Christian Matsuy - segunda-feira, 17 de maio de 2010 - 12:44
No dia 03 de Maio recebi um e-mail do site vagas.com.br, no qual tenho cadastro.
A i.Social (que divulga oportunidades de emprego para PCDs através desse site) me enviou a vaga com o descritivo abaixo:
(ver a imagem aqui do anúncio original recortado de minha área de trabalho)
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Empresa multinacional no segmento de distribuição de bebidas.
Auxiliar de Execução A./São Paulo- RTR.
Pré-Requisitos:
Boa comunicação, argumentação, pró ativo e habilidade para trabalhar em equipe e possuir carteira de habilitação de moto.
Descrição das atividades:
Visita aos Pontos de Vendas de pequeno varejo para a execução de merchandising. Reuniões de equipe diárias para direcionamento das vendas.
Outras informações:
Jornada de trabalho: Segunda a sábado – 8hrs.
Local de trabalho: Vários, de acordo com o mercado que for trabalhar.
Salário: R$725,12
Benefícios: 14º salário / Tickets 11,00 por dia / Plano Médico / Odontologico / Cesta Natal / Ajuda Material Escolar (dependentes e funcionário univeritário) / Brinquedos Natal.
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Ok…
Tudo bem que a vaga não serve para mim (e também não é minha área de atuação), mas comecei a me perguntar: para quem serviria? Quantas pessoas com deficiência você conhece e que cumprem esses pré-requisitos?
Longe de mim querer segregar as pessoas com deficiência, até porque eu sou uma delas. Porém, continuo a bater na tecla de que a maioria das empresas querem contratar uma pessoa com a menor deficiência possível. O mérito está na qualificação ou na deficiência da pessoa? Quer dizer que se eu fosse um amputado, mas bem independente, porém sem qualquer qualificação, eu teria mais facilidade em conseguir um emprego? Eu tenho a nítida impressão que sim. E de quebra ainda me pagariam um salário mais baixo.
Eu que tenho ensino superior, cursos de especialização e sou bilíngue, entre outras coisas, e não consigo sequer uma entrevista de seleção!? Ahhh esqueci… Eu sou tetraplégico! (Pra que que eu estudei então?)
Devo dar trabalho, né? (nunca ninguém me perguntou, mas eu devo dar) Devo faltar pra cacete, fico enchendo o saco dos outros, preciso de ajuda pra entrar e sair do carro… resumindo: “EU NÃO SOU ECONOMICAMENTE VIÁVEL”.
Felizmente, hoje estou empregado, mas muita gente não está. Isso gera uma crise em minha consciência. Uma crise que não me permite mais aceitar essas velhas normas, padrões e algumas “tradições”. O que estou querendo discutir aqui é que, sem uma mudança RADICAL de pensamento por parte das empresas, não haverá nunca um conceito pleno de inclusão social. Será sempre essa historinha de cumprir as cotas, fugir da multa e ainda sair falando pra todo mundo: “olha, aqui nós contratamos deficientes, somos bonzinhos e exemplares”. Não podemos mais simplesmente aceitar as coisas como nos são apresentadas, sem questioná-las. Inclusão social está muito além de cumprir lei de cotas.
Eduardo Camara - quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 - 11:02
A vaga abaixo é real, para início imediato e o selecionado vai trabalhar na equipe de um amigo meu. A empresa é uma multinacional de grande porte no ramo de mineração, e está adaptada para receber cadeirantes.
*** Os currículos devem ser enviados para vcapille@gmail.com ***
Formação necessária:
Economia, Administração, Estatística, Ciencia da Computação ou Engenharia.
Conhecimentos desejáveis:
Gestão de Processos;
Gerenciamento da Rotina;
Mapeamento de Processos;
Melhoria Continua e Qualidade;
Domínio do Pacote MS Office;
Inglês Avançado;
Atividades:
Mapeamento de processos e definição de KPI´s para medição de performance;Analisar os GAPs de performance e propor Plano de Ação;
Apoiar a implantação do Plano de Ação, medindo e apresentando os resultados;
Preparar material para reuniões de performance;
Apoiar os donos de processo em ações de melhoria contínua;
Desdobramento de metas;
Bianca Marotta - sábado, 10 de outubro de 2009 - 16:37
A Gerência de Operações da PETROS está realizando Processo Seletivo interno e externo para prover duas vagas de Assistente I (uma para o Rio de Janeiro e uma para Salvador), destinadas a portadores de necessidades especiais. Os interessados deverão atender ao seguinte perfil:
Formação:
Ensino Médio Completo
Perfil Exigido:
Disponibilidade para realização de viagens com frequência;
Boa redação;
Iniciativa;
Facilidade de Relacionamento.
