Cris Costa - segunda-feira, 22 de junho de 2009 - 15:38
É muito comum falar sobre inclusão hoje em dia, ainda mais nos ambientes corporativos. Mas ainda vemos muitas empresas contratando deficientes apenas por causa da lei de cotas, porém sem estrutura ou cultura para receber profissionais com deficiência. A experiência acaba não sendo tão boa ou produtiva quanto poderia. E nem vou comentar sobre as empresas que alegam não ter deficientes capacitados para cumprir as cotas necessárias, ou as que contratam apenas pessoas com deficiência leve. O assunto ainda é delicado e pouco discutido, mas sei que basta a empresa querer e entender o que realmente é inclusão – que pra mim é tratar todos da mesma forma – para que as coisas aconteçam. O Jairo Marques, do Blog “Assim como você” já tinha feito um post sobre a Chemtech - empresa especializada em soluções de engenharia e TI - falando sobre a postura da empresa na hora de contratar deficientes, mas achei que podíamos falar mais um pouco sobre o assunto e mostrar como foi o processo na hora de contratar deficientes e o resultado dessa experiência. Conversamos com Daniella Gallo, gerente de RH da Chemtech, e percebemos que contratar deficientes não é um bicho de 7 cabeças . Basta querer.
Cris: Como a Chemtech se estruturou para contratar pessoas com deficiência? (Como foi o processo seletivo, o que procuraram nos candidatos)
Daniella: Antes de iniciar os processos seletivos, fizemos uma parceria com o IBDD – Instituto Brasileiro de Pessoas com Deficiência e promovemos uma palestra para conscientização e sensibilização dos gerentes e líderes da Chemtech. Nesta palestra o IBDD falou sobre o cenário atual, sobre as dificuldades na empregabilidade de pessoas com deficiência, mas, principalmente, nos fez perceber a importância da causa e da responsabilidade que todos nós temos em ajudar, não no sentido assistencialista, mas dando oportunidades iguais para os profissionais com deficiência. No início dos processos seletivos, começamos a buscar profissionais que tivessem a formação e a experiência necessária para atuar nos projetos da empresa. Mas logo percebemos que devido ás dificuldades reais que os deficientes possuem, somadas à falta de apoio do governo, sempre é mais difícil para pessoas com deficiência terem acesso às universidades e ao mercado de trabalho. Neste momento, tomamos a decisão de inverter o foco: ao invés de buscar profissionais que se encaixavam nas vagas existentes, resolvemos procurar pessoas com o perfil comportamental desejado pela empresa e avaliar o potencial delas, tentando identificar em quais posições da empresa (mesmo que não houvesse vagas em aberto) elas poderiam contribuir e se desenvolver. Além disto, entendemos que era responsabilidade também da Chemtech, colaborar para a capacitação de pessoas com deficiência. Então fizemos um processo buscando pessoas com o perfil comportamental da Chemtech e potencial para trabalhar com ferramentas de SW e promovemos os cursos de AutoCAD gratuitamente para cerca de 30 profissionais com deficiência e contratamos cerca de 10 alunos no final. Outros pontos importantes:
1. Em nenhum momento do processo escolhemos o tipo de deficiência. O primeiro funcionário contratado neste processo foi o Ricardo Gonzalez que é tetraplégico. E eu tive o total apoio da diretoria (Rubião e Denise) para contratá-lo!
2. Buscamos deficientes “resolvidos”, isto é, aqueles que não tinham pena de si mesmos e eram amargurados; buscamos pessoas que conseguiram vencer a deficiência, no sentido de aceitar a limitação, mas não deixar-se vencer por ela!
Cris: Foi necessário fazer grandes alterações na estrutura da empresa (rampas, banheiros, softwares)? O custo foi alto?
Daniella: Não. Tivemos que adaptar alguns andares (instalação de rampas e barras nos banheiros) para torná-los acessíveis. Estamos fazendo isto aos poucos, conforme formos contratando cadeirantes para cada andar. Nossa intenção é que toda a Chemtech seja acessível. Além disto, adquirimos o SW de comando de computador por voz para o Ricardo. Pequenas e poucas alterações foram requeridas.
Cris: Qual foi a maior dificuldade na contratação? (barreiras arquitetônicas, candidatos com pouca qualificação…)
Daniella: Conforme expliquei no item 1, tivemos dificuldades no início, pois estávamos procurando candidatos qualificados para as vagas existentes. Depois que mudamos o foco da seleção e investimos em capacitação, ficou mais fácil.
Cris: Houve algum treinamento para as áreas que iriam passar a incluir deficientes em suas equipes? Como foi?
