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Cadeira Ortobras Star Lite

Cris Costa - quarta-feira, 30 de junho de 2010 - 11:39

Como disse no post anterior, acabei comprando uma Star Lite.  Quando fui buscar a cadeira na loja, dei uma olhada, me pareceu ok, botei no carro e fui pra minha casa. Grande erro. É a mesma coisa que comprar roupa sem experimentar. Mas na pressa, achei que não precisava experimentar já que estava tudo na medida certa. Chegando em casa, fui passar pra cadeira nova e estranhei tudo. Pensei: isso é normal, com cadeira nova isso acontece, demora até a gente se acostumar. Mas não era bem assim. De cara senti que a cadeira estava bem mais larga do que estava acostumada. Mais um pouco e não passava nas portas de casa.  E também estava alta, quase não entrava embaixo da mesa. Fora o ângulo do pedal que parecia ser de 90, o que eu não estava acostumada. Quase chorei. Mas também, santa ingenuidade né Batman?! Fiz o pedido com poucas medidas e nem sequer perguntei quais eram as medidas padrões do resto. E também não testei na loja pra ver ser estava tudo ok.  Os meninos batem tanto isso aqui no Blog, e cometi esse erro. Depois de feito, não tinha muito o que reclamar. Pelo menos o que tinha medida específica veio certo. Mas precisava acertar a cadeira. Do jeito que estava, não dava pra ficar. Levei de volta na loja pra acertar.

Quanto a largura, além do corrimão estar no ponto mais largo, o tubo da cadeira era muito comprido. Com isso a cadeira deve ter ficado uns 7cm mais larga.

O que é muita coisa. E a altura, ela veio com a roda dianteira de 6”, que é o padrão. E como não existe a opção de mexer na altura da cadeira, só me restava trocar a roda de 6” por uma de 5”. E quanto ao pedal, virei ele ao contrário. Assim a parte maior ficaria para frente me dando mais conforto. Tudo acertado, fui buscar minha cadeira uns 15 dias depois.

Agora sim poderia avaliar a cadeira melhor, já que estava nas medidas corretas. Duas coisas que notei diferença para outras que tive foi o freio e o esquema de dobrar o encosto. O freio achei bem legal, pois ele dobra, e assim facilita muito a transferência para o carro e cama. Mas para quem tem pouca força nas mãos pode não ser uma boa opção, já que é um pouco difícil puxar o pino para “desdobrar”. E é bom não esquecer de dobrar, ou o freio fica alto, dificultando a transferência, a roupa pode agarrar ou você corre o risco de ser violentado pelo freio. Ninguém merece!

Só uma pequena observação: a cadeira tem dois meses e os freios já precisam de ajustes. Algo que vejo acontecer muito nas cadeiras nacionais. Não entendo porque os freios não ficam firmes por muito tempo, mas enfim.

Já o esquema pra dobrar o encosto me pareceu interessante e foge um pouco das malditas cordinhas: tem duas travas atrás, uma de cada lado. É só girar pra destravar e dobrar, e depois girar de novo para travar.

Até ai, tudo bem. Tava gostando da cadeira. Só tinha achado o encosto muito frouxo e ele afunda muito. Isso pode ser resolvido com um encosto rígido, mas que custa em média R$ 250,00. E como no momento, não posso me dar esse luxo, fico com o encosto que afunda.

Testando a cadeira em casa, tudo bem. Chão retinho, deslizava que era uma beleza! Parecia leve e ágil, boazinha mesmo. Mas tinha que fazer o teste  final: andar na rua. Assim que precisei ir na rua, resolvi que iria com essa pra ver como ela se sairia nas pedrinhas portuguesas. Sai de casa, e lá fui eu. Sofri!!! Depois de umas três braçadas senti a cadeira pesada e difícil de empurrar. Trepidava muito! Não achei que fosse ser tão difícil. Já me acostumei com a Tilite e por isso senti uma diferença absurda.

Depois de muito esforço consegui chegar onde queria, mas quase sem ar, rs. Fiz o que tinha que fazer, respirei fundo e voltei pra casa.  Cheguei em casa e parecia que tinha corrido uma maratona, mas na verdade foram só dois quarteirões. Ou quatro se contar ida e volta. Não achei a cadeira ruim, mas pra realidade das pedrinhas portuguesas e levando-se em conta minha tetrice parcial, penei um pouco. Se tivesse que sair na rua todo dia com ela, em pouco tempo ia ganhar alguma “ite” (tendinite, bursite…).