Atividades a serem exercidas:
• Representar a Petros em audiências judiciais;
• Registrar, controlar e atualizar os registros relativos às atividades de prepostos;
• Operar e consultar os diversos sistemas operacionais que dão suporte às atividades da Gerência de Operações;
• Prestar apoio na sua área de atuação, executando rotinas e controles diversos, efetuando levantamentos, conferências e cálculos na realização de atividades técnicas, designados pelo superior imediato;
• Suporte administrativo aos demais setores da Gerência.
Os interessados deverão enviar currículo para o e-mail curriculos@petros. com.br mencionando no campo assunto o cargo Assistente I (Rio) ou Assistente I (Salvador).
O prazo para inscrição é até o dia 15/10/2009.
Bianca Marotta - quarta-feira, 5 de agosto de 2009 - 09:34
Tem tempo que eu estava com vontade de escrever sobre a lei brasileira de cotas para pessoas com deficiência no mercado de trabalho, mas batia um certo medo de dizer besteira, de acabar não me expressando bem e gerar mal-entendidos. Ou até polêmicas desnecessárias.
Eis que, há algumas semanas, recebi um email com link para um texto do blog de Andrei Bastos, no qual ele falava justamente sobre o tema. A abordagem, na minha opinião, é tão boa e resume tão bem o que eu penso a respeito, que achei mais pertinente colocar o texto aqui, ao invés de repetir palavras que já foram tão bem ditas. Obrigada, Andrei!
E para saber de onde veio o texto abaixo, clique aqui.
Um mal necessário
ANDREI BASTOS
A lei de cotas para pessoas com deficiência no mercado de trabalho fez dezoito anos, mas ainda está engatinhando. Ela nasceu em 1991, foi regulamentada em 1999 e a fiscalização e aplicação de multas foram definidas e começaram em 2001 – dez anos depois da sua promulgação! Portanto, todas as etapas da sua evolução se deram muito atrasadas no tempo e ainda hoje ela se expõe como um anacronismo.
Sua condição de inadequação não se deve apenas ao fato de que contradiz a verdadeira noção de inclusão, que não contempla procedimentos de proteção excepcional e de natureza segregadora e autoexcludente como cotas, estatutos, comissões ou organismos governamentais ou civis de dedicação exclusiva. Os direitos das pessoas com deficiência estão no âmbito dos direitos humanos e, fora isso e objetivamente, ela é uma lei anacrônica porque coloca o carro na frente dos bois – sua efetivação plena depende do equacionamento de problemas que antecedem ao que ela pretende resolver. Antes de empregos, precisamos de acessibilidade e educação inclusiva.
Podemos aceitá-la como mal necessário, e temporário, apenas porque ela procura reparar injustiças historicamente cometidas contra as pessoas com deficiência, e que ainda o são, e porque contribui para colocar a questão da nossa inclusão mais amplamente na sociedade ao abordar a atividade econômica.
É difícil até aceitá-la como ação afirmativa quando, pela falta de acessibilidade nas cidades e construções e no sistema de transportes coletivos, não temos nosso direito de ir e vir respeitado e, mais que isso, quando sabemos que a esmagadora maioria dos deficientes é de pessoas pobres, que não têm dinheiro para comprar automóvel adaptado ou pagar motorista particular e depende de ônibus, trem, metrô ou barco para tudo na vida. Diante disso, a fiscalização e aplicação de multas, de preferência muito pesadas, junto aos concessionários de transporte público é que seria uma verdadeira ação afirmativa. Afinal, que empregador vai tolerar um funcionário que não tem como chegar na hora certa ou mesmo chegar?
