Cris Costa - sexta-feira, 3 de setembro de 2010 - 12:29
A Pinacoteca de São Paulo fica bem em frente ao Museu da Língua Portuguesa, na Praça da Luz. É só atravessar a rua, que é bem tranquila. O único inconveniente são os paralelepípedos na entrada, mas como são poucos, nem é tão ruim assim. Infelizmente na entrada existe uma escada, quem é cadeirante tem que entrar por uma porta lateral. Mas nada complicado, e o guardinha da Pinacoteca, logo que vê o cadeirante chegando, já se prontifica a abrir a porta e ajudar.

O interior da Pinacoteca, além de lindo é muito tranquilo pra circular. O chão é liso e tem elevador.
Tem banheiro adaptado, mas é assim: você entra com a cadeira, mira no vaso, faz o que tem que fazer e sai de ré. Apesar da porta ser mais larga e ter uma barra, não conheço cadeira tão pequena que consiga fazer manobra ali. Só de Playmobil.

De qualquer maneira, eu adorei o lugar, é lindo, bem espaçoso e os funcionários extremamente atenciosos. Valeu muito a visita!
A entrada custa R$ 6,00 e cadeirante não paga. Ah, eles tem uma scooter disponível pra quem quiser e/ou precisar. É só pedir pro guardinha.
. . .
Pinacoteca
Praça da Luz, 2
São Paulo, SP
Telefone: 55 11 3324-1000
http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/
Cris Costa - quarta-feira, 1 de setembro de 2010 - 14:25
Continuando meu passeio na terra da garoa, depois de encher a pança no Mercadão fui visitar o Museu da Língua Portuguesa, que fica na Estação da Luz. O edifício é lindo e fiquei me perguntando o quanto seria acessível, já que é uma construção do século XIX. E fiquei feliz ao ver que eles adaptaram o que precisava (que era pouco), sem estragar a estrutura do prédio. Na entrada, por exemplo, tem uns degraus e ali colocaram um elevador. E não precisa procurar o segurança pra pedir pra chamar o outro segurança, que conhece a pessoa que guarda a chave do elevador. É só entrar e subir.

Lá dentro é bem tranquilo. Tem só uma rampa, mas uma ajudazinha (se necessário) resolve. O chão é liso, e todos os textos e telas tem altura boa, então dá pra aproveitar e ler tudo.
Até no Beco das Palavras, uma sala com um jogo etimológico interativo que permite brincar com a criação de palavras, conhecendo suas origens e significados, tem 3 mesas com diferentes alturas. Dá pra todo mundo brincar!
Ah, a entrada custa R$6,00 e cadeirante não paga. Aos sábados a entrada é gratuita.
. . .
Museu da Língua Portuguesa
Praça da Luz, s/nº
Centro – São Paulo – SP
Telefone: (11) 3326-0775
Site: http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/
Cris Costa - sexta-feira, 16 de julho de 2010 - 10:50
Há pouco tempo atrás fui para São Paulo visitar uns amigos. Adoro a cidade! Adoraria poder visitar mais vezes, não só pelos bons amigos como por tudo de bom que a cidade tem. Mas enfim, sempre que viajo vem aquela tensão de saber se o hotel é bem adaptado e tudo que está escrito no site realmente existe e funciona. E não é que dessa vez foi tudo verdade? E mais, digo que foi o quarto mais bem adaptado que já fiquei. Muito bom mesmo.
Pra ilustrar, vou colocar aqui umas fotos que tirei.
Eles colocaram uma porta de correr do quarto para o banheiro, o que acho ótimo. Além de poupar espaço poupa o saco que é abrir e fechar porta com a cadeira (puxa a porta, a cadeira vai pra trás, ai tenta pegar a maçaneta, a porta vai pra frente… aff, uó).

A pia é vazada embaixo, facilitando entrar com a cadeira. Só achei um pouco alta, mas nada que atrapalhasse. E também colocaram o espelho grande e inclinado pra baixo. Muito bom!
O chuveiro tem o esqueminha que eu adoro: uma bancada que dá pra passar facilmente, tomar o banho relax e voltar pra cadeira. Adoro quando encontro uma adaptação assim e não só o chuveiro sem nada.