Mas enquanto os fabricantes não melhoram a qualidade das cadeiras, a gente pode melhorar algumas coisas. Pouquíssimas, na verdade. Quanto à trepidação, uma roda inflável com certeza ajudaria muito. Já o fato do corrimão escorregar tem muito a ver com minha fraqueza nas mãos. Coisa de tetra. Quem é paraplégico, com certeza não ia sentir nenhuma dificuldade. Mas bem que os fabricantes nacionais podiam vender um corrimão coberto com vinil pra facilitar a nossa vida, né?

Os problemas que ela apresentou são comuns nas cadeiras nacionais. O fato dela trepidar, ter um corrimão escorregadio e ser “dura” de empurrar  aconteceu com todas as outras que tive.  Sinceramente, acho que devemos começar a exigir maior qualidade e mais opcionais dos fabricantes. Por enquanto, ainda acho a cadeira boazinha, mas uma cadeira mostra mesmo a sua qualidade é com o decorrer do tempo. Vamos ver como ela vai estar daqui há um ano!

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Campeonato Brasileiro de Handbike – 2010

Eduardo Camara - terça-feira, 29 de junho de 2010 - 10:20

Josimar "Joselito" Sena na largada do Contra-Relógio

Sexta-feira passada, o Brasil inteiro ligado no jogo contra Portugal e eu pegando vôo para o Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paraolímpico. Pelo menos não perdi muita coisa, né? E lá em Brasília, o campeonato foi maneiríssimo!

Os atletas foram chegando ao longo do dia, e à noite rolou o congresso técnico e a primeira vitória da galera do handbike: a organização da prova cumpriu o combinado na última competição e dividiu os atletas em duas categorias, de acordo com os níveis de deficiência. Assim, a competição ficou mais justa e os atletas satisfeitos e estimulados!

As provas foram realizadas no autódromo Nelson Piquet, com céu azul, ótimo asfalto  e um percurso que misturava subidas e descidas. Gostei do lugar, mas as subidas e o vento forte jogaram as médias de velocidade lá para baixo. Aliás, como foi difícil encarar os aclives com a handbike. Subir umas ladeiras virou dever de casa!

Joselito e Aranha na prova de estrada

Sábado foi dia do Contra-relógio individual, prova onde cada atleta larga separado e deve terminar o percurso no menor tempo. A distância total era de 5.400m. É pouco (a UCI recomenda no mínimo 10Km) e até fiz uma recomendação à organização para aumentar as distâncias em um próximo evento. De qualquer forma, o circuito tinha duas subidas que serviram para diferenciar os atletas. O melhor  handbiker do Brasil, Fernando Aranha, estava com um azar danado e quebrou o pedivela na largada. Eita cara bruto! A quebra de Aranha abriu espaço para Eliziário “Motorzinho” brilhar e vencer na categoria H3. O atleta de São Vicente, veterano da handbike e do triathlon – onde já completou incríveis 8 Iron Man – fechou a prova em 11′09”, melhor tempo do dia. Completaram o pódio Cláudio Amaral (que mostra uma ótima evolução) e Ronílson “Índio”. Na categoria H2, esse que vos escreve chegou na frente com o tempo de 11′37” (Ah moleque!!! Ah, moleque!!!), o segundo melhor do dia. Feliz igual pinto no lixo, ainda dividi o pódio com os afiados Rafael Rodrigues (2o colocado) e Josimar Sena (3o colocado), que se mostraram bastante preparados para a prova.

Eu e Perna (provavelmente falando besteira) no hotel

No último dia, era a vez da prova de estrada. Mesmo local, mas circuito diferente, com uma loooonga subida, uma descida e trechos planos. No total, 15Km de pedal com todos os atletas de cada categoria largando juntos. A H3 largou na frente e 30s depois foi a vez da H2. Aranha, que correu atrás e conseguiu soldar o pedivela quebrado na véspera, mostrou que é o cara e terminou os 15km em 26′18”, com média acima dos 34Km/h. Está no nível dos principais atletas do exterior. Atrás vieram “Motorzinho” e “Índio”. Cláudio Amaral sofreu com o vírus do pedivela quebrado (pegou do Aranha!) e não chegou a largar.

