Christian Matsuy - terça-feira, 20 de julho de 2010 - 17:17
Aproveitando o embalo do post sobre medidas da cadeira, vamos dar continuidade ao assunto, dessa vez de maneira mais dosada, discutindo um ítem por post. Assim não fica cansativo e chato de ler, certo?
Logicamente, o assento da cadeira não se inclui nessas duas categorias, mas o tipo deles sim.
exemplo de cadeira com assento rígido
Basicamente nas cadeiras nacionais temos opção de assentos em lona ou vinil (dependendo do fabricante) ou rígidos em alumínio, geralmente uma chapa rebitada ou parafusada ao quadro da cadeira. Essa segunda opção sempre terá um custo extra.
Das vantagens e desvantagens
A maioria dos fabricantes usa a lona convencional para os assentos e encostos padrão, sem nenhum tipo de recurso para ajuste de tensão, fazendo que com o peso de nosso corpo laceie a lona, deixando-a deformada, trazendo vários problemas, como por exemplo, você sentar de forma “afundada” na cadeira (famoso assento selado). A única saída é a troca.
Já tive 2 cadeiras em que o encosto e o assento eram de vinil (diferente da lona), e haviam 3 cintas embaixo dele para ajustar a tensão (apenas do assento). Eles duravam em média 2 anos e depois disso laceavam a tal ponto que mesmo com as cintas de ajuste, era impossível deixar totalmente esticado. Isso me gerava um incômodo absurdo, a ponto de não conseguir ficar sentado. Mesmo assim eles são mais duráveis que os de lona, que estão praticamente descontinuados pelos fabricantes.
Eu nunca tive cadeiras com assento de lona comum, pois já cansei de vê-los laceados em cadeiras de monstruário, o que me desencorajou totalmente.
Em 2004 eu comprei minha primeira cadeira com assento rígido, e em conjunto com uma boa almofada, resolveu esse problema, até hoje não me preocupo com o assento, pois ele sendo rígido sempre estará certo. A desvantagem é que aumenta o peso da cadeira em 1 kilo e tem um custo extra, que acredito se pagar com o tempo, pois você nunca precisará trocá-lo.
Nas cadeiras dobráveis em X, não há como ter assento rígido. Senão a cadeira simplesmente não dobra ;) !
assento rígido avulso
Nesse caso o que pode ser feito é a utilização dos suportes de almofadas que pode ser improvisado em madeira ou fibra de carbono (opção importada). Eles são feitos para serem inseridos dentro da capa da almofada e ficam apoiados nas laterais da cadeira. A Roho oferece um suporte para suas almofadas também. o peso deles também gira em torno de 1 kilo, vai depender do tamanho de seu assento.
Cris Costa - quinta-feira, 8 de julho de 2010 - 10:01
No post sobre a cadeira chinelinho, mencionei que não gostei da cadeira monobloco da Ortomix pois ela não tem a opção de afunilar na frente. Para ficar mais fácil de entender, resolvi colocar uma foto comparando os dois tipos de frente pra que fique fácil de vizualizar. Ai, quando forem comprar uma cadeira, pode facilitar na escolha. Uma das fotos foi o Christian que me mandou, de onde aliás tirei a idéia de escrever sobre isso. Valeu Christian!
Como podem ver, o pedal fica bem largo se seguir a largura da cadeira. Já imaginaram fazer uma curvinha num lugar mais apertado com uma cadeira assim?
Cris Costa - quarta-feira, 30 de junho de 2010 - 11:39
Como disse no post anterior, acabei comprando uma Star Lite. Quando fui buscar a cadeira na loja, dei uma olhada, me pareceu ok, botei no carro e fui pra minha casa. Grande erro. É a mesma coisa que comprar roupa sem experimentar. Mas na pressa, achei que não precisava experimentar já que estava tudo na medida certa. Chegando em casa, fui passar pra cadeira nova e estranhei tudo. Pensei: isso é normal, com cadeira nova isso acontece, demora até a gente se acostumar. Mas não era bem assim. De cara senti que a cadeira estava bem mais larga do que estava acostumada. Mais um pouco e não passava nas portas de casa. E também estava alta, quase não entrava embaixo da mesa. Fora o ângulo do pedal que parecia ser de 90, o que eu não estava acostumada. Quase chorei. Mas também, santa ingenuidade né Batman?! Fiz o pedido com poucas medidas e nem sequer perguntei quais eram as medidas padrões do resto. E também não testei na loja pra ver ser estava tudo ok. Os meninos batem tanto isso aqui no Blog, e cometi esse erro. Depois de feito, não tinha muito o que reclamar. Pelo menos o que tinha medida específica veio certo. Mas precisava acertar a cadeira. Do jeito que estava, não dava pra ficar. Levei de volta na loja pra acertar.
