Christian Matsuy - terça-feira, 20 de julho de 2010 - 17:17
Aproveitando o embalo do post sobre medidas da cadeira, vamos dar continuidade ao assunto, dessa vez de maneira mais dosada, discutindo um ítem por post. Assim não fica cansativo e chato de ler, certo?
Logicamente, o assento da cadeira não se inclui nessas duas categorias, mas o tipo deles sim.
exemplo de cadeira com assento rígido
Basicamente nas cadeiras nacionais temos opção de assentos em lona ou vinil (dependendo do fabricante) ou rígidos em alumínio, geralmente uma chapa rebitada ou parafusada ao quadro da cadeira. Essa segunda opção sempre terá um custo extra.
Das vantagens e desvantagens
A maioria dos fabricantes usa a lona convencional para os assentos e encostos padrão, sem nenhum tipo de recurso para ajuste de tensão, fazendo que com o peso de nosso corpo laceie a lona, deixando-a deformada, trazendo vários problemas, como por exemplo, você sentar de forma “afundada” na cadeira (famoso assento selado). A única saída é a troca.
Já tive 2 cadeiras em que o encosto e o assento eram de vinil (diferente da lona), e haviam 3 cintas embaixo dele para ajustar a tensão (apenas do assento). Eles duravam em média 2 anos e depois disso laceavam a tal ponto que mesmo com as cintas de ajuste, era impossível deixar totalmente esticado. Isso me gerava um incômodo absurdo, a ponto de não conseguir ficar sentado. Mesmo assim eles são mais duráveis que os de lona, que estão praticamente descontinuados pelos fabricantes.
Eu nunca tive cadeiras com assento de lona comum, pois já cansei de vê-los laceados em cadeiras de monstruário, o que me desencorajou totalmente.
Em 2004 eu comprei minha primeira cadeira com assento rígido, e em conjunto com uma boa almofada, resolveu esse problema, até hoje não me preocupo com o assento, pois ele sendo rígido sempre estará certo. A desvantagem é que aumenta o peso da cadeira em 1 kilo e tem um custo extra, que acredito se pagar com o tempo, pois você nunca precisará trocá-lo.
Nas cadeiras dobráveis em X, não há como ter assento rígido. Senão a cadeira simplesmente não dobra ;) !
assento rígido avulso
Nesse caso o que pode ser feito é a utilização dos suportes de almofadas que pode ser improvisado em madeira ou fibra de carbono (opção importada). Eles são feitos para serem inseridos dentro da capa da almofada e ficam apoiados nas laterais da cadeira. A Roho oferece um suporte para suas almofadas também. o peso deles também gira em torno de 1 kilo, vai depender do tamanho de seu assento.
Eduardo Camara - quarta-feira, 2 de junho de 2010 - 12:24
Não sabe quanto de imposto se paga para importar uma cadeira de rodas? Acha as cadeiras fabricadas aqui muito caras? O Mão na Roda descomplica essa questão!
Muita gente reclama – com razão – sobre os altos preços das cadeiras de rodas no Brasil. A maioria bota a culpa no governo, mas será que essa galera tem razão?
Na minha opinião, não. Todos os impostos que incidem sobre as cadeiras fabricadas no Brasil (IPI, o ICMS, o PIS e COFINS) foram zerados. E se a cadeira for importada, só é necessário pagar o II (imposto de importação), que é de 12% para cadeiras manuais e 2% para cadeiras motorizadas.
O engraçado é que o PIS e COFINS para cadeiras foram zerados no começo desse ano. E vocês viram o preço das cadeiras diminuir de lá pra cá? Eu não! Então o que explica os valores cobrados por aqui? Juro que não sei. Passo a bola para os fabricantes.
Abaixo está uma tabela mostrando cada imposto, sua alíquota e também um link com mais informações sobre as alíquotas/isenções.
Impostos incidentes, no Brasil, sobre cadeiras de rodas
Ah, todas essas isenções valem não só para cadeiras de rodas manuais e motorizadas, mas também para aparelhos ortopédicos, próteses e até almofadas antiescaras.
O governo pode até levar a culpa por não fornecer boas cadeiras de rodas pelo SUS, mas quanto aos impostos, até que fez sua parte.
Aguardem o próximo post, com mais detalhes sobre importação de cadeira de rodas!