As handbikes na prova de domingo

Na H2, o começo de prova foi bem disputado. Comecei puxando a galera até o fim da subida, mas como não estava afim de dar carona para aquele bando de marmanjo, dei uma guinada para o lado, abri um sprint até 43Km/h e deixei o resto do pessoal no vácuo. Ou melhor, FORA dele. Apertei tanto o ritmo na primeira volta que a fechei com média de 31Km/h. Claro que não consegui manter a o ritmo ao longo das outras voltas, ainda mais com o subidão da reta dos boxes, mas foi o suficiente para vencer a prova e manter longe o 2o colocado, o incansável Rafael Rodrigues – que também fez uma ótima corrida. Em terceiro, completando pódio, chegou Rony Vasconcelos.

A galera do Clube de Ciclismo de São José dos Campos. Pose com as medalhas!

Resumo da ópera: houve uma nítida evolução de todos os atletas. A organização ofereceu boa infraestrutura aos atletas e organizou a prova em um excelente circuito, além de ter cumprido o prometido e dividido os atletas de handbike em duas categorias. Ponto a melhorar? Apenas as distâncias das provas, que na minha opinião deveriam ter tido o dobro do tamanho.

Parabéns à todos!

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Do outro lado… (9) Mensagens

Nelci Burtet - sexta-feira, 25 de junho de 2010 - 11:59

Então… vou encerrando minha epopéia por aqui. Por que no número 9? É que ele se tornou meio incógnita no capítulo 3.  E como nossa vida é incerta e não sabida no instante que virá, optei por esse número.

Inspirada numa frase de Chico Xavier que li em algum lugar por esses dias, “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”, permito-me mandar algumas mensagens a pessoas que estão envolvidas em situações semelhantes às que descrevi:

FILHOS: vocês, até que não tiverem os seus, terão muita dificuldade em entender a preocupação e o zelo de vossos pais. Por isso, afrontá-los ou julgá-los por esta dedicação, pelo comportamento protetor, ou até pelo desespero de não poder controlar uma situação, será uma grande injustiça.

MÃES: os sonhos que vocês sonham para seus filhos, às vezes acontecem por caminhos de pedras e espinhos. Não se preocupem: mãe tem força para suportar e dar vida à sua cria quantas vezes precisar. Tenham certeza de que os filhos jamais querem magoar conscientemente sua mãe. Se isso acontecer, ele não pesou racionalmente as consequências, talvez por falta de experiência. O importante é que, caso aconteça algo que a machuque, não fique remexendo muito na ferida, porque aí ela nunca vai cicatrizar.

CADEIRANTES: aconteceu? Vamos juntar o que sobrou e “viver a vida”. Lamentar, culpar e reclamar só vai trazer mais decepção e revolta. Apesar de tudo, você é quem vai ter que conduzir a situação. De sua atitude guerreira, otimista e desbravadora depende o bem estar das pessoas que estão ao seu redor. Porque elas também se abalam.

Para todos, repito o que disse José Saramago:

“Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta”.

E eu acrescento: “bom é que também trabalhemos”.

E a vida continua …

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Agradecimentos:

  • Eduardo, Bianca, Cris e Nickolas: pela permissão de usar o blog Mão na Roda.
  • Nickolas: pelo apoio, correções e ilustrações.
  • Comentaristas: pelo incentivo e colaboração.
  • Leitores: pelo interesse e paciência.

Foi muito bom estar com todos vocês!

Obrigada!

Nelci Burtet

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Nota do Nickolas:

Nessas últimas 9 semanas vi se passarem 16 anos da minha vida de uma forma emocionante. Ler a minha própria história vista com outros olhos só fez aumentar a importância das pessoas que estiveram ao meu lado. À minha família, minha gratidão eterna. À minha mãe, todo meu carinho para compensar os sustos e as surpresas que vieram (e os que ainda virão) e sua incomensurável dedicação.

Em nome de todos os que leram, o nosso agradecimento por compartilhar essa rica experiência. Que sirva de inspiração para todos e que traga motivação e exemplo para os que passam pelo mesmo desafio.

Clique aqui para ver os outros capítulos da história “Do outro lado…”

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Não apóia aí não!

Christian Matsuy - quinta-feira, 24 de junho de 2010 - 15:49

Esses dias têm feito frio (moro em São Paulo). E nada melhor do que se esquentar ao sol no horário do almoço no serviço. Tem até uma área própria para isso lá. Daí que me veio a idéia de escrever sobre esse assunto que certamente já deve ter sido vivenciado por alguns, que é a “liberdade” que alguns amigos, colegas e às vezes até desconhecidos tomam, de chegar já se apoiando em nossas cadeiras, pendurando coisas… como se elas fizessem parte do “cenário”.

São muitos os pontos da cadeira que as pessoas “acham” que podem utilizar:

Os puxadores servem tanto para se pendurar bolsas e sacolas, bem como servir de apoio para quem estiver ao seu lado.