Quanto a largura, além do corrimão estar no ponto mais largo, o tubo da cadeira era muito comprido. Com isso a cadeira deve ter ficado uns 7cm mais larga.
O que é muita coisa. E a altura, ela veio com a roda dianteira de 6”, que é o padrão. E como não existe a opção de mexer na altura da cadeira, só me restava trocar a roda de 6” por uma de 5”. E quanto ao pedal, virei ele ao contrário. Assim a parte maior ficaria para frente me dando mais conforto. Tudo acertado, fui buscar minha cadeira uns 15 dias depois.
Agora sim poderia avaliar a cadeira melhor, já que estava nas medidas corretas. Duas coisas que notei diferença para outras que tive foi o freio e o esquema de dobrar o encosto. O freio achei bem legal, pois ele dobra, e assim facilita muito a transferência para o carro e cama. Mas para quem tem pouca força nas mãos pode não ser uma boa opção, já que é um pouco difícil puxar o pino para “desdobrar”. E é bom não esquecer de dobrar, ou o freio fica alto, dificultando a transferência, a roupa pode agarrar ou você corre o risco de ser violentado pelo freio. Ninguém merece!
Só uma pequena observação: a cadeira tem dois meses e os freios já precisam de ajustes. Algo que vejo acontecer muito nas cadeiras nacionais. Não entendo porque os freios não ficam firmes por muito tempo, mas enfim.
Já o esquema pra dobrar o encosto me pareceu interessante e foge um pouco das malditas cordinhas: tem duas travas atrás, uma de cada lado. É só girar pra destravar e dobrar, e depois girar de novo para travar.
Até ai, tudo bem. Tava gostando da cadeira. Só tinha achado o encosto muito frouxo e ele afunda muito. Isso pode ser resolvido com um encosto rígido, mas que custa em média R$ 250,00. E como no momento, não posso me dar esse luxo, fico com o encosto que afunda.
Testando a cadeira em casa, tudo bem. Chão retinho, deslizava que era uma beleza! Parecia leve e ágil, boazinha mesmo. Mas tinha que fazer o teste final: andar na rua. Assim que precisei ir na rua, resolvi que iria com essa pra ver como ela se sairia nas pedrinhas portuguesas. Sai de casa, e lá fui eu. Sofri!!! Depois de umas três braçadas senti a cadeira pesada e difícil de empurrar. Trepidava muito! Não achei que fosse ser tão difícil. Já me acostumei com a Tilite e por isso senti uma diferença absurda.
Depois de muito esforço consegui chegar onde queria, mas quase sem ar, rs. Fiz o que tinha que fazer, respirei fundo e voltei pra casa. Cheguei em casa e parecia que tinha corrido uma maratona, mas na verdade foram só dois quarteirões. Ou quatro se contar ida e volta. Não achei a cadeira ruim, mas pra realidade das pedrinhas portuguesas e levando-se em conta minha tetrice parcial, penei um pouco. Se tivesse que sair na rua todo dia com ela, em pouco tempo ia ganhar alguma “ite” (tendinite, bursite…).
Mas enquanto os fabricantes não melhoram a qualidade das cadeiras, a gente pode melhorar algumas coisas. Pouquíssimas, na verdade. Quanto à trepidação, uma roda inflável com certeza ajudaria muito. Já o fato do corrimão escorregar tem muito a ver com minha fraqueza nas mãos. Coisa de tetra. Quem é paraplégico, com certeza não ia sentir nenhuma dificuldade. Mas bem que os fabricantes nacionais podiam vender um corrimão coberto com vinil pra facilitar a nossa vida, né?
Os problemas que ela apresentou são comuns nas cadeiras nacionais. O fato dela trepidar, ter um corrimão escorregadio e ser “dura” de empurrar aconteceu com todas as outras que tive. Sinceramente, acho que devemos começar a exigir maior qualidade e mais opcionais dos fabricantes. Por enquanto, ainda acho a cadeira boazinha, mas uma cadeira mostra mesmo a sua qualidade é com o decorrer do tempo. Vamos ver como ela vai estar daqui há um ano!
