Cris Costa - segunda-feira, 3 de maio de 2010 - 10:29
Há algumas semanas, fui à dermatologista pra me consultar, e no meio de tantas perguntas que fiz (sou hipocondríaca, lembram? rs), descobri muita coisa bacana que poderia compartilhar. A minha dermatologista deu ótimas dicas para cuidarmos da pele, até porque nesse calorão os fungos e micoses se proliferam mais rápido, e ai já viu, né? É problema na certa. E pra quem fica sentadinho a maior parte do dia, os cuidados devem ser redobrados. Então vamos lá:
1) É importante mantermos todas as áreas do corpo sempre secas. “Como assim Cris?”, você pode perguntar. Bom, eu destacaria para esses casos principalmente os pés (entre os dedos) e a virilha. São áreas que ficam mais abafadas e por isso tem mais probabilidade de gerar algum tipo de alergia, fungo ou micose. É interessante usar talco anti-séptico (tipo “Gramado”, como diria meu avô) nessas áreas, usar roupas íntimas de tecidos de algodão que facilitam a respiração da pele e sempre que possível usar sandálias e chinelos. No caso da virilha, se puder ficar um tempinho deitado na cama sem roupa, ajuda bastante. Quanto menos abafarmos essas áreas, melhor. Uma dica legal é secar os pés com secador. Mas pelo amor de Deus! Usem o vento frio!!! Não quero ninguém com o pé queimado, cheio de bolha dizendo que foi a doida do Mão na Roda que falou que era pra secar os dedos com secador no vento quente. Muito cuidado, principalmente quem tem a sensibilidade alterada.
2) Tentar ao máximo tirar a pressão da áreas com grande risco de formação de escara, como bumbum e cóccix. Dar aquela levantadinha/ajeitadazinha na cadeira pode fazer muita diferença. As escaras não aparecem da noite pro dia, existe um primeiro estágio onde a região fica bem avermelhada. Nessas horas todo cuidado é pouco. É importante procurar posições onde não se faça mais pressão na área que está sensível. E nesses casos, procure logo um médico para te orientar sobre qual a forma mais adequada para tratar o seu caso.
3) Os pés incham, e muito. Eu vivo dizendo que nessa época não tenho um pé, mas um “pébolim”, que é uma mistura de pé com bolinha. Enfim, pra amenizar o inchaço é importante colocar os pés pra cima. Mas quanto pra cima? Os pés devem ficar mais altos que o joelho, e o joelho um pouco mais alto que o quadril. Os colchões “casca de ovo” também são bons aliados. Minha dermatologista também deu a dica de elevar a parte do colchão onde ficam os pés. Existe uma espuma que vende em loja de colchões feita exatamente para isso. Mas se não quiser comprar, coloque livros ou revistas que tenha em casa embaixo do colchão para que ele fique um pouco mais alto na parte dos pés. Ah, e água, bebam muita água. A quantidade de líquido que bebemos faz muita diferença!
Todo cuidado é pouco, ainda mais nos casos de quem não tem sensibilidade abaixo da lesão. Vamos ficar de olho no nosso corpo e tentar passar pelo calor da melhor forma possível. Ah, também não se esqueçam de usar protetor solar, e cuidado com o excesso de exposição ao sol. Além dos motivos óbvios (câncer de pele, queimaduras, etc), como algumas pessoas não suam abaixo da lesão é importante não abusar do calor e correr o risco de uma disreflexia autonômica (isso já é papo para outro post).
E aproveitem a alta temperatura para dar um mergulhinho no mar. O Projeto Praia para todos tá ai pra isso!
Nickolas Marcon - sexta-feira, 16 de abril de 2010 - 22:50
O tema do Globo Repórter de hoje era sobre células-tronco. Acabou de ser exibida a entrevista com a garota que foi para a China na esperança de um tratamento que diziam ter 80% de chance de melhora. Quando perguntada sobre o que mudou na sua vida após o tratamento, ela foi sucinta: “funcionalmente, nada”.
