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Alguém me explica?

Cris Costa - segunda-feira, 12 de março de 2012 - 10:03

Além de todas as questões existenciais normais de todo ser humano, tem umas outras tantas que não entendo. Calma, vou explicar. Viajei no Carnaval para um hotel em Angra, na Costa Verde, no Rio de Janeiro. Óbvio que, antes de ir, liguei para o hotel para saber se o quarto era adaptado, pois no site dizia que era pra “pessoas com mobilidade reduzida”. Alguém defina mobilidade reduzida, plissss? Tentei achar no Google algo que pudesse definir esse tal redução, mas não achei. Na dúvida, achei melhor ligar pro hotel. Falei com a atendente, que me afirmou que sim, que o quarto era adaptado. Expliquei que era cadeirante, não andava, e que a porta do banheiro deveria ser mais larga e o chuveiro sem degrau. A mocinha que me garantiu que era tudo adaptado, e que poderia viajar tranquila. E assim fiz. Relaxei.

Quando cheguei no hotel, e vi o quarto, era praticamente o oposto. Aliás, o problema começava fora do quarto. Fizeram uma rampa no lugar do degrau que tem para os quartos, só que a rampa termina na porta do quarto! Amigooooo, como eu abro a porta? Seguro a cadeira, ou coloco o cartão na porta? Ou brinco de tobogã? E agora? O vaso ficava num cubículo, que lembrava banheiro de avião, só salvava o chuveiro. Aliás, nem o chuveiro, pois ao invés de fazerem um pequeno declive para escoar a água pro ralo, foi feito praticamente uma rampa, ou seja, começava o banho no fundo do chuveiro e terminava quase beijando a parede. Era ridículo! Mas tinha horas que caía na gargalhada, pq né, só com muito bom humor! A pia era alta e tinha bancada embaixo, enfim, uó! Mas, tinha as barras de apoio lá, só que elas não tinham muita função, já que era tudo apertado e mal feito.

Bom, tive que fazer muito “ohmmmmmmmmm” pra não ter um xilique. Não queria ir embora, pois fora o quarto era tudo bem tranquilo, o lugar era lindo e pow, eu queria relaxar! Tava sonhando com esses dias de descanso, aproveitando sol e piscina no melhor estilo “Jackie O”.  Então, diante dessa cena Dantesca, respirei fundo e fui na recepção ver o que poderia ser feito. Me ofereceram uma cadeira higiênica, mediante caução de, plasmem, R$ 700,00 – a cadeira não valia nem R$ 100,00 (mas que depois foi estornado). Sem muita opção, aceitei. Quando fui pegar a cadeira, vi que não tinha braço.

Pequeno parêntese – Continuo achando que essas cadeiras higiênicas foram desenhadas pelo capeta, porque só isso explica o quanto elas são ruins! Desculpe quem tem e gosta, mas acho ruim de mais! Nível máximo da “catigoria” Uó.

Voltando,  liguei na recepção pra reclamar da falta do braço. Umas duas horas depois me vem o tio da manutenção com outra cadeira e dois braços improvisados. Ok, não era o ideal, mas por 6 dias tava valendo. E como não me aguento calada, perguntei pro tio porque fizeram uma adaptação tão ruim no quarto, já que com o que tinham gasto pra fazer aquela porcaria, poderiam ter feito algo decente.

Enfim, essa história toda pra chegar na minha questão. O “tio” disse que o quarto era daquele jeito, pois outras pessoas (???) também usavam o quarto. Não continuei o papo pois o cara não tinha nada com aquilo. Não foi ele que assinou e autorizou aquela bagaça. Mas péra ai: qual o problema do quarto ter um banheiro maior e adaptado? É constrangedor para uma pessoa, não deficiente, usar um quarto assim? Ou o hotel se sente constrangido de oferecer um quarto adaptado para um hóspede não deficiente? Porque eu NUNCA vi ninguém ficar constrangido em usar os banheiros adaptados em locais públicos e muito menos em estacionar em vagas marcadas. Todo mundo acha tudo muito bacana e espaçoso, que até esquecem pra quê foi feito daquele jeito, e usam sem a menor culpa. Mas na hora de um quarto de hotel isso muda? Tem algo errado ai! Falo isso, porque não é a primeira vez que vejo um hotel ter esse discurso de “outras pessoas usam”. É uma desculpa muito da esfarrapada pra não fazer uma adaptação decente, viu?! Me irrito com isso! Pow, discurso preconceituoso e preguiçoso!

