Bianca Marotta - quarta-feira, 1 de julho de 2009 - 09:15
No outro dia, a Cris aqui do blog, nos enviou uma matéria sobre um australiano que voltou a andar depois receber aplicações de botox. O texto do seu email começava com a seguinte frase (irônica, claro): “Eu devo ser muito preguiçosa mesmo… Tá todo mundo voltando a andar!!!”
Pois é… Volta e meia a imprensa aparece com mais uma reportagem sobre alguém que era cadeirante há milênios e que com o tratamento XYZ somado a uma dose de força de vontade ultra-mega-power volta a andar como nos filmes e novelas. Ora bolas, por que será então que os demais autores deste humilde blog, todos cadeirantes, não conseguiram sair dando seus passinhos até agora? Será que são todos preguiçosos?
Nunca fui muito fã de livros de auto-ajuda. Não que eles não tragam mensagens verdadeiras, e sim porque abordam todos os temas de forma muito simplista. E sempre tenho essa mesma impressão quando leio reportagens como essas. Pensem comigo: o número de linhas dessas matérias é limitado, o repórter tem zilhões de outros textos pra escrever no mesmo dia, nem sempre o assunto é apurado de forma completa e mesmo assim as pessoas saem por aí acreditando que a cura pra lesão medular já existe.
Infelizmente não é tão simples assim. Temos sempre que lembrar, que cada caso é um caso. Muitas vezes a pessoa em questão tinha algum tipo de deficiência reversível. Muitas vezes ela até andava. Pouco, mas andava. Em muitos casos, como já relatamos aqui, a pessoa sofria de alguma histeria, que a deixou paralisada, mas que também, com tratamento correto, pode ser curada. E assim vai.
Todo cuidado é pouco antes de começarmos a achar que só não anda quem não quer. Sério mesmo, gente! Que tal começarmos a aceitar de uma vez as diferenças ao invés de ficar julgando Fulano ou Beltrano?
Nickolas Marcon - segunda-feira, 29 de junho de 2009 - 08:59
Além da limitação dos movimentos (óbvio), o que mais causa transtornos na vida de um cadeirante são as necessidades fisiológicas, pelo menos no caso de quem sofreu lesão neurológica.
Essa dica vai para o pessoal que sofre com o intestino preguiçoso: tomar laxantes é péssimo e deve ser evitado, pois desregula totalmente o funcionamento do corpo. A melhor forma para regular o funcionamento do intestino é melhorar a alimentação. Eu sei, eu sei, todo mundo já ouviu isso um zilhão de vezes, muita gente trabalha fora e não consegue seguir uma dieta equilibrada, mas há formas saudáveis para contornar o problema.
Aumentar o teor de fibras na alimentação é o melhor caminho, pois elas aumentam o volume e fazem o bolo fecal circular mais facilmente no intestino. Para isso há medicamentos fitoterápicos (naturais) à venda em todas as farmácias. É importante a orientação médica para avaliar a utilização e a dosagem adequada para cada pessoa. Normalmente vem em forma de pó para ser dissolvido em água, mas tem que ser tomado logo, senão acaba virando uma pasta. De quebra, reduzem a absorção de gordura e o nível de colesterol no sangue.
Outra dica são os alimentos funcionais, como leites fermentados e iogurtes com lactobacilos. Lembram daquela propaganda que dizia "Activia funciona"? Pois é… eu experimentei e, acreditem, funciona mesmo.
Tomando as duas coisas juntas, o "suco de fibras" e um copinho de iogurte todo dia, o resultado aparece depois de uma semana. Mas atenção: nos dois casos, para conseguir o efeito desejado a pessoa tem que ser muito disciplinada, tomar todo santo dia. Não pode esquecer no fim-de-semana nem deixar faltar em casa, senão atrapalha tudo. Também não pode parar a rotina, senão o intestino pode "entupir" novamente. É muito importante tomar bastante água, pois a hidratação evita o ressecamento das fezes, mas é melhor que seja água=água mesmo, nada de refrigerantes pois eles ressecam.
E você, qual é a sua dica para disciplinar o intestino?
Bianca Marotta - segunda-feira, 2 de março de 2009 - 09:05
Aproveitando o post da Cris e uma pequena conversa que tivemos, resolvi colocar esse assunto em discussão lá no Orkut. Durante nossa troca de idéias a Cris me saiu com a seguinte frase:
"Não sei o que é pior: os médicos que fazem essas cirurgias ou os pacientes inconformados que tentam qualquer coisa sem saber o que vem depois."
