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Cadeirante casa?

Bianca Marotta - quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 - 22:46

Mais uma vez a novela Viver a Vida nos dá material para escrever um post aqui. Que bom, né? Confesso que tenho ficado surpreendida com o andamento da trama.

Mas vamos ao que me motivou a escrever este texto. Pra quem não assistiu ao capítulo de hoje, Helena e Marcos resolvem fazer uma festa de boas vindas para Luciana, que acaba de se mudar pra casa amarela. Todos os amigos presentes, badalação total, coisa fina! Eis que me aparece, no meio da festa, outra cadeirante trazida pela médica Ellen. A cena em que as duas são apresentadas, me fez lembrar um assunto que já foi abordado aqui no blog.

Bem a tal da cadeirante convidada, Camila, chegou à festa acompanhada de seu namorado. O que já despertou certo espanto em Luciana. Tipo assim: “alou? Cadeirante namora???” Logo em seguida Camila conta que ela e o namorado acabaram de juntar trapinhos, ou seja, “casaram”. Espanto número dois. “Como assim??? Cadeirante casa??? Eu tenho esperanças???” Foi quase isso que a personagem Luciana disse em resposta.

Na mesma hora me lembrei de um post escrito pela Cris. É impressionante como as pessoas ainda se surpreendem com o fato de cadeirantes namorarem, casarem, terem filhos, enfim, viverem! Não estou criticando a cena da novela, acho que ela foi muito bem colocada, essa reação ocorre com mais freqüência do que se imagina.

E espero sinceramente, que a novela continue mostrando até o seu final como as pessoas continuam vivendo suas vidas, mesmo após uma lesão medular.

Ah! E leiam o post da Cris. É hilário.

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Relacionamento

Cris Costa - sexta-feira, 6 de novembro de 2009 - 10:01

Ok, já sabemos que relacionamentos não são fáceis. Já é difícil lidar com as nossas neuroses, com a do outro então… Mas também não nascemos para a solidão. A gente se apaixona, ama, deixa de amar, e (infelizmente) nem sempre nos amam. É o normal da vida. Mas tem horas que achamos que vai ser impossível se relacionar novamente. Isso aconteceu comigo após o acidente. (e atire a primeira pedra quem não teve esse momento). Assim que comecei a me entender com meu corpo, comecei a pensar se iria namorar de novo. Mas já falei isso aqui, num outro post. O lance agora é quando acontece.

Você conheceu aquela pessoa que deu aquele “clic” diferente. E o “pior”: a pessoa se interessou por você também. Tudo o que você queria, ou pelo menos achava que queria, aconteceu. É aí que as neuroses triplicam: “Será que ele gosta mesmo de mim, ou tá com pena? Será que ele tem noção de todas as limitações que tenho, e vai querer superá-las? Não sei se vou ser uma boa namorada. O que tenho a oferecer afinal? Vou ser um “peso” na vida dele, preciso de muita ajuda e posso ajudar com pouco… Como vai ser pra ele namorar comigo? A família e os amigos serão receptivos?

É tanta neura que passa pela cabeça, que meu primeiro impulso foi me afastar do cara. Doidera, né? Eu sei… Mas às vezes o medo é tão grande, que a gente acaba fazendo nhaca mesmo. Afasta o outro e pronto. É mais fácil, né? Sinceramente, acho que não. Mas é mais cômodo, com certeza. Assim a gente não precisa lidar com nada.

Para tudo! Não que essas dúvidas não tenham fundamento pra quem é deficiente. Mas estão muito mais na cabeça do que parece. E por mais que pareça clichê, a verdade é que quando se ama essas coisas não tem o peso e a importância que achamos que tem.

Muitos vão dizer: “Ah, palhaçada, é claro que tem importância. Você tá maluca Cris?!”. Não. Não tô não. Tive mesmo minhas muitas neuras e vários (ai que exagero, rsrsrs) relacionamentos relâmpagos, porque não me permitia amar e ser amada. Até que alguém me mostrou que relacionamento é tudo igual. E que a deficiência é de longe algo de peso. Faz diferença na hora de sair ou viajar, comprar alguma coisa, se arrumar. Enfim, no que diz respeito à acessibilidade. No relacionamento em si, no sentimento, é tudo igualzinho. Eu provo! Vou abrir aqui minhas brigas “constantes” com o João:

Eu reclamando dele:

- Toalha molhada e cama não combinam! A toalha não tem pés. Aquela barra no banheiro, a mais fina, tem exatamente o propósito de segurá-la.

- Ah não, futebol na TV de novo?

- Me passa o controle remoto?

- Papel higiênico não nasce no suporte. Tem que pegar no armário e colocar no lugar. Muito menos o rolinho de papelão que sobra anda sozinho até a lixeira.

- Sair hoje? Tão cansada…

Ele reclama de mim:

- Existe um secador na área de serviço, ele aguenta calcinhas. Não precisa usar o banheiro pra elas.

- Ah não, você vai ver esse episódio de Sex and the City pela 379º vez? Você e esses seriados… Tem outra coisa pra ver não?