Cris Costa - quarta-feira, 12 de maio de 2010 - 15:35
Viajar é uma das melhores coisas da vida. Pelo menos eu acho. Mas também pode se tornar um pesadelo, até quando é bem planejada. Às vezes acho que Murphy bolou a maioria de suas teorias numa viagem. Mas enfim, pode dar problema pra qualquer um, e para quem usa cadeira de rodas e por isso necessita de hotéis adaptados e locais acessíveis, o cuidado deve ser redobrado. É importante verificar tudo direitinho pra evitar problemas depois, afinal viajar é pra ser divertido, né?
Primeiro, vamos aos Hotéis.
Se for viajar usando serviços de uma agência de viagens ou operadora, é extremamente importante deixar bem claro as suas necessidades (quarto e transporte adaptado). Pense que há uma enorme possibilidade de que a pessoa que está lhe atendendo não entenda bulhufas de acessibilidade, e que 5 degraus na entrada do hotel ou um quarto sem banheiro adaptado podem não parecer um obstáculo para ela e passarem desapercebidos. Cuidado redobrado nessa hora. Vale sempre conferir com o hotel se eles possuem quartos adaptados, perguntar como são os banheiros e se o hotel possui rampas. Às vezes me sinto neurótica com isso, mas já tive problemas suficientes e agora não canso de perguntar. E peça a agência que está lhe oferecendo o pacote para pedir uma garantia do hotel (um email) de que o quarto adaptado está reservado para você. Exagero? Não. Pense que os hotéis possuem pouquíssimos quartos adaptados, e que usam estes quartos não só para cadeirantes, mas para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Não conte com a sorte. Vai que todos resolvem ir para o mesmo hotel? Não se deixe ficar na mão do destino.
Não sei como funciona para outros países, mas se você vai aos Estados Unidos as agências daqui não garantem o quarto adaptado, e os hotéis só dão essa garantia se fizer a reserva direto com eles. Como as agências/operadoras brasileiras operam através de operadoras americanas (pelo menos foi o que me explicaram, podem me corrigir se estiver errada), elas costumam ter um pacote com número de quartos “reservados” em cada hotel, mas se são adaptados, para não-fumantes ou se vai ter cama de casal ou não, depende da disponibilidade do hotel na hora da sua reserva. As operadoras sempre dizem que não tem problema, mas eu não arriscaria. Acho que no Brasil, Europa e América do Sul isso não acontece. Mas por via das dúvidas verifiquem com a agência/operadora se eles podem te dar alguma garantia (por email se possível) de que o quarto adaptado é seu.
E como disse acima: sempre verifiquem com o hotel como e quais são as adaptações. Mais uma vez digo, não é neurose. Se eu fosse mega safa e menos limitada, não teria esses grilos e iria a qualquer hotel sem problemas. Mas sei que tem adaptações medonhas e prefiro não ter que me estressar porque a porta do banheiro não era larga, o box possui degrau ou o hotel tem escadas e nenhuma rampa na entrada. Se for sabendo o que me espera, fico mais relax.
Uma coisa eu garanto: é bem melhor perder alguns minutos perguntando e se certificando das adaptações no hotel do que ter uma surpresa desagradável na suas férias tão desejadas.
O avião
Pra quem viaja de avião, também é importante ter alguns cuidados a fim de evitar maiores problemas na hora do embarque.
Primeiro, é recomendável que se ligue até 48hs antes do vôo para a companhia aérea, informando que você usa cadeira de rodas e que precisa usá-la até a entrada no avião. Isso pode facilitar e evitar problemas na hora do embarque, pois uma vez que a cia aérea é avisada, eles normalmente reservam os assentos da primeira fila para quem usa cadeira de rodas, o que facilita muito na hora de embarcar.
Para quem viaja sozinho então, é importante esse aviso e explicar se você precisa ou não de assistência ao chegar no aeroporto e quando chegar ao seu destino. Se você deixar avisado eles te ajudam até a saída do aeroporto. Só pra deixar claro, não é um favor que a cia aérea está nos fazendo, isto está previsto na regulamentação da ANAC.
Para quem usa cadeira de rodas motorizada é importante avisar à cia aérea, pois existem algumas restrições para levá-las no avião. No caso das cadeiras manuais, sempre certifiquem-se de que ela embarcou no avião com você. Não aconteceu comigo (ufa! rs) mas já ouvi casos de que o cadeirante foi e a cadeira ficou. Imagina a situação?
Ah, e sempre fiquem com a almofada durante o voo e evitem desmontar a cadeira. Não me espantaria trazerem a cadeira faltando uma roda, rs.
Ah, e há pouco tempo soubemos que em alguns casos a cia aérea dá desconto de até 80% para o acompanhante do cadeirante. Mas a regra não é muito clara, por isso não sei se é fácil conseguir e se a cia tem obrigação de dar o desconto.
