Christian Matsuy - segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 - 12:08
Lendo o post da Cris, fiquei inspirado a falar um pouco de como foi a minha volta (dos que não foram) ao mercado de trabalho.
Calma, eu explico: na verdade, não foi uma volta e sim um começo, pois eu nunca havia trabalhado antes de ser cadeirante, tinha 15 anos quando me acidentei e ainda estava no colégio.
Creio que, como aconteceu com os demais autores do blog, mesmo ainda adolescente, ingressar no mercado de trabalho foi uma das minhas grandes preocupações e ainda internado no hospital eu já brincava com as possibilidades num jogo mental de “posso – não posso fazer”.
Deixa eu dar uma encurtada na conversa aqui, senão vira livro :)
Bom, terminei meus estudos, faculdade, fiz alguns outros cursos de especialização, mas não tinha nada em vista. Esse negócio de lei de cotas e acessibilidade em locais de trabalho não havia nascido ainda (1990)! Já os concursos públicos sempre me barraram no edital, pois a pessoa tem que ter um mínimo de autonomia.
Mas com o bom domínio de conhecimentos de informática, sempre fiz bicos desde meu colegial (eu já estava até meio conformado em ser um prestador de serviço), e isso se prolongou até 1997, quando ví um anúncio em um grande provedor de acesso à Internet recrutando pessoas com deficiência para trabalho à distância.
Apesar do salário digamos que… ridículo, me candidatei e fui aprovado com uma certa rapidez, pois segundo o RH da empresa, mesmo nessas condições haviam pouquíssimas pessoas com as qualificações mínimas exigidas (saber utilizar as ferramentas do Office e ter um bom conhecimento de Internet). Fiquei sabendo que foram contratadas seis pessoas para exercerem a mesma função Brasil adentro. Em 2 meses, todos foram dispensados, menos eu. O pessoal não estava dando conta do serviço. Minha gerente da época me ofereceu uma vaga interna pra fazer o serviço desse pessoal, mas eu recusei… MEDO. Muito medo de sair de casa e passar 8 horas longe dos meus pais.
Tenho uma lesão super alta (C4/5), o que me torna muito dependente. Na hora você já imagina aquelas situações chatas de esvaziar coletor, alimentação etc… pô, eu estava muito inseguro. Continuei trabalhando em casa com uma carga horária ampliada e salário melhorado. Fiquei 3 anos nessa vida e mais uma vez estava me conformando com a situação, que não era incômoda, mas não remunerava bem e tomava muito tempo.
Continuou assim até essa mesma gerente que me chamou pra trabalhar mudar de emprego. Assim que ela mudou, ligou e disse que me queria junto de qualquer jeito, mas tinha que ser pra trabalhar no local! Daí pensei muito, muitas noites sem dormir até que aceitei fazer uma entrevista. Ao mesmo tempo, pensava no lance dessa oportunidade não bater novamente em minha porta. Detalhe que ela não tinha idéia da minha deficiência, e com certeza ela achava que era algo mais leve, mas confesso que foi uma sensação boa, de alguém te chamar pela sua qualificação.
Apesar desse “choque inicial”, de imediato coloquei minhas necessidades básicas: alguém que me auxiliasse com a alimentação, água, xixi (esvaziar meu coletor de perna), e entrar e sair do carro. Pro meu espanto ouví: -”é só isso que você precisa?” E foi assim! Pro meu espanto, a ajuda sobrava… As pessoas sempre muito solícitas e é assim até hoje. E não estou falando de empresa pequena, e sim uma indústria multinacional com mais de 1000 funcionários. Infelizmente essa não é a situação real do mercado. Sabemos que as empresas garimpam as pessoas “menos deficientes possíveis”, e que tenham autonomia pra se virar sozinhas. Já escrevi sobre isso nesse post.
Era um trabalho completamente diferente do que eu realizava, mas nada que eu não soubesse. A princípio detestei, mas a proposta salarial realmente pesou e eu comecei a gostar aos poucos daquilo que estava fazendo. Querendo ou não, aprendi a ter um comportamento corporativo devagarzinho. E fui fazendo amizades, me identificando com as pessoas, o que facilitou mais ainda esse lance da ajuda.
Até campanha pro Teleton eu fiz!

Campanha Teleton 2003
Um ano após eu entrar nessa empresa, fizeram uma proposta de promoção de cargo, uma coisa que jamais esquecerei na vida. E dois anos mais tarde veio outra… E cá estou eu, a 8 anos na mesma empresa.