O que achei legal e não me lembro de ter visto em outro hotel, foi que colocaram os cabides e a prateleira com travesseiro e cobertor na parte mais baixa. Assim fica tudo fácil de colocar e pegar.
Ah se todos fossem assim…
O hotel é o Ibis Expo Barra Funda. O link é: http://www.accorhotels.com/pt/hotel-2211-ibis-sao-paulo-expo-barra-funda/index.shtml
Cristal Bittencourt - segunda-feira, 5 de julho de 2010 - 16:04

Foto extraída de wikimedia - clique na foto para ver a original
Nossa leitora Cristal Bittencourt esteve na Praia do Forte na Bahia e nos enviou suas impressões de lá. Valeu, Cristal!!
“Mandei um tweet pra vocês perguntando se tinham interesse em ver umas fotos de Praia do Forte, aparentemente totalmente acessível, e como a resposta foi positiva, cá estou! Digo aparentemente porque sou andante, e não tenho nenhum problema de locomoção, então não posso ter certeza se a vila de Praia do Forte supre, ou não, as necessidades de um cadeirante.
No entanto, no fim de semana em que estive lá, cruzei com dois cadeirantes que, a meu ver, aproveitavam a vila sem maiores problemas. Um senhor, sozinho, de cadeira motorizada e uma moça de cadeira normal sendo guiada pelo namorado.

O estacionamento fica em frente à entrada da vila, sem caminho de barro ou qualquer inconveniente do tipo. É lá também que param os ônibus e vans.
A cidade é cheia de hotéis e pousadas, a maioria razoavelmente cara. A pousada que eu fiquei, mais barata, não tinha acessibilidade e ainda era um pouco mais distante. Mas no centro da vila há várias opções mais caras, e um dos hotéis tinha aquele símbolo da cadeira, o que acredito que seja a indicação de quartos acessíveis. Ou estou errada?

A vila toda é praticamente um caminho só, e todas as lojas, restaurantes e pousadas são normalmente no nível da rua. E, quando não é, a grande maioria tem rampas. É bem raro ver degraus por lá. No final da vila, há o Projeto Tamar (que eu acabei não indo nem obtendo qualquer informação graças à chuva) e a praia. Praia, areia, claro, inacessível… Pelo menos até Luciana de ‘Viver a Vida’ chegar lá! rs Mas, antes de efetivamente a praia começar, de frente pro mar, há um espaço razoavelmente grande, com três barracas de praia, e chão de madeira. Ou seja, dá pra ir da vila até essas barracas de frente pro mar sem problemas. Por culpa da chuva, não tirei foto.


Resumindo: o problema é só se chover! A cidade fica inabitável para pés e rodas!
Espero ter dado uma boa dica, um beijo. ”
Observações do Nickolas: “Já fui na Praia do Forte há algum tempo atrás (acho que 2005), quando nem havia o blog.
Não tive nenhum problema para circular pela vila. Todos os lugares são no nível da rua. Algumas lojas tem um degrau na entrada, mas é uma minoria. Talvez já tenham até retirado. Havia vaga reservada no estacionamento e consegui usar o banheiro em um restaurante que parei para almoçar. Não cheguei a ir até o projeto Tamar.”
Nota da blogueira Bianca: O projeto Tamar, pelas fotos que encontrei na internet, não me pareceu acessível, pois é todo sobre areia da praia. Não me lembro se existem trilhas lá dentro (eu também já estive lá, há milênios).
Segundo nossa leitora e colaboradora Maria Paula Teperino o chão do Projeto Tamar é de cimento com uma camada fina de areia por cima (para compor o ambiente). Por conta disso, é possível circular com cadeiras de rodas no local. Abaixo fotos enviadas por ela:

Chão do Projeto Tamar - cimento coberto por areia

Se alguém tiver mais alguma informação sobre acessibilidade da praia, da vila ou do projeto Tamar, comente!
Laura Martins - terça-feira, 22 de junho de 2010 - 15:06
Mais uma leitora do Mão na Roda visitou Buenos Aires e nos mandou suas impressões. Valeu, Laura!
Sou cadeirante e cheguei de Buenos Aires há pouco tempo; incentivada pela Joana Roquette, também quero compartilhar minhas experiências com vocês. Quem sabe não conseguimos incentivar mais cadeirantes a viajar?
Coisa que adoro fazer e já me aventurei por inúmeras cidades brasileiras, assim como pela Europa, Suíça e França.
Para Bs As, viajei com minha mãe e meu irmão. Essa cidade ainda não está bem preparada para receber pessoas com deficiência: há poucos banheiros acessíveis, muitos espetáculos de tango ou apresentações musicais acontecem no subsolo ou no andar de cima dos estabelecimentos, há poucas calçadas rebaixadas, e por aí vai. Desse modo, é difícil um cadeirante circular sozinho pela maioria dos espaços, e, mesmo com ajuda, fica difícil entrar em muitos lugares.