Outro lugar bastante disputado é o suporte dos garfos dianteiros. Parecem que foram feitos para alguém esticar a perna e apoiar o pé. Não contentes em apoiar o pé, ainda nos balançam como se estivesse ninando um bebê (argh!). E o solado aspero riscando a pintura? Assim não pode, assim não dá. Cadeira de rodas custa caro!

Ainda seguindo nessa linha, às vezes insistem em apoiar os pés nos corrimãos (corrimão é o aro que utilizamos para segurar e tocar a cadeira), lugar que estamos com as mãos frequentemente, vem o cidadão e mete o pé sem se importar se está sujo ou não.

A única exceção que eu abro é para a sobrinhada, que adora brincar com a roda da cadeira, se estiverem na fase de engatinhar então nem se fala, parece até que os corrimãos foram feitos para eles se segurarem e ficarem de pé.

Mais um lugar: a barra rígida do encosto, ali é ótimo para colocarem blusas, ou toalhas (moda praia), e note que sempre é a blusa ou toalha de alguém, nunca a sua. Pô me ajuda aí!

Quando eu tinha cadeira com apoio de braços, era comum outros braços que não os meus estarem apoiados neles. Em churrascos, festas e reuniões desse tipo, era MUITO comum. Eu sei que é “sem querer”, mas acontece.

Agora o ápice: apoiar os pés nos raios das rodas, ah não, isso nem o Papa eu deixo, além de ser perigoso, pode entortar!

Alavanca de freios: quem tem seu cãozinho de estimação, adora. Para pra conversar com você e já começam a estudar “onde” vão amarrar o dog. Eu tenho um amigo que mora em frente ao meu prédio que faz isso sempre, me recuso a publicar fotos dessa cena, até por que ele tem um desses cãezinhos de madame, mas pela “amizade” eu relevo.

Mas a pior de todas, a mais constrangedora, é a cafungada involuntária no cangote. É, é isso mesmo. Você está lá trabalhando em seu micro, concentrado, eis que chega alguém por trás, segura no puxador da sua cadeira para se apoiar, (já aconteceu da minha cadeira quase virar trás!) e posiciona-se paralelo a sua cabeça apontando pra tela do seu micro (geralmente essas pessoas também metem a dedada na sua tela, que dá um trabalhão pra limpar). Coincidência ou não, isso nunca é feito por alguém do sexo oposto ao seu. E o bafo?

Aí não né!? Eu hein…

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Indefinidamente Indivisível – Espetáculo de Dança

Eduardo Camara - quarta-feira, 23 de junho de 2010 - 11:18

Dica da minha amiga Beth Caetano, do CVI-RIO, o espetáculo Indefinidamente Indivisível vai rolar nesse final de semana no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá. Realizado pela Cia de Dança Pulsar, o espetáculo ganhou o prêmio Klauss Vianna da Funarte em 2008 e apresenta dançarinos cadeirantes e andantes.

Quando:
25 e 26 de junho, às 21h, e 27, às 20h

Onde:
Espaço Cultural Sérgio Porto
R. Humaitá, 163 – Humaitá
Tel: (21) 2266-0896

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Buenos Aires por Laura Martins

Laura Martins - terça-feira, 22 de junho de 2010 - 15:06

Mais uma leitora do Mão na Roda visitou Buenos Aires e nos mandou suas impressões. Valeu, Laura!

Sou cadeirante e cheguei de Buenos Aires há pouco tempo; incentivada pela Joana Roquette, também quero compartilhar minhas experiências com vocês. Quem sabe não conseguimos incentivar mais cadeirantes a viajar?
Coisa que adoro fazer e já me aventurei por inúmeras cidades brasileiras, assim como pela Europa, Suíça e França.

Para Bs As, viajei com minha mãe e meu irmão. Essa cidade ainda não está bem preparada para receber pessoas com deficiência: há poucos banheiros acessíveis, muitos espetáculos de tango ou apresentações musicais acontecem no subsolo ou no andar de cima dos estabelecimentos, há poucas calçadas rebaixadas, e por aí vai. Desse modo, é difícil um cadeirante circular sozinho pela maioria dos espaços, e, mesmo com ajuda, fica difícil entrar em muitos lugares.

