Cris Costa - quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 - 16:35
Voltar a trabalhar ou entrar no mercado de trabalho não é fácil pra ninguém, e quando se tem alguma deficiência ainda é um pouco mais complicado. Com a lei de cotas, o mercado melhorou muito. Eu sei que esse muito tá longe de ser bom ou mesmo razoável, mas que melhorou é fato. Lembro que há 10 anos atrás era bem mais complicado conseguir trabalho e as vagas disponíveis para deficientes eram bem mais limitadas. Nem vou entrar no quesito salário, pois era de chorar.
Lembro que quando me senti pronta pra voltar ao mercado fiquei bem perdida, sem saber por onde começar. Não sabia se ia direto pra iniciativa privada ou se estudava para algum concurso. E além disso, tinha várias questões envolvidas: estava sem carro, há 2 anos fora do mercado, não tinha me formado na faculdade e não fazia idéia de como seria ficar 8 horas seguidas sentada. Mas não via outra opção: ou encarava as dificuldades ou não ia sair do lugar.
Acabou que pintou uma oportunidade de trabalhar 3 vezes por semana numa clínica particular de reabilitação na parte administrativa. O salário era péssimo, a função não me empolgava, mas precisava começar em algum lugar e sair casa. A experiência não foi lá muito boa. O salário não pagava o que gastava com transporte e não tava me acrescentando muita coisa. Até os donos da clínica sabiam disso. Mas foi lá que apareceu uma outra oportunidade. Me falaram que o CVI tava fazendo processo seletivo e que talvez fosse uma boa oportunidade. Topei na hora, e fui lá fazer o tal processo seletivo. Mais uma vez, a atividade não me empolgava. O salário era melhor mas sabia que ia todo no transporte. Mesmo assim, achei que valia. Era pra uma empresa de grande porte, e as possibilidades de melhoria eram boas. E seriam apenas 6 horas por dia, o que me agradava na época. Passei no processo seletivo, fiz o treinamento e um mês depois já tava trabalhando. A área que eu estava era praticamente só de deficientes. Na época foi bom, pois acabei aprendendo muito e tendo uma troca muito bacana com pessoas que tinham bem mais tempo de lesão. Vi gente que já trabalhava há muito tempo, alguns formados, outros casados, enfim, todos levavam uma vida normal. Isso foi muito marcante e me fez ver que as possibilidades estavam abertas pra mim.
Um adendo nada a ver: curiosamente, foi nessa empresa que conheci o cara mais marrento que já vi, um tal de Nickolas Marcon.
Voltando ao assunto, depois de quase um ano na mesma área, surgiu uma oportunidade de trabalhar em outra área da mesma empresa. Já era algo que tinha mais a ver comigo e com um salário que me daria condições de comprar um carro. Me candidatei na hora e depois de entrevistas e conversas, consegui a vaga. Fazendo algo que me dava uma perspectiva melhor, vi que era hora de começar a investir em estudo pra que pudesse continuar crescendo, e assim foi. Fiz vestibular, estudei, me formei e fui melhorando. Fiz outra faculdade e me formei. Agora estou procurando uma pós para fazer. Recebi propostas de outras empresas, algumas boas, outras não. Arrisquei, acertei e errei. Mas essa parte, independe de deficiência, é igual pra todo mundo. O importante é se qualificar para poder buscar oportunidades melhores e de acordo com seu perfil.
É interessante também se informar sobre a empresa que está contratando. Acreditem, já vi algumas contratarem apenas pra cumprir cota. Se a pessoa era qualificada e podia fazer um bom trabalho, não importava. Tava ali cumprindo a mesma função de um móvel. E isso é ruim tanto para empresa quanto para o funcionário.
Mas o bom é que nesse meio tempo as oportunidades oferecidas melhoraram. Sim, ainda precisa evoluir muito e me aborrece ainda ver empresas anunciando vagas específicas para deficientes. E, normalmente, são de telemarketing ou auxiliar de alguma coisa. Na boa? Se estamos trabalhando para inclusão, o ideal seriam as empresas abrirem vagas para TODOS e, se o cara for cadeirante, deficiente auditivo ou visual, isso não deveria ser empecílio. O que deve importar é o currículo, a experiência e a capacidade de cada um. Mas enquanto isso não acontece, vale tentar se especializar, estudar, fazer uma faculdade… Ok, sei que não é fácil. Nada ajuda, tudo é caro e os meios de transportes são uma vergonha, mas vale pensar adiante e o quanto as portas podem se abrir se você estiver mais preparado. Tente entrar em contato com ONG’s que não só tem contato com empresas como também oferecem cursos profissionalizantes. Faça um esforcinho, pequise e se informe. Nada que o Google não ajude. Aqui no Rio, posso dizer que o CVI e o IBDD fazem um excelente trabalho nessa área. Vale dar uma olhada no site deles.
Enfim, é apenas minha humilde opinião e experiência. Dificuldades sabemos que existem. O importante é estar preparado e agarrar as oportunidades que aparecerem.
