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Vamos trabalhar? – parte 2

Christian Matsuy - segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 - 12:08

Lendo o post da Cris, fiquei inspirado a falar um pouco de como foi a minha volta (dos que não foram) ao mercado de trabalho.

Calma, eu explico: na verdade, não foi uma volta e sim um começo, pois eu nunca havia trabalhado antes de ser cadeirante, tinha 15 anos quando me acidentei e ainda estava no colégio.

Creio que, como aconteceu com os demais autores do blog, mesmo ainda adolescente, ingressar no mercado de trabalho foi uma das minhas grandes preocupações e ainda internado no hospital eu já brincava com as possibilidades num jogo mental de “posso – não posso fazer”.

Deixa eu dar uma encurtada na conversa aqui, senão vira livro :)

Bom, terminei meus estudos, faculdade, fiz alguns outros cursos de especialização, mas não tinha nada em vista. Esse negócio de lei de cotas e acessibilidade em locais de trabalho não havia nascido ainda (1990)! Já os concursos públicos sempre me barraram no edital, pois a pessoa tem que ter um mínimo de autonomia.

Mas com o bom domínio de conhecimentos de informática, sempre fiz bicos desde meu colegial (eu já estava até meio conformado em ser um prestador de serviço), e isso se prolongou até 1997, quando ví um anúncio em um grande provedor de acesso à Internet recrutando pessoas com deficiência para trabalho à distância.

Apesar do salário digamos que… ridículo, me candidatei e fui aprovado com uma certa rapidez, pois segundo o RH da empresa, mesmo nessas condições haviam pouquíssimas pessoas com as qualificações mínimas exigidas (saber utilizar as ferramentas do Office e ter um bom conhecimento de Internet). Fiquei sabendo que foram contratadas seis pessoas para exercerem a mesma função Brasil adentro. Em 2 meses, todos foram dispensados, menos eu. O pessoal não estava dando conta do serviço. Minha gerente da época me ofereceu uma vaga interna pra fazer o serviço desse pessoal, mas eu recuseiMEDO. Muito medo de sair de casa e passar 8 horas longe dos meus pais.

Tenho uma lesão super alta (C4/5), o que me torna muito dependente. Na hora você já imagina aquelas situações chatas de esvaziar coletor, alimentação etc… pô, eu estava muito inseguro. Continuei trabalhando em casa com uma carga horária ampliada e salário melhorado. Fiquei 3 anos nessa vida e mais uma vez estava me conformando com a situação, que não era incômoda, mas não remunerava bem e tomava muito tempo.

Continuou assim até essa mesma gerente que me chamou pra trabalhar mudar de emprego. Assim que ela mudou, ligou e disse que me queria junto de qualquer jeito, mas tinha que ser pra trabalhar no local! Daí pensei muito, muitas noites sem dormir até que aceitei fazer uma entrevista. Ao mesmo tempo, pensava no lance dessa oportunidade não bater novamente em minha porta. Detalhe que ela não tinha idéia da minha deficiência, e com certeza ela achava que era algo mais leve, mas confesso que foi uma sensação boa, de alguém te chamar pela sua qualificação.

Apesar desse “choque inicial”, de imediato coloquei minhas necessidades básicas: alguém que me auxiliasse com a alimentação, água, xixi (esvaziar meu coletor de perna), e entrar e sair do carro. Pro meu espanto ouví: -”é só isso que você precisa?” E foi assim! Pro meu espanto, a ajuda sobrava… As pessoas sempre muito solícitas e é assim até hoje. E não estou falando de empresa pequena, e sim uma indústria multinacional com mais de 1000 funcionários. Infelizmente essa não é a situação real do mercado. Sabemos que as empresas garimpam as pessoas “menos deficientes possíveis”, e que tenham autonomia pra se virar sozinhas. Já escrevi sobre isso nesse post.

Era um trabalho completamente diferente do que eu realizava, mas nada que eu não soubesse. A princípio detestei, mas a proposta salarial realmente pesou e eu comecei a gostar aos poucos daquilo que estava fazendo. Querendo ou não, aprendi a ter um comportamento corporativo devagarzinho. E fui fazendo amizades, me identificando com as pessoas, o que facilitou mais ainda esse lance da ajuda.

Até campanha pro Teleton eu fiz!

Campanha Teleton 2003

Um ano após eu entrar nessa empresa, fizeram uma proposta de promoção de cargo, uma coisa que jamais esquecerei na vida. E dois anos mais tarde veio outra… E cá estou eu, a 8 anos na mesma empresa.