Rampa na entrada do Museu Malba

Laura ao lado da rampa na entrada do Museu Malba

Sozinho, dependendo da condição do cadeirante, dá pra circular, por exemplo, na Calle Florida (que é um calçadão, onde os carros estão proibidos de circular), no shopping Galerias Pacífico (a entrada pela Florida é acessível e há banheiros também acessíveis), no Malba (Museu Latino-Americano de Arte Moderna), onde estão obras como o Abaporu, da brasileira Tarsila do Amaral, e um auto-retrato da mexicana Frida Kahlo (que, por sinal, também tinha uma deficiência física). Tudo é acessível nesse museu, inclusive o charmoso bistrô.

Em todos os quarteirões do Centro por onde passei, há calçadas rebaixadas. Porém, praticamente todos os rebaixamentos estão quebrados ou têm um “degrau” de cerca de dois, três centímetros em sua parte mais baixa.

Na Recoleta e em Palermo, há pouquíssimos rebaixamentos, lamentavelmente. Por outro lado, a cidade é bastante plana, o que facilita bastante os deslocamentos.

interior da Livraria Ateneo

Livraria Ateneo

O cadeirante não deve deixar de conhecer a livraria El Ateneo Grand Splendid, na Avenida Santa Fé. É esplendorosa! Já foi um teatro e hoje é uma das maiores livrarias da América Latina, assim como uma das mais lindas do mundo. Os balcões do antigo teatro hoje comportam prateleiras com livros, CDs e DVDs. Tem elevador e banheiro acessível. Uma rampinha íngreme dá acesso ao palco, onde se localiza o café. Imperdível.

Trilha pavimentada de pedras no Rosedal

Trilha pavimentada de pedras no Rosedal

Dá também para passear no Jardim Japonês, assim como, com alguma dificuldade, no Rosedal, que é magnífico, mas a circulação não é pavimentada, e sim recoberta com pequenas pedras, o que dificulta bastante o transitar com a cadeira. E não há rebaixamento das calçadas para entrar no parque onde ele se localiza.

Por perto fica a magnífica escultura floral chamada Floralis Genérica, que abre as pétalas quando o céu está claro. Dá pra chegar bem pertinho.

Passear pela Recoleta e por Palermo possibilita conhecer a lindíssima arquitetura, muitas vezes inspirada na francesa, e encontrar cafés e lojinhas muito charmosos. Mas será necessário um braço forte para ajudar, pois, novamente, quase não há rebaixamento nas calçadas.

Laura e sua mãe na entrada do café Tortoni - degrau para entrar

Laura e sua mãe na entrada do café Tortoni

Josephina e La Biela, na Recoleta, são cafés onde há entradas planas. Ambos são muito agradáveis, e o primeiro tem banheiro acessível. Não deixe de ir ao tradicionalíssimo e elegantérrimo Café Tortoni, no Centro. De manhã não é tão cheio e só tem um pequeno degrau na entrada.

Adorei Puerto Madero, mas para ter acesso encontrei apenas uma rampa na extremidade Norte. Cafés e restaurantes, só com a ajuda de braços fortes. Não encontrei lugares acessíveis, mas também não “andei” por toda a região. Dá pra circular tranquilamente pela calçada e ir até a Ponte da Mulher, que é linda.

Entrada do Alvear Palace Hotel com plataforma elevatória

Alvear Palace Hotel - plataforma elevatória à direita

No Alvear Palace Hotel há uma plataforma elevatória na entrada, o que permitirá que o cadeirante entre para conhecer a imponente arquitetura, os lustres de cristal e as passarelas persas, ou para tomar o café da manhã, o chá da tarde ou o brunch dominical. Programa de rei ou de rainha, e acessível.

Fiquei hospedada no Hotel Meliá Buenos Aires, na Rua Reconquista. Oferece quarto acessível correto e portaria também acessível. Ele fica em um calçadão, onde só podem entrar automóveis para deixar as pessoas no hotel ou utilizar estacionamentos. Em frente ao hotel, há diversos pubs bacanas.

Para pegar táxi, vale o que já disse a Joana Roquette, em post anterior.

Como regra geral, nossos hermanos são bastante simpáticos e fazem de tudo para compreender o que dizemos, ainda que não saibamos uma palavra de espanhol. Não foram poucas as vezes em que pessoas espontaneamente ofereceram ajuda para que eu saísse de algum café ou restaurante com degrau na entrada. Mas, é claro, não custa aprender algumas expressões básicas do idioma, para facilitar a comunicação, não é mesmo?

Uma dica legal: o site do Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires disponibiliza um guia de turismo acessível, além de um mapa com informações sobre acessibilidade, entre outras coisas. Basta acessar: http://www.buenosaires.gov.ar/areas/vicejefatura/copine/.

