Maria Paula Teperino - quarta-feira, 9 de junho de 2010 - 10:36
Amigos tenho que dividir meu “dia de fúria” com vocês, pois sei muito bem que boa parte dos leitores já passaram por situação semelhante, ou conhecem alguém que já passou.
O Botafogo Praia Shopping, para quem não é do Rio, é um shopping center que foi construído no lugar onde antes funcionava uma grande loja de departamentos, chamada Sears, e por ter aproveitado as antigas instalações, ele tem dois problemas graves: o pouco número de elevadores e as escadas rolantes mal posicionadas, o que obriga a nós, cadeirantes, a ficarmos horas a espera de um elevador.
Mas como o shopping fica perto da minha casa e eu tenho um bom cabeleireiro lá, acabo visitando-o toda semana. Dia desses, antes de ir para o salão, fui usar o banheiro adaptado do 3º piso. Chegando lá, a porta estava trancada e fiquei aguardando um tempinho, achando que estava ocupado. Minutos depois, resolvi bater na porta e como ninguém respondeu, fui atrás de um funcionário que pudesse me informar o que estava acontecendo. Depois de andar até o final do corredor, encontrei um funcionário da limpeza, a quem relatei o ocorrido. O mesmo veio comigo até a porta do banheiro, constatou que estava trancada e sem ninguém dentro e então resolveu passar um rádio para a encarregada da limpeza. A referida funcionária, pelo rádio, começou a gritar que era para eu ir usar o banheiro do 2º andar. Eu disse que não iria para andar nenhum, a não ser que me dessem um motivo plausível para o banheiro estar trancado. Depois de muita discussão, a “encarregada” da limpeza chegou e eu indignada perguntei o porquê da tranca na porta. Foi então que ela disse, “que as pessoas estavam destruindo o banheiro” e que ela achou por bem deixá-lo fechado. Confesso que tive vontade de voar no pescoço dela. Duas horas mais tarde, quando saí do cabeleireiro, voltei para me certificar de que a minha reclamação tinha funcionado, e o que constatei? A porta novamente havia sido trancada!!! Fui ao SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) e fiz uma reclamação por escrito, para a qual estou aguardando resposta.
Confesso que fiquei muito brava. Entendo que os prestadores de serviço no Brasil, são geralmente muito mal treinados, mas tem algumas coisas que passam da razoabilidade. Essa estória de entulhar os banheiros acessíveis com material de limpeza e de mantê-los trancados é algo que não dá mais para se aceitar.
Passada a minha raiva, conversando com um amigo muito espirituoso, ele me saiu com uma sacada, que fiquei com inveja de não ter pensado na hora para escrever na minha reclamação ao SAC. Segundo meu amigo a lógica é a seguinte: “como somos ‘pessoas especiais’, nós sabemos com antecedência de dias, a hora em que vamos precisar utilizar os banheiros públicos, e com isso, podemos mandar emails para os locais, agendando a utilização dos mesmos”. Tem que rir para não chorar.
Bianca Marotta - quinta-feira, 8 de abril de 2010 - 18:36
Nosso leitor Lucas Araujo, nos enviou esta semana algumas fotos que mostram a falta de educação dos ambulantes da Feira dos Importados, vulgo Feira do Paraguai, em Brasília. Segundo ele, próximo a cada entrada da feira existem vagas destinadas a idosos e pessoas com deficiência. Como se não bastassem os motoristas sem deficiência estacionarem indevidamente nessas vagas, alguns feirantes abusam, usando o espaço delas para colocar cadeiras, mesas e até barracas de bugigangas. E ainda tem o descaramento de ficarem ofendidos se alguém reclama! A polícia? Também não faz nada!
É ou não é digno de “Dia de Fúria”!!!
Obrigada pela denúncia, Lucas!


Eduardo Camara - quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 - 19:52
O dia de fúria de hoje mostra a história do Frederico Mendelski, que foi com a mãe – que é cadeirante – a um show no Citibank Hall em dezembro passado. Acompanhem as situações absurdas e a falta de preparo do Citibank Hall!
