Cris Costa - terça-feira, 28 de junho de 2011 - 14:29
Às vezes não entendo esse olhar de limitação que muitas pessoas têm com cadeirantes. Ok, tem lugares que não consigo ir, outros vou com alguma dificuldade e posso precisar de ajuda. Em alguns, vou conseguir ir numa boa. Outros não vou querer ir e vou usar a cadeira como desculpa. Mas por que sentir pena ou admiração? Será que é porque muitos não conseguem enxergar, quiçá lidar, com as próprias limitações e aí quando vêem alguém com uma limitação visível tem esse tipo de sentimento? Posso estar errada. Vai lá saber o que realmete se passa na cabeça do outro, mas às vezes tenho a impressão que muitos estranham o fato de cadeirantes respirarem e não serem verdes com anteninhas.
Tá, entendo que o diferente salta aos olhos. Cada vez que vejo o Brad Pitt penso: “Eca, que ome bonito, sai daqui, xô!”. Mas porque a cadeira carrega tantos estigmas? Limitação, tristeza, vida incompleta e sei lá mais o que se passa na cabeça das pessoas. Será que é isso que a gente passa? Quando alguém vem me falar de limitação, penso logo na minha mãe que não cansa de dizer : “Você não tem limite?”. E acreditem, não me soa como elogio quando ela fala isso, rs.
Essa questão da limitação sempre foi muito estranha pra mim. Não me sinto limitada pela cadeira. Minha preguiça me limita muito mais. Minhas neuroses então, muitas vezes me paralisam. Não é assim pra todo mundo? Então porque a cadeira assusta tanto?
Canso de ver gente nova, inteligente e fisicamente “perfeita” e que não consegue dar um passo na vida. Fica estagnada sem fazer nada por si, simplesmente vendo o tempo passar. Pior, nem nota que isso acontece. E quando vê um cadeirante, acha que ele é o limitado. Não consegue olhar e ver uma pessoa que tá somente seguindo com sua vida.
Ai me pergunto: quem é o limitado? Entendam, não sou melhor nem pior do que ninguém. Apenas diferente. Mas não somos todos diferentes de alguma forma?
Limitação pra mim tem a ver com acomodação, restrição. É uma paralisia, mas não física. É quando não se consegue fazer um movimento pra melhorar a vida. Também tenho minhas encucações, mas nem por isso deixo de ir atrás do que quero.
Vamos lá gente, somos movidos a desejo! É isso que nos faz seguir em frente. Se eu vou sentada, em pé, com ou sem ajuda é secundário. Pelo menos para mim, é. O importante é perseverar e construir, fazer escolhas que nos agreguem e acrescentem algo para que a gente consiga realizar nossos desejos, sonhos, vontades, chamem do que acharem melhor. Sim, eu sei que numa cadeira as coisas não são fáceis. Tem (muitas) horas que dá no saco mesmo. Tudo é mais difícil, quando não parece impossível. Mas isso acontece com qualquer pessoa. Todos tem seus dias de “minha vida é um saco, porque não sou a Angelina Jolie?”. Mas nos prender às dificuldades é que é limitação. E não podemos fazer nada pelo outro, muito menos mudar a forma como nos vêem. O problema é quando esse é o nosso próprio olhar. Ai é hora de parar e rever os valores. Mas sempre penso que a cadeira não define quem eu sou, apenas como eu vou. A limitação tá no olhar de quem vê, não em mim.
Nickolas Marcon - sexta-feira, 10 de junho de 2011 - 18:40
Outro dia eu estava conversando com alguns amigos andantes sobre a utilização das vagas de estacionamento reservadas. Sobre as vagas já comentamos em outros textos, mas o que me chamou a atenção foi que, no meio da conversa, alguém me perguntou: “quem tem direito a usar as vagas são deficientes, mas como caracterizar um deficiente?”
Segundo o Decreto 5.296/04, art. 25 §1,“Os veículos estacionados nas vagas reservadas deverão portar identificação a ser colocada em local de ampla visibilidade”, ou seja, devem ser identificados com o símbolo internacional de acessibilidade. Desnecessário comentar aqui sobre o povo mal-educado que estaciona na cara-de-pau, mas me espanta um número cada vez maior de pessoas que tentam dar “um jeitinho” para ficar com a consciência tranquila.