- Me passa o controle remoto?

- Qual o problema com o jogo de futebol? Para de torcer contra o Flamengo, isso não se faz!

- Você vive cansada…

Viram? Normalzim, igual a qualquer outro casal. Ou tô ficando doida????

Sei que cada um tem seu tempo pra entender o corpo e a vida depois de uma lesão. Mas não adianta se fechar. É bom ter alguém pra amar e dividir os medos, acredite!

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Tinha um sapato no meu caminho…

Cris Costa - segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 09:23

Ok, concordo que muitas vezes fazemos carinha de “cute-cute” pra conseguir as coisas, ou algum chamego. Mas… em contrapartida “sofremos” com a bagunça, esquecimento e distração alheios. Seja de namorado, marido, esposa, mãe, periquito ou papagaio.

Querem ver?

Quem nunca empacou a roda da cadeira num sapato perdido no meio da sala, ou do quarto? E quando você pede alguma coisa e colocam na prateleira, mas não é nem na beirada, colocam quase lá no fundo mesmo, onde não se alcança? Ou colocam coisas de seu uso diário, tipo copo para beber água por exemplo, naquela segunda prateleira do armário da cozinha, bem lá no alto? Ou, ainda, quando você ainda tá dormindo, sua cadeira está “no caminho” e empurram só um pouquinho pro lado, mas esse pouquinho é o suficiente pra você não alcançá-la quando acorda?

E a mania de tapetes? Pra que tapetes?! Não só os da sala como os do banheiro ou cozinha, que teimam em engalfinhar na sua rodinha da frente, ai é briga pra mais de 1 minuto até desenrolar. E os brinquedos? Ah, os brinquedos… Já decapitei uns três bonequinhos do Playmobil. Que minha sobrinha não me escute, rs.

Que cadeirante nunca passou por uma situação dessas? Sim, claro que não é proposital. Mas que me deixa doida, isso deixa. Já quase zuni um tênis pela janela uma vez. Então, não merecemos um chameguinho extra?

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O Cadeirante e Eu

Bianca Marotta - quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 - 09:45

Símbolo de um cadeirante dando a mão a uma mulherTalvez você esteja se perguntando: “Mas afinal? Qual a relação da Bianca com o tal cadeirante? Parente? Amiga? Colega de trabalho?”. Se você pensou em namorada, acertou. Pois é, eu namoro um cadeirante. E como é um namoro recente, ainda sou surpreendida por situações inusitadas e engraçadas. Achei que seria divertido colocar algumas aqui.

Por exemplo, a primeira vez que saímos juntos. Nunca tinha saído com uma pessoa com deficiência física. Acho até que nunca tinha tido muito contato com pessoas com deficiência física antes. Fiquei me perguntando se acharia estranho, se teria que ajudar, se ficaria sem graça. Acabou que foi tudo ótimo. Ele foi me buscar em casa e fomos a um quiosque na Lagoa. E já nesse primeiro encontro, fui apresentada aos pequenos percalços de se transitar numa cadeira de rodas pelo Rio de Janeiro.

Pra começar, tinha um carro lindamente estacionado em frente à rampa de acesso à calçada. Bonito, hein? Eu fiquei meio sem saber se tinha que empurrar, puxar, ajudar… Por sorte a calçada não era alta e ele subiu sozinho. Logo em seguida, percalço número dois, sentar-se à mesa. O quiosque que escolhemos tinha as mesas super grudadas umas nas outras. Tive que deixá-lo do lado de fora e ir perguntar ao gerente onde tinha lugar sobrando. Depois de alguns desvios, chegamos lá.

Ah, sim! A noite foi tão boa, que do quiosque fomos para um restaurante que só fecha de manhã cedo. Percalço número 3! Como o local era suuuper apertado, na hora de pagar a conta, meu então futuro namorado precisou me dizer a senha do seu cartão/ticket alimentação. Não tinha como ele chegar até o caixa. E o comentário do garçom fechou a noite com chave de ouro: “Ih! Teve que dar a senha pra ela? Tá ferrado!”

Mas o que mais estranhei mesmo, foram os olhares alheios. Não adianta. Todo mundo olha. Ou com cara de curiosidade, ou de pena, ou de admiração. Quase que dava pra ler seus pensamentos: “O que será que esse rapaz tem? Será que foi acidente? Nasceu assim?” ou “Coitado, tão jovem. Que coisa triste.” Ou ainda “Será que eles são namorados? Que coisa bonita, né? Um cadeirante com uma pessoa ‘normal’”. Atualmente, acho engraçado e nem percebo mais, só que na época, como era tudo novidade, dava pra “sentir” esses olhares.

Mas quer saber? Hoje em dia, já encaro tudo com tanta naturalidade, que só me lembro que meu namorado é cadeirante, quando temos que ir a um lugar com escada na entrada ou com mais de um andar e sem elevador.

Tomara que consigamos ajudar a resolver essas chatices com nosso blog!

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