Bianca Marotta - segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 - 18:58
É chato reclamar, mas muitas vezes na vida a gente dá uma de chato e reclama, senão a coisa não anda. Então, quero aproveitar esse nosso espaçozinho aqui e reclamar um tantinho da falta de atenção com o cliente mostrada pelo Vivo Rio.
Vocês se lembram de um post que escrevemos há alguns meses atrás avaliando a casa de shows Vivo Rio? Pois bem. Sempre que fazemos uma avaliação, enviamos um email para o local visitado nos apresentando, copiando o link do post e sugerindo algumas melhorias, quando necessário. Quase sempre recebemos algum tipo de resposta, mesmo que um pequeno agradecimento. Qual não foi nossa surpresa (será que ficamos mesmo surpresos?), quando sequer recebemos uma resposta automática .
Fiquei bastante decepcionada e queria registrar aqui a minha indignação! Quem sabe, assim, alguém se pronuncia?
Desculpe aí o desabafo! Voltamos agora à nossa programação normal. ;)
. . .
Abaixo o email que enviamos para o Vivo Rio:
Prezados senhores,
Sou co-autora do blog Mão na Roda, publicado no Globo na Internet (www.oglobo.com.br/blogs/maonaroda). Nele escrevemos sobre acessibilidade e sobre o cotidiano de pessoas com deficiência. Costumamos também fazer avaliações de locais onde percebemos que houve alguma preocupação com acessibilidade.
Há alguns dias atrás, uma de nossas colaboradoras esteve no Vivo Rio e escreveu sobre as adaptações feitas pelos senhores. O texto encontra-se no seguinte endereço: http://oglobo.globo.com/blogs/maonaroda/post.asp?t=casa_de_shows_-_vivo_rio&cod_Post=135282&a=320.
Gostaríamos ainda de saber se vocês pretendem, em algum momento, tornar acessíveis também os setores mais baratos da casa. Seria o ideal, pois se a pessoa com deficiência for ao Vivo Rio com um grupo de amigos que queira pagar menos, não será possível. Ela terá que ficar em um local separado, mais caro. Sugerimos, como solução TEMPORÁRIA, que a pessoa com deficiência + acompanhante pague preço menor, quando escolher lugares melhores. Não é o ideal em termos de acessibilidade, mas já ajuda até maiores providências serem tomadas. Pedimos ainda, que marquem as vagas reservadas no estacionamento com pintura no asfalto, segundo as normas previstas.
Esperamos que nosso texto ajude a tornar o Vivo Rio ainda mais acessível!
Atenciosamente,
Bianca Marotta
Cris Costa - sexta-feira, 24 de outubro de 2008 - 18:21
Sabendo que ia a um lugar novo, e esperando que tivesse algum acesso, peguei minha câmera e segui para o Vivo Rio. Chegando lá, não vi nenhuma vaga reservada, e como opção (ou falta de) deixei meu carro no Valet Park. Para tanto conforto tive que pagar a bagatela de R$ 15,00, preço fixo do lugar.
Saí do carro e me dirigi a entrada da casa de shows. Até ali, tudo bem. Chão liso e sem degraus. Logo que entrei, um "moço" muito gentil se aproximou para me ajudar. Os lugares acessíveis da casa ficam no andar debaixo e para isso tem um elevador. Também tem lugar no andar de cima, mas é bastante apertado e cheio de degraus. Os melhores lugares da casa são a área VIP, Setor 1 e 2. O setor 3, apesar de ser no mesmo ambiente, fica numa plataforma mais alta com alguns degraus pra se chegar a ele. A casa reserva alguns lugares na área VIP e no Setor 1 para pessoas com deficiência e infelizmente esses são os lugares mais caros do Vivo Rio. Para quem pode desembolsar uma grana a mais, vale a pena. A área VIP é praticamente colada no palco.
Enfim, assim que deixei minhas coisas na mesa, fui logo checar os banheiros. A casa possui 2 banheiros adaptados (cabines únicas, só para deficientes) um de cada lado do palco. Os banheiros são amplos, possuem barras de apoio e a pia é vazada.
De volta ao show, agora é aproveitar e se divertir. Achei o acesso do Vivo Rio muito bom. Porém – ah porém – qual não foi minha surpresa ao sair, quando descobri que o pessoal do Valet Park tinha estacionado meu carro numa vaga reservada!
Quando olhei para cima, vi a plaquinha sinalizando as vagas. Fora isso, não vi mais nada indicando que a área era reservada, e no escuro ficava quase impossível perceber a tal placa. E se as pessoas já abusam, quando as vagas são bem marcadas, imagine quando se tem só uma plaquinha. Pelo menos, esse foi o único empecilho. De resto, foi relaxar e aproveitar!
• • •
| Pontos positivos: |
Pontos negativos: |
|
• Estacionamento no local • Acesso com elevador • Banheiros acessíveis • Espaço interno com piso regular
|
• Vagas reservadas mal sinalizadas • Espaço reservado para pessoas com deficiência apenas nos setores mais caros
|
|
Avaliação: Bom

