Nickolas Marcon - segunda-feira, 26 de julho de 2010 - 08:59
Lembram do Rio Plaza Shopping? Pois é, aquele shopping em que estava parado o elevador que dava acesso entre os níveis de estacionamento e o nível das lojas? Que o blog entrou em contato com a administração e com vários restaurentes do shopping? E que depois um leitor ainda nos revelou a verdade dos fatos?
Para quem não lembra da história, já fizemos dois posts a respeito:
Botando a boca no trombone
Botando a boca no trombone 2 – o barulho continua…
A última notícia que tivemos era de que o elevador estaria pronto até o final de março/2010. Passados mais de quatro meses, nada mudou. Aliás, mudou sim. Há um tapume enorme no lugar do finado elevador, cobrindo inclusive uma das vagas de estacionamento que eram reservadas (que logicamente não foi demarcada em outro lugar). Reparem na foto: além de não disponibilizarem o equipamento, ainda tentaram reverter em publicidade passando a imagem de uma administração preocupada com a acessibilidade. Isso seria ótimo se o equipamento não estivesse parado há exatamente UM ANO.
Liguei para a administração do shopping perguntando novamente sobre o elevador:
- Rio Plaza Shopping, boa tarde…
- Por favor, o elevador para acesso ao estacionamento já está funcionando?
- Não senhor.
- No começo do ano me informaram que ele ficaria pronto no mês de março, mas até agora nada. Vocês têm alguma previsão de quando ele estará pronto?
(silêncio sepulcral)
- Bem… na verdade…
(mais um minuto de silêncio em memória do elevador)
- Não temos previsão, senhor…
Infelizmente, esse caso parece ser mais um exemplo de obra de acessibilidade que foi feita para conseguir a liberação da prefeitura (alvará) e cuja solução do problema ainda vai rolar por muito tempo…
Eduardo Camara - sexta-feira, 23 de julho de 2010 - 14:34
Já tinha 9 anos desde minha lesão quando resolvi partir de vez em busca de um apê. A relação sempre foi de total liberdade na casa dos meus pais, mas sentia falta de um espaço só meu. Era bastante independente, tinha acabado de sair de um relacionamento de quase 3 anos, trocado de emprego e estava querendo dar uma sacodida na vida. Comecei a looooonga procura por um apê e como ela foi desgastante! Já tinha juntado uma grana, mas teria que vender minha alma -que não vale muito – ao diabo e ainda aplicar a merreca na bolsa para conseguir dar entrada em um cafofo aqui no Rio. Para quem não sabe, o metro quadrado da cidade maravilhosa é caríssimo! O preço de um quarto e sala na zona sul do Rio é mais ou menos o de um 3 quartos em um bom bairro de Curitiba, por exemplo. Solução: aluguel!
Claro que alugar também não era barato, mas fiz as contas e dava para pagar o aluguel e ainda sobrava um troco. Mas e para achar o apartamento? Tudo bem que restringi um bocado as minhas opções quando decidi que continuaria morando em Copacabana, bairro onde nasci, cresci e adoro até hoje! Primeiro porque não é um bairro barato, e depois porque a maioria dos seus prédios são construções antigas e muitos não tem rampas na entrada. Alguns, sequer tem elevadores. E para piorar, o bairro ainda tem um certo carisma e está passando por uma revitalização, o que fez com que mais gente entrasse na concorrência por um apê em Copa.

Os muquifos que visitamos eram mais ou menos assim
Tentar alugar um apartamento bom aqui no Rio é frenético. Você acorda cedo pra cacete aos sábados e domingos, cata os classificados do O Globo e começa a ligar para os anúncios de aluguel. Muitos deles não atendem pois são imobiliárias que não funcionam no final de semana, então você também tem que madrugar na 2a feira para saber sobre os apês. E tem uma coisa: se o corretor te tratar bem ou o apê for anunciado mais de uma vez, nem adiantar perder tempo com o apartamento porque ele é uma merda. Apartamento bom no Rio é alugado NA HORA e se o corretor falar que tem que comer caca de cachorro para conseguir a ficha aprovada, te garanto que tem gente que topa!