Christian Matsuy - quinta-feira, 24 de junho de 2010 - 15:49
Esses dias têm feito frio (moro em São Paulo). E nada melhor do que se esquentar ao sol no horário do almoço no serviço. Tem até uma área própria para isso lá. Daí que me veio a idéia de escrever sobre esse assunto que certamente já deve ter sido vivenciado por alguns, que é a “liberdade” que alguns amigos, colegas e às vezes até desconhecidos tomam, de chegar já se apoiando em nossas cadeiras, pendurando coisas… como se elas fizessem parte do “cenário”.
São muitos os pontos da cadeira que as pessoas “acham” que podem utilizar:
Os puxadores servem tanto para se pendurar bolsas e sacolas, bem como servir de apoio para quem estiver ao seu lado.
Outro lugar bastante disputado é o suporte dos garfos dianteiros. Parecem que foram feitos para alguém esticar a perna e apoiar o pé. Não contentes em apoiar o pé, ainda nos balançam como se estivesse ninando um bebê (argh!). E o solado aspero riscando a pintura? Assim não pode, assim não dá. Cadeira de rodas custa caro!
Ainda seguindo nessa linha, às vezes insistem em apoiar os pés nos corrimãos (corrimão é o aro que utilizamos para segurar e tocar a cadeira), lugar que estamos com as mãos frequentemente, vem o cidadão e mete o pé sem se importar se está sujo ou não.
A única exceção que eu abro é para a sobrinhada, que adora brincar com a roda da cadeira, se estiverem na fase de engatinhar então nem se fala, parece até que os corrimãos foram feitos para eles se segurarem e ficarem de pé.
Mais um lugar: a barra rígida do encosto, ali é ótimo para colocarem blusas, ou toalhas (moda praia), e note que sempre é a blusa ou toalha de alguém, nunca a sua. Pô me ajuda aí!
Quando eu tinha cadeira com apoio de braços, era comum outros braços que não os meus estarem apoiados neles. Em churrascos, festas e reuniões desse tipo, era MUITO comum. Eu sei que é “sem querer”, mas acontece.
Agora o ápice: apoiar os pés nos raios das rodas, ah não, isso nem o Papa eu deixo, além de ser perigoso, pode entortar!
Alavanca de freios: quem tem seu cãozinho de estimação, adora. Para pra conversar com você e já começam a estudar “onde” vão amarrar o dog. Eu tenho um amigo que mora em frente ao meu prédio que faz isso sempre, me recuso a publicar fotos dessa cena, até por que ele tem um desses cãezinhos de madame, mas pela “amizade” eu relevo.
Mas a pior de todas, a mais constrangedora, é a cafungada involuntária no cangote. É, é isso mesmo. Você está lá trabalhando em seu micro, concentrado, eis que chega alguém por trás, segura no puxador da sua cadeira para se apoiar, (já aconteceu da minha cadeira quase virar trás!) e posiciona-se paralelo a sua cabeça apontando pra tela do seu micro (geralmente essas pessoas também metem a dedada na sua tela, que dá um trabalhão pra limpar). Coincidência ou não, isso nunca é feito por alguém do sexo oposto ao seu. E o bafo?
Cris Costa - quarta-feira, 16 de junho de 2010 - 12:46
Depois de 10 anos com a mesma cadeira, vi que não dava mais pra adiar e era necessário trocar. Minha querida cadeira “chinelinho” velha de guerra mal saia do lugar. Ou melhor, eu mal saia do lugar com ela. Mega enferrujada, empenada, alguns pedaços querendo cair, tava me causando dor nos braços e me dava uma canseira danada só pra ir do quarto a sala.
Perai! Cadeira chinelinho? Que é isso? Bom, desde que comprei minha segunda cadeira, resolvi que deveria guardar a mais antiga. Primeiro porque é sempre bom ter um “estepe” e segundo porque quando chego ou saio de casa não preciso ficar montando e desmontando cadeira. A mais nova, que uso na rua, mora no meu carro. E a chinelinho fica na garagem, me esperando. Deixo ela lá quando entro no carro, e puxo de volta quando chego. Simples, e me evita aquela trabalheira de tirar e por cadeira no carro. É cadeira de ficar em casa, digamos assim.