|
• • •
Vivo Rio
Av. Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro
www.vivorio.com.br
Eduardo Camara - segunda-feira, 28 de janeiro de 2008 - 12:32
Quando fui visitar o Circo Voador para tirar algumas fotos, indo a pé do Largo da Carioca em direção à Lapa pela Av. República do Paraguai, passei por uma situação bizarra, para não dizer perigosa. De uma hora pra outra a calçada foi diminuindo, diminuindo, diminuindo e… sumiu! É isso mesmo! Sumiu e a partir desse ponto tive que “pular” de um meio fio com quase meio metro de altura e disputar o asfalto com ônibus e carros que faziam a curva a centímetros de mim. Lamentável.
Chegando à Lapa, constata-se que a área em torno do Circo Voador também não é muito legal para quem é cadeirante. Quem for de carro pode parar em alguns estacionamentos que ficam próximos (alguns até tem vagas reservadas!), mas em todos eles o piso é precário, de terra ou cheio de pedrinhas. As ruas e calçadas são esburacadas e sujas, além de poucas terem rampas. Por sorte, encontre uma delas que me colocava em frente à entrada principal do Circo.

Lá dentro, o cenário muda completamente. O novo Circo Voador, inaugurado em julho de 2004, tem um projeto bastante acessível. Na minha opinião, que já assisti a vários shows por lá, o mais legal do novo projeto é poder chegar com a cadeira em qualquer ponto da platéia e poder buscar a melhor visão do show. Quer ir para a pista e se misturar com a galera? Sem problemas! Uma pequena rampa está lá e torna isso possível sem grandes esforços. O show está muito cheio e você quer enxergar algo? Basta subir a grande rampa externa que leva ao andar de cima, de onde se enxerga o palco inteiro sem barreiras! Nada de área reservada onde o cadeirante fica isolado do público: no Circo, você consegue enxergar e curtir o show com todos e como todos. Um verdadeiro projeto acessível e inclusivo. O que poderia ser um pouco melhorado é a altura dos guichês para compra de comida e bebida e o balcão do bar. Quem está sentado mal consegue enxergar – e ser enxergado por – quem está do outro lado.

Ah, sim! No térreo existe um banheiro adaptado (unissex), com um baita símbolo de acesso na porta e a palavra “Exclusivo”.
Levando tudo isso em conta, damos ao Circo a nota máxima do blog!
PS: Aproveito para dizer que o local não é apenas uma casa de shows, mas também abriga mostras de arte, cursos e diversas outras atividades (maiores informações: www.circovoador.com.br).
• • •
| Pontos positivos: |
Pontos negativos:
|
|
• Acesso a todos os pontos da platéia • Ótima visão do palco a partir do andar superior • Banheiro adaptado e sinalizado • Área ampla, ótima circulação
|
• Balcões e caixa muito altos para cadeirantes • Dificuldades de acesso no entorno
|
|
Avaliação: Ótimo

|
Clique aqui e veja sua localização no mapa.
• • •
Circo Voador
Rua dos Arcos S/N – Lapa
Tel: (21) 2533-0354
http://www.circovoador.com.br • webmaster@circovoador.com.br
Gabriella Savine - terça-feira, 8 de janeiro de 2008 - 12:15