Art. 48. As empresas aéreas ou operadores de aeronaves só poderão exigir um acompanhante para o passageiro portador de deficiência, independentemente da manifestação de seu interesse, quando a critério da empresa aérea ou das operadoras de aeronaves, por razões técnicas e de segurança de vôo, mediante justificativa expressa, por escrito, considere essencial a presença de um acompanhante.
§ 1º. Na hipótese da empresa aérea exigir a presença de um acompanhante para o passageiro portador de deficiência, deverá oferecer para o seu acompanhante, desconto de, no mínimo, 80% da tarifa cobrada do passageiro portador de deficiência.
§ 2º O acompanhante deverá viajar na mesma classe e em assento adjacente ao da pessoa portadora de deficiência.
Christian Matsuy - quarta-feira, 5 de maio de 2010 - 15:08
Um dia desses estava eu conversando com o Eduardo e do nada ele me pergunta:
- “Christian, a Bianca está perguntando como você mexe o mouse. Você usa aqueles do tipo trackball*!?” - Eu respondo: – “Não, eu utilizo um modelo bem básico de mouse sem aqueles formatos anatómicos e me viro muito bem!”
*Trackball é esse dispositivo que a esfera fica virada pra cima e tem um tamanho maior, veja a foto abaixo:
Trackball: esfera virada para cima e botões grandes facilitam uso
Deixem-me explicar melhor, pois você também pode estar se perguntando o que tem de errado em movimentar um mouse. Eu sou um tetra “alto” (lesão C4/C5), o que me tirou os movimentos das mãos e punhos. Devido a isso, são necessárias algumas adaptações (nada de absurdo no meu caso) para se utilizar um mouse e teclado e obter um bom rendimento.
É claro que eu não tenho a destreza de uma pessoa com movimentos totais de punho e mãos, mas acho meu desempenho bastante acima do normal e me permito até jogar online de vez em quando. Nos primórdios da informática, os mouses não eram nada ergonômicos. Eram peças bem retangulares e sem nenhuma curvatura, mas com o tempo eles foram se moldando cada vez mais às palmas das mãos, e aí eu comecei a sofrer. Percebendo isso, consegui comprar 4 unidades do modelo com que mais me adaptei e usei por cerca de 10 anos.
Mouse antigo: formato retangular
Mas a tecnologia vai mudando e os mouses foram ficando velhos. Dos quatro, consegui reformar e fazer dois, até que não deu mais para continuar. Chegara a hora de eu me adaptar com um modelo de mouse que estivesse em linha. Após inúmeras visitas em lojas de informática e sites na internet, encontrei um modelo que me propicia um bom desempenho. Uma outra coisa importante é deixar os objetos em posições estratégicas, assim estarão sempre ao seu alcance com deslocamento mínimo das mãos e braços.
O mouse é deslocado apenas com o peso da mão
Atualmente existem equipamentos de tecnologia assistiva que solucionam muitos casos (a mocinha da novela usa vários deles), mas na época em que sofri a lesão, não havia nem sombra desses equipamentos. Então o que pode ser feito foi adaptar o que existia. Mais uma vez, as terapeutas ocupacionais (T.Os) colocaram a mão na massa.
Em se falando de teclados, também foi a mesma coisa. Apesar deles apresentarem uma vida útil bem maior, fui fazendo testes com vários modelos. Essa parte deu menos trabalho, e a dica é tentar encontrar no mercado um teclado que tenha pressão de toque compatível com a sua força, além de bom espaçamento e tamanho das teclas. Teclas de atalho, que minimizam o uso do mouse, também são uma boa característica.
Para a digitação e também para apertar botões de todos os tipos, utilizo uma órtese com ponteira. Realmente, hoje eu não sei o que seria de mim sem ela, pois me permite fazer muitas coisas. Depois de diversos testes, cheguei à conclusão de que a melhor ponteira para meu caso é um lápis novo (sem apontar) e uma dessas borrachinhas que se usam na extremidade do lápis. Testei esses lápis que já vem com a borracha embutida, mas elas duram pouco e esfarelam um bocado. Notem que minha ponteira pode ser adquirida em qualquer papelaria, ou seja, se por acidente esse lápis quebrar, sumir (sim, já aconteceu), ou a borracha gastar, é fácil comprar outra. As T.Os costumar fazer essas ponteiras, na maioria das vezes, com um material moldável termoplástico ou alumínio que você não vai achar na papelaria da esquina.
