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Quem mudou?

Cris Costa - quarta-feira, 2 de novembro de 2011 - 10:37

De uns meses pra cá, tenho feito muito mais coisas “a pé” do que fazia antes. Mas assim, beeeeeem mais. E fiquei pensando se as coisas estão melhorando ou eu é que tô menos enjoadinha, fresquinha e preguicenta. Outro dia fui encontrar com uns amigos num bar perto da minha casa e resolvi ir sem carro, pra poder beber sem restrições e porque dificilmente acharia vaga. O lugar fica a uns 4-5 quarteirões da minha casa, e lá fui eu toda-toda me achando independente, moderna e maluca, por saber que ia chegar no lugar em frangalhos estragando todo  visual cuidadosamente elaborado antes de sair. Mas fui, e o melhor foi que a rua que dava no bar era uma descida, então peguei a reta, fui no embalo, cabelos ao vento… uma delícia! Acho que ali entendi um pouco da paixão do Dado por pedalar. Não que ele ligue para os cabelos dele ao vento, rs, mas pra sensação de liberdade. Só que tive que interromper minha jornada cabelos ao vento por causa de um sinal, e no outro quarteirão já era o bar. Mas foi muito bom ir sozinha.

Porém essa não foi a única ocasião. Há um tempinho atrás tive uma reunião de trabalho na Barra (Zona Oeste do Rio) e como acabou cedo e a empresa fica dentro de um shopping, resolvi aproveitar o tempo livre e  dar um passeio “pra ver a moda” . O shopping que eu tava não era lá essas coisas e resolvi ir para um outro, ao lado, que tinha mais opções. Fui andando como se não houvesse amanhã. Nem parecia Rio de Janeiro. Pra mim, parecia milagre, pois não sou de ficar zanzando muito, pra isso acontecer é porque tô tranquila em relação ao local. E fiquei impressionada em achar escadas E rampas nos lugares. E rampas decentes, não aquelas mulambentas que acabam sendo piores que degraus. Consegui circular tranquilamente e vi banheiros adaptados. Ok, como estou falando de shopping é mais fácil ter uma estrutura acessível. Mas já vi coisas absurdas em shoppings, então existe uma preocupação maior, sim. Acho que hoje já existe uma consciência (ou mais leis, fiscalização ou tudo junto, vai saber…) de acessibilidade e de uma forma geral vejo muita melhora.

Outro exemplo do que melhorou: outro dia liguei para um laboratório pra marcar um exame, e a atendente me perguntou se eu era cadeirante, pois a unidade que eu tinha escolhido, apesar de ser acessível, não tinha banheiro adaptado, e caso eu fosse cadeirante, ela me indicaria outra unidade com banheiro adaptado. Foi a primeira vez que vi isso na minha vida. Eu nem tinha falado nada de cadeira e a atendente já se antecipou e soube dizer o que cada unidade oferece? O mundo tá mudando, sim! A passos de formiga, é verdade, mas tá melhor. Acho que nos últimos cinco anos as coisas deram uma boa melhorada. Mas já era hora, né?

Vejo isso no mercado de trabalho também. As ofertas hoje são melhores do que no passado, que eram praticamente restritas ao telemarketing. E vejo as empresas mais preocupadas em ter o perfil correto pra vaga, do que apenas cumprir a lei de cotas. Finalmente entenderam que contratar somente para cumprir cota é prejuízo. Afinal, acabavam contratando uma pessoa sem avaliar se ela realmente tinha o perfil pra vaga. Resultado: em pouco tempo os dois estavam insatisfeitos, e a pessoa partia pra outra oportunidade. Tempo e dinheiro gastos a tôa. Tem muita gente boa por aí, e que pode e quer fazer um bom trabalho, basta estarem no lugar certo.

Mas será que melhoraram mesmo, ou meu olhar e postura é que mudaram? Ainda me faço essa pergunta, pois vejo muita gente reclamando. Não tô dizendo que tá tudo ótimo, longe disso. Apenas que muita coisa melhorou e que tem muita coisa que tá ruim pra qualquer pessoa, deficiente ou não. No fundo acho que teve melhoras, mas que eu também mudei. A verdade é  que se quero estar de igual pra igual no mundo, ficar em casa reclamando não é  o caminho.

 

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Não apóia aí não!

Christian Matsuy - quinta-feira, 24 de junho de 2010 - 15:49

Esses dias têm feito frio (moro em São Paulo). E nada melhor do que se esquentar ao sol no horário do almoço no serviço. Tem até uma área própria para isso lá. Daí que me veio a idéia de escrever sobre esse assunto que certamente já deve ter sido vivenciado por alguns, que é a “liberdade” que alguns amigos, colegas e às vezes até desconhecidos tomam, de chegar já se apoiando em nossas cadeiras, pendurando coisas… como se elas fizessem parte do “cenário”.

São muitos os pontos da cadeira que as pessoas “acham” que podem utilizar:

Os puxadores servem tanto para se pendurar bolsas e sacolas, bem como servir de apoio para quem estiver ao seu lado.

Outro lugar bastante disputado é o suporte dos garfos dianteiros. Parecem que foram feitos para alguém esticar a perna e apoiar o pé. Não contentes em apoiar o pé, ainda nos balançam como se estivesse ninando um bebê (argh!). E o solado aspero riscando a pintura? Assim não pode, assim não dá. Cadeira de rodas custa caro!

Ainda seguindo nessa linha, às vezes insistem em apoiar os pés nos corrimãos (corrimão é o aro que utilizamos para segurar e tocar a cadeira), lugar que estamos com as mãos frequentemente, vem o cidadão e mete o pé sem se importar se está sujo ou não.

A única exceção que eu abro é para a sobrinhada, que adora brincar com a roda da cadeira, se estiverem na fase de engatinhar então nem se fala, parece até que os corrimãos foram feitos para eles se segurarem e ficarem de pé.

Mais um lugar: a barra rígida do encosto, ali é ótimo para colocarem blusas, ou toalhas (moda praia), e note que sempre é a blusa ou toalha de alguém, nunca a sua. Pô me ajuda aí!

Quando eu tinha cadeira com apoio de braços, era comum outros braços que não os meus estarem apoiados neles. Em churrascos, festas e reuniões desse tipo, era MUITO comum. Eu sei que é “sem querer”, mas acontece.

Agora o ápice: apoiar os pés nos raios das rodas, ah não, isso nem o Papa eu deixo, além de ser perigoso, pode entortar!

Alavanca de freios: quem tem seu cãozinho de estimação, adora. Para pra conversar com você e já começam a estudar “onde” vão amarrar o dog. Eu tenho um amigo que mora em frente ao meu prédio que faz isso sempre, me recuso a publicar fotos dessa cena, até por que ele tem um desses cãezinhos de madame, mas pela “amizade” eu relevo.

Mas a pior de todas, a mais constrangedora, é a cafungada involuntária no cangote. É, é isso mesmo. Você está lá trabalhando em seu micro, concentrado, eis que chega alguém por trás, segura no puxador da sua cadeira para se apoiar, (já aconteceu da minha cadeira quase virar trás!) e posiciona-se paralelo a sua cabeça apontando pra tela do seu micro (geralmente essas pessoas também metem a dedada na sua tela, que dá um trabalhão pra limpar). Coincidência ou não, isso nunca é feito por alguém do sexo oposto ao seu. E o bafo?

Aí não né!? Eu hein…

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