Enquanto isso não acontece, ficamos assistindo a um desfile de boas intenções de gente caridosa, que tanto se esforça para arranjar um empreguinho para um deficiente, e de empresas magnânimas, que toleram empregados sem produzir porque sai mais barato do que pagar multas ou que escolhem entre as deficiências qual a que vai atrapalhar menos. Fala sério! Vamos acabar com essa hipocrisia e realizar ações afirmativas de verdade!
Senhores empresários e pessoas bem intencionadas em geral, juntem-se a nós na luta por direitos e não por caridade e, particularmente, no combate à máfia dos transportes coletivos, que resiste à implementação da acessibilidade em seus veículos. Feito isso, as pessoas com deficiência não terão mais dificuldades para estudar e se qualificar profissionalmente e, por sua vez, as empresas não terão mais dificuldades para contratar profissionais com deficiência, que não são extraterrestres e nem coitadinhos.
Podem me chamar de deficiente mal-agradecido à vontade, mas eu é que sei o duro que dou quando meu Honda Civic automático, modelo 1993, baixa enfermaria.
Bianca Marotta - quarta-feira, 29 de julho de 2009 - 09:48
Recebemos esta semana, algumas dicas de oportunidades de trabalho para pessoas com deficiência. Infelizmente nenhuma delas é no Rio de Janeiro, mas quem sabe nossos leitores de outros estados se interessam? São elas:
Banco Bradesco
100 vagas de atendentes (Telemarketing Receptivo)
PARA A REGIÃO CENTRAL – SANTA CECILIA
Salário de R$ 1.118,00
Benefícios: Assistência médica e odontológica, ticket alimentação e refeição (total de R$ 800,00), vale transporte
Requisitos: Idade 18 – 26 anos / Feminino ou masculino / Cursando superior ou completo / Não casado, sem filhos
Horário das 14h00 – 22h00
Encaminhar currículo para o e-mail ricardo.rh@ibest.com.br
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Rousselot Gelatinas do Brasil SA (antiga Rebière)
Indústria multinacional e líder no seguimento de mercado está selecionando profissionais qualificados nas funções:
TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO com perfil generalista, experiência com inspeções de segurança, CIPA, treinamentos, NRs, etc. Desejável conhecimento em inglês.
ANALISTA DE RECURSOS HUMANOS com experiência generalista na área de recursos humanos, tais como: administração de treinamentos, elaboração de descrição de cargo, Ferramentas do Sistema ISO 9001, Programa de Integração e recrutamento e seleção. Formação Superior completo em psicologia; bons Conhecimentos de informática; desejável experiência no HR Datasul e inglês nível intermediário.
Enviar cv para o e-mail desenvolverh@uol.com.br mencionando no assunto o título da vaga.
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Química Amparo está selecionando profissionais qualificados nas funções:
AUXILIAR ADMINISTRATIVO com conhecimentos em informática (Word e Excel) e 2º grau completo. Benefícios: Assistência Médica; Assistência Odontológica; Seguro de Vida; Restaurante na empresa; Transporte Fretado e Cesta de produtos Ypê.
Salário: R$ 693,00.
Enviar cv para o e-mail rh3@ype.ind.br mencionando no assunto o título da vaga.
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DPaschoal loja Amparo / SP está selecionando profissional com deficiência.
Enviar cv para o e-mail loja029amp@dpaschoal.com.br mencionando no assunto sobre a vaga p/ profissional com deficiência.
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BASF de S. B. do Campo / SP
Cargo: AUXILIAR DE SERVIÇOS
Pré-requisitos: Ensino Fundamental completo, Idade: 18 até 30 anos
Salário:
R$ 550,00 no primeiro ano com horário das 7h40 às 13h50 fazendo o curso de Formação do Ensino Médio.
R$ 759,00 a partir do segundo ano no horário das 07h30 às 17h estudando um período e trabalhando outro.
Benefícios: Assistência médica, Assistência Odontológica, Restaurante no local (1,5% do salário), Seguro de Vida em grupo, Ônibus Fretado (gratuito), Vale Transporte (6% do salário), Acesso à farmácia e papelaria com desconto em folha de pagamento.