O que posso concluir e deixar de dica é que a qualificação profissional ajuda superar muitas barreiras, sejam físicas ou de preconceito.
Estar “apresentável” também faz diferença (na verdade isso vale pra qualquer um). Não adianta você achar que vai conseguir um emprego usando calça de abrigo, com o umbigo aparecendo e a camiseta suja de molho de macarronada, que não vai. Saiba trabalhar isso em você. Seja cadeirante, mas seja limpinho, ok?
Cris Costa - quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 - 16:35
Voltar a trabalhar ou entrar no mercado de trabalho não é fácil pra ninguém, e quando se tem alguma deficiência ainda é um pouco mais complicado. Com a lei de cotas, o mercado melhorou muito. Eu sei que esse muito tá longe de ser bom ou mesmo razoável, mas que melhorou é fato. Lembro que há 10 anos atrás era bem mais complicado conseguir trabalho e as vagas disponíveis para deficientes eram bem mais limitadas. Nem vou entrar no quesito salário, pois era de chorar.
Lembro que quando me senti pronta pra voltar ao mercado fiquei bem perdida, sem saber por onde começar. Não sabia se ia direto pra iniciativa privada ou se estudava para algum concurso. E além disso, tinha várias questões envolvidas: estava sem carro, há 2 anos fora do mercado, não tinha me formado na faculdade e não fazia idéia de como seria ficar 8 horas seguidas sentada. Mas não via outra opção: ou encarava as dificuldades ou não ia sair do lugar.
Acabou que pintou uma oportunidade de trabalhar 3 vezes por semana numa clínica particular de reabilitação na parte administrativa. O salário era péssimo, a função não me empolgava, mas precisava começar em algum lugar e sair casa. A experiência não foi lá muito boa. O salário não pagava o que gastava com transporte e não tava me acrescentando muita coisa. Até os donos da clínica sabiam disso. Mas foi lá que apareceu uma outra oportunidade. Me falaram que o CVI tava fazendo processo seletivo e que talvez fosse uma boa oportunidade. Topei na hora, e fui lá fazer o tal processo seletivo. Mais uma vez, a atividade não me empolgava. O salário era melhor mas sabia que ia todo no transporte. Mesmo assim, achei que valia. Era pra uma empresa de grande porte, e as possibilidades de melhoria eram boas. E seriam apenas 6 horas por dia, o que me agradava na época. Passei no processo seletivo, fiz o treinamento e um mês depois já tava trabalhando. A área que eu estava era praticamente só de deficientes. Na época foi bom, pois acabei aprendendo muito e tendo uma troca muito bacana com pessoas que tinham bem mais tempo de lesão. Vi gente que já trabalhava há muito tempo, alguns formados, outros casados, enfim, todos levavam uma vida normal. Isso foi muito marcante e me fez ver que as possibilidades estavam abertas pra mim.
Um adendo nada a ver: curiosamente, foi nessa empresa que conheci o cara mais marrento que já vi, um tal de Nickolas Marcon.
Voltando ao assunto, depois de quase um ano na mesma área, surgiu uma oportunidade de trabalhar em outra área da mesma empresa. Já era algo que tinha mais a ver comigo e com um salário que me daria condições de comprar um carro. Me candidatei na hora e depois de entrevistas e conversas, consegui a vaga. Fazendo algo que me dava uma perspectiva melhor, vi que era hora de começar a investir em estudo pra que pudesse continuar crescendo, e assim foi. Fiz vestibular, estudei, me formei e fui melhorando. Fiz outra faculdade e me formei. Agora estou procurando uma pós para fazer. Recebi propostas de outras empresas, algumas boas, outras não. Arrisquei, acertei e errei. Mas essa parte, independe de deficiência, é igual pra todo mundo. O importante é se qualificar para poder buscar oportunidades melhores e de acordo com seu perfil.
É interessante também se informar sobre a empresa que está contratando. Acreditem, já vi algumas contratarem apenas pra cumprir cota. Se a pessoa era qualificada e podia fazer um bom trabalho, não importava. Tava ali cumprindo a mesma função de um móvel. E isso é ruim tanto para empresa quanto para o funcionário.