Acontece que qualquer pessoa pode colar um adesivo no seu carro e se auto-intitular “portador de necessidade especial”. Se a própria expressão já está totalmente equivocada, pior ainda é quem usa esse argumento sem ter nenhuma dificuldade de locomoção!!! Bons exemplos são as desculpas de “ah, eu dei um mal-jeito no pé e estou mancando” ou então “estou grávida” ou ainda “tenho mais de 60 anos”. Peraí. Gravidez é deficiência? Óbvio que não. Todo idoso é deficiente? Também não. Aliás, os idosos que nâo têm dificuldade de locomoção devem utilizar outras vagas reservadas, normalmente do tamanho de vagas comuns. Nessa história toda, a “categoria” mais prejudicada são os cadeirantes, pois não têm alternativa. Se as vagas especiais estiverem ocupadas, não poderão utilizar vagas comuns, pois essas não oferecem mais espaço ao lado do carro para passar com a cadeira.
O exemplo das vagas de estacionamento serve para ilustrar uma ideia mais abrangente: toda essa diferenciação criou uma biodiversidade de pessoas ditas especiais sob os mais diversos rótulos. Isso acaba prejudicando quem realmente precisa de condição diferenciada para gozar do seu direito de ir e vir. Pessoalmente, nunca me senti bem sendo diferenciado pela condição física. Não faço questão de ter privilégios nem preferências, apenas quero poder ir aos mesmos lugares onde todos vão, exatamente como eu faria se não fosse cadeirante. Simples assim.
classificação diferenciada no transporte aéreo
Para terminar, coloquei aí do lado uma figura que fazia uma charge ao Americans with Disabilities Act. Para quem não conhece, essa lei americana de 1990 proibia qualquer discriminação baseada na deficiência. Foi base para julgamentos de vários processos onde as pessoas se intitulavam deficientes sob os argumentos mais medonhos, escabrosos e estapafúrdios. Muitos foram indeferidos. Ainda bem.
Senão, o atributo de “pessoa normal” seria mesmo de uma minoria e quem realmente precisasse de uma condição diferenciada veria seu direito se perder no meio de uma multidão de sequelados…
Cris Costa - segunda-feira, 23 de maio de 2011 - 15:45
Alguém me explica a situação abaixo?
Você sai de casa, e entra no elevador. O elevador para em um andar, a pessoa abre a porta olha, não entra e fecha a porta dizendo que o elevador está cheio. Só tinha você no elevador, que não chega a ocupar 10% do espaço. Mais ou menos assim:
Levando-se em consideração que você tinha acabado de tomar banho, não estava com flatulência, o que pode ter levado a pessoa a achar que o elevador estava cheio:
a) Seu perfume é pior que cheiro de naftalina, ninguém aguentaria descer alguns andares com esse cheiro sufocante;
b) O morador não vai com a tua cara e inventou essa desculpa para não ter que te aturar;
c) Se liga, tua cadeira é muito maior e realmente ocupa o espaço inteiro do elevador;
d) Você é um ET, o morador ficou com medo de ser abduzido e utilizado para experiências extra-terrestres, e preferiu não entrar no elevador;
Cris Costa - segunda-feira, 16 de maio de 2011 - 09:13
Cadeira nova é sempre uma alegria, né? Tá zerada, não empenou, enferrujou, tecido tá novinho e esticado. Mas e agora? Um ano se passou e como estão as cadeiras? Vou contar…
Um ano e meio depois, a TiLite é a mesma. A única alteração que fiz foi um ajuste no pedal, pois acabei pedindo a medida errada e tive que ajustar depois. Mas só, e por falha minha. A cadeira não apresenta nenhum barulho (nunca viu WD-40 na vida), o pouco que o encosto cedeu, acertei com as faixas de ajuste (que são feitas pra isso) e só. Nada empenado. Os pneus ainda são os mesmos (nunca furaram) as rodinhas da frente troquei por outras que tinham uma largura maior e por isso a cadeira iria pipocar menos. Sendo que essa cadeira é a que uso na rua, principalmente no Centro do Rio. Ou seja: ruas instáveis, pedrinhas portuguesas, sol, chuva. Os piores cenários possíveis. E a cadeira passou com louvor em todos os quesitos.