Aniversário de criança em casa de festas: evento onde pais e filhos se confudem no meio de tantos brinquedos! Será que é facil encontrar uma casa dessas acessível a cadeirantes? E o acesso aos brinquedos, como será?
Convite na mão e vamos a diversão! Chegando lá é preciso pedir para estacionar o carro próximo a entrada, de asfalto, pois não existem vagas reservadas e o piso do estacionamento principal é de areia. A entrada da casa é no mesmo nível da rua, o que facilita muito a chegada com a cadeira de rodas. Com piso regular e espaços bem amplos, não é dificil circular pelo local.
E os brinquedos? Ops! Muitas plataformas, degraus e pequenas portas dão acesso a eles. Para a criançada deficiente conseguir chegar até eles é preciso uma mãozinha para carregá-las e posicioná-las nos brinquedos, pois em nenhum é possível chegar sem auxílio.
Bom, se depender da alegria da criançada, esses contratempos serão superados facilmente. O serviço oferecido pela casa com muitos animadores é de primeira qualidade, fazendo valer a pena a visita.

No Rio, a Prefeitura publicou no Diário Oficial um decreto autorizando a implantação de brinquedos adaptados em praças públicas, possibilitando a diversão harmônica sem exclusão, mas nada regulamenta as casas de festas fechadas.
Os banheiros não são adaptados, e não é por falta de espaço físico, mas sim de projeto. As portas de 60 centímetros dão acesso a um corredor, onde existem mais portas até os sanitários.
Se pensarmos em cadeiras de rodas para crianças, algumas deverão conseguir passar pelo vão, mas girá-las no pequeno espaço do corredor para acessar os sanitários, nem pensar. Nem a pia externa passa nessa avaliação, pois armários fixos impedem a aproximação da cadeira.
Apesar do excelente serviço e do livre acesso às áreas comuns, classificamos a Casa de Festas Galaxia Kids como regular, pela falta acesso aos brinquedos e banheiros.
• • •
| Pontos positivos: |
Pontos negativos: |
|
• Vagas próximas à loja (sem símbolo de acesso) • Acesso no nível da rua • Espaço interno amplo com piso regular
|
• Brinquedos com dificuldade de acesso • Banheiros inacessíveis |
|
Avaliação: Regular

|
• • •
Galáxia Kids - Barra da Tijuca
Av. das Américas, 12141 – Barra da Tijuca – RJ
Tel: (21) 2498-0561
www.galaxiakids.com.br
Eduardo Camara - sexta-feira, 28 de dezembro de 2007 - 19:05
Há algumas semanas atrás, fui à uma festa na Casa de Julieta de Serpa, no Flamengo. Era o casamento de uma amiga querida, e quando soube que seria nessa casa, imaginei as escadas que teria que encarar. Ela logo me tranquilizou, dizendo que escolheu justamente um lugar que fosse acessível para mim. Fiquei feliz! O local fica numa casa antiga que virou centro cultural e também é alugada para festas. Tem manobrista, mas dei uma sorte tremenda de encontrar uma vaga na Praia do Flamengo, bem em frente à entrada. Não era uma vaga reservada, mas o espaço entre os carros era bem grande e deu para tirar a cadeira sem problemas.
Há rampas na entrada e até uma porta automática! Infelizmente, vários ambientes da casa só são acessíveis por escada, mas o salão da recepção era no térreo. Nele, o único obstáculo ficava no acesso à pista de dança, um degrau, bem alto por sinal. E no fundo dessa pista, encontrei a surpresa da noite: um banheiro enorme! A porta era larga (80cm) e dentro havia espaço de manobras o suficiente. A pia era baixinha, muito confortável para quem fica sentado. Se tivesse as barras de apoio e o vaso fosse um pouquinho mais alto, seria um ótimo banheiro adaptado.
Se algum dia forem lá, fiquem tranqüilos quanto ao banheiro. E quem sabe não colocam uma rampinha para a pista de dança, após lerem esse texto aqui?

