Nickolas Marcon - domingo, 19 de dezembro de 2010 - 22:31

ponte de embarque (finger)
Notícia quentinha no blog: acabou de ir ao ar no Fantástico uma reportagem abordando a acessibilidade dos meios de transporte. O foco maior foi dado para o transporte aeroviário, mostrando problemas em aeroportos e aviões.
Quem já viajou de avião sabe que um embarque tranquilo depende, infelizmente, de sorte. Mesmo estando num aeroporto bem equipado, que tenha pontes de embarque (fingers), é preciso ter sorte para que o avião esteja parado ao lado de uma. Também é preciso sorte para marcar o lugar na primeira fila do avião, sorte para o avião estar no horário e conseguir embarcar com tranquilidade, sorte para não precisar do banheiro durante o vôo (situação super-constrangedora)… enfim… viajo frequentemente de avião e já aprendi que rezar adianta mais do que reclamar.

cadeirante embarcando em estação tubo
Outro ponto mostrado na reportagem foi o transporte em ônibus. Apareceu um cadeirante tentando tomar um ônibus urbano em Curitiba/PR, usando as famosas “estações tubo”. Sem problemas. Eu mesmo usei esse tipo de ônibus por algum tempo quando morava naquela capital e o acesso era muito fácil.
Uma citação foi feita aos ônibus intermunicipais, que normalmente são mais altos, com apenas uma única e estreia porta de entrada. Há algum tempo eu tenho reparado que os ônibus intermunicipais mais novos têm o adesivo de acessibilidade colado na porta. Curioso sobre isso, enviei um email para a empresa Marcopolo, uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus no Brasil e fabricante de alguns ônibus que eu tinha visto com o adesivo. (esclarecimento: a foto abaixo é de um ônibus de outro encarroçador, porém com acesso idêntico à maioria dos veículos).

ônibus intermunicipal com adesivo de acessibilidade
O texto do email que enviei foi o seguinte:
Tenho visto vários ônibus intermunicipais e interestaduais com o símbolo de acessibilidade, que acredito representar facilidade de acesso ao interior do veículo. No entanto, esses veículos continuam apresentando entradas estreitas e com escadas, representando grande dificuldade para pessoas com problemas de locomoção. No caso do passageiro ser cadeirante, o embarque é impossível, pois a entrada é tão estreita que impede a passagem de alguém carregando a pessoa no colo. Por que esses veículos utilizam o símbolo de acessibilidade se não há nenhuma facilidade de acesso? Que tipo de adaptações foram feitas?
A resposta da empresa foi a seguinte:
Informamos que os referidos veículos são dimensionados para atender a norma NBR 15320 (Acessibilidade de Veículos Rodoviários), e estabelece dentre muitas melhorias para a acessibilidade, a utilização de uma cadeira de transbordo especial para o translado da pessoa, da cadeira de rodas para o assento reservado no ônibus.
Pois bem. Um belo dia precisei utilizar um ônibus desse tipo para ir a um evento da empresa. O ônibus era novo e o adesivo de acessibilidade estava na porta. Fiquei empolgado para conhecer a tal “cadeira de transbordo”. Sabe o que o motorista disse?
“Que é isso, moço? Nem sei se esse negócio existe, mas nesse ônibus nunca teve. Sempre que alguém vai embarcar, carregamos no braço mesmo.”
Pois é… ainda temos muito o que melhorar…
Nickolas Marcon - domingo, 28 de março de 2010 - 21:34
Outra notícia fresquinha do blog: conforme já havíamos comentado num post anterior sobre ônibus, os cadeirantes que dependem de transporte coletivo estão em sérios apuros.
Acabou de ser exibida no programa Fantástico, da Rede Globo, uma reportagem em que pessoas testavam o serviço dos ônibus adaptados para cadeirantes em 5 capitais do Brasil. O resultado já era esperado: apesar de haver veículos adaptados em circulação, o serviço ainda está muito aquém do desejado para que os cadeirantes tenham seu direito de ir e vir respeitado como os demais usuários.
O primeiro problema é o número de veículos adaptados. Na maioria das cidades são poucos, fazendo com que a demora entre a passagem de ônibus adaptados seja muito grande, um tempo que pode passar de uma hora.
O segundo problema destacado também não supreendeu. Como a maior parte dos ônibus são fabricados sobre CARROÇArias de caminhões, de projeto antigo e inadequado para uso no trasnporte coletivo, a solução para acessibilidade é a colocação de elevadores. Acontece que esses elevadores não tem manutenção adequada e nem é dado treinamento aos funcionários dos ônibus para operá-los, provocando demora no embarque - isso quando ele acontece - e deixando muitos usuários cadeirantes constrangidos com a situação. Em 3 cidades exibidas cujos ônibus usavam elevadores – Rio de Janeiro, São Luís e Goiânia – nenhum funcionou adequadamente na primeira tentativa.
Então, qual é a solução? Quanto mais simples for a adaptação, melhor. Em Porto Alegre e São Paulo os ônibus adaptados também demoraram para aparecer. Nenhuma surpresa. Só que os veículos exibidos usavam chassi mais moderno, com piso rebaixado. Já vi esse tipo de solução em outras cidades também. Dessa forma, basta colocar uma rampa dobrável, cuja parte mais sofisticada é… uma dobradiça! O ônibus encosta ao lado da guia, o cobrador baixa a rampa até a calçada e pronto. O cadeirante sobe pela rampa e depois é só recolhê-la manualmente. A operação dura poucos segundos.