Os interessados deverão enviar os documentos abaixo pelo fax (11) 3078-8991 ou por e-mail para tania@cs4consultoria.com.br
Laudo médico da deficiência física
Audiometria para os que têm deficiência auditiva bilateral
Histórico de conclusão do 1º grau ou Ensino Fundamental ou 8ª série
Currículo atualizado
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E a empresa Granol está recebendo currículos de pessoas com deficiência em todas as áreas. Seu currículo ou telefone e nome para contato deve ser encaminhado para o RH da unidade mais próxima. O site da empresa é: www.granol.com.br/
Cris Costa - terça-feira, 28 de julho de 2009 - 10:06
Tem horas que é f… Esta semana a Bianca nos enviou uma reportagem falando sobre um projeto do Sarney que eliminaria quase 200 mil vagas para as pessoas com deficiência. Vocês devem estar fazendo a mesma pergunta que eu: “Como assim???”. Bem, a intenção do projeto é fazer com que todas as empresas tenham pelo menos 3% de deficientes contratados, independente de serem de pequeno, médio ou grande porte. Atualmente essa porcentagem varia entre 2% e 5% dependendo da quantidade de funcionários que a empresa possui. O que me parece bem mais razoável. Acredito que para as pequenas empresas esse aumento da cota seja bem mais complicado, enquanto que para as grandes, que vai diminuir, um provável alívio.
Além disso esse projeto ainda cria a possibilidade de terceirização das cotas, ou seja, o número de pessoas com deficiência contratadas por empresas prestadoras de serviço poderá ser contabilizado como preenchimento da cota por parte da contratante. Aí eu pergunto, mas e a cota dessa empresa prestadora de serviço? Também fica na mesma conta da empresa que contrata? Afinal, estão defendendo os direitos de quem? Complicado…
Nunca fui muito a favor de cotas, acho que no final elas acabam discriminando da mesma forma. Penso que as oportunidades de emprego deveriam ser oferecidas às pessoas pelo seu potencial, independente de sua condição física, ou qualquer outra coisa. Mas já que ainda não existe esse mundo perfeito a questão das cotas pode ajudar de alguma forma.
E você? O que acha?
Cris Costa - terça-feira, 30 de junho de 2009 - 09:59
Oportunidades especiais é o nome do stand que ficará no BarraShopping, próximo a entrada K, até o dia 5 de julho, com o objetivo de incluir socialmente no mercado de trabalho pessoas com todos os tipos de deficiência física ou mental. Além de ganhar diversos cursos oferecidos gratuitamente pela Universidade Estácio de Sá, como telemarketing, vendas e atendimento ao cliente, os interessados ainda poderão se cadastrar para concorrer a 500 vagas de empregos em empresas parceiras do projeto, como Ipiranga, Oi, Instituto Embratel, Souza Cruz, Ampla, Metrô-Rio, Deloitte e Estácio de Sá.
Diariamente, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 13h às 21h, uma equipe de atendentes, psicólogos e especialistas em comunicação por libras (a linguagem dos surdos-mudos) estará no stand para atender o público interessado. Os que não puderem ir até lá, podem pedir para outra pessoa realizar o seu cadastro no local. Mais informações pelo telefone 2215-4588.
Cris Costa - segunda-feira, 22 de junho de 2009 - 15:38

É muito comum falar sobre inclusão hoje em dia, ainda mais nos ambientes corporativos. Mas ainda vemos muitas empresas contratando deficientes apenas por causa da lei de cotas, porém sem estrutura ou cultura para receber profissionais com deficiência. A experiência acaba não sendo tão boa ou produtiva quanto poderia. E nem vou comentar sobre as empresas que alegam não ter deficientes capacitados para cumprir as cotas necessárias, ou as que contratam apenas pessoas com deficiência leve. O assunto ainda é delicado e pouco discutido, mas sei que basta a empresa querer e entender o que realmente é inclusão – que pra mim é tratar todos da mesma forma – para que as coisas aconteçam. O Jairo Marques, do Blog “Assim como você” já tinha feito um post sobre a Chemtech - empresa especializada em soluções de engenharia e TI - falando sobre a postura da empresa na hora de contratar deficientes, mas achei que podíamos falar mais um pouco sobre o assunto e mostrar como foi o processo na hora de contratar deficientes e o resultado dessa experiência. Conversamos com Daniella Gallo, gerente de RH da Chemtech, e percebemos que contratar deficientes não é um bicho de 7 cabeças . Basta querer.
