Ir para conteúdo principal | Acessibilidade do blog

Conteúdo Principal

Táxi em São Paulo – uso do bagageiro

Christian Matsuy - quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 - 12:38

luminoso de taxiSurgiu em nossa comunidade no Orkut, a dúvida de um cadeirante perguntando se era comum a cobrança do uso do bagageiro pelos taxistas.

Na verdade eu já sabia que não poderia ser cobrado, mas nada como ter uma fonte oficial com tal informação, sendo assim rei uma revirada no site da Prefeitura Municipal de São Paulo e estava lá o decreto assinado em 2006 pelo Sr. Gilberto Kassab e reassinado em 2010

NÃO PODE SER COBRADO! O uso do bagageiro para transporte de cadeira de rodas e outro equipamento ortopédico está ISENTO de taxa. Infelizmente tem muito taxista oportunista que além de cobrar por uma coisa que nos é de direito, fazem caminhos mais longos pra faturarem mais com a corrida. 

Na minha opinião, o serviço de táxi custa caro (em qualquer lugar do mundo eu acho), e o atendimento não condiz com esse valor. De vez em quando preciso pegar um táxi para vir embora do serviço e moro bem longe, já peguei inúmeras situações como por exemplo o taximetro já estar em R$8,70 antes mesmo de eu entrar no carro (eu ví ele ligando quando entrou no portão do estacionamento).

Assim como falado no Orkut, já houve situação onde o motorista ficou “puto” por eu colocar a cadeira no banco, uma vez que o cilindro de gás veicular impedia a utilização do porta-malas. Dava pra notar o transtorno na cara do cidadão, o pior que minha cadeira estava mais limpa que o carro dele.

Verifique a legislação vigente em sua cidade!

Bom, chega de blá blá blá e seguem ai abaixo o pedaço da lei que determina a ISENÇÃO pra cadeirantes:

DECRETO Nº 52.066, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2010

Fixa novos valores para o serviço de táxis no Município de São Paulo.

GILBERTO KASSAB, Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei,

D E C R E T A:

IV – adicional de bagagem, quando utilizado o porta malas, correspondente ao valor da tarifa quilométrica na Bandeira 1 da respectiva categoria, no valor de R$ 2,50 (dois reais e cinquenta centavos) para as Categorias Comum e Comum-Rádio, R$ 3,13 (três reais e treze centavos) para a Categoria Especial e R$ 3,75 (três reais e setenta e cinco centavos) para a Categoria Luxo, estando isentos do pagamento pelo transporte de cadeira de rodas ou de aparelhos ortopédicos as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, inclusive temporária, bem como os idosos.

O link para o decreto na integra você encontra aqui.

Ahh! E parabéns São Paulo pelos seus 458 anos na data desse post! 
“NON DVCOR DVCO”

Share

Supermercados

Cris Costa - segunda-feira, 14 de novembro de 2011 - 14:39

imagem de um pacote de compras de supermercadoEu sei que existe uma infinidade de lugares que são mal adaptados ou que não tem nenhuma adaptação. Mas no conjunto da obra acho que os supermercados conseguem ser um dos lugares que possuem maior número de barreiras para um cadeirante.

Nessa minha fase “faço tudo sozinha, sou independente, me deixa“, fui ao supermercado fazer as compras da semana. Peguei uma mochila bem grande pra colocar as compras, e lá fui eu pela rua andando até o supermercado. Confesso que no meio do caminho pensei em voltar. Era Domingo, mega cedo (supermercado cheio é uó, então só indo cedo mesmo), e o caminho era mais acidentado e torto do que me lembrava, tava cansativo chegar. Mas ai a gente respira fundo e segue, até porque a comida e os produtos de limpeza não vão aparecer magicamente na minha casa, então era melhor seguir.

Chegando no supermercado a primeira dificuldade: carrinho ou cestinha? Como o carrinho ia ser mais complicado de empurrar, e por ser maior acabaria me induzindo a comprar mais, optei pela cestinha. Coloquei no colo, e fui. Enquanto ela estava vazia tava “ótema”… Coloquei um item, dois, três… PLOFT, tudo na chon! Peguei tudo, coloquei na cestinha, equilibrei e continuei. Para, coloca a cestinha no chão, pega o que precisa na prateleira, pega a cestinha de novo, mais um, dois… PLOFT! Ai, ai, respira fundo, pega tudo de novo, abstrai do fato que tá todo mundo olhando, coloca na cestinha e segue… Quase mais um ploft depois desisto da cestinha, antes que resolvesse arremessa-la para longe, e pego um carrinho.