Esse tipo de ônibus com piso baixo é melhor também para todos os usuários “andantes”, pois não tem escada na entrada, apenas um degrau. A foto acima já apareceu em um post anterior sobre Santiago e mostra um ônibus com piso baixo e rampa de acesso. Também já mostramos esse tipo de ônibus num post sobre Paris.
Fica a pergunta para os leitores responderem: se é possível simplificar, por que fazer da forma mais cara e complicada???
…
Nota dos autores do Mão na Roda: esse é o nosso 4oo° post! Uhu!!! \o/
Nickolas Marcon - quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 - 19:51
Quem depende de ônibus para se locomover certamente já esteve em apuros alguma vez. Ou faltam veículos equipados com elevador ou, quando ele existe, a má vontade da dupla motorista/cobrador chega ao ponto de alegarem “desconhecimento da operação do elevador” para não embarcar o deficiente. Como se eles nunca tivessem recebido treinamento ou como se operar dois botões fosse algo extremamente complexo…
Só para exemplificar, seguem abaixo dois relatos de autores do blog.
Nickolas:
“Quando eu ainda morava em Curitiba, andava muito de ônibus antes de comprar um carro. A única vez que tive problema foi quando a plataforma do ônibus ficou inclinada e não consegui subir sozinho, parei no meio do caminho e a porta fechou em cima da cadeira. Como o ônibus tinha mecanismo de segurança, não saiu do lugar quando o motorista acelerou… falha dele que não tinha visto que eu estava na porta quando fechou, mas pelo menos ouvi um pedido de desculpas.
Aqui no RJ já ouvi histórias escabrosas sobre a má vontade dos funcionários das empresas de ônibus. Que os motoristas de ônibus daqui beiram a irracionalidade eu já sei, pois dirijo e recebo deles fechadas e outras bandalhas todos os dias, mas que são incapazes de operar um mecanismo com dois botões ou que nem respeitam a chamada para parar no ponto, isso não dá para entender… Parece piada!”
Eduardo:
“Eu já tentei voltar de ônibus uma vez que o metrô deu problema. Foi antes de colocarem esses 500 ônibus para rodar. Esperei pra caramba! Não passou ônibus algum e acabei pegando o metrô, que tinha voltado a funcionar.
Acho que os motoristas têm é má vontade de operar aquele treco. E convenhamos: elevador não é a melhor solução! Demora muito para descer e subir. Bom mesmo é ônibus de piso baixo.”
…
E você, utiliza ônibus para se locomover? Mande um comentário relatando sua experiência…