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HandVikn: avalição da handbike nacional

Nickolas Marcon - segunda-feira, 21 de março de 2011 - 08:59

O leitor sempre quis ter uma handbike mas não podia comprar um modelo importado? O Mão na Roda apresenta aqui a solução. Conforme já tínhamos noticiado em posts anteriores, a Handvikn Technology firmou uma parceria com o blog para viabilizar o fornecimento de uma handbike e agora apresento a vocês minha avaliação e impressões sobre o produto.

Mais feliz que pinto no lixo... :-)

A Handvikn 700-EHL foi um projeto desenvolvido totalmente no Brasil. A fabricação do seu quadro é artesanal e os equipamentos são os mesmos utlizados em bicicletas comuns. Isso contribui para baratear o custo da handbike e facilita muito a manutenção, pois as peças podem ser facilmente encontradas e qualquer bicicletaria pode fazer o serviço. Apesar disso, o funcionamento da handbike me surpreendeu. A combinação dos componentes utilizados mostrou-se bem acertada, habilitando a Handvikn como uma handbike adequada tanto para o cadeirante que busca só um passeio no final-de-semana quanto para aquele que vai participar de competições. 

No detalhe: freios, ajuste de altura da caixa de pedais, borracha estabilizadora, caixa de direção desmontável

Andar com a Handvikn é muito prazeroso. A handbike transmite uma sensação de firmeza e segurança. No asfalto, a handbike ganha velocidade facilmente e mantém o embalo. Andando ao lado de uma montain bike comum, o desempenho da Handvikn é nitidamente superior. A posição do ciclista é muito confortável, pois o encosto é alto, bem revestido e ainda tem regulagem de inclinação. Os apoios dos pés também são reguláveis, permitindo que se escolha uma posição confortável com as pernas esticadas ou flexionadas. Outro ajuste é o da caixa de pedais, que pode subir ou descer para achar a melhor posição de acordo com a inclinação do encosto. O acabamento do quadro da Handvikn é bom, sem rebarbas nas soldas. O nylon do banco é de boa qualidade e os principais parafusos têm contra-porcas para manter o aperto. 

O quadro é feito com tubos de aço, garantindo rigidez. Por outro lado, isso aumenta o peso do conjunto. Não consegui medir seu peso total, mas a opinião de quem a carregou é que fica entre 30 e 40 kg. Nem poderia ser muito diferente, afinal uma handbike é um “brinquedo” de tamanho razoável. No meu caso, como tenho pernas compridas, a handbike ficou com aproximadamente 2,40 m de comprimento.

Rodas traseiras com sistema quick-release

A largura é semelhante a uma cadeira-de-rodas comum, por volta de 60 cm. Por isso recomendo a todos os interessados que, antes de comprar a sua, pensem com carinho no lugar onde vão guardá-la. A bike pode ser desmontada e transportada num automóvel. Para isso, as rodas traseiras têm sistema quick-release de encaixe e a caixa de direção pode ser desmontada, separando a handbike em duas peças.

Aliás, a compra da Handvikn foi um processo muito tranquilo, diretamente no site do fabricante. O link para o site está aqui no blog, no banner logo à direita do texto. Apesar da handbike ser fabricada em São José dos Campos/SP, toda a negociação foi feita por email e alguns telefonemas. O pagamento também foi simples, por depósito bancário. Quando ficou pronta, foi despachada via transportadora e recebi direto na minha casa, prontinha para sair pedalando. Sim, a palavra que se usa é “pedalar” mesmo, já que até agora não arrumaram outra melhor… :-)

Agora vamos ao que interessa. Para apresentar todos os recursos da Handvikn eu preparei o vídeo abaixo para os leitores. Só para avisar: o cenário não vem junto com a bike… 

Mas aí o leitor pergunta: “ok, tudo é muito bonito quando é novo, mas será que vai dar problema com o tempo de uso?” Para ajudar a responder essa pergunta, passo aqui minhas opiniões após já ter rodado mais de 100 quilômetros com a handbike.