Voltando. Como não dava mais pra adiar a troca, comecei a pesquisar quais opções de cadeiras eu teria. Não quis abrir mão do modelo monobloco, e por isso nem olhei para as com eixo em X que tem preços melhores. Restava saber quais marcas fazem esse modelo. Infelizmente só dois fabricantes tem modelos em monobloco: a Ortobras e a Ortomix. Como não conhecia nenhuma das duas, pois até então só tinha tido cadeiras da Tokleve, resolvi deixar o preço resolver. A mais barata, ganhava.
E assim minha primeira escolha foi a Ortomix. Me pareceu bem legal, e tinha o melhor preço, R$ 1.600. Mas na hora de escolher as medidas descobri três falhas graves (ao menos para mim): a largura do pedal tinha que ser a mesma do assento, não seria possível afunilar. Acho isso péssimo pois sendo tudo da mesma largura a cadeira acaba ficando larga e ruim de manobrar em muitos lugares. Fazer curva com uma cadeira assim pode ser um pesadelo. Outra falha é que existia a possibilidade de cobrarem pelo protetor de roupas. Achei um absurdo! Se eu tivesse pedido a cadeira com braço E protetor até podia tentar entender cobrarem extra, mas sem o braço? Nananinanaum. E por último, o prazo de entrega. Ao menos 90 dias. Só de pensar no meu braço empurrando meu chinelinho mega velho por mais 3 meses me doía tudo. Tive que deixar a Ortomix de lado e partir a única opção que restava que era a Ortobras.
O único modelo da Ortobras que é monobloco além da M3 é a Star Lite. Como não tinha nenhum modelo na loja, fiquei meio ressabiada em pedir só pelo que vi folheto. Mas me asseguraram que ela era igualzinha ao antigo modelo da Tokleve, a Tokleve M. Que era a minha chinelinho. Sendo tudo igualzinho não questionei nada e dei as medidas: largura do assento, cambagem, altura do encosto e do pedal e pedal afunilado. Fora isso, nada mais se ajusta. O preço nem era tão maior que o da Ortomix: R$ 1.800. Nas zilhões de parcelas que fiz, a diferença ficava bem diluída e não pesaria muito no bolso. Ah sim, e o prazo de entrega era mais interessante: 45 dias.
Uns dois meses depois, um pouco atrasado pois teve carnaval no meio, chegou a cadeira. Olhei pra ela e pensei: gostei! A cor me agradou e me parecia bem legal e confortável. Mas… o que eu achei da cadeira na prática? Conto em outro post!
Christian Matsuy - segunda-feira, 7 de junho de 2010 - 09:57
Após um “pequeno atraso”, estou postando a avaliação de três anos e alguns meses de uso da cadeira Tokleve Milenium Sport (fabricação interrompida em 2009). Mesmo que a cadeira não seja mais fabricada, o relato é interessante para vocês conhecerem os defeitos, qualidades e soluções encontradas para um modelo como esse.
Por mais de 15 anos utilizei cadeiras da Ortobrás (Gazela Ultra Lite, com opcional de apoio de pé tubular), uma cadeira honesta avaliada em média por 1500 reais na época, com alguns opcionais.
Mas eis que vi a Tokleve Milenium, a primeira nacional monobloco tipo “cantilever” que conheci (não tenho informações se foi a primeira). Sempre preferi as cadeiras não dobráveis, pela estabilidade que elas oferecem. Essa cadeira custava, em 2005, cerca de 3200 reais e podendo facilmente atingir 3800 sem nenhum acessório importado.
Fui até uma loja representante da Tokleve aqui em São Paulo e o vendedor deu algumas explicações básicas sobre a cadeira. No show room, havia três delas. De cara, notei a má qualidade das cadeiras expostas (jogo absurdo na roda, outra com o sistema quick release quebrado), nisso chega um médico com sua Milenium recém adquirida para fazer reapertos e eliminar o jogo nas rodas, encosto, freios… A cadeira estava “bamba” e sendo ele um pouco gordinho, com certeza sentiria ainda mais esse desconforto.
A desculpa do vendedor foi que, por se tratarem de cadeiras de amostra, às vezes até empréstimos, elas eram mal cuidadas… Mas ele não soube explicar os problemas da cadeira recém entregue.