Voei pela TAM e fiquei satisfeita. O atendimento à bordo foi muito atencioso, e as comissárias fizeram de tudo para tornar minha viagem mais confortável. É possível utilizar o toilette, pois existe uma cadeirinha de rodas que passa no estreito corredor, mas é necessário que a pessoa deficiente tenha algum equilíbrio de tronco e movimentos de braço para fazer a transferência da cadeira para o vaso sanitário.

Não deixe de avisar por telefone a respeito da necessidade de usar sua cadeira de rodas até a entrada da aeronave e de ser acompanhado até lá. E, como as poltronas destinadas às pessoas com deficiência não podem ser marcadas nem pela internet, nem por telefone, chegue mais cedo ao check-in para solicitá-las.

No mais, boa viagem! A minha foi ótima.

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Pessoas com deficiência x pessoas sem deficiência

Bianca Marotta - segunda-feira, 21 de junho de 2010 - 16:34

De uns tempos pra cá, por motivos óbvios, passei a me interessar por acessibilidade na web. Primeiro porque trabalho com webdesign e segundo porque escrevo no Mão na Roda.  :)

Foi assim que passei a fazer parte da lista de discussões da Acesso Digital (muito boa pra quem se interessa pelo tema) e tive acesso a vários textos interessantes que brotavam de nossas trocas de email. Resolvi transcrever um deles aqui no blog, pois o que começou como resposta a uma discussão sobre acessibilidade web se transformou numa ótima observação sobre a interação “pessoas com deficiência x pessoas sem deficiência”.

O texto é do nosso amigo MAQ, que é cego e autor do blog Bengala Legal e do site Acessibilidade Legal. Valeu MAQ!

“O grande problema dos arquitetos de informação atualmente é definir quem seja público alvo. Como os empresários, em geral, não sabem que pessoas com deficiência existem, elas nunca estão no público alvo dos arquitetos. É a mesma coisa que acontece com as mulheres em relação aos cegos. Como nós não vemos, imaginam que somos a salvação da lavoura ou, por outro lado, que não somos nada. É essa falta de aproximação entre pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência que cria o preconceito. Essa distância abre espaço para todo tipo de imaginação. Imaginam como somos, o que fazemos, como vivemos etc.

Quando eu estava recém cego, com 21/22 anos, estudava na PUC-Rio e as mulheres me perguntavam quem me dava banho (eu sempre respondia que eram voluntárias) e se eu era virgem… E eu só acabei com a minha fictícia virgindade quando não dava mais para esconder a verdade, pois casei, mesmo assim, muitos tinham dúvidas! (risos).

Esse estigma da deficiência, seja de uma cadeira de rodas, de uma bengala, de um aparelho auditivo, seja o que for, faz com que sejamos “desconhecidos” e as pessoas acabam criando “o mundo do cego”, “o mundo do surdo”, menos um pouco, “o mundo do cadeirante”. Como se não sentássemos nas mesmas cadeiras, não comêssemos as mesmas comidas, não praticássemos as mesmas coisas… Fôssemos todos “espirituais”.

Certa vez uma garota na faculdade me disse que o legal de um cego é que nós víamos o caráter de uma mulher, sua espiritualidade, sua cultura, bondade etc… E ela ficou chocada quando eu disse que tudo isso era legal, mas que era melhor ainda quando vinha acompanhado de pernas grossas, seios médios, boca carnuda e um traseiro que não desse para apalpar de uma só vez.

As pessoas tiram a nossa sexualidade com uma facilidade incrível e ficam chocadas quando a mostramos. Portanto, lemos livros, assistimos televisão, temos carros, moramos em apartamentos alugados ou nossos, assinamos contratos e tantas coisas… Que até navegamos na internet quando deixam! (risos). Tinha de ter uma conclusão com acessibilidade web, né?

Abraços off topic do MAQ.”

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Do outro lado… (8) Concretizando

Nelci Burtet - sexta-feira, 18 de junho de 2010 - 08:59

Depois de ler todos os outros capítulos, o leitor pode estar se perguntando:

- Pô, será que essa mulher nunca se abalou com a situação? Poucas vezes ela falou de emoção, e parece que só foram alegrias. Será que nunca bateu nela, nesse tempo todo, um desânimo, uma depressão, uma recaída lá nas famosas fases do capítulo 4?

Eu respondo:

- Claro que sim!!!