Laura ao lado da rampa na entrada do Museu Malba
Sozinho, dependendo da condição do cadeirante, dá pra circular, por exemplo, na Calle Florida (que é um calçadão, onde os carros estão proibidos de circular), no shopping Galerias Pacífico (a entrada pela Florida é acessível e há banheiros também acessíveis), no Malba (Museu Latino-Americano de Arte Moderna), onde estão obras como o Abaporu, da brasileira Tarsila do Amaral, e um auto-retrato da mexicana Frida Kahlo (que, por sinal, também tinha uma deficiência física). Tudo é acessível nesse museu, inclusive o charmoso bistrô.
Em todos os quarteirões do Centro por onde passei, há calçadas rebaixadas. Porém, praticamente todos os rebaixamentos estão quebrados ou têm um “degrau” de cerca de dois, três centímetros em sua parte mais baixa.
Na Recoleta e em Palermo, há pouquíssimos rebaixamentos, lamentavelmente. Por outro lado, a cidade é bastante plana, o que facilita bastante os deslocamentos.

Livraria Ateneo
O cadeirante não deve deixar de conhecer a livraria El Ateneo Grand Splendid, na Avenida Santa Fé. É esplendorosa! Já foi um teatro e hoje é uma das maiores livrarias da América Latina, assim como uma das mais lindas do mundo. Os balcões do antigo teatro hoje comportam prateleiras com livros, CDs e DVDs. Tem elevador e banheiro acessível. Uma rampinha íngreme dá acesso ao palco, onde se localiza o café. Imperdível.

Trilha pavimentada de pedras no Rosedal
Dá também para passear no Jardim Japonês, assim como, com alguma dificuldade, no Rosedal, que é magnífico, mas a circulação não é pavimentada, e sim recoberta com pequenas pedras, o que dificulta bastante o transitar com a cadeira. E não há rebaixamento das calçadas para entrar no parque onde ele se localiza.
Por perto fica a magnífica escultura floral chamada Floralis Genérica, que abre as pétalas quando o céu está claro. Dá pra chegar bem pertinho.
Passear pela Recoleta e por Palermo possibilita conhecer a lindíssima arquitetura, muitas vezes inspirada na francesa, e encontrar cafés e lojinhas muito charmosos. Mas será necessário um braço forte para ajudar, pois, novamente, quase não há rebaixamento nas calçadas.

Laura e sua mãe na entrada do café Tortoni
Josephina e La Biela, na Recoleta, são cafés onde há entradas planas. Ambos são muito agradáveis, e o primeiro tem banheiro acessível. Não deixe de ir ao tradicionalíssimo e elegantérrimo Café Tortoni, no Centro. De manhã não é tão cheio e só tem um pequeno degrau na entrada.
Adorei Puerto Madero, mas para ter acesso encontrei apenas uma rampa na extremidade Norte. Cafés e restaurantes, só com a ajuda de braços fortes. Não encontrei lugares acessíveis, mas também não “andei” por toda a região. Dá pra circular tranquilamente pela calçada e ir até a Ponte da Mulher, que é linda.