Agora não cai mais nada, masssss, é aquela coisa: empurra o carrinho, empurra a cadeira, empurra o carrinho, empurra a cadeira… Necessariamente nessa ordem e alternadamente. UÓ! Mas continuemos, porque a vida é boa, né? Não no supermercado! Já com o carrinho, fui pra parte de laticínios. Ó céus, pra quê tanto “iorgute” de AMEIXA??? Quem come isso? Ok, se tá ali, alguém deve comer, mas é o sabor mais insosso do mundo dos lactobacilos, só perdendo para os de sabor natural. Nenhunzinho de morango pra contar história, ô dó! Enquanto procuro um sabor de iogurte decente, vem uma senhorinha, passando por cima de mim (porque sou transparente, vocês sabem, tô ali, mas não existo, uma miragem digamos assim), estica o braço quase esfregando o sovaco na minha cara (éeeeeeecaaaaaa) pra pegar um iogurte, e o de ameixa, claro. Assim, o balcão devia ter uns 15m, estava vazio e ela tinha que passar por cima de mim??? Puxei a cadeira pra trás, desisti do iogurte e fui pro requeijão. Agora o problema desses balcões de laticínios: eles têm uma “varandinha” onde normalmente ficam os queijos, salsichas e massas, e o resto fica na prateleira que é mais funda (motivo de ter quase levado uma sovacada na cara). Porqueeeee arquitetos, designers ou sei lá quem que desenha essas bagaças??? Aquilo é prático pra quem? Claro que o requeijão tava mais no alto e arrumados um em cima do outro, ou seja, pra pegar um eu ia ter que me equilibrar e equilibrar o pote que estiver em cima. E como Murphy foi concebido em um supermercado, e claro que não tinha nenhum pote sem outro em cima. E agora? Puxa o quadril pra ponta da cadeira, estica o braço, vai puxando o pote com a ponta do dedinho, e aos poucos o pote fica bem na beirada, ai você pega os dois, equilibrando no caminho até o carrinho, rezaaaaaando pra não cair o de cima, deixa um no carrinho e devolve o outro pra prateleira. Ok, podia ter pedido ajuda, mas e o orgulho? Ia reclamar de quê depois? rsrsrrs.

Sigo com minha missão de compras, passo reto e rápido pelo corredor polonês de biscoitos, antes que eles se joguem aos montes no meu carrinho e paro pra comprar escova de dente. Preciso dizer que todas as escovas estavam penduradas na parte mais alta? Ai, eu pego uma embalagem que seja comprida, e fica batendo nas escovas até que a que eu quero caia. Bonito, né? Super fofa a cena, rsrsrsrs. Os problemas com a altura continuam pelo resto das compras, além de que quando tem mais de um carrinho nos corredores o negócio complica, acaba rolando um engarrafamento, desvia daqui, vira pra lá, mas a gente vai se ajeitando. E não menos complicado, você chega no caixa, coloca tudo no balcão, a caixa vai passando os produtos, é um “pi-pi” danado de leitor de código de barras, a tia que arruma as compras vai colocando tudo cuidadosamente na mochila (porque nessa hora eu faço cara de malvada olhando pra ela, do tipo “tô te vendo, cuidado com minhas compras!“), só que o espaço entre os caixas é muito estreito, e a cadeira não passa. E o trequinho de passar o cartão é bem no meio. Como eu chego ali pra digitar a senha??? Puxa a maquininha, puxa o fio, estica o braço, erra a senha, (gente, é muita senha pra uma vida só, preciso de pelo menos umas três encarnações pra justificar tanta senha!) puxa tudo de novo, acerta a senha, tudo ok, dá uma volta gigante pra pegar as compras, coloca a mochila nas costas da cadeira, quase vira pra trás e volta pra casa como se estivesse puxando uma carroça. É fácil? Não. Podia ser melhor? Fato. Compensa? Muito. Mesmo com todas as dificuldades, muitas comuns a todos independente de deficiência, fazer o que quero, como eu quero, quando eu quero não tem preço!

Share

Quem mudou?