O que posso concluir e deixar de dica é que a qualificação profissional ajuda superar muitas barreiras, sejam físicas ou de preconceito.

Estar “apresentável” também faz diferença (na verdade isso vale pra qualquer um). Não adianta você achar que vai conseguir um emprego usando calça de abrigo, com o umbigo aparecendo e a camiseta suja de molho de macarronada, que não vai. Saiba trabalhar isso em você. Seja cadeirante, mas seja limpinho, ok?

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Vamos trabalhar?

Cris Costa - quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 - 16:35

Voltar a trabalhar ou entrar no mercado de trabalho não é fácil pra ninguém, e quando se tem alguma deficiência ainda é um pouco mais complicado. Com a lei de cotas, o mercado melhorou muito. Eu sei que esse muito tá longe de ser bom ou mesmo razoável, mas que melhorou é fato. Lembro que há 10 anos atrás era bem mais complicado conseguir trabalho e as vagas disponíveis para deficientes eram bem mais limitadas. Nem vou entrar no quesito salário, pois era de chorar.

Lembro que quando me senti pronta pra voltar ao mercado fiquei bem perdida, sem saber por onde começar. Não sabia se ia direto pra iniciativa privada ou se estudava para algum concurso. E além disso, tinha várias questões envolvidas: estava sem carro, há 2 anos fora do mercado, não tinha me formado na faculdade e não fazia idéia de como seria ficar 8 horas seguidas sentada. Mas não via outra opção: ou encarava as dificuldades ou não ia sair do lugar.

Acabou que pintou uma oportunidade de trabalhar 3 vezes por semana numa clínica particular de reabilitação na parte administrativa. O salário era péssimo, a função não me empolgava, mas precisava começar em algum lugar e sair casa. A experiência não foi lá muito boa. O salário não pagava o que gastava com transporte e não tava me acrescentando muita coisa. Até os donos da clínica sabiam disso. Mas foi lá que apareceu uma outra oportunidade. Me falaram que o CVI tava fazendo processo seletivo e que talvez fosse uma boa oportunidade. Topei na hora, e fui lá fazer o tal processo seletivo. Mais uma vez, a atividade não me empolgava. O salário era melhor mas sabia que ia todo no transporte. Mesmo assim, achei que valia. Era pra uma empresa de grande porte, e as possibilidades de melhoria eram boas. E seriam apenas 6 horas por dia, o que me agradava na época. Passei no processo seletivo, fiz o treinamento e um mês depois já tava trabalhando. A área que eu estava era praticamente só de deficientes. Na época foi bom, pois acabei aprendendo muito e tendo uma troca muito bacana com pessoas que tinham bem mais tempo de lesão. Vi gente que já trabalhava há muito tempo, alguns formados, outros casados, enfim, todos levavam uma vida normal. Isso foi muito marcante e me fez ver que as possibilidades estavam abertas pra mim.

Um adendo nada a ver: curiosamente, foi nessa empresa que conheci o cara mais marrento que já vi, um tal de Nickolas Marcon.

Voltando ao assunto, depois de quase um ano na mesma área, surgiu uma oportunidade de trabalhar em outra área da mesma empresa. Já era algo que tinha mais a ver comigo e com um salário que me daria condições de comprar um carro. Me candidatei na hora e depois de entrevistas e conversas, consegui a vaga. Fazendo algo que me dava uma perspectiva melhor, vi que era hora de começar a investir em estudo pra que pudesse continuar crescendo, e assim foi. Fiz vestibular, estudei, me formei e fui melhorando. Fiz outra faculdade e me formei. Agora estou procurando uma pós para fazer. Recebi propostas de outras empresas, algumas boas, outras não. Arrisquei, acertei e errei. Mas essa parte, independe de deficiência, é igual pra todo mundo. O importante é se qualificar para poder buscar oportunidades melhores e de acordo com seu perfil.

É interessante também se informar sobre a empresa que está contratando. Acreditem, já vi algumas contratarem apenas pra cumprir cota.  Se a pessoa era qualificada e podia fazer um bom trabalho, não importava. Tava ali cumprindo a mesma função de um móvel. E isso é ruim tanto para empresa quanto para o funcionário.