Alvear Palace Hotel - plataforma elevatória à direita
No Alvear Palace Hotel há uma plataforma elevatória na entrada, o que permitirá que o cadeirante entre para conhecer a imponente arquitetura, os lustres de cristal e as passarelas persas, ou para tomar o café da manhã, o chá da tarde ou o brunch dominical. Programa de rei ou de rainha, e acessível.
Fiquei hospedada no Hotel Meliá Buenos Aires, na Rua Reconquista. Oferece quarto acessível correto e portaria também acessível. Ele fica em um calçadão, onde só podem entrar automóveis para deixar as pessoas no hotel ou utilizar estacionamentos. Em frente ao hotel, há diversos pubs bacanas.
Para pegar táxi, vale o que já disse a Joana Roquette, em post anterior.
Como regra geral, nossos hermanos são bastante simpáticos e fazem de tudo para compreender o que dizemos, ainda que não saibamos uma palavra de espanhol. Não foram poucas as vezes em que pessoas espontaneamente ofereceram ajuda para que eu saísse de algum café ou restaurante com degrau na entrada. Mas, é claro, não custa aprender algumas expressões básicas do idioma, para facilitar a comunicação, não é mesmo?
Uma dica legal: o site do Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires disponibiliza um guia de turismo acessível, além de um mapa com informações sobre acessibilidade, entre outras coisas. Basta acessar: http://www.buenosaires.gov.ar/areas/vicejefatura/copine/.
Voei pela TAM e fiquei satisfeita. O atendimento à bordo foi muito atencioso, e as comissárias fizeram de tudo para tornar minha viagem mais confortável. É possível utilizar o toilette, pois existe uma cadeirinha de rodas que passa no estreito corredor, mas é necessário que a pessoa deficiente tenha algum equilíbrio de tronco e movimentos de braço para fazer a transferência da cadeira para o vaso sanitário.
Não deixe de avisar por telefone a respeito da necessidade de usar sua cadeira de rodas até a entrada da aeronave e de ser acompanhado até lá. E, como as poltronas destinadas às pessoas com deficiência não podem ser marcadas nem pela internet, nem por telefone, chegue mais cedo ao check-in para solicitá-las.
No mais, boa viagem! A minha foi ótima.
Cris Costa - quinta-feira, 27 de maio de 2010 - 12:12
Nova York, pra mim é uma das cidades mais bacanas do mundo por ser extremamente diversa e com opções para todos os gostos. E foi pra lá que fui no carnaval. Apesar de saber que a cidade é bem acessível e que não teria grandes problemas, achei que seria legal alugar uma cadeira motorizada, pra poder circular mais pela cidade sem ficar muito cansada ou com os dedos duros e congelados. Eu até consegui não ficar tão cansada e andar bastante, mas o frio, este ano, estava cruel e os dedos congelaram, mesmo com luvas.
Quando cheguei no hotel, a cadeira já estava lá. O que me deu um grande alívio, pois nunca tinha alugado nada e foi tudo feito pela internet, então estava um pouco insegura. Olhei pra cadeira um tanto ressabiada, mas achei que ia ser molinho pilotar uma cadeira motorizada. Afinal, que perigos um joystick (aquela alavanca com a qual você direciona a cadeira) pode oferecer? Descobri rapidamente que são vários, rs. Primeiro, eu não sabia que a cadeira tinha níveis de velocidade, e por isso mesmo não sabia que, ao sentar na cadeira, a velocidade já estava no máximo. Então, no primeiro toquezinho no joystick corri uns 10 metros que nem uma louca. Até porque a cadeira não anda retinha facilmente, mas ai não sei se era por falta de balanceamento dela ou total falta de habilidade da condutora. Enfim, passado o primeiro susto e depois de xingar algumas vezes o tio que me alugou a cadeira e não deixou nem um manualzinho explicando como ela funcionava, lá fui eu pra rua.
O aluguel da cadeira valeu cada centavo. Andei muito pela cidade sem maiores problemas, até porque Nova York tem rampa para todos os lados. Nas poucas esquinas que não encontrei rampa, eu dava uma volta maior até encontrar uma. Sem maiores problemas. Entrei e circulei em lojas e restaurantes. A única dificuldade foi encaixar a cadeira debaixo das mesas por causa do pedal. E as vezes me batia um medo da cadeira quebrar no meio do caminho e por isso sempre atravessava as ruas na velocidade máxima, rs.
E o transporte? Ah, foi muito tranquilo. Tinha ouvido falar em taxis adaptados e que era só ligar e pedir, como já havia falado num outro post. Eu liguei pro tal número e disseram que o taxi poderia levar de 5 minutos a 1 hora para aparecer. Depois de 1 hora ninguém apareceu, eu liguei pra reclamar. Me disseram que o taxi tinha ido, mas que por alguma razão foi embora e me pediram pra ligar mais tarde. Mandei a mulher “go and catch little coconuts” (ir catar coquinho), e como sou maior de idade e “metxida” a independente, me informei no hotel, atravessei a rua e peguei um ônibus. Querem saber? Foi a melhor coisa que fiz. Tem ônibus para a cidade inteira e são todos adaptados. Os elevadores funcionam bem e não demoram horas pra descer e subir. Ninguém reclama e os motoristas foram extremamente atenciosos. Além do que, só custa U$1,15 a viagem. Mas também tem o Metrocard (cartão do metrô/ ônibus), que você paga por uma quantidade “x”de viagens, tipo vale transporte, que é mais prático.
E assim, rodei bastante por Nova York. Motorizada e de ônibus. Não perdi nada. Sinal do quanto acessível a cidade é. Só não fui a alguns lugares, que não consegui descobrir qual ônibus pegar. Teve uma noite que usei a minha cadeira manual e peguei um taxi. Mas os taxistas por lá são que nem os daqui: torcem o nariz. Tem que dar sorte de achar um que queira pegar alguém com cadeira de rodas.
Para maiores informações sobre o Metrocard, o link para o site é: http://www.mta.info/metrocard/
Cris Costa - quarta-feira, 12 de maio de 2010 - 15:35