Cris Costa - quarta-feira, 2 de novembro de 2011 - 10:37

De uns meses pra cá, tenho feito muito mais coisas “a pé” do que fazia antes. Mas assim, beeeeeem mais. E fiquei pensando se as coisas estão melhorando ou eu é que tô menos enjoadinha, fresquinha e preguicenta. Outro dia fui encontrar com uns amigos num bar perto da minha casa e resolvi ir sem carro, pra poder beber sem restrições e porque dificilmente acharia vaga. O lugar fica a uns 4-5 quarteirões da minha casa, e lá fui eu toda-toda me achando independente, moderna e maluca, por saber que ia chegar no lugar em frangalhos estragando todo  visual cuidadosamente elaborado antes de sair. Mas fui, e o melhor foi que a rua que dava no bar era uma descida, então peguei a reta, fui no embalo, cabelos ao vento… uma delícia! Acho que ali entendi um pouco da paixão do Dado por pedalar. Não que ele ligue para os cabelos dele ao vento, rs, mas pra sensação de liberdade. Só que tive que interromper minha jornada cabelos ao vento por causa de um sinal, e no outro quarteirão já era o bar. Mas foi muito bom ir sozinha.

Porém essa não foi a única ocasião. Há um tempinho atrás tive uma reunião de trabalho na Barra (Zona Oeste do Rio) e como acabou cedo e a empresa fica dentro de um shopping, resolvi aproveitar o tempo livre e  dar um passeio “pra ver a moda” . O shopping que eu tava não era lá essas coisas e resolvi ir para um outro, ao lado, que tinha mais opções. Fui andando como se não houvesse amanhã. Nem parecia Rio de Janeiro. Pra mim, parecia milagre, pois não sou de ficar zanzando muito, pra isso acontecer é porque tô tranquila em relação ao local. E fiquei impressionada em achar escadas E rampas nos lugares. E rampas decentes, não aquelas mulambentas que acabam sendo piores que degraus. Consegui circular tranquilamente e vi banheiros adaptados. Ok, como estou falando de shopping é mais fácil ter uma estrutura acessível. Mas já vi coisas absurdas em shoppings, então existe uma preocupação maior, sim. Acho que hoje já existe uma consciência (ou mais leis, fiscalização ou tudo junto, vai saber…) de acessibilidade e de uma forma geral vejo muita melhora.

Outro exemplo do que melhorou: outro dia liguei para um laboratório pra marcar um exame, e a atendente me perguntou se eu era cadeirante, pois a unidade que eu tinha escolhido, apesar de ser acessível, não tinha banheiro adaptado, e caso eu fosse cadeirante, ela me indicaria outra unidade com banheiro adaptado. Foi a primeira vez que vi isso na minha vida. Eu nem tinha falado nada de cadeira e a atendente já se antecipou e soube dizer o que cada unidade oferece? O mundo tá mudando, sim! A passos de formiga, é verdade, mas tá melhor. Acho que nos últimos cinco anos as coisas deram uma boa melhorada. Mas já era hora, né?

Vejo isso no mercado de trabalho também. As ofertas hoje são melhores do que no passado, que eram praticamente restritas ao telemarketing. E vejo as empresas mais preocupadas em ter o perfil correto pra vaga, do que apenas cumprir a lei de cotas. Finalmente entenderam que contratar somente para cumprir cota é prejuízo. Afinal, acabavam contratando uma pessoa sem avaliar se ela realmente tinha o perfil pra vaga. Resultado: em pouco tempo os dois estavam insatisfeitos, e a pessoa partia pra outra oportunidade. Tempo e dinheiro gastos a tôa. Tem muita gente boa por aí, e que pode e quer fazer um bom trabalho, basta estarem no lugar certo.

Mas será que melhoraram mesmo, ou meu olhar e postura é que mudaram? Ainda me faço essa pergunta, pois vejo muita gente reclamando. Não tô dizendo que tá tudo ótimo, longe disso. Apenas que muita coisa melhorou e que tem muita coisa que tá ruim pra qualquer pessoa, deficiente ou não. No fundo acho que teve melhoras, mas que eu também mudei. A verdade é  que se quero estar de igual pra igual no mundo, ficar em casa reclamando não é  o caminho.

 

Share

Vagas pra quem?

Cris Costa - terça-feira, 23 de agosto de 2011 - 09:32

família desembarcando em vaga reservada

Outro dia recebemos um email de um leitor mostrando uma situação inusitada em um shopping onde um carro parou atravessado em frente  vaga de deficientes travando os carros que estavam estacionados nas vagas. Daí veio uma discussão entre nós sobre as vagas marcadas. O Nick já falou sobre o assunto, mas como é algo que atormenta constantemente a alma dos cadeirantes resolvi falar mais um pouco sobre o assunto.