Mas o bom é que nesse meio tempo as oportunidades oferecidas melhoraram. Sim, ainda precisa evoluir muito e me aborrece ainda ver empresas anunciando vagas específicas para deficientes. E, normalmente, são de telemarketing ou auxiliar de alguma coisa. Na boa? Se estamos trabalhando para inclusão, o ideal seriam as empresas abrirem vagas para TODOS e, se o cara for cadeirante, deficiente auditivo ou visual, isso não deveria ser empecílio. O que deve importar é o currículo, a experiência e a capacidade de cada um. Mas enquanto isso não acontece, vale tentar se especializar, estudar, fazer uma faculdade… Ok, sei que não é fácil. Nada ajuda, tudo é caro e os meios de transportes são uma vergonha, mas vale pensar adiante e o quanto as portas podem se abrir se você estiver mais preparado. Tente entrar em contato com ONG’s que não só tem contato com empresas como também oferecem cursos profissionalizantes. Faça um esforcinho, pequise e se informe. Nada que o Google não ajude. Aqui no Rio, posso dizer que o CVI e o IBDD fazem um excelente trabalho nessa área. Vale dar uma olhada no site deles.
Enfim, é apenas minha humilde opinião e experiência. Dificuldades sabemos que existem. O importante é estar preparado e agarrar as oportunidades que aparecerem.
Christian Matsuy - quarta-feira, 29 de setembro de 2010 - 17:32
A Teleperformance, empresa líder em contact center, está realizando um curso de capacitação gratuito para pessoas com deficiência.
O curso tem duração de quatro meses, período no qual são divididos em três módulos: Língua Portuguesa & Matemática, Telemarketing & Rotinas Administrativas e Informática.
Durante o curso, ao final de cada módulo os alunos farão provas, que além de medirem seus conhecimentos nos conteúdos aplicados, também são de processo seletivo, ou seja, com o término do curso, serão oferecidas vagas de trabalho.
O curso acontece somente aos sábados, o que possibilita que a pessoa que hoje já trabalha, possa estudar, afinal conhecimento nunca é demais. :)
O local do Curso é próximo ao metrô São Bento (centro) com dois horários, manhã (das 08:00 às 13:20h) e tarde (das 14:00 às 19:20).
Todo material didático é fornecido gratuitamente, assim como um lanche no local.
Após o término do curso, os participantes receberão um certificado de conclusão e serão oferecidas vagas de trabalho para Agente de Atendimento com salário inicial de R$550,00 mais benefícios.
As inscrições estarão abertas até 20/10/2010 e podem ser feitas através do telefone (11) 2163-3434 com a Elisângela Monteiro ou através do e-mail: elisangela.monteiro@teleperformance.com.br
As próximas turmas começam em Novembro, não perca tempo!
Christian Matsuy - segunda-feira, 17 de maio de 2010 - 12:44
No dia 03 de Maio recebi um e-mail do site vagas.com.br, no qual tenho cadastro.
A i.Social (que divulga oportunidades de emprego para PCDs através desse site) me enviou a vaga com o descritivo abaixo:
(ver a imagem aqui do anúncio original recortado de minha área de trabalho)
. . .
Empresa multinacional no segmento de distribuição de bebidas.
Auxiliar de Execução A./São Paulo- RTR.
Pré-Requisitos:
Boa comunicação, argumentação, pró ativo e habilidade para trabalhar em equipe e possuir carteira de habilitação de moto.
Descrição das atividades:
Visita aos Pontos de Vendas de pequeno varejo para a execução de merchandising. Reuniões de equipe diárias para direcionamento das vendas.
Outras informações:
Jornada de trabalho: Segunda a sábado – 8hrs.
Local de trabalho: Vários, de acordo com o mercado que for trabalhar.
Salário: R$725,12
Benefícios: 14º salário / Tickets 11,00 por dia / Plano Médico / Odontologico / Cesta Natal / Ajuda Material Escolar (dependentes e funcionário univeritário) / Brinquedos Natal.
. . .
Ok…
Tudo bem que a vaga não serve para mim (e também não é minha área de atuação), mas comecei a me perguntar: para quem serviria? Quantas pessoas com deficiência você conhece e que cumprem esses pré-requisitos?
Longe de mim querer segregar as pessoas com deficiência, até porque eu sou uma delas. Porém, continuo a bater na tecla de que a maioria das empresas querem contratar uma pessoa com a menor deficiência possível. O mérito está na qualificação ou na deficiência da pessoa? Quer dizer que se eu fosse um amputado, mas bem independente, porém sem qualquer qualificação, eu teria mais facilidade em conseguir um emprego? Eu tenho a nítida impressão que sim. E de quebra ainda me pagariam um salário mais baixo.
Eu que tenho ensino superior, cursos de especialização e sou bilíngue, entre outras coisas, e não consigo sequer uma entrevista de seleção!? Ahhh esqueci… Eu sou tetraplégico! (Pra que que eu estudei então?)