Mesmo assim eu comprei. Fomos para a parte das medidas, daí percebi o quão importante é conhecer nossas medidas e o que queremos mudar ou melhorar na aquisição de uma cadeira nova.
Deixei que o vendedor tirasse minhas medidas e quando via alguma coisa estranha eu dava meu palpite, mas sem muita importância… Lembrando que o vendedor no caso não tinha nenhuma formação em “seating”. Ele deve ter recebido algumas orientações básicas, mas nada mais aprofundado.
Minha cadeira chegou dentro do prazo (90 dias) e fui buscar. A cadeira parecia um TRATOR, de tão alta que ficou. Colocaram rodas de 7 polegadas na frente e, por serem tão grandes, não faziam os 360 graus da circuferência!!! A roda batia no apoio dos pés e não era possível dar ré. Erro de cálculo feio!
Foi a primeira coisa que notei e fiquei puto. Logo veio uma outra pessoa da loja que prontamente disse para trocar por rodas de 5 polegadas. Foi necessário fazer um furo no garfo, pois não havia furação para rodas de 5″ e mesmo assim isso não resolveu o problema definitivamente. Ainda tive que tive que subir um pouquinho o descanso de pés, pois era onde as rodas batiam.
A troca das rodas resultou em uma cadeira sem tilt que é a diferença entre a altura dianteira e traseira do assento ao chão. Um erro grave em se tratanto da minha lesão C4/C5 com pouquissimo equilíbrio. Tive que improvisar um cinto de segurança na primeira semana pois o medo de cair pra frente era muito grande. Andar amarrado na cadeira é horrível.
Fui com a cadeira pra casa, e começei a notar os incômodos da cadeira alta, como por exemplo não entrar debaixo da mesa da minha própria casa.
O encosto foi feito em uma altura que pegava bem no osso da minha escápula, o que ia me gerar um machucado dos grandes, consegui utilizar um pedaço extra de espuma e contornar mais esse problema.
No terceiro dia me bateu o total arrependimento e descontentamento com a cadeira, pois ela não estava me fazendo bem, muito pelo contrário. Decidi ir até a loja e ver o que poderia ser feito.
Para resumir a história, a loja não admitia o erro e eu também não. Depois de muita discussão e eu com pressa em resolver, aceitei o acordo da loja em pagar 700 reais e ter um quadro totalmente novo. Com as medidas que eu especificasse sendo total responsável dessa vez caso desse errado.
Demorei mais dois meses para receber o quadro novo, mas veio tudo nas medidas que eu indiquei. Dessa vez, sem interferência do vendedor. Quando sentei pela primeira vez na cadeira já senti a diferença. O conforto que eu queria era tanto que nem voltei para a antiga! O único porém: como eu queria que a cadeira fosse mais fechada na parte do descanso dos pés, eles não me avisaram que seria colocado um tipo de decanso regulável em altura. Esse descanso regulável até que foi útil depois, mas acabava com a estética da cadeira (veja na foto acima).
Vamos a minha configuração:
Largura de assento: 40cm
Profundidade de assento: 44cm
Altura de encosto: 53cm
Angulo frontal: 85 graus (nas minhas contas tem 75)
Rodas dianteiras: 5 polegadas
Rodas traseiras: 24 polegadas
Altura traseira do assento ao chão: 45cm
Altura frontal do assento ao chão: 55cm
Tilt: 5cm
Centro de gravidade: 3cm avançado
Opcionais:
Assento rígido em alumínio (na época não tinha encosto rígido)
Roda anti-tombo (nunca usei)
Laterais protetoras em alumínio dobráveis
Quick release nas rodas dianteiras
Aros de impulsão com pinos
Acabamento de encosto em nylon com ajuste de tensão por velcros
Manoplas rosqueáveis
Depois de cinco meses de espera e mais 700 reais de prejuízo, finalmente consegui rodar com minha cadeira. Comecei a usar a cadeira para trabalhar, passear etc.
Achei que pelo fato do formato do quadro, eu teria alguma vantagem de colocá-la nos porta malas, mas devido à grande altura do descanso de pés ao chão às vezes ela não cabia (por pouco) em um porta malas de carros sedan.
