Eduardo Camara - sábado, 5 de maio de 2012 - 11:04

Fachada do hotel Palermo Suites
Na última viagem que fiz à Buenos Aires, meus requisitos para o hotel eram um Wi-Fi, café da manhã, boa localização, diária que custasse até 100 dólares e, claro, tivesse acesso para cadeira de rodas. Fui aos tradicionais sites Trip Advisor, Hoteis.com e Booking.com atrás de resenhas e recomendações. Depois disso, confirmei por e-mail com o pessoal do próprio hotel se ele era realmente acessível, só para não ter surpresas. Aliás, a melhor pesquisa em termos de hotel acessível é no Booking, mas nem sempre ele tem o melhor preço de diária.
E o hotel correspondeu bem às expectativas?
O ambiente é bem legal, com decoração moderna e de bom gosto, com destaque para as áreas comuns e o pátio que fica na parte detrás do hotel. Já o quarto, é espaçoso e possui uma pequena cozinha integrada para quem quiser preparar sua própria comida, o que eu acho um desperdício em BsAs, já que lá a comida é muito boa e barata. A Internet sem fio no quarto em que fiquei tinha o sinal muito fraco, e era necessário ficar andando com o notebook pela quarto para conseguir pegar o sinal. O café da manhã era ótimo, e a localização boa. Esta última ficaria bem melhor se ficasse algumas quadras em direção à Palermo Viejo. O atendimento do staff, esse sim, foi impecável!

Detalhes do quarto
Quanto à acessibilidade, deixou um pouco a desejar. De bom, a entrada do hotel não tem degraus, há um balcão de atendimento rebaixado, o elevador é grande, o quarto e o banheiro têm espaço de sobra, as portas são bem largas (90cm) e há barras de apoio no banheiro. Em compensação, há alguns problemas: a cama é alta (60+ cm), a pia do banheiro e da cozinha não são vazadas (grande bola fora!) e impedem a aproximação da cadeira de rodas, o vaso sanitário é mais baixo do que o ideal e a área de banho é uma banheira (emprestaram uma cadeira de plástico para colocar dentro dela). Alguém com bastante autonomia consegue se virar, mas quem tem menos mobilidade vai suar um pouco.

Detalhes do banheiro
No final das contas a estadia foi bem agradável, mas em uma próxima vez procuraria outro hotel que fosse mais próximo do núcleo gastronômico de Palermo e um pouco mais acessível.

Cozinha do quarto
Hotel Palermo Suites
Site: www.palermosuites.net
E-mail: reservas@palermosuites.net
Endereço: Fray Justo Santamaria de Oro, 2529
Palermo – Buenos Aires (ver no Google Mapas)
Laura Martins - terça-feira, 22 de junho de 2010 - 15:06
Mais uma leitora do Mão na Roda visitou Buenos Aires e nos mandou suas impressões. Valeu, Laura!
Sou cadeirante e cheguei de Buenos Aires há pouco tempo; incentivada pela Joana Roquette, também quero compartilhar minhas experiências com vocês. Quem sabe não conseguimos incentivar mais cadeirantes a viajar?
Coisa que adoro fazer e já me aventurei por inúmeras cidades brasileiras, assim como pela Europa, Suíça e França.
Para Bs As, viajei com minha mãe e meu irmão. Essa cidade ainda não está bem preparada para receber pessoas com deficiência: há poucos banheiros acessíveis, muitos espetáculos de tango ou apresentações musicais acontecem no subsolo ou no andar de cima dos estabelecimentos, há poucas calçadas rebaixadas, e por aí vai. Desse modo, é difícil um cadeirante circular sozinho pela maioria dos espaços, e, mesmo com ajuda, fica difícil entrar em muitos lugares.

Laura ao lado da rampa na entrada do Museu Malba
Sozinho, dependendo da condição do cadeirante, dá pra circular, por exemplo, na Calle Florida (que é um calçadão, onde os carros estão proibidos de circular), no shopping Galerias Pacífico (a entrada pela Florida é acessível e há banheiros também acessíveis), no Malba (Museu Latino-Americano de Arte Moderna), onde estão obras como o Abaporu, da brasileira Tarsila do Amaral, e um auto-retrato da mexicana Frida Kahlo (que, por sinal, também tinha uma deficiência física). Tudo é acessível nesse museu, inclusive o charmoso bistrô.
Em todos os quarteirões do Centro por onde passei, há calçadas rebaixadas. Porém, praticamente todos os rebaixamentos estão quebrados ou têm um “degrau” de cerca de dois, três centímetros em sua parte mais baixa.
Na Recoleta e em Palermo, há pouquíssimos rebaixamentos, lamentavelmente. Por outro lado, a cidade é bastante plana, o que facilita bastante os deslocamentos.