Agora a StarLite. Cadeira chinelinho, que tem vida boa. Só anda em casa e circulou algumas poucas vezes nas ruas do “Leblaum” como se fosse personagem de Manoel Carlos. Essa já viu WD-40 váaaaaarias vezes. Uma das rodas tá meio empenada, encostando no pneu, o que dificulta tocar a cadeira quando isso acontece. O encosto “afundou” muito. O tecido cedeu tanto, que quando vou na rua tenho que me ajeitar toda hora, pois vou escorregando, ficando quase deitada. Os freios já foram apertados e “reapertados” algumas vezes. Outro dia fui tentar tirar a roda grande pra limpar… nada. Acho que enferrujou e não sai dali por nada nesse mundo. Só não acho a situação da cadeira pior porque comprei ela pra ficar em casa. Se precisasse dela pra sair todo dia e circular, tava lascada. Horrível. Qualidade nota zero. Uma cadeira com uso tão restrito não deveria estar assim depois de um ano.
A roda esquerda com o parafuso encostando no pneu, e a roda direito com espaço entre o parafuso e o pneu.
Christian Matsuy - segunda-feira, 9 de maio de 2011 - 11:03
Em 2010, os grandes players do mercado discutiram sobre a utilização do alumínio e titânio na fabricação das cadeiras. A Quickie descontinuou o uso do titânio e lançou um modelo em alumínio (modelo Q7), que ela o intitulou de “a cadeira mais leve do segmento”. E como parte de sua estratégia de marketing, divulgou diversos vídeos e artigos pelas redes sociais com o intuito de provar que o alumínio é mais vantajoso. Essa é ainda uma discussão muito polêmica e ambos os metais tem qualidades fantásticas, mas temos que ficar muito espertos e não nos influenciarmos por propaganda.
Rígidas x Dobráveis: uma escolha ou um duelo?
Agora em 2011 a discussão que está no ar é: rígida ou dobrável? O que é melhor? Pois é, mais uma discussão polêmica que deve muito ser levada em consideração. A Revista Mobility Management promoveu essa discussão entre alguns experts do mercado (que são cadeirantes), entre eles:
- Josh Anderson, Vice Presidente de Marketing, TiLite - Jim Black, Gerente de Marketing, Top End - Brent Hatch, Diretor de Produto, Sunrise Medical - Christy Shimono, Senior de Produto, Sunrise Medical - Rick Hayden, Vice Presidente de Vendas (USA), Colours Wheelchair - Doug Munsey, Presidente, Ki Mobility
Infelizmente, não dá pra traduzir e colocar tudo aqui (direitos autorais), mas vou resumir e colocar os principais pontos discutidos e ao final teremos as opiniões dos demais autores do blog.
Hipótese 1: dobráveis são mais fáceis de transportar do que as rígidas.
Esse seria o maior dos benefícios das dobráveis. O fato da cadeira se dobrar traz uma redução de volume que permite o transporte muito mais facilitado. Porém, esse conceito precisa ser melhor esclarecido.
O comportamento das pessoas, bem como a idéia de cada vez mais dar mais independência ao cadeirante ativo, já mudaram esse conceito, pois atualmente, com a redução de peso das cadeiras, tornou-se mais fácil colocá-las sozinho dentro do carro, antigamente só se pensava em transportá-las no porta-malas.
Ademais, as cadeiras rígidas podem dobrar o encosto, e com o Quick Release (rodas removíveis por encaixe), o transporte ganha muita praticidade. Resumindo, ambas são facilmente transportáveis, porém DE MANEIRAS DISTINTAS. Aí é que entra o aspecto clínico e isso pode ser a chave que para a decisão correta na hora da escolha, pois sabemos que cada pessoa tem capacidade de força, mobilidade e equilíbrio muito diferentes, entre outras coisas.
Outro ponto interessante é que muitas pessoas NUNCA tentaram guardar uma cadeira rígida pelo fato de não terem uma cadeira desse modelo. Sem as rodas e com o encosto reclinado, a rígida torna-se compacta e, sem sombra de dúvidas, mais leve. O que muda é a maneira de se colocar no carro. Existe ainda o costume de alguns cadeirantes de só aceitarem guardar a cadeira no porta-malas de seus carros, o que não é possível fazer sem a ajuda de alguém. Alegam que guardar a cadeira dentro do carro ocupa o lugar de um passageiro, o que não os agrada.