Bianca Marotta - quinta-feira, 10 de junho de 2010 - 16:54
Há alguns dias uma amiga minha me enviou um email com a imagem abaixo que achei muito bacana e que apareceu num blog que fala sobre a Suécia. A imagem mostra uma placa que passou a ser instalada nos estacionamentos da cidade de Markaryd, ao sul de Gotemburgo.

“Mas o que tem essa imagem demais?”, você deve estar se perguntando. Bom, quem entende sueco, sabe do que estou falando. A graça desta placa está justamente nos seus dizeres:
“Preguiça não é deficiência”
Perfeita praquele povinho que cisma em estacionar na vaga para pessoas com deficiência por pura preguiça de rodar mais um pouquinho com o carro!
Observação: A informação foi extraída do blog Skandinavien.
Bianca Marotta - sexta-feira, 16 de abril de 2010 - 12:42
Antes mesmo de conhecer o Dado, algumas expressões que ouvia por aí em relação às pessoas com deficiência já me irritavam. Depois que passei a conviver com ele, minhas desconfianças de que elas estavam sendo mal empregadas só se confirmaram.
Palavrinhas como: portadores de deficiência, pessoas especiais, ou portadores de necessidades especiais me soavam sempre tão esquisitas, que fiquei feliz da vida, quando descobri que as próprias pessoas a quem essas expressões se referem não gostam delas. Já falamos sobre isso aqui num dos primeiros textos do nosso blog, mas como a coisa ainda se repete, acho que podemos e devemos abordar o assunto de novo.
Comecemos com o termo: portadores de deficiência. Entendam, quem tem uma deficiência possui essa deficiência. A pessoa não porta, nem carrega a sua deficiência, como quem carrega uma bolsa. Seria até bom se fosse assim, né? Imaginem: “Ah! Hoje acho que vou deixar minha deficiência em casa, junto com o celular. Não estou a fim de portar ela comigo, não”. Já pensou que maravilha? A impressão que tenho é que quem usa essa expressão pensa estar sendo mais educadinho ou menos duro. Mas entendamos de uma vez: ninguém carrega uma deficiência, ok? A pessoa tem a deficiência e é isso aí, meu irmão. Sem constrangimentos.
Se você quiser piorar a situação mais um pouquinho, use a expressão “pessoa especial”! Gente, se já é um saco ter que aguentar toda hora os olhares de pena ou idolatria, se já é um porre saber que, por usar muletas ou uma cadeira de rodas, você involuntariamente se destaca no meio da multidão, imagina ainda ser rotulado de especial? Na boa, ser especial não é legal. O legal é ser tratado como uma pessoa qualquer, que vive sua vida como todo mundo, trabalha, estuda, se diverte e ainda paga impostos. Na minha humilde opinião, a expressão “pessoa especial” esconde um preconceito e disfarça um sentimento de culpa. Já reparou como as pessoas que usam esse termo geralmente o falam olhando pros lados e meio que sussurrando, com cara de quem está falando sobre algo muuuuito delicado? Ai, que hipocrisia!
Agora, se você quer errar feio mesmo, junte as duas expressões e diga: pessoa portadora de necessidades especiais. Ui! Como já dissemos antes ninguém porta ou carrega uma deficiência, muito menos uma necessidade. Você tem ou não tem uma necessidade. Quem usa essa expressão já começa usando português errado. Segundo que, se a gente for olhar cada um de perto, vai descobrir que todo mundo tem uma necessidade especial (especial aqui no sentido de diferente). Seu vizinho precisa tomar insulina, porque é diabético, enquanto sua colega de trabalho não pode usar salto alto, porque tem um problema de coluna. Aí você resolve olhar pra si mesmo e se lembra que só consegue dormir com todas as luzes apagadas e silêncio total. Não são todas necessidades especiais?
Então galerinha, vamos parar de tentar inventar a roda, de querer “falar bonito” e de tentar camuflar o que está aí na nossa cara. Chega de termos politicamente pseudo-corretos e chatos. Uma pessoa com deficiência é uma pessoa com deficiência e pronto, acabou! Essa é a expressão correta.
E pode ficar tranqüilo, que ninguém vai ficar ofendido com isso.
Eduardo Camara - quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 - 11:02
A vaga abaixo é real, para início imediato e o selecionado vai trabalhar na equipe de um amigo meu. A empresa é uma multinacional de grande porte no ramo de mineração, e está adaptada para receber cadeirantes.
*** Os currículos devem ser enviados para vcapille@gmail.com ***
Formação necessária:
Economia, Administração, Estatística, Ciencia da Computação ou Engenharia.
