Eduardo Camara - sexta-feira, 23 de outubro de 2009 - 12:14
A viagem do Rio até Madri, onde fizemos uma conexão para Munique, foi bem tranquila. As comissárias de bordo da Iberia foram simpáticas e o serviço de bordo correto. Quando chegamos ao Barajas, o lindíssimo aeroporto de Madri, o pessoal do Sin Barreras (já falamos sobre eles aqui no blog!) nos esperava.
O Sin Barreras é referência mundial na recepção de pessoas com deficiência em aeroportos, mas confesso que em alguns momentos me incomodei um pouco com os funcionários tentando empurrar minha cadeira o tempo todo, mesmo depois de eu dizer que não havia necessidade. Além disso, a van do Sin Barreiras que usamos estava em mal estado de conservação. A impressão que tive foi de que o serviço piorou sensivelmente de um ano para cá.
De Madrid para Munique, a Iberia deu uma pisada de bola nos colocando bem atrás no avião – o que dificulta a entrada e saída – ainda em lados opostos do corredor. Por sorte o vôo não estava cheio e a Bianca conseguiu sentar ao meu lado. Tirando isso, o vôo foi tranquilo e duas horas e meia depois chegamos ao aeroporto de Munique, de nome impronunciável*.Lá o desembarque demorou um pouco mais, com a Iberia colocando a culpa no pessoal do aeroporto e vice-versa. Pelo que entendemos o pessoal do aeroporto não tinha sido avisado da necessidade de uma cadeira de bordo para desembarcar o cadeirante. Ai, ai, ai…

No aeroporto de Munique não existe um serviço especial como o Sin Barreiras. Quem faz o embarque e desembarque são funcionários “genéricos”, todos solícitos, mas bem mais objetivos e que ajudam apenas no que é necessário. Gostei mais desse jeito. Ainda no aeroporto, tentamos pegar as primeiras informações sobre o S-Bahn, o trem que vai até o centro da cidade. O pessoal do centro de informações estava (ou era?) totalmente sem saco, e limitou-se a nos apontar onde ficava a bilheteria do trem. Quando estávamos em frente à bilheteria, um simpático casal alemão, que estava para embarcar em um vôo, se aproximou e ofereceu o tíquete deles para nós. Oba! Alguns euros economizados!

Explicando para quem não entendeu: em muitos lugares do mundo é comum venderem um “passe” que dá direito ao uso de qualquer tipo de transporte por 24hs. Você paga um valor fixo e pega QUANTOS METRÔS, TRENS e ÔNIBUS quiser. Como o casal tinha comprado o passe apenas para ir ao aeroporto e ele ia perder a validade, deram para nós.
O serviço de S-Bahn é excelente, bastante acessível e liga o aeroporto diretamente ao centro da cidade. Bastou pegar um elevador do saguão do aeroporto e caímos direto na plataforma de embarque do trem. Em exatos 40 minutos (exatamente como previsto no painel eletrônico), chegamos ao nosso destino, a estação central de Munique (Hauptbahnhof).

Uma dica para saltar no lado correto da estação: sempre que a estação de trem/metrô tiver uma plataforma de embarque/desembarque no meio, entre os trens que estão indo e os que estão vindo, o elevador está nessa plataforma, pois assim pode ser compartilhado por quem vai pegar trem em uma ou outra direção. Claro que não nos ligamos nisso e saímos do lado errado. Sorte que tinha uma escada rolante e deu para subir numa boa.

Logo na saída da Hauptbanhof havia um centro de informações turísticas, com funcionários bem mais simpáticos do que os do aeroporto. Nos indicaram no mapa onde ficava nosso hotel e, como era pertinho, fomos andando. Todas as calçadas no caminho eram rebaixadas e o respeito no trânsito impressionante! Carros respeitando pedestres e pedestres respeitando carros. Ninguém ultrapassa o sinal ou atravessa a rua quando não deve. Quanto ao hotel, nenhuma surpresa. Recepção simpática, quarto legal e banheiro muito bem adaptado. Maiores detalhes num próximo post!
Descansamos um pouco, demos uma olhada em uns roteiros que fizemos e saímos para dar uma voltinha até a praça principal da cidade, a Marienplatz. A primeira impressão foi ótima! A cidade, mesmo em uma 4ª feira, estava super cheia e animada. Além disso, é linda, limpa e tem lugares super charmosos.