Um consenso entre os experts: Pensar que uma cadeira dobrável é a melhor solução de portabilidade é um conceito ULTRAPASSADO.
Hipótese 2: dobráveis possuem mais opções de acessórios.
Geralmente, quem adquire uma cadeira dobrável pensa em alguns acessórios como se eles fossem “parte integrante”, e que toda cadeira deve tê-los, tais como apoio de braços grandes (ou de modelos diversos), apoios de pé com regulagem de altura, ângulo e rebatimento. E muitas pessoas, quando migram para uma cadeira rígida, querem os mesmos acessórios e nem todas as marcas fornecem essas possibilidades.
Um consenso entre os experts: As pessoas tendem a querer determinados acessórios NÃO NECESSÁRIOS, e raramente tentam usar uma cadeira sem os mesmos. E atualmente, as cadeiras rígidas já oferecem uma boa quantidade de opções nesse sentido.
Hipótese 3: rígidas tem um melhor desempenho ao rodar.
Cadeiras rígidas vem cada vez mais melhorando sua portabilidade e possibilidade de ajustes. O mercado está sempre buscando novas formas de se deixar uma cadeira rígida o mais compacta possível, e isso é fato. Outra coisa é que o desenho do quadro de uma cadeira rígida propicia uma melhor distribuição de peso e a aplicação da força ao tocar é melhor aproveitada fisicamente.
Isso significa que, quando uma pessoa toca uma cadeira rígida, a energia aplicada nas rodas é melhor aproveitada se comparada a uma cadeira dobrável, onde se perde um pouco de energia entre os componentes que compõem a dobra e também devido ao desenho do quadro.
A questão aqui é: será que essa quantidade de energia perdida nas dobráveis realmente faz toda a diferença? Segundo os experts, sim, sim e sim.
Conclusão 1: medida é uma coisa crítica.
Já comentamos várias vezes sobre isso aqui no blog, e mais uma vez temos a referência de especialistas citando o quanto é importante ter uma cadeira bem prescrita dentro de suas medidas, independente da sua escolha por uma rígida ou dobrável. O problema é que temos poucas opções de ajuste de medidas quando se opta por comprar uma dobrável aqui no Brasil, o que não acontece no resto do mundo.
Quando se prescreve uma cadeira, o profissional que o faz deve levar em consideração não só as medidas do corpo, mas sim fazer um breve histórico do usuário, analisando as condições e ambientes onde a cadeira será mais utilizada, entre outras circunstâncias dessa natureza.
Conclusão 2: descarte estereótipos sobre as cadeiras.
Sim, muitas pessoas que poderiam escolher entre os dois tipos de cadeira, preferem utilizar uma dobrável. Isso é visto a todo tempo, e não há nada de errado nisso. O que está errado é não dar a possibilidade da pessoa escolher por motivos financeiros. Não se deve adquirir uma cadeira, independente do modelo, por que TE FALARAM que ela é boa, quem tem que saber se determinada cadeira funciona é unica e exclusivamente VOCÊ.
Conclusão 3: o avanço da tecnologia trará melhorias para ambos os tipos de cadeiras.
Talvez a melhor notícia seja que os avanços da tecnologia nas áreas de design, engenharia e produção irão beneficiar todas as cadeiras. Estamos pensando constantemente em diferentes maneiras de fechar uma cadeira dobrável, estilos diferentes e tentando traduzir tudo isso para outros modelos de cadeiras. Vamos lembrar que, se voltarmos quinze anos no tempo, não existia nenhum tipo de acessório opcional, e hoje já podemos ver por exemplo, cadeiras rígidas com apoios de braço rebatíveis ou removíveis. A idéia é aumentar ainda mais essas opções, tornando-as praticamente ilimitadas, onde o design contemplará perfeitamente o conjunto escolhido pela pessoa.
Finalizando: nossas opiniões.
Nickolas “Usei cadeiras nacionais dobráveis por um bom tempo e admito: são horríveis. Não conheço nenhum modelo que permita um ajuste decente. Posso falar por experiência própria: se o assunto é cadeira nacional, esqueça as dobráveis. Entre as importadas a situação é diferente, há modelos com ajustes de posição que colocam as dobráveis no mesmo nível de conforto que as monobloco. Quando resolvi comprar minha última cadeira estava relutante em usar uma monobloco depois de ter experimentado um modelo por alguns dias. O desempenho e o conforto das monobloco são melhores, mas a praticidade para guardar a cadeira dobrável fazia muita falta.