Conhecimentos desejáveis:
Gestão de Processos;
Gerenciamento da Rotina;
Mapeamento de Processos;
Melhoria Continua e Qualidade;
Domínio do Pacote MS Office;
Inglês Avançado;
Atividades:
Mapeamento de processos e definição de KPI´s para medição de performance;Analisar os GAPs de performance e propor Plano de Ação;
Apoiar a implantação do Plano de Ação, medindo e apresentando os resultados;
Preparar material para reuniões de performance;
Apoiar os donos de processo em ações de melhoria contínua;
Desdobramento de metas;
Eduardo Camara - sexta-feira, 27 de novembro de 2009 - 15:55

Dica da minha amiga Tábata Contri: a Veja publicou uma matéria bem completa sobre cadeirantes. Tudo bem que a matéria pisa na bola ao usar o termo “deficientes físicos” ao invés de “pessoas com deficiência”, mas vale a pena dar uma olhada nos depoimentos de gente como Mara Gabrilli e Marcelo Rubens Paiva e principalmente ver o vídeo com a participação do Renato Laurenti da própria Tábata e também da Flavia Cintra, que está assessorando a atriz Aline Moraes para o papel da tetraplégica Luciana, na novela Viver a Vida.
Para ler a matéria, clique aqui. Para acessar a página do vídeo, clique aqui.
Bianca Marotta - quarta-feira, 14 de outubro de 2009 - 09:40
Nosso objetivo aqui no blog sempre foi o de mostrar soluções e dicas que facilitem a vida de pessoas com deficiência física. Ao invés de ficar reclamando do que há de errado, preferimos mostrar o que se tem feito de positivo em prol da acessibilidade e melhoria da qualidade de vida.
Mas… chega uma hora em que a gente não agüenta, fica com raiva mesmo! Foi por isso que resolvemos instituir aqui no blog o “Dia de Fúria”! A partir de hoje, vamos nos dar o direito de reclamar de alguma coisa, pelo menos uma vez na semana. Como forma de protesto e desabafo!
E pra começar, coloco aqui um email que o Dado recebeu sobre a contratação de pessoas com deficiência pelas Lojas Americanas. Leiam e entendam nossa indignação!
“Prezados,
A Lojas Americanas está buscando promover uma efetiva inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais em seu ambiente de trabalho.
Estamos dando prosseguimento à etapa de recrutamento e seleção para o preenchimento de diversas vagas nas Lojas que se localizam na cidade do Rio de Janeiro.
Nesse momento, estamos avaliando currículos de pessoas portadoras de necessidades especiais que estajam de acordo com o perfil abaixo:
- Idade: 18 a 30 anos
- Escolaridade: 2º grau completo
- Deficiências: Visual (apenas portadores de visão subnormal), Auditiva (perda auditiva modrada), Física (menos cadeirante).
Os interessados devem enviar o currículo para pne@lasa.com.br
Atenciosamente,
RH
Lojas Americanas S.A.”
Não dá vontade de dar na cara da pessoa que escreveu esse texto? Notem os pré-requisitos:
Deficiências: Visual (apenas portadores de visão subnormal), Auditiva (perda auditiva modrada), Física (menos cadeirante). Cadê a “efetiva inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais” da qual eles falam no início do email??? Sinceramente, nota ZERO pras Lojas Americanas! Vergonhoso!!!
Bianca Marotta - sábado, 10 de outubro de 2009 - 16:37
A Gerência de Operações da PETROS está realizando Processo Seletivo interno e externo para prover duas vagas de Assistente I (uma para o Rio de Janeiro e uma para Salvador), destinadas a portadores de necessidades especiais. Os interessados deverão atender ao seguinte perfil:
Formação:
Ensino Médio Completo
Perfil Exigido:
Disponibilidade para realização de viagens com frequência;
Boa redação;
Iniciativa;
Facilidade de Relacionamento.
Atividades a serem exercidas:
• Representar a Petros em audiências judiciais;
• Registrar, controlar e atualizar os registros relativos às atividades de prepostos;
• Operar e consultar os diversos sistemas operacionais que dão suporte às atividades da Gerência de Operações;
• Prestar apoio na sua área de atuação, executando rotinas e controles diversos, efetuando levantamentos, conferências e cálculos na realização de atividades técnicas, designados pelo superior imediato;
• Suporte administrativo aos demais setores da Gerência.
Os interessados deverão enviar currículo para o e-mail curriculos@petros. com.br mencionando no campo assunto o cargo Assistente I (Rio) ou Assistente I (Salvador).
O prazo para inscrição é até o dia 15/10/2009.
Cris Costa - quarta-feira, 7 de outubro de 2009 - 12:40
Começa hoje, e vai até o dia 18 de Outubro o Festival Assim Vivemos, no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo.
O Festival é bienal e teve sua primeira edição realizada em 2003, no Rio de Janeiro e em Brasília. O mais interessante é que todas as sessões dos filmes possuem audiodescrição
(descrição de tudo o que aparece na imagem dos filmes e que não pode ser entendido apenas pelo áudio),
legendas com Closed Caption (inclusive nos filmes brasileiros) e interpretação em LIBRAS dos debates.
Em duas semanas, serão exibidos 24 filmes de 13 países, em diversos horários. Também serão realizados quatro debates sobre temas específicos, congregando pessoas com deficiência, profissionais especializados, professores universitários, diretores de cinema, entre outros.
Todas as sessões terão ENTRADA FRANCA.
Veja a programação completa no site: www.assimvivemos.com.br