A Handvikn é uma handbike para ser usada no asfalto. Os pneus de alta pressão reduzem o esforço da tocada no pavimento liso, mas transmitem todos as imperfeições dos pisos irregulares. Tenho andado muito nas ciclovias cariocas que incluem trechos de pedras portuguesas e pavers, causando uma trepidação intensa em alguns trechos. Por causa disso, havia a preocupação da abertura de folgas nas juntas da bike, mas até agora ela se mantém rígida como nova. Os freios têm mantido seu bom funcionamento e ainda não precisaram de ajustes. Já o câmbio, que eu utilizo intensamente, deu um pouco de trabalho: com o uso, perdeu o ponto de ajuste e as marchas não paravam mais. Nada que um pouco de paciência não resolvesse: a Handvikn tem ajuste fino no próprio trocador de marchas, o que permite que o ciclista vá ajustando enquanto roda. Após algumas tentativas, tudo voltou ao normal. 

Detalhe da oxidação de um parafuso

Mas nem tudo é perfeito, afinal todo produto é passível de melhorias. O banco é feito com um nylon bem resistente, preso por velcros, mas usa uma espuma muito fina. Seu uso por longos períodos é desconfortável. Para solucionar, cortei um pedaço de espuma de alta-densidade e coloquei entre as camadas do banco, o que melhorou muito o conforto. Já a pintura requer um pouco de cuidado: apesar de ser bem feita, com todos os detalhes recobertos, não é muito resistente à riscos. Talvez uma camada extra de verniz durante a fabricação melhorasse a resistência. Por último, reparei que alguns parafusos já mostram sinais de oxidação. Certamente isso foi agravado pelo fato de circular numa cidade litorânea, mas acredito que a utilização de parafusos em aço inox teria um custo irrisório frente ao preço total da handbike.

Minha conclusão final é que a handbike é um equipamento que todo cadeirante devia ter. Os benefícios à saúde são inquestionáveis, é o fim do sedentarismo. Além disso, a sensação de rodar livremente e sentir a brisa no rosto é ótima. Sem dúvida, é uma das poucas experiências que fazem um cadeirante esquecer qualquer limitação.

A HandVikn 700-EHL é uma grande contribuição para que esses benefícios fiquem acessíveis a muito mais pessoas.

—————————————————-

Atualização em 22/03/2011: segue abaixo email recebido da Handvikn.

Nickolas,

Como aperfeiçoamento, vamos melhorar a parte do assento e revisar o modelo de parafuso
para parafuso com tratamento térmico, aumentando a durabilidade quanto à
corrosão.
Muito obrigado pelas dicas.

Cordialmente,

Engº Luiz Roberto Junior
Deptº Projeto e Vendas
email: handvikn@handvikn.com.br
Site: www.handvikn.com.br
(12) 3933-7102

“PORQUE PEDALAR É PARA TODOS”

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Avaliação de rodas para cadeira de rodas – X-core, Spinergy e cia!

Eduardo Camara - segunda-feira, 14 de março de 2011 - 10:09

Reunimos nesse post os vídeos de avaliação de 8 rodas traseiras para handbikes e cadeiras de rodas. Falamos sobre os detalhes de cada uma delas, damos nossas impressões e pesamos uma por uma (estilo Mythbusters!). No final, no último vídeo, ainda apresentamos a conclusão do nosso “estudo” e damos dicas sobre qual roda comprar, de acordo com o perfil do cadeirante. Não deixem de assistir!

Resumo das rodas avaliadas:

Rodas para handbike Tamanho Raios Peso*
Corima Aero – 45 mm 26″ (650c) 24 1020g
Top End Force / Force R 26″ (650c) 28 1200g

* Para as handbikes, o peso é da roda completa, com pneu, eixo e líquido selante (no caso da Corima).