Daniella: Sim. Promovemos encontros com as equipes que iriam receber novos colegas deficientes, com o objetivo de conscientizá-los e prepará-los. A idéia é sempre passar a seguinte mensagem: agir com naturalidade, não ter uma postura assistencialista e entender que o novo colega é mais um profissional, que será cobrado da mesma forma que os demais.
Cris: O resultado do trabalho dos funcionários com deficiência foi o esperado?
Daniella: Surpreendemos-nos com a maioria dos deficientes contratados, pois são profissionais com ótima postura, batalhadores e pessoas que enriquecem o nosso dia-a-dia. Foram poucos os casos que necessitaram de alguma atuação extra, como realocação ou dificuldade de adaptação – dentro do percentual normal, que ocorre em qualquer contratação, independente da deficiência!
Bianca Marotta - terça-feira, 9 de junho de 2009 - 13:30
Pois é, parece que os paulistas estão um pouco à frente dos cariocas na questão da inclusão. Mas como não somos bairristas, divulgamos o evento, porque o importante é passar a informação adiante.
É o seguinte: a partir do dia 15 de junho, começa no Jardim Angela um curso de qualificação profissional para pessoas com deficiência realizado pelo Instituto Paradigma, em parceria com o Instituto Camargo Corrêa e CNEC Engenharia. O curso já está na sua segunda turma e tem como foco pessoas que buscam aperfeiçoamento profissional ou almejam iniciar o próprio negócio. As aulas serão divididas em quatro módulos: os dois primeiros serão reservados para orientações comportamentais e para conceitos de português, matemática e informática. Já os dois módulos seguintes falarão sobre gestão de pequenos negócios e orientação para desenvolvimento e gestão de carreira. O curso terá duração de 8 meses e as aulas serão diárias. Os interessados devem ter acima de 18 anos, ensino fundamental (1º grau) completo ou ensino médio (2º grau) completo ou incompleto.
O curso é gratuito e as inscrições podem ser feitas com Valdinéia ou Flávia Russo, pelo telefone (11) 5090-0075 ou por e-mail instituto@iparadigma.org.br. As aulas serão ministradas na Associação Unificada dos Moradores do Jardim Paranapanema, que fica na Rua Maria Silvina Tavares, 23, próximo ao Hospital M’Boi Mirim, no Terminal Jardim Ângela.
Cris Costa - segunda-feira, 11 de maio de 2009 - 11:15
Para os deficientes, entrar no mercado de trabalho já não é mais tão complicado. As empresas hoje em dia precisam contratar deficientes, pois além de terem que cumprir as cotas, evitando assim pagar multa, querem fazer “bonito” e se intitularem empresas socialmente responsáveis. Mas nem vou entrar nessa questão. O que me pergunto é: será que as empresas estão realmente preparadas para essa diversidade? Não adianta só querer cumprir cota. É necessário, principalmente, que tenham uma cultura inclusiva.
Como entender que deficientes podem ser mais que atendentes de telemarketing e recepcionistas? Nada contra as vagas oferecidas, não é esse o ponto. É porque ser inclusivo, pra mim, é contratar uma pessoa pelo seu currículo, pelo seu histórico e pelo que ela pode contribuir para o desenvolvimento da empresa, independente do fato de ela usar cadeira de rodas, uma bengala ou se comunicar através de sinais. Ok, existem deficiências que são incompatíveis com alguns cargos, é compreensível. Mas quantos cargos existem que podem ser ocupados por pessoas com deficiência e as empresas nem os cogitam?
Meu primeiro emprego após o acidente até que foi legal. Mas na minha área havia apenas pessoas com deficiência. Por um lado era bacana. Foi um período de aprendizado e muita troca. Mas sempre questionei o quanto aquilo era realmente inclusivo, já que ficávamos todos numa única sala, separados do resto da empresa. Diria que quase escondidos. Estranho, né?
Enfim, entre esse primeiro emprego e o meu atual já passei por poucas e boas. Já fui a empresas que me chamaram, prometendo mundos e fundos, aparentando uma ótima oportunidade de carreira, mas que depois de pouco tempo, se mostraram perdidos, sem saber o que fazer comigo, como se eu fosse incapaz de desenvolver qualquer tarefa. Por outro lado também já trabalhei em empresas nas quais, desde o processo seletivo, participei como qualquer outra pessoa e conquistei a vaga e até 2 promoções. Nunca me senti tratada de forma diferente.
É o que acontece no local onde trabalho hoje. Eles tem esse diferencial: não me tratam diferente. Adaptam o que for preciso, me dão uma estrutura, mas também me cobram resultados. Se eles acreditam que a pessoa tem um bom currículo, ela é contratada. Já vi por aqui pessoas com todas as deficiências: física, visual, auditiva. Legal, né?