Livraria Ateneo
O cadeirante não deve deixar de conhecer a livraria El Ateneo Grand Splendid, na Avenida Santa Fé. É esplendorosa! Já foi um teatro e hoje é uma das maiores livrarias da América Latina, assim como uma das mais lindas do mundo. Os balcões do antigo teatro hoje comportam prateleiras com livros, CDs e DVDs. Tem elevador e banheiro acessível. Uma rampinha íngreme dá acesso ao palco, onde se localiza o café. Imperdível.

Trilha pavimentada de pedras no Rosedal
Dá também para passear no Jardim Japonês, assim como, com alguma dificuldade, no Rosedal, que é magnífico, mas a circulação não é pavimentada, e sim recoberta com pequenas pedras, o que dificulta bastante o transitar com a cadeira. E não há rebaixamento das calçadas para entrar no parque onde ele se localiza.
Por perto fica a magnífica escultura floral chamada Floralis Genérica, que abre as pétalas quando o céu está claro. Dá pra chegar bem pertinho.
Passear pela Recoleta e por Palermo possibilita conhecer a lindíssima arquitetura, muitas vezes inspirada na francesa, e encontrar cafés e lojinhas muito charmosos. Mas será necessário um braço forte para ajudar, pois, novamente, quase não há rebaixamento nas calçadas.

Laura e sua mãe na entrada do café Tortoni
Josephina e La Biela, na Recoleta, são cafés onde há entradas planas. Ambos são muito agradáveis, e o primeiro tem banheiro acessível. Não deixe de ir ao tradicionalíssimo e elegantérrimo Café Tortoni, no Centro. De manhã não é tão cheio e só tem um pequeno degrau na entrada.
Adorei Puerto Madero, mas para ter acesso encontrei apenas uma rampa na extremidade Norte. Cafés e restaurantes, só com a ajuda de braços fortes. Não encontrei lugares acessíveis, mas também não “andei” por toda a região. Dá pra circular tranquilamente pela calçada e ir até a Ponte da Mulher, que é linda.

Alvear Palace Hotel - plataforma elevatória à direita
No Alvear Palace Hotel há uma plataforma elevatória na entrada, o que permitirá que o cadeirante entre para conhecer a imponente arquitetura, os lustres de cristal e as passarelas persas, ou para tomar o café da manhã, o chá da tarde ou o brunch dominical. Programa de rei ou de rainha, e acessível.
Fiquei hospedada no Hotel Meliá Buenos Aires, na Rua Reconquista. Oferece quarto acessível correto e portaria também acessível. Ele fica em um calçadão, onde só podem entrar automóveis para deixar as pessoas no hotel ou utilizar estacionamentos. Em frente ao hotel, há diversos pubs bacanas.
Para pegar táxi, vale o que já disse a Joana Roquette, em post anterior.
Como regra geral, nossos hermanos são bastante simpáticos e fazem de tudo para compreender o que dizemos, ainda que não saibamos uma palavra de espanhol. Não foram poucas as vezes em que pessoas espontaneamente ofereceram ajuda para que eu saísse de algum café ou restaurante com degrau na entrada. Mas, é claro, não custa aprender algumas expressões básicas do idioma, para facilitar a comunicação, não é mesmo?
Uma dica legal: o site do Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires disponibiliza um guia de turismo acessível, além de um mapa com informações sobre acessibilidade, entre outras coisas. Basta acessar: http://www.buenosaires.gov.ar/areas/vicejefatura/copine/.
Voei pela TAM e fiquei satisfeita. O atendimento à bordo foi muito atencioso, e as comissárias fizeram de tudo para tornar minha viagem mais confortável. É possível utilizar o toilette, pois existe uma cadeirinha de rodas que passa no estreito corredor, mas é necessário que a pessoa deficiente tenha algum equilíbrio de tronco e movimentos de braço para fazer a transferência da cadeira para o vaso sanitário.
Não deixe de avisar por telefone a respeito da necessidade de usar sua cadeira de rodas até a entrada da aeronave e de ser acompanhado até lá. E, como as poltronas destinadas às pessoas com deficiência não podem ser marcadas nem pela internet, nem por telefone, chegue mais cedo ao check-in para solicitá-las.
No mais, boa viagem! A minha foi ótima.
Joana Roquette - domingo, 5 de julho de 2009 - 17:38