Devo dar trabalho, né? (nunca ninguém me perguntou, mas eu devo dar) Devo faltar pra cacete, fico enchendo o saco dos outros, preciso de ajuda pra entrar e sair do carro… resumindo: “EU NÃO SOU ECONOMICAMENTE VIÁVEL”.
Felizmente, hoje estou empregado, mas muita gente não está. Isso gera uma crise em minha consciência. Uma crise que não me permite mais aceitar essas velhas normas, padrões e algumas “tradições”. O que estou querendo discutir aqui é que, sem uma mudança RADICAL de pensamento por parte das empresas, não haverá nunca um conceito pleno de inclusão social. Será sempre essa historinha de cumprir as cotas, fugir da multa e ainda sair falando pra todo mundo: “olha, aqui nós contratamos deficientes, somos bonzinhos e exemplares”. Não podemos mais simplesmente aceitar as coisas como nos são apresentadas, sem questioná-las. Inclusão social está muito além de cumprir lei de cotas.
Eduardo Camara - quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 - 11:02
A vaga abaixo é real, para início imediato e o selecionado vai trabalhar na equipe de um amigo meu. A empresa é uma multinacional de grande porte no ramo de mineração, e está adaptada para receber cadeirantes.
*** Os currículos devem ser enviados para vcapille@gmail.com ***
Formação necessária:
Economia, Administração, Estatística, Ciencia da Computação ou Engenharia.
Conhecimentos desejáveis:
Gestão de Processos;
Gerenciamento da Rotina;
Mapeamento de Processos;
Melhoria Continua e Qualidade;
Domínio do Pacote MS Office;
Inglês Avançado;
Atividades:
Mapeamento de processos e definição de KPI´s para medição de performance;Analisar os GAPs de performance e propor Plano de Ação;
Apoiar a implantação do Plano de Ação, medindo e apresentando os resultados;
Preparar material para reuniões de performance;
Apoiar os donos de processo em ações de melhoria contínua;
Desdobramento de metas;
Bianca Marotta - sábado, 10 de outubro de 2009 - 16:37
A Gerência de Operações da PETROS está realizando Processo Seletivo interno e externo para prover duas vagas de Assistente I (uma para o Rio de Janeiro e uma para Salvador), destinadas a portadores de necessidades especiais. Os interessados deverão atender ao seguinte perfil:
Formação:
Ensino Médio Completo
Perfil Exigido:
Disponibilidade para realização de viagens com frequência;
Boa redação;
Iniciativa;
Facilidade de Relacionamento.
Atividades a serem exercidas:
• Representar a Petros em audiências judiciais;
• Registrar, controlar e atualizar os registros relativos às atividades de prepostos;
• Operar e consultar os diversos sistemas operacionais que dão suporte às atividades da Gerência de Operações;
• Prestar apoio na sua área de atuação, executando rotinas e controles diversos, efetuando levantamentos, conferências e cálculos na realização de atividades técnicas, designados pelo superior imediato;
• Suporte administrativo aos demais setores da Gerência.
Os interessados deverão enviar currículo para o e-mail curriculos@petros. com.br mencionando no campo assunto o cargo Assistente I (Rio) ou Assistente I (Salvador).
O prazo para inscrição é até o dia 15/10/2009.
Bianca Marotta - quarta-feira, 5 de agosto de 2009 - 09:34
Tem tempo que eu estava com vontade de escrever sobre a lei brasileira de cotas para pessoas com deficiência no mercado de trabalho, mas batia um certo medo de dizer besteira, de acabar não me expressando bem e gerar mal-entendidos. Ou até polêmicas desnecessárias.
Eis que, há algumas semanas, recebi um email com link para um texto do blog de Andrei Bastos, no qual ele falava justamente sobre o tema. A abordagem, na minha opinião, é tão boa e resume tão bem o que eu penso a respeito, que achei mais pertinente colocar o texto aqui, ao invés de repetir palavras que já foram tão bem ditas. Obrigada, Andrei!
E para saber de onde veio o texto abaixo, clique aqui.
Um mal necessário
ANDREI BASTOS
A lei de cotas para pessoas com deficiência no mercado de trabalho fez dezoito anos, mas ainda está engatinhando. Ela nasceu em 1991, foi regulamentada em 1999 e a fiscalização e aplicação de multas foram definidas e começaram em 2001 – dez anos depois da sua promulgação! Portanto, todas as etapas da sua evolução se deram muito atrasadas no tempo e ainda hoje ela se expõe como um anacronismo.