Órtese e ponteira utillizada para digitação
Já a órtese, foi fabricada na oficina da AACD e me custou 40 reais. Se eu precisar trocar as tiras de couro ou o velcro, eles cobram em média 20 reais. Existem outros modelos tipo luva, mas essa barra estabilizadora foi a com que mais me adaptei e tenho um desempenho superior a 80 toques por minuto.
A ponteira também serve para usar o celular
Outra utilização da ponteira: controles remotos
Essa mesma órtese pode ser utilizada para alimentação, trocando a ponteira por um garfo ou colher com cabo redondo. Em último caso, entorte o cabo.
Ponteira sendo usada para digitar no teclado
Ponteira sendo usada com um telefone de teclas
Gravei esse pequeno vídeo para demonstrar melhor como a órtese funciona:
É complicado também encontrarmos soluções prontas que atendam a todos, haja visto que cada deficiência requer um tipo de adaptação de acordo com o grau de força e mobilidade de cada pessoa. O que pode ser ótimo pra mim, pode ser péssimo pra você. É nisso que as T.Os são especialistas e elas tentam deixar a adaptação o mais adequada e personalizada possível para cada pessoa.
Por último, uma dica para quem utiliza qualquer sistema Windows®: se você pressionar cinco vezes a tecla SHIFT, é habilitado um recurso de acessibilidade importantíssimo para pessoas que só conseguem digitar uma tecla por vez. Esse recurso trava as teclas Shift, Alt e Ctrlaté o próximo toque. Um exemplo: Para digitar o sinal de @ teoricamente precisaríamos manter o SHIFT pressionado e teclar o 2. Com o recurso habilitado, você tecla SHIFT, solta, pressiona o 2 e pronto! Uma de cada vez! Se precisar desabilitar o recurso, basta pressionar Ctrl e Alt juntos. Como elas são coladinhas uma sobre a outra, basta dar uma “dedada” mais nervosa que vai! Aparecerá perto do relógio do Windows um símbolo indicando o status da tecla pressionada e um bip sonoro é emitido a cada utilização.
Cris Costa - segunda-feira, 3 de maio de 2010 - 10:29
Há algumas semanas, fui à dermatologista pra me consultar, e no meio de tantas perguntas que fiz (sou hipocondríaca, lembram? rs), descobri muita coisa bacana que poderia compartilhar. A minha dermatologista deu ótimas dicas para cuidarmos da pele, até porque nesse calorão os fungos e micoses se proliferam mais rápido, e ai já viu, né? É problema na certa. E pra quem fica sentadinho a maior parte do dia, os cuidados devem ser redobrados. Então vamos lá:
1) É importante mantermos todas as áreas do corpo sempre secas. “Como assim Cris?”, você pode perguntar. Bom, eu destacaria para esses casos principalmente os pés (entre os dedos) e a virilha. São áreas que ficam mais abafadas e por isso tem mais probabilidade de gerar algum tipo de alergia, fungo ou micose. É interessante usar talco anti-séptico (tipo “Gramado”, como diria meu avô) nessas áreas, usar roupas íntimas de tecidos de algodão que facilitam a respiração da pele e sempre que possível usar sandálias e chinelos. No caso da virilha, se puder ficar um tempinho deitado na cama sem roupa, ajuda bastante. Quanto menos abafarmos essas áreas, melhor. Uma dica legal é secar os pés com secador. Mas pelo amor de Deus! Usem o vento frio!!! Não quero ninguém com o pé queimado, cheio de bolha dizendo que foi a doida do Mão na Roda que falou que era pra secar os dedos com secador no vento quente. Muito cuidado, principalmente quem tem a sensibilidade alterada.
2) Tentar ao máximo tirar a pressão da áreas com grande risco de formação de escara, como bumbum e cóccix. Dar aquela levantadinha/ajeitadazinha na cadeira pode fazer muita diferença. As escaras não aparecem da noite pro dia, existe um primeiro estágio onde a região fica bem avermelhada. Nessas horas todo cuidado é pouco. É importante procurar posições onde não se faça mais pressão na área que está sensível. E nesses casos, procure logo um médico para te orientar sobre qual a forma mais adequada para tratar o seu caso.