Viajar é uma das melhores coisas da vida. Pelo menos eu acho. Mas também pode se tornar um pesadelo, até quando é bem planejada. Às vezes acho que Murphy bolou a maioria de suas teorias numa viagem. Mas enfim, pode dar problema pra qualquer um, e para quem usa cadeira de rodas e por isso necessita de hotéis adaptados e locais acessíveis, o cuidado deve ser redobrado. É importante verificar tudo direitinho pra evitar problemas depois, afinal viajar é pra ser divertido, né?
Primeiro, vamos aos Hotéis.
Se for viajar usando serviços de uma agência de viagens ou operadora, é extremamente importante deixar bem claro as suas necessidades (quarto e transporte adaptado). Pense que há uma enorme possibilidade de que a pessoa que está lhe atendendo não entenda bulhufas de acessibilidade, e que 5 degraus na entrada do hotel ou um quarto sem banheiro adaptado podem não parecer um obstáculo para ela e passarem desapercebidos. Cuidado redobrado nessa hora. Vale sempre conferir com o hotel se eles possuem quartos adaptados, perguntar como são os banheiros e se o hotel possui rampas. Às vezes me sinto neurótica com isso, mas já tive problemas suficientes e agora não canso de perguntar. E peça a agência que está lhe oferecendo o pacote para pedir uma garantia do hotel (um email) de que o quarto adaptado está reservado para você. Exagero? Não. Pense que os hotéis possuem pouquíssimos quartos adaptados, e que usam estes quartos não só para cadeirantes, mas para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Não conte com a sorte. Vai que todos resolvem ir para o mesmo hotel? Não se deixe ficar na mão do destino.
Não sei como funciona para outros países, mas se você vai aos Estados Unidos as agências daqui não garantem o quarto adaptado, e os hotéis só dão essa garantia se fizer a reserva direto com eles. Como as agências/operadoras brasileiras operam através de operadoras americanas (pelo menos foi o que me explicaram, podem me corrigir se estiver errada), elas costumam ter um pacote com número de quartos “reservados” em cada hotel, mas se são adaptados, para não-fumantes ou se vai ter cama de casal ou não, depende da disponibilidade do hotel na hora da sua reserva. As operadoras sempre dizem que não tem problema, mas eu não arriscaria. Acho que no Brasil, Europa e América do Sul isso não acontece. Mas por via das dúvidas verifiquem com a agência/operadora se eles podem te dar alguma garantia (por email se possível) de que o quarto adaptado é seu.
E como disse acima: sempre verifiquem com o hotel como e quais são as adaptações. Mais uma vez digo, não é neurose. Se eu fosse mega safa e menos limitada, não teria esses grilos e iria a qualquer hotel sem problemas. Mas sei que tem adaptações medonhas e prefiro não ter que me estressar porque a porta do banheiro não era larga, o box possui degrau ou o hotel tem escadas e nenhuma rampa na entrada. Se for sabendo o que me espera, fico mais relax.
Uma coisa eu garanto: é bem melhor perder alguns minutos perguntando e se certificando das adaptações no hotel do que ter uma surpresa desagradável na suas férias tão desejadas.
O avião
Pra quem viaja de avião, também é importante ter alguns cuidados a fim de evitar maiores problemas na hora do embarque.
Primeiro, é recomendável que se ligue até 48hs antes do vôo para a companhia aérea, informando que você usa cadeira de rodas e que precisa usá-la até a entrada no avião. Isso pode facilitar e evitar problemas na hora do embarque, pois uma vez que a cia aérea é avisada, eles normalmente reservam os assentos da primeira fila para quem usa cadeira de rodas, o que facilita muito na hora de embarcar.
Para quem viaja sozinho então, é importante esse aviso e explicar se você precisa ou não de assistência ao chegar no aeroporto e quando chegar ao seu destino. Se você deixar avisado eles te ajudam até a saída do aeroporto. Só pra deixar claro, não é um favor que a cia aérea está nos fazendo, isto está previsto na regulamentação da ANAC.
Para quem usa cadeira de rodas motorizada é importante avisar à cia aérea, pois existem algumas restrições para levá-las no avião. No caso das cadeiras manuais, sempre certifiquem-se de que ela embarcou no avião com você. Não aconteceu comigo (ufa! rs) mas já ouvi casos de que o cadeirante foi e a cadeira ficou. Imagina a situação?
Ah, e sempre fiquem com a almofada durante o voo e evitem desmontar a cadeira. Não me espantaria trazerem a cadeira faltando uma roda, rs.
Ah, e há pouco tempo soubemos que em alguns casos a cia aérea dá desconto de até 80% para o acompanhante do cadeirante. Mas a regra não é muito clara, por isso não sei se é fácil conseguir e se a cia tem obrigação de dar o desconto.
Segue o trecho da regulamentação da ANAC que fala sobre isso:
Art. 48. As empresas aéreas ou operadores de aeronaves só poderão exigir um acompanhante para o passageiro portador de deficiência, independentemente da manifestação de seu interesse, quando a critério da empresa aérea ou das operadoras de aeronaves, por razões técnicas e de segurança de vôo, mediante justificativa expressa, por escrito, considere essencial a presença de um acompanhante.
§ 1º. Na hipótese da empresa aérea exigir a presença de um acompanhante para o passageiro portador de deficiência, deverá oferecer para o seu acompanhante, desconto de, no mínimo, 80% da tarifa cobrada do passageiro portador de deficiência.
§ 2º O acompanhante deverá viajar na mesma classe e em assento adjacente ao da pessoa portadora de deficiência.
Para quem quiser saber mais sobre a regulamentação da ANAC no que diz respeito aos deficientes, segue o link: http://www.anac.gov.br/arquivos/pdf/AberturaDeEsataConformeIac163-1001A.pdf
De resto é relaxar e aproveitar ao máximo.
Bianca Marotta - sexta-feira, 23 de abril de 2010 - 15:23