Sim, seria o mundo perfeito se todas as empresas tivessem essa mesma postura: da inclusão verdadeira. Mas saber que algumas já seguem esse caminho, é um bom começo.
Bianca Marotta - segunda-feira, 20 de abril de 2009 - 18:46
Recebemos da nossa amiga Tabata, uma dica legal de oportunidade de trabalho, que você pode fazer de casa. A pessoa responsável pelas contratações, Surama Andréia Kerscher, está dando preferência a cadeirantes. Quem se interessar pelo trabalho, pode entrar em contato com ela a partir do e-mail: ksurama@hotmail.com. Abaixo maiores detalhes sobre a atividade. Boa sorte!
Descrição: Pesquisar o site, DDD e telefone de uma lista de empresas. A lista inicial possui 12 mil empresas rankiadas por subsegmento. Assim que a pessoa contratada finalizar a pesquisa, receberá novas listas que estão sendo confeccionadas.
Perfil para atividade: • Disponibilidade para trabalhar em casa (preferência por cadeirantes). • Possuir computador e acesso a internet. • Cursar qualquer curso em uma faculdade (desejável, mas não obrigatório, muito menos impeditivo).
Processo seletivo: Faremos um contato por telefone e uma visita presencial para explicar o trabalho e a seleção.
Remuneração: • A cada 150 empresas recebidas com site, DDD e telefone pagaremos R$ 25,00. Esta métrica de produtividade corresponde aproximadamente a 6 horas de trabalho contínuo. Esta métrica de produtividade versus valor hora homem é a mesma utilizada para quem desenvolve a mesma atividade em escritório. • O pagamento é realizado após 72 horas do recebimento via e-mail para conferência e previsão de pagamento. • Se faltar algumas das informações (site, DDD e fone) a empresa não será considerada. E ainda, se a empresa informada não for do mesmo subsegmento informado na lista recebida pelo home office, a pesquisa não é considerada correta. Assim, fica um débito para próxima remessa enviada.
Cris Costa - segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 - 10:16
Ficamos sabendo, esta semana, que a Chemtech está oferecendo curso gratuito de AutoCad para profissionais com deficiência, com a possibilidade de contratação ao final. Quem quiser participar, precisa correr um pouquinho, pois as inscrições vão só até o próximo dia 18. Abaixo release da oportunidade. Boa sorte!
A Chemtech oferece 20 vagas para treinamento gratuito de AutoCAD para profissionais com deficiência que queiram atuar na área técnica de engenharia.O candidato precisa ter o segundo grau completo, familiaridade com o computador e desejo em trabalhar com softwares de engenharia.
Os alunos que mais se destacarem durante o curso serão contratados pela empresa, que foi considerada este ano a melhor para se trabalhar no Brasil, segundo o instituto internacional Great Place to Work.
As aulas serão ministradas no Rio de Janeiro, de 2 a 6 de março, das 9h às 13h. Para concorrer a uma das vagas no curso basta cadastrar o currículo no site www.chemtech.com.br. As inscrições vão até a próxima quarta-feira, dia 18.
Esta é a segunda turma do curso. Na primeira, foram quatro profissionais contratados. Caso você se enquadre neste perfil é só se cadastrar no site.
Bianca Marotta - sexta-feira, 19 de setembro de 2008 - 14:03
A Light está recrutando 90 pessoas com deficiência para ocupar cargos na sua área administrativa, no Rio de Janeiro. O mais interessante das vagas oferecidas é que o funconário contratado terá incentivo da empresa para terminar o ensino médio. A jornada de trablho será dividida em 4 horas de expediente diário e 4 horas para término dos estudos.
Segundo o anúncio da Light, as vagas contam com benefícios e salarios compatíveis com o mercado. Os requisitos para concorrer as vagas são: possuir alguma deficiência e ser maior de 18 anos.
Para participar do processo de seleção, os interessados devem cadastrar seus currículos no banco de currículos da Light, no site www.light.com.br/web/tehome.asp
Eduardo Camara - quinta-feira, 4 de setembro de 2008 - 18:35
Taí uma notícia muito boa que recebemos semana passada: a Universidade Estácio de Sá, em parceria com a Riosoft, está oferecendo um curso gratuito sobre desenvolvimento de sistemas WEB para pessoas com deficiência motora. E não é um cursinho curto, não! No total serão 224 horas de curso, distribuídas em 56 aulas (4h/aula) ao longo de 28 semanas. Além disso, o curso será realizado em dois locais diferentes: no Campus da Estácio do centro da cidade (Av. Presidente Vargas, 642) e no do Norte Shopping, em Pilares.