Até que encontrei a solução ideal na cadeira que uso atualmente, que é um modelo híbrido: é dobrável, mas não fecha em X. É como se fosse um quadro rígido com uma articulação e uma trava. Usando a mesma configuração de rodas, acho que o desempenho fica muito parecido com uma cadeira monobloco. O problema é que esse mecanismo de dobra é patenteado, por isso é o único modelo no mundo que reúne essas características – e cobra um preço maior por isso.
Monobloco ou dobrável? Eu fico com a minha, simplesmente porque acho mais adequada para me uso. Tenho conforto e uma postura correta com bom desempenho. Além disso, a praticidade de guardar a cadeira sozinho no carro sem precisar desmontá-la compensam as perdas em relação a uma monobloco, que seria minha segunda opção. Cadeira em X, nunca mais…“
Cris “Como já usei as duas, posso dizer que acho que a quadro rígido é muito melhor. Tanto no peso quanto no desempenho. Mas pra mim, uma das grandes vantagens da monobloco é a posição. Qualquer um fica mais “bem sentado” na monobloco. Você se sente melhor, mais reto. E a posição das pernas também. Era algo que me incomodava muito. Na dobrável a perna fica mal posicionada, te deixando com as pernas meio que “abertas” (ui). Já na monobloco, até por ter aquela opção de afunilar (isso é não é possível dobrável) a perna fica mais juntinha e mais “chique”. E isso também ajuda a postura.
Mas enfim, gosto é gosto…“
Christian “Também já usei os dois tipos, sendo que tenho o diferencial de ser empurrado por alguém 90% do tempo, e isso já é um fator que determina a escolha. Quando comecei a sair mais de casa, percebi que a cadeira dobrável com apoio de pé removível era um transtorno para as pessoas desconhecidas que tinham que montar/desmontar a cadeira. Tive sorte de ter medidas compatíveis com uma cadeira sem possibilidade de ajuste, mas o maior problema era andar nas ruas mesmo, no geral é uma cadeira “mole”, difícil de ser empinada por quem está empurrando (necessidade básica aqui no meu bairro). Mesmo assim, usei por mais de 5 anos. Na rígida, consegui melhorar muito o desempenho do toque da cadeira. No meu caso eu não tenho como guardar no carro sozinho, mas sempre pego táxi e preciso instruir como montar/desmontar, e nesse ponto a rígida facilitou muito minha vida. Eu era uma dessas pessoas que achava inconcebível ter uma cadeira sem apoio de braço! Após perder quatro deles, decidi me acostumar sem, e funcionou. Levei uns 3 meses pra me adaptar.“
Dado “Minha primeira cadeira foi uma dobrável da Jaguaribe, e dela não sinto saudade alguma. Depois parti para uma monobloco da Tokleve e foi como mudar da água pro vinho! A cadeira era bem mais leve e aguentou bem o tranco do dia a dia sem apresentar muitas folgas e problemas.
A única desvantagem da monobloco, teoricamente, é que ela ocupa muito espaço quando guardado. Não concordo com esse ponto de vista. Como coloco a cadeira no carro sozinho, acho bem mais fácil usar a monobloco, pois esse tipo a cadeira é significativamente mais leve. Se o quadro for aberto embaixo, do tipo cantilever (ex: TiLite ZR/ZRA, Reateam M3, Tokleve Milênio etc), fica mais fácil ainda! Basta tirar as rodas traseiras e colocar o quadro no banco do carona ou no banco de trás. Moleza!
Também acho a “tocada” da monobloco bem melhor do que a das cadeiras dobráveis e como ela tem menos pontos de articulação, é menos sujeita a folgas e tem manutenção mais fácil. Outro fator MUITO importante na minha opinião é o visual. As cadeiras monobloco tem um aspecto muito mais esportivo e dinâmico. Não parecem a “cadeira da vovó” e na maior parte das vezes conseguem te deixar numa postura muito boa e melhor do que a das cadeiras dobráveis. Outra vantagem das cadeiras monobloco e a possibilidade de utilizar assento e encosto rígidos. Até dá para usar esse tipo de acessório nas dobráveis, mas não é tão simples quanto nas cadeiras rígidas. Resumindo, uso cadeira monobloco há mais de 10 anos, já passei por 4 diferentes e não pretendo usar outro tipo de quadro tão cedo. Só vejo vantagens para a monobloco.”