Sabemos que muitos shoppings são uma zona mesmo e não ligam se as vagas são respeitadas ou não. Pra que né? Dá trabalho, o cliente que parar ali inadequadamente vai reclamar, situação chata, então deixa. Mas alguns shoppings estão adotando uma estratégia bem interessante de colocar as vagas reservadas junto a área VIP, mas cobrando o preço normal. Esquema que ajuda e muito a evitar os caras de pau. Nisso me lembrei que fui ao Shopping Leblon e lá no andar onde ficam as vagas marcadas fica um moço “cuidando” para que não sejam mal usadas. Achei bacana. Mas porém, ah porém… Quando fui estacionar, logo depois veio um carro com um casal e uma criança de uns 6 anos e estacionaram na vaga marcada. Fiquei sem entender nada.

Como sempre, não me agüentei e perguntei pro moço:

 - Moço, assim… não vi nada de “incomum” naquela família, por que eles pararam aqui?

- Ah porque o shopping também permite que famílias com crianças parem nessas vagas.

- Mas moço, eles podem parar em qualquer lugar, um cadeirante não…

- Ah, mas deficiente tem prioridade, fica tranqüila!

- Mas moço, tem muito mais famílias com crianças no shopping do que cadeirantes, se chegarem cinco famílias e pararem nas vagas e ficarem todas ocupadas e depois chegar um cadeirante? Como fica  a prioridade?

- (cri… cri… criii)

Pois é meu povo, comofaz? Com tantas exceções aparecendo, todo mundo pode, todo mundo tem direito e quem realmente precisa, como fica? A vaga  marcada é mais larga por um motivo simples: espaço. E não é porque cadeirantes são gordinhos. Pra entrar no carro com a cadeira, esse espaço se faz NECESSÁRIO. Pensem: As vagas comuns são mega espremidas. Quem nunca teve que se contorcer pra conseguir sair do carro pois a porta mal abre? Então  tenta fazer isso com uma cadeira de rodas. Inviável, né?    

Sei que é praticamente impossível conscientizar as pessoas disso. Já disse algum “ólogo” (Freud? Foucault? Raulzito?) que a única forma de conscientizar as pessoas é fazer com que elas vivenciem o problema. “Temo” ferrado, né? Como fazer alguém querer vivenciar uma bagaça dessas? Já que não tem como, vou apelar pra imaginação e tentar algumas associações:

A situação real é: você é cadeirante, chega no shopping todo disposto a se divertir e fazer umas compritchas. Chega no estacionamento, se dirige pra onde tem as vagas reservadas, chega lá, pimba: tudo ocupado. Você olha e vê que a maioria dos carros não é pra quem precisa e ainda vê uma dondoca saindo de sua SVU sem a menor cerimônia.

Então…  

Pense, você comeu aquela “maonese” estragada e um prato inteiro de toucinho. Bateu aquela cólica fenomenal e você sai correndo procurando um banheiro. Teoricamente não tem outro lugar que você possa resolver o tsunami que está prestes a acontecer. Chegando no banheiro, o que acontece? Todas as cabines estão ocupadas. Supondo que vc tenha visão raio-x, você nota que as pessoas que estão na cabine estão: escovando os dentes, lendo um livro, falando no celular. E você, que precisa do troninho fica na mão, sem poder usar o local que foi reservado para esse fim. Legal, né?

A sensação é mais ou menos essa. Você se sente completamente rendido, sem direito a resposta ou ação. A lei não é clara em relação as vagas, não existe punição e os shoppings preferem não se indispor com os clientes, então não se envolvem com a questão. E nem vou falar de consciência das pessoas porque ai já é demais, né? Por isso segue a briga (o que deveria ser direito) de quem realmente precisa com os manés, sem noção e com as novas exceções que aparecem a cada dia. Fico imaginando o dia em que pessoas que usam aparelho odontológico também vão precisar usar as vagas… Ô dó!