Mas o bom é que nesse meio tempo as oportunidades oferecidas melhoraram. Sim, ainda precisa evoluir muito e me aborrece ainda ver empresas anunciando vagas específicas para deficientes. E, normalmente, são de telemarketing ou auxiliar de alguma coisa. Na boa? Se estamos trabalhando para inclusão, o ideal seriam as empresas abrirem vagas para TODOS e, se o cara for cadeirante, deficiente auditivo ou visual, isso não deveria ser empecílio. O que deve importar é o currículo, a experiência e a capacidade de cada um. Mas enquanto isso não acontece, vale tentar se especializar, estudar, fazer uma faculdade… Ok, sei que não é fácil. Nada ajuda, tudo é caro e os meios de transportes são uma vergonha, mas vale pensar adiante e o quanto as portas podem se abrir se você estiver mais preparado. Tente entrar em contato com ONG’s que não só tem contato com empresas como também oferecem cursos profissionalizantes. Faça um esforcinho, pequise e se informe. Nada que o Google não ajude. Aqui no Rio, posso dizer que o CVI e o IBDD fazem um excelente trabalho nessa área. Vale dar uma olhada no site deles.

Enfim, é apenas minha humilde opinião e experiência. Dificuldades sabemos que existem. O importante é estar preparado e agarrar as oportunidades que aparecerem.

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Acessível ou não?

Nickolas Marcon - sexta-feira, 24 de setembro de 2010 - 12:49

Será que TODOS os ambientes onde circulam pessoas, públicos e privados, devem ser acessíveis para pessoas com deficiência? Essa é uma pergunta que sempre gera muitas discussões.

Há alguns dias recebemos um email de um leitor que questionava sobre essa exigência das leis brasileiras. Sim, leitores, pelas leis vigentes atualmente, todos os lugares a serem construídos ou reformados devem ser livres de barreiras arquitetônicas.

Mas não seriam apenas locais públicos? Não, pois locais de natureza privada são frequentados por todas pessoas. Sendo assim, o conceito de acessibilidade deve se estender a todos. Afinal, quem garante que uma pessoa com deficiência física não precisará utilizar esses lugares? Deficientes físicos também trabalham, consomem, demandam todo tipo de serviços e interagem socialmente. No caso dos cadeirantes, diria que a diferença está apenas na sua preferência por usar rampas e elevadores ao invés de escadas.

Antes de falar sobre o aspecto legal, vejamos alguns exemplos práticos:

1. Comércios: todo deficiente é cliente em potencial. Trabalham, produzem, ganham dinheiro e querem gastá-lo. Incontáveis vezes já vi comércios perderem clientes por não serem acessíveis. Esse fato é tão frequente que já foi abordado até em telenovelas. Lembrando que o deficiente raramante vai a um lugar desses sozinho. No caso de um restaurante, por exemplo, a falta de acessibilidade fará o estabelecimento perder o faturamento de todas as pessoas “andantes” que estiverem junto com o deficiente; essas pessoas deixarão de experimentar o lugar e não voltarão outras vezes nem o recomendarão para outras pessoas. Já escrevi sobre isso no meu primeiro post no blog.

2. Indústria: a lei trabalhista obriga a contratação de deficientes segundo algumas regras que valem para todas as empresas. É claro que não veremos um cadeirante circulando no meio de uma siderúrgica, mas todas as indústrias possuem áreas administrativas. Eu mesmo já trabalhei em uma delas. Já tive contato com o caso do dono de uma fábrica pré-moldados que ficou paraplégico num acidente de moto e, para continuar administrando sua empresa, adaptou todo o canteiro de trabalho para permitir sua circulação. Outro exemplo seria uma indústria de confecções, onde as pessoas trabalham sentadas na sua maioria. Por que não poderiam contratar uma exímia costureira que teve algum problema de saúde que prejudicou sua locomoção, mas não sua habilidade manual?

3. Prestadores de serviço: algumas empresas até preferem contratar deficientes, tanto para atender à legislação como também porque eles costumam se dedicar melhor ao trabalho do que outras pessoas. Imaginem uma oficina mecânica que também resgata veículos sinistrados: infelizmente, já tive a experiência pessoal de ter meu carro envolvido em um acidente e tive que comparecer três vezes a uma oficina para acompanhar orçamentos e discutir indenização com a seguradora. Se a oficina não fosse acessível, eu teria indicado o conserto para ser feito em outro lugar, pois havia várias opções. Acho que o caso mais conhecido de deficientes prestadores de serviço são os serviços de telemarketing: a maior empresa do Brasil (e muitas outras) contrata EXCLUSIVAMENTE deficientes físicos para trabalhar no seu setor de tele-atendimento, pois a eficiência desses funcionários tem rendido sucessivos elogios dentro da empresa, além de vários prêmios de reconhecimento.