Rodas para cadeira Tamanho Raios Peso**
Spinergy LX 24″ (540c) 12 1090g
Spinergy Spox 24″ (540c) 18 1160g
Spinergy Spox Sport 24″ (540c) 24 1180g
Roda convencional 24″ (540c) 32 1300g
X-Core – 3 pontas 25″ (559c) 3 1520g
Karma – 3 pontas 24″ (540c) 3 1900g

** Para as cadeiras, o peso é apenas da roda + corrimão. Não inclui o peso do pneu, eixo e câmara de ar.

Parte 1 – Rodas para handbike

Parte 2 – X-Core de 3 pontas

Parte 3 – Karma de 3 pontas

Parte 4 – Spinergy Spox Sport

Parte 5 – Spinergy LX

Parte 6 – Spinergy Spox

Parte 7 – Roda convencional e conclusões

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Reportagem sobre Handbike

Eduardo Camara - terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 - 09:42

Tô falando que esse é o ano para o esporte deslanchar no Brasil… O pessoal do programa Stadium, da TV Brasil, fez uma matéria fantástica sobre handbike que foi ao ar no último domingo. Eu, Nickolas e Edson – que fez sua própria handbike – aparecemos no vídeo que vocês conferem aqui embaixo!

E no mesmo domingo conheci o João Sabóia, que se amarrou na handbike e fez um excelente vídeo da bichinha passando pelo arpoador. Vale a pena assistí-lo!

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Parceria Handvikn

Nickolas Marcon - domingo, 13 de fevereiro de 2011 - 19:36

Conforme o blog já noticiou no post “2011 vai pedalar“, firmamos uma parceria com a fabricante de handbikes Handvikn. A partir de hoje, os leitores poderão acessar o site do fabricante clicando diretamente no banner colocado aqui no blog, logo à direita do primeiro texto. Para conhecer tudo que já publicamos sobre handbikes, basta acessar o Handbike Blog ou digitar a palavra “handbike” na caixa de busca por palavra chave.

E aguardem: nossa bike Handvikn já está na fase final de montagem e, até o final desse mês, publicaremos a avaliação completa do modelo Handvikn 700 EHL.

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2011 vai pedalar

Nickolas Marcon - quarta-feira, 12 de janeiro de 2011 - 20:25

Handbike fabricada pela Handvikn

Depois de merecidas férias, o blog volta à carga em 2011 com ótimas novidades para os leitores. Fechamos uma parceria com a Handvikn, fabricante nacional de handbikes que desenvolveu um produto ao nível das importadas mas que é fabricado no Brasil e tem custo muito mais acessível.

Em breve receberemos uma bike da marca para fazermos uma avaliação completa e dar aos leitores todas as dicas para compra e uso. Quem quiser ir “esquentando os motores”, pode ler o Handbike Blog onde o Eduardo já colocou uma matéria mostrando fotos do primeiro modelo da marca, que já recebeu alguns aperfeiçoamentos.

E atenção: junto com a avaliação teremos o lançamento de uma promoção especial da Handvikn para os leitores do blog.

Aguardem!!!

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Mundial de handbike do Canadá

Eduardo Camara - quinta-feira, 2 de setembro de 2010 - 13:15

Estou com uma semana atrasado, mas deem um desconto. A viagem foi muito corrida e cansativa. Gastei 36h desde a saída de casa no Rio até a chegada no hotel do Canadá. Foram 4 voos (um deles em um teco-teco de 26 lugares), horas e horas de aeroporto e mais um monte de estrada dentro de uma van. O hotel em que nos hospedamos ficava a mais de 100Km (!!!) de distância do local da prova, pois todos os outros que eram mais perto estavam lotados. Muito cansativo e um verdadeiro inferno ter que gastar 2h30m todo dia só nas idas e vindas.

A população compareceu em massa!

A cidadezinha do campeonato, Baie-Comeau, é uma vila no meio do nada. O lugar é bonitinho? É sim, mas não tinha estrutura para receber tanta gente. O centro da cidade é uma rua de 300m de comprimento. Literalmente. Mas claro que isso também tem os pontos positivos. Como não há nada para se fazer na cidade, a população inteira (pouco mais de 20 mil habitantes) foi prestigiar a prova. Beeeeem legal!