Share

Projeto: Ser cadeirante

Cris Costa - segunda-feira, 1 de agosto de 2011 - 10:21

Eu nunca fui muito lá muito organizada, mas depois que passei a usar cadeira de rodas tive que ter um mínimo de organização, planejamento e replanejamento ou então as coisas não aconteceriam. Cada vez que resolvo fazer alguma coisa, por mais simples que seja, sempre faço um fluxo mental rápido do que pode acontecer, pra que possa antecipar possíveis imprevistos que podem acabar com o que quer que eu queira fazer. Pra entenderem melhor, é mais ou menos assim. Resolvi sair com os amigos, o que rola na cabeça é mais ou menos assim: 

E garanto a vocês que isso é o que passa nos primeiros minutos. Pois não tem planejamento que evite problemas que na hora nem penso que podem acontecer. Ok, eu sei que imprevistos acontecem com qualquer pessoa. Não to fazendo draminha. Mas quando se é cadeirante é necessário um plano A, B, C, muitas cartas na manga, capacidade inigualável de improviso e muito, mas muito bom humor. E as vezes uma ajuda do Santo também é bem vinda. Parece bobagem, mas não é. Basta olhar o fluxo. Se sem contemplar o pior cenário já tá aquela doideira, imaginem se o pneu do carro fura, e vc tá sozinho? Quem vai colocar o triangulo na rua? O restaurante não tinha banheiro adaptado e a “maonese” tava estragada? (Essa é uma boa hora pro Santo entrar na história, rs). Isso só pra citar algumas das zilhões de possibilidades. O problema é que quando se é cadeirante pra tudo você vai ter que, no mínimo, aumentar o custo, tempo ou recurso. Não tem jeito.

 Assim ó:

 - Situação: Carro quebrou

 Tarefa: Mandar o carro pra oficina e chegar em casa inteiro.

 Os passos a seguir são:

 1)    Colocar o triângulo na rua pra não correr o risco de trombarem no seu carro.

 Nessa hora, o santo te abençoou enviando uma boa alma (recurso) que vai te ajudar a colocar o triângulo na rua.

 2)    Esperar o reboque e mandar o carro pra oficina

 O reboque chega, mas não dá pra vc ir junto pq o carro é muito alto. Ônibus nem pensar. Tem que chamar um taxi (custo).

 3)    O tempo que normalmente levaria pra alguém chamar o reboque, mandar o carro para a oficina e ir pra casa pode ser duplicado pois até a boa alma aparecer e vc achar um taxi que leve a cadeira numa boa…

  Ai, só com bom humor, né?

Share

Absurdo…

Cris Costa - quinta-feira, 21 de julho de 2011 - 21:54

Vai entender… Ou talvez eu entenda. Afinal, cadeirante é doente, lugar de doente é na cama, e nunca como visitante em um hospital. Então, pra que rampa ou elevador? 

Essa foto foi tirada no Copa D’or por uma amiga e constante contribuidora do Blog, sempre me enviando bons assuntos. Obrigada Dri Baffa! Segue o texto que ela me mandou sobre a foto:

Bom, eu tirei essa foto ontem, quando fui visitar meu tio. 

Eu estava na fila do elevador e vi essa cena. Tirei a foto.

Depois vi – antes de subir – um rapaz entregando um pacotinho pro cadeirante – devia ser o lanche.

Quando desci, pra não ser injusta e nem acusar sem saber, fui até o tal coffee shop pra ver se não tinha um elevador ou coisa parecida, como outra entrada com rampa e tal. Nada. Não tinha nenhuma outra entrada além dessa escada descendo.

 Um absurdo.

Share

Limitação?

Cris Costa - terça-feira, 28 de junho de 2011 - 14:29

Às vezes não entendo esse olhar de limitação que muitas pessoas têm com cadeirantes. Ok, tem lugares que não consigo ir, outros vou com alguma dificuldade e posso precisar de ajuda. Em alguns, vou conseguir ir numa boa. Outros não vou querer ir e vou usar a cadeira como desculpa. Mas por que sentir pena ou admiração? Será que é porque muitos não conseguem enxergar, quiçá lidar, com as próprias limitações e aí quando vêem alguém com uma limitação visível tem esse tipo de sentimento? Posso estar errada. Vai lá saber o que realmete se passa na cabeça do outro, mas às vezes tenho a impressão que muitos estranham o fato de cadeirantes respirarem e não serem verdes com anteninhas.