Logo de cara, consegui achar um apezinho maneiro em um bom prédio com vaga e tudo. Era um pouco barulhento, mas a localização e o tamanho do apê (quarto e sala de incríveis 70m2) compensavam. Caí na asneira de perguntar pro proprietário se eu poderia tirar a porta (de plástico) do box para poder entrar mais fácil com a cadeira. O sujeito fez uma cara tão feia que ali mesmo eu percebi que tinha rodado… Amigo cadeirante: se vai fazer alguma modificação em um apê alugado, NÃO AVISE O PROPRIETÁRIO. Sério mesmo… Se for bobeirinha, tipo tirar uma porta do box para depois recolocar, não avise.
Fiquei quase um ano nesse ritmo alucinante e procurar apê para alugar. Fazia uma ronda nos finais de semana para ver se os prédios tinham acesso básico e, se tivessem, na segunda-feira tentava visitar o apartamento em si. Vi, sem sacanagem, mais de 100 prédios e visitei no mínimo uns 40 apês. Nesse meio tempo, conheci a Bianca. Ela passou a me ajudar na busca (era diretamente interessada, ehehe!) e viu vários apês para mim. Quase consegui alugar alguns deles, mas a minha “ficha” sempre era preterida por outra. E olha que eu tinha um bom emprego estável e um fiador, hein? Cheguei até a ver um apartamento que tinha sido de um cadeirante (Olha só!), com banheiro adaptado e tudo, mas o proprietário preferiu alugar para outra pessoa. É mole?
Depois de tanto tempo dando com os burros n´água, já tinha juntado um dindin a mais, feito algumas contas e cheguei a conclusão que daria para comprar um apê financiado. As coisas também estavam indo muito bem com a minha namorida, praticamente já morávamos juntos e decidimos estreitar ainda mais nossos laços. Reunimos os tostões e mudamos o objetivo da busca: o lance agora era arrumar um apê para nós dois comprarmos!
Não foi nem um pouco fácil… Se por um lado quando vc está COMPRANDO um apê os proprietários te tratam melhor, a responsabilidade é muito maior e a quantidade de picaretas tentando te passar uma bomba aumenta consideravelmente. Negociamos apartamento com ex-presidiária, uma mulher que fugiu do hospício e outra que mantinha uma pessoa em cativeiro dentro do apartamento. Tá, não foi isso tudo não. Exagerei em um dos casos. Mas os outros dois eu juro que são reais!
Depois de 1 ano e meio procurando apê, nossa planilha de muquifos visitados já continha 300 itens. Encheu o saco. Decidimos que tínhamos que relaxar e tiramos férias, viajamos, curtimos… Foi quando voltamos, bem mais relaxados, que fomos visitar mais um apê despretensiosamente. Lembro até hoje: bastou entrar na sala para ter aquela sensação de “é esse!”. Claro que fiz aquela cara de desinteressado para o corretor, para não valorizar. Quando o cara virou de costas e eu olhei para Bianca, percebi que ela tinha sentido o mesmo que eu. Uhu!!!
(continua)
Eduardo Camara - quinta-feira, 22 de julho de 2010 - 13:23

Um dos maiores problemas de quem se torna cadeirante de um dia pro outro é a volta para casa. E não tô falando de encarar as ruas inacessíveis não, estou falando de encarar o lugar onde moramos! Hospitais e centros de reabilitação geralmente são bem adaptados, têm rampas e portas largas, ao contrário da maioria das casas e apartamentos.
Comigo não foi diferente e, quando voltei do hospital para casa, foi um caos! Para entrar e sair do prédio tinha que ser carregado vários degraus acima e abaixo. Minha cadeira não entrava no banheiro e mesmo com a cadeira de banho não conseguia entrar no box. Solução? Tomar banho, durante 6 meses, no meio do banheiro, com uma mangueira ligada na pia, molhando tudo, e totalmente dependente de outras pessoas. Imaginem o trabalhão que dava para tomar um banhozinho simples…
Depois de 6 meses, conseguimos nos mudar para um prédio com apenas um degrau na entrada. Já conseguia entrar e sair do prédio sem mobilizar meia dúzia de pessoas. Para melhorar, comprei uma cadeira de banho com rodas grandes, mas estreita o suficiente para conseguir entrar no banheiro de serviço do apartamento. Pela primeira vez em mais de 6 meses consegui tomar um banho sozinho, e como curti aquele momento! Lembro-me até hoje da água batendo no rosto e da porta do banheiro fechada. Pode parecer bobo para quem não vivenciou, mas aquilo foi uma enorme conquista!