Cris: Como a Chemtech se estruturou para contratar pessoas com deficiência? (Como foi o processo seletivo, o que procuraram nos candidatos)
Daniella: Antes de iniciar os processos seletivos, fizemos uma parceria com o IBDD – Instituto Brasileiro de Pessoas com Deficiência e promovemos uma palestra para conscientização e sensibilização dos gerentes e líderes da Chemtech. Nesta palestra o IBDD falou sobre o cenário atual, sobre as dificuldades na empregabilidade de pessoas com deficiência, mas, principalmente, nos fez perceber a importância da causa e da responsabilidade que todos nós temos em ajudar, não no sentido assistencialista, mas dando oportunidades iguais para os profissionais com deficiência.
No início dos processos seletivos, começamos a buscar profissionais que tivessem a formação e a experiência necessária para atuar nos projetos da empresa. Mas logo percebemos que devido ás dificuldades reais que os deficientes possuem, somadas à falta de apoio do governo, sempre é mais difícil para pessoas com deficiência terem acesso às universidades e ao mercado de trabalho. Neste momento, tomamos a decisão de inverter o foco: ao invés de buscar profissionais que se encaixavam nas vagas existentes, resolvemos procurar pessoas com o perfil comportamental desejado pela empresa e avaliar o potencial delas, tentando identificar em quais posições da empresa (mesmo que não houvesse vagas em aberto) elas poderiam contribuir e se desenvolver. Além disto, entendemos que era responsabilidade também da Chemtech, colaborar para a capacitação de pessoas com deficiência. Então fizemos um processo buscando pessoas com o perfil comportamental da Chemtech e potencial para trabalhar com ferramentas de SW e promovemos os cursos de AutoCAD gratuitamente para cerca de 30 profissionais com deficiência e contratamos cerca de 10 alunos no final.
Outros pontos importantes:
1. Em nenhum momento do processo escolhemos o tipo de deficiência. O primeiro funcionário contratado neste processo foi o Ricardo Gonzalez que é tetraplégico. E eu tive o total apoio da diretoria (Rubião e Denise) para contratá-lo!
2. Buscamos deficientes “resolvidos”, isto é, aqueles que não tinham pena de si mesmos e eram amargurados; buscamos pessoas que conseguiram vencer a deficiência, no sentido de aceitar a limitação, mas não deixar-se vencer por ela!
Cris: Foi necessário fazer grandes alterações na estrutura da empresa (rampas, banheiros, softwares)? O custo foi alto?
Daniella: Não. Tivemos que adaptar alguns andares (instalação de rampas e barras nos banheiros) para torná-los acessíveis. Estamos fazendo isto aos poucos, conforme formos contratando cadeirantes para cada andar. Nossa intenção é que toda a Chemtech seja acessível. Além disto, adquirimos o SW de comando de computador por voz para o Ricardo. Pequenas e poucas alterações foram requeridas.
Cris: Qual foi a maior dificuldade na contratação? (barreiras arquitetônicas, candidatos com pouca qualificação…)
Daniella: Conforme expliquei no item 1, tivemos dificuldades no início, pois estávamos procurando candidatos qualificados para as vagas existentes. Depois que mudamos o foco da seleção e investimos em capacitação, ficou mais fácil.
Cris: Houve algum treinamento para as áreas que iriam passar a incluir deficientes em suas equipes? Como foi?
Daniella: Sim. Promovemos encontros com as equipes que iriam receber novos colegas deficientes, com o objetivo de conscientizá-los e prepará-los. A idéia é sempre passar a seguinte mensagem: agir com naturalidade, não ter uma postura assistencialista e entender que o novo colega é mais um profissional, que será cobrado da mesma forma que os demais.
Cris: O resultado do trabalho dos funcionários com deficiência foi o esperado?
Daniella: Surpreendemos-nos com a maioria dos deficientes contratados, pois são profissionais com ótima postura, batalhadores e pessoas que enriquecem o nosso dia-a-dia. Foram poucos os casos que necessitaram de alguma atuação extra, como realocação ou dificuldade de adaptação – dentro do percentual normal, que ocorre em qualquer contratação, independente da deficiência!