Assim como a cadeira do outro médico (lembra dele no início do post?) a minha começou a apresentar rangidos e barulhos logo no segundo dia. Sorte eu ter acesso a ferramentas e pessoas que tem uma formação em mecânica e entendem um mínimo pra avaliar os erros e falhas na cadeira.
Foi feita toda uma revisão, e apertamos tudo como deveria. Por minha conta, pois não estava afim de me desgastar com pedido de garantia para um reaperto. As rodas traseiras vieram com muito jogo, e uma delas não travava o quick release às vezes e, quando travava, emperrava e era necessário fazer muita força para soltar. Esse problema que foi resolvido com uma regulagem.
Segue a lista de problemas apresentados e que voltaram a acontecer com frequência de aproximadamente 3 meses:
- Algumas porcas não apresentavam arruela de pressão, ou não eram do tipo torks, que já vem com um plástico que evita que a mesma se solte com a vibração;
- Falta de adesivo Loctitetrava roscas, principalmente nas rodas traseiras (causa principal do jogo constante);
- Baixíssima qualidade dos eixos quick release, apresentando inclusive diferenças de tamanho entre eles (aprox. 2 milimetros medidos no paquímetro);
- Material plástico utilizado de baixa qualidade. O botão do quick ressecou e quebrou facilmente com uma batida. Aliás, esse botão não deveria ficar sobresaltado, mas foi a única maneira de corrigir o jogo das rodas traseiras;
- Rodas dianteiras de baixa qualidade, fácil de ressecar, deixando a roda dura e com tendência a abrir fissuras (o que ocorreu com 1 ano de uso). Tive que comprar um novo par;
- Sistema de aperto da bengala do encosto tipo Allen que batia metal com metal arrombando o buraco;
- Falta de uma faixa extra de velcro no encosto para evitar perda de tensão;
(solucionei arrumando uma faixa da minha antiga cadeira)
- Sistema do suporte lateral dobrável feito em plástico que se ressecou e quebrou um lado (2 anos); (tive que solicitar junto a tokleve essa peça).
- Pinos do aro de impulsão que se perdiam no meio da rua ficando o metal aparente, na verdade o pino é uma peça plástica que é encaixada em uma lingueta de metal no aro; (tive que solicitar pinos extras, e solucionei utilizando cola branca).
- Regulagem das alavancas de freio muito difíceis e falta de adesivo Loctite trava roscas. Mesmo sendo porcas de pressão, as mesmas com o tempo ficavam moles, fazendo muito barulho ou saindo da posição e diminuindo a eficiência do freio;
- Rodas em alumínio, porém muito fáceis de empenar, com baixa resistência a impactos e diferenças de nível, que é o que mais temos em nossas ruas; As rodas ficaram muito, mas muito judiadas com 3 anos de uso. Mesmo com tentativa de desempenar, alinhamento e reaperto de raios, continuaram ruins;
- Altura das manoplas muito baixa em relação ao encosto, gerando um desconforto pra quem empurra a cadeira por longos trajetos;
Basicamente esse foi o meu test drive de 3 anos e alguns meses de uso dessa cadeira.
Tenho ela até hoje, como uma cadeira reserva, fiz uma manutenção básica antes de deixá-la em segundo plano e está guardada.
Eduardo Camara - quarta-feira, 2 de junho de 2010 - 12:24
Não sabe quanto de imposto se paga para importar uma cadeira de rodas? Acha as cadeiras fabricadas aqui muito caras? O Mão na Roda descomplica essa questão!
Muita gente reclama – com razão – sobre os altos preços das cadeiras de rodas no Brasil. A maioria bota a culpa no governo, mas será que essa galera tem razão?
Na minha opinião, não. Todos os impostos que incidem sobre as cadeiras fabricadas no Brasil (IPI, o ICMS, o PIS e COFINS) foram zerados. E se a cadeira for importada, só é necessário pagar o II (imposto de importação), que é de 12% para cadeiras manuais e 2% para cadeiras motorizadas.
O engraçado é que o PIS e COFINS para cadeiras foram zerados no começo desse ano. E vocês viram o preço das cadeiras diminuir de lá pra cá? Eu não! Então o que explica os valores cobrados por aqui? Juro que não sei. Passo a bola para os fabricantes.
Abaixo está uma tabela mostrando cada imposto, sua alíquota e também um link com mais informações sobre as alíquotas/isenções.