Como o apartamento era alugado, não foi possível alargar a porta do banheiro social. E como não dava para “pular” para cadeira de banho toda vez que tivesse que fazer xixi, a saída foi utilizar a velha garrafinha e o tanque da área de serviço. Também era por lá que eu lavava o rosto, fazia a barba e escovava os dentes. Tudo isso durou pelo menos uns quatro anos. Intimidade quase zero… Dureza, né?
Depois desse tempo todo, arrumei um par de dobradiças offset e finalmente consegui entrar no banheiro social com a minha cadeira! O banho continuava sendo no banheiro de serviço, mas agora eu já fazia o número 2 e todo o resto no banheiro social. Tudo bem que o espaço era apertadíssimo e minha cadeira mal cabia lá dentro. Para usar a pia, tinha que me contorcer todo e para acessar o vaso usava meus dotes de ginasta, mas foi mais um passo adiante e tive aquela sensação boa de me sentir mais “gente” depois de 5 anos como cadeirante.
Ainda não era o ideal. Queria mesmo era um banheirão adaptado, portas largas e tudo mais que eu tinha direito! Mas isso ficaria pra depois. Reformar um apê alugado estava fora dos nossos planos…
(continua)
Christian Matsuy - quinta-feira, 24 de junho de 2010 - 15:49
Esses dias têm feito frio (moro em São Paulo). E nada melhor do que se esquentar ao sol no horário do almoço no serviço. Tem até uma área própria para isso lá. Daí que me veio a idéia de escrever sobre esse assunto que certamente já deve ter sido vivenciado por alguns, que é a “liberdade” que alguns amigos, colegas e às vezes até desconhecidos tomam, de chegar já se apoiando em nossas cadeiras, pendurando coisas… como se elas fizessem parte do “cenário”.
São muitos os pontos da cadeira que as pessoas “acham” que podem utilizar:
Os puxadores servem tanto para se pendurar bolsas e sacolas, bem como servir de apoio para quem estiver ao seu lado.
Outro lugar bastante disputado é o suporte dos garfos dianteiros. Parecem que foram feitos para alguém esticar a perna e apoiar o pé. Não contentes em apoiar o pé, ainda nos balançam como se estivesse ninando um bebê (argh!). E o solado aspero riscando a pintura? Assim não pode, assim não dá. Cadeira de rodas custa caro!
Ainda seguindo nessa linha, às vezes insistem em apoiar os pés nos corrimãos (corrimão é o aro que utilizamos para segurar e tocar a cadeira), lugar que estamos com as mãos frequentemente, vem o cidadão e mete o pé sem se importar se está sujo ou não.
A única exceção que eu abro é para a sobrinhada, que adora brincar com a roda da cadeira, se estiverem na fase de engatinhar então nem se fala, parece até que os corrimãos foram feitos para eles se segurarem e ficarem de pé.
Mais um lugar: a barra rígida do encosto, ali é ótimo para colocarem blusas, ou toalhas (moda praia), e note que sempre é a blusa ou toalha de alguém, nunca a sua. Pô me ajuda aí!
Quando eu tinha cadeira com apoio de braços, era comum outros braços que não os meus estarem apoiados neles. Em churrascos, festas e reuniões desse tipo, era MUITO comum. Eu sei que é “sem querer”, mas acontece.
Agora o ápice: apoiar os pés nos raios das rodas, ah não, isso nem o Papa eu deixo, além de ser perigoso, pode entortar!
Alavanca de freios: quem tem seu cãozinho de estimação, adora. Para pra conversar com você e já começam a estudar “onde” vão amarrar o dog. Eu tenho um amigo que mora em frente ao meu prédio que faz isso sempre, me recuso a publicar fotos dessa cena, até por que ele tem um desses cãezinhos de madame, mas pela “amizade” eu relevo.
