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Vamos trabalhar? – parte 2

Christian Matsuy - segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 - 12:08

Lendo o post da Cris, fiquei inspirado a falar um pouco de como foi a minha volta (dos que não foram) ao mercado de trabalho.

Calma, eu explico: na verdade, não foi uma volta e sim um começo, pois eu nunca havia trabalhado antes de ser cadeirante, tinha 15 anos quando me acidentei e ainda estava no colégio.

Creio que, como aconteceu com os demais autores do blog, mesmo ainda adolescente, ingressar no mercado de trabalho foi uma das minhas grandes preocupações e ainda internado no hospital eu já brincava com as possibilidades num jogo mental de “posso – não posso fazer”.

Deixa eu dar uma encurtada na conversa aqui, senão vira livro :)

Bom, terminei meus estudos, faculdade, fiz alguns outros cursos de especialização, mas não tinha nada em vista. Esse negócio de lei de cotas e acessibilidade em locais de trabalho não havia nascido ainda (1990)! Já os concursos públicos sempre me barraram no edital, pois a pessoa tem que ter um mínimo de autonomia.

Mas com o bom domínio de conhecimentos de informática, sempre fiz bicos desde meu colegial (eu já estava até meio conformado em ser um prestador de serviço), e isso se prolongou até 1997, quando ví um anúncio em um grande provedor de acesso à Internet recrutando pessoas com deficiência para trabalho à distância.

Apesar do salário digamos que… ridículo, me candidatei e fui aprovado com uma certa rapidez, pois segundo o RH da empresa, mesmo nessas condições haviam pouquíssimas pessoas com as qualificações mínimas exigidas (saber utilizar as ferramentas do Office e ter um bom conhecimento de Internet). Fiquei sabendo que foram contratadas seis pessoas para exercerem a mesma função Brasil adentro. Em 2 meses, todos foram dispensados, menos eu. O pessoal não estava dando conta do serviço. Minha gerente da época me ofereceu uma vaga interna pra fazer o serviço desse pessoal, mas eu recuseiMEDO. Muito medo de sair de casa e passar 8 horas longe dos meus pais.

Tenho uma lesão super alta (C4/5), o que me torna muito dependente. Na hora você já imagina aquelas situações chatas de esvaziar coletor, alimentação etc… pô, eu estava muito inseguro. Continuei trabalhando em casa com uma carga horária ampliada e salário melhorado. Fiquei 3 anos nessa vida e mais uma vez estava me conformando com a situação, que não era incômoda, mas não remunerava bem e tomava muito tempo.

Continuou assim até essa mesma gerente que me chamou pra trabalhar mudar de emprego. Assim que ela mudou, ligou e disse que me queria junto de qualquer jeito, mas tinha que ser pra trabalhar no local! Daí pensei muito, muitas noites sem dormir até que aceitei fazer uma entrevista. Ao mesmo tempo, pensava no lance dessa oportunidade não bater novamente em minha porta. Detalhe que ela não tinha idéia da minha deficiência, e com certeza ela achava que era algo mais leve, mas confesso que foi uma sensação boa, de alguém te chamar pela sua qualificação.

Apesar desse “choque inicial”, de imediato coloquei minhas necessidades básicas: alguém que me auxiliasse com a alimentação, água, xixi (esvaziar meu coletor de perna), e entrar e sair do carro. Pro meu espanto ouví: -”é só isso que você precisa?” E foi assim! Pro meu espanto, a ajuda sobrava… As pessoas sempre muito solícitas e é assim até hoje. E não estou falando de empresa pequena, e sim uma indústria multinacional com mais de 1000 funcionários. Infelizmente essa não é a situação real do mercado. Sabemos que as empresas garimpam as pessoas “menos deficientes possíveis”, e que tenham autonomia pra se virar sozinhas. Já escrevi sobre isso nesse post.

Era um trabalho completamente diferente do que eu realizava, mas nada que eu não soubesse. A princípio detestei, mas a proposta salarial realmente pesou e eu comecei a gostar aos poucos daquilo que estava fazendo. Querendo ou não, aprendi a ter um comportamento corporativo devagarzinho. E fui fazendo amizades, me identificando com as pessoas, o que facilitou mais ainda esse lance da ajuda.

Até campanha pro Teleton eu fiz!

Campanha Teleton 2003

Um ano após eu entrar nessa empresa, fizeram uma proposta de promoção de cargo, uma coisa que jamais esquecerei na vida. E dois anos mais tarde veio outra… E cá estou eu, a 8 anos na mesma empresa.

O que posso concluir e deixar de dica é que a qualificação profissional ajuda superar muitas barreiras, sejam físicas ou de preconceito.

Estar “apresentável” também faz diferença (na verdade isso vale pra qualquer um). Não adianta você achar que vai conseguir um emprego usando calça de abrigo, com o umbigo aparecendo e a camiseta suja de molho de macarronada, que não vai. Saiba trabalhar isso em você. Seja cadeirante, mas seja limpinho, ok?

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Duas novidades

Eduardo Camara - segunda-feira, 6 de setembro de 2010 - 17:01

Quem é mais atento já deve ter notado as duas novidades que apareceram na coluna esquerda do blog. Uma é que agora estamos no Facebook, mais um canal para divulgarmos as novidades colocadas no blog. Seja fã da página e receba no seu mural as nossas atualizações. Aproveite para indicar o blog para seus amigos e compartilhe os links que colocaremos por lá!