PS: Diminuímos um pouco o ritmo nesse final de ano, mas temos ótimas novidades já para o começo de 2008! Feliz ano novo para todos os nossos leitores!
• • •
O que gostamos:
• Serviço de manobrista
• Rampa na entrada
• Porta automática
• Banheiro espaçoso e com porta larga
O que pode Melhorar:
• Apenas o térreo é acessível
• Degrau alto no acesso à pista de dança
• Falta de barras de apoio no banheiro
• • •
Casa de Julieta de Serpa
Praia do Flamengo, 340 – Flamengo
Tel: (21) 2551-1278
http://www.casajulietadeserpa.com.br/ • casajulietadeserpa@casajulietadeserpa.com.br
Veja localização no mapa
Eduardo Camara - segunda-feira, 10 de dezembro de 2007 - 09:07
Há alguns anos atrás, na última noite do Rock in Rio 3, cheguei à conclusão de que estava velho demais para encarar a confusão de mega-shows de rock. Após enfrentar chuva, lama e mal conseguir assistir ao show do Red Hot Chilli Peppers, jurei que abriria poucas exceções e o show do The Police, no Maracanã, foi uma delas.
Fui de carro, estacionei na UERJ e lá encontrei com um amigo. Fomos juntos em direção ao Maraca, procurando a entrada para o gramado, e logo chegamos a uma multidão que se espremia entre grades que levavam a uma única entrada, ridiculamente estreita. Nem a organização nem a PM souberam me dizer se existia uma entrada exclusiva para pessoas com deficiência e, depois de esperar uns 20-30 minutos sem que o tumulto diminuísse, me arrisquei no meio da quantidade imensa de gente tentando entrar. No total, demorei cerca de uma hora para andar uns 200-300 metros, sempre cercado por gente, com muito calor e torcendo para que não acontecesse algo pior. A sensação de estar no meio de uma multidão, em uma cadeira de rodas, é um tanto quanto claustrofóbica e desesperadora.
Após encarar o curral de gente, chegamos ao gramadoquando o show dos Paralamas tinha acabado de terminar. Uma pena.

A organização do show não soube informar por e-mail se haveria área reservada para cadeirantes no gramado, mas lá dentro, após algumas perguntas, soubemos que sim. O gramado foi coberto por uma espécie de tapete de borracha que tornou fácil a circulação com a cadeira de rodas. Rumamos, então, para uma área cercada que também era usada pelo juizado (de menores?). Essa área tinha uma rampa na entrada e era um pouco acima do solo, mas não tanto quanto deveria. Apesar do bom espaço e localização, minha linha de visão ficou na altura da cabeça de outras pessoas, e eu “assisti” ao show como um andante baixinho assistiria. Se o tablado dessa área fosse 30-40 cm mais alto, seria perfeito! Conversando com uma simpática mulher, possivelmente uma funcionária do juizado, fiquei sabendo que no show da Ivete Sangalo o tablado era bem mais alto. Taí, nunca imaginei que um show da Ivete Sangalo poderia ter algo melhor que o do The Police…

O show começou e deu para curtir um bocado. Estiquei-me na cadeira algumas vezes para conseguir enxergar melhor por cima das cabeças pulantes, e volta e meia tinha que pedir licença para as pessoas que insistiam em sentar no gradil da área reservada. Outra coisa que me chateou bastante, foram as falsas grávidas que invadiram o tablado, pulando o show inteiro e se vangloriando por terem enganado o pessoal que tomava conta da área reservada.
Depois que o show terminou, resolvi dar uma passada por um dos recém reformados e enormes banheiros do Maracanã. Pra minha surpresa, o símbolo universal de acesso estava na entrada, mas não encontrei nenhuma cabine adaptada lá dentro. Hã??? É isso mesmo. Não tem cabine adaptada e a rampa da entrada ainda termina em um batente que impede o cadeirante de entrar sem ajuda. E depois têm a coragem de dizer aos 4 ventos que a reforma deixou o Maraca totalmente acessível… Sei disso não…

Não vou fazer uma avaliação do local, até porque a responsabilidade pela organização do evento não foi de quem administra o Maracanã. A qualidade do acesso foi regular. Poderia ter sido boa, caso houvesse uma entrada especial, longe da muvuca, se a área reservada fosse mais alta e se os banheiros fossem adaptados.
No final de tudo, voltando para casa, estava feliz por ter ido ao show, apesar dos problemas. Cheguei à conclusão de que não estou tão velho quanto pensava, ufa! Ainda posso continuar abrindo algumas exceções para os mega-espetáculos.