4. Edificações habitacionais: as construtoras hoje valorizam a acessibilidade em todos os novos lançamentos, tanto pela questão legal quanto pela exigência da clientela. O número de idosos hoje é crescente na população brasileira. A expectativa de vida é cada vez maior. Qualquer comprador de um imóvel que tenha hoje 40 anos sabe que com 60 anos poderá ter dificuldades para subir escadas. Um casal jovem de 25 ou 30 anos sabe que andar com um carrinho de bebê será uma dificuldade num prédio com escadas. Sem falar que acidentes acontecem com qualquer pessoa e são as principais causas de paraplegia/tetraplegia no mundo. Uma pessoa pode fazer uma babilônia de degraus na sua casa? Pode, claro, pois é seu espaço. Mas um profissional da construção competente saberá identificar os costumes do seu cliente e propor soluções mais acessíveis em sua casa dependendo da sua necessidade, pois sabe que um imóvel pode ser uma coisa para a vida toda. Imóveis com boa acessibilidade também são mais valorizados.

Quanto custa fazer uma rampa e deixar um local acessível? Se for um projeto a ser construído, o custo é zero, pois não há padrão anterior para comparar com a construção existente. Se for uma reforma, será que a construção de rampas e adaptação de banheiros encarecerá demais a obra? Comparando-se esses custos com o retorno que podem trazer trará a conclusão de que prover um estabelecimento de acessibilidade não é só uma questão de assistencialismo, é também uma questão de lucratividade. Não é preciso ser nenhum mestre em marketing para saber que ganhar um cliente é um ótimo negócio, pois gera toda uma nova cadeia de consumo.

Ainda há a parte legal. A mesma Constituição Federal que garante ao indivíduo o direito à propriedade da sua casa e do seu carro, garante o direito de ir e vir a qualquer estabelecimento, sem exceções. Assim, a acessibilidade não é uma questão a ser discutida. Lei existe para ser cumprida. Não é possível estabelecer uma lei que faculte a adequação de ambientes, pois assim todos optariam pela solução mais simples e a lei seria inútil.

As principais legislações sobre o assunto são a Lei Federal 10.098/2000 e o Decreto 5.296/2004. Atualmente, é a NBR 9050 que orienta a acessibilidade nas construções.

Qualquer estabelecimento que não esteja de acordo com os dizeres legais poderá sofrer sanções de acordo com o nível da administração pública envolvido na fiscalização (Decreto 5.296/04, artigo 3º). O dono de um estabelecimento fechado pode deixar o lugar sem acessibilidade? Pode, pois é sua propriedade. Mas ele não obterá alvará de funcionamento do seu negócio caso a prefeitura cumpra a lei. Também poderá sofrer multas e sanções se não cumprir as legislações trabalhistas que preveem adequação do local de trabalho a todos os funcionários. Na maioria das cidades a lei é cumprida, mas no Rio de Janeiro…

Coloquei aqui alguns argumentos para alimentar a reflexão a respeito da questão de acessibilidade. É uma visão particular que não é estática e está sempre aberta a novos argumentos. Críticas e comentários dos leitores são bem-vindos, pois só enriquecem a discussão.

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Oportunidade de Trabalho – Rio de Janeiro

Eduardo Camara - quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 - 11:02

A vaga abaixo é real, para início imediato e o selecionado vai trabalhar na equipe de um amigo meu. A empresa é uma multinacional de grande porte no ramo de mineração, e está adaptada para receber cadeirantes.

*** Os currículos devem ser enviados para vcapille@gmail.com ***

Formação necessária:
Economia, Administração, Estatística, Ciencia da Computação ou Engenharia.

Conhecimentos desejáveis:
Gestão de Processos;
Gerenciamento da Rotina;
Mapeamento de Processos;
Melhoria Continua e Qualidade;
Domínio do Pacote MS Office;
Inglês Avançado;

Atividades:
Mapeamento de processos e definição de KPI´s para medição de performance;Analisar os GAPs de performance e propor Plano de Ação;
Apoiar a implantação do Plano de Ação, medindo e apresentando os resultados;
Preparar material para reuniões de performance;
Apoiar os donos de processo em ações de melhoria contínua;
Desdobramento de metas;



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Dia de fúria! – Malditas Lojas Americanas

Bianca Marotta - quarta-feira, 14 de outubro de 2009 - 09:40

Nosso objetivo aqui no blog sempre foi o de mostrar soluções e dicas que facilitem a vida de pessoas com deficiência física. Ao invés de ficar reclamando do que há de errado, preferimos mostrar o que se tem feito de positivo em prol da acessibilidade e melhoria da qualidade de vida.