Sua condição de inadequação não se deve apenas ao fato de que contradiz a verdadeira noção de inclusão, que não contempla procedimentos de proteção excepcional e de natureza segregadora e autoexcludente como cotas, estatutos, comissões ou organismos governamentais ou civis de dedicação exclusiva. Os direitos das pessoas com deficiência estão no âmbito dos direitos humanos e, fora isso e objetivamente, ela é uma lei anacrônica porque coloca o carro na frente dos bois – sua efetivação plena depende do equacionamento de problemas que antecedem ao que ela pretende resolver. Antes de empregos, precisamos de acessibilidade e educação inclusiva.
Podemos aceitá-la como mal necessário, e temporário, apenas porque ela procura reparar injustiças historicamente cometidas contra as pessoas com deficiência, e que ainda o são, e porque contribui para colocar a questão da nossa inclusão mais amplamente na sociedade ao abordar a atividade econômica.
É difícil até aceitá-la como ação afirmativa quando, pela falta de acessibilidade nas cidades e construções e no sistema de transportes coletivos, não temos nosso direito de ir e vir respeitado e, mais que isso, quando sabemos que a esmagadora maioria dos deficientes é de pessoas pobres, que não têm dinheiro para comprar automóvel adaptado ou pagar motorista particular e depende de ônibus, trem, metrô ou barco para tudo na vida. Diante disso, a fiscalização e aplicação de multas, de preferência muito pesadas, junto aos concessionários de transporte público é que seria uma verdadeira ação afirmativa. Afinal, que empregador vai tolerar um funcionário que não tem como chegar na hora certa ou mesmo chegar?
Enquanto isso não acontece, ficamos assistindo a um desfile de boas intenções de gente caridosa, que tanto se esforça para arranjar um empreguinho para um deficiente, e de empresas magnânimas, que toleram empregados sem produzir porque sai mais barato do que pagar multas ou que escolhem entre as deficiências qual a que vai atrapalhar menos. Fala sério! Vamos acabar com essa hipocrisia e realizar ações afirmativas de verdade!
Senhores empresários e pessoas bem intencionadas em geral, juntem-se a nós na luta por direitos e não por caridade e, particularmente, no combate à máfia dos transportes coletivos, que resiste à implementação da acessibilidade em seus veículos. Feito isso, as pessoas com deficiência não terão mais dificuldades para estudar e se qualificar profissionalmente e, por sua vez, as empresas não terão mais dificuldades para contratar profissionais com deficiência, que não são extraterrestres e nem coitadinhos.
Podem me chamar de deficiente mal-agradecido à vontade, mas eu é que sei o duro que dou quando meu Honda Civic automático, modelo 1993, baixa enfermaria.
Bianca Marotta - quarta-feira, 29 de julho de 2009 - 09:48
Recebemos esta semana, algumas dicas de oportunidades de trabalho para pessoas com deficiência. Infelizmente nenhuma delas é no Rio de Janeiro, mas quem sabe nossos leitores de outros estados se interessam? São elas:
Banco Bradesco
100 vagas de atendentes (Telemarketing Receptivo)
PARA A REGIÃO CENTRAL – SANTA CECILIA
Salário de R$ 1.118,00
Benefícios: Assistência médica e odontológica, ticket alimentação e refeição (total de R$ 800,00), vale transporte
Requisitos: Idade 18 – 26 anos / Feminino ou masculino / Cursando superior ou completo / Não casado, sem filhos
Horário das 14h00 – 22h00
Encaminhar currículo para o e-mail ricardo.rh@ibest.com.br
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Rousselot Gelatinas do Brasil SA (antiga Rebière)
Indústria multinacional e líder no seguimento de mercado está selecionando profissionais qualificados nas funções:
TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO com perfil generalista, experiência com inspeções de segurança, CIPA, treinamentos, NRs, etc. Desejável conhecimento em inglês.
ANALISTA DE RECURSOS HUMANOS com experiência generalista na área de recursos humanos, tais como: administração de treinamentos, elaboração de descrição de cargo, Ferramentas do Sistema ISO 9001, Programa de Integração e recrutamento e seleção. Formação Superior completo em psicologia; bons Conhecimentos de informática; desejável experiência no HR Datasul e inglês nível intermediário.
Enviar cv para o e-mail desenvolverh@uol.com.br mencionando no assunto o título da vaga.