Mas a pior de todas, a mais constrangedora, é a cafungada involuntária no cangote. É, é isso mesmo. Você está lá trabalhando em seu micro, concentrado, eis que chega alguém por trás, segura no puxador da sua cadeira para se apoiar, (já aconteceu da minha cadeira quase virar trás!) e posiciona-se paralelo a sua cabeça apontando pra tela do seu micro (geralmente essas pessoas também metem a dedada na sua tela, que dá um trabalhão pra limpar). Coincidência ou não, isso nunca é feito por alguém do sexo oposto ao seu. E o bafo?
Aí não né!? Eu hein…
Bianca Marotta - segunda-feira, 21 de junho de 2010 - 16:34
De uns tempos pra cá, por motivos óbvios, passei a me interessar por acessibilidade na web. Primeiro porque trabalho com webdesign e segundo porque escrevo no Mão na Roda. :)
Foi assim que passei a fazer parte da lista de discussões da Acesso Digital (muito boa pra quem se interessa pelo tema) e tive acesso a vários textos interessantes que brotavam de nossas trocas de email. Resolvi transcrever um deles aqui no blog, pois o que começou como resposta a uma discussão sobre acessibilidade web se transformou numa ótima observação sobre a interação “pessoas com deficiência x pessoas sem deficiência”.
O texto é do nosso amigo MAQ, que é cego e autor do blog Bengala Legal e do site Acessibilidade Legal. Valeu MAQ!
“O grande problema dos arquitetos de informação atualmente é definir quem seja público alvo. Como os empresários, em geral, não sabem que pessoas com deficiência existem, elas nunca estão no público alvo dos arquitetos. É a mesma coisa que acontece com as mulheres em relação aos cegos. Como nós não vemos, imaginam que somos a salvação da lavoura ou, por outro lado, que não somos nada. É essa falta de aproximação entre pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência que cria o preconceito. Essa distância abre espaço para todo tipo de imaginação. Imaginam como somos, o que fazemos, como vivemos etc.
Quando eu estava recém cego, com 21/22 anos, estudava na PUC-Rio e as mulheres me perguntavam quem me dava banho (eu sempre respondia que eram voluntárias) e se eu era virgem… E eu só acabei com a minha fictícia virgindade quando não dava mais para esconder a verdade, pois casei, mesmo assim, muitos tinham dúvidas! (risos).
Esse estigma da deficiência, seja de uma cadeira de rodas, de uma bengala, de um aparelho auditivo, seja o que for, faz com que sejamos “desconhecidos” e as pessoas acabam criando “o mundo do cego”, “o mundo do surdo”, menos um pouco, “o mundo do cadeirante”. Como se não sentássemos nas mesmas cadeiras, não comêssemos as mesmas comidas, não praticássemos as mesmas coisas… Fôssemos todos “espirituais”.
Certa vez uma garota na faculdade me disse que o legal de um cego é que nós víamos o caráter de uma mulher, sua espiritualidade, sua cultura, bondade etc… E ela ficou chocada quando eu disse que tudo isso era legal, mas que era melhor ainda quando vinha acompanhado de pernas grossas, seios médios, boca carnuda e um traseiro que não desse para apalpar de uma só vez.
As pessoas tiram a nossa sexualidade com uma facilidade incrível e ficam chocadas quando a mostramos. Portanto, lemos livros, assistimos televisão, temos carros, moramos em apartamentos alugados ou nossos, assinamos contratos e tantas coisas… Que até navegamos na internet quando deixam! (risos). Tinha de ter uma conclusão com acessibilidade web, né?
Abraços off topic do MAQ.”
Bianca Marotta - quinta-feira, 10 de junho de 2010 - 16:54
Há alguns dias uma amiga minha me enviou um email com a imagem abaixo que achei muito bacana e que apareceu num blog que fala sobre a Suécia. A imagem mostra uma placa que passou a ser instalada nos estacionamentos da cidade de Markaryd, ao sul de Gotemburgo.