Todo mundo já conhece essa história, mas não custa relembrar: apesar da eficiência no tratamento de outras doenças, por enquanto não há notícias de um tratamento comprovado para recuperar lesões medulares de forma significativa a partir das células-tronco. Aqui no blog já escrevemos outros posts sobre esse assunto:
Células-tronco – quem é o irresponsável?
Tratamentos usando células-tronco – polêmica, mitos e verdades
Células-tronco, qual a sua opinião?
Eu continuo tendo a certeza de que em breve haverá um tratamento para lesões medulares e que as células-tronco tem se mostrado a linha de pesquisa mais promissora, mas é preciso ter muita cautela com as notícias que chegam até nós. No mesmo programa, um renomado neurologista disse em entrevista que as pesquisas estão aceleradas, mas não há expectativa de tempo para comprovação dos resultados.
Já sei até o que vou ouvir amanhã: “você viu o GR ontem? E as células-tronco, por que você não faz um tratamento?”
Cris Costa - segunda-feira, 23 de novembro de 2009 - 11:25
Independente de deficiência, em algum momento todos vamos ao médico. E o que já não é algo muito legal, mesmo para uma hipocondríaca como eu, pode se tornar uma visita cheia de surpresas não muito agradáveis. Já falei uma vez num post aqui sobre algumas dificuldades na hora de fazer exames. Mas para conseguir uma consulta num médico também não é muito diferente. Até achar um que tenha um minímo de acesso… Mas isso não parece ser um “luxo” apenas dos cariocas. O Christian Matsuy, de São Paulo , nos mandou um email contando o seguinte:
“Olá pessoal…
Hoje me deparei com uma tarefa que aparentemente seria fácil, mas levei algumas horas pra realizar. Marcar uma simples consulta médica na rede credenciada de meu plano de saúde.
Bom, a gente tenta eliminar os médicos que atendem em casas de 2 andares (90% quase), daí tentamos os que atendem em prédios comerciais.. então vc liga e recebe a notícia que na “fachada” do prédio tem uma escada, e não tem garagem no subsolo, que poderia ser uma alternativa de acesso.
Ou seja, temos que ir a um médico totalmente desconhecido apenas por ele atender em um local acessível.
Por que os convênios não colocam um símbolo de acessibilidade no guia de consulta para os médicos que atendem em locais acessíveis?
Eu gastei umas duas horas fazendo telefonemas!
Atenciosamente,
Christian Matsuy”
Achei a sugestão dele sobre colocar o símbolo de acessibilidade no guia de consulta excelente! Bem que os planos podiam adotar essa idéia.
E ai? Alguém se indentifica???
Nickolas Marcon - segunda-feira, 3 de agosto de 2009 - 08:59
Entre os milhares de emails que circulam diariamente entre os autores do blog, a Cris começou uma conversa sobre aplicação de botox na bexiga para reduzir suas contrações e, consequentemente, a perda de urina.
Pois bem. Há 11 anos atrás eu estudei um pouco sobre a toxina botulínica (botox) e seus usos. Ela é indicada como relaxante muscular, pois praticamente paralisa a movimentação do músculo em que é aplicada. Seu uso mais comum é em tratamentos estéticos, paralisando músculos da face que formam dobras na pele quando se contraem. Como são músculos pequenos, seu efeito dura até 8 meses.
Aplicando a toxina em músculos maiores, a duração do efeito se reduz. Já houve experimentos para reduzir a espasticidade das pernas, porém o efeito não durava mais que algumas semanas. A toxina também é utilizada em casos de bexiga neurogênica para reduzir as contrações e consequentes perdas de urina. O efeito dura mais que a aplicação em músculos grandes, mas também é passageiro. Mesmo assim, é um procedimento usado por alguns urologistas com sucesso.
Minha bexiga tinha muitas contrações, e isso me trazia problemas mais sérios que a perda de urina: infecções recorrentes. Na época, o médico urologista não recomendou a toxina para o meu caso, pois seu efeito era muito rápido e provavelmente eu teria que fazer aplicações todo mês.