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Cris Costa - sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009 - 13:52
Outro dia recebi por email, de um queridíssimo amigo, uma reportagem falando da intenção do novo governo americano em dar mais incentivo aos estudos envolvendo células-tronco embrionárias humanas. Tem até uma empresa de Biotecnologia, a Genron que pretende iniciar testes com células-tronco na intenção de restaurar a função de órgãos e tecidos obtida com a injeção de células substitutas saudáveis. Resultado disso? Não sei, nada ainda é comprovado ou aprovado pela FDA (órgão que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos) ou qualquer outro órgão. Fico imaginando que com tanta informação e novidade disponível, como vamos saber o que é verdade? E como separar o que realmente tem fundamento das nossas expectativas na esperança da cura? Tarefa difícil. Só sei que quanto mais leio sobre o assunto, mais leiga me sinto.
Independente disso acho que temos que ter cuidado com as promessas de cura. Ano passado escrevi um post falando sobre uma reportagem do Fantástico que mostrava dois médicos fazendo cirurgia com células tronco em pacientes com lesão medular, que alegavam ter sucesso em suas cirurgias. Mas era só isso o que a reportagem falava, levando muitas pessoas a acreditarem que já existe uma cura. Infelizmente não falaram que essas cirurgias não são reconhecidas por nenhum conselho de medicina, que não existem provas de sua eficácia, e o pior: não falam sobre os efeitos colaterais.
Volto a dizer que acho que cada um faz o que quer com seu corpo. Não posso e nem julgaria a opção de alguém de se submeter a uma operação dessas. Mas que seja consciente dos riscos, sabendo que pode não ter nenhum resultado e ainda sofrer com algum efeito colateral grave. E lendo sobre o assunto, sobre o que realmente é fato e o que não é, encontrei na coluna de Alysson Muotri, no G1 da Globo.com, uma matéria onde ele fala exatamente sobre essas cirurgias "milagrosas". Achei o texto muito bacana. Ele deixa bem claro o que acontece nessas operações.
Só sei que, por enquanto, a minha esperança está mais focada em questões de acesso e preconceito do que na restauração de células motoras que ninguém conseguiu decifrar direito ainda. Claro que tenho fé na ciência, mas também sei que as coisas não acontecem da noite pro dia. E enquanto não acontecem, vou seguindo minha vida da melhor forma possível.
E vocês? O que acham dos tratamentos com células-tronco?
Cris Costa - quinta-feira, 25 de setembro de 2008 - 09:09
Cura. Desde o primeiro mês do meu acidente eu escuto que a medicina está avançada e que logo haverá uma cura. Acredito que muitos passem por isso.
A espera de um milagre. Sinceramente, acredito que a medicina está realmente avançando e os estudos de célula tronco me trazem grande esperança. Já ouvi falar de remédios que melhoram a sensibilidade ou a parte motora, e até cheguei a tomar um deles. E tudo que ganhei foram 2 meses de injeção no bumbum, que me deixava com a nádega bem dolorida por sinal. E pra quem passa a maior parte do tempo sentada, não é nada agradável. Haja espasmo.
Mas enfim, hoje pensaria duas vezes antes de tentar qualquer remédio "milagroso". Cirurgia então, nem pensar. Sou cagona, confesso. Fazer uma cirurgia milionária com apenas a expectativa de uma possível melhora e sem saber qual o efeito colateral, me apavora. Não que eu ache maravilhosa a vida na cadeira de rodas. Tem dias que daria quase tudo só pra levantar, ir até o banheiro e fazer xixi, ou entrar no carro e sair, sem monta e desmonta de cadeira.
Vi nesse domingo uma reportagem falando sobre dois médicos, um chinês e outro português, que estão fazendo cirurgias com células tronco. E quem fez, diz que tem resultado. Mas de todas as cirurgias que eles fizeram, será que todas foram bem sucedidas ? Até que ponto vai a veracidade e qualidade dessas reportagens ? Conheço cadeirantes que topariam fazer a cirurgia num piscar de olhos. Eu não teria coragem. Prefiro deixar minha ansiedade de lado e enquanto não tiverem algo 100% certo, tanto de resultado quanto de efeitos colaterais, não arrisco meu corpo. Mas essa é apenas minha opnião. Afinal, cada um faz com seu corpo o que achar melhor.