* Nota da Bianca: O nome, que o Dado diz ser impronunciável, é Flughafen München, e não quer dizer
nada além de aeroporto de Munique :P
Eduardo Camara - sexta-feira, 23 de outubro de 2009 - 11:59
Em Munique – assim como em diversas cidades do mundo – você tem a opção de comprar bilhetes para cada viagem de metrô/ônibus, comprar passes diários ou ainda passes para vários dias. Se você viajar em grupo, há também uma opção de comprar um passe que vale para até 5 pessoas (crianças contam como "meia pessoa"). Bem vantajoso financeiramente.
Para quem chega na cidade de avião, basta pegar um elevador no saguão principal para sair direto na plataforma do trem (S-Bahn) que leva ao centro da cidade (estação Hauptbahnof) em menos de 40 minutos. Melhor impossível!
Nas ruas, quase todas as calçadas são lisinhas, sem obstáculos, e as esquinas tem rampas suaves. E já que Munique é uma cidade plana e as distâncias na sua região central são pequenas, aproveitamos para conhecê-la à pé durante a maior parte do tempo.
Também basta andar um pouco pelas ruas da cidade para perceber o quanto os motoristas e ciclistas são educados ( É muito raro ouvir buzinas pela rua) e como o transporte público funciona bem. Mesmo quando fomos para lugares fora do centrão, como o castelo Nymphemburg, pudemos contar com transporte público, bastante acessível.
E por falar em acessibilidade, atualmente quase todas as estações do U-Bahn (metrô) são acessíveis, assim como os bondes e ônibus que circulam pelas ruas da cidade. O transporte menos acessível de Munique é o S-Bahn, o trem que vai para lugares mais distantes: esse tem apenas 73% das estações adaptadas. Nada mal, né?
Um resumo sobre os transportes que usamos:
U-Bahn: é o metrô. São trens que circulam pela área mais central da cidade. Praticamente todas as estações tem elevador. Para se ter uma idéia, o mapa do metrô indica as estações que NÃO SÃO ACESSÍVEIS, pois são exceções. Um porém: alguns dos trens que circulam são antigos, e há uma alavanca para abrir as portas, além de um degrau que pode ser bem alto (20cm) para entrar e sair do vagão. Foi o transporte que mais usamos!
S-Bahn: são os trens que vão para áreas periféricas da cidade. O único que pegamos foi para ir do aeroporto ao centro da cidade. Trem novinho em folha, totalmente acessível! Não sei se todos são assim.
Bondes (Tram): são pequenos bondes de superfície que passam pelas ruas, junto com os carros. Quase 90% deles é acessível através de uma plataforma móvel super rápida. No começo é estranho ver os bondes circulando pela cidade, mas depois dá para perceber como é uma boa opção de transporte.
Ônibus: a maioria deles também é acessível, mas tendo metrô e bonde servindo a cidade toda, quem vai pegar ônibus? :-)
Uma curiosidade: em Munique, assim como em toda Alemanha, não há roletas/catracas nos meios de transporte. O passageiro deve simplesmente validar seu tíquete em uma máquina quando entra na estação de metrô ou no bonde/ônibus. E não tem calote? Sim, tem! Só que, se os caloteiros forem pegos pela fiscalização, terão de pagar uma multa de 40 euros. Durante nossa viagem, vimos os fiscais – à paisana – entrarem em ação duas vezes.
Link útil:
MVV – Transportes públicos de Munique: contém informações sobre todos os serviços de transporte (mapas, tarifas etc) em alemão, inglês, espanhol, italiano e francês.
Eduardo Camara - sexta-feira, 23 de outubro de 2009 - 11:06
Definir um roteiro de viagem, pelo menos para mim, envolve duas coisas: interesse em conhecer os lugares e a acessibilidade dos destinos. A vontade de conhecer a Alemanha já vinha de algum tempo e, sabendo que a acessibilidade por lá é levada a sério, ficou fácil.
Começamos nossa viagem de férias em Munique, considerada por muitos como uma das cidades mais bonitas da Alemanha. Próxima aos Alpes e a diversos castelos medievais, a capital da região da Baviera também é conhecida por abrigar a Oktoberfest original e, como não poderia deixar de ser, pelo alto consumo de cerveja.
A primeira descoberta que fiz sobre a Oktoberfest aconteceu antes mesmo de viajarmos: ela começa em setembro, e não em outubro como o nome sugere. Aí o bobão aqui pensou: oba, vamos estar em Munique em plena Oktoberfest!!! Ingenuidade minha. A cidade fica lotada durante a época da festa, que começa na 2ª quinzena de setembro e termina no 1º domingo de outubro, e fica impossível conseguir um hotel sem muita antecedência. A solução foi viajarmos duas semanas antes e, mesmo sem ter visitado a Oktoberfest, valeu à pena!
Uma boa dica para as pessoas com deficiência que pretendem visitar Munique é baixar online dois guias oferecidos pelo escritório de turismo local: o guia geral de acessibilidade de Munique (Arquivo PDF em inglês – 411 KB) e um outro contendo mais detalhes sobre os hotéis acessíveis da cidade (Arquivo PDF em inglês – 756 KB). Apesar dos guias não serem tãããão atuais (foram feitos em 2005), são um bom ponto de partida.
Cris Costa - terça-feira, 22 de setembro de 2009 - 09:04
Esses homens loucos e seus transportes acessíveis. Em Miami o que mais tem é opção de transporte acessível. Incrível, né? Mas se soubesse como seria, teria alugado um carro. Pelo que vi da cidade, muitas coisas ficam distantes. Pra quem vai ficar mais de 2 dias e estiver disposto a passear bastante, vale a pena. Não só é fácil alugar um carro adaptado, como você ainda aluga com GPS (alguns lugares tem GPS em português), aí fica molinho de circular pela cidade. Só vale ficar atento aos limites de velocidade, pois em muitos lugares o limite é de 30milhas/h (uns 50km/h). Mas com certeza é mais barato do que ficar zanzando de taxi. Até porque tem uns taxistas que parecem ter saído de uma sessão de vodu. Algumas vezes rezei por minha vida, para não ser raptada e ter meus órgãos vendidos. Neuroses de quem viaja sozinha à parte, sinceramente, acho o aluguel de carro uma ótima opção. Se não, a melhor. Veja apenas com o Hotel o quanto eles cobram pela diária do estacionamento.
Ah, mas lá não tem ônibus adaptado??? Tem sim. Todos naquele estilo de ônibus que abaixa e desce uma rampinha. Tudo bem simples, sem manutenção cara e que não quebra. O problema dos ônibus é que são poucos, não passam por muitos lugares interessantes (só alguns shoppings) e passam de 30 em 30 minutos. Alguns tem um intervalo menor, de 15 minutos, mas não circulam por todas as ruas. Não achei uma opção muito interessante.