…
Caros,
Acompanho seu blog há muito tempo, pois minha mãe é cadeirante. E queria então compartilhar com vocês uma situação que muito me revoltou nesse fim de semana. Comprei ingressos com antecedência de 3 semanas através do site TICKETMASTER para o show do Roupa Nova dia 11/12 no Citibank Hall aqui no Rio de Janeiro. Escolhi o setor mais caro (VIP) e pelo site ainda pude informar que um dos ingressos era para cadeirante. No site não pude escolher a mesa e assentos, e eles indicam que escolhem os melhores lugares. Fomos colocados na fila F (a última do setor VIP). Achei que essa escolha era proposital por conta do acesso a cadeirante.
Mas qual não foi minha surpresa ao chegar no Citibank hall e ver que na entrada principal do salão principal não há rampas. E para chegar à lateral, ou eu descia 5 degraus ou precisava passar no espaço apertado entre mesas já ocupadas. E NENHUM funcionário se apresentou para ajudar. As meninas que indicam a posição da mesa, apenas apontaram para onde devíamos nos deslocar e não ajudaram mais nada.
A mesa era para 10 pessoas, mas não cabia uma cadeira de rodas sem retirar pelo menos duas cadeiras. Mais uma vez ninguém ajudou e tive que retirar as cadeiras por conta própria. E, logo em seguida, chegaram os demais ocupantes da mesa, mas não cabiam as 10 pessoas por causa da cadeira de rodas. Ainda fui repreendido pela funcionária que disse que estávamos ocupando 2 lugares! Muito prestativos, eles!!!
Durante o show, precisei levar minha mãe ao banheiro e novamente uma tormenta. Como passar entre as mesas ocupadas? Consegui superar, graças à cooperação dos espectadores. Mas precisei de ajuda para subir a escada e tambem de alguém para levá-la dentro do banheiro, pois não ha banheiro específico para cadeirantes. Ainda bem que uma garçonete se prontificou a ajudá-la. Mas não é assim que deveria ser.
Mando em anexo foto para vocês verem a dificuldade. Conto com sua ajuda para divugarmos mais esse descaso com os cadeirantes nessa nossa cidade OLÍMPICA e PARA-OLÍMPICA!
Atenciosamente,
Frederico Mendelski

Bianca Marotta - quarta-feira, 27 de janeiro de 2010 - 15:44
Nosso objetivo aqui no blog sempre foi o de mostrar soluções e dicas que facilitassem a vida de pessoas com deficiência física. Ao invés de ficar reclamando do que há de errado, preferimos sempre dar destaque ao que se tem feito de positivo em prol da acessibilidade e da melhoria da qualidade de vida.
Mas… chega uma hora que a gente percebe que o ser humano funciona muito à base de bronquinha! Foi por isso que resolvemos instituir aqui no blog o “Dia de Fúria”! Toda quarta-feira publicaremos algum dos absurdos que vemos por aí, quando se trata de desrespeito as pessoas com deficiência. E quem quiser participar, é bem vindo! Basta mandar sua reclamação, se possível com fotos do motivo da reclamação para maonaroda.blog@gmail.com. Aproveitem pra descascar!
Bianca Marotta - quarta-feira, 27 de janeiro de 2010 - 15:30
E pra inaugurar nosso Dia de Fúria no novo endereço do blog, escolhemos uma denúncia enviada pela nossa leitora Fernanda, que junto com seu amigo Marcus Vinícius, que é cadeirante, tiveram uma tremenda decepção com o novo restaurante Belmonte na Lapa. Vejam o email dela:
“Meu nome é Fernanda e tenho um grande amigo cadeirante, Marcus Vinícius. Trabalhamos juntos.
Decidimos conhecer o novo Belmonte da Lapa que fica na esquina da rua do Lavradio com a Mem de Sá. Qual não foi a nossa surpresa quando chegamos lá e não conseguimos entrar porque colocaram uma armação de ferro na porta que impede a passagem da cadeira! Estou enviando fotos para ficar mais claro…
Conversamos com o garçon e ele disse que não era a primeira vez que um cadeirante tentava ir lá e não conseguia…
No mesmo lugar havia um restaurante chamado Marizé, aonde íamos almoçar quase que diariamente e não tínhamos problemas para entrar porque havia uma rampa na entrada lateral.
Não sei os meios para os quais eu deveria enviar esta reclamação, por isso escrevo pra vocês.
Parabéns pelo novo blog!
Abraços,
Fernanda.”