Lembro que uma vez até agi de forma irresponsável. Eu era professora de uma escola, amava dar aula de História, e de um dia pra outro falei pra diretora que não ia aparecer mais por lá. Me mandei da cidade e só voltei uma semana depois. Fui pedir desculpas, mas não voltei a dar aula. O problema não estava na recuperação do Nickolas, que nessa altura já tinha voltado a morar em Curitiba, estava formado, “se virando nos 30″ e se preparando para o concurso da empresa em que ele trabalha hoje. Creio que as tensões vividas no dia a dia vão minando a resistência e uma hora elas explodem. Ou nos afogam. Porque somos racionais e emocionais. Então, apesar de nos acharmos uma fortaleza, temos que reconhecer que precisamos de ajuda.

A psicoterapia faz muito bem. Tem pessoas que pensam que psicólogo é só para os “loquinhos”. É nada! Com o mundo do jeito que está, acho que esta é a profissão de tratamento humano do futuro. Você vai lá, joga pra fora os “bichos” que estão te incomodando, o profissional ouve, de vez em quando faz um comentário, mas na verdade é você que está se ouvindo, é você que começa a concluir que o equilíbrio está dentro de si mesmo e nas atitudes que só o tempo o fará tomar. Foi quase um ano pra chegar a esse nível. Mas cheguei!

Aí, como a maratona tem que continuar, Nickolas foi aprovado no tal concurso, há 8 anos atrás. Só que ele teria que trabalhar na cidade do Rio de Janeiro. Pensa bem… ele já estava a 600 km de onde eu morava. Para o RJ eram mais uns 900 Km, que somados davam 1.500 Km. Longe demais, e ainda por cima a violência da cidade era divulgada constantemente pela mídia. Hesitei muito. Mas ele, com aquela persuasão vampiresca, falava:

- Mãe, você não vai querer que eu fique em casa esperando a morte chegar, né?

Foi meu quarto parto, mas acabei aceitando. E ele foi…

Susto mesmo ele só me deu uma vez, que eu saiba. Ligaram de manhã, que ele estava no CTI de um hospital da zona norte com problema intestinal (vulgo nó nas tripas). Por acaso eu estava em Curitiba naquele dia. Caí da cama e fui direto pro aereoporto. Sabe aquele drama de mãe que o filho tá no CTI, tá mal, pode ser que tenha que fazer ciurgia…??? Nessas horas você encontra pessoas com sensibilidade e consegui embarcar no primeiro avião, direto pro Rio. Com o tratamento o problema foi resolvido, sem cirurgia. Muito bom.

Numa visita que fiz no trabalho do Nickolas, percebi que a tal visão de corredor que eu tinha, com portas, nome escrito na plaquinha, que citei no capítulo 1 e não sabia o final, agora estava se concretizando: saí do elevador, andei por uns labirintos de salas, e… achei o canto dele com o nome escrito. Uh, uh, então era isso! O final era ali. Creio que foi um final feliz, porque acredito que o Nickolas está profissionalmente realizado.

Por falar em feliz,  quando ele estava entre o céu e a terra, sempre pedi pra que ele só ficasse aqui se fosse para ser feliz. Por isso, já perguntei a ele: Nickolas, você é feliz?

Na próxima semana, não percam o último capítulo da história!!!

Clique aqui para ver os outros capítulos da história “Do outro lado…”

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Cadeira chinelinho

Cris Costa - quarta-feira, 16 de junho de 2010 - 12:46

Depois de 10 anos com a mesma cadeira, vi que não dava mais pra adiar e era necessário trocar. Minha querida cadeira “chinelinho”  velha de guerra mal saia do lugar. Ou melhor, eu mal saia do lugar com ela. Mega enferrujada,  empenada, alguns pedaços querendo cair,  tava me causando dor nos braços e me dava uma canseira danada só pra ir do quarto a sala.

Perai! Cadeira chinelinho? Que é isso? Bom, desde que comprei minha segunda cadeira, resolvi que deveria guardar a mais antiga. Primeiro porque é sempre bom ter um “estepe” e segundo porque quando chego ou saio de casa não preciso ficar montando e desmontando cadeira. A mais nova, que uso na rua, mora no meu carro. E a chinelinho fica na garagem, me esperando. Deixo ela lá quando entro no carro, e puxo de volta quando chego. Simples, e me evita aquela trabalheira de tirar e por cadeira no carro. É cadeira de ficar em casa, digamos assim.