A opção usada para contornar o problema foi uma cirurgia de aumento da bexiga usando um pedaço do tecido do intestino delgado (minha barriga deve estar uma bagunça por dentro). Hoje consigo reter um volume entre 700 e 900 ml (já tirei mais de 1 litro num dia de aperto). A idéia é fazer o cateterismo antes do enchimento total da bexiga para não haver nenhuma perda. Isso tem funcionado muito bem nos últimos 10 anos. Com movimentação diária na cadeira, a capacidade da bexiga dura de 5 a 8 horas dependendo da quantidade de líquido ingerido. Dormindo, tenho 8 horas de autonomia de sono sem precisar ir no banheiro.
Imagino que o efeito conseguido pelo botox seja um pouco menor, pois ele paralisa as contrações da bexiga mas não aumenta o seu volume.
Se alguém já tiver usado o botox na bexiga, deixe um comentário contando sua história, ok?
Cris Costa - segunda-feira, 20 de julho de 2009 - 11:04
Às vezes a gente se esquece do corpo. Ok, sei que generalizar é errado. Só posso falar por mim, né? Mas com a vida tão corrida e tanta coisa pra fazer, a gente acaba deixando de lado cuidados que são super importantes, principalmente quando se é cadeirante. Passei anooooooos sem fazer fisioterapia ou algum tipo de exercício. Sempre dei todas as desculpas possíveis: falta tempo, grana, é difícil encontrar profissionais que realmente entendam de lesão medular, a maioria dos lugares não tem acesso, blá, blá, blá. Resultado disso é que vivo cheia de dores musculares principalmente na área dos ombros e pescoço e nem vou entrar no quesito “como minha barriga aumentou”. Sempre atribuo a “barriguitxa” a lesão e falta de movimento. Simples assim, rs. Mas nada eficaz.
Pois então, depois de anos me enganando com desculpas, a dor apertou e tive que fazer alguma coisa. Por coincidência me perguntaram no trabalho se eu gostaria de fazer fisioterapia, existe a possibilidade de fazê-lo lá mesmo. Topei na hora. Marquei tudo direitinho, e lá fui eu. Além do alongamento básico das pernas, também fiz um pouco de shiatsu, drenagem linfática (pra diminuir o inchaço dos pés) e acupuntura.
Bom, a acupuntura não combinou comigo. Sentia-me como um porco espinho, ficava imóvel, toda dura, tensa com medo de querer me coçar e acabar me espetando. Eu sei, eu sei, muita gente faz e adora e diz que faz milagres. Acredito. Mas pra mim não funcionou, ainda tenho que evoluir nesse sentido. Por outro lado o alongamento e a massagem tem me ajudado muito. Não só com as dores musculares, mas como uma forma de entrar em contato com meu corpo, que precisa de atenção e fica esquecido na correria do dia-a-dia. Não só a fisioterapia é importante, mas é bom estar sempre se movimentando de alguma forma, principalmente os membros inferiores. Por estarmos a maior parte do tempo sentados a circulação fica prejudicada, causando entre outras coisas inchaço nos pés. Também é bom ficar de olho nos dedos dos pés, principalmente agora no inverno quando usamos sapatos fechados e meias com mais frequência. Deixar o pé bem seco após o banho e usar algum talco antisséptico ajuda a evitar frieiras. Enfim, temos que estar constantemente de olho nas áreas que temos menos sensibilidade, pois acaba sendo a parte que damos menos atenção, mas é a que mais precisa de cuidados.
Aliás, acho que esses cuidados qualquer pessoa deveria ter, né não?
Nickolas Marcon - sexta-feira, 10 de julho de 2009 - 08:59
Essa é uma máxima da produção em série: não basta conseguir fazer, é preciso fazer na hora certa, senão dá M. Mas… e quando o negócio é fazer M, qual é a hora certa?
No primeiro texto da série escatológica "Fazendo M…" falamos sobre a importância de uma dieta equilibrada e demos dicas de como melhorar o funcionamento do intestino. Agora, na segunda parte, vão algumas dicas para melhorar a rotina do seu organismo.
Conheço gente que vai ao banheiro todo dia no mesmo horário, não erra 5 minutos. Isso é mais difícil para um cadeirante, pois a posição sentada não favorece o funcionamento do intestino. Qual é a solução? Criar uma rotina, acostumar o corpo a um funcionamento regular.
