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Opinião do Leitor – Cadeira de Rodas Ortobras Star Lite

Fabio de Carvalho - sexta-feira, 6 de agosto de 2010 - 17:05

Com poucas opções de cadeiras e opcionais no mercado nacional, a gente acaba tendo que ser criativo pra poder adequar a cadeira às nossas necessidades. Depois do post que escrevi sobre a Star Lite, nosso leitor Fabio Henrique nos escreveu contando que fez algumas adaptações em sua cadeira do mesmo modelo.  Segue o e-mail dele na íntegra contando as modificações que fez.

“Oi,Cris.

Vou tentar explicar…

Quando ganhei a star lite e sentei pela primeira vez achei um horror de pesada etc… pus a cabeça pra funcionar e hoje, após modificações, não troco a minha por nenhuma outra monobloco nacional.  Ao fazer todas as modificações, enviei um e-mail com fotos para o fabricante, que nunca respondeu dando atenção.

1. Como você mesma diz no post, o tubo da cadeira que encaixa as rodas é realmente comprido.
SOLUÇÃO: colocar as buchas para uso específico com as rodas de magnésio e a cadeira  fica um pouco mais estreita.

2. Quanto a altura frontal e pedal, fizestes o correto pondo roda 5″ e invertendo o pedal para frente dando melhor apoio aos pés.

3. Quanto aos freios, é questão de um bom ajuste, pois os meus nunca desregularam.

4. Para diminuir o peso da cadeira e deixá-la mais curta no seu comprimento, inverti o tubo de encaixe das rodas para frente . Creio que reduziu o peso em cerca de 40%. Fazendo isso, o peso ficou igualmente distribuído entre a parte frontal e traseira da cadeira. Mas vale salientar que na minha cadeira o tubo que encaixa a roda tem cambagem de 3 graus. Isso afasta um pouco a roda traseira e evita que a da frente encoste nela na hora do giro; fato este que inviabilizaria essa modificação. Mas você pode perguntar: a cadeira dessa forma não vira fácil para trás? Com roda 6″ é possível que sim se não estiver bem acostumado. Mas a roda 5″ resolveu esse problema para mim, bem como o da altura frontal já citado no item 2 acima.

5. Voltando aos freios tive que por outra placa de fixação nos mesmos. Além de ficarem mais baixos facilitando para não se machucar na hora da transferência, ficaram mais afastados por duas porcas entre uma placa e outra para que os mesmos pudessem alcançar os pneus e travar bem.

6. Já no corrimão, para não deslizar as mãos pus enrolada e bem justa uma mangueira transparente tipo de aquário. Em casas do ramo tem um tipo até melhor, menos espesso e mais flexível que a de aquário (até já fiz um comentário com foto no Blog anteriormente). Pra você ter idéia do quanto fica ótimo, na minha casa tem uma pequena rampa que para um tetra é dureza e eu não conseguia subí-la. Mas depois que coloquei essa tal mangueira no corrimão da cadeira, acabou meu obstáculo. Sem contar que não suja as mãos e não risca as paredes.”

Legal, né? Se você também tem alguma idéia legal, manda pra gente!

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Órteses e adaptações para o dia-a-dia

Christian Matsuy - quarta-feira, 5 de maio de 2010 - 15:08

Um dia desses estava eu conversando com o Eduardo e do nada ele me pergunta:

- “Christian, a Bianca está perguntando como você mexe o mouse. Você usa aqueles do tipo trackball*!?”
- Eu respondo: – “Não, eu utilizo um modelo bem básico de mouse sem aqueles formatos anatómicos e me viro muito bem!”

*Trackball é esse dispositivo que a esfera fica virada pra cima e tem um tamanho maior, veja a foto abaixo:

imagem de um mouse trackball

Trackball: esfera virada para cima e botões grandes facilitam uso

Deixem-me explicar melhor, pois você também pode estar se perguntando o que tem de errado em movimentar um mouse. Eu sou um tetra “alto” (lesão C4/C5), o que me tirou os movimentos das mãos e punhos. Devido a isso, são necessárias algumas adaptações (nada de absurdo no meu caso) para se utilizar um mouse e teclado e obter um bom rendimento.

É claro que eu não tenho a destreza de uma pessoa com movimentos totais de punho e mãos, mas acho meu desempenho bastante acima do normal e me permito até jogar online de vez em quando. Nos primórdios da informática, os mouses não eram nada ergonômicos. Eram peças bem retangulares e sem nenhuma curvatura, mas com o tempo eles foram se moldando cada vez mais às palmas das mãos, e aí eu comecei a sofrer. Percebendo isso, consegui comprar 4 unidades do modelo com que mais me adaptei e usei por cerca de 10 anos.