E tem os taxis. Muitos deles. Mas se essa for a sua escolha, se prepare para se deparar com os motoristas mais bizarros que já viu na sua vida: desde cubanos usando chapéu Panamá e escutando música dos anos 50, passando por brasileiros te oferecendo muamba, ou sexagenários maconheiros, até os voduzeiros que já mencionei acima, os quais não faço a menor idéia de onde vem. Não entendia uma palavra do que diziam. Além de enfrentar essas figuras, prepare-se para gastar. Nada em Miami é perto. É capaz de gastar U$ 80,00 dólares (ida e volta) só pra ir a um shopping. Depende de onde está hospedado, claro. E tem muitos taxis adaptados. Tipo uma mini-van, no qual você entra no carro por trás (uiiii) sem precisar sair da cadeira. Eu achei bem legal, sempre que podia, pedia um desses, não é difícil de conseguir. Certifique-se apenas de que o taxista sabe pra que serve aquela mala grande, vazia e com uma rampa no meio. Peguei um daqueles vodus que não fazia a menooooooor idéia do que fazer, nem onde encaixar os ganchos pra segurar a cadeira. Uó! Sinceramente, vale pensar com carinho na possibilidade de alugar um carro.
E claro, Miami é um bom lugar para se passear pelas ruas. Principalmente em South Beach. É bem acessível, rampas por todos os lados, tudo bastante convidativo a um passeio ao ar livre. Tanto pelas avenidas quanto pela orla.
Cris Costa - segunda-feira, 21 de setembro de 2009 - 09:46
Miami é uma cidade bem legal, principalmente pra quem quiser fazer umas comprinhas. Mas o mais importante: pra quem é marinheira de primeira viagem solo, como eu, é extremamente acessível e fácil de andar sozinha. Não achei muitas atrações na cidade, mas dá pra fazer bastante coisa. Meu programa favorito ficou sendo passear em uma rua chamada Lincoln Road. Uma parte dela é fechada para carros, então você tem uns 4 ou 5 quarteirões pra circular tranquilamente. Tem muitas lojas famosas (Gap, Banana Republic, Oakley, entre outras), além de charmosos restaurantes e bares. À noite você encontra algumas boates bastante badaladas. Pra quem ficar hospedado em South Beach, vale a pena passear por lá.