A outra grande novidade é que nosso amigo e colaborador de longa data, Christian Matsuy, agora faz parte do time de autores fixos do blog. Christian já vinha colaborando um bocado com o blog, principalmente nos posts sobre equipamentos, assunto em que é expert. Dêem as boas-vindas ao Christian e cobrem dele um montão de posts! :)

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Dia de Fúria – Oportunidade de Emprego

Christian Matsuy - segunda-feira, 17 de maio de 2010 - 12:44

Símbolo de acessibilidade redesenhado de forma que o cadeirante parece dirigir uma motoNo dia 03 de Maio recebi um e-mail do site vagas.com.br, no qual tenho cadastro.

A i.Social (que divulga oportunidades de emprego para PCDs através desse site) me enviou a vaga com o descritivo abaixo:

(ver a imagem aqui do anúncio original recortado de minha área de trabalho)

. . .

Empresa multinacional no segmento de distribuição de bebidas.

Auxiliar de Execução A./São Paulo- RTR.

Pré-Requisitos:
Boa comunicação, argumentação, pró ativo e habilidade para trabalhar em equipe e possuir carteira de habilitação de moto.

Descrição das atividades:
Visita aos Pontos de Vendas de pequeno varejo para a execução de merchandising. Reuniões de equipe diárias para direcionamento das vendas.

Outras informações:

Jornada de trabalho: Segunda a sábado – 8hrs.
Local de trabalho: Vários, de acordo com o mercado que for trabalhar.
Salário: R$725,12
Benefícios: 14º salário / Tickets 11,00 por dia / Plano Médico / Odontologico / Cesta Natal / Ajuda Material Escolar (dependentes e funcionário univeritário) / Brinquedos Natal.

. . .

Ok…
Tudo bem que a vaga não serve para mim (e também não é minha área de atuação), mas comecei a me perguntar: para quem serviria? Quantas pessoas com deficiência você conhece e que cumprem esses pré-requisitos?

Longe de mim querer segregar as pessoas com deficiência, até porque eu sou uma delas. Porém, continuo a bater na tecla de que a maioria das empresas querem contratar uma pessoa com a menor deficiência possível. O mérito está na qualificação ou na deficiência da pessoa? Quer dizer que se eu fosse um amputado, mas bem independente, porém sem qualquer qualificação, eu teria mais facilidade em conseguir um emprego? Eu tenho a nítida impressão que sim. E de quebra ainda me pagariam um salário mais baixo.

Eu que tenho ensino superior, cursos de especialização e sou bilíngue, entre outras coisas, e não consigo sequer uma entrevista de seleção!? Ahhh esqueci… Eu sou tetraplégico! (Pra que que eu estudei então?)

Devo dar trabalho, né? (nunca ninguém me perguntou, mas eu devo dar) Devo faltar pra cacete, fico enchendo o saco dos outros, preciso de ajuda pra entrar e sair do carro… resumindo: “EU NÃO SOU ECONOMICAMENTE VIÁVEL”.

Felizmente, hoje estou empregado, mas muita gente não está. Isso gera uma crise em minha consciência. Uma crise que não me permite mais aceitar essas velhas normas, padrões e algumas “tradições”. O que estou querendo discutir aqui é que, sem uma mudança RADICAL de pensamento por parte das empresas, não haverá nunca um conceito pleno de inclusão social. Será sempre essa historinha de cumprir as cotas, fugir da multa e ainda sair falando pra todo mundo:  “olha, aqui nós contratamos deficientes, somos bonzinhos e exemplares”. Não podemos mais simplesmente aceitar as coisas como nos são apresentadas, sem questioná-las. Inclusão social está muito além de cumprir lei de cotas.

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Indo ao médico

Cris Costa - segunda-feira, 23 de novembro de 2009 - 11:25

Independente de deficiência, em algum momento todos vamos ao médico. E o que já não é algo muito legal, mesmo para uma hipocondríaca como eu, pode se tornar uma visita cheia de surpresas não muito agradáveis. Já falei uma vez num post aqui sobre algumas dificuldades na hora de fazer exames. Mas para conseguir uma consulta num médico também não é muito diferente. Até achar um que tenha um minímo de acesso… Mas isso não parece ser um “luxo” apenas dos cariocas. O Christian Matsuy, de São Paulo , nos mandou um email contando o seguinte:

Olá pessoal…
Hoje me deparei com uma tarefa que aparentemente seria fácil, mas levei algumas horas pra realizar. Marcar uma simples consulta médica na rede credenciada de meu plano de saúde.
Bom, a gente tenta eliminar os médicos que atendem em casas de 2 andares (90% quase), daí tentamos os que atendem em prédios comerciais.. então vc liga e recebe a notícia que na “fachada” do prédio tem uma escada, e não tem garagem no subsolo, que poderia ser uma alternativa de acesso.
Ou seja, temos que ir a um médico totalmente desconhecido apenas por ele atender em um local acessível.
Por que os convênios não colocam um símbolo de acessibilidade no guia de consulta para os médicos que atendem em locais acessíveis?
Eu gastei umas duas horas fazendo telefonemas!

Atenciosamente,

Christian Matsuy

Achei a sugestão dele sobre colocar o símbolo de acessibilidade no guia de consulta excelente! Bem que os planos podiam adotar essa idéia.

E ai? Alguém se indentifica???

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