Christian Matsuy - segunda-feira, 25 de abril de 2011 - 09:37
Recebemos o link para esse vídeo de alguns leitores do blog, e como nem todo mundo usa o Facebook (pelo menos por enquanto rsrsr) estamos postando aqui! Achamos fantástica a forma original de abordar um assunto antigo e que continua sendo não respeitado por muitos!
Cris Costa - segunda-feira, 11 de abril de 2011 - 10:16
Vida de solteiro é boa. A gente faz o que quer, quando quer, não dá satisfação de nada… tudo muito bem, muito bom, mas aí você conhece alguém que te desperta um interesse maior. Friozinho na barriga. Papo vai, papo vem… e combinam de sair. Sozinhos. Só você e ele. Uhu! Não era o que você queria? Muito legal, né? Mas depois de passada a empolgação com o fato do encontro estar marcado, começam a surgir todas as neuras: será que rola? Ele gostou de mim ou é só amizade? Putz, a cadeira! Além de todas as inseguranças que a maioria das mulheres tem (e acredito que os homens também tenham as deles) ainda tem isso. Como ir? no carro dele, no meu? Qual lugar? Algum acessível, ou um mais reservado e romântico? Digo isso, porque aqui no Rio não dá pra juntar as duas coisas. Ou é acessível e badalado ou esquece. Mas não há como negar que num primeiro encontro as “limitações” podem causar uma insegurança a mais e muitas vezes desnecessária.
É importante descobrir o que lhe deixa mais confortável e, se for o caso, falar pro outro que está se sentindo inseguro. Acreditem, a maioria das nossas neuroses (referentes à deficiência ou não) está apenas em nossa cabeça. Às vezes, o outro não tá nem aí e acabamos vendo problema onde não tem. Conheço cadeirante que não se sente à vontade com o entra-e-sai do carro. Nesse caso, marca com a pessoa direto no lugar, assim fica mais tranquilo. Outros, preferem ir no próprio carro. Enfim, não importa como vai ser, mas que seja de forma que te deixe confortável. Afinal, já temos inseguranças suficientes num encontro pra ainda ter que se preocupar com logística e acessibilidade. Eu já sou daquelas que fica calculando perdas e danos, verbalizo quando deveria calar (tipo, ao invés de dizer “ei, gostei de você” digo “você viu a última eliminação do American Idol?”), e calo quando deveria falar. 100% desastrada. E se ainda tiver que me preocupar com questões “cadeirísticas” aí o desastre é garantido.
Não tem jeito. Não dá pra esconder a cadeira e o que vem com ela, mas isso o outro já sabe. Então, faça de forma que tudo fique tranquilo pra você e assim possa aproveitar o encontro. Se achar melhor, fale como se sente. Às vezes a gente faz um terror de algo que pro outro é uma bobagem. O importante nesses encontros é estar focado em conhecer o outro e não na cadeira. Ache uma forma que te deixe confortável e divirta-se. As coisas podem sair bem melhor do que espera!
Cris Costa - quinta-feira, 24 de março de 2011 - 13:44
Outro dia, lendo o fórum do site do CareCure* vi uma longa e interessante discussão sobre um único e simples comentário de um cara reclamando que teve problema com a TiLite series 2 que comprou. Foi mais ou menos assim: o cara reclamou que alguma peça da cadeira dele quebrou, nisso veio outro e falou que tinha tido outro problema com o mesmo modelo de cadeira, ai outro disse que tinha tido problemas também.
Acham que acabou ai? Não mesmo. Outra pessoa comentou que tava pensando em comprar uma cadeira da marca, mas depois de ler os comentários tava repensando a escolha, e outras pessoas disseram a mesma coisa.
A TiLite, que tem um representante acessando o fórum para tirar dúvidas e acompanhar seus consumidores de perto (palmas para o controle de qualidade e atendimento ao consumidor da marca) , logo entrou em ação não só para resolver o problema do cara como para dar maiores explicações sobre os problemas com a cadeira, e assim, tentar evitar que as pessoas ficassem com uma imagem ruim da marca e consequentemente perdessem vendas. Não sei qual foi o desfecho da discussão.