Paisagem do mirante da Vista Chinesa
Há algumas semanas atrás o Raffael, diretor da Jeep Tour, entrou em contato conosco e ofereceu um dos passeios de jipe acessível da empresa. Já tínhamos ouvido falar do passeio e estava na nossa agenda testá-lo um dia. Concordamos na hora! Difícil apenas foi conciliarmos a disponibilidade dos integrantes do blog, mas obviamente, todos queriam participar!

Rampa na traseira do jipe montada para embarque dos passageiros
Marcado o dia e escolhido o roteiro, um passeio pela Floresta da Tijuca, definimos o ponto de encontro: estacionamento na Lagoa, no Parque dos Patins. Chegando lá, conhecemos o Sergio, que seria nosso guia e o Sandro, nosso motorista. Ambos simpaticíssimos e muito bem dispostos! 1ª surpresa agradável do passeio!

Cinto de segurança
Em seguida fomos apresentados ao nosso meio de transporte, um antigo jipe do exército que foi preparado para transportar pessoas em cadeira de rodas. Ele pode transportar até 3 cadeirantes junto com mais 5 não cadeirantes. O legal é que fica todo mundo junto e, como o jipe é mais alto do que os outros carros, dá para curtir muito melhor a paisagem. E tem até uma lona que cobre o teto em caso de chuva!
O leitor deve estar se perguntando: “Mas como é que foi feita essa adaptação do jipe para cadeirantes?” Nada complicado, garanto a vocês. A caçamba dele possui duas fileiras de bancos no seu sentido de seu comprimento, uma de frente pra outra. Pra começar, os assentos de uma das fileiras foram removidos, permanecendo apenas os seus encostos. Os cintos de segurança foram mantidos, para serem afivelados em volta da cintura do cadeirante, nenhum mistério. Mas para que a cadeira ficasse ainda mais segura, foram instalados cintos no chão da caçamba, com ganchos que são presos aos pés da cadeira.

Ganchos preendendo a cadeira de rodas ao jipe
Tudo bem, ótimo, o jipe é seguro, mas como o cadeirante faz pra subir nele? Colinho? Não, não. Nada de colinho. No jipe foram instaladas duas rampas dobráveis, de forma que, elas são montadas e desmontadas facilmente quando os cadeirantes precisam entrar ou sair do jipe. Além disso a distância entre elas é regulável, ou seja, cadeiras de todas as larguras podem usá-las.

Mirante da vista chinesa
Subimos todos no carango e nos preparamos para o passeio, que teve início na subida para o Horto, em direção à vista Chinesa, nossa primeira parada. Outra bela supresa por lá: foi construída uma rampinha pra facilitar a chegada dos cadeirantes até a construção que fica a 380m de altitude e de onde se tem uma belíssima vista do Rio de Janeiro. Juro, gente, dá pra ver as praias, o Corcovado e o Pão de Açúcar. Tudo de um mesmo ponto.
Durante o passeio, todo feito em meio a muito verde, passamos pela Mesa do Imperador, Cascatinha da Tijuca, onde foi construída uma excelente rampa, que leva o cadeirante até bem perto da cachoeira, Capela Mayrink com os afrescos de Cândido Portinari, chegando até o restaurante Dois Esquilos, por onde apenas passamos rapidamente. Ah! Demos sorte e avistamos vários macaquinhos durante o nosso tour.
Infelizmente não encontramos nenhum banheiro adaptado no caminho, mas já demos a dica pro pessoal do Jeep Tour, que passará a informação pra prefeitura.