Eu e Aranha babando uma Carbonbike - handbike que chega a pesar 9Kg

Chegamos no hotel terça-feira à noite e desabamos na cama. No outro dia, já estávamos de pé às 7h para “viajar”  de carro até Baie-Comeau e começar os preparativos. Passei por um classificação funcional onde uma equipe avalia minha capacidade física e atribui uma pontuação. De acordo com essa pontuação, sou alocado em uma determinada categoria. Sem surpresas, caio na categoria H2, como esperado. O Aranha não teve a mesma sorte. Devido à uma regra nova, acabou sendo alocado na categoria H4 e tinha que correr em uma bike de ajoelhar, que ele nem mesmo tem. O resultado foi que ele pode correr apenas a prova de contra-relógio e mesmo assim sem registro de tempo. Foi uma sacanagem sem tamanho e vou escrever mais sobre isso no blog da handbike para quem quiser entender melhor como funciona a classificação funcional…

A equipe da Holanda tinha uma estrutura de cair o queixo. As handbikes não ficavam atrás...

Logo depois da classificação funcional fomos buscar nossas malas – que não cabiam no teco-teco e vieram de caminhão – e bikes. A cidade já estava lotada de atletas de todas as categorias. Centenas de handbikes, tandems e bikes convencionais circulando. Aí caiu a ficha de que estava no campeonato mundial, junto com os melhores atletas do mundo. Sensacional!!!

Hora de montar e regular as hands. Acabamos demorando mais do que o previsto e o resultado foi que não consegui fazer a volta de reconhecimento no percurso. Andei apenas os 3 primeiros quilômetros e só descobri os outros 8 no dia seguinte, já durante a prova.

Eu na largada da prova de contra-relógio

Na quinta-feira, dia 19/08, rolou a prova de contra-relógio individual, onde cada um larga separado e deve fazer o circuito no menor tempo possível. Eram apenas 11,4Km, moleza para quem treina 50 por dia, mas tinha um pequeno detalhe: duas subidas com inclinação de 12% e cerca de 500m cada. Destruidoras. Nunca senti tanta dor na vida e juro que pensei em desistir da carreira de ciclista por ali. Para quem está acostumado com os trechos planos do Rio, aquilo foi um verdadeiro suplício… E para completar, ainda tive problemas com a bicicleta na subida. Minha corrente caiu e daí demorei mais de um minuto recolocando-a no lugar. Depois da subidaona, uma descida vertiginosa onde a bike chegava a 65Km/h sem pedalar. Desci travado e no final, não podia ser muito diferente: cheguei em último.

Fernando Aranha e Eduardo Camara na largada da prova de contra-relógio

Não me abalei pois era disparado o menos experiente de todos os corredores. Dez meses de treinamento intenso aqui no Brasil valem muito, mas não dá para comparar com a galera dos outros países, principalmente da Europa, que já corre há anos. E vários dos atletas vieram de outros esportes, como a corrida em cadeira de rodas. O desafio era mesmo correr contra mim mesmo e dar o meu melhor.

Tentei descansar na sexta-feira, mas não deu. Mais acertos na bike para que a corrente não caísse e também aproveitei para ver as outras corridas. Foi um barato assistir os tops do mundo no paraciclismo e ver o Brasil ganhando a primeira medalha – de bronze – na prova de contra-relógio da categoria C5 com Lauro Chaman. O desempenho dos atletas brasileiros foi muito bom e na categoria C5 o Brasil fechou o pódio na prova de estrada que rolou no domingo, algo que só outro país conseguiu fazer (Suiça na prova de estrada da categoria H2).  Se considerarmos a diferença de estrutura da equipe do Brasil para a dos outros países e a falta de incentivo ao esporte que temos por aqui, o mérito é ainda maior. Para terem uma idéia, nossa delegação tinha 10 atletas e apenas mais dois grandes caras (Romolo Lazzaretti e Cláudio Civatti) que se desdobraram o tempo todo fazendo papel de chefe de delegação, técnico, motorista, mecânico e o que precisasse. Tiro o chapéu para os dois!