A minha questão nisso tudo é outra. Por que não fazemos o mesmo aqui? Caramba! Cadeira de rodas não é um acessório e muito menos artigo de luxo! É praticamente uma extensão do nosso corpo. Ela precisa ser confortável e acima de tudo ter QUALIDADE. Canso de ver reclamações e de ouvir casos de cadeiras que o eixo quebrou com menos de 6 meses de uso. Isso é um absurdo! Não esqueçam que as fábricas não pagam nenhum imposto pra montar uma cadeira de rodas, e mesmo assim cobram preços exorbitantes e fazem cadeiras com pouca qualidade.
Acho que tá na hora da gente começar a reclamar e não só levar na loja pra consertar, e às vezes ainda pagar pelo conserto. ALOW! Como consumidores temos mais poder do que imaginamos. Mas isso só vai mudar se as reclamações forem além das lojas. Eixo quebrado, encosto rachado não são probleminhas corriqueiros. É falta de controle de qualidade. E como a concorrência é pouca (acho que tem umas 3 fábricas de cadeira aqui no Brasil), e as importadas são caras e por isso não são uma ameaça ao mercado nacional, nem faz sentido investirem em melhorias.
Pra quê? Afinal, o consumidor está satisfeito, não? Ninguém, reclama nem toma nenhuma atitude, então deixa como está.
Poxa, quando é que vamos mudar isso?
* O CareCure é um ótimo site/fórum que aborda vários assuntos sobre deficiência. Depois dos meninos do Blog, é minha referência no assunto de equipamentos. Vale dar uma olhada. Infelizmente, só tem em inglês.
Cris Costa - quarta-feira, 2 de março de 2011 - 15:38
Precisava comprar um tênis pra dar continuidade ao meu projeto “sai pança” que começou ano passado. Aliás, acho que já tem um ano isso. Mas, antes tarde do que nunca. Enfim, entrei na loja e fiquei olhando aquele monte de tênis, quando veio o vendedor me oferecer ajuda. Me limitei a dizer que queria um tênis pra ir à “acadimia”, pois achava que o resto era meio óbvio. Segue o diálogo:
- Então, tem esse aqui que é bem legal. É o nhocks-blocks-focks, absorve bem o impacto, tem uma espuma…
E eu pensando porque ele estava falando sobre a absorção de impcato, quando era óbvio que não seria esse o diferencial que eu tava procurando no tênis.
- E aquele ali? É bonitinho…
- Ah, mas esse é feito pra quem pisa torto, meio que pra dentro. Tá vendo essa parte aqui? Então, ela é reforçada pra evitar que a pessoa não force o pé.
- Mas eu gostei desse… (Até porque o preço era bem mais interessante que o dos outros).
- Tem que ver, pois pode te dar algum problema.
- Moço, eu não piso! Como vai me dar problema?
- É, não sei… Tem que ver.
- Mas tem esse aqui, que também absosve bem o impacto, tem um gel…
Jesus, Maria, José! Ele acha que eu tô comprando o tênis para a minha cadeira???
- Então, qual você vai querer?
- Me dá o mais bonitinho!
Comentando com o povo do Blog o ocorrido, o Christian diz que passa pelas mesmas coisas e ainda acrescentou dois comentários que costuma ouvir:
- “Vê ai se não tá apertando na ponta” (complicado pra quem não sensibilidade).
- “Se quiser, pode dar uma andadinha pra ver se não machuca”.
Christian Matsuy - segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 - 12:08
Lendo o post da Cris, fiquei inspirado a falar um pouco de como foi a minha volta (dos que não foram) ao mercado de trabalho.
Calma, eu explico: na verdade, não foi uma volta e sim um começo, pois eu nunca havia trabalhado antes de ser cadeirante, tinha 15 anos quando me acidentei e ainda estava no colégio.
Creio que, como aconteceu com os demais autores do blog, mesmo ainda adolescente, ingressar no mercado de trabalho foi uma das minhas grandes preocupações e ainda internado no hospital eu já brincava com as possibilidades num jogo mental de “posso – não posso fazer”.