Mas… chega uma hora em que a gente não agüenta, fica com raiva mesmo! Foi por isso que resolvemos instituir aqui no blog o “Dia de Fúria”! A partir de hoje, vamos nos dar o direito de reclamar de alguma coisa, pelo menos uma vez na semana. Como forma de protesto e desabafo!

E pra começar, coloco aqui um email que o Dado recebeu sobre a contratação de pessoas com deficiência pelas Lojas Americanas. Leiam e entendam nossa indignação!

“Prezados,

A Lojas Americanas está buscando promover uma efetiva inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais em seu ambiente de trabalho.

Estamos dando prosseguimento à etapa de recrutamento e seleção para o preenchimento de diversas vagas nas Lojas que se localizam na cidade do Rio de Janeiro.

Nesse momento, estamos avaliando currículos de pessoas portadoras de necessidades especiais que estajam de acordo com o perfil abaixo:
- Idade: 18 a 30 anos
- Escolaridade: 2º grau completo
- Deficiências: Visual (apenas portadores de visão subnormal), Auditiva (perda auditiva modrada), Física (menos cadeirante).
Os interessados devem enviar o currículo para pne@lasa.com.br

Atenciosamente,
RH
Lojas Americanas S.A.”

Não dá vontade de dar na cara da pessoa que escreveu esse texto? Notem os pré-requisitos:
Deficiências: Visual (apenas portadores de visão subnormal), Auditiva (perda auditiva modrada), Física (menos cadeirante). Cadê a “efetiva inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais” da qual eles falam no início do email??? Sinceramente, nota ZERO pras Lojas Americanas! Vergonhoso!!!

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Processo Seletivo – Assistente I – Portador de Necessidades Especiais

Bianca Marotta - sábado, 10 de outubro de 2009 - 16:37

A Gerência de Operações da PETROS está realizando Processo Seletivo interno e externo para prover duas vagas de Assistente I (uma para o Rio de Janeiro e uma para Salvador), destinadas a portadores de necessidades especiais. Os interessados deverão atender ao seguinte perfil:

Formação:
Ensino Médio Completo

Perfil Exigido:
Disponibilidade para realização de viagens com frequência;
Boa redação;
Iniciativa;
Facilidade de Relacionamento.

Atividades a serem exercidas:
• Representar a Petros em audiências judiciais;
• Registrar, controlar e atualizar os registros relativos às atividades de prepostos;
• Operar e consultar os diversos sistemas operacionais que dão suporte às atividades da Gerência de Operações;
• Prestar apoio na sua área de atuação, executando rotinas e controles diversos, efetuando levantamentos, conferências e cálculos na realização de atividades técnicas, designados pelo superior imediato;
• Suporte administrativo aos demais setores da Gerência.

Os interessados deverão enviar currículo para o e-mail curriculos@petros. com.br mencionando no campo assunto o cargo Assistente I (Rio) ou Assistente I (Salvador).

O prazo para inscrição é até o dia 15/10/2009.

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A Chemtech e seu ótimo exemplo de inclusão

Cris Costa - segunda-feira, 22 de junho de 2009 - 15:38

 

É muito comum falar sobre inclusão hoje em dia, ainda mais nos ambientes corporativos. Mas ainda vemos muitas empresas contratando deficientes apenas por causa da lei de cotas, porém sem estrutura ou cultura para receber profissionais com deficiência. A experiência acaba não sendo tão boa ou produtiva quanto poderia. E nem vou comentar sobre as empresas que alegam não ter deficientes capacitados para cumprir as cotas necessárias, ou as que contratam apenas pessoas com deficiência leve. O assunto ainda é delicado e pouco discutido, mas sei que basta a empresa querer e entender o que realmente é inclusão – que pra mim é tratar todos da mesma forma – para que as coisas aconteçam. O Jairo Marques, do Blog “Assim como você” já tinha feito um post sobre a Chemtech - empresa especializada em soluções de engenharia e TI -  falando sobre a postura da empresa na hora de contratar deficientes, mas achei que podíamos falar mais um pouco sobre o assunto e mostrar como foi o processo na hora de contratar deficientes e o resultado dessa experiência. Conversamos com Daniella Gallo, gerente de RH da Chemtech, e percebemos que contratar deficientes não é um bicho de 7 cabeças . Basta querer.