Momento de descontração

No sábado, almocei cedo – a comida era pior do que a do bandejão da faculdade – e tentei me concentrar para corrida de estrada, que começava às 13:30. Nessa corrida, todos largam juntos e ganha quem chegar primeiro. Eu, nervoso, só pensava em ter que encarar o “himalaia” canadense 4x! Mas foi só alinhar na largada que fui tomado duma sensação muito boa. Estava ali, lado a lado com todos os outros competidores sinistros que eu só conhecia por fotos, vídeos e Internet. Os caras são muito fera e  é claro que só os vi quando alinhamos para largar :-)

Dada a largada, consegui acompanhar o bloco principal por 1 Km, até chegar a primeira subida. Meu coração estava a 188 BPM (marca nunca atingida antes) e tive que diminuir um pouco o passo para não correr o risco de deixar a Bibinha viúva. De lá, fui só seguindo um australiano que estava uma centena de metros na minha frente. Cheguei a perder o tal australiano de vista, mas o encontrei novamente quando cheguei à base do Everest. Joel Jeannot (francês) e Vicco Meklein (alemão), respectivamente primeiro e terceiro lugares da categoria H3, me incentivavam com “allez! allez!” e “go! go! go!” enquanto eu botava os bofes para fora e me arrependia de ter nascido. Ver dois caras como eles torcendo por mim me empolgou e a subida ficou até mais fácil… Demais!

Sandro Fernandes e Paulo Cardoso - Categoria Tandem

Vencida minha primeira batalha contra o morrão, desci com mais confiança do que no primeiro dia e  fui junto com o australiano. O passei no final da descida e já não era mais o último. Enquanto caminhava para terminar a primeira volta, Jean-Marc Berset, da Suiça, estava passando no sentido oposto do circuito, provavelmente uns 10 minutos à minha frente. O cara, aos 50 anos, já tinha sido o campeão da prova de quinta-feira e caminhava sozinho para ganhar mais outra. Impressionante! Logo atrás estava Heinz Frei, outra lenda do esporte paraolímpico e com quem tirei até uma foto de tiete depois da prova.

Passei pelo pórtico completando a primeira volta enquanto a multidão fazia barulho. Definitivamente, a grande vantagem de ter corrido numa cidade pequena como Baie-Comeau. Todos os moradores vão para as ruas com sinetas, panelas, cornetas, bandeiras e tudo mais. A cada metro tem um doido gritando “allez!”, “go!”, “keep pushing!” e  outros clássicos do incentivo. E não é que funciona? Estimulado e conhecendo melhor o trajeto, encontrei meu ritmo e venci com mais tranquilidade as ladeiras que ficam no centro da cidade. Continuei mantendo o passo e, se não via o próximo competidor à frente, também não via o australiano pelo retrovisor. Me aproximei novamente dos Pirineus de Baie-Comeau e o sol estava forte, com a temperatura beirando os 30 graus. Suando em bicas, a 8Km/h, comecei a escalar a primeira parte da ladeirona pensando apenas que depois daquela ainda faltavam mais duas voltas. Será que ia aguentar? Nunca saberei… Pouco depois de chegar ao platô que fica após a primeira subida, meu pneu saiu do aro e esvaziou (descobri depois que foi culpa do mecânico que o montou no Rio). :-(

Fui para o canto da pista e um carro da organização parou. De dentro saltou uma médica que perguntou o que houve e se eu estava bem. Falei que