E como fazer isso? O primeiro passo é melhorar a dieta, ingerir fibras e lactobacilos se possível. Depois, a pessoa deve estabelecer um horário para estimular seu corpo, geralmente à noite, em casa. É um tempo para sentar no vaso e meditar. Fazer massagem abdominal, abaixar o tronco, fazer força para evacuar (sem preguiça). Isso mexe com o intestino e movimenta a "produção". Mesmo que a pessoa não consiga evacuar todo dia, haverá a movimentação do bolo fecal e eliminação de gases. Aliás, enquanto estiver fazendo suas manobras, é melhor não acender fósforos no banheiro… :-)
O funcionamento do intestino também é estimulado naturalmente quando a pessoa se alimenta. Consequentemente, a possibilidade de evacuação após as refeições é maior. É por isso que se deve evitar refeições pesadas antes de viajar ou de ir para algum lugar sem banheiro acessível. Ainda sobre a alimentação, é preciso cuidado com o que se come. Em caso de irritação intestinal, pode ser difícil chegar a tempo a um banheiro para aliviar o "piriri". Acidentes acontecem, mas podem ser muito constrangedores.
No próximo post da série vamos contar alguns "causos" de intestinos mal disciplinados.
Bianca Marotta - quarta-feira, 1 de julho de 2009 - 09:15
No outro dia, a Cris aqui do blog, nos enviou uma matéria sobre um australiano que voltou a andar depois receber aplicações de botox. O texto do seu email começava com a seguinte frase (irônica, claro): “Eu devo ser muito preguiçosa mesmo… Tá todo mundo voltando a andar!!!”
Pois é… Volta e meia a imprensa aparece com mais uma reportagem sobre alguém que era cadeirante há milênios e que com o tratamento XYZ somado a uma dose de força de vontade ultra-mega-power volta a andar como nos filmes e novelas. Ora bolas, por que será então que os demais autores deste humilde blog, todos cadeirantes, não conseguiram sair dando seus passinhos até agora? Será que são todos preguiçosos?
Nunca fui muito fã de livros de auto-ajuda. Não que eles não tragam mensagens verdadeiras, e sim porque abordam todos os temas de forma muito simplista. E sempre tenho essa mesma impressão quando leio reportagens como essas. Pensem comigo: o número de linhas dessas matérias é limitado, o repórter tem zilhões de outros textos pra escrever no mesmo dia, nem sempre o assunto é apurado de forma completa e mesmo assim as pessoas saem por aí acreditando que a cura pra lesão medular já existe.
Infelizmente não é tão simples assim. Temos sempre que lembrar, que cada caso é um caso. Muitas vezes a pessoa em questão tinha algum tipo de deficiência reversível. Muitas vezes ela até andava. Pouco, mas andava. Em muitos casos, como já relatamos aqui, a pessoa sofria de alguma histeria, que a deixou paralisada, mas que também, com tratamento correto, pode ser curada. E assim vai.
Todo cuidado é pouco antes de começarmos a achar que só não anda quem não quer. Sério mesmo, gente! Que tal começarmos a aceitar de uma vez as diferenças ao invés de ficar julgando Fulano ou Beltrano?
Nickolas Marcon - segunda-feira, 29 de junho de 2009 - 08:59
Além da limitação dos movimentos (óbvio), o que mais causa transtornos na vida de um cadeirante são as necessidades fisiológicas, pelo menos no caso de quem sofreu lesão neurológica.
Essa dica vai para o pessoal que sofre com o intestino preguiçoso: tomar laxantes é péssimo e deve ser evitado, pois desregula totalmente o funcionamento do corpo. A melhor forma para regular o funcionamento do intestino é melhorar a alimentação. Eu sei, eu sei, todo mundo já ouviu isso um zilhão de vezes, muita gente trabalha fora e não consegue seguir uma dieta equilibrada, mas há formas saudáveis para contornar o problema.