“Mas o que tem essa imagem demais?”, você deve estar se perguntando. Bom, quem entende sueco, sabe do que estou falando. A graça desta placa está justamente nos seus dizeres:
“Preguiça não é deficiência”
Perfeita praquele povinho que cisma em estacionar na vaga para pessoas com deficiência por pura preguiça de rodar mais um pouquinho com o carro!
Observação: A informação foi extraída do blog Skandinavien.
Bianca Marotta - terça-feira, 1 de junho de 2010 - 11:52

Já tem um certo tempo, estávamos querendo escrever sobre uma série diferente veiculada pelo canal de TV Channel 4, do Reino Unido. Seis pessoas são deixadas numa ilha remota da Inglaterra e lá devem sobreviver, construir suas próprias casas, cultivar seus alimentos, brigar, se apaixonar. “Grandes coisas!”, você deve estar pensando. “Já vi esse filme antes”. Você acha que viu. O detalhe diferente é que esses seis personagens são pessoas com deficiência. Uma mulher surda, um cego, uma anã, um cadeirante, um homem com síndrome de talidomida e uma mulher com querubismo. Já começou a ficar interessante, né?
Assistindo ao trailler achamos que se tratava de um reality show, mas quando fui procurar mais informações a respeito, descobri que na verdade o programa é um pseudo-reality show. Ele tem formato de reality, mas não é. O programa é apenas escrito e interpretado para parecer um. Ficou mais bacana ainda. As pessoas que vemos lá são atores. Atores com deficiência, coisa rara de se ver. Nem no papel do cadeirante do Glee colocaram um paraplégico de verdade e muito menos na novela das oito. :P
E a história vai além da vida na ilha. Entre uma e outra peripécia no local, a série mostra um pouco da vida de cada personagem antes do desafio, através de flashbacks.
Infelizmente não consegui encontrar muitos vídeos do programa na internet. Acha-se alguma coisa no youtube e no site da série no Channel 4 também temos os episódios, mas estão bloqueados para o Brasil…
Fica a dica. Se alguém já tiver assistido ao programa, deixe aqui seu comentário!
. . .
Trechos da série no youtube (infelizmente, todos em inglês):
Apresentação da série
Trecho onde personagens se conhecem
Diálogo entre o cego e o homem com síndrome de talidomida
Pequena apresentação de Dan, o cadeirante
O cego e um rifle no meio da mata
Cego fala sobre sua falta de audição super-sônica
Christian Matsuy - segunda-feira, 17 de maio de 2010 - 12:44
No dia 03 de Maio recebi um e-mail do site vagas.com.br, no qual tenho cadastro.
A i.Social (que divulga oportunidades de emprego para PCDs através desse site) me enviou a vaga com o descritivo abaixo:
(ver a imagem aqui do anúncio original recortado de minha área de trabalho)
. . .
Empresa multinacional no segmento de distribuição de bebidas.
Auxiliar de Execução A./São Paulo- RTR.
Pré-Requisitos:
Boa comunicação, argumentação, pró ativo e habilidade para trabalhar em equipe e possuir carteira de habilitação de moto.
Descrição das atividades:
Visita aos Pontos de Vendas de pequeno varejo para a execução de merchandising. Reuniões de equipe diárias para direcionamento das vendas.
Outras informações:
Jornada de trabalho: Segunda a sábado – 8hrs.
Local de trabalho: Vários, de acordo com o mercado que for trabalhar.
Salário: R$725,12
Benefícios: 14º salário / Tickets 11,00 por dia / Plano Médico / Odontologico / Cesta Natal / Ajuda Material Escolar (dependentes e funcionário univeritário) / Brinquedos Natal.
. . .
Ok…
Tudo bem que a vaga não serve para mim (e também não é minha área de atuação), mas comecei a me perguntar: para quem serviria? Quantas pessoas com deficiência você conhece e que cumprem esses pré-requisitos?
Longe de mim querer segregar as pessoas com deficiência, até porque eu sou uma delas. Porém, continuo a bater na tecla de que a maioria das empresas querem contratar uma pessoa com a menor deficiência possível. O mérito está na qualificação ou na deficiência da pessoa? Quer dizer que se eu fosse um amputado, mas bem independente, porém sem qualquer qualificação, eu teria mais facilidade em conseguir um emprego? Eu tenho a nítida impressão que sim. E de quebra ainda me pagariam um salário mais baixo.