Heinz Frei, lenda do esporte paraolímpico, e eu

era só um pneu murcho, ela chamou o carro de apoio mecânico e se certificou de que estava bem hidratado antes de seguir. Esperei uns bons minutos pelo carro da Shimano (fábrica de peças de bicicleta). Enquanto isso, fiquei assistindo a prova de um local privilegiado e vi Berset – o suiço voador – passar. Logo depois veio o Frei e mais outro suiço. As posições ficaram assim até o fim da prova, mostrando como o país dos famosos relógios domina as provas de handbike na categoria H2. O carro de apoio mecânico chegou e foi só confusão. Trocaram minha roda por uma de 10 velocidades e na pressa fizeram alguma besteira que desregulou meu passador e impediu a troca das marchas. Na confusão, ainda perderam uma sapata do meu freio. Não teve jeito e tive que abandonar a prova. Ainda esperei por um terceiro carro que “reboca” os quebrados até o centro da cidade. Dois canadenses gente fina e com um cecê do cão me carregaram pra dentro de um Jeep e fui de carona até o local da largada. No caminho, fui pensando em como a experiência de correr essas provas foi válida.

A delegação brasileira no Canadá - João, Soelito e Lauro (categoria C5), uniformizados, ganharam medalhas de bronze, ouro e prata, respectivamente. Orgulho para o Brasil!

Quando cheguei em Baie-Comeau, achei que estava como aquele africano que foi competir nas olimpíadas e quase morreu afogado na prova de natação pois não sabia nadar. Agora, tenho consciência de que não estou tão mal assim. Sei que ainda posso melhorar muito e a experiência que trouxe fica comigo até o fim da minha vida. Me aguardem! Não, melhor, não me aguardem não, que eu vou buscar :-)

Vale a pena ver o vídeo feito pela organização do campeonato. Dá para sentir o gostinho de como foi competir por lá!

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Campeonato Brasileiro de Handbike – 2010

Eduardo Camara - terça-feira, 29 de junho de 2010 - 10:20

Josimar "Joselito" Sena na largada do Contra-Relógio

Sexta-feira passada, o Brasil inteiro ligado no jogo contra Portugal e eu pegando vôo para o Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paraolímpico. Pelo menos não perdi muita coisa, né? E lá em Brasília, o campeonato foi maneiríssimo!

Os atletas foram chegando ao longo do dia, e à noite rolou o congresso técnico e a primeira vitória da galera do handbike: a organização da prova cumpriu o combinado na última competição e dividiu os atletas em duas categorias, de acordo com os níveis de deficiência. Assim, a competição ficou mais justa e os atletas satisfeitos e estimulados!

As provas foram realizadas no autódromo Nelson Piquet, com céu azul, ótimo asfalto  e um percurso que misturava subidas e descidas. Gostei do lugar, mas as subidas e o vento forte jogaram as médias de velocidade lá para baixo. Aliás, como foi difícil encarar os aclives com a handbike. Subir umas ladeiras virou dever de casa!

Joselito e Aranha na prova de estrada

Sábado foi dia do Contra-relógio individual, prova onde cada atleta larga separado e deve terminar o percurso no menor tempo. A distância total era de 5.400m. É pouco (a UCI recomenda no mínimo 10Km) e até fiz uma recomendação à organização para aumentar as distâncias em um próximo evento. De qualquer forma, o circuito tinha duas subidas que serviram para diferenciar os atletas. O melhor  handbiker do Brasil, Fernando Aranha, estava com um azar danado e quebrou o pedivela na largada. Eita cara bruto! A quebra de Aranha abriu espaço para Eliziário “Motorzinho” brilhar e vencer na categoria H3. O atleta de São Vicente, veterano da handbike e do triathlon – onde já completou incríveis 8 Iron Man – fechou a prova em 11’09”, melhor tempo do dia. Completaram o pódio Cláudio Amaral (que mostra uma ótima evolução) e Ronílson “Índio”. Na categoria H2, esse que vos escreve chegou na frente com o tempo de 11’37” (Ah moleque!!! Ah, moleque!!!), o segundo melhor do dia. Feliz igual pinto no lixo, ainda dividi o pódio com os afiados Rafael Rodrigues (2o colocado) e Josimar Sena (3o colocado), que se mostraram bastante preparados para a prova.