Há algumas restrições para participar do curso, como ter uma deficiência e ser capaz de usar teclado, mouse e visualizar as informações na tela. Além disso, após uma palestra introdutória, será aplicada uma prova para avaliar os conhecimentos de cada um.
Mas se você quiser participar, não perca tempo! As inscrições terminam na próxima quarta-feira, dia 10 de setembro!
Maiores informações, inclusive sobre como fazer a inscrição, estão no endereço abaixo.
Eduardo Camara - segunda-feira, 9 de junho de 2008 - 12:38
Há pouco mais de uma semana, duas alunas do curso de psicologia da PUC foram até a empresa onde trabalho para conversar comigo sobre como é meu dia a dia por lá, se eu tive dificuldades para conseguir emprego e mais outras questões relativas a trabalho e pessoas com deficiência.
Acabei falando muito – como de costume –, mas depois fiquei com a sensação de que poderia ter abordado melhor alguns assuntos.
Poderia, por exemplo, ter falado mais sobre como trabalhar foi importante para mim há 9 anos atrás. Na época eu era estagiário e também fazia alguns trabalhos como free-lancer, o que me rendia o suficiente para meus gastos do dia a dia, saídas e pequenas viagens. Quando me tornei cadeirante, naturalmente, tive que me afastar temporariamente do estágio. Um mês depois, quando mal tinha começado meu tratamento de reabilitação, me deram um ultimato: ou voltava pro estágio ou cortariam a bolsa. Como ainda não tinha condições de trabalhar, acabei perdendo aquela fonte de renda justamente no momento em que mais precisava dela.
O pior de tudo é que, como estagiário, eu deveria ter um seguro contra acidentes pessoais, mas meu contratante não o tinha feito. Acabei saindo com uma mão na frente e outra atrás. Pensei em entrar na justiça, mas como o estágio era na própria faculdade, no NCE/UFRJ, e ainda teria que freqüentar aqueles laboratórios durante alguns anos para me formar, decidi não comprar a briga e me tornar “inimigo”, até porque eu precisaria da boa vontade deles para que rampas e outras adaptações fossem feitas na faculdade. Arrependo-me amargamente, pois fiquei sem o seguro e o NCE não moveu uma palha para fazer as adaptações que eu precisava.
Mas voltando à época do começo da reabilitação, no início de 1999, eu estava fisicamente, emocionalmente e financeiramente dependente. Não era capaz sequer de sair sozinho da cama para cadeira, não fazia mais estágio e era incapaz de encontrar um rumo. Sentia-me um completo inútil.
A grande virada começou quando um amigo me indicou para um projeto como free-lancer. O cliente ficava em São Paulo, e eu poderia realizar todo trabalho a partir de casa, usando meu computador, o telefone e a Internet para me comunicar. Até as reuniões seriam virtuais. E teria também flexibilidade total de horários, o que era estritamente necessário por causa das aulas na faculdade e sessões de reabilitação. Bati um papo por telefone com o tal cliente e fechamos o projeto, que começou logo em seguida. O cliente nem sabia que eu usava cadeira de rodas e isso foi muito bom para mim. Eu tinha sido contratado por ser um profissional bem recomendado, e não simplesmente para ajudarem um “pobre jovem recém cadeirante e precisando de dinheiro”. Sim, fez toda diferença! O projeto durou meses e foi um sucesso, mas o melhor de tudo mesmo foi voltar a trabalhar, ser tratado como profissional, ganhar meu próprio dinheiro e me sentir útil. Foi um dos meus primeiros grandes passos para independência.
Bianca Marotta - terça-feira, 8 de abril de 2008 - 09:08
O vídeo abaixo foi produzido pela Disability Rights Commission (Comissão pelos direitos das pessoas com deficiência) do Reino Unido. Esbarrei com ele nas minhas "andanças" pela internet, justamente no dia em que escrevi esse outro post, o qual terminava comparando a deficiência física com outras deficiências mais "invisíveis". Coincidências da vida, o assunto do vídeo é justamente esse. Só não o publiquei na mesma hora, pois achei que uma versão legendada dele seria mais democrática.
Bom, agora que a versão com legendas está aí, me sinto mais à vontade para compartilhá-lo com vocês e, quem sabe, levantar mais uma discussão interessante. Divirtam-se! Ah, e comentem também!!!
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Mais informações sobre a Disability Rights Commission (DRC) no site: http://www.equalityhumanrights.com. Não estranhem o fato do nome atual da comissão ser outro. A Equality and Human Rights Commission nada mais é do que a junção de outras duas comissões com a DRC.