Tá, entendo que o diferente salta aos olhos. Cada vez que vejo o Brad Pitt penso: “Eca, que ome bonito, sai daqui, xô!”. Mas porque a cadeira carrega tantos estigmas? Limitação, tristeza, vida incompleta e sei lá mais o que se passa na cabeça das pessoas. Será que é isso que a gente passa? Quando alguém vem me falar de limitação, penso logo na minha mãe que não cansa de dizer : “Você não tem limite?”. E acreditem, não me soa como elogio quando ela fala isso, rs.

Essa questão da limitação sempre foi muito estranha pra mim. Não me sinto limitada pela cadeira. Minha preguiça me limita muito mais. Minhas neuroses então, muitas vezes me paralisam. Não é assim pra todo mundo? Então porque a cadeira assusta tanto?

Canso de ver gente nova, inteligente e fisicamente “perfeita” e que não consegue dar um passo na vida. Fica estagnada sem fazer nada por si, simplesmente vendo o tempo passar. Pior, nem nota que isso acontece. E quando vê um cadeirante, acha que ele é o limitado. Não consegue olhar e ver uma pessoa que tá somente seguindo com sua vida.

Ai me pergunto: quem é o limitado? Entendam, não sou melhor nem pior do que ninguém. Apenas diferente. Mas não somos todos diferentes de alguma forma?

Limitação pra mim tem a ver com acomodação, restrição. É uma paralisia, mas não física. É quando não se consegue fazer um movimento pra melhorar a vida. Também tenho minhas encucações, mas nem por isso deixo de ir atrás do que quero.

Vamos lá gente, somos movidos a desejo! É isso que nos faz seguir em frente. Se eu vou sentada, em pé, com ou sem ajuda é secundário. Pelo menos para mim, é. O importante é perseverar e construir, fazer escolhas que nos agreguem e acrescentem algo para que a gente consiga realizar nossos desejos, sonhos, vontades, chamem do que acharem melhor. Sim, eu sei que numa cadeira as coisas não são fáceis. Tem (muitas) horas que dá no saco mesmo. Tudo é mais difícil, quando não parece impossível. Mas isso acontece com qualquer pessoa. Todos tem seus dias de “minha vida é um saco, porque não sou a Angelina Jolie?”. Mas nos prender às dificuldades é que é limitação. E não podemos fazer nada pelo outro, muito menos mudar a forma como nos vêem. O problema é quando esse é o nosso próprio olhar. Ai é hora de parar e rever os valores. Mas sempre penso que a cadeira não define quem eu sou, apenas como eu vou. A limitação tá no olhar de quem vê, não em mim.

Share

Ser ou não ser?

Nickolas Marcon - sexta-feira, 10 de junho de 2011 - 18:40

Outro dia eu estava conversando com alguns amigos andantes sobre a utilização das vagas de estacionamento reservadas. Sobre as vagas já comentamos em outros textos, mas o que me chamou a atenção foi que, no meio da conversa, alguém me perguntou: “quem tem direito a usar as vagas são deficientes, mas como caracterizar um deficiente?”

Segundo o Decreto 5.296/04, art. 25 §1, Os veículos estacionados nas vagas reservadas deverão portar identificação a ser colocada em local de ampla visibilidade”, ou seja, devem ser identificados com o símbolo internacional de acessibilidade. Desnecessário comentar aqui sobre o povo mal-educado que estaciona na cara-de-pau, mas me espanta um número cada vez maior de pessoas que tentam dar “um jeitinho” para ficar com a consciência tranquila.

Acontece que qualquer pessoa pode colar um adesivo no seu carro e se auto-intitular “portador de necessidade especial”. Se a própria expressão já está totalmente equivocada, pior ainda é quem usa esse argumento sem ter nenhuma dificuldade de locomoção!!! Bons exemplos são as desculpas de “ah, eu dei um mal-jeito no pé e estou mancando” ou então “estou grávida” ou ainda “tenho mais de 60 anos”. Peraí. Gravidez é deficiência? Óbvio que não. Todo idoso é deficiente? Também não. Aliás, os idosos que nâo têm dificuldade de locomoção devem utilizar outras vagas reservadas, normalmente do tamanho de vagas comuns. Nessa história toda, a “categoria” mais prejudicada são os cadeirantes, pois não têm alternativa. Se as vagas especiais estiverem ocupadas, não poderão utilizar vagas comuns, pois essas não oferecem mais espaço ao lado do carro para passar com a cadeira.