Eu e Perna (provavelmente falando besteira) no hotel

No último dia, era a vez da prova de estrada. Mesmo local, mas circuito diferente, com uma loooonga subida, uma descida e trechos planos. No total, 15Km de pedal com todos os atletas de cada categoria largando juntos. A H3 largou na frente e 30s depois foi a vez da H2. Aranha, que correu atrás e conseguiu soldar o pedivela quebrado na véspera, mostrou que é o cara e terminou os 15km em 26’18”, com média acima dos 34Km/h. Está no nível dos principais atletas do exterior. Atrás vieram “Motorzinho” e “Índio”. Cláudio Amaral sofreu com o vírus do pedivela quebrado (pegou do Aranha!) e não chegou a largar.

As handbikes na prova de domingo

Na H2, o começo de prova foi bem disputado. Comecei puxando a galera até o fim da subida, mas como não estava afim de dar carona para aquele bando de marmanjo, dei uma guinada para o lado, abri um sprint até 43Km/h e deixei o resto do pessoal no vácuo. Ou melhor, FORA dele. Apertei tanto o ritmo na primeira volta que a fechei com média de 31Km/h. Claro que não consegui manter a o ritmo ao longo das outras voltas, ainda mais com o subidão da reta dos boxes, mas foi o suficiente para vencer a prova e manter longe o 2o colocado, o incansável Rafael Rodrigues – que também fez uma ótima corrida. Em terceiro, completando pódio, chegou Rony Vasconcelos.

A galera do Clube de Ciclismo de São José dos Campos. Pose com as medalhas!

Resumo da ópera: houve uma nítida evolução de todos os atletas. A organização ofereceu boa infraestrutura aos atletas e organizou a prova em um excelente circuito, além de ter cumprido o prometido e dividido os atletas de handbike em duas categorias. Ponto a melhorar? Apenas as distâncias das provas, que na minha opinião deveriam ter tido o dobro do tamanho.

Parabéns à todos!

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Copa Brasil de Ciclismo Paraolímpico – Caraguatatuba – SP

Eduardo Camara - terça-feira, 4 de maio de 2010 - 17:03

No último final de semana fomos à Caraguatatuba para participar da  Copa Brasil de Ciclismo Paraolímpico, competição que reuniu os melhores ciclistas com deficiência do país. Entre eles, 12 handbikers!

Largada da prova de estrada, categoria handbike

Dentre as 6 categorias da Copa Brasil, a de handbikes foi a que teve mais participantes. Foi legal encontrar com atletas veteranos como Fernando Aranha, Índio, Motorzinho, Mario e Maciel, todos há vários anos no esporte, e também ver que  tem gente nova pintando, como o Claudio de Patos de Minas, Evandro e Josimar, de SJC, e o pessoal do Parakart, que ganhou a handbike no passeio ciclístico World Bike Tour em SP e está pedalando pra valer!

Eu na prova contra-relógio individual

O local escolhido para a prova, organizada em conjunto pelo Clube de Ciclismo de SJC, Líder e CBC, era sensacional! Simplesmente à beira da praia, com 1.700 m de asfalto lisinho e uma pequena subida leve. Os dias também estavam lindos, com céu azul o tempo todo!

Jogo de equipe: Aranha na frente e eu colado atrás, tentando alcançar o Motorzinho

No sábado rolou o Contra-Relógio Individual (CRI), onde cada atleta larga separado, não pode pegar vácuo e tem que terminar as voltas no menor tempo possível. Mesmo furando o pneu na primeira curva do circuito, Fernando Aranha conseguiu completar as 3 voltas em 9:58 minutos e chegou em primeiro. Em seguida veio Eliziário dos Santos, o Motorzinho, com 10:16 minutos e dois segundos depois, euzinho aqui. Fiquei feliz bagarai! :) Índio e Claudio Amaral completaram o pódio, todos com tempo abaixo dos 11 minutos.