Voltando. Como não dava mais pra adiar a troca, comecei a pesquisar quais opções de cadeiras eu teria. Não quis abrir mão do modelo monobloco,  e por isso nem olhei para as com eixo em X que tem preços melhores. Restava saber quais marcas fazem esse modelo. Infelizmente só dois fabricantes tem modelos em monobloco: a Ortobras e a Ortomix. Como não conhecia nenhuma das duas, pois até então só tinha tido cadeiras da Tokleve, resolvi deixar o preço resolver. A mais barata, ganhava.

E assim minha primeira escolha foi a Ortomix. Me pareceu bem legal, e tinha o melhor preço, R$ 1.600. Mas na hora de escolher as medidas descobri três falhas graves (ao menos para mim): a largura do pedal tinha que ser a mesma do assento, não seria possível afunilar. Acho isso péssimo pois sendo tudo da mesma largura a cadeira acaba ficando larga e ruim de manobrar em muitos lugares. Fazer curva com uma cadeira assim pode ser um pesadelo. Outra falha é que existia a possibilidade de cobrarem pelo protetor de roupas. Achei um absurdo! Se eu tivesse pedido a cadeira com braço E protetor até podia tentar entender cobrarem extra, mas sem o braço? Nananinanaum.  E por último, o prazo de entrega. Ao menos 90 dias. Só de pensar no meu braço empurrando meu chinelinho mega velho por mais 3 meses me doía tudo. Tive que deixar a Ortomix de lado e partir a  única opção que restava que era a Ortobras.

O único modelo da Ortobras que é monobloco além da M3 é a Star Lite. Como não tinha nenhum modelo na loja, fiquei meio ressabiada em pedir só pelo que vi folheto. Mas me asseguraram que ela era igualzinha ao antigo modelo da Tokleve, a Tokleve M. Que era a minha chinelinho. Sendo tudo igualzinho não questionei nada e dei as medidas: largura do assento, cambagem, altura do encosto e do pedal e pedal afunilado. Fora isso, nada mais se ajusta. O preço nem era tão maior que o da Ortomix: R$ 1.800. Nas zilhões de parcelas que fiz, a diferença ficava bem diluída e não pesaria muito no bolso. Ah sim, e o prazo de entrega era mais interessante: 45 dias.

Uns dois meses depois, um pouco atrasado pois teve carnaval no meio, chegou a cadeira. Olhei pra ela e pensei: gostei! A cor me agradou e me parecia bem legal e confortável. Mas… o que eu achei da cadeira na prática? Conto em outro post!

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Bar Astor – Ipanema

Bianca Marotta - segunda-feira, 14 de junho de 2010 - 13:30

Fachada do bar Astor com varanda na frente

Quando o “Praia Para Todos” passou por Ipanema, no posto 8, me deparei com um novo restaurante que foi inaugurado no lugar do Barril 1800, o Astor. Meu primeiro impulso foi o de pedir pra conhecer as instalações, com intuito de descobrir se o restaurante era acessível ou não. E não é que ele é?

Entrada do Bar Astor

Entrada do Bar Astor - mesmo nível da calçada

O bar fica de frente pra praia de Ipanema, na altura do posto 8, mas sua entrada é feita pela rua de trás e fica no mesmo nível da calçada. O bar Astor também oferece serviço de Valet Park, que custa R$ 8,00.

Porta de acesso à varanda com degrau

Degrau na porta de acesso à varanda

O salão interno do restaurante é bem amplo, com bastante espaço para circulação e todo no mesmo nível. O bar também possui uma varanda de frente pra praia, que pega um pedaço da calçada, mas para chegar até lá, você vai se deparar com um degrau. Sinceramente não entendi porque não fizeram uma simples rampinha ali.

Banheiro exclusivo para pessoas com deficiênciaO bar possui ainda um banheiro exclusivo para cadeirantes, com porta larga, bastante espaço, barras de apoio e espelho inclinado pra baixo. Sem falar na grande vantagem: uma pia enorme. Nada daquelas pias microscópicas que costumamos ver em banheiros adaptados. Só não encontrei o interruptor de luz. Esquisito, né?

Não cheguei a comer nem beber no bar. Só entrei mesmo pra ver se era acessível, então não posso avaliar o serviço, nem a qualidade dos pratos. Mas uma coisa é certa, a localização é ótima!

. . .

Bar Astor
Av. Vieira Souto, 110 – Ipanema – (21) 2523-0085
Valet: R$ 8,00
Lotação: 200 lugares
Terça a quinta, de 18h à 1h; Sexta e sábado, de 12h às 3h e Domingo, de 12h às 20h

Veja sua localização no mapa

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