3) Os pés incham, e muito. Eu vivo dizendo que nessa época não tenho um pé, mas um “pébolim”, que é uma mistura de pé com bolinha. Enfim, pra amenizar o inchaço é importante colocar os pés pra cima. Mas quanto pra cima? Os pés devem ficar mais altos que o joelho, e o joelho um pouco mais alto que o quadril. Os colchões “casca de ovo” também são bons aliados. Minha dermatologista também deu a dica de elevar a parte do colchão onde ficam os pés. Existe uma espuma que vende em loja de colchões feita exatamente para isso. Mas se não quiser comprar, coloque livros ou revistas que tenha em casa embaixo do colchão para que ele fique um pouco mais alto na parte dos pés. Ah, e água, bebam muita água. A quantidade de líquido que bebemos faz muita diferença!
Todo cuidado é pouco, ainda mais nos casos de quem não tem sensibilidade abaixo da lesão. Vamos ficar de olho no nosso corpo e tentar passar pelo calor da melhor forma possível. Ah, também não se esqueçam de usar protetor solar, e cuidado com o excesso de exposição ao sol. Além dos motivos óbvios (câncer de pele, queimaduras, etc), como algumas pessoas não suam abaixo da lesão é importante não abusar do calor e correr o risco de uma disreflexia autonômica (isso já é papo para outro post).
E aproveitem a alta temperatura para dar um mergulhinho no mar. O Projeto Praia para todos tá ai pra isso!
Christian Matsuy - terça-feira, 6 de abril de 2010 - 16:52
Com a publicação do post sobre as medidas de uma cadeira, algumas pessoas nos perguntaram por email se existe alguma relação entre elas e se isso pode trazer algum problema na hora do pedido.
A Resposta é SIM. Existem algumas medidas que estão diretamente relacionadas e podem causar grande impacto no resultado final. Tentaremos explicar um pouco melhor como isso acontece.
Centro de Gravidade x Profundidade do Assento
Uma cadeira deve ter o centro de gravidade proporcional à profundidade de seu assento. Uma cadeira com assento curto (abaixo de 40cm, para pessoas baixas) não deve ter mais do que 4cm de avanço do centro de gravidade, sob o risco da cadeira empinar muito fácil, com tendência a virar para trás e aumentando as chances de um tombo.
Inclinação do Encosto x Centro de Gravidade
Outra combinação perigosa. Um encosto muito inclinado para trás em conjunto com um centro de gravidade avançado, também pode deixar sua cadeira muito fácil de empinar. Aqui no Brasil, muitas das cadeiras monobloco não tem ajuste do centro de gravidade e a única que tem regulagem do ângulo do encosto é a Ortobrás M3. Logo, cuidado redobrado ao escolher essas medidas.
Tilt x Inclinação do Encosto x Centro de Gravidade
Como já explicamos, o tilt é a diferença de altura entre a parte traseira e dianteira do assento, essa medida faz com que seu assento fique inclinado, ajudando na estabilidade, mas tilt muito grande somado a encosto muito reclinado e um centro de gravidade avançado, deixa a cadeira praticamente inutilizável.
Centro de Gravidade x Ângulo Frontal
Se você pedir uma cadeira com o ângulo de inclinação frontal mais aberto (80 graus ou mais), sua cadeira tende a ficar um pouco mais difícil de empinar, o que pode ser compensado com um mínimo ajuste do centro de gravidade. Ah, sua cadeira ficará um pouco mais comprida nesse caso, pois quando abre-se o ângulo frontal, você dá uma “esticada” na frente da cadeira.
Largura x Profundidade do Assento
O mais comum é que a profundidade do assento seja igual ou maior do que a sua largura. Se for maior, não há nenhum problema nisso, pois existem almofadas quadradas e retangulares à venda. Uma exceção onde a largura é maior do que a profundidade acontece nas cadeiras bariátricas (para obesos). Fora essas cadeiras, desconheço algum fabricante aqui no Brasil que fabrique assento com largura maior do que a profundidade.
Rodas Dianteiras x Altura Dianteira do Assento ao Chão
Alguns fabricantes te dão a opção de escolher o tamanho das rodas dianteiras, que por padrão aqui é de 6 polegadas. Caso você escolha rodas menores ou maiores, elas poderão influenciar na altura frontal da sua cadeira. Geralmente, quando se escolhe o tamanho da roda dianteira, a fábrica já produz o quadro na medida certa, mas se, futuramente, você decidir trocar a rodinha original por outra de um tamanho muito diferente, fique atento. Alguns fabricantes fornecem o garfo dianteiro (onde as rodinhas são presas) com 3 furos em alturas diferentes. Dessa forma, é possível alterar o tamanho da rodinha da frente e prendê-la em outro furo (mais alto ou mais baixo) , deixando a altura frontal da cadeira inalterada.