Como falei no post anterior, me hospedei no centro, no bairro que eles denominam "microcentro". O hotel que escolhi é da rede Amerian , e fica localizado na esquina das ruas Viamonte com Reconquista. A localização é ótima, fica a três quadras de Puerto Madero, um antigo porto da cidade que foi reformado para abrigar mais de uma centena de restaurantes, e a 2 quadras da rua Florida, uma das mais famosas de Bs As sob o ponto de vista comercial, já que lá você encontra desde quiosques a lojas de produtos de couro e casas de câmbio.
Além da localização, o que me fez escolher esse hotel foi o fato de ele possuir um quarto totalmente adaptado para cadeirantes. No quarto em si há bastante espaço para manobrar a cadeira, ainda que no mesmo sejam colocadas duas camas, e o que mais me chamou a atenção foi o banheiro, bastante amplo, sem degrau (nem qualquer ressalto) entre o piso e o espaço para banho (não posso chamar de box porque não há uma divisória ou cortina), com espaço abaixo da pia pra encaixar a cadeira sem dificuldade, pia baixa, vaso sanitário com altura adequada para a passagem e barras de apoio tanto ao lado do vaso, quanto ao lado do banco acoplado na parede para uso durante o banho. A princípio, ao olhar o banheiro e não ver qualquer divisão entre a "área de banho" e o resto do espaço, achei a coisa meio esquisita, digamos. Mas com o passar dos dias, como o espaço era enorme dentro do banheiro, achei essa solução muito adequada e comecei a sonhar em ter um desses na minha casa! Não há preocupação quanto ao risco de a água escoar do chuveiro e inundar todo o piso do banheiro, porque há uma inclinação quase imperceptível para viabilizar o escoamento. Outro detalhe: as barras de apoio mencionadas, embora fiquem fixas na parede, podem ser levantadas para o alto pelo cadeirante, para permitir a passagem, por exemplo. O tal banquinho é feito de PVC e algum outro material plástico e fica embutido na parede. Na hora do banho, basta puxá-lo, fazer a passagem e abaixar as barras de apoio, que dão maior estabilidade. O dispositivo que liga/desliga o chuveiro e altera a temperatura da água fica na altura de quem está sentado no banco.
As demais instalações do hotel também são plenamente acessíveis. Infelizmente, não tirei fotos do quarto ou do banheiro. Deixei pra fazê-lo no último dia, mas como tudo que fica pro último dia acaba em prejuízo, me esqueci das fotos.
Caso tenham interesse, acredito que o hotel disponibilize, via e-mail, fotos da acomodação adaptada, que não constam no site deles.
fonte da imagem: Trip Advisor
Joana Roquette - sexta-feira, 3 de julho de 2009 - 12:56
Nossa leitora Joana Roquette esteve em Buenos Aires e nos conta como foi a viagem!
Em maio deste ano decidi conhecer mais de perto nossos "hermanos" argentinos e rumei pra Buenos Aires (Bs As) sem saber muito bem o que me esperava por lá, já que se por um lado eu não tinha muitas informações sobre a acessibilidade da cidade, por outro imaginava encontrar uma estrutura urbanística ao menos melhor que a da cidade do Rio de Janeiro, em razão da fama que Bs As ganhou por ser considerada a capital mais civilizada da América do Sul.
Circulando pela cidade

Ao andar pelo centro, onde fiquei hospedada, percebi que o meio fio de algumas calçadas não são rebaixados e sentiria alguma dificuldade de fazer os percursos sem o auxílio de outra pessoa. Como a minha mãe estava comigo, ela pode dar aquela forcinha extra pra me ajudar. Já em toda a extensão de Puerto Madero e da rua Florida – dois famosos pontos turísticos de Bs As -, não vi obstáculos e o passeio por esses lugares foi bem tranquilo. Seguindo pela Florida, que é uma rua bastante extensa, há como chegar na Plaza de Mayo, onde fica a Casa Rosada, outro ponto a ser visitado, sem a necessidade de pegar táxi ou ônibus. Mas o caminho é longo, são muitas quadras. Só me dei conta disso quando minha mãe começou a reclamar do cansaço, porque como uso cadeira motorizada às vezes acabo perdendo a noção de quanto andei.

