Tokleve Milenium Sport – Avaliação
Christian Matsuy - segunda-feira, 7 de junho de 2010 - 09:57
Após um “pequeno atraso”, estou postando a avaliação de três anos e alguns meses de uso da cadeira Tokleve Milenium Sport (fabricação interrompida em 2009). Mesmo que a cadeira não seja mais fabricada, o relato é interessante para vocês conhecerem os defeitos, qualidades e soluções encontradas para um modelo como esse.
Por mais de 15 anos utilizei cadeiras da Ortobrás (Gazela Ultra Lite, com opcional de apoio de pé tubular), uma cadeira honesta avaliada em média por 1500 reais na época, com alguns opcionais.
Mas eis que vi a Tokleve Milenium, a primeira nacional monobloco tipo “cantilever” que conheci (não tenho informações se foi a primeira). Sempre preferi as cadeiras não dobráveis, pela estabilidade que elas oferecem. Essa cadeira custava, em 2005, cerca de 3200 reais e podendo facilmente atingir 3800 sem nenhum acessório importado.
Fui até uma loja representante da Tokleve aqui em São Paulo e o vendedor deu algumas explicações básicas sobre a cadeira. No show room, havia três delas. De cara, notei a má qualidade das cadeiras expostas (jogo absurdo na roda, outra com o sistema quick release quebrado), nisso chega um médico com sua Milenium recém adquirida para fazer reapertos e eliminar o jogo nas rodas, encosto, freios… A cadeira estava “bamba” e sendo ele um pouco gordinho, com certeza sentiria ainda mais esse desconforto.
A desculpa do vendedor foi que, por se tratarem de cadeiras de amostra, às vezes até empréstimos, elas eram mal cuidadas… Mas ele não soube explicar os problemas da cadeira recém entregue.
Mesmo assim eu comprei. Fomos para a parte das medidas, daí percebi o quão importante é conhecer nossas medidas e o que queremos mudar ou melhorar na aquisição de uma cadeira nova.
Deixei que o vendedor tirasse minhas medidas e quando via alguma coisa estranha eu dava meu palpite, mas sem muita importância… Lembrando que o vendedor no caso não tinha nenhuma formação em “seating”. Ele deve ter recebido algumas orientações básicas, mas nada mais aprofundado.
Minha cadeira chegou dentro do prazo (90 dias) e fui buscar. A cadeira parecia um TRATOR, de tão alta que ficou. Colocaram rodas de 7 polegadas na frente e, por serem tão grandes, não faziam os 360 graus da circuferência!!! A roda batia no apoio dos pés e não era possível dar ré. Erro de cálculo feio!
Foi a primeira coisa que notei e fiquei puto. Logo veio uma outra pessoa da loja que prontamente disse para trocar por rodas de 5 polegadas. Foi necessário fazer um furo no garfo, pois não havia furação para rodas de 5″ e mesmo assim isso não resolveu o problema definitivamente. Ainda tive que tive que subir um pouquinho o descanso de pés, pois era onde as rodas batiam.
A troca das rodas resultou em uma cadeira sem tilt que é a diferença entre a altura dianteira e traseira do assento ao chão. Um erro grave em se tratanto da minha lesão C4/C5 com pouquissimo equilíbrio. Tive que improvisar um cinto de segurança na primeira semana pois o medo de cair pra frente era muito grande. Andar amarrado na cadeira é horrível.
Fui com a cadeira pra casa, e começei a notar os incômodos da cadeira alta, como por exemplo não entrar debaixo da mesa da minha própria casa.
O encosto foi feito em uma altura que pegava bem no osso da minha escápula, o que ia me gerar um machucado dos grandes, consegui utilizar um pedaço extra de espuma e contornar mais esse problema.
No terceiro dia me bateu o total arrependimento e descontentamento com a cadeira, pois ela não estava me fazendo bem, muito pelo contrário. Decidi ir até a loja e ver o que poderia ser feito.
Para resumir a história, a loja não admitia o erro e eu também não. Depois de muita discussão e eu com pressa em resolver, aceitei o acordo da loja em pagar 700 reais e ter um quadro totalmente novo. Com as medidas que eu especificasse sendo total responsável dessa vez caso desse errado.
Demorei mais dois meses para receber o quadro novo, mas veio tudo nas medidas que eu indiquei. Dessa vez, sem interferência do vendedor. Quando sentei pela primeira vez na cadeira já senti a diferença. O conforto que eu queria era tanto que nem voltei para a antiga! O único porém: como eu queria que a cadeira fosse mais fechada na parte do descanso dos pés, eles não me avisaram que seria colocado um tipo de decanso regulável em altura. Esse descanso regulável até que foi útil depois, mas acabava com a estética da cadeira (veja na foto acima).
