconteceu com os demais autores do blog, mesmo ainda adolescente, ingressar no mercado de trabalho foi uma das minhas grandes preocupações e ainda internado no hospital eu já brincava com as possibilidades num jogo mental de “posso – não posso fazer”.

Deixa eu dar uma encurtada na conversa aqui, senão vira livro :)

Bom, terminei meus estudos, faculdade, fiz alguns outros cursos de especialização, mas não tinha nada em vista. Esse negócio de lei de cotas e acessibilidade em locais de trabalho não havia nascido ainda (1990)! Já os concursos públicos sempre me barraram no edital, pois a pessoa tem que ter um mínimo de autonomia.

Mas com o bom domínio de conhecimentos de informática, sempre fiz bicos desde meu colegial (eu já estava até meio conformado em ser um prestador de serviço), e isso se prolongou até 1997, quando ví um anúncio em um grande provedor de acesso à Internet recrutando pessoas com deficiência para trabalho à distância.

Apesar do salário digamos que… ridículo, me candidatei e fui aprovado com uma certa rapidez, pois segundo o RH da empresa, mesmo nessas condições haviam pouquíssimas pessoas com as qualificações mínimas exigidas (saber utilizar as ferramentas do Office e ter um bom conhecimento de Internet). Fiquei sabendo que foram contratadas seis pessoas para exercerem a mesma função Brasil adentro. Em 2 meses, todos foram dispensados, menos eu. O pessoal não estava dando conta do serviço. Minha gerente da época me ofereceu uma vaga interna pra fazer o serviço desse pessoal, mas eu recuseiMEDO. Muito medo de sair de casa e passar 8 horas longe dos meus pais.

Tenho uma lesão super alta (C4/5), o que me torna muito dependente. Na hora você já imagina aquelas situações chatas de esvaziar coletor, alimentação etc… pô, eu estava muito inseguro. Continuei trabalhando em casa com uma carga horária ampliada e salário melhorado. Fiquei 3 anos nessa vida e mais uma vez estava me conformando com a situação, que não era incômoda, mas não remunerava bem e tomava muito tempo.

Continuou assim até essa mesma gerente que me chamou pra trabalhar mudar de emprego. Assim que ela mudou, ligou e disse que me queria junto de qualquer jeito, mas tinha que ser pra trabalhar no local! Daí pensei muito, muitas noites sem dormir até que aceitei fazer uma entrevista. Ao mesmo tempo, pensava no lance dessa oportunidade não bater novamente em minha porta. Detalhe que ela não tinha idéia da minha deficiência, e com certeza ela achava que era algo mais leve, mas confesso que foi uma sensação boa, de alguém te chamar pela sua qualificação.

Apesar desse “choque inicial”, de imediato coloquei minhas necessidades básicas: alguém que me auxiliasse com a alimentação, água, xixi (esvaziar meu coletor de perna), e entrar e sair do carro. Pro meu espanto ouví: -”é só isso que você precisa?” E foi assim! Pro meu espanto, a ajuda sobrava… As pessoas sempre muito solícitas e é assim até hoje. E não estou falando de empresa pequena, e sim uma indústria multinacional com mais de 1000 funcionários. Infelizmente essa não é a situação real do mercado. Sabemos que as empresas garimpam as pessoas “menos deficientes possíveis”, e que tenham autonomia pra se virar sozinhas. Já escrevi sobre isso nesse post.

Era um trabalho completamente diferente do que eu realizava, mas nada que eu não soubesse. A princípio detestei, mas a proposta salarial realmente pesou e eu comecei a gostar aos poucos daquilo que estava fazendo. Querendo ou não, aprendi a ter um comportamento corporativo devagarzinho. E fui fazendo amizades, me identificando com as pessoas, o que facilitou mais ainda esse lance da ajuda.

Até campanha pro Teleton eu fiz!

Campanha Teleton 2003

Um ano após eu entrar nessa empresa, fizeram uma proposta de promoção de cargo, uma coisa que jamais esquecerei na vida. E dois anos mais tarde veio outra… E cá estou eu, a 8 anos na mesma empresa.

O que posso concluir e deixar de dica é que a qualificação profissional ajuda superar muitas barreiras, sejam físicas ou de preconceito.

Estar “apresentável” também faz diferença (na verdade isso vale pra qualquer um). Não adianta você achar que vai conseguir um emprego usando calça de abrigo, com o umbigo aparecendo e a camiseta suja de molho de macarronada, que não vai. Saiba trabalhar isso em você. Seja cadeirante, mas seja limpinho, ok?

Share

Vamos trabalhar?

Cris Costa - quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 - 16:35

Voltar a trabalhar ou entrar no mercado de trabalho não é fácil pra ninguém, e quando se tem alguma deficiência ainda é um pouco mais complicado. Com a lei de cotas, o mercado melhorou muito. Eu sei que esse muito tá longe de ser bom ou mesmo razoável, mas que melhorou é fato. Lembro que há 10 anos atrás era bem mais complicado conseguir trabalho e as vagas disponíveis para deficientes eram bem mais limitadas. Nem vou entrar no quesito salário, pois era de chorar.

Lembro que quando me senti pronta pra voltar ao mercado fiquei bem perdida, sem saber por onde começar. Não sabia se ia direto pra iniciativa privada ou se estudava para algum concurso. E além disso, tinha várias questões envolvidas: estava sem carro, há 2 anos fora do mercado, não tinha me formado na faculdade e não fazia idéia de como seria ficar 8 horas seguidas sentada. Mas não via outra opção: ou encarava as dificuldades ou não ia sair do lugar.

Acabou que pintou uma oportunidade de trabalhar 3 vezes por semana numa clínica particular de reabilitação na parte administrativa. O salário era péssimo, a função não me empolgava, mas precisava começar em algum lugar e sair casa. A experiência não foi lá muito boa. O salário não pagava o que gastava com transporte e não tava me acrescentando muita coisa. Até os donos da clínica sabiam disso. Mas foi lá que apareceu uma outra oportunidade. Me falaram que o CVI tava fazendo processo seletivo e que talvez fosse uma boa oportunidade. Topei na hora, e fui lá fazer o tal processo seletivo. Mais uma vez, a atividade não me empolgava. O salário era melhor mas sabia que ia todo no transporte. Mesmo assim, achei que valia. Era pra uma empresa de grande porte, e as possibilidades de melhoria eram boas. E seriam apenas 6 horas por dia, o que me agradava na época. Passei no processo seletivo, fiz o treinamento e um mês depois já tava trabalhando. A área que eu estava era praticamente só de deficientes. Na época foi bom, pois acabei aprendendo muito e tendo uma troca muito bacana com pessoas que tinham bem mais tempo de lesão. Vi gente que já trabalhava há muito tempo, alguns formados, outros casados, enfim, todos levavam uma vida normal. Isso foi muito marcante e me fez ver que as possibilidades estavam abertas pra mim.

Um adendo nada a ver: curiosamente, foi nessa empresa que conheci o cara mais marrento que já vi, um tal de Nickolas Marcon.

Voltando ao assunto, depois de quase um ano na mesma área, surgiu uma oportunidade de trabalhar em outra área da mesma empresa. Já era algo que tinha mais a ver comigo e com um salário que me daria condições de comprar um carro. Me candidatei na hora e depois de entrevistas e conversas, consegui a vaga. Fazendo algo que me dava uma perspectiva melhor, vi que era hora de começar a investir em estudo pra que pudesse continuar crescendo, e assim foi. Fiz vestibular, estudei, me formei e fui melhorando. Fiz outra faculdade e me formei. Agora estou procurando uma pós para fazer. Recebi propostas de outras empresas, algumas boas, outras não. Arrisquei, acertei e errei. Mas essa parte, independe de deficiência, é igual pra todo mundo. O importante é se qualificar para poder buscar oportunidades melhores e de acordo com seu perfil.

É interessante também se informar sobre a empresa que está contratando. Acreditem, já vi algumas contratarem apenas pra cumprir cota.  Se a pessoa era qualificada e podia fazer um bom trabalho, não importava. Tava ali cumprindo a mesma função de um móvel. E isso é ruim tanto para empresa quanto para o funcionário.

Mas o bom é que nesse meio tempo as oportunidades oferecidas melhoraram. Sim, ainda precisa evoluir muito e me aborrece ainda ver empresas anunciando vagas específicas para deficientes. E, normalmente, são de telemarketing ou auxiliar de alguma coisa. Na boa? Se estamos trabalhando para inclusão, o ideal seriam as empresas abrirem vagas para TODOS e, se o cara for cadeirante, deficiente auditivo ou visual, isso não deveria ser empecílio. O que deve importar é o currículo, a experiência e a capacidade de cada um. Mas enquanto isso não acontece, vale tentar se especializar, estudar, fazer uma faculdade… Ok, sei que não é fácil. Nada ajuda, tudo é caro e os meios de transportes são uma vergonha, mas vale pensar adiante e o quanto as portas podem se abrir se você estiver mais preparado. Tente entrar em contato com ONG’s que não só tem contato com empresas como também oferecem cursos profissionalizantes. Faça um esforcinho, pequise e se informe. Nada que o Google não ajude. Aqui no Rio, posso dizer que o CVI e o IBDD fazem um excelente trabalho nessa área. Vale dar uma olhada no site deles.

Enfim, é apenas minha humilde opinião e experiência. Dificuldades sabemos que existem. O importante é estar preparado e agarrar as oportunidades que aparecerem.

Share

Lateral Direita

Buscar