Rampa de acesso ao mirante da Cascatinha
E pra terminar o passeio com chave de ouro, o Sandro, nosso motorista massa, desceu pela estrada das Canoas com direito a parada na praia de São Conrado. O dia estava belíssimo e o clima mais que agradável. Tudo correu super bem e todos os integrantes do blog voltaram felicíssimos pra casa. Passeio obrigatório tanto para quem mora, quanto para quem visita o Rio!

Paisagem da praia do Pepino no fim de tarde
Em tempo: a empresa está aumentando a frota de jipes adaptados e atualmente oferece, além do passeio pela Floresta da Tijuca, mais 8 roteiros no Rio de Janeiro. Mais informações sobre agendamento, roteiros, fotos etc estão no site da Jeep Tour.
. . .
Jeep Tour
Fone: (21) 2108-5800
Fax: (21) 2108-5818
www.jeeptour.com.br
Bianca Marotta - terça-feira, 2 de março de 2010 - 14:32

Chalé número 9 - adaptado para pessoas com deficiência
Não fosse pelo Hotel in Site não teríamos descoberto esse recanto escondido no bairro do Rio Vermelho em Floripa. Cheguei a ver algumas fotos da pousada e trocar emails com a Iracema, uma das donas da pousada antes de decidirmos nos hospedar nela. Mas confesso que chegamos lá um pouco no escuro, pois sabíamos da existência de um chalé adaptado, mas como essa seria adaptação só descobrimos na hora. Pra variar.
Mas a surpresa foi muito agradável. A preocupação do seu Ari, outro sócio do hotel, foi bastante surpreendente para uma pessoa que nem sequer é arquiteto e não possui parentes com deficiência. Nos contou que simplesmente achou que seria mais fácil pra todo mundo se os acessos na pousada fossem feitos através de rampas e que oferecer um chalé adaptado não custaria nada a mais. Mais surpreendente ainda foi a forma como o tempo todo ele se preocupou em saber se os acessos estavam a contento, se a cadeira de banho (sim, eles possuem uma cadeira de banho para os hóspedes) era boa e se as rampas estavam dentro das normas.

Esta ponte deu uma certa dor de cabeça, o Dado não conseguia passar por ela sem um empurrão.
Uma ou outra coisa poderia ser melhorada, algumas rampas são íngremes demais, e isso nós explicamos sempre que nos era perguntado. Mas o fato de o cadeirante conseguir chegar a todas as áreas comuns da pousada nos alegrou bastante.
O chalé de número 09, que é adaptado para pessoas com deficiência, possui uma sala com sofá cama e cozinha americana, uma área de serviço, um quarto com uma cama de casal e uma de solteiro e um banheiro. As portas são todas mais largas e os espaços de circulação bons o suficiente. A sala é separada da cozinha por um balcão, do qual os donos da pousada se desculparam por terem feito alto demais. Em seguida trouxeram uma mesa com cadeira para o nosso chalé o que já resolveu o problema. O banheiro possui barras de apoio e Box com cortinas. Ah, sim! O quarto possui ar condicionado, providencial no verão!
A única coisa que nos deixou um pouco tristes, foi descobrir que o Dado foi o segundo hóspede cadeirante, desde toda a existência da pousada, a se hospedar por lá. Esperamos que nossa divulgação no blog leve mais pessoas com deficiência para a Pousada Náutica, que fica numa cidade belíssima e que vale muito à pena ser visitada!
Pousada Ilha Náutica
www.pousadailhanautica.com.br
Florianópolis – SC
Tel: (48) 3269 – 7060
E-mail: pousadailhanautica@hotmail.com
Abaixo algumas fotos que ilustram bem o espaço e as adaptações feitas na pousada:

Cama de casal e de solteiro presente no quarto do chalé número 9

Estacionamento da pousada

Caminho pavimentado nas dependências da pousada

Box com cortina no banheiro do chale número 9. A cadeira de plástico o Dado que pediu, pois acha mais prática do que a de banho.