Mouse antigo: formato retangular

Mas a tecnologia vai mudando e os mouses foram ficando velhos. Dos quatro, consegui reformar e fazer dois, até que não deu mais para continuar. Chegara a hora de eu me adaptar com um modelo de mouse que estivesse em linha. Após inúmeras visitas em lojas de informática e sites na internet, encontrei um modelo que me propicia um bom desempenho. Uma outra coisa importante é deixar os objetos em posições estratégicas, assim estarão sempre ao seu alcance com deslocamento mínimo das mãos e braços.

O mouse é deslocado apenas com o peso da mão

Atualmente existem equipamentos de tecnologia assistiva que solucionam muitos casos (a mocinha da novela usa vários deles), mas na época em que sofri a lesão, não havia nem sombra desses equipamentos. Então o que pode ser feito foi adaptar o que existia. Mais uma vez, as terapeutas ocupacionais (T.Os) colocaram a mão na massa.

Em se falando de teclados,  também foi a mesma coisa. Apesar deles apresentarem uma vida útil bem maior, fui fazendo testes com vários modelos. Essa parte deu menos trabalho, e a dica é tentar encontrar no mercado um teclado que tenha pressão de toque compatível com a sua força, além de bom espaçamento e tamanho das teclas. Teclas de atalho, que minimizam o uso do mouse, também são uma boa característica.

Para a digitação e também para apertar botões de todos os tipos, utilizo uma órtese com  ponteira. Realmente, hoje eu não sei o que seria de mim sem ela, pois me permite fazer muitas coisas. Depois de diversos testes, cheguei à conclusão de que a melhor ponteira para meu caso é um lápis novo (sem apontar) e uma dessas borrachinhas que se usam na extremidade do lápis. Testei esses lápis que já vem com a borracha embutida, mas elas duram pouco e esfarelam um bocado. Notem que minha ponteira pode ser adquirida em qualquer papelaria, ou seja, se por acidente esse lápis quebrar,  sumir (sim, já aconteceu), ou a borracha gastar, é fácil comprar outra. As T.Os costumar fazer essas ponteiras, na maioria das vezes, com um material moldável termoplástico ou alumínio que você não vai achar na papelaria da esquina.

Órtese e ponteira utillizada para digitação

Já a órtese, foi fabricada na oficina da AACD e me custou 40 reais. Se eu precisar trocar as tiras de couro ou o velcro, eles cobram em média 20 reais. Existem outros modelos tipo luva, mas essa barra estabilizadora foi a com que mais me adaptei e tenho um desempenho superior a 80 toques por minuto.

A ponteira também serve para usar o celular

Outra utilização da ponteira: controles remotos

Essa mesma órtese pode ser utilizada para alimentação, trocando a ponteira por um garfo ou colher com cabo redondo. Em último caso, entorte o cabo.

Ponteira sendo usada para digitar no teclado

Ponteira sendo usada com um telefone de teclas

Gravei esse pequeno vídeo para demonstrar melhor como a órtese funciona:

É complicado também encontrarmos soluções prontas que atendam a todos, haja visto que cada deficiência requer um tipo de adaptação de acordo com o grau de força e mobilidade de cada pessoa. O que pode ser ótimo pra mim, pode ser péssimo pra você. É nisso que as T.Os são especialistas e elas tentam deixar a adaptação o mais adequada e personalizada possível para cada pessoa.

Por último, uma dica para quem utiliza qualquer sistema Windows®: se você pressionar cinco vezes a tecla SHIFT, é habilitado um recurso de acessibilidade importantíssimo para pessoas que só conseguem digitar uma tecla por vez. Esse recurso trava as teclas Shift, Alt e Ctrl até o próximo toque. Um exemplo: Para digitar o sinal de @ teoricamente precisaríamos manter o SHIFT pressionado e teclar o 2. Com o recurso habilitado, você tecla SHIFT, solta, pressiona o 2 e pronto! Uma de cada vez! Se precisar desabilitar o recurso, basta pressionar Ctrl e Alt juntos. Como elas são coladinhas uma sobre a outra, basta dar uma “dedada” mais nervosa que vai! Aparecerá perto do relógio do Windows um símbolo indicando o status da tecla pressionada e um bip sonoro é emitido a cada utilização.

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