Impostos incidentes, no Brasil, sobre cadeiras de rodas
Ah, todas essas isenções valem não só para cadeiras de rodas manuais e motorizadas, mas também para aparelhos ortopédicos, próteses e até almofadas antiescaras.
O governo pode até levar a culpa por não fornecer boas cadeiras de rodas pelo SUS, mas quanto aos impostos, até que fez sua parte.
Aguardem o próximo post, com mais detalhes sobre importação de cadeira de rodas!
Eduardo Camara - segunda-feira, 31 de maio de 2010 - 10:47
Feliz porque conseguiu aprender a empinar sua cadeira de rodas? Chamou a vizinhança toda pra te ver subindo um degrau de 10 cm sem ajuda? Então dá uma olhada nisso aqui:
Cris Costa - terça-feira, 27 de abril de 2010 - 14:45
Antes tarde do que nunca, né? Tarde não só porque a novela está quase chegando ao fim, mas também porque a Luciana já mudou de cadeira e agora usa uma motorizada. Ao menos não é uma cadeira elétrica, rs. Mas não queria deixar de falar um pouquinho sobre a cadeira da personagem, mesmo que superficialmente.
Enfim, como muitos já sabem é uma M3, atualmente fabricada pela Ortobras. Acho ela bonitinha e infelizmente não vou pode opinar tecnicamente a respeito dela, porque meu conhecimento técnico é quase nulo e não tive a oportunidade de testá-la. Mas o Christian falou um pouquinho dela no post sobre a Reatech.
A M3 hoje é uma das melhores cadeiras nacionais (se não é a melhor). Ela tem um design bem moderninho e bacana e também possibilita alguns ajustes que outras cadeiras monobloco não permitem. O que é bom, pois com o tempo você poder sentir necessidade de mudar algo na cadeira, e na M3 algumas alterações são possíveis.
Seu modelo básico está custando em média R$ 3.400. Quem quiser uma igualzinha a da Luciana vai ter quer desembolsar mais uns R$ 250,00 pelo encosto rígido e outros R$ 2.500 pela rodas X-Core. Sim, as rodas da cadeira que a personagem usa são importadas, de fibra de carbono e custam essa “pechincha”. Mas quem não quiser desembolsar essa grana toda, tem como opção as rodas de liga leve (veja foto abaixo) que custam um pouco menos: R$ 1.200. Infelizmente não sei dizer se essas rodas de liga leve são boas e se não empenam faciltamente, mas pelo menos são um pouco mais baratas. Ah, a cadeira também tem opções de cores que aumentam um pouquinho mais o seu preço. No caso da Luciana, a cor é violeta e você pagaria mais R$ 80,00 por ela.
Ou seja, quem quiser a cadeira da Luciana vai ter que desembolsar a bagatela de R$ 6.230. Só chorando, né? Mas pra quem pode e não tem como importar uma, vale a pena. Entre as que temos por aqui, é o que há de melhor.
Mas, pra mim, a pergunta que não quer calar é: porque diabos ainda não desenvolveram um método mais eficaz que essa cordinha pra dobrar o encosto???
Cordinha...
Obs: Os preços citados são uma estimativa, podendo variar para mais ou para menos dependendo da loja ou site.
Christian Matsuy - terça-feira, 20 de abril de 2010 - 10:52
Fiz minha visita à feira Reatech 2010 dia 17/04 (sábado, a tarde toda). Como temos poucos eventos desse tipo no país, acho importante dar uma conferida no que há de novo no mercado de tecnologia assistiva, cadeiras e outros equipamentos.
Esse ano, o Eduardo e os outros autores do blog não puderam comparecer ao evento, então vocês terão que se contentar com a minha humilde cobertura. :)
A feira estava muito lotada, mais que em 2009, e ainda continua com alguns stands pequenos (para a quantidade de público presente). O excesso de pessoas faz você ter dificuldade em chegar perto dos produtos, pedir uma explicação um pouco mais detalhada, essas coisas… Ainda não consigo compreender como não organizaram melhor isso. A feira já existe há alguns anos e não vi melhora nesse sentido. Destaque apenas para o piso tátil (a Thaís Frota explica bem isso), colocado por toda a feira para orientação de cegos. A fila para a utilização dos sanitários femininos era grande também.
Um verdadeiro "formigueiro" nos stands!