Eu que tenho ensino superior, cursos de especialização e sou bilíngue, entre outras coisas, e não consigo sequer uma entrevista de seleção!? Ahhh esqueci… Eu sou tetraplégico! (Pra que que eu estudei então?)
Devo dar trabalho, né? (nunca ninguém me perguntou, mas eu devo dar) Devo faltar pra cacete, fico enchendo o saco dos outros, preciso de ajuda pra entrar e sair do carro… resumindo: “EU NÃO SOU ECONOMICAMENTE VIÁVEL”.
Felizmente, hoje estou empregado, mas muita gente não está. Isso gera uma crise em minha consciência. Uma crise que não me permite mais aceitar essas velhas normas, padrões e algumas “tradições”. O que estou querendo discutir aqui é que, sem uma mudança RADICAL de pensamento por parte das empresas, não haverá nunca um conceito pleno de inclusão social. Será sempre essa historinha de cumprir as cotas, fugir da multa e ainda sair falando pra todo mundo: “olha, aqui nós contratamos deficientes, somos bonzinhos e exemplares”. Não podemos mais simplesmente aceitar as coisas como nos são apresentadas, sem questioná-las. Inclusão social está muito além de cumprir lei de cotas.
Nickolas Marcon - sexta-feira, 14 de maio de 2010 - 22:43
“Antes o que eu mais queria era levantar dessa cadeira, mas hoje eu quero fazer tantas outras coisas antes de voltar a andar…”
Personagem Luciana da novela ‘Viver a Vida’
Bianca Marotta - quinta-feira, 6 de maio de 2010 - 13:55
Ontem me deparei com a seguinte mensagem de Flavia Cintra (@Flavia_Cintra_) no seu twitter:
“Que coisa “esquisita”! Faz alguns meses que ninguém me pergunta mais se a Luciana voltará a andar… O que será que aconteceu? ; )”
Fiquei feliz da vida quando li esse twitt. O que eu suspeitava realmente aconteceu: as pessoas conseguiram enxergar a pessoa Luciana além da sua cadeira de rodas.
Ano passado, quando soubemos que a nova novela das oito teria uma personagem tetraplégica, começamos a nos preparando para muitas cenas meladas e dramáticas, e nosso maior medo era o de que a personagem passasse por algum tratamento miraculoso no final da trama e voltasse a andar. Isso sim seria um prejuízo enorme para todos nós que brigamos por inclusão social e acessibilidade. Quando soubemos que Flavia Cintra estava encarregada em dar consultoria aos autores da novela e à atriz Alinne Moraes, ficamos mais tranqüilos. Mas ainda assim, cabreiros.
Por questões óbvias, passei a acompanhar a novela e a cada dia que passava me surpreendia mais com a maneira com que o assunto ia sendo abordado e a trama sendo desenvolvida. Sei que logo após o acidente da personagem, a maioria absoluta de espectadores queria que Luciana voltasse a andar. Mas com o desenrolar da novela, desconfiava de que esse desejo do público estava lentamente sendo deixado de lado. E com a mensagem deixada por Flavia no seu twitter, minhas suspeitas só se confirmaram. O que vemos agora são espectadores querendo que Luciana fique com Miguel, case, tenha filhos e seja feliz. Ou seja, de certa forma esqueceram que Luciana é tetraplégica, a deficiência deixou de ser “o” problema e o público conseguiu entender que é possível continuar vivendo a vida após uma lesão medular.
Não sou noveleira, não curto assistir novelas, é o tipo de narrativa que não me agrada muito, (prefiro seriados, hehehe), mas como co-autora de um blog que fala sobre cotidiano de pessoas com deficiência e inclusão social, só tenho a dizer que a novela tem contribuído e muito para que o tema seja levado ao grande público e perca a áurea de bicho de sete cabeças que sempre teve.
Tenho que dar o braço a torcer, os roteiristas de Viver a Vida e toda sua equipe fizeram um belo trabalho! Parabéns!