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Química Amparo está selecionando profissionais qualificados nas funções:
AUXILIAR ADMINISTRATIVO com conhecimentos em informática (Word e Excel) e 2º grau completo. Benefícios: Assistência Médica; Assistência Odontológica; Seguro de Vida; Restaurante na empresa; Transporte Fretado e Cesta de produtos Ypê.
Salário: R$ 693,00.
Enviar cv para o e-mail rh3@ype.ind.br mencionando no assunto o título da vaga.
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DPaschoal loja Amparo / SP está selecionando profissional com deficiência.
Enviar cv para o e-mail loja029amp@dpaschoal.com.br mencionando no assunto sobre a vaga p/ profissional com deficiência.
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BASF de S. B. do Campo / SP
Cargo: AUXILIAR DE SERVIÇOS
Pré-requisitos: Ensino Fundamental completo, Idade: 18 até 30 anos
Salário:
R$ 550,00 no primeiro ano com horário das 7h40 às 13h50 fazendo o curso de Formação do Ensino Médio.
R$ 759,00 a partir do segundo ano no horário das 07h30 às 17h estudando um período e trabalhando outro.
Benefícios: Assistência médica, Assistência Odontológica, Restaurante no local (1,5% do salário), Seguro de Vida em grupo, Ônibus Fretado (gratuito), Vale Transporte (6% do salário), Acesso à farmácia e papelaria com desconto em folha de pagamento.
Os interessados deverão enviar os documentos abaixo pelo fax (11) 3078-8991 ou por e-mail para tania@cs4consultoria.com.br
Laudo médico da deficiência física
Audiometria para os que têm deficiência auditiva bilateral
Histórico de conclusão do 1º grau ou Ensino Fundamental ou 8ª série
Currículo atualizado
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E a empresa Granol está recebendo currículos de pessoas com deficiência em todas as áreas. Seu currículo ou telefone e nome para contato deve ser encaminhado para o RH da unidade mais próxima. O site da empresa é: www.granol.com.br/
Cris Costa - terça-feira, 28 de julho de 2009 - 10:06
Tem horas que é f… Esta semana a Bianca nos enviou uma reportagem falando sobre um projeto do Sarney que eliminaria quase 200 mil vagas para as pessoas com deficiência. Vocês devem estar fazendo a mesma pergunta que eu: “Como assim???”. Bem, a intenção do projeto é fazer com que todas as empresas tenham pelo menos 3% de deficientes contratados, independente de serem de pequeno, médio ou grande porte. Atualmente essa porcentagem varia entre 2% e 5% dependendo da quantidade de funcionários que a empresa possui. O que me parece bem mais razoável. Acredito que para as pequenas empresas esse aumento da cota seja bem mais complicado, enquanto que para as grandes, que vai diminuir, um provável alívio.
Além disso esse projeto ainda cria a possibilidade de terceirização das cotas, ou seja, o número de pessoas com deficiência contratadas por empresas prestadoras de serviço poderá ser contabilizado como preenchimento da cota por parte da contratante. Aí eu pergunto, mas e a cota dessa empresa prestadora de serviço? Também fica na mesma conta da empresa que contrata? Afinal, estão defendendo os direitos de quem? Complicado…
Nunca fui muito a favor de cotas, acho que no final elas acabam discriminando da mesma forma. Penso que as oportunidades de emprego deveriam ser oferecidas às pessoas pelo seu potencial, independente de sua condição física, ou qualquer outra coisa. Mas já que ainda não existe esse mundo perfeito a questão das cotas pode ajudar de alguma forma.
E você? O que acha?
Cris Costa - terça-feira, 30 de junho de 2009 - 09:59
Oportunidades especiais é o nome do stand que ficará no BarraShopping, próximo a entrada K, até o dia 5 de julho, com o objetivo de incluir socialmente no mercado de trabalho pessoas com todos os tipos de deficiência física ou mental. Além de ganhar diversos cursos oferecidos gratuitamente pela Universidade Estácio de Sá, como telemarketing, vendas e atendimento ao cliente, os interessados ainda poderão se cadastrar para concorrer a 500 vagas de empregos em empresas parceiras do projeto, como Ipiranga, Oi, Instituto Embratel, Souza Cruz, Ampla, Metrô-Rio, Deloitte e Estácio de Sá.
Diariamente, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 13h às 21h, uma equipe de atendentes, psicólogos e especialistas em comunicação por libras (a linguagem dos surdos-mudos) estará no stand para atender o público interessado. Os que não puderem ir até lá, podem pedir para outra pessoa realizar o seu cadastro no local. Mais informações pelo telefone 2215-4588.