O exemplo das vagas de estacionamento serve para ilustrar uma ideia mais abrangente: toda essa diferenciação criou uma biodiversidade de pessoas ditas especiais sob os mais diversos rótulos. Isso acaba prejudicando quem realmente precisa de condição diferenciada para gozar do seu direito de ir e vir. Pessoalmente, nunca me senti bem sendo diferenciado pela condição física. Não faço questão de ter privilégios nem preferências, apenas quero poder ir aos mesmos lugares onde todos vão, exatamente como eu faria se não fosse cadeirante. Simples assim.

classificação diferenciada no transporte aéreo

Para terminar, coloquei aí do lado uma figura que fazia uma charge ao Americans with Disabilities Act. Para quem não conhece, essa lei americana de 1990 proibia qualquer discriminação baseada na deficiência. Foi base para julgamentos de vários processos onde as pessoas se intitulavam deficientes sob os argumentos mais medonhos, escabrosos e estapafúrdios. Muitos foram indeferidos. Ainda bem.

Senão, o atributo de “pessoa normal” seria mesmo de uma minoria e quem realmente precisasse de uma condição diferenciada veria seu direito se perder no meio de uma multidão de sequelados…

Share

Coisas que não entendo…

Cris Costa - segunda-feira, 23 de maio de 2011 - 15:45

Alguém me explica a situação abaixo?

Você sai de casa, e entra no elevador.  O elevador para em um andar, a pessoa abre a porta olha, não entra e fecha a porta dizendo que o elevador  está cheio. Só tinha você no elevador, que não chega a ocupar 10% do espaço. Mais ou menos assim:

Levando-se em consideração que você tinha acabado de tomar banho, não estava com flatulência, o que pode ter levado a pessoa a achar que o elevador estava cheio:

a) Seu perfume é pior que cheiro de naftalina, ninguém aguentaria descer alguns andares com esse cheiro sufocante;

b) O morador não vai com a tua cara e inventou essa desculpa para não ter que te aturar;

c) Se liga, tua cadeira é muito maior e realmente ocupa o espaço inteiro do elevador;

d) Você é um ET, o morador ficou com medo de ser abduzido e utilizado para experiências extra-terrestres, e preferiu não entrar no elevador;

e) As pessoas são malucas e pronto

 

Vai entender…

Share

Um ano depois…

Cris Costa - segunda-feira, 16 de maio de 2011 - 09:13

Cadeira nova é sempre uma alegria, né? Tá zerada, não empenou, enferrujou, tecido tá novinho e esticado. Mas e agora? Um ano se passou e como estão as cadeiras? Vou contar…

Um ano e meio depois, a TiLite é a mesma. A única alteração que fiz foi um ajuste no pedal, pois acabei pedindo a medida errada e tive que ajustar depois. Mas só, e por falha minha. A cadeira não apresenta nenhum barulho (nunca viu WD-40 na vida), o pouco que o encosto cedeu, acertei com as faixas de ajuste (que são feitas pra isso) e só. Nada empenado. Os pneus ainda são os mesmos (nunca furaram) as rodinhas da frente troquei por outras que tinham uma largura maior e por isso a cadeira iria pipocar menos. Sendo que essa cadeira é a que uso na rua, principalmente no Centro do Rio. Ou seja: ruas instáveis, pedrinhas portuguesas, sol, chuva. Os piores cenários possíveis. E a cadeira passou com louvor em todos os quesitos.

Agora a StarLite. Cadeira chinelinho, que tem vida boa. Só anda em casa e circulou algumas poucas vezes nas ruas do “Leblaum” como se fosse personagem de Manoel Carlos. Essa já viu WD-40 váaaaaarias vezes. Uma das rodas tá meio empenada, encostando no pneu, o que dificulta tocar a cadeira quando isso acontece. O encosto “afundou” muito. O tecido cedeu tanto, que quando vou na rua tenho que me ajeitar toda hora, pois vou escorregando, ficando quase deitada. Os freios já foram apertados e “reapertados” algumas vezes. Outro dia fui tentar tirar a roda grande pra limpar… nada. Acho que enferrujou e não sai dali por nada nesse mundo. Só não acho a situação da cadeira pior porque comprei ela pra ficar em casa. Se precisasse dela pra sair todo dia e circular, tava lascada. Horrível. Qualidade nota zero. Uma cadeira com uso tão restrito não deveria estar assim depois de um ano.

A roda esquerda com o parafuso encostando no pneu, e a roda direito com espaço entre o parafuso e o pneu.

Preciso dizer mais alguma coisa?

Share

Lateral Direita

Buscar