 Então, alguém pode me explicar porque todos podem usar banheiros e vagas adaptados, mas não um quarto de hotel?

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Absurdo…

Cris Costa - quinta-feira, 21 de julho de 2011 - 21:54

Vai entender… Ou talvez eu entenda. Afinal, cadeirante é doente, lugar de doente é na cama, e nunca como visitante em um hospital. Então, pra que rampa ou elevador? 

Essa foto foi tirada no Copa D’or por uma amiga e constante contribuidora do Blog, sempre me enviando bons assuntos. Obrigada Dri Baffa! Segue o texto que ela me mandou sobre a foto:

Bom, eu tirei essa foto ontem, quando fui visitar meu tio. 

Eu estava na fila do elevador e vi essa cena. Tirei a foto.

Depois vi – antes de subir – um rapaz entregando um pacotinho pro cadeirante – devia ser o lanche.

Quando desci, pra não ser injusta e nem acusar sem saber, fui até o tal coffee shop pra ver se não tinha um elevador ou coisa parecida, como outra entrada com rampa e tal. Nada. Não tinha nenhuma outra entrada além dessa escada descendo.

 Um absurdo.

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No colinho, não!

Bianca Marotta - quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 - 12:00

Mesmo depois de quase 3 anos namorando o Dado, foi necessário um bate-papo com nosso amigo Evandro para que eu finalmente entendesse o porque da bronca que meu namorado tinha com a ideia de ser carregado no colo para subir e descer escadas.

No início achava que era um pouco de frescura da parte dele.  Afinal, que mal há em ser carregado escada abaixo ou acima? Só por que ele é homem, fica sem graça? Achava que a razão era unicamente essa e meu lado anti-machista a considerava bastante boba.

Com o tempo de convivência fui percebendo que vergonha não era o motivo pelo qual ele não gostava de ser carregado no colo. Presenciei algumas situações em que isso foi necessário, tentei até ajudar uma das vezes e percebi o quanto poderia ser perigoso. Principalmente se a escada for muito alta ou os degraus pequenos, em curva ou tortos. Imaginem o perigo! Ainda assim, achava que ele muitas vezes era radical.

Foi então, durante um agradável chopp com nosso amigo de blog, que consegui entender o verdadeiro motivo pelo qual tanto o Dado, quanto o Evandro e uma série de cadeirantes não gostam de ser carregados no colo.

Foi nesse bate papo que ouvi uma recente história protagonizada pelo nosso amigo: o time de basquete de cadeirantes do qual ele participa havia sido convidado para se apresentar no intervalo de uma partida de basquete “normal”, que seria disputada na sua cidade. Poucas horas antes da partida, Evandro ficou sabendo que o estádio era inacessível para cadeirantes e que todo o seu time seria carregado no colo até o campo. Evandro não se conformou, fincou o pé e disse que não iria. Algumas pessoas não concordaram com sua atitude, afinal a prefeitura de sua cidade havia doado 10 cadeiras de basquete para o seu time e obviamente queria uma propaganda em troca. Mas Evandro resolveu que carregado ele não iria e realmente não foi. Não deu outra: em tempo recorde a prefeitura conseguiu se virar e instalou um elevador no tal estádio. Que acabou ficando por lá mesmo depois da partida, trazendo melhor acesso a todos, não só aos cadeirantes, como aos idosos, pessoas com dificuldade de locomoção, mães com criança de colo etc etc etc.

E finalmente me caiu a ficha! Não estamos falando aqui apenas sobre vergonha ou falta de segurança. Não. Estamos falando sobre cidadania! Acessibilidade é sinônimo de independência e inclusão. E somente batendo o pé (ou seria a roda?) como fazem o Evandro, o Dado e muitos outros, é que o trabalho de formiga tem resultado.

Quer saber? Se depender de mim, com exceção de casos extremos como visitar parentes ou amigos que moram em prédios antigos, meu namorado não frequenta mais nenhum lugar carregado no colo! Pelo menos não sem uma briguinha básica antes!

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