Rodas Aro 24 x 25
O padrão para o tamanho das rodas é de 24 polegadas de diâmetro, mas as tão queridas rodas X-Core são fabricadas apenas em tamanho 25. Aparentemente não haveria problemas se tivéssemos disponibilidade de achar pneus e câmeras de ar nesse tamanho aqui no Brasil. Sei que a estética das X-Core agrada muita gente, mas eu ainda prefiro utilizar rodas de 24 polegadas. Se você não está próximo do eixo RJ-SP, fica ainda mais complicado adquirir pneus ou câmeras de ar de 25 polegadas em uma emergência. Nesse caso, aconselhamos que você utilize pneus de borracha maciça, mas já fica o alerta de que são terríveis de rodar em lugares desnivelados e em grama/terra.
Nota: A leitora do blog Janaína Salles nos escreveu dizendo que na ABBR(Associação Brasileira Benefeciente de Reabilitação), no Rio de Janeiro também pode ser feita uma avaliação postural. Consulte endereço e telefone no site deles.
Eduardo Camara - quinta-feira, 1 de abril de 2010 - 14:24
Minha querida amiga Tabata Contri, junto com Rapha Bathe e Carolina Ignarra, está lançando o livro “Inclusao – Conceitos, histórias e talentos das pessoas com deficiência”.
Enquanto Carolina Ignarra compartilha sua experiência na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, Tabata conta a trajetória de doze dessas pessoas. Rapha Bathe contribui com fotos de cada uma delas em seu ambiente de trabalho.
O lançamento será no dia 05 de abril, em São Paulo, na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos, e o livro já está disponível para compra no próprio site da Livraria Cultura e também no da editora Qualitymark. Há ainda uma versão disponível em áudio livro.
…
INCLUSÃO – conceitos, histórias e talentos das pessoas com deficiência
Autores: Carolina Ignarra, Tabata Contri e Raphael Bathe
Data: 05 de abril
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos
Endereço: Avenida das Nações Unidas, 4777 – Jd. Universidade Pinheiros – São Paulo / SP
Christian Matsuy - segunda-feira, 29 de março de 2010 - 01:04
Nossos últimos posts relacionados a cadeiras geraram muitas dúvidas sobre como escolher as medidas corretas na hora de se comprar uma. E baseados nisso, criamos um pequeno guia de como tirar você mesmo as medidas da sua cadeira.
É necessário conhecermos nosso corpo muito bem, como ele se comporta após a lesão, seu nível de equilíbrio, se você é para ou tetra, enfim, essas variáveis que você vai medir “mentalmente”. É importante que você teste seus limites, e faça isso várias vezes, em diferentes situações, com a cadeira em movimento, com ela parada, se imaginar em situações de transferência, tudo isso é muitíssimo importante na hora de decidirmos algumas medidas. Caso ainda não tenha essa opinião formada, agora é o momento para começar a exercitar essas percepções. Independente de você comprar uma nova cadeira.
Existem terapeutas especializados em cadeiras, geralmente terapeutas ocupacionais com especialização em adequação postural. Se você nunca passou por uma consulta com um profissional desses, é altamente recomendável que você o faça. Nos grandes centros de rehabilitação, com um pouco de espera, se consegue uma consulta dessas até de graça. Na AACD SP, por exemplo, é feita uma avaliação com uma assistente social que vai dizer o quanto você pagará pela consulta, ou se ela será gratuita. As unidades das rede Sarah também fazem esse serviço. Algumas lojas especializadas fornecem essa consulta grátis caso compre a cadeira com eles.
Bem, passada essa parte mais burocrática da coisa, vamos às medidas da cadeira propriamente dita.
Nos diagramas acima, vemos uma cadeira mobobloco. Segundo a ordem alfabética temos:
A – Largura do assento
B – Profundidade do assento
C – Altura do assento ao chão – dianteira
D – Altura do assento ao chão – traseira
E – Altura do assento ao apoio de pés
F – Altura do encosto
G – Ângulo do encosto
H – Centro de gravidade das rodas traseiras
I – Largura inferior do apoio de pés
J – Cambagem (inclinação da roda traseira)
K – Distância da roda ao quadro
L – Ângulo de inclinação da parte frontal da cadeira
Explicaremos todas as medidas abaixo, porém gostaríamos de salientar que os fabricantes nacionais não utilizam todas as medidas desse gabarito, portanto é sempre recomendado que você utilize a ficha de prescrição fornecida pelo fabricante. Em caso de dúvidas, não hesite em ligar para a fábrica e perguntar. Se você não se sente seguro o suficiente, procure ajuda especializada, afinal você está adquirindo uma cadeira e suponho que vá passar muito tempo sentado nela.