Deixa eu dar uma encurtada na conversa aqui, senão vira livro :)
Bom, terminei meus estudos, faculdade, fiz alguns outros cursos de especialização, mas não tinha nada em vista. Esse negócio de lei de cotas e acessibilidade em locais de trabalho não havia nascido ainda (1990)! Já os concursos públicos sempre me barraram no edital, pois a pessoa tem que ter um mínimo de autonomia.
Mas com o bom domínio de conhecimentos de informática, sempre fiz bicos desde meu colegial (eu já estava até meio conformado em ser um prestador de serviço), e isso se prolongou até 1997, quando ví um anúncio em um grande provedor de acesso à Internet recrutando pessoas com deficiência para trabalho à distância.
Apesar do salário digamos que… ridículo, me candidatei e fui aprovado com uma certa rapidez, pois segundo o RH da empresa, mesmo nessas condições haviam pouquíssimas pessoas com as qualificações mínimas exigidas (saber utilizar as ferramentas do Office e ter um bom conhecimento de Internet). Fiquei sabendo que foram contratadas seis pessoas para exercerem a mesma função Brasil adentro. Em 2 meses, todos foram dispensados, menos eu. O pessoal não estava dando conta do serviço. Minha gerente da época me ofereceu uma vaga interna pra fazer o serviço desse pessoal, mas eu recusei… MEDO. Muito medo de sair de casa e passar 8 horas longe dos meus pais.
Tenho uma lesão super alta (C4/5), o que me torna muito dependente. Na hora você já imagina aquelas situações chatas de esvaziar coletor, alimentação etc… pô, eu estava muito inseguro. Continuei trabalhando em casa com uma carga horária ampliada e salário melhorado. Fiquei 3 anos nessa vida e mais uma vez estava me conformando com a situação, que não era incômoda, mas não remunerava bem e tomava muito tempo.
Continuou assim até essa mesma gerente que me chamou pra trabalhar mudar de emprego. Assim que ela mudou, ligou e disse que me queria junto de qualquer jeito, mas tinha que ser pra trabalhar no local! Daí pensei muito, muitas noites sem dormir até que aceitei fazer uma entrevista. Ao mesmo tempo, pensava no lance dessa oportunidade não bater novamente em minha porta. Detalhe que ela não tinha idéia da minha deficiência, e com certeza ela achava que era algo mais leve, mas confesso que foi uma sensação boa, de alguém te chamar pela sua qualificação.
Apesar desse “choque inicial”, de imediato coloquei minhas necessidades básicas: alguém que me auxiliasse com a alimentação, água, xixi (esvaziar meu coletor de perna), e entrar e sair do carro. Pro meu espanto ouví: -”é só isso que você precisa?” E foi assim! Pro meu espanto, a ajuda sobrava… As pessoas sempre muito solícitas e é assim até hoje. E não estou falando de empresa pequena, e sim uma indústria multinacional com mais de 1000 funcionários. Infelizmente essa não é a situação real do mercado. Sabemos que as empresas garimpam as pessoas “menos deficientes possíveis”, e que tenham autonomia pra se virar sozinhas. Já escrevi sobre isso nesse post.
Era um trabalho completamente diferente do que eu realizava, mas nada que eu não soubesse. A princípio detestei, mas a proposta salarial realmente pesou e eu comecei a gostar aos poucos daquilo que estava fazendo. Querendo ou não, aprendi a ter um comportamento corporativo devagarzinho. E fui fazendo amizades, me identificando com as pessoas, o que facilitou mais ainda esse lance da ajuda.
Até campanha pro Teleton eu fiz!
Campanha Teleton 2003
Um ano após eu entrar nessa empresa, fizeram uma proposta de promoção de cargo, uma coisa que jamais esquecerei na vida. E dois anos mais tarde veio outra… E cá estou eu, a 8 anos na mesma empresa.
O que posso concluir e deixar de dica é que a qualificação profissional ajuda superar muitas barreiras, sejam físicas ou de preconceito.
Estar “apresentável” também faz diferença (na verdade isso vale pra qualquer um). Não adianta você achar que vai conseguir um emprego usando calça de abrigo, com o umbigo aparecendo e a camiseta suja de molho de macarronada, que não vai. Saiba trabalhar isso em você. Seja cadeirante, mas seja limpinho, ok?