Poucos stands estavam sem aquele “palanquinho” que gera um degrau e tem que se fazer acesso por rampas, em alguns casos com rampas pequenas que não rodeavam todo stand.
Na parte das cadeiras, tive oportunidade de conhecer toda a linha da Ortomix, que não tinha um stand próprio, mas suas cadeiras estavam espalhadas por várias lojas. Essa marca absorveu os modelos já existentes da “finada” Tokleve. No modelo Dinâmica Sport (ex-Tokleve Milenium) a cadeira sofreu modificação estrutural, sendo eliminado o tubo em arco sob o assento. Notei uma ligeira melhora no acabamento. Também foi lançada na feira a Dinâmica “New” (antiga Suprema, com mínimas modificações). Atenção ao prazo de entrega: 100 dias!!! (preço médio com acessórios básicos: 3500 reais).
Dinâmica NEW apresentado na feira pela Ortomix
Conversando com o pessoal das lojas, descobri que acabou a “ladainha” da Otto Bock e ANVISA (a Cris já escreveu sobre isso) e agora a cadeira é importada dentro das normas da lei e o próprio representante da marca reforçou isso. O modelo básico da Blizzard está saindo em média 8 mil reais, dependendo da loja.
Otto Bock dando grande destaque ao modelo Blizzard
Ainda na parte das cadeiras, ví os encostos rígidos da MaTRx que é uma excelente marca, com uma grande variedade de modelos, atendendo uma gama muito ampla de usuários. Muito indicado para problemas posturais, tipo escoliose, etc). Leves (aprox. 1.5kg) e discretos, saem por 1500 reais aqui. Essa foi uma novidade da feira.
Encostos rígidos da MaTRx em exposição
Não posso deixar de abrir um parêntese aqui sobre o stand da Cavenaghi, que disponibilizou o equipamento de mapeamento de pressão da Roho, além de dois terapeutas americanos com muito conhecimento em almofadas e encostos. Infelizmente, eles só falavam inglês e poucos puderam desfrutar das valiosas informações providas por eles. Esse sistema avalia como seu peso está distribuido sobre o assento, ajudando na escolha de um modelo ideal de almofada. Me foi demonstrada a nova almofada Hybrid Elite (base em espuma com células de ar apenas na parte traseira com desenho de contorno), praticamente o mesmo peso de uma Quadtro Select, mas com uma estabilidade maior, facilitando as transferências. Por ter menos células de ar a almofada tem um risco bem menor de furar, porém não é indicada para pessoas com facilidade de adquirir escaras, pois a proteção dela supre pessoas ativas que tenham condições de fazer pequenas elevações. Ela é mais apropriada para usuários de médio e baixo risco de úlceras de pressão.
No stand da Rea Team – Ortobrás havia no show room as cadeiras M3 (a cadeira da pernosagem Luciana da novela Viver a Vida) em diversas configurações de acessórios. O garfo das rodas dianteiras ganhou um “nível”, eu não entendi muito bem a utilidade. Dessa vez tive oportunidade de testar a cadeira e não gostei do sistema de amortecimento das rodas (tipo frog legs), que mesmo com a cadeira parada, da um “balanço” indesejável, mas creio que deva funcionar bem em pisos irregulares. (isso já é assunto para um outro post…) Estavam disponíveis também assentos e encostos rígidos da JAY e algumas cadeiras da Quickie.
Novo detalhe no garfo da M3 (desculpem a falta de foco!)
O stand da MobilityBrasil trazia algumas cadeiras da TiLite, sendo uma ZR, uma ZRa e uma 2GX, todas em Titânio. O modelo ZRa estava sendo oferecido por 9800 reais com alguns acessórios pré escolhidos (punho dobrável e protetores laterais em alumínio). Encontrei com a Kênia de BH leitora aqui do blog, que pediu umas dicas sobre cadeiras. Agradecimentos ao Daniel que nos deu muita atenção.
Haviam carros adaptados na área externa do recinto para test-drive, assim como nos outros anos. Fiat, Honda, VolksWagen, GM, Toyota, Peugeot e Nissan estavam presentes.
Basicamente foi isso. Devido a minha curta permanência na feira, não pude dar atenção aos eventos em paralelo, mas estavam ocorrendo palestras gratuitas de acordo com a programação da feira que estavam super disputadas para se conseguir assistir.