A galera do handbike confraternizando após a corrida

Domingo teve mais prova, dessa vez a de estrada, e os handbikers tiveram que completar 10 voltas no circuito. No começo da corrida, Motorzinho e Aranha puxaram o ritmo da prova e eu fui logo atrás, tentando abrir distância do 4o e 5o colocados (Índio e Claudio Amaral). Consegui me distanciar deles, mas mesmo com os esforços do Aranha, que me puxou umas 3 voltas pelo menos, não consegui alcançar o Motorzinho. No final, as 5 primeiras posições da prova de estrada foram as mesmas da prova de CRI, com destaque para o sprint final de Índio e Claudio Amaral pela disputa do 4o lugar. Claudio vinha na frente, mas Índio acabou  ultrapassando-o a poucos metros da linha de chegada.

Recompensa por ter terminado a prova

Depois das provas, rolou ainda um ótimo bate papo com os atletas e a galera que foi prestigiar a corrida. Foi muito legal constatar o quanto estamos unidos e queremos promover o esporte. E de quebra, ainda conhecemos a Cybelle do Deficiente Alerta, que fez uma aparição surpresa por lá. Gente finíssima!

Eu e as medalhas

Quem quiser conferir os resultados completos, mais fotos e outros detalhes da Copa Brasil pode visitar o Handbike Blog. Vou colocar as informações por lá daqui a pouco…

A galera do Clube de Ciclismo de SJC, junto com outros atletas amigos

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Passeie de handbike na praia de Copacabana. De graça!

Eduardo Camara - quinta-feira, 22 de abril de 2010 - 14:59

Tá, você já assistiu os vídeos, viu a handbike da Luciana na novela e está doido para pedalar, mas não tem uma handbike. Seus problemas acabaram!!!

Nesse domingo – e talvez nos próximos – o Mão na Roda, em parceria com a ONG Espaço Novo Ser e o Projeto Praia Para Todos, vai liberar uma bike para empréstimo na Praia de Copacabana, em frente ao posto 5.

Talvez algumas pessoas daqui já saibam, mas no começo do ano rolou o Bike Tour em São Paulo e 10 handbikes foram sorteadas. Eu fui um dos felizardos e viajei para SP exclusivamente para pegar a bike e trazer aqui para o Rio, já com a idéia de emprestá-la para quem não tem condições de comprar/manter uma bicicleta. Depois de redescobrir a maravilha que é pedalar, quero dar a mesma oportunidade para todas as pessoas que, como eu, não podem andar em uma bike comum.

Domingo passado testamos a idéia pela primeira vez, e foi um sucesso! Seis pessoas pedalaram a handbike pela orla de Copacabana. Teve criança, homem, mulher, gente que nunca tinha pedalado  uma bike na vida e também quem estava há anos sem pedalar.

Então, se você quiser testar a bicicleta, dê um pulo no projeto Praia Para Todos nesse domingo, das 9 às 14h, em frente ao Posto 5 de Copacabana. Só não se esqueça de levar um documento de identidade ou carteira de motorista, ok?

E para deixar vocês com mais vontade de ir, aqui estão algumas fotos da semana passada!

Nossa leitora Paula Teperino testa a bike

Paula, Breno, Ricardo e eu, no projeto Praia Para Todos

Letícia estava conhecendo o projeto e aproveitou para dar uma pedalada

A bike e o visual da orla ao fundo

Até a Bianca deu suas pedaladas...

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Um rolé de handbike pelo Rio de Janeiro

Eduardo Camara - terça-feira, 13 de abril de 2010 - 21:40

Voltar a pedalar me trouxe uma alegria infinita e sempre que puder vou compartilhar isso com vocês. Longe de mim começar com aquele papo de que a lesão medular tornou minha vida muito melhor do que era antes, mas sinto-me um privilegiado toda vez que volto pedalando do Aterro do Flamengo no final da tarde e vejo a Baía de Guanabara com suas águas douradas refletindo o sol. O visual é indescritível e no que depender de mim vou brigar um bocado para cada cadeirudo ter a oportunidade de viver essa mesma sensação de alegria que eu sinto pedalando.

Nesse último final de semana, filmei minha pedalada pela orla do Rio e o resultado tá aqui no blog para vocês. A edição ficou por conta da minha super ultra mega linda e talentosa namorada, Bianca Marotta. :)

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Lateral Direita

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