Vaso sanitário elevado e barras de apoio no banheiro do chalé nº 9

Caminho pavimentado e com rampas que levam à piscina e ao refeitório

A rampa que leva à piscina tem um pequeno desnível no final. Mas ao menos ela existe!
Joana Roquette - segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 - 16:19
Nesse texto está a 2a parte da contribuição da leitora Joana Roquette sobre sua viagem aos EUA. Segundo Joana, foi a parte “ruim” da viagem. Confiram!
Estilo de vida “do it yourself” (faça você mesmo) / solidariedade
Pois bem, até aqui parece que só há coisas boas na área latina dos EUA. Mas não é bem assim…
Como alguns devem saber, os americanos são educados a adotar e permitir a adoção de um estilo de vida bem diferente do nosso, o que causa um certo choque a nós brasileiros. É o chamado “faça você mesmo” (do it yourself), o velho “cada um por si e Deus por todos”.
Sendo assim, não espere contar com a boa vontade e solidariedade dos americanos quando estiver passando por algum “perrengue”. Talvez não seja por mal, mas para eles cada um tem que respeitar a liberdade do outro e isso pode chegar a um ponto extremo em que as pessoas pouco se comunicam. É a frieza com a qual não estamos acostumados.
Os postos de gasolina, por exemplo, não contratam frentistas pra fazer o trabalho por você. É o próprio motorista que deve sair do carro, inserir o cartão de crédito na bomba e se virar pra colocar combustível no carro. Minha irmã, que não é cadeirante, na primeira vez que passou por essa experiência, regou o pé de gasolina! Para nós cadeirantes, então, como fazer?? Sinceramente, não sei. Acredito que se você buzinar muito de dentro do carro, algum dos atendentes da loja de conveniência venha perguntar ou oferecer ajuda, mas não vi um método mais civilizado que nos auxilie.
Nos estacionamentos de supermercados e shoppings, que são gigantescos, as pessoas passam por você e por mais que vejam que está em dificuldades pra tirar ou colocar a cadeira do carro, não se propõem a ajudar… É um bocado estranho para quem está acostumado com a solidariedade do povo brasileiro e especialmente dos cariocas.
Até aí, vá lá, “tudo bem”. O pior é que para eles todos são iguais e não existe essa de prioridade para deficientes em filas, por exemplo. O mesmo acontece com idosos, gestantes e mães com crianças de colo. A mim parece um pouco estranho, porque o justo é tratar os desiguais desigualmente, procurando atenuar as desigualdades. Não é à toa que em muitos países a prioridade existe. Mas há quem admire esse ponto de vista dos americanos, com o qual não concordo, com o todo respeito.
Para citar dois exemplos, fui a uma loja de departamento em Miami e perguntei pela fila de prioridade e a funcionária me indagou: “Prioridade? Como assim? Você deve esperar na fila como outro qualquer!” Eu abaixei as orelhas e segui a recomendação da moça, me achando uma idiota por ter feito a pergunta… Outro caso aconteceu em um dos parques da Disney, o Universal Studios. Antes de entrar no parque fui ao “Guest Room” (acho que era esse o nome), onde as pessoas vão tirar dúvidas sobre o parque. Bom, eu tinha 2 dúvidas, na verdade: 1) eu teria prioridade nas filas para os brinquedos? 2) será que os funcionários poderiam me auxiliar nos brinquedos quando fosse necessário fazer a transferência da cadeira de rodas para algum lugar? A resposta foi negativa para as duas perguntas. As justificativas: 1) “somos instruídos a tratar todos os nossos clientes igualmente para que todos tenham a mesma experiência dentro do parque.” 2) “nossos funcionários são instruídos a não tocar nos clientes, por isso, infelizmente, se você não fizer a passagem/transferência por conta própria ou com a ajuda do grupo com o qual estiver, sinto muito…” Sobre a primeira pergunta/resposta ainda argumentei: “você quer dizer a mesma experiência de esperar cerca de 2 horas por cada atração??” e a resposta foi positiva. Bom, sobre o fato de eles não auxiliarem na transferência dentro das atrações, acredito que isso se deva ao medo de instauração de processos judiciais por eventuais danos que possam ocorrer ao cadeirante, já que o número de processos por reparação de danos nos EUA é imenso! Justificativa compreensível até certo ponto…
Resumindo, o fato é que a experiência de visitar os EUA e principalmente os parques da Disney só pode ser considerada maravilhosa para os “cadeirantes independentes”, já para os que dependem de alguma forma de auxílio para transferências e etc (que é o meu caso), o recomendável é levar uma turma com você.
Ah, já ia me esquecendo, uma boa dica é pegar os mapas na entrada dos parques, o que parece meio óbvio, mas que, por esquecimento, pode passar despercebido. É que os mapas indicam quais atrações dependem de transferência, quais não dependem (você pode aproveitar sentado na cadeira mesmo) e quais são completamente inacessíveis. Com essas informações, fica mais fácil evitar surpresas indesejáveis nos parques, como esperar mais de uma hora em uma fila de um brinquedo o qual talvez você não consiga aproveitar.