O site da Chemtech é: www.chemtech.com.br
Bianca Marotta - terça-feira, 9 de junho de 2009 - 13:30
Pois é, parece que os paulistas estão um pouco à frente dos cariocas na questão da inclusão. Mas como não somos bairristas, divulgamos o evento, porque o importante é passar a informação adiante.
É o seguinte: a partir do dia 15 de junho, começa no Jardim Angela um curso de qualificação profissional para pessoas com deficiência realizado pelo Instituto Paradigma, em parceria com o Instituto Camargo Corrêa e CNEC Engenharia. O curso já está na sua segunda turma e tem como foco pessoas que buscam aperfeiçoamento profissional ou almejam iniciar o próprio negócio. As aulas serão divididas em quatro módulos: os dois primeiros serão reservados para orientações comportamentais e para conceitos de português, matemática e informática. Já os dois módulos seguintes falarão sobre gestão de pequenos negócios e orientação para desenvolvimento e gestão de carreira. O curso terá duração de 8 meses e as aulas serão diárias. Os interessados devem ter acima de 18 anos, ensino fundamental (1º grau) completo ou ensino médio (2º grau) completo ou incompleto.
O curso é gratuito e as inscrições podem ser feitas com Valdinéia ou Flávia Russo, pelo telefone (11) 5090-0075 ou por e-mail instituto@iparadigma.org.br. As aulas serão ministradas na Associação Unificada dos Moradores do Jardim Paranapanema, que fica na Rua Maria Silvina Tavares, 23, próximo ao Hospital M’Boi Mirim, no Terminal Jardim Ângela.
Cris Costa - segunda-feira, 11 de maio de 2009 - 11:15
Para os deficientes, entrar no mercado de trabalho já não é mais tão complicado. As empresas hoje em dia precisam contratar deficientes, pois além de terem que cumprir as cotas, evitando assim pagar multa, querem fazer “bonito” e se intitularem empresas socialmente responsáveis. Mas nem vou entrar nessa questão. O que me pergunto é: será que as empresas estão realmente preparadas para essa diversidade? Não adianta só querer cumprir cota. É necessário, principalmente, que tenham uma cultura inclusiva.
Como entender que deficientes podem ser mais que atendentes de telemarketing e recepcionistas? Nada contra as vagas oferecidas, não é esse o ponto. É porque ser inclusivo, pra mim, é contratar uma pessoa pelo seu currículo, pelo seu histórico e pelo que ela pode contribuir para o desenvolvimento da empresa, independente do fato de ela usar cadeira de rodas, uma bengala ou se comunicar através de sinais. Ok, existem deficiências que são incompatíveis com alguns cargos, é compreensível. Mas quantos cargos existem que podem ser ocupados por pessoas com deficiência e as empresas nem os cogitam?
Meu primeiro emprego após o acidente até que foi legal. Mas na minha área havia apenas pessoas com deficiência. Por um lado era bacana. Foi um período de aprendizado e muita troca. Mas sempre questionei o quanto aquilo era realmente inclusivo, já que ficávamos todos numa única sala, separados do resto da empresa. Diria que quase escondidos. Estranho, né?
Enfim, entre esse primeiro emprego e o meu atual já passei por poucas e boas. Já fui a empresas que me chamaram, prometendo mundos e fundos, aparentando uma ótima oportunidade de carreira, mas que depois de pouco tempo, se mostraram perdidos, sem saber o que fazer comigo, como se eu fosse incapaz de desenvolver qualquer tarefa. Por outro lado também já trabalhei em empresas nas quais, desde o processo seletivo, participei como qualquer outra pessoa e conquistei a vaga e até 2 promoções. Nunca me senti tratada de forma diferente.
É o que acontece no local onde trabalho hoje. Eles tem esse diferencial: não me tratam diferente. Adaptam o que for preciso, me dão uma estrutura, mas também me cobram resultados. Se eles acreditam que a pessoa tem um bom currículo, ela é contratada. Já vi por aqui pessoas com todas as deficiências: física, visual, auditiva. Legal, né?
Sim, seria o mundo perfeito se todas as empresas tivessem essa mesma postura: da inclusão verdadeira. Mas saber que algumas já seguem esse caminho, é um bom começo.