Ainda na linha das comprinhas, tem alguns Shoppings como o Aventura Mall e o Ball Harbour Shops. Esse último, pelo menos no meu caso, é só pra visitar mesmo. Lá estão as lojas das grifes mais caras do planeta, mas vale um passeiozinho. Quem sabe você não esbarra com alguma celebridade por ali?
Pra quem gosta de Outlets, tem dois: O Dolphin Mall e o SawGrass. São bem legais, mas um pouco distantes. Pra quem for pegar um taxi, prepare-se para desembolsar uma boa grana pra chegar até eles. Também tem o Bayside Mall , mas me desaconselharam ir lá, pois tem muito batedor de carteira. Preferi não arriscar, e não fui. E um passeio que também vale fazer é ir à famosa rua Ocean Drive, que fica de frente para a praia, e tomar uma bebidinha no News Café.
Para quem gosta de atrações com animais, tem o Seaquarium, com shows de golfinhos e baleia. E se você desembolsar U$ 200,00, pode nadar com os golfinhos. Confesso que achei meio caidinho o local, mas até que valeu. Só fica ruim pra tirar fotos, pois a cadeira fica na altura do vidro, e não acima como o resto da platéia. Aí, as fotos saem assim ó:

Ah, sim e o tempo de você bater a foto é inversamente proporcional ao tempo que os bichinhos pulam. Resultado: Muita água nas fotos e pouco golfinho.
Se esses lugares todos são acessíveis? Em Miami existe uma coisa incrível: lei de acessibilidade que funciona. Demorei a entender esse conceito, mas isso é assunto para outro post. Andei tranqüila pelas ruas da cidade. Claro que não é perfeito, algumas calçadas são um pouco inclinadas, mas só. Nem com as rampas eu tive problema. E quando achava que estava cansada e não ia ter força, pedia uma ajudazinha e ficava tudo bem. Ah sim, e os banheiros adaptados? Até os restaurantes que ficam dentro dos shopping são obrigados a tê-los. Ninguém passa aperto por ali.
Uma dica importante: leve um dicionário básico de espanhol. En la ciudad de Miami, no se abla português ou english. Es todo cucaracho.
Links Uteis:
http://www.aventuramall.com/
http://www.miamiseaquarium.com/
http://www.balharbourshops.com/
http://www.newscafe.com/
Cris Costa - sábado, 19 de setembro de 2009 - 09:01
Pois é, achei que era hora de me testar (coisa de gente doida mesmo, devo ter resolvido isso durante uma crise de TPM) e viajar sozinha. Hora de conhecer meus limites. Tudo bem, ano passado viajei pra Salvador sozinha, mas infelizmente, a cidade não é muito acessível e não pude fazer muita coisa, apesar de ser uma cidade linda. Mas dessa vez queria ir um “pouquinho” mais longe e para um lugar onde soubesse que poderia andar tranquila e não ficar preocupada com acessibilidade. Nem pensei muito. Por questões de tempo de vôo, “tempo” ($$$) e idioma, lá fui eu pra Miami, a cidade mais cucaracha do mundo. Como seria apenas uma semana, achei que era melhor ficar só pela cidade mesmo, e deixar pra ver o Mickey numa próxima oportunidade. Foi muito bom poder fazer o que eu quisesse, na hora que quisesse e se quisesse. Sem culpa. A viagem era toda minha!
Foi tudo muito tranquilo, desde o vôo, o hotel até os passeios. Só a volta que foi um pouquinho estressante, mas nada de mais. Sei que já falei disso aqui antes, mas vou repetir: a gente nunca sabe o nosso limite. Nunca achei que fosse chegar numa cidade sozinha e sair zanzando, olhando tudo, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ok, num lugar acessível isso é fácil de fazer, mas conheço muita gente que não tem problemas de mobilidade e que não colocaria o nariz pra fora do hotel se não estivesse acompanhada. Pois bem, lá fui eu, feliz e saltitante peruar por South Beach.
Ao mesmo tempo que ficava feliz por poder andar pelas ruas tranquila, me batia uma tristeza de não ter as mesmas facilidades na minha própria cidade. Tristeza e vergonha. Quando perguntava por lá, se algum lugar tinha acesso, e me respondiam “Claro que sim, é a lei. Tem que ter. Vai tranqüila”, não entendia o que aquilo queria dizer, e ainda me espantava quando chegava ao local e descobria que realmente tinha acesso por todos os lados. Doido não? Mas era assim mesmo. As vagas marcadas para deficientes são respeitadas. Tudo bem que sob a pena de uma multa de U$ 250,00. Era uma sensação estranha ter tanta liberdade e a tranqüilidade de saber que não ia ter problemas. Uma pena que aqui as coisas sejam tão diferentes.
Foi uma experiência de independência única, e com certeza muito importante. Já tô matutando minha próxima viagem. Muitos se espantaram por eu ter "coragem" de viajar sozinha. Não vejo desssa forma. É muito fácil viajar pra uma cidade acessível. Difícil é morar no Rio de Janeiro.