Largura de assento: 40cm
Profundidade de assento: 44cm
Altura de encosto: 53cm
Angulo frontal: 85 graus (nas minhas contas tem 75)
Rodas dianteiras: 5 polegadas
Rodas traseiras: 24 polegadas
Altura traseira do assento ao chão: 45cm
Altura frontal do assento ao chão: 55cm
Tilt: 10cm
Centro de gravidade: 3cm avançado
Opcionais:
Assento rígido em alumínio (na época não tinha encosto rígido)
Roda anti-tombo (nunca usei)
Laterais protetoras em alumínio dobráveis
Quick release nas rodas dianteiras
Aros de impulsão com pinos
Acabamento de encosto em nylon com ajuste de tensão por velcros
Manoplas rosqueáveis
Depois de cinco meses de espera e mais 700 reais de prejuízo, finalmente consegui rodar com minha cadeira. Comecei a usar a cadeira para trabalhar, passear etc.
Achei que pelo fato do formato do quadro, eu teria alguma vantagem de colocá-la nos porta malas, mas devido à grande altura do descanso de pés ao chão às vezes ela não cabia (por pouco) em um porta malas de carros sedan.
Assim como a cadeira do outro médico (lembra dele no início do post?) a minha começou a apresentar rangidos e barulhos logo no segundo dia. Sorte eu ter acesso a ferramentas e pessoas que tem uma formação em mecânica e entendem um mínimo pra avaliar os erros e falhas na cadeira.
Foi feita toda uma revisão, e apertamos tudo como deveria. Por minha conta, pois não estava afim de me desgastar com pedido de garantia para um reaperto. As rodas traseiras vieram com muito jogo, e uma delas não travava o quick release às vezes e, quando travava, emperrava e era necessário fazer muita força para soltar. Esse problema que foi resolvido com uma regulagem.
Segue a lista de problemas apresentados e que voltaram a acontecer com frequência de aproximadamente 3 meses:
- Algumas porcas não apresentavam arruela de pressão, ou não eram do tipo torks, que já vem com um plástico que evita que a mesma se solte com a vibração;
- Falta de adesivo Loctite trava roscas, principalmente nas rodas traseiras (causa principal do jogo constante);
- Baixíssima qualidade dos eixos quick release, apresentando inclusive diferenças de tamanho entre eles (aprox. 2 milimetros medidos no paquímetro);
- Material plástico utilizado de baixa qualidade. O botão do quick ressecou e quebrou facilmente com uma batida. Aliás, esse botão não deveria ficar sobresaltado, mas foi a única maneira de corrigir o jogo das rodas traseiras;
- Rodas dianteiras de baixa qualidade, fácil de ressecar, deixando a roda dura e com tendência a abrir fissuras (o que ocorreu com 1 ano de uso). Tive que comprar um novo par;
- Sistema de aperto da bengala do encosto tipo Allen que batia metal com metal arrombando o buraco;
- Falta de uma faixa extra de velcro no encosto para evitar perda de tensão;
(solucionei arrumando uma faixa da minha antiga cadeira)
- Sistema do suporte lateral dobrável feito em plástico que se ressecou e quebrou um lado (2 anos); (tive que solicitar junto a tokleve essa peça).
- Pinos do aro de impulsão que se perdiam no meio da rua ficando o metal aparente, na verdade o pino é uma peça plástica que é encaixada em uma lingueta de metal no aro; (tive que solicitar pinos extras, e solucionei utilizando cola branca).
- Regulagem das alavancas de freio muito difíceis e falta de adesivo Loctite trava roscas. Mesmo sendo porcas de pressão, as mesmas com o tempo ficavam moles, fazendo muito barulho ou saindo da posição e diminuindo a eficiência do freio;
- Rodas em alumínio, porém muito fáceis de empenar, com baixa resistência a impactos e diferenças de nível, que é o que mais temos em nossas ruas; As rodas ficaram muito, mas muito judiadas com 3 anos de uso. Mesmo com tentativa de desempenar, alinhamento e reaperto de raios, continuaram ruins;
- Altura das manoplas muito baixa em relação ao encosto, gerando um desconforto pra quem empurra a cadeira por longos trajetos;
Basicamente esse foi o meu test drive de 3 anos e alguns meses de uso dessa cadeira.
Tenho ela até hoje, como uma cadeira reserva, fiz uma manutenção básica antes de deixá-la em segundo plano e está guardada.