A – Largura do assento
Deve ser medida com a pessoa sentada na cadeira, na região mais larga do seu quadril (abri esse parênteses, pois foi questionado se poderia ser tirada a medida deitado). Leve em conta a sua preferência, mas no geral essa medida deve ser justa, caso você saiba que possa vir a ganhar peso facilmente, calcule essa medida com uma folga, lembrando que essa é a medida que vai influenciar na largura total de sua cadeira, ou seja, quanto mais larga, maiores serão as dificuldades para passar em portas e outros lugares onde costumamos entalar.
B – Profundidade do assento
A profundidade do assento é uma medida que vai depender da sua altura. Ela também influi no modo com que suas pernas ficarão posicionadas: em teoria, assento mais curto tende a deixar as pernas abertas e assento mais profundo tende a deixar as pernas mais juntas, lembrando que isso é teórico e pode não ser uma verdade para todos. A profundidade é importante para uma distribuição de peso mais uniforme sobre a almofada do assento. Se você tem problemas com úlceras de pressão, pense nisso. Leve em conta o seu gosto também.
C – Altura frontal do assento ao chão
Essa medida, o nome já diz tudo né? Acredito que aqui não serão necessárias muitas explicações, porém é importante salientar que essa medida é que vai definir em que altura seus joelhos ficarão, ou seja, ela indica se você vai ter facilidade de entrar embaixo de certas mesas. Pessoas com mais de 1,80m devem ficar atentas a essa medida, e eu sou prova disso, pois já tive uma cadeira que não entrava embaixo da mesa da minha própra casa (confiei no vendedor de cadeiras e me ferrei).
D – Altura traseira do assento ao chão
Assim como a medida acima, ela também é auto-explicativa, mas aqui temos um detalhe importantíssimo: a diferença entre essas duas medidas. É recomendável que exista uma diferença, com a frente mais alta que a traseira, e essa diferença recebe o nome de TILT. com a altura traseira um pouco mais baixa, seu assento terá uma inclinação, que lhe dará estabilidade e equilibrio, pois você ficará mais “encaixado” no assento. Até mesmo algumas cadeiras que não são feitas sob medida têm uma diferença. Mínima, mas têm. É complicado falar em números, pois mais uma vez é preciso saber se a pessoa gosta disso, mas no geral 5cm de tilt é algo que podemos deixar como padrão. Eu, pessoalmente, utilizo 10cm de tilt em minha cadeira. Na hora que alguém freia bruscamente a cadeira, essa medida evita que a força da inércia te jogue pra frente. Uma cadeira com a traseira mais baixa também pode possibilitar que você consiga até colocar a mão no chão e pegar objetos que caíram, o que pode ser muito benéfico.
E – Altura do assento ao apoio de pés
Aqui temos que tomar cuidado e medir muito bem, pois o apoio não deve ficar abaixo do ideal, isso pode até lhe trazer alguma deformidade. E se ficar alto, pode forçar muito devido ao excesso de peso de suas pernas podendo ocasionar incômodos, além do que isso lhe deixará com as pernas mais abertas também.
F – Altura do encosto
É mais do gosto da pessoa. O ideal é que não ultrapasse a altura da sua escápula, deixando seu tronco livre para fazer movimentos de giro e facilitando o toque da cadeira.Verifique se não existe nenhum problema com sua coluna, pois a dor nas costas pode ser devida a um mau acerto de altura ou ângulo de inclinação do encosto. Quanto mais baixo, mais liberdade você terá, até mesmo para a sua função pulmonar. Sua cadeira não é pra ser a “poltrona da vovó” (larga, alta…) , mas um encosto mais alto dá mais suporte. Avalie bem suas condições físicas antes de mudanças radicais e, se puder, escolha uma cadeira com a altura do encosto regulável.
G – Ângulo do encosto
Aqui também não temos muito mistério. Há quem prefira ficar com o tronco mais ereto e quem goste de ficar um pouco reclinado, eu utilizo 89 graus, inclinado levemente para frente. Assim, com o peso das minhas costas, o encosto cede um pouco me deixando na posição que eu gosto. Se você escolher 89 graus, sua cadeira ficará um pouquinho reclinada para trás levando sempre em conta o laceamento do encosto, Ah! se seu encosto for do tipo rígido, não conte com o fator dele lacear.