Aumentar o teor de fibras na alimentação é o melhor caminho, pois elas aumentam o volume e fazem o bolo fecal circular mais facilmente no intestino. Para isso há medicamentos fitoterápicos (naturais) à venda em todas as farmácias. É importante a orientação médica para avaliar a utilização e a dosagem adequada para cada pessoa. Normalmente vem em forma de pó para ser dissolvido em água, mas tem que ser tomado logo, senão acaba virando uma pasta. De quebra, reduzem a absorção de gordura e o nível de colesterol no sangue.
Outra dica são os alimentos funcionais, como leites fermentados e iogurtes com lactobacilos. Lembram daquela propaganda que dizia "Activia funciona"? Pois é… eu experimentei e, acreditem, funciona mesmo.
Tomando as duas coisas juntas, o "suco de fibras" e um copinho de iogurte todo dia, o resultado aparece depois de uma semana. Mas atenção: nos dois casos, para conseguir o efeito desejado a pessoa tem que ser muito disciplinada, tomar todo santo dia. Não pode esquecer no fim-de-semana nem deixar faltar em casa, senão atrapalha tudo. Também não pode parar a rotina, senão o intestino pode "entupir" novamente. É muito importante tomar bastante água, pois a hidratação evita o ressecamento das fezes, mas é melhor que seja água=água mesmo, nada de refrigerantes pois eles ressecam.
E você, qual é a sua dica para disciplinar o intestino?
Bianca Marotta - segunda-feira, 2 de março de 2009 - 09:05
Aproveitando o post da Cris e uma pequena conversa que tivemos, resolvi colocar esse assunto em discussão lá no Orkut. Durante nossa troca de idéias a Cris me saiu com a seguinte frase:
"Não sei o que é pior: os médicos que fazem essas cirurgias ou os pacientes inconformados que tentam qualquer coisa sem saber o que vem depois."
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Cris Costa - sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009 - 13:52
Outro dia recebi por email, de um queridíssimo amigo, uma reportagem falando da intenção do novo governo americano em dar mais incentivo aos estudos envolvendo células-tronco embrionárias humanas. Tem até uma empresa de Biotecnologia, a Genron que pretende iniciar testes com células-tronco na intenção de restaurar a função de órgãos e tecidos obtida com a injeção de células substitutas saudáveis. Resultado disso? Não sei, nada ainda é comprovado ou aprovado pela FDA (órgão que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos) ou qualquer outro órgão. Fico imaginando que com tanta informação e novidade disponível, como vamos saber o que é verdade? E como separar o que realmente tem fundamento das nossas expectativas na esperança da cura? Tarefa difícil. Só sei que quanto mais leio sobre o assunto, mais leiga me sinto.
Independente disso acho que temos que ter cuidado com as promessas de cura. Ano passado escrevi um post falando sobre uma reportagem do Fantástico que mostrava dois médicos fazendo cirurgia com células tronco em pacientes com lesão medular, que alegavam ter sucesso em suas cirurgias. Mas era só isso o que a reportagem falava, levando muitas pessoas a acreditarem que já existe uma cura. Infelizmente não falaram que essas cirurgias não são reconhecidas por nenhum conselho de medicina, que não existem provas de sua eficácia, e o pior: não falam sobre os efeitos colaterais.
Volto a dizer que acho que cada um faz o que quer com seu corpo. Não posso e nem julgaria a opção de alguém de se submeter a uma operação dessas. Mas que seja consciente dos riscos, sabendo que pode não ter nenhum resultado e ainda sofrer com algum efeito colateral grave. E lendo sobre o assunto, sobre o que realmente é fato e o que não é, encontrei na coluna de Alysson Muotri, no G1 da Globo.com, uma matéria onde ele fala exatamente sobre essas cirurgias "milagrosas". Achei o texto muito bacana. Ele deixa bem claro o que acontece nessas operações.
Só sei que, por enquanto, a minha esperança está mais focada em questões de acesso e preconceito do que na restauração de células motoras que ninguém conseguiu decifrar direito ainda. Claro que tenho fé na ciência, mas também sei que as coisas não acontecem da noite pro dia. E enquanto não acontecem, vou seguindo minha vida da melhor forma possível.
E vocês? O que acham dos tratamentos com células-tronco?