Passeei ainda por San Telmo, onde há uma feira de antiguidades bem interessante aos domingos, e por Caminito. Nesses dois lugares as calçadas são bastante estreitas e, como as ruas são fechadas para carros, os pedestres caminham por elas. Acontece que todas têm piso de paralelepípedo, que são menos irregulares em San Telmo, mas bem piores no Caminito. Acho viável andar por essas ruas, mas não é nada confortável, já que os espaços entre os paralelepípedos fazem com que a cadeira pare a todo o instante… Tirei fotos de ambos os lugares, onde é possível ver melhor ao que estou me referindo.
Terminando a viagem, fui visitar o Jardim Zoológico (o segundo maior do mundo) e o Jardim Japonês (lindo!), ambos localizados no bairro Palermo, na minha opinião um dos bairros mais sofisticados da cidade e onde me senti mais confortável para transitar entre as ruas, que possuem calçadas bastante largas e de piso lisinho, lisinho. A entrada nos jardins, tanto para o cadeirante quanto para um acompanhante é gratuita, e é possível conhecer muito bem os dois sem grandes problemas, principalmente o zoológico, que é praticamente todo plano.
Por fim, procurei por banheiros adaptados nos lugares, mas me deparei com pouquíssimos deles. O mais fácil é encontrá-los em shoppings, como por exemplo as “Galerias Pacífico”, no microcentro.
Transportes
Usei os táxis em algumas ocasiões, para me deslocar para pontos mais distantes do centro. Não soube de nenhuma empresa ou cooperativa com táxis adaptados para cadeirantes (como os que existem em SP e RJ). Acontece que em Bs As há inúmeros táxis do tipo “mini van”, como Kangoo, Berlingo e etc. Quando queria sair de táxi, eu ligava pra recepção do hotel e pedia pra que eles entrassem em contato com a empresa com qual eles têm parceria (qualquer hotel tem esse tipo de serviço) pra pedir um carro grande, com mala vazia (sem gás). Eu usava a expressão que me ensinaram por lá: “camioneta com baú vazio” e sempre vinha um táxi grande em menos de 10 minutos. Como minha cadeira é motorizada e difícil de ser desmontada para entrar em carros menores, achei essa solução ótima, porque assim a cadeira podia entrar inteira nos carros.
A respeito dos ônibus, observei que a grande maioria da frota é adaptada e possui o símbolo internacional de acessibilidade. Acontece que minha experiência pessoal ao tentar pegar um desses ônibus por lá foi péssima. Explicando: enquanto aqui no Brasil (pelo menos no Rio) os ônibus adaptados vêm com plataformas hidráulicas que baixam até a altura da calçada para possibilitar a entrada do cadeirante e depois sobem até a altura do piso do ônibus; em Bs As a coisa é um pouco diferente. Lá os motoristas de ônibus procuram parar bem perto do meio fio e o próprio ônibus rebaixa um pouco, para ficar mais próximo da calçada. Depois disso, abre-se a porta do meio, de onde sai uma rampa bem íngreme e com um pequeno ressalto ao final, já perto do piso do ônibus. Quando eu estava subindo a rampa e me deparei com o ressalto, tratei de avisar a minha mãe pra ficar na retaguarda, pra que a cadeira não tombasse pra trás. Só que ela estava há alguns metros de distância, tirando foto da minha peripécia, e não me ouviu. Conclusão: eu, presumindo que ela tinha ouvido, acelerei com toda a força a minha cadeira, que deu uma cambalhota pra trás e me deixou caída com a cabeça na calçada. De pior foi só o susto mesmo, porque nada demais aconteceu comigo. A observação que acho pertinente fazer é que o motorista do ônibus que eu ia pegar (acabei desistindo de embarcar, depois do ocorrido) não saiu do assento antes de me ver caída no chão. Só saiu do ônibus mesmo pra me ajudar a levantar. Não sei se isso é comum por lá, mas se o motorista tivesse se prontificado a me auxiliar para subir a rampa a estória seria outra. Ah, não há trocadores de ônibus por lá, só motoristas mesmo, porque o sistema de cobrança lá é “automático”, é só colocar moedas no lugar próprio e pronto. A respeito das estações de metrô, não tenho ideia se são ou não adaptadas, mas passei por duas delas e só vi escadas comuns na entrada, portanto acredito que nem todas sejam acessíveis.
Moral da estória: Sem dúvida a cidade de Bs As é uma evolução em termos de acessibilidade se a compararmos com o Rio de Janeiro, só que ainda deixa a desejar sob vários aspectos, como a quase ausência de banheiros adaptados, a despreocupação quanto ao piso em San Telmo e Caminito e quanto ao rebaixamento das calçadas. De toda forma, é um belo lugar pra se conhecer e acho que vale a pena se aventurar um pouco, ainda que para isso tenhamos que transpor esses obstáculos, tão comuns para nós cidadãos cadeirantes brasileiros.
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