Cris: Como a Chemtech se estruturou para contratar pessoas com deficiência? (Como foi o processo seletivo, o que procuraram nos candidatos)

Daniella: Antes de iniciar os processos seletivos, fizemos uma parceria com o IBDD – Instituto Brasileiro de Pessoas com Deficiência e promovemos uma palestra para conscientização e sensibilização dos gerentes e líderes da Chemtech. Nesta palestra o IBDD falou sobre o cenário atual, sobre as dificuldades na empregabilidade de pessoas com deficiência, mas, principalmente, nos fez perceber a importância da causa e da responsabilidade que todos nós temos em ajudar, não no sentido assistencialista, mas dando oportunidades iguais para os profissionais com deficiência.
No início dos processos seletivos, começamos a buscar profissionais que tivessem a formação e a experiência necessária para atuar nos projetos da empresa. Mas logo percebemos que devido ás dificuldades reais que os deficientes possuem, somadas à falta de apoio do governo, sempre é mais difícil para pessoas com deficiência terem acesso às universidades e ao mercado de trabalho. Neste momento, tomamos a decisão de inverter o foco: ao invés de buscar profissionais que se encaixavam nas vagas existentes, resolvemos procurar pessoas com o perfil comportamental desejado pela empresa e avaliar o potencial delas, tentando identificar em quais posições da empresa (mesmo que não houvesse vagas em aberto) elas poderiam contribuir e se desenvolver. Além disto, entendemos que era responsabilidade também da Chemtech, colaborar para a capacitação de pessoas com deficiência. Então fizemos um processo buscando pessoas com o perfil comportamental da Chemtech e potencial para trabalhar com ferramentas de SW e promovemos os cursos de AutoCAD gratuitamente para cerca de 30 profissionais com deficiência e contratamos cerca de 10 alunos no final.
Outros pontos importantes:

1. Em nenhum momento do processo escolhemos o tipo de deficiência. O primeiro funcionário contratado neste processo foi o Ricardo Gonzalez que é tetraplégico. E eu tive o total apoio da diretoria (Rubião e Denise) para contratá-lo!

2. Buscamos deficientes “resolvidos”, isto é, aqueles que não tinham pena de si mesmos e eram amargurados; buscamos pessoas que conseguiram vencer a deficiência, no sentido de aceitar a limitação, mas não deixar-se vencer por ela!

Cris: Foi necessário fazer grandes alterações na estrutura da empresa (rampas, banheiros, softwares)? O custo foi alto?

Daniella: Não. Tivemos que adaptar alguns andares (instalação de rampas e barras nos banheiros) para torná-los acessíveis. Estamos fazendo isto aos poucos, conforme formos contratando cadeirantes para cada andar. Nossa intenção é que toda a Chemtech seja acessível. Além disto, adquirimos o SW de comando de computador por voz para o Ricardo. Pequenas e poucas alterações foram requeridas.

Cris: Qual foi a maior dificuldade na contratação? (barreiras arquitetônicas, candidatos com pouca qualificação…)

Daniella: Conforme expliquei no item 1, tivemos dificuldades no início, pois estávamos procurando candidatos qualificados para as vagas existentes. Depois que mudamos o foco da seleção e investimos em capacitação, ficou mais fácil.

Cris: Houve algum treinamento para as áreas que iriam passar a incluir deficientes em suas equipes? Como foi?

Daniella: Sim. Promovemos encontros com as equipes que iriam receber novos colegas deficientes, com o objetivo de conscientizá-los e prepará-los. A idéia é sempre passar a seguinte mensagem: agir com naturalidade, não ter uma postura assistencialista e entender que o novo colega é mais um profissional, que será cobrado da mesma forma que os demais.

Cris: O resultado do trabalho dos funcionários com deficiência foi o esperado?

Daniella: Surpreendemos-nos com a maioria dos deficientes contratados, pois são profissionais com ótima postura, batalhadores e pessoas que enriquecem o nosso dia-a-dia. Foram poucos os casos que necessitaram de alguma atuação extra, como realocação ou dificuldade de adaptação – dentro do percentual normal, que ocorre em qualquer contratação, independente da deficiência!

O site da Chemtech é: www.chemtech.com.br 

 

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