H – Centro de gravidade / posição das rodas traseiras
Essa medida é muito importante e pouco levada em consideração pela grande maioria devido a falta de conhecimento. De acordo com a posição das suas rodas traseiras, mais à frente ou atrás, a cadeira fica mais fácil de tocar, pois distribue-se melhor o peso. Ela também é responsável por deixar a cadeira mais fácil de empinar, e é preciso cuidado nessa hora pois uma medida errada pode deixar a cadeira muito perigosa e você terá que utilizar rodas antitombo que impedirão que a cadeira vire para trás. Eu acho que empinar é um mal necessário, e a Bianca até já escreveu um post sobre isso. Considerando uma cadeira padrão de 40×40cm de largura e profundidade, para um cadeirante ativo, é recomendado no mínimo 4cm de avanço do centro de gravidade.
I – Largura inferior do apoio de pés
Os fabricantes nacionais não fornecem essa opção, ou seja, a sua cadeira poderá ter essa largura igual a largura do assentou OU com uma diferença de alguns centímetros apenas, o que na minha humilde opinião deixa o apoio de pés muito largo fazendo que nossos pés fiquem devidamente acomodados. Isso evita espasmos, e que seu pé vá para frente em um terreno mais acidentado.
J – Cambagem (inclinação da roda traseira)
É o ângulo de inclinação das rodas traseiras, em cadeiras utilizadas para a prática de esportes é muito comum vermos as rodas inclinadas, pode-se optar por uma pequena inclinação, mas lembramos que isso aumenta a largura total de sua cadeira.
K – Distância da roda ao quadro
Eu nem deveria falar dessa medida aqui, pois desconheço a existência de algum fabricante nacional que utilize essa medida, é basicamente a distância entre a roda traseira e a lateral da cadeira, essa medida também afeta a largura total da cadeira e sempre recomdendamos que ela seja a menor possível. Não estranhe se não encontrar essa medida nos formulários de prescrição, mas a medida que vem padrão é aceitável.
L – Ângulo de inclinação da parte frontal da cadeira
Aqui será definido o modo que desejamos deixar nossas pernas, se você prefere ficar com o joelho completamente dobrado, escolha 85 graus, mas se isso lhe causa algum desconforto você pode abrir mais o ângulo, lembrando que isso deixará o comprimento total de sua cadeira um pouco maior. Os fabricantes nacionais não fazem cadeiras com mais de 85 graus de inclinação.
Toda cadeira nova tem um tempo mínimo para adaptação (principalmente quando se sai de uma com medidas padronizadas para uma personalizada), quando sai sentei na minha primeira cadeira sob medida, achei muito estranho, mas em poucas semanas já estava me entendendo com ela. Acho que o mais importante foi escrito aqui, o guia não está perfeito, mas já ajuda a esclarecer muitas dúvidas. Em breve teremos posts referentes a acessórios e outros opcionais que uma cadeira possa ter.
Eduardo Camara - quinta-feira, 25 de março de 2010 - 17:27
Já fizemos a lista de táxis acessíveis do Brasil, e agora montamos uma dos motéis adaptados para cadeirantes! A lista ainda é pequena, mas com a ajuda de VOCÊS, ela pode ficar beeeem maior.
Então, galera, compartilhem o que vocês sabem e dêem as dicas. E se já visitaram algum dos motéis da lista abaixo, comentem sobre ele também!
Agradecimento especial para Toninho, Brunna , Tatiana, Sheila e Dr. Thiago pelas dicas!
Atualização em 05/06/2010: Sete novos motéis em Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal!
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BA – Salvador
Motel Scala
Site: www.motelscala.com.br
Endereço: 1ª Travessa da Avenida Frederico Pontes, 62 – Comércio
Tel: (71) 3416-5000
Vis à Vis
Site: www.moteisvisavis.com.br
Endereço: Av. do Forte, 235 – Cristo Redentor
Tel: (051) 3344-0099
Obs: Possui uma suíte “Internacional” adaptada
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SP – Barueri
Riviera Site: www.motelriviera.com.br
Endereço: Rod. Castelo Branco, km 20 – Jd Santa Cecília
Tel: (011) 4191-1472
Obs: Tem uma suíte “Grega” adaptada
Eduardo Camara - quarta-feira, 17 de março de 2010 - 00:52
Para não encher TANTO o saco de vocês todos com as tais handbikes, criei um novo blog específico para o assunto. Lá vou entrar em mais detalhes sobre competições, equipamentos e o que rola sobre handbikes por aqui no Brasil e pelo mundo. O blog acabou de começar, mas já está com um calendário completo das provas daqui do Brasil! Para quem